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sexta-feira, 17 de março de 2023

LIÇÃO 13 - AVIVA, Ó SENHOR A TUA OBRA.

PROFº PB. JUNIO - CONGREGAÇÃO BOA VISTA II.

 

                TEXTO ÁUREO

"Ouvi, Senhor, a tua palavra e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos a notifica; na tua ira lembra-te da  misericórdia." (Hc 3.2)


            VERDADE PRÁTICA

É vontade de Deus avivar a sua obra nestes últimos dias até que o Senhor Jesus volte.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: HC 3. 1-2, 16-19.


                    INTRODUÇÃO

O livro de Habacuque é o oitavo dos profetas menores. Embora ele esteja distante de nós mais de 2.500 anos, sua mensagem é atual, e sua pertinência, insofismável. Os tempos mudaram, mas o homem é o mesmo. Ele ainda é prisioneiro das mesmas ambições, dos mesmos descalabros morais, da mesma loucura.   Habacuque profetiza num tempo em que sua nação, o reino de Judá, estava à beira de um colapso. Porque retardou o seu arrependimento e não aprendeu com os erros de seus irmãos do Reino do Norte, que foram levados cativos pela» Assíria em 722 a.C., entrariam, também, inevitavelmente no corredor escuro do juízo. As tempestades já se formavam sobre a cidade orgulhosa de Jerusalém. O tempo da oportunidade havia passado. Porque não escutaram a trombeta do arrependimento, sofreriam inevitavelmente o chicote da disciplina.   O princípio de Deus é: “Arrepender e viver”, ou: “Não se arrepender e sofrer”. O cálice da ira de Deus pode demorar a encher-se, mas, quando transborda, o juízo é iminente e inevitável. E impossível escapar das mãos de Deus. O homem pode burlar as leis e corromper os tribunais da terra, mas jamais enganar Aquele que se assenta no alto e sublime trono. O homem pode esconder seus crimes e sair ileso dos julgamentos humanos, porém jamais o culpado será inocentado diante dAquele que sonda os corações (Ex 34.7).    Os temas levantados por Habacuque são manchetes dos grandes jornais ainda hoje. Habacuque está nas ruas.  Sua voz altissonante ainda se faz ouvir. Seus dilemas são as nossas mais profundas inquietações. Suas perguntas penetrantes são aquelas que ainda ecoam do nosso coração.  Por isso, estudar Habacuque é diagnosticar o nosso tempo, é abrir as entranhas da nossa própria alma, é buscar uma resposta para as nossas próprias inquietações.


            I.   O CLAMOR PELO AVIVAMENTO

1.   A intercessão angustiada do profeta   -   O profeta Habacuque foi considerado um “profeta filósofo” por conta das suas expressões eloquentes no seu relacionamento com Deus. O livro, que tem o seu nome, deve ter sido escrito entre os anos 605 e 597 a.C., quando o Senhor interveio contra o povo eleito em meio à terrível pecaminosidade que dominava o reino de Judá.    Incrivelmente, os povos de Israel e de Judá foram os que mais receberam as bênçãos de Deus na sua história. O seu livramento da escravidão egípcia, que durou mais de 400 anos, por intervenção divina seria suficiente para jamais aquele povo esquecer-se da grande bondade e misericórdia de Deus para com ele, em cumprimento às promessas feitas pelo Senhor a Abraão, a Isaque e a Jacó. No entanto, ao longo dos livros do Antigo Testamento, sobretudo os livros proféticos, vemos que Israel foi o povo mais ingrato ao seu Deus. Desde o livro de Juízes, a Bíblia registra que o Senhor considerou Israel como “povo obstinado” (Êx 32.9; 33.3; Dt 9.6,13).   O profeta Habacuque registrou parte dessa história de falta de gratidão a Deus e de temor ao seu santo nome. Diante da gravíssima iniquidade de Judá e a aparente inação dos céus, o profeta dirige-se a Deus, clamando pela sua justiça. Era tremendamente urgente a necessidade de um avivamento espiritual para o povo que estava em total decadência, abusando da bondade e da misericórdia de Deus. Os dias atuais não são diferentes. São piores, em termos de iniquidade e desprezo pela Palavra de Deus.    Nos carnavais, os homens debocham de Deus, de Cristo e da sua Igreja e são aplaudidos de pé por multidões dominadas pelo Diabo, mas o seu fim já está previsto na Lei de Deus.    Habacuque muito sofreu diante da iniquidade avassaladora que havia em Judá. E ele, como mensageiro de Deus, nada podia fazer além de orar e clamar ao Senhor. O que mais o angustiava era o fato de perceber que Deus não agira prontamente contra a corrupção espiritual e moral do seu povo. No seu clamor pela intervenção divina, podemos ver alguns aspectos da situação deplorável do povo.

2.   A aparente indiferença de Deus   -    […] uma sociedade decadente é onde a impunidade prevalece (1.4a). Habacuque diz: “Por esta causa, a lei se afrouxa…” (1.4). Delitzsch diz que a palavra “lei” aqui é a Torah, ou seja, a lei revelada em toda a sua substância, que tinha o propósito de ser a alma e o coração de toda a vida política, religiosa e doméstica. A. R. Crabtree, por sua vez, entende que Habacuque não está falando aqui simplesmente da lei no sentido da revelação divina, mas da lei orgânica ou estatutária, baseada no Pentateuco e administrada pelos anciãos ou juízes.     Essa lei já não tinha mais autoridade nem respeito em Judá. Ela era paralisada e ineficaz, não produzindo nenhum resultado positivo. A lei tinha sofrido um golpe de nocaute, e a iniquidade era o vitorioso incontestável. David Baker afirma que o resultado dessas injustiças sem fim é que a lei (a principal força que deveria tê-los sob controle) se afrouxa. A lei deveria ser o alicerce da ordem divina para a sociedade (Ex 18.16,20; Is 2.3; Jr 32.23), mas esta estava sem vigor. Concordo com Isaltino Gomes Coelho Filho quando afirma que a palavra “lei”, torah, neste contexto não se trata da lei revelada. Esta não afrouxa nunca (Is 40.8). O termo está sendo aplicado à lei jurídica. Ela brota da lei revelada, e, por isso, é chamada de torah.    A lei não passava de uma mera peça de decoração a enfeitar o leito de uma sociedade em estado terminal. A lei existia, mas não era cumprida. A lei estabelecia limites, mas estes não eram respeitados. Os infratores tinham plena consciência de que seus crimes não seriam apanhados ou jamais seriam punidos exemplarmente. Onde a impunidade prevalece, a lei fica frouxa, e o povo amarga desilusão. Em Judá, as pessoas más ganhavam, e as pessoas boas perdiam.     Os juízes não mais tomavam decisões justas. A lei, que fornecia os ensinamentos morais, tinha sido abandonada.    A nação de Judá tornou-se destituída de lei.     Em sétimo lugar, uma sociedade decadente é marcada por um poder judiciário impotente ou corrompido (1.4b).     Habacuque diz: “[…] a justiça nunca se manifesta…” (1.4).    A justiça nos tribunais era uma piada, porquanto o dinheiro, e não a justiça, determinava o resultado dos julgamentos e os decretos dos reis. A justiça não se manifestava por duas razoes: por fraqueza dos magistrados ou por conivência deles com os esquemas de opressão. Naquele tempo, Judá estava sendo governada por homens maus. A liderança da nação estava rendida aos crimes mais execráveis. Quando a liderança se corrompe, o povo geme.    Warren Wiersbe diz que os problemas de Judá eram causados por líderes que não obedeciam à lei. Os ricos exploravam os pobres e escapavam do castigo subornando os oficiais. A lei era ignorada ou distorcida, e ninguém parecia se importar. Os tribunais eram corruptos, os oficiais só se interessavam em ganhar dinheiro, e a admoestação de Êxodo 23.6-8 era completamente desconsiderada.   A certeza da impunidade é um poderoso estímulo para o transgressor. E esta a razão moral pela qual o crime deve ser punido. Além de ser transgressão, é estímulo. E é por essa razão que um cristão não se compactua com o mal. Ser conivente é estimular o erro. “A justiça nunca se manifesta” é a consequência da impunidade e da corrupção, diz Isaltino Gomes Coelho Filho.    Russell Champlin diz que não havia mais verdade objetiva e final em Judá. O pragmatismo e o utilitarismo prevaleciam.    Os injustos eram peritos no seu poder de enganar e roubar os justos e inocentes. Os judeus da época tinham se tornado em ateus práticos (Tt 1.16). Provavelmente, professavam crença em Deus, mas viviam em consonância com seus interesses próprios, que eram o seu deus real.

3.   A resposta pronta de Deus    Vede entre as nações, olhai, maravilhai-vos, e desvanecei. A resposta para a inquirição do profeta viria a ele de maneira surpreendente. A corrupta nação de Judá seria severamente corrigida através da agência de um poder estrangeiro, a saber, a briguenta Babilônia, uma nação muito mais corrupta do que Judá, se isso fosse possível.      “Dentre os pagãos” virá o terror que corrige, o látego de Yahweh. Essa será uma maravilha espantosa. E deve ter parecido um ponto de admiração para o profeta, que não teria imaginado que tal instrumento corretivo seria usado. Outros- sim, esse fenômeno viria na própria época do profeta. Ele seria uma testemunha do profeta.    Embora houvesse uma divina revelação do fato, não era do tipo em que Habacuque teria crido. As ordens estão no plural, para incluir a observação do povo em geral, que ficaria surpreso diante do ataque que tinha por propósito curar, mas que seria realmente severo. Ver a citação paulina deste versículo em Atos 13.41. Mas ele aplicou essas palavras, como uma acomodação à missão do Messias entre os gentios. Acomodação significa que as palavras são aplicadas a uma ideia diferente do que o contexto original pretendia.    Pois eis que suscito os caldeus, nação amarga e impetuosa. Os caldeus são os mesmos babilônios. Ver no Dicionário o artigo chamado Caldéia. Essa palavra refere-se a um distrito do sul da Babilônia que fez parte do território da Babilônia em uma época posterior. Seu nome acabou referindo-se ao país inteiro. Ver também sobre a Babilônia. O povo é aqui descrito como “cruel e poderoso” (NCV). A NIV diz: “brutal e impetuoso”.      Eles eram opressores da primeira ordem e totalmente destituídos de restrições morais. As palavras hebraicas envolvidas são mar (amargo, brutal) e mahar (rápido, apressado, impetuoso). Ezequiel chamou esse povo de ‘aris, “que lança o terror”. Ver Eze. 28.7; 30.11; 31.12 e 32.12. Em harmonia com sua natureza vil, eles estavam efetuando ataques generalizados (internacionais) contra povos vizinhos, matando e saqueando, apossando-se de territórios de não lhes pertenciam. “Judá era apenas uma partícula de poeira para o gigantesco aspirador de pó” (J. Ronald Blue, in loc).    Ela é pavorosa e terrível. A Babilônia não se incomodava com a opinião pública ou as leis internacionais. “Cria, ela mesma, o seu direito e a sua lei” (NIV).    Eles promoviam sua própria honra e auto-engrandecimento, e não se importavam com a simpatia humana. “Eles faziam o que bem queriam fazer. Eram bondosos somente consigo mesmos” (NCV). Eram modelos de atos brutais e interesseiros, que deixavam espantados a outros pagãos. Foi um fato histórico interessante que Abraão tinha migrado de Ur da Caldéia, pelo que a história remota de Israel estava associada a esses povos.    Mas agora os caldeus e os babilônios tinham entrado em erupção, e a lava deles fluía por todo o mundo conhecido na época.Era inútil esperar qualquer misericórdia. Eles eram um machado perfeito para decepar a nação de Judá. E o profeta Habacuque se admirava de que Deus usasse um instrumento de tão aviltado caráter para castigar o povo de Judá. Mas o teísmo bíblico (ver a respeito no Dicionário) comumente pinta Yahweh a usar qualquer tipo de látego em suas intervenções entre as nações e os indivíduos. Isso levanta questões morais do ponto de vista mais iluminado do cristianismo.    Os seus cavalos são mais ligeiros do que os leopardos. Mais Descrições sobre os Babilônios. Eles tinham os melhores cavalos de combate, tão velozes que pareciam correr mais do que os leopardos. O leopardo não é o mais rápidos dos grandes felinos, mas é muito mais veloz do que um cavalo. Além disso, o leopardo é animal de presa, que não tem misericórdia com as suas vítimas. E os babilônios eram mais ferozes do que os lobos que atacam ao escurecer do dia quando estão famintos, caçando vítimas para comer.    Os babilônios eram vorazes e estavam sempre à procura de novas vítimas. De fato, eram como abutres sobrevoando a carniça, ou como águias que voavam à espera de encontrar uma presa, sobre a qual se precipitavam como uma flecha. Cf. Jer. 4.13; 5.17 e Lam. 4.19. Os réprobos babilônios devoravam tudo quanto podiam e ainda cativavam as poucas vítimas sobreviventes. Eram especialistas no genocídio. este versículo também com Deu. 28.49; Jer. 48.40; 49.22 e Eze. 17.5.


                II.    O AVIVAMENTO PELA PALAVRA

1.    Ouvir a Palavra de Deus   -   A Palavra e a oração nos colocam no caminho da restauração (3.1,2)

A Palavra de Deus e a oração são os dois grandes instrumentos que nos levam à vitória. Ouvir Deus por meio da Palavra e falar com Deus por meio da oração são a receita para uma vida vitoriosa. Destacamos três importantes verdades:    a) Ouvir a Palavra de Deus é a única maneira de enfrentarmos vitoriosamente a crise (3.2). O profeta Habacuque ouviu Deus falando que disciplinaria Judá pelas mãos dos caldeus, e isso encheu o seu coração de espanto. Entretanto, agora, Deus fala ao profeta que vai julgar a Babilônia e derramar sobre os pecadores impenitentes cinco “ais” de juízo. A opulenta e megalomaníaca Babilônia seria banida do mapa, e suas glórias seriam apenas peças decorativas dos museus.     O profeta escuta sobre a disciplina de Judá e acerca do juízo sobre a Babilônia, e isso o deixa alarmado. A Palavra de Deus trouxe impacto ao coração de Habacuque. Ele ficou alarmado ao perceber que o Deus santo e soberano não deixaria de julgar o pecado, seja na vida do seu povo, seja na vida daqueles que se prostram diante dos ídolos. A revelação de Deus transformou o Habacuque questionador no Habacuque adorador. Tirou-o do vale do medo para a montanha da fé.    Isaltino Gomes Coelho Filho afirma que o fato de Habacuque ter ouvido a Palavra de Deus lhe trouxe segurança.    O mesmo escritor recomenda: E por essa razão que precisamos ouvir a Palavra divina, quer por meio do estudo pessoal das Escrituras, quer por meio da nossa participação nos cultos, ouvindo mensagens bíblicas. A Palavra de Deus, quando ouvida com sinceridade, produz em nós uma visão muito mais clara de quem é Deus e de como Ele age, além de nos proporcionar segurança.    b) Ouvir a Palavra de Deus deve nos levar à oração fervorosa (3.2). Palavra e oração precisam andar de mãos dadas.    Não podemos separar aquilo que Deus uniu. Habacuque ouve e Habacuque ora. A Palavra de Deus produz em nós dependência de Deus. A voz de Deus nos põe de joelhos.    Os apóstolos entenderam que precisavam dar primazia à oração e ao ministério da Palavra (At 6.4). Ao longo da História, a Igreja triunfou quando deu primazia à Palavra e prioridade à oração. De outro lado, sempre que a Igreja abandonou a trincheira da fidelidade à Palavra e o zelo pela oração fervorosa, ela se desviou e se perdeu.    c) A oração que honra ao Senhor deve caminhar da humilhação do homem para a exaltação de Deus (3.2). O profeta começou a orar ao Senhor, e não discutir com o Senhor, e sua oração logo se transformou em louvor e adoração.

2.    Temer a Deus   -   Eu ouvi, e temi. As mensagens que procedem imediatamente do céu normalmente causam consternação até mesmo aos melhores homens, sim, até mesmo aos mais corajosos; Moisés, Isaías e Daniel temeram e se abalaram grandemente.    Mas, além disso, o assunto desta mensagem fez o profeta ficar com medo, quando ele ouviu como o povo de Deus seria abatido, debaixo do poder opressor dos caldeus, e por quanto tempo eles iriam continuar debaixo dele; ele estava com medo que os ânimos deles esmorecessem, e desejava que a igreja não fosse totalmente arrancada e destruída; e, sendo abatida por tanto tempo, não acabasse se perdendo.    Ele ora vigorosamente para que por causa dos eleitos estes dias de angústia pudessem ser abreviados, ou que a aflição destes dias pudesse ser mitigada e moderada, ou que o povo de Deus a suportasse e se consolasse debaixo dela.

3.   O clamor pelo avivamento   -   O clamor pelo avivamento nos leva de volta ao favor do Senhor (3.1,2)

Avivamento é um dos temas mais falados e mais distorcidos na igreja evangélica da atualidade. Muitos confundem avivamento com dons espirituais, com estilo litúrgico ou com a presença de sinais e milagres. Outros pensam que o avivamento pode ser administrado pela igreja e que ela pode determinar o tempo da sua chegada. Há aqueles que confundem entusiasmo humano com o mover do Espírito e grandes multidões com abundantes conversões.     O avivamento verdadeiro vem do céu. E de Deus. E obra soberana do Espírito Santo. O avivamento sempre está centrado na Palavra de Deus. Onde prospera a heresia, não existe avivamento, pois o Espírito não honra aqueles que desonram a verdade. O avivamento sempre leva a igreja à oração, à santidade e ao trabalho. Vamos destacar alguns pontos desse clamor de Habacuque:    a) O tempo em que a igreja deve buscar o avivamento (3.2). Habacuque pede que Deus avive sua obra no decorrer dos anos. Ele não pensa apenas nele e na sua geração. Sua preocupação é com a manifestação da glória de Deus ao longo da História. O avivamento está focado em Deus, e não no homem; na glória de Deus, e não nos direitos do homem; na Salvação dos povos, e não na prosperidade deles.     O avivamento deve ser o anseio da igreja em todos os tempos, em todos os lugares. As vitórias do passado não são suficientes para a igreja avançar hoje. Os derramamentos do Espírito no passado não são suficientes para encher a igreja do Espírito Santo hoje. Devemos orar pelo avivamento sempre. Devemos nos preparar para o avivamento sempre.    Devemos desejar ansiosamente por ele sempre. Nossa oração deve ser a mesma de Habacuque: “Aviva a tua obra no decorrer dos anos”.    b) A base em que a igreja deve buscar o avivamento (3.2). Habacuque pede o avivamento a Deus não confiante na justiça própria ou confiado nos merecimentos do povo de Judá. Ao contrário, ele diz: “[…] na tua ira, lembra-te da misericórdia” (3.2). Habacuque sabe que Deus é santo e justo. Ele sabe que o pecado provoca a ira de Deus. Sabe que o pecado merece o juízo divino. Contudo, ao mesmo tempo, ele reconhece que Deus é misericordioso e capaz de amar infinitamente os objetos da sua ira. Por isso, pede clemência, e não justiça. Ele sabe que é das entranhas da misericórdia divina que fluem os rios caudalosos do avivamento.     O avivamento vem quando Deus se volta da Sua ira para a misericórdia. O avivamento acontece quando Deus volta Sua face para o Seu povo em favor misericordioso. O avivamento não é merecimento da igreja; é favor de Deus.    c) O autor do avivamento que a igreja deve buscar (3.2).     O avivamento é obra de Deus, e não do homem. Ele não é promovido pela igreja; é concedido pelo Espírito Santo. A igreja não agenda avivamento; ela pode apenas buscá-lo.    A igreja não produz o vento do Espírito; ela pode apenas içar suas velas na sua direção. A igreja não é dona da agenda do Espírito Santo. Este sopra onde quer, como quer, e ninguém pode detê-lo ou administrá-lo. O avivamento é obra soberana de Deus. Só o Senhor pode fender os céus e derramar o Seu Espírito. Habacuque não marca a data do avivamento; ele, humilde, o pede a Deus.     d) A urgente necessidade que a igreja tem do avivamento (3.2). O profeta Habacuque pede avivamento, e não ausência de sofrimento. Pede a manifestação poderosa de Deus no meio do seu povo, e não prosperidade econômica e política para o seu povo. Ele quer Deus, mais do que as bênçãos de Deus. O avivamento é a expressa vontade de Deus e a vital necessidade da igreja. Destacamos quatro pontos importantes sobre o avivamento:    – a necessidade imperativa do avivamento. Vivemos hoje a crise das polarizações. Há igrejas que têm doutrina, mas não crescem; há igrejas que crescem, mas não têm doutrina nem ética. Há aqueles que são ortodoxos na doutrina, mas são liberais na ética. São ortodoxos de cabeça e hereges de conduta. Uns têm caráter, mas não têm carisma; outros têm carisma, mas não têm caráter. Os que sabem não fazem; os que fazem não sabem. Vivemos hoje a polarização entre a aridez espiritual e o emocionalismo. Há aqueles que pensam que, se uma pessoa não chora no culto, ela é seca; outros pensam que os que choram são vazios. Estou certo de que uma mente invadida pela verdade produz um coração quebrantado e olhos molhados. A vinha de Deus está murcha, e a figueira está sem frutos. Por isso, precisamos clamar por um avivamento espiritual.     – a confusão sobre o avivamento. Muitos confundem avivamento com cacoetes pentecostais, com modismos heterodoxos, com danças litúrgicas, com coreografias pirotécnicas, com cifltôs encharcados de emocionalismo e propagandas de milagres. Outros confundem avivamento com ajuntamento. Nem sempre uma multidão reunida é sinal de avivamento. O avivamento não é fabricado na terra, mas agendado no céu. A igreja não produz as chuvas do Espírito; ela pode apenas dobrar os joelhos e clamar para que elas venham regar a terra. O avivamento é obra do Espírito Santo, que traz restauração para a igreja, salvação para o mundo e glória para Deus.       – o conteúdo do avivamento. O avivamento é concebido no útero do quebrantamento e nasce com o choro do arrependimento.    O avivamento é marcado por oração abundante.     Assim como a chuva cai sobre a terra seca, as torrentes do Espírito vêm apenas sobre os sedentos (Is 44.3). Não há derramamento do Espírito sem que a igreja tenha sede de Deus. Hoje, a igreja está substituindo o Deus das bênçãos pelas bênçãos de Deus. A igreja quer a dádiva, mais do que o Doador; quer a bênção, mais do que o Abençoador; quer as riquezas do mundo, mais do que as riquezas do céu. Essa atitude está na contramão do verdadeiro avivamento. O verdadeiro avivamento também traz revestimento de poder para uma igreja que está impotente. Hoje, a igreja tem ricos templos, mas não a glória de Deus em seus santuários. Tem crentes influentes na sociedade, mas não pessoas influentes no céu. Tem influência política, mas não poder espiritual.       Tem poder econômico, mas não autoridade espiritual.     – o resultado do avivamento. Quando o avivamento chega, a igreja se torna ousada para pregar a Palavra. Cada crente se torna um embaixador, um ministro da reconciliação.    Quando o avivamento vem, a igreja cresce em graça, em conhecimento e em número. Nunca a igreja avançou com tanta pujança como quando Deus visitou o Seu povo com generosos derramamentos do Seu Espírito! No século 18, o avivamento na Inglaterra tirou a igreja das cinzas do desânimo para um estupendo crescimento numérico.    Multidões se acotovelavam nas praças para ouvir os servos de Deus. Nos Estados Unidos, cerca de dois milhões de pessoas converteram-se a Cristo no avivamento que varreu esse país nos idos de 1857 a 1859. No avivamento do País de Gales, em 1904, em apenas seis meses, cerca de cem mil pessoas converteram-se ao evangelho e foram agregadas às igrejas. Na Coréia do Sul, ainda hoje os ventos do avivamento enchem igrejas com dezenas de milhares de membros comprometidos com a santidade e com o trabalho. Sempre que o avivamento vem, a igreja se fortalece, e multidões são atraídas e transformadas pelo evangelho.


                III.    AVIVAMENTO: QUESTÃO DE VIDA OU DE MORTE

1.   O clamor pela misericórdia de Deus   -   “Faze algo para a consolação do teu povo: Na ira lembra-te da misericórdia, e a notifica. Mostre a tua misericórdia, ó Senhor!” Salmos 85.7. Eles veem o desprazer de Deus contra si mesmos em suas aflições, e isto os torna realmente angustiados. Há ira no cálice amargo; então eles protestam, e estão ansiosos por rogar que o precioso e bendito Senhor seja um Deus misericordioso e que eles sejam vasos da sua misericórdia. Note que nem mesmo aqueles que estão sob os sinais da ira de Deus devem perder a esperança da sua misericórdia; e a misericórdia é aquilo para o que devemos fugir em busca de refúgio; devemos confiar nela como o nosso único recurso. Ele não diz, Lembra-te do nosso mérito, mas, Senhor, lembra-te da tua própria misericórdia.

2.    Deus é misericordioso     A misericórdia é o ato de tratar um ofensor com menor rigor do que ele merece. Trata-se do ato de não aplicar um castigo merecido, mas também envolve a ideia de dar a alguém algo que não merece. Pode referir-se a atos de caridade ou de cura. Também aponta para o ato de aliviar o sofrimento, inteiramente à parte da questão de mérito pessoal. Quando chega à ideia de favor desmerecido, então, já se toma um sinônimo da palavra «graça». Alguém já declarou que a misericórdia retém o julgamento que um homem merece; que a graça outorga alguma bênção que esse homem não merece. De fato, algumas vezes pode ser feita essa distinção, mas, na maior parte dos casos, os dois conceitos justapõem-se. Por conseguinte, a misericórdia pode indicar benevolência, benignidade, bênção, clemência, compaixão e favor.      A misericórdia é uma «atitude de compaixão e de beneficência ativa e graciosa expressa mediante o perdão calorosamente conferido a um malfeitor Apesar de ser uma atitude apropriada somente a um superior ético, não denota condescendência, e, sim, amor, desejando restaurar o ofensor e mitigar, se não mesmo omitir, o castigo que esse ofensor merece. Na Bíblia, a misericórdia de Deus é oferecida gratuitamente, uma expressão não-constrangida de amor, sem qualquer mácula de preconceito, aberta a todos os homens, dignos e indignos igualmente. A teologia cristã não considera a misericórdia divina como incompatível com os seus justos julgamentos, mas considera ambas as coisas como expressões vivas de seu amor, conforme o mesmo é revelado em Cristo, cuja morte expiatória reconcilia as exigências da justiça divina com as misericórdias divinas» (E).   «É evidente que a misericórdia combina um forte elemento emocional, usualmente identificado com a compaixão, a piedade ou o amor, com alguma demonstração prática de gentileza ou bondade, em resposta à condição ou às necessidades do objeto da misericórdia»

3.     Clamemos a Deus   -   A oração, em si mesma, é um excelente meio para o crescimento do espírito. A interação consciente com Deus é essencial para a excelência moral e espiritual. A verdadeira oração é o meio de nos tornarmos cada vez mais semelhantes a Cristo. A aquiescência à vontade divina frequentemente é exigida antes que uma solicitação seja atendida. Reiteradas vezes não sabemos bem o que havemos de orar, e é um favor divino que nossas orações não sejam todas respondidas de pronto.     Há determinadas ocasiões em que nossa vontade egoísta deve ceder diante da vontade divina. Jesus orou para que o cálice fosse afastado dEle, mas isso não aconteceu e Ele se rendeu à vontade divina superior: “Todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lc 22.42). Não há razões para nos mostrarmos ansiosos pela ausência de respostas imediatas à oração. Deus, em sua fidelidade, testifica em nossos espíritos que Ele está realizando uma obra — e não importa que ela pareça demorada!





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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.

Pr. Setorial – Pr. Davi Fonseca

Pr. Local – Ev. Antônio Sousa

INSTAGRAN: @PBJUNIOOFICIAL

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21

Bíblia de estudo Pentecostal

Livro de Apoio, Aviva a tua Obra, Elinaldo Renovato - Editora CPAD.

Comentário Bíblico Habacuque, Hernandes D. Lopes - Editora Hagnos.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 2.

Comentário Bíblico N. T Interpretado versículo por versículo Russell N. Champlin- Editora Hagnos.

Comentário Antigo Testamento Isaías a Malaquias, Matthew Henry - Editora CPAD.

Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia, Russell N. Champlin - Editora Hagnos. 

Teologia Bíblica da Oração., Robert L. Brandt e Zenas J. Bickegt - Editora CPAD. 

https://professordaebd.com.br/13-licao-1-tri-23-aviva-o-senhor-a-tua-obra/

sexta-feira, 10 de março de 2023

LIÇÃO 12 - VIVENDO NO ESPÍRITO.

PROFº PB. JUNIO - CONGREGAÇÃO BOA VISTA II

  


                    TEXTO ÁUREO

"Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança." (GL 5. 22)


                VERDADE PRÁTICA

O avivamento espiritual traz uma realidade de vida no Espírito.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: GL 5. 19-25


                        INTRODUÇÃO


Em relação à vida espiritual, só existem dois tipos de crentes: o crente espiritual e o crente carnal. E existe uma grande diferença entre o cristão que é espiritual e o carnal. O espiritual anda “em espírito” (Gl 5.16a) e procura viver de acordo com o fruto do Espírito (Gl 5.22-25); o crente carnal, às vezes, tem aparência de santidade, mas a sua vida demonstra que ele é conduzido pelas “obras da carne” (Gl 5.19-21). A igreja de Corinto foi fundada por Paulo na sua segunda viagem missionária. Como bom missionário, ele procurou proclamar o evangelho de Cristo àquele povo, que vivia numa cidade cosmopolita e comercial do seu tempo. Talvez pelas riquezas obtidas com o seu comércio, os coríntios tornaram-se uma sociedade que cultivava a libertinagem e o desregramento moral, típico das grandes metrópoles antigas, que não conheciam a mensagem do evangelho, mas Paulo, chamado por Deus para ser, um grande evangelista e pastor, pregou o evangelho na unção e poder do Senhor.     Foi tão grande o impacto da obra missionária desenvolvida por Paulo que a igreja de Corinto tornou-se exemplo de comunidade cristã cheia do Espírito Santo. É a única no Novo Testamento em que os crentes tinham no seu meio todos os nove tipos de dons espirituais. Na sua mensagem, no primeiro capítulo da sua carta aos coríntios, Paulo diz que sempre dava graças a Deus por eles:    “Porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o conhecimento (como foi mesmo o testemunho de Cristo confirmado entre vós). De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Co 1.5-7).   Na sua formação inicial, os coríntios abraçaram a fé em Cristo com grande fervor. Eles nasceram sob um avivamento espiritual que não fora visto em outras igrejas fundadas por Paulo tanto na palavra, quanto no conhecimento e na busca pelos dons espirituais.      Não demorou muito, e o clima espiritual da igreja arrefeceu, e um clima de carnalidade jamais imaginado para uma igreja tão rica da graça e do conhecimento de Cristo desenvolveu-se entre eles (2Pe 3.18). Paulo tomou conhecimento de que havia desunião, intriga e dissensões entre os coríntios. Havia quem dissesse: “Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo. Está Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? Ou fostes vós batizados em nome de Paulo?” (1Co 1.12b-13).      Provavelmente, na ausência de Paulo, durante algum tempo —pois ele era um evangelista e pastor que precisava dar atenção a outras igrejas —, os crentes de Corinto não tiveram um bom ensinamento bíblico sobre o comportamento do verdadeiro cristão.     Prova disso é que, no capítulo 3 da sua primeira epístola à igreja de Corinto, Paulo, sem dúvida, com sentimento de frustração, escreveu-lhes: E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei e não com manjar, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis; porque ainda sois carnais, pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois, porventura, carnais e não andais segundo os homens? Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu, de Apolo; porventura, não sois carnais? Pois quem é Paulo e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um? Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Pelo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. (1Co 3.1-7).    No exemplo da igreja em Corinto, podemos ver a diferença entre crentes espirituais e crentes carnais. No início da sua história cristã, os coríntios eram espirituais, tinham paz, conhecimento da Palavra, tinham todos os dons espirituais manifestados no meio deles e, como cristãos avivados que eram, esperavam a vinda de Jesus, “a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo” (1.7). Crentes espirituais são beneficiados com grandes bênçãos da parte de Deus. Eles andam em Espírito e não andam conforme as concupiscências da carne (Gl 5.16); eles possuem, além dos dons espirituais, o fruto do Espírito: “[…] amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gl 5.22).


                I.    A VIDA NO ESPÍRITO

1.    Andando em Espírito   -   O apóstolo Paulo identificou dois grandes perigos que atacavam as igrejas da Galácia. O primeiro é passar da liberdade para a escravidão (5.1), e o segundo implica transformar a liberdade em licenciosidade. Nos versículos 13 a 15, Paulo enfatizou que a verdadeira liberdade cristã se expressa no autocontrole, no serviço de amor ao próximo e na obediência à lei de Deus. A questão agora é: Como essas coisas são possíveis? E a resposta é: Pelo Espírito Santo. Só ele pode manter-nos verdadeiramente livres.     Encontramos em Gálatas cerca de quatorze referências ao Espírito Santo. Quando cremos em Cristo, o Espírito passa a habitar dentro de nós (3.2). Somos “nascidos segundo o Espírito”, como Isaque (4.29). E o Espírito no coração que nos dá a certeza da salvação (4.6); e é o Espírito que nos capacita a viver para Cristo e a glorificá-lo (5.16,18,25).    A vida cristã é um campo de batalha. Trava-se nesse campo uma guerra sem trégua entre a carne e o Espírito. O Espírito e a carne têm desejos diferentes, e é isso o que gera os conflitos.    Destacamos aqui três pontos importantes.     Em primeiro lugar, como vencera batalha interior. “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (5.16). A “carne” representa o que somos por nascimento natural, e o “Espírito”, o que nos tornamos pelo novo nascimento, o nascimento do Espírito. A carne tem desejos ardentes que nos arrastam para longe de Deus, pois os impulsos da carne são inimizade contra Deus. Os desejos da carne levam à morte. A palavra grega epithumia, traduzida por “concupiscência”, é geralmente usada no sentido de ansiar por coisas proibidas. A única maneira de triunfar sobre esses apetites é andar no Espírito. Se alimentarmos a carne, fazendo provisão para ela, fracassaremos irremediavelmente. Porém, se andarmos no Espírito, jamais satisfaremos esses apetites desenfreados da carne.    Adolf Pohl diz que todos os povos conhecem bem a ideia de que a vida é como um caminho que precisa ser trilhado.    O movimento básico da vida humana, portanto, é o passo da caminhada. Trata-se de mais do que um mecânico “esquerda-direita, esquerda-direita”. Todo caminho inclui um “de onde” e um “para onde”. Podemos desviar-nos do caminho. Assim o “andar” constitui um movimento com sentido, direção e, por conseguinte, qualidade. Da parte da carne surgem pressões transversais. Contra elas Paulo faz valer agora forças pneumáticas. Andem no Espírito.   A carne tem uma inclusão para aquilo que é sujo.     Somente pelo Espírito de Deus podemos caminhar em santidade. Warren Wiersbe ilustra isso da seguinte maneira: A ovelha é um animal limpo, que evita a sujeira, enquanto o porco é um animal imundo, que gosta de se revolver na lama (2Pe 2.19-22). Depois que a chuva cessou e que a arca se encontrava em terra firme, Noé soltou um corvo, mas a ave não voltou (Gn 8.6,7). O corvo é uma ave carniceira, portanto deve ter encontrado alimento de sobra. Mas, quando Noé soltou uma pomba (uma ave limpa), ela voltou (Gn 8.8-12). Quando soltou a pomba pela última vez e ela não voltou, Noé soube, ao certo, que ela havia encontrado um lugar limpo para pousar e que, portanto, as águas haviam baixado. A velha natureza é como o porco e o corvo, sempre procurando algo imundo para se alimentar. Nossa nova natureza é como a ovelha e a pomba, ansiando por aquilo que é limpo e santo.

2.    Por que andar em Espírito?   -  Justificados por Deus por intermédio de Cristo, estamos livres da condenação. A justificação é um ato legal e forense de Deus a nosso respeito. Porque estamos livres do casamento com a lei (7.1-4), já que morremos e ressuscitamos com Cristo, a penalidade da lei foi cumprida, a justiça foi satisfeita e agora não pesa mais sobre nós nenhuma culpa.    A condenação do pecado que deveria ter caído sobre nós caiu sobre Cristo, que morreu em nosso lugar e em nosso favor. Agora, pois, estamos quites com a lei e com a justiça divina diante do seu justo tribunal. Ninguém nos pode acusar porque é Deus quem nos justifica (8.33). Ninguém nos pode condenar, pois Cristo morreu, ressuscitou, está à destra de Deus e intercede por nós (8.34). O resultado disso é nenhuma condenação.    William Greathouse diz que “condenação” aqui é mais que uma absolvição judicial. John Murray aponta que “nenhuma condenação” se refere à libertação não apenas da culpa, mas também do poder escravizante do pecado.    De acordo com F. F. Bruce, a palavra grega katakrima, “condenação”, não significa provavelmente condenação, mas a punição que se segue à sentença. Assim, não há razão para nós, que estamos em Cristo, continuarmos fazendo trabalhos forçados penais, como se nunca tivéssemos sido perdoados e libertados da prisão do pecado.    Digno de nota é o fato de que somos justificados não pelas obras da lei, mas pela obra de Deus em Cristo. Não são as nossas obras que nos salvam, mas a obra de Cristo na cruz por nós. Desde que a lei foi cumprida e a justiça satisfeita, Deus nos declara inocentes, inculpáveis e salvos.      Embora a santificação esteja presente em todo o capítulo 8 de Romanos, seu ponto nevrálgico é a garantia da salvação.     Paulo começa com “nenhuma condenação” (8.1) e termina com “nenhuma separação” (8.39), em ambos os casos referindo-se àqueles que “estão em Cristo Jesus”.    Em segundo lugar, a explicação perfeita (8.2). Na antiga ordem estávamos sujeitos à lei do pecado e da morte, e nesse tempo o fruto que colhíamos era a escravidão; mas agora estamos debaixo da lei do Espírito da vida e o resultado é a libertação. Se a ênfase do versículo 1 era nenhuma condenação, a ênfase do versículo 2 é nenhuma escravidão.    Conforme F. F. Bruce, a velha escravidão da lei foi abolida; o Espírito introduz os crentes numa nova relação como filhos de Deus, nascidos livres.   A vida no Espírito não é uma obediência exterior a um código produtor de morte, mas também não é um misticismo disforme sem relação com a vontade revelada de Deus. De que fomos libertados? Da lei do pecado e da morte. Como fomos libertados? Pela lei do Espírito de vida. O Espírito é o doador da vida física e espiritual.    E ele quem nos vivifica, nos regenera e nos dá o novo nascimento. E ele quem nos comunica a vida de Deus e esculpe em nós o caráter de Cristo. John Murray diz que a “lei do Espírito de vida” é o poder do Espírito Santo agindo em nós para nos tornar livres do poder do pecado, que conduz à morte.

3.    Como andar em Espírito?    -    […] o Espírito Santo nos orienta como filhos de Deus (8.14). Paulo nos ensina duas grandes verdades aqui.

A primeira é que a paternidade de Deus não é universal.    Nem todos os seres humanos são filhos de Deus, uma vez que só aqueles guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. A segunda verdade é que a paternidade de Deus é real e experimental, uma vez que podemos ter garantia de que, se somos guiados pelo Espírito de Deus, verdadeiramente somos filhos de Deus.     O Espírito Santo não apenas habita em nós e nos capacita a triunfar sobre o pecado, mas também nos toma pela mão e nos guia, dirige, impele pelo caminho da obediência.     O Espírito Santo nos constrange e nos compele a viver como filhos de Deus. Assim, não apenas nos tornamos membros da família de Deus, mas também agimos como tal. Não apenas somos adotados como filhos de Deus, somos também orientados a viver como seus filhos. Isso não significa que o Espírito Santo coage, intimida ou violenta, tirando de nós, nossa liberdade de escolha. O que ele faz é nos iluminar e nos persuadir, com sua doçura e poder.     O Espírito não nos aponta o caminho que devemos seguir como um vendedor de mapas; ele nos toma pela mão e nos guia como um beduíno no deserto que caminha com os viajantes pelos montes alcantilados e pelos vales profundos, conduzindo-os ao destino desejado.


                II.    O CONFRONTO ENTRE A CARNE E O ESPÍRITO

1.   Carne x Espírito    -    O Espírito Santo em nós assegura a nossa total redenção e modificação futura. Embora tenhamos uma vida nova em Cristo, nós ainda temos uma mente e um corpo inclinados à rebelião e seduzidos por desejos pecaminosos.    Devemos resistir a estes desejos.     Frequentemente, nós sentimos resistência quando seguimos a orientação do Espírito.    Satanás tem servido como um persistente professor de rebelião, e a humanidade tem tido séculos de prática. Qualquer que seja o caminho que escolhermos, ouviremos os sussurros da oposição – as nossas escolhas nunca estão livres deste conflito. Sempre que decidirmos fazer o que o Espírito Santo nos instrui, podemos esperar que a nossa natureza pecadora se inflame em oposição. Quando decidimos transmitir o Evangelho, a nossa natureza humana pecadora nos faz sentir tolos.     Quando decidimos nos comprometer com algum serviço, os maus desejos nos atrapalham, tentando retardar a orientação do Espírito.      E, ao contrário, sempre que seguimos a nossa natureza humana pecadora, nós recebemos (pela nossa consciência, pela Palavra de Deus, ou mesmo por outros crentes) lembretes para não seguir estes desejos pecaminosos. Os verdadeiros crentes percebem o poder mortal do pecado.     Já não sendo mais seu senhor, o pecado agora ataca como um inimigo poderoso. Estas duas forças se opõem uma à outra constantemente.       Os desejos pecaminosos ainda explodem, como forças de guerrilha, atacando-nos quando menos esperamos.

2.    As obras da carne   -    Paulo comparou as obras da carne com as obras da vida cheia do Espírito, em 5.19-21 e 5.22,23. Os pecados da lista de Paulo classificam-se em quatro categorias. Estes pecados em particular eram especialmente habituais no mundo pagão, e os gálatas os teriam compreendido prontamente.    Com poucas exceções, nós podemos também reconhecer estes pecados como presentes na nossa época atual.      Na primeira categoria, são mencionados três pecados sexuais;

  • Prostituição – qualquer forma de relação sexual ilícita. A palavra serve para destacar o comportamento sexual proibido entre as pessoas ou a participação indireta como um espectador.
  • Impureza – a impureza moral. Talvez nenhum ato sexual tenha ocorrido, mas a pessoa exibe uma grosseria e uma insensibilidade em questões sexuais que ofende aos demais. Um exemplo hoje seria o uso excessivo de humor sexual (ou o que se supõe que seja humor), em que as pessoas fazem declaração com um duplo sentido sexual.
  • Lascívia — uma indulgência franca e excessiva quanto a pecados sexuais. A pessoa não tem sentimento de vergonha nem moderação. Este é o resultado da imoralidade e da impureza sexual.       Os dois pecados a seguir são pecados religiosos característicos da cultura pagã.      Idolatria – adoração de ídolos pagãos.   A pessoa cria substitutos para Deus e então os trata como se fossem Deus.    Esta pessoa está se entregando a desejos humanos pecaminosos.     Feitiçarias (ou participação em atividades demoníacas) — envolvimento com os poderes malignos, usando, às vezes, poções e venenos. Na idolatria, o indivíduo age submissamente com relação ao mal; na atividade demoníaca, o indivíduo é um agente ativo que serve aos poderes malignos.    Os oito pecados seguintes dizem respeito ao comportamento com relação às pessoas (relações interpessoais) que é motivado por desejos pecaminosos. E triste notar, mas muitos destes pecados são frequentemente vistos nas nossas igrejas hoje.    Inimizades – uma situação de inimizade constante entre grupos.    Isto pode ser um conflito real e não solucionado, cuja causa já foi esquecida, mas que resultou em muita amargura.     Porfias – competição, rivalidade, conflitos amargos — as sementes e o fruto natural do ódio.   Emulações (ou ciúmes) — o sentimento de ressentimento de que alguém tenha o que outro acha que merece.        Iras – raiva egoísta. A forma plural transmite o significado de um comportamento contínuo e descontrolado.      Pelejas (ou ambição egoísta) – a abordagem à vida e ao trabalho que tenta progredir à custa dos demais.      Não somente pode se referir ao que chamamos de “vício de trabalho”, como também pode implicar em uma atitude mercenária, agressiva em relação aos demais, na busca dos próprios objetivos.     Dissensões – fortes desentendimentos ou discussões. A situação que pode se instalar rapidamente entre as pessoas quando prevalece uma atitude desagradável.   Heresias (ou o sentimento de que todos estão errados, exceto os do seu pequeno grupo) – a dissensão criada entre as pessoas por causa de divisões.   Isto descreve a tendência de procurar aliados no meio do conflito. A geração quase espontânea de facções demonstra esta característica dos desejos humanos pecaminosos.   Invejas — o desejo de possuir alguma coisa dada a outro ou conseguida por ele; ou até mesmo a lógica corrompida que grita: “Injusto!”, com respeito às circunstâncias de outra pessoa, e expressa o seguinte desejo; “Se eu não posso ter isto, eles não deveriam poder também!”      Finalmente, Paulo relaciona dois pecados, comuns às culturas pagãs, que estão frequentemente conectados com os rituais de adoração de ídolos;    Bebedices – o uso excessivo de vinho e bebidas fortes.   Glutonarias (ou “farras”) – “festas” com muita bebida, frequentemente cheias de promiscuidade sexual, eram associadas com as festividades para alguns deuses pagãos. Os banquetes em honra a Baco eram particularmente infames pela sua imoralidade.      E coisas semelhantes a estas – Paulo acrescentou um “etc.”, para mostrar que a lista não estava, de maneira nenhuma, completa.    Os que cometem tais coisas” refere-se ao modo de vida das pessoas que habitualmente exibem estas características. Isto não quer dizer que os crentes que cometerem algum destes pecados irão perder a sua salvação e a sua herança.  Mas as pessoas que habitualmente exibem estas características se revelam escravizadas à natureza humana pecaminosa. Elas não são filhos de Deus; consequentemente, não podem participar da herança do reino de Deus. As pessoas que aceitaram Cristo e que têm o Espírito Santo dentro de si mesmas manifestarão esta nova vida, rompendo claramente com os pecados que foram listados acima, bem como com outros que sejam semelhantes.


                III.     O AVIVAMENTO PELO FRUTO DO ESPÍRITO

1.   O Fruto do Espírito   -   […] o Espírito produz em nós o seu próprio fruto. “… o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei” (5.22,23). Segundo Juarez Marcondes Filho, o fruto do Espírito não pode ser criado artificialmente nem pode ser simulado.   Ninguém frutificará alheio à operação do Espírito Santo. Vale ressaltar que Paulo não fala de frutos, mas do fruto. Essas nove virtudes são como que gomos de um mesmo fruto. Não podemos ter um fruto e ser desprovidos de outros. As nove virtudes produzidas em nós pelo Espírito podem ser classificadas em três áreas: 1) a atitude do cristão para com Deus; 2) a atitude do cristão para com outras pessoas; e 3) a atitude do cristão para com ele mesmo.

2.    Os nove aspectos do Fruto do Espírito (GL 5.22)    -   Caridade – Amor Ágape

O Dicionário Aurélio, traduzindo a palavra caridade, diz que: “No vocabulário cristão, o amor que move a vontade à busca efetiva do bem de outrem e procura identificar-se com o amor de Deus; ágape, amor-caridade. Benevolência, complacência, compaixão.

Beneficência, benefício; esmola. Rel. Uma das virtudes teologais”. A palavra caridade (gr. agape) tem sofrido um desgaste em relação ao seu sentido inicial. Em termos modernos, tem sido empregada como sinônimo da prática de filantropia, dar esmolas, ajudar os carentes.   É um sentido pobre para o seu verdadeiro significado. Ao ser utilizada nas traduções bíblicas mais antigas, a palavra tinha o sentido do verdadeiro amor, como sinônimo do amor ágape, que é o amor de Deus no coração do homem. É nesse sentido que tomamos o termo caridade em Gálatas 5.22.    Um cristão sincero demonstra na sua vida que possui essa caridade, ou o amor de Deus, infundido pelo Espírito Santo no interior do ser e cultivado no seu testemunho cotidiano. Podemos dizer que caridade é o amor em ação. Diz Paulo: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo vos amou e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” (Ef 5.1-2). O apóstolo pede aos efésios que a sua “caridade aumente mais e mais […]” (Fp 1.9). Os obreiros têm a árdua missão de liderar todo tipo de ovelhas, desde as mais fortes às mais fracas; desde as obedientes às mais complicadas. É preciso ter amor.     O apóstolo João bem exprime o sentido do fruto do Espírito, caridade. Diz ele: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque a caridade é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é caridade” (1 Jo 4.7,8). “Deus é caridade”. Eis a razão por que não podemos confundir a caridade, como fruto do Espírito, de maneira simplista, com o dar esmolas ou praticar outros atos de generosidade ou filantropia. Estes são necessários, mas o fruto da caridade é muito mais amplo, visto que “Deus é caridade”: “E nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é caridade e quem está em caridade está em Deus, e Deus, nele” (1 Jo 4.16).    Sem caridade (amor), até os dons espirituais perdem o seu sentido e o seu valor. Ter dom de variedade de línguas, dom de profecia, dom da ciência e outros sem ter caridade não significa nada para Deus (ver 1 Co 13.2,3). Ministério sem caridade nada é diante de Deus. (Rm 5.5; 1 Co 13; Ef 5.2; Cl 3.14).

Gozo (Alegria)

O gozo, ou a alegria (gr. chara), como fruto do Espírito, é de natureza divina, concedida pelo Espírito Santo e demonstrada na vida do cristão fiel. A raiz de uma planta nem sempre é vista, mas o seu fruto aparece sempre no tempo apropriado. Ter a alegria como fruto do Espírito é fundamental para uma vida cristã produtiva e feliz.     Há pessoas em igrejas evangélicas que não demonstram ser alegres. Certamente, tais pessoas não tiverem, ou não têm, a graça para desenvolver uma vida cristã plena da alegria do Senhor.     Quando o crente cultiva esse fruto, este se manifesta na sua face e nas suas atitudes e ações. Um crente alegre irradia contentamento perante os outros.    Em certo lugar, havia um vizinho de uma igreja evangélica que passava todos os dias pela frente do templo, inclusive nas horas de culto. Os que evangelizavam sempre visitavam aquele senhor, mas ele nunca quis fazer a decisão para Cristo. Um dia, porém, inesperadamente, num domingo à noite, ele entrou no templo e ouviu a pregação. No fim do culto, aceitou a Cristo como o seu Salvador. O pastor, muito feliz, foi cumprimentá-lo, dizendo sentir-se alegre por ele ter aceitado a Jesus após ouvir a mensagem da noite.    O visitante, recém-convertido, respondeu: “Pastor, não aceitei por causa da mensagem. Aceitei por causa do sorriso do seu porteiro.    Chamou-me a atenção o fato de ele estar sempre alegre, ali, na porta da igreja. Eu concluí que sendo ele uma pessoa pobre, mas sempre alegre, deveria ser por causa da sua fé. E resolvi aceitar a Jesus”.    A alegria do Espírito é a mesma alegria do Senhor. Diz a Bíblia:    “[…] portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa força” (Ne 8.10). É essa alegria que dá força ao crente fiel. Se o crente não tem a alegria do Espírito Santo, ele torna-se fraco.     Normalmente, um crente alegre não se desvia e nem se afasta da congregação, muito menos deixa de servir a Deus; mas, quando fica abatido e deprimido por qualquer motivo, a tendência é ficar enfraquecido e desanimar na fé. Assim, é indispensável o crente ter o gozo ou a alegria do Espírito Santo. Onde encontrar essa alegria?     A Bíblia responde: “Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há abundância de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente” (Sl 16.11). Quando se trata do obreiro que não demonstra ter essa alegria, tende a cansar-se mais cedo a render menos no ministério, bem como a sofrer sérios problemas emocionais e físicos (Sl 119.16; 2 Co 6.10; 12.9; 1 Pe 1.8).

Paz

A paz, como fruto do Espírito, é aquela paz (gr. eirene) a que se refere Paulo: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Fp 4.7). A paz proveniente do Espírito Santo equivale à paz desejada e difundida no meio do povo de Israel, a Shalom de Deus, ou seja, a paz que não é apenas a expressão de falta de guerra, de pelejas ou de harmonia. A paz de Deus, Shalom, é serenidade, tranquilidade, saúde, harmonia, bem-estar, segurança, provisão e muito mais. Ela difere da “Pax romana”, que propugnava o lema: Si vis pacem parabellum, ou seja, “Se queres a paz, prepara-te para a guerra”. A paz de Deus conduz à paz entre os homens. Quando os anjos anunciaram o nascimento de Jesus, disseram: “[…] paz na terra, boa vontade para com os homens!”.     Não deve haver de maneira alguma quaisquer tipos de disputas ou dissensões no meio do povo de Deus. É lastimável quando se ouve ou se vê que existem obreiros que se envolvem numa disputa pelo poder humano, por cargos e posições em igrejas ou convenções de modo tão agressivo que causa escândalo aos mais simples. Diz a Palavra:     Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer. (1Co 1.10).   A paz como fruto do Espírito é indispensável para que o crente seja exemplo para o mundo. Imaginemos o que tem ocorrido em convenções de ministros por esse Brasil. Às vezes, por falta de amor e por falta de paz, há tantas pelejas e tantas dissensões que obreiros mais novos sentem-se escandalizados, imaginando estarem em reunião de disputas de partidos ou de sindicatos. Que Deus nos ajude a ser exemplos dos fiéis em tudo (1 Tm 4.12).

Longanimidade

Como fruto do Espírito, longanimidade (gr. makrothumia) é a paciência para suportar as ofensas e os defeitos dos outros. Pode também ser perseverança e disposição para evitar a ira e o desespero (Ef 4.2; 2Tm 3.10; Hb 12.1). Com a longanimidade, o crente demonstra compreensão com os que erram, mesmo não concordando com as suas faltas. Deus é longânimo. Criticando a impenitência dos judeus, Paulo disse: “Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência, e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?” (Rm 2.4; 9.22).     Pedro ressalta a longanimidade de Deus: “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pe 3.9).     A longanimidade é uma qualidade necessária a todos os salvos, mas principalmente àqueles que são líderes na igreja do Senhor.   Paulo exorta os obreiros a serem exemplo na longanimidade (2Co 6.6). Sem essa virtude, muitos homens de Deus sofrem terríveis desgastes nos seus ministérios, por não terem paciência com os fracos, com os trabalhosos, com os errados, com os que não têm condições espirituais para atenderem às expectativas da liderança.    Nos dias presentes, há obreiros que não têm condições de suportar os desafios impostos por comportamentos muitas vezes estranhos, que contrariam normas ou regras estabelecidas no passado. Não nos referimos a ter longanimidade com o pecado, mas, sim, a termos compreensão com os que erram. Deus tem longanimidade para conosco, e isso é resultado do seu amor. Nós, obreiros, também precisamos ser pacientes com todos. Diz a Bíblia:    Rogamos-vos também, irmãos, que admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos e sejais pacientes para com todos” (1 Ts 5.14).

Benignidade

É a qualidade daquele que é benigno, bondoso, complacente, indulgente e perdoador. É qualidade indispensável para lidar com a natureza humana, que é sempre imprevisível e sujeita à maldade.    Um servo de Deus, sobretudo um obreiro, jamais deve esquecer-se de ser benigno. A benignidade (gr. chrestotes) constitui-se um dever cristão, além de ser fruto da sua espiritualidade. Exortando os efésios, Paulo alinhou diversos comportamentos que deveriam ser excluídos da vida cristã, tais como a mentira, a ira, o roubo, a amargura, a cólera, a gritaria, a blasfêmia, e concluiu: “Antes, sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (ver Ef 4.25-32).    Temos um exemplo extraordinário de benignidade no Novo Testamento. Jesus contou a parábola do bom samaritano (Lc 10.25-35). O sacerdote e o levita passaram de largo, vendo o homem caído, ferido, quase à morte, à beira do caminho, mas o samaritano, que era estrangeiro, parou, interessou-se pelo ferido, desceu da sua cavalgadura, cuidou dos ferimentos do homem, transportou-o com cuidado a uma estalagem e despendeu recursos com a sua recuperação. Ele foi benigno. Deus quer que os seus servos sejam benignos, principalmente os que lideram a sua obra.

Bondade

É a qualidade daquele que é bom. Bondade (gr. agathosune) é um aspecto do fruto do Espírito necessário a todos os cristãos. Aos crentes em geral, torna-se qualidade que deve permear todas as suas atitudes. Paulo, falando aos efésios sobre o “fruto do Espírito”, disse: “porque o fruto do Espírito está em toda bondade, e justiça, e verdade” (Ef 5.9 – grifo acrescentado). Um obreiro, assim como todo o que é de Deus, tem o dever de ser bom para ser aprovado por Deus. Diz o salmista: “Os passos de um homem bom são confirmados pelo Senhor, e ele deleita-se no seu caminho” (Sl 37.23).      O homem bom é bom com a sua família, no seu casamento, com os seus filhos, com os membros e congregados, com as crianças, com os jovens e adolescentes, com todos na igreja, tanto fora dela como em toda parte. É um homem de bem. É “um santo homem de Deus” (2Rs 4.9): “Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca. O homem bom tira boas coisas do seu bom tesouro […]” (Mt 12.34b,35a). Essas “boas coisas” podem ser boas palavras, boas mensagens, bons conselhos, boas orientações.

Fé    

Fé, no léxico, é sinônimo de confiança, de crença, em alguém ou em alguma coisa. Como fruto do Espírito, é muito mais do que isso. É confiança absoluta em Deus. É a fé de que fala o escritor aos hebreus quando diz: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11.1). Essa fé (gr. pistis) não é a fé natural. Ela é potencializada pelo Espírito Santo no coração daqueles que creem em Deus conforme as escrituras (Jo 7.38). Sem a fé, ninguém agrada a Deus (Hb 11.6), pois a fé confirma a salvação dos crentes (At 16.5); a fé santifica (At 26.18); a fé justifica (Rm 3.28); vive-se pela fé (Rm 1.17); a fé protege o crente (Ef 6.16).      Outras características da fé poderiam ser indicadas. Quando cultivada como fruto do Espírito, todas as características da fé são incrementadas; todos os seus aspectos são destacados; todas as suas potencialidades são aumentadas. O Espírito Santo faz a fé nascer, crescer e ser usada como poderoso instrumento a serviço do Reino. A fé, ativada pelo Espírito Santo, é um elemento poderoso para dar vitória contra o mundo (1 Jo 5.4). Um obreiro sem fé é um obreiro derrotado. Quando o obreiro tem fé, é um vencedor.

Mansidão

É sinônimo de “brandura de gênio ou índole”. Mansidão (gr. prautes) é qualidade daquele que é manso. Dependendo do temperamento, há pessoas que têm dificuldade em ser mansas. Os chamados “sanguíneos” e os “coléricos” têm uma tendência a serem ríspidos, grosseiros, agressivos no relacionamento com os outros. Um cristão não pode deixar-se levar por essa faceta do temperamento. Mansidão, como fruto do Espírito, pode ser conseguida ao longo dos anos no relacionamento com Cristo. Ele é Mestre por excelência em mansidão. Pedro, que era “sanguíneo”, quando viu a turba cercando Jesus, sacou a espada e fez a orelha de Malco cair no chão num golpe certeiro. Ele não era nada manso.       Porém, para espanto de Pedro e de todos os que ali estavam, Jesus calmamente tomou a orelha do homem e imediatamente a repôs no seu lugar. E, numa lição magistral de mansidão, amor, humildade e de poder, também disse: “[…] Mete a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o Pai me deu?” (Jo 18.11). Foi na cruz que Jesus demonstrou a sua mansidão sem medida quando esteve ante aos olhares perplexos da multidão e dos seus discípulos. Ele poderia ter pedido fogo do céu sobre os seus algozes, mas exclamou: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34).     Não é fácil termos condições emocionais para suportarmos uma agressão; todavia, quando o crente tem o fruto do Espírito da mansidão, é capaz até mesmo de dar a outra face ao inimigo (Lc 6.29). Só sendo grandemente forte na graça de Deus é que se é capaz de cumprir esse ensino do Mestre. Poucos obreiros podem fazer isso. É comum usarmos a autoridade ministerial para revidarmos qualquer desfeita. Peçamos a Deus que nos ensine a desenvolver o fruto da mansidão em nossas vidas e em nossos ministérios.

Temperança   

Quer dizer autocontrole, domínio próprio. Temperança (gr. egkrateia) é qualidade elevadíssima no relacionamento com os outros, com situações e fatos diversos na vida de um crente em Jesus. É qualidade de quem é moderado, sobretudo de quem modera apetites ou paixões. A temperança fecha a lista de aspectos ou virtudes do fruto do Espírito. Tanto o homem quanto a mulher de Deus devem demonstrar esse precioso fruto no seu dia a dia. Ele fala de equilíbrio no espírito, na alma e nas emoções. O crente guiado pelo Espírito Santo tem equilíbrio nas atitudes. A Bíblia exorta a que o bispo, ou o pastor, seja temperante (Tt 1.8). A fé do crente deve ter a virtude da temperança (2 Pe 1.6). Os obreiros do Senhor precisam ter temperança em tudo: nos hábitos, nos usos, nos costumes, na oração, na santidade e em tudo na vida.     Parece tão simples, mas há muitos crentes obesos, doentes e estressados, porque não têm a temperança na alimentação; outros se tornam radicais por agirem sem temperança no trato com os problemas da igreja sob a sua responsabilidade. A Bíblia orienta que o fruto da temperança é desejável e indispensável para que o obreiro não se desvie “nem para a direita nem para a esquerda”, conduza-se com prudência, no equilíbrio e no bom senso, obedecendo à Palavra de Deus (Js 1.7). Que o Senhor nos ajude e nos ensine pelo seu Espírito Santo a nos conduzir com temperança.     Os dons não são dados a todos os crentes, mas o fruto do Espírito é produzido e cultivado no coração de todos os que são cheios do Espírito Santo. A conclusão de Paulo sobre o fruto do Espírito é impressionante. Ele afirma incisiva e categoricamente: “Contra essas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” (Gl 5.23-25).

3.   Contra o Fruto do Espírito, não há lei   -  …Contra estas cousas não há lei… » As leis são baixadas a fim de entravarem e eliminarem o mal; mas as virtudes dignas, como aquelas aqui alistadas, não são proibidas nem pela lei de Deus e nem pelas leis dos homens. Pelo contrário, as autoridades e as leis louvam o indivíduo agraciado por essas virtudes. A lei de Deus exige tais virtudes, longe de mostrar-se contra elas. No entanto, elas nos são oferecidas e implantadas, dentro do sistema da graça divina, através da fé, vitalizada pelo amor.    A lei de Deus, pois, mostra-se em favor do virtuoso, e não contra ele; mas a lei de Deus não tem o poder de produzir essas virtudes no indivíduo. O «conhecimento» dessas virtudes não está fora do alcance da lei; mas o «perfazê-las» na experiência real, transcende ao poder do princípio legal. O apóstolo dos gentios já havia demonstrado que isso é uma verdade; e parece que isso faz parte do significado dessa expressão, ou, pelo menos, parece que isso fica subentendido. O que é produzido pelo Espírito de Deus, dentro do sistema da graça divina, jamais poderia ser condenado pela lei dê Deus.   Pelo contrário, tal fruto será sempre elogiado pela lei, ordenado por ela. Os elementos tendentes para o legalismo, pois, que realmente se interessem pela santidade, deveriam submeter-se àquilo que é elogiado pela lei.



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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21

Bíblia de estudo Pentecostal

Livro de Apoio, Aviva a tua Obra, Elinaldo Renovato - Editora CPAD.

Comentário Bíblico Romanos, Hernandes D. Lopes - Editora Hagnos.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 2.

Comentário Bíblico GALATAS, Hernandes D. Lopes - Editora Hagnos. 

Comentário Bíblico N. T Interpretado versículo por versículo Russell N. Champlin- Editora Hagnos.

https://professordaebd.com.br/12-licao-1-tri-23-vivendo-no-espirito/