Seja um Patrocinador desta Obra.

SEJA UM ALUNO ASSÍDUO NA EBD. Irmãos e amigos leitores, vc pode nos ajudar, através do PIX CHAVE (11)980483304 ou com doações de Comentários Bíblicos. Deste já agradeço! Tenham uma boa leitura ___ Deus vos Abençoe!!!!
Mostrando postagens com marcador 4º Trimestre/2026. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 4º Trimestre/2026. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

LIÇÃO 01 - DEUTERONÔMIO - O LIVRO DA ALIANÇA.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                TEXTO ÁUREO

"Eis aqui esta terra, eu a dei diante de vós; entrai e possuí a terra que o Senhor jurou a vossos pais, Abraão, Isaque e Jacó, que a darei a eles e à sua semente depois deles." ( Dt 1.8)


                VERDADE PRÁTICA

A fidelidade a Deus e à sua Palavra dirige o crente a viver pela fé e alcançar as suas promessas.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Deuteronômio 1. 1-8


                INTRODUÇÃO

Qual seria a pertinência de um livro escrito há mais de três mil anos para a Igreja dos dias atuais? Em primeiro lugar, deve-se considerar que a Palavra de Deus é atemporal. Ela não envelhece, não caduca, posto que, na sua essência, é plenamente divina e inspirada (Is 40.8; Mt 24.35; 2 Tm 3.16; 1 Pe 1.25); logo, por integrar a Palavra de Deus, Deuteronômio tem grande relevância, razão por que Peter Vogt disse uma vez: 

O último livro do Pentateuco desenvolve o tema da graça de Deus, em grande parte, da mesma forma que os livros anteriores. Os discursos fervorosos de Moisés em Deuteronômio podem ser vistos como manifestações de graça, já que Moisés, o profeta de Deus por excelência, revela ao povo o que ele precisa saber para sobreviver e prosperar na terra e fomentar o tipo singular de comunidade para o qual foi chamado (2015, p. 81,82).

Essa nova comunidade tem diante de si a oportunidade de viver as promessas divinas, mas, para isso, é preciso estar preparada. Assim, Deuteronômio é a repetição da Lei com o objetivo de chamar esse povo para um real compromisso com Deus e atentar realmente para os termos da aliança. Israel, como um povo que vivia em meio às circunstâncias corriqueiras da vida, enfrentava crises políticas, guerras, lutas, batalhas e, ao entrar na nova terra, enfrentaria tensões e outros desafios, porém Moisés, o homem de Deus, deixa claro que se, de fato, os israelitas procurassem ter um compromisso real com a Aliança do Senhor antes de entrarem na Terra Prometida, as adversidades aparentemente impossíveis de serem vencidas seriam superadas. Era preciso que procurassem seguir em frente compreendendo a natureza da aliança e mantendo seriamente o compromisso com o Senhor.

 Deuteronômio é visto, sobretudo, no tocante aos discursos finais de Moisés, que, em essência, procuram relembrar os atos poderosos de Deus, rever os seus mandamentos e, assim, exortar todo o Israel a viver em obediência e manter uma fidelidade exclusiva para com o Senhor. O livro chama a nova geração de israelitas a viver a aliança (Dt 6.4-5), que não tem apenas um cerne jurídico, mas que também se fundamenta num relacionamento que responde a Deus com amor, obediência e fidelidade. 

O leitor há de entender que a estrutura de Deuteronômio firma-se em modelos de tratados ou alianças comuns no Antigo Oriente Próximo, com o propósito de que esse compromisso reforce a renovação do pacto, de modo que o documento apresenta introdução (Capítulo 1), a narrativa histórica da relação (Capítulos 1–3), as cláusulas da aliança (4–26), que são retratadas em termos de bênçãos e maldições (27–30), e, por fim, a sucessão da nova liderança (31–34). Em todo esse conteúdo, o alvo é levar cada israelita a ter consciência do compromisso que assumiu com o Senhor, que deve firmar-se na fidelidade e na confiança das suas promessas para ter um futuro certo.

Portanto, amado irmão, ao pisar no terreno de Deuteronômio, não o veja apenas como um aglomerado de leis; o seu conteúdo é espiritual e destaca a importância da aliança, bem como a fidelidade, a justiça e o amor de Deus, que é apresentado neste livro como aquEle que libertou o seu povo da agrura e que agora deseja manter um relacionamento pessoal e pleno com ele, alicerçado na fé e na obediência. 


                 I.    DEUTERONÔMIO: AUTORIA E PROPÓSITO DO LIVRO


1.   Autoria    -      Seguindo a tradição judaica, é preciso que voltemos para o próprio Pentateuco, que ratifica Moisés como sendo o seu autor. No prefácio do livro, é dito: “Estas são as palavras que Moisés falou” (Dt 1.1), reforçado pela expressão “E Moisés escreveu está lei” (Dt 31.9). Outros livros bíblicos referenciam Moisés como o seu autor. Em Josué 8.31,32, é dito que este seguiu a instrução de Moisés (cf. 1 Rs 2–3). Davi faz recomendações para o seu filho com o livro de Moisés. Já no Novo Testamento, mais especificamente nos Evangelhos de Marcos e de João, ambos falam que Deuteronômio foi escrito por Moisés, e isso é assegurado pelo próprio Senhor Jesus Cristo (Mc 12.26; Jo 1.45; 5.46,47).

Quando se fala sobre a concepção ortodoxa, o seu posicionamento é o da Palavra de Deus como plenamente inspirada (2 Tm 3.16) e de que os homens que a escreveram foram movidos pelo Espírito Santo de Deus. Isso se confirma, por exemplo, em 2 Pedro 1.20-21. A natureza do termo ortodoxo, cuja formação é composta (orthos, que quer dizer “correto”, “verdadeiro”, e doksa, que quer dizer “opinião”, “glória”), em suma, diz respeito àquilo que é reto, correto — ou seja, doutrina correta. 

Na visão do cristianismo, esse termo expressa religiosamente “fé” ou “doutrina”, aquilo que está de acordo com os ensinos das Sagradas Escrituras. Segundo a posição ortodoxa, portanto, fica claro que Deuteronômio tem como autor principal Moisés, que foi inspirado por Deus para escrevê-lo — exceto, claro, o capítulo 34, que narra a sua morte; acredita-se que ou Josué ou um profeta posterior tenha escrito os versículos finais.

Considerações quanto à autoria mosaica Há três fatores que devemos levar em consideração em relação à autoria mosaica. A primeira é que o que Moisés escreveu tem autoridade divina, posto que a Lei não foi um produto da sua mente, uma criação humana, mas, sim, uma revelação da parte de Deus. Em segundo lugar, ao analisar o Pentateuco como um todo, a harmonia entre os livros é algo esplêndido, visto que tudo se entrelaça perfeitamente; não existe dissonância entre o teor de Gênesis, Êxodo, Levítico e Números com o de Deuteronômio. Na sua unicidade, todos eles levam a uma unidade, que é algo que provém da inspiração divina. Em terceiro lugar, nosso Senhor Jesus Cristo fez uso do livro de Deuteronômio e, ao fazê-lo, evidenciou a sua autoridade canônica e a sua confiabilidade, reiterando a sua inspiração plenamente divina (Dt 8.3; Mt 4.1-4). 

Em relação à data, a composição de Deuteronômio indicar ser de, aproximadamente, 1405 a.C., por volta do fim da vida de Moisés, no quadragésimo ano da peregrinação no deserto. O contexto histórico permite afirmar que o escrito aconteceu nas planícies de Moabe, antes de os israelitas adentrarem a Terra Prometida (Dt 1.3).

Em resumo, dizemos que a teoria da hipótese documentária é fraca e falha pelas seguintes razões: 1) falta de evidência documental: as fontes nunca foram encontradas em manuscritos separados e são construídas em cima de suposições estilísticas, sem evidência arqueológica ou literária; 2) critérios literários inconsistentes: as divisões são feitas a partir de critérios frágeis; 3) capacidade literária dos antigos subestimada: crer que Moisés ou alguém da sua época não poderia ter escrito uma obra tão complexa; 4) ignora a unidade teológica do Pentateuco: a divisão JEDP fragmenta o texto; 5) consiste em uma suposição evolucionista e racionalista: afirma que a religião de Israel é evoluída de um politeísmo primitivo para um monoteísmo ético; 6) não leva em consideração o testemunho do Novo Testamento e de Jesus Cristo: Ele atribui a autoria do Pentateuco a Moisés (Jo 5.46); 7) as múltiplas versões apresentam-se vulneráveis: os próprios críticos contemporâneos, com o passar do tempo, deixaram de concordar sobre a forma tradicional JEDP, pois diversas modificações foram propostas. A posição ortodoxa conservadora, por sua vez, é mais consistente porque confere destaque à unidade e à integridade do Pentateuco, concebendo Moisés como autor — apenas com edições editoriais de Deuteronômio 34 —, e também à inspiração divina plenária (2 Tm 3.16).

Admitir Moisés como autor de Deuteronômio é entender que foi Deus que o levantou para ser um instrumento seu na terra, para fazer a sua vontade. Moisés tornou-se líder do povo, profeta, legislador e intercessor; no demais, foi inspirado para deixar registrado no cânon bíblico um conteúdo tão esplêndido que o evangelista João diz: “Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1.17). 


2.    Definição    -      Em se tratando da estrutura do livro, a sua natureza descreve-o como sendo organizado, evidenciando que se seguiu um plano bem tratado. No seu aspecto estrutural, contempla os três discursos de Moisés.

 Esses três discursos são extraordinariamente preciosos, pois objetivam tratar sobre a formação teológica e espiritual do povo de Deus, Israel, antes de adentrar a Terra Prometida. Por meio desse testamento, Moisés transmitia as verdades divinas da aliança envolvendo o Senhor e o seu povo. 

No primeiro discurso, que consiste numa recapitulação histórica do Sinai a Moabe, Moisés tratou do erro da antiga geração: ele queria educar a nova geração a não proceder igualmente à anterior. 

No segundo discurso, o seu enfoque é mostrar que todos devem estar atentos à Lei da Aliança, que deve ser cumprida pelo amor e pela obediência. 

Já no terceiro discurso, o apelo é para a renovação da aliança junto à nova geração, bem como a preparação para o futuro. 

Pela estrutura desse livro, entende-se que Moisés tinha um coração pastoral, sendo os seus discursos vistos como testamento teológico; ele deseja que o povo de Deus seja sincero, obediente e fiel para com o Senhor, atitude somente de quem tem compromisso com a obra dEle. O homem de Deus que conhece as Sagradas Escrituras é consciente que o propósito de Deus foi chamar e preparar um povo para si desde o Antigo Testamento (Êx 19.6). Semelhantemente, no Novo Testamento, Jesus morreu para dar-nos vida (Jo 3.16) e deseja um povo zeloso de boas obras (Tt 3.8). Desse modo, o pastor comprometido com as Escrituras trabalhará para apresentar uma Igreja santa (Ef 5.27).


3.    Valor e propósito de Deuteronômio     -      Essa nova geração, que não pôde testemunhar o ocorrido no Sinai de modo direto, é chamada a viver em fidelidade e obediência (Dt 4.1). Isso fala seriamente para nós nos dias atuais, a considerar que toda geração precisa renovar a sua aliança com o Senhor. O conteúdo de Deuteronômio salienta a necessidade de um povo que entrou em aliança com Deus ter o compromisso de viver em santidade, pois ninguém verá o Senhor sem ela (Hb 12.14). 

As instruções presentes nesse livro da parte de Moisés pela inspiração divina eram seguidas de orientações morais e sociais para um povo que estava às vésperas de tomar posse da Terra Prometida. Lá o seu viver teria que ser conforme o querer do Senhor. Só se pode tomar posse das bênçãos divinas quando se procura viver em fidelidade e obediência à Palavra. Facilmente se compreende a importância de Deuteronômio para a vida do povo de Deus, Israel, porque nele está claro que Israel não poderia servir a outro deus, e sim firmar uma aliança e viver o monoteísmo ético e espiritual (Dt 6.4). 

Esse livro iria ensinar à nova geração que o Senhor não exigia nem queria da parte dela uma obediência forçada, mas que ela fosse fruto de amor (Dt 6.5). Deuteronômio tem a sua importância porque faz parte do cânon bíblico. Foi selecionado para tal como sendo um livro inspirado por Deus. Além disso, é considerado o coração do Pentateuco e da teologia do Antigo Testamento; também traz no seu bojo o resumo da Lei, bem como a reinterpreta e apresenta a sua aplicabilidade. Os assuntos presentes nesse livro são relevantes, pois abordam sobre a aliança, a obediência, a fidelidade, a bênção e a maldição, o culto, a santidade, a justiça social. 

Deuteronômio é tão importante que os seus temas serão propalados pela boca de profetas, que estariam clamando o povo a viver em obediência, fidelidade e verdade, pois, assim sendo, as bênçãos da parte de Deus viriam. Isso é claramente visto nas falas de Isaías, Jeremias e Ezequiel. Esse livro servirá de alicerce para os livros proféticos e históricos, como se pode observar nos livros de Josué, Juízes, 1 e 2 Reis e 1 e 2 Crônicas. Os seus conteúdos seguem a estrutura de Deuteronômio e fazem a junção de obediência e bênção, desobediência e maldição, como bem se nota no seu capítulo 28.

O Senhor deixou claro naqueles dias que as palavras que Ele estava entregando a Israel pela instrumentalidade de Moisés no livro de Deuteronômio eram o fundamento para o bem da vida espiritual de toda a nação (Dt 32.47); assim, para que os israelitas tivessem essa vida, de fato, era preciso que o ensino entre eles fosse algo constante. Os pais, em especial, deveriam exercer a missão docente nos lares para que os filhos tivessem vida; de igual modo, deveriam proceder os líderes. A vida está no ensino da Palavra. O avivamento vem pela Palavra. O temor a Deus vem pelo conhecimento da Palavra. A fé é fortalecida pela Palavra (Rm 10.17). Triste é ver um lar e uma igreja que não têm Palavra. Ambos jamais terão a verdadeira vida, que só vem ao crente pela Palavra (Jo 5.24). 

Assim como nos dias de Moisés, também hoje é imprescindível a Palavra para que se tenha vida. Ela jamais deve ser vista como coisa vã, pois é nosso sermão profético, o livro que chama cada um de nós a viver em aliança com Deus pelo sangue de Cristo no Calvário, que nos ensina que recebemos bênçãos por meio da obediência, mas que, pela desobediência, vêm as maldições. Portanto, amados irmãos, a Palavra de Deus é atemporal e essencial para a vida do homem em qualquer tempo e época. Quem a ela der ouvidos terá a vida eterna. 


                II.    CONTEXTO HISTÓRICO DE DEUTERONÔMIO


1.    Panorama espiritual     -     Para qualquer tempo ou época, a Palavra de Deus deve ser dirigida ao povo, e os que se prontificarem a ouvi-la comprometidamente e a render-se a ela de todo coração serão bem-aventurados (Ap 1.3). Fica, portanto, uma lição grandiosa para os líderes atuais: devem sempre falar a Palavra de Deus por meio de instruções e advertências às novas gerações e alertar que, antes de tomar posse das bênçãos do Senhor, é preciso conhecer a sua Palavra, pois, se assim não for, “o maná poderá criar bicho”. 

O peso espiritual que envolve essa narrativa é que a nova geração viveu e cresceu no deserto e pôde contemplar o cuidado e a fidelidade de Deus em tudo para com os seus pais. Ela não presenciou os sinais, e isso era sério porque ela poderia esquecer-se da aliança e deixar-se envolver pelas práticas pecaminosas dos povos cananeus (Dt 8.11-14), de modo que ela precisava renovar o compromisso com o Senhor — a aliança —, ter o viver marcado pelo temor, bem como a consciência da santidade de Deus para manter exclusividade para com Ele e adorá-lo de coração. É frente a tudo isso que Moisés, como líder, lembra ao povo os feitos do Senhor (Dt 8.2), a necessidade de constantemente se ensinar os filhos (Dt 6.6-7) e jamais se esquecer dEle (Dt 8.11-14).

 Por isso é que a expressão “Estas são as palavras” encerram em si todo um aspecto espiritual. É na terra de Moabe, região do rio Jordão, que o livro de Deuteronômio descreve uma cerimônia em que Moisés fará o seu discurso para a nova geração, que está no limiar da Terra Prometida (Dt 1.1-8; 4.44-46). Isso acontece no último mês do quadragésimo ano após o Êxodo (Dt 1.3) e, nesse tempo, toda aquela geração antiga, composta pelos homens de guerra, já havia perecido (Dt 2.16), bem como a conquista da Transjordânia (além do Jordão) concretizara-se (Dt 1.4; 2.24) e já estava próxima a morte de Moisés. Foi em meio a todo esse momento que se deu a renovação da aliança. 

O desejo do Senhor era assegurar a continuação da história do seu povo por meio da sua liderança, que, depois da morte de Moisés, seria encabeçada por Josué, a quem todos deveriam manifestar obediência (Dt 31.3; 34.9). Da parte do povo, deverá haver o compromisso de uma consagração plena para com o Senhor. Essa cerimônia foi marcada pela declaração da Lei de Deus (Dt 1.5). Isso se fazia necessário pelo fato de tais estimulações integrarem a aliança, conforme se descrevia nos tratados de suserania.


2.    Um panorama geográfico     -       Além do Jordão é, literalmente, eber, “a travessia” ou “vale” do Jordão. E termo usado para se referir ao lado leste (4.41,49) e ao lado oeste (3.20,25; 11.30). Ainda que não haja expressão qualificativa para indicar de que lado se quer dizer, é surpreendente que possa ser entendido como alusão ao lado oposto do qual o autor escreveu. Neste caso, o palavreado mostraria que os versículos iniciais foram escritos na terra de Canaã como explicação editorial do lugar onde os discursos foram feitos. Adam Clarke sugere que as palavras poderiam ter sido adicionadas por Josué ou Esdras.1 Mas certos estudiosos consideram que a expressão hebraica eber Yorden é descrição técnica do lado leste do rio Jordão. 

Em hebraico, a palavra traduzida por deserto representa qualquer área de terra desabitada, não necessariamente um deserto. A planície é “Arabá” (ARA), o vale pro fundo que vai de norte a sul do mar Morto. Há muito que a identificação dos outros lugares — Parã, Tofel, Labã, Hazerote e Di-Zaabe — é tema de discussão entre os estudiosos. Alguns os consideram indicações da rota desde Horebe (2, outro nome do monte Sinai) até à fronteira da terra de Canaã. Sendo assim, a menção desses locais é histórica e dramática, bem como geográfica. 

A depressão da Arabá, onde os discursos foram feitos, se estendia até ao golfo de Aqaba (mar Vermelho; ver Mapa 3), e ao longo do  seu lado oeste acha-se a rota para Sinai, onde a lei foi proclamada. Outros críticos espo sam que a menção é a um lugar chamado Sufe (1) e não ao mar Vermelho iyam suph). Completam dizendo que os outros nomes são de lugares que não podem mais ser identi ficados no vale do Jordão, defronte de Bete-Peor, na terra de Moabe (cf. 4.46). O escritor acrescenta um comentário significativo: Onze jornadas há desde Horebe, caminho da montanha de Seir (a rota leste que margeia as fronteiras de Edom) até Cades-Barnéia (2). Só 11 dias de viagem, mas que levou quase 40 anos! Quantos se condenam a anos de peregrinação no deserto, vivendo uma vida abaixo do melhor, quando poderiam estar desfrutando a plenitude da bênção da santificação total de Deus (cf. Hb 4.1-11)!


3.     O discurso exortativo de Moisés     -     A partir dos versículos 4-8, Moisés, antes que o povo adentre a terra, faz uma descrição histórica para aquela nova geração sobre o grande poder de Deus, que destruiu dois reis poderosos: Siom e Ogue (Nm 21.21-35), tudo pelo bem de Israel. Por meio dessas vitórias, estava confirmado o seu grande poder. Isso foi uma maneira de preparar o povo para viver pela fé, seguir em frente e realizar novas conquistas, em especial a terra de Canaã. Por meio desses sinais divinos, estava claro que o Senhor abriria grandes portas (Sl 78.11-12). Esse discurso acerca de milagres passados era para lembrar aquela geração nova sobre quem era o Senhor e fortalecer a fé de cada um. A partir do versículo 5, Moisés começa a sua exortação ao declarar a lei.

 Há dois aspectos que precisamos considerar: primeiro, o verbo declarar, que, do hebraico be’er, significa explicar, tornar claro; segundo, o substantivo Torá, a Lei de Deus. Moisés não cria qualquer tipo de novidade, de atrativo e de apelação, muito menos inventa um novo culto para aquela nova geração. Ele simplesmente repete a Lei, mas faz isso explicando, expondo detalhadamente, agindo com coração pastoral e teológico. Lendo Neemias 8.8, vemos que Esdras semelhantemente procedeu junto ao povo que voltara do cativeiro e procurou ensinar com detalhes a Palavra de Deus, expondo-a e aplicando-a precisamente. 

O papel do homem de Deus é tornar compreensível a todos a mensagem divina sem jamais a complicar. Moisés relembra à nova geração que, desde que a antiga esteve no Sinai ou Horebe, Deus queria o seu povo em movimento, em ação, pois o Sinai seria apenas o lugar da revelação, mas não a parada final. Os israelitas deveriam avançar sempre. Isso nos ensina que o melhor é permanecermos na vontade de Deus. Ele sabe o momento em que devemos parar, bem como a hora de prosseguirmos (Fp 3.13,14). No versículo 7, o grande legislador deixou claro que o Senhor havia dado a ordem para que partisse, pois a terra que lhes fora prometida estava diante deles. Era preciso que tão somente conservassem a fé e a obediência na certeza de que Ele iria entregá-la por causa do juramento feito aos seus pais, em referência à aliança abraâmica (Gn 12.1-3; 15.18-21). 

Biblicamente, sabemos que as promessas de Deus são verdadeiras, mas, para desfrutarmos delas, é preciso que nos movimentemos e andemos em obediência e fé (Js 1.3; Hb 4.2). Está claro no versículo 8 o porquê da ênfase e da repetição de tudo para aquela nova geração: revelar a autoridade da promessa, a necessidade de andarem em obediência e a certeza de que Deus cumpriria o que prometeu por causa da aliança. O Senhor é fiel em tudo o que diz e, quando promete, cumpre (Nm 22.23). Ele colocou diante da antiga geração uma oportunidade que não foi valorizada e, por isso, fracassaram. Agora a coloca diante da nova geração: para entrar na terra, precisava apenas ter fé, ação e obediência (2 Co 1.20).


4.    Desafiando a nova geração a ser decisiva    -      Moisés falou para a nova geração não seguir o exemplo da antiga, a qual falhou por desobediência e infidelidade e não pôde entrar na Terra Prometida. Agora, porém, os israelitas podiam seguir em frente, com responsabilidade e fidelidade, ainda que não tenham visto os grandes milagres operados por Deus, como o viram os seus pais (Dt 11.2-7). Paulo disse que andamos por fé, e não por vista. Jesus falou que são bem aventurados os que não viram e creram. Nossa fé deve firmemente nos conduzir em obediência, de modo a desfrutarmos das promessas de Deus (Hb 11.1). 

A responsabilidade agora estava com a nova geração. Moisés claramente a desafia a assumir o compromisso da aliança de modo pessoal. Ela não deveria firmar-se apenas no desejo de herdá-la. Dessarte, é também desafiada a não se envolver com a idolatria e os pecados das nações da terra de Canaã, isto é, não poderiam ser influenciados pelas suas práticas pecaminosas e corruptoras (Dt 12.2-4). Moisés, portanto, desafia essa nova geração a escolher entre a vida e a morte (Dt 30.19), manter exclusividade na adoração para com Deus, amá-lo de todo o coração (Dt 6.5) e procurar andar nos seus caminhos (Dt 10.12- 13). 

Sabemos que tudo está em constante mudança — líderes, famílias —, e todos sofrem pressões espirituais e culturais (como salienta Salomão em Eclesiastes 1.4: “Uma geração vai, e outra geração vem”), mas o que se quer dizer é que cada geração é responsável por viver e assumir o seu compromisso de fé com Deus (Dt 30.19), e não ser apenas herdeira de uma tradição, mas que se tenha fé tal como Timóteo, que resolveu viver uma fé sem fingimento, sobre a qual todos davam bom testemunho (At 16.1; 2 Tm 1.5).


            III.     O LADO DOUTRINÁRIO E PRÁTICO DE DEUTERONÔMIO


1.    Relevância doutrinária     -       O peso teológico de Deuteronômio está nas suas expressões atinentes às doutrinas — verdades espirituais que envolvem as revelações sobre Deus, o homem e a aliança. Esse livro traz no seu bojo teológico verdades gloriosas sobre a fé e revela o caráter de Deus e a importância de o homem desenvolver com Ele um relacionamento marcado pela fé e obediência, além de destacar princípios morais, culturais e espirituais. 

No que diz respeito ao lado teológico de Deuteronômio, deve-se levar em consideração cinco aspectos importantes: 

o primeiro diz respeito à ênfase à aliança, e isso porque esse livro fala sobre a necessidade de Israel renovar o seu pacto com o Senhor; expressa, por meio de um tratado antigo, um aspecto histórico que envolve cláusulas, bênçãos e maldições. A grande ênfase está em conscientizar a todos os israelitas que Deus é o grande Senhor que os libertou do poder de Faraó e que agora requer deles fidelidade exclusiva e obediência, ao estabelecer uma aliança que exige lealdade exclusiva e acatamento (Dt 5.2). Essa aliança apresenta dois lados: o histórico e o relacional (Dt 6.20-25). O cristão também vive segundo uma aliança, não mais a Mosaica, mas a que foi firmada com Cristo por meio do seu sangue (Lc 22.20), razão por que se deve demonstrar amor, fidelidade e obediência a Deus (Rm 1.5). 

O segundo aspecto relevante é expressar a soberania divina, bem como o monoteísmo, a exclusividade na devoção, isto é, a unicidade de Deus. Ele é único e verdadeiro, sem páreo, e cada israelita deveria manifestar sinceridade, obediência e fidelidade sem abrir possibilidade alguma para a adoração de qualquer deus pagão, pois, nesse caso, já se estaria incorrendo em idolatria; antes, deveriam saber que o Senhor Deus é único (Dt 6.4). Esse versículo descreve a confissão de fé de Israel, que diariamente é expressa pelos judeus; isso é relevante para nós, cristãos, pois, ainda que vivamos num mundo que se dá ênfase ao pluralismo e ao relativismo, devemos manter nossa fidelidade para com o único e verdadeiro Deus (Jo 17.3; 1 Co 8.6). 

O terceiro aspecto teológico relevante orbita em termos de obediência e bênção. Isso se dá pelo fato de a bênção estar atrelada à obediência, e a maldição, à desobediência; ademais, deve-se entender que Deus é santo, zeloso e justo (Dt 28.1,2). 

Já no quarto aspecto, compreende-se que há uma ênfase à teologia da história e da memória. É por meio dela que Moisés relembra à nova geração os grandes feitos do Senhor. Ele assim o faz para que o povo não se esqueça dEle. Na verdade, a teologia histórica como memória era pedagógica e procurava ativar e provocar na nova geração um compromisso verdadeiro e fiel para com Deus (Dt 8.2). 

Em quinto lugar, a teologia de Deuteronômio mostra que cada israelita deveria ter para com Deus atitude de temor e amor, que seria a base da motivação certa para que algo fosse feito para Deus, pois não deveria ser frio, mecânico, mas algo afetuoso (Dt 10.12), inclusive obedecer. 

O temor envolveria a reverência, e essa conscientização levaria cada um a servir a Deus sem receio de punição (Dt 6.5; 14.23). O cristão sabe que a base da sua nova vida de comunhão com Deus baseia-se no amor (Rm 5.8), que é descrito por Cristo como o maior de todos os mandamentos (Mt 22.37-38); assim, o cristão desenvolve a sua vida de fidelidade, fé e obediência alicerçado no amor, e não apenas em um sentimento de obrigação (Jo 14.15).

 Por fim, o lado teológico desse livro mostra que Israel é o povo que foi salvo pelo Senhor, passando a ser exclusivamente dEle, de maneira que deveria proceder como uma nação santa (Dt 7.6), apresentar um viver em conformidade com os princípios éticos e espirituais (Dt 10.16) e afastar-se de todas as práticas de injustiça, bem como das contaminações provenientes de práticas pagãs. Semelhantemente, a Igreja, como povo santo, deve viver neste mundo mantendo um padrão de santidade e alegria, sendo sal e luz e separando-se cada vez mais do pecado (Mt 5.1-16; 1 Pe 1.9).


2.     Revelação ética e prática     -      Sabemos dos ataques severos que estão sendo disparados hoje contra nossos filhos, mas é fato que a educação no lar continua sendo a forma mais segura para que os mantenhamos protegidos, por exemplo, das correntes pedagógicas equivocadas do mundo pós-moderno. Cabe aos pais a missão de continuar ensinando no lar a Palavra de Deus com todo amor e sem severidade (Ef 6.4; 2 Tm 3.14,15). A aplicação dos ensinos ainda envolve o aspecto da justiça e da equidade social, e isso porque, no conteúdo de Deuteronômio, há destaque para os temas que abordam os cuidados com pobres, órfãos, viúvas e estrangeiros (Dt 2.17-22). 

Essa justiça jamais poderia ser alterada, pois, teologicamente, estava firmada no caráter de Deus, que ama e usa de misericórdia para com todos, sempre cuidando e socorrendo os necessitados (Dt 10.18). O salvo em Cristo encontra no exemplo do seu Pai a importância de agir com compaixão, amor e cuidado no tocante às pessoas com necessidades, visto que é chamado para viver neste mundo desenvolvendo a justiça do Reino (Mt 25.30-40; Tg 1.27). 

O lado prático de Deuteronômio reforçava a cada israelita a necessidade de andar em plena obediência, pois esse era o caminho certo para se ter a vida (Dt 30.19). A obediência teria que ser praticada à luz da Palavra de Deus. Desse modo, ele receberia paz, prosperidade, vida e bênção; do contrário, maldição e juízo. Todo cristão sabe que o caminho para um viver abençoado é proceder segundo o evangelho de Cristo Jesus, que é o caminho para a vida e a bênção espiritual (Jo 5.24; Hb 5.9).


3.    O posicionamento de Jesus e dos apóstolos sobre Deuteronômio     -     Em Mateus 4.1-11, na tentação que enfrentou por parte do Inimigo, Ele respondeu com segurança, firmado nesse livro sagrado. As suas citações, alinhadas com Mateus, foram: Deuteronômio 8.3; 6.13,16. Com esse procedimento, Jesus mostra a cada cristão a necessidade de a Palavra de Deus ser conhecida e usada com sabedoria, no momento certo, inclusive no momento de resistir a quaisquer investidas do Maligno (Sl 119.11). Jesus também fez uso de Deuteronômio para destacar o amor como o centro da Lei de Deus. Ele procedeu dessa maneira ao responder sobre qual seria o maior de todos os mandamentos, deixando claro que seria o amor (Mc 12.31).

 Jesus novamente nos ensina que o amor a Deus é a base para a verdadeira espiritualidade. Assim como Jesus, os apóstolos consideraram Deuteronômio como Palavra inspirada e de autoridade divina, vendo-o como útil em tudo para a vida de fé e obediência cristã, para ensinar, corrigir e educar, razão por que o citaram. Para falar do povo de Deus como nação santa, sacerdócio real, que são conceitos veterotestamentários, Pedro recorreu a esse livro (Dt 7.6, 14.2; 1 Pe 2.9), o que prova que a identidade da Igreja e a sua eleição em Cristo vêm desde o Pentateuco, em especial Deuteronômio, que, doravante, é direcionado a Cristo (Ef 1.4).

 Destacamos ainda mais dois apóstolos que viram a autoridade de Deuteronômio como Palavra de Deus:

 Paulo fez uso dele ao abordar nas suas cartas, especialmente Romanos, sobre o tema justificação. O apóstolo mostrou que Cristo fez-se maldição em nosso lugar para dar-nos a salvação (Rm 5.1; Gl 3.3). O pecado estava revelado por meio da Lei, e a justificação e a redenção vinham por meio de Cristo. A justiça que a Lei exigia foi cumprida em Cristo quando Ele morreu na cruz por nossos pecados, de modo que o cristão é agora liberto não por meio de uma lei de letras mortas, legalista, mas, sim, por meio da fé no Senhor Jesus (Rm 3.20-24). 

Outro apóstolo que também fez uso de Deuteronômio e falou da Lei como espelho foi Tiago, que a destacou como guia moral e revelou a natureza desse livro como a Lei sendo vida, bênção e liberdade (Tg 1.25). A Lei não salva, obviamente, mas pode ser vista como um espelho que expressa a vontade de Deus e que mostra o caminho certo para que alcancemos um viver santo (Rm 7.12).





Ajude esta obra...
Código do PIX
Banco Mercantil do Brasil
Pb. Junio | Prof° EBD - YouTube



AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.

Pr. Setorial – Pr. Saulo Marafon.

Pr. Local: Pr. Tony Wenzler

INSTAGRAN: @PBJUNIOOFICIAL

FACEBOOK: JOSÉ EGBERTO S. JUNIO

 CANAL YOUTUBE.:    https://www.youtube.com/@pb.junioprofebd7178       Toda semana tem um vídeo da Lição. Deixem seu Like.

 Siga-nos nas redes sociais... Tenha um bom estudo bíblico.

 ** Seja um Patrocinador desta obra: chave do        PIX 11980483304        

Chave do PIX
Banco Mercantil 





               





         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21

Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio O Deus da Aliança, Pr. Osiel Gomes - Editora CPAD

O-ANTIGO-TESTAMENTO-INTERPRETADO-VERSICULO-POR-VERSICULO-VOLUME-2.pdf

pdfcoffee.com_05-deuteronomio-pdf-free.pdf