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| Pb. Junio - Congregação Boa Vista II |
TEXTO ÁUREO
"Andareis em todo o caminho que vos manda o Senhor, vosso Deus, para que vivais, e bem vos suceda, e prolongueis os dias na terra que haveis de possuir." (Dt 5. 33)
VERDADE PRÁTICA
Ouvir, aprender e praticar a Palavra revela um relacionamento verdadeiro com o Senhor Deus.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Deuteronômio 5. 1-10, 16-21, 29
INTRODUÇÃO
ELE NÃOESTÁ FAZENDO UM MERO DISCURSOFORMAL, UMA REPETIÇÃO FRIA E MECÂNICA DA LEI, TAMPOUCO AGINDO COMO UM LEGISLADOR QUE SOBRECARREGA O POVO COM NORMAS LEGALISTAS. COMO JÁ DITO, ELE AGE COMO UM PASTOR E PROFETA, COM O CORAÇÃO CHEIO DE DEUS E DESEJOSO DE QUE CADA PESSOA TENHA NO CORAÇÃO OS MANDAMENTOS DO SENHOR PARA, ASSIM, PRESERVAR A SUA ALIANÇA E DESENVOLVER UMA COMUNHÃO VERDADEIRA COM ELE.
Moisés esclarece à nova geração que o Senhor revelou-se do meio do fogo não para impressionar, causar impacto e criar grandes expectativas, mas para dizer a todos que Ele não é um Deus distante. No ato da sua revelação, o Senhor objetivava receber uma resposta do povo em fidelidade e obediência. É para isso que serve a manifestação divina. Cultos e movimentos em que as manifestações não tenham propósito de transformar, mudar vidas e edificar não têm qualquer utilidade para Deus (1 Co 14.26).
A forma de Moisés usar os seus discursos foi em tom de sermão pastoral. No livro de Deuteronômio, a teologia do pacto, como falada por ele, salienta exortações constantes para que cada israelita fosse obediente e fiel à aliança, tudo baseado na fidelidade de Deus. Como dito, a repetição dos mandamentos não foi algo apenas para repetir, mas, sim, reavivar a fé dos novos israelitas a fim de que tivessem o coração pronto para viver e obedecer à Lei de Deus.
A releitura teológica do pacto formulado em Horebe revela a soberana iniciativa da graça de YHWH (*Yahweh*) ao estabelecer uma aliança alicerçada na redenção histórica e na santidade ética. Ao redigir e proclamar o segundo discurso no livro de Deuteronômio, Moisés não apresenta um código estático ou meramente normativo, mas um imperativo relacional e dinâmico, desenhado para forjar a identidade pactual da comunidade da aliança no limiar da Terra Prometida.
Sob a perspectiva da teologia bíblica e da hermenêutica paulina, a instrução mosaica (*Torah*) transcende a moldura tipológica e sobressai como um espelho da justiça divinamente revelada, encontrando seu cumprimento definitivo na pessoa e na obra de JESUS CRISTO. Portanto, o imperativo para o povo de DEUS na Nova Aliança não reside no cumprimento exterior ou meritório da letra legal, mas na vivência transformadora pelo ESPÍRITO SANTO, que escreve os preceitos divinos nas tábuas de carne do coração e capacita o remido a andar em novidade de vida.
I. O CONCERTO REITERADO EM HOREBE
1. O chamado para ouvir e obediência - O grande líder começa o capítulo 5.1-5 de modo imperativo, dizendo àquela nova geração que era preciso ouvir, aprender e obedecer. Ouvir, aqui, vai além de escutar; trata-se de ouvir para responder de modo ativo. Moisés estava chamando todos para participarem da aliança divina, mas isso teria que ser de modo consciente. O chamado de Moisés envolvia teologicamente um ato de obediência por causa da revelação de Deus, e, assim, a Lei dada ao seu povo jamais poderia ser vista ou considerada como um fardo, pois ela expressava o caráter de Deus, bem como uma trilha para chegar-se à vida e comunhão que só é possível por meio dEle. Quando Israel evidenciasse na prática a sua obediência e fidelidade, isso iria caracterizá-lo como o verdadeiro povo de Deus. A Igreja de Cristo deve manter esse exemplo e padrão, ouvir a Palavra de Deus com total reverência e obedecê-la (Jo 14.15), pois só assim terá a vida eterna. A prática dessa obediência aos mandamentos divinos não é algo legalista, mas expressão de amor e fidelidade para com Cristo, que provou o seu amor na cruz por nós (Rm 5.8).
Todo o Israel (veja também 1.1) é chamado para ouvir a proclamação da lei, feita por Moisés, a qual todos os israelitas estavam obrigados como membros da comunidade da aliança. Ouça, Israel – veja também 4.1; 6.3–4; 9.1; 20.3; 27.9. O verbo ouvir (shāma‘) traz o sentido de “obedecer”: é requerido do povo que ouça para obedecer. O verbo é usado com o mesmo sentido no contexto do tratado do Oriente Próximo. As implicações plenas de uma audição apropriada da lei (estatutos e juízos) estão declaradas no final do versículo: vocês os aprenderão e tratarão de cumpri-los.
A pedagogia divina revelada no exórdio de Deuteronômio estabelece a audição atenta como o fundamento soteriológico e epistemológico da verdadeira piedade israelita e cristã. A proclamação do imperativo divino exige do ouvinte uma disposição existencial na qual a percepção auditiva se traduz imediatamente em submissão voluntária e ação ética coerente. No vocabulário teológico do Antigo Testamento, a assimilação da verdade revelada envolve uma transição orgânica do intelecto para o afeto e do afeto para o volitivo, eliminando a dicotomia entre a ortodoxia e a ortopraxia.
A antítese entre a geração rebelde do deserto e o remanescente obediente sublinha que o verdadeiro discípulo não é aquele que se limita a acumular conhecimento formal, mas o que permite que a revelação molde seu caráter interior. Sob a economia da Nova Aliança, a fé salvífica é gerada no espírito humano pela pregação da Palavra, demandando uma prática fervorosa e perseguidora do bem, como reflexo indissociável da união mística com o Senhor JESUS CRISTO.
2. A pessoalidade da Aliança - A teologia do concerto divino rejeita rigorosamente qualquer noção de piedade vicária ou apropriação hereditária automática das promessas e responsabilidades registradas nas Escrituras. A geração presente diante de Moisés não podia se respaldar na aliança firmada formalmente com os patriarcas para justificativa de indolência espiritual ou presunção religiosa. O pacto requer uma ratificação individual, existencial e contínua, na qual cada ser humano é confrontado com a exigência de render sua vida pessoal ao senhorio do Criador. Josué, Calebe e Timóteo personificam essa apropriação consciente e firme da fé em meio a tempos de apostasia generalizada e frouxidão moral. No paradigma da Nova Aliança, a salvação exige a convicção do coração combinada com a confissão pública da boca, evidenciando que o verdadeiro relacionamento com DEUS demanda uma renúncia total do ego e a tomada diária da cruz.
Podemos ver a pessoalidade da aliança nos termos expressivos: “conosco [...], todos os que hoje estamos vivos”. Não se pode jamais imaginar que se tenha aqui uma contrariedade do evento histórico que aconteceu no Sinai. A maneira como Moisés expressa-se denota claramente que ele tratava da renovação da aliança, que é tanto pessoal quanto presente. Esse sentido é maravilhoso para entender-se que ela não pode ser vista apenas como uma herança histórica, familiar, mas que envolve fé; logo, o termo conosco destaca uma inclusão relacional e direta. Nunca se deve pensar que a aliança que Deus fez com Israel fosse um tipo de contrato frio. A aliança envolvia fé e um ato vivo que deveria ser contínuo.
Ela era pessoal porque o Senhor desejava desfrutar com Israel um relacionamento real, caminhar com o seu povo e que todos pudessem manifestar uma resposta para com Ele repleta de amor, obediência, fé e fidelidade. A aliança com Israel era a maneira pela qual Deus aproximava- se de cada um deles, mantinha a sua soberana vontade e, ao mesmo tempo, criava comunhão. Para nós, cristãos, compreender essa verdade é algo singular no sentido de entendermos que a geração nova precisava ter fé. Ainda que os pais tenham tido fé, cada um é chamado a responder com amor, obediência e fidelidade ao chamado divino. Pedro fala que a promessa é para todos quantos o Senhor, nosso Deus, chamar (At 2.39). Dessarte, cada pessoa ainda é chamada hoje para viver a Nova Aliança feita pelo sangue de Cristo Jesus (Mt 26.26).
As palavras deste versículo enfatizam que a aliança não era simplesmente um evento passado ou algo de mero interesse histórico: O SENHOR não fez essa aliança com nossos pais. Em um sentido literal, a aliança foi feita com os pais de muitos dos que estavam ali, nas planícies de Moabe. A essência da aliança, entretanto, era sua realidade presente, de maneira que Moisés força a orientação para uma direta identificação da especialmente nova e jovem geração envolvida na feitura da aliança, em Horebe. Ele foi feita conosco, cada um de nós, todos os que estamos aqui hoje, todos os que estamos vivos – a sintaxe dessa parte da sentença hebraica é, à primeira vista, bem confusa, mas funciona efetivamente, em um sentido exortativo, para salientar o relacionamento direto entre o povo presente e o Senhor da aliança.
3. Uma revelação direta de Deus - O SENHOR falou com vocês face a face – a expressão hebraica face a face não deve ser interpretada em sentido literal. Em 4.12, fica claro que o povo ouviu a voz de Deus, mas não viu nenhuma forma. A expressão implica algo como “pessoa a pessoa” ou simplesmente que Deus falou “diretamente” ao povo. O versículo continua a enfatizar a realidade do evento, a experiência de ouvir Deus, falando do meio do fogo, por meio da identificação dos ouvintes presentes com os que estavam presentes na cerimônia original da aliança.
Para que se entenda nitidamente que a aliança era algo bem pessoal, o versículo 5 faz uso da antropopatia, que é uma forma de usar-se uma linguagem humana para falar de Deus. Assim, pela expressão “face a face”, dois aspectos podem ser vistos nesse ato da revelação divina: intimidade e intensidade. O Deus eterno, santo, justo e poderoso não se ocultou do homem, mas revelou-se ao seu povo escolhido de modo pessoal, mesmo que fizesse uso de um intermediário, Moisés. Outro tipo de manifestação de Deus descrita no versículo é a do meio do fogo, que expressa a sua glória, temor e santidade.
Destacamos já que a aliança não é um contrato, pois nela tem-se a central revelação de Deus, que jamais pode ser visto ou entendido como uma ideia, força invisível, mas um ser real, que fala, revela-se e manifesta-se. A revelação de Deus no Sinai posteriormente iria apontar para vinda de Cristo Jesus (Hb 1.1-2). O cristão vive constantemente desfrutando da revelação ou comunicação de Deus, mas isso não acontece mais hoje por meio do fogo, de anjos, mas diretamente pela Palavra e pelo Espírito Santo, que nos guia em toda a verdade (Jo 14.16,26; Hb 4.12). Todos viram o fogo no Sinai. No Pentecostes, o fogo é o Espírito Santo que atua em nosso coração (Jl 2.28; At 2.16).
A teofania (aparição de JESUS CRISTO) no Sinai/Horebe sublinha a transcendência absoluta de YHWH, expressa no fogo consumidor, na escuridão e na voz majestosa que proclamou os preceitos da aliança. Todavia, essa terrível e gloriosa santidade não se contrapõe à imanência divina, pois o propósito final da autorrevelação é o estabelecimento de uma comunhão íntima e transformadora com a comunidade eleita. A Lei dada no monte Sinai não representa um código legal abstrato ou opressor, mas a manifestação graciosa da vontade do DEUS vivo que redime seu povo da escravidão para viver em liberdade santa. Essa teofania veterotestamentária aponta tipologicamente para a perfeita e cabal revelação em CRISTO JESUS, na qual a distância causada pelo pecado é superada pelo derramamento do seu sangue. Assim, o crente na Nova Aliança não se aproxima de um monte de terror e julgamento, mas ingressa no santo dos santos com ousadia pelo ESPÍRITO.
A lei foi acrescentada por causa das transgressões
Essa é uma declaração clássica do apóstolo Paulo sobre o propósito da Lei de Moisés! Em Gálatas 3:19, ele escreve:
"Qual é, pois, a razão de ser da lei? Ela foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem a promessa tinha sido feita..."
O sentido dessa afirmação no texto bíblico:
1. Revelar e definir o pecado: A Lei não foi dada para salvar ou justificar as pessoas, mas para evidenciar a santidade de DEUS e expor explicitamente o pecado e as transgressões humanas.
2. Função temporária (Pedagogo): A Lei atuava como um "tutor" ou "guardião" (Gálatas 3:24) para conduzir o povo até a chegada de CRISTO (o Descendente/Ais prometido).
3. Contraste com a Promessa: A promessa feita a Abraão veio antes da Lei e baseava-se na fé. A Lei veio depois, acrescentada para disciplinar e mostrar a necessidade da graça.
II. A EXPRESSÃO DA VONTADE DE DEUS NOS MANDAMENTOS
1. Os quatro primeiros mandamentos: amor a Deus - A lei foi acrescentada por causa das transgressões
Essa é uma declaração clássica do apóstolo Paulo sobre o propósito da Lei de Moisés! Em Gálatas 3:19, ele escreve:
"Qual é, pois, a razão de ser da lei? Ela foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem a promessa tinha sido feita..."
O sentido dessa afirmação no texto bíblico:
1. Revelar e definir o pecado: A Lei não foi dada para salvar ou justificar as pessoas, mas para evidenciar a santidade de DEUS e expor explicitamente o pecado e as transgressões humanas.
2. Função temporária (Pedagogo): A Lei atuava como um "tutor" ou "guardião" (Gálatas 3:24) para conduzir o povo até a chegada de CRISTO (o Descendente/Ais prometido).
3. Contraste com a Promessa: A promessa feita a Abraão veio antes da Lei e baseava-se na fé. A Lei veio depois, acrescentada para disciplinar e mostrar a necessidade da graça.
4.
Me livrou da lei do pecado
Essa declaração resume a mensagem central de libertação em Romanos 8:2:
"Porque a lei do ESPÍRITO da vida, em CRISTO JESUS, te livrou da lei do pecado e da morte."
O Contraste em Romanos 8:2
5. A "Lei do Pecado e da Morte": Refere-se à força espiritual e ao princípio moral que escraviza a natureza humana. Ela expõe a falha do ser humano em cumprir a Lei de Moisés por forças próprias, resultando na condenação e na morte espiritual.
6. A "Lei do ESPÍRITO da Vida": É o novo princípio de vida concedido mediante a união com CRISTO JESUS. O ESPÍRITO SANTO habita no crente, concedendo capacitação e liberdade que a lei exterior não podia produzir.
7. A Libertação Efetuada: O verbo no passado ("livrou" / "libertou") indica que a libertação já foi consumada por meio da obra de CRISTO na cruz e na ressurreição.
Na estrutura dos quatro primeiros mandamentos, está claro que todo israelita deveria manter para com Deus exclusividade, reverência, temor e comunhão. No primeiro, o Senhor quer exclusividade, pois é único e soberano; no segundo, jamais se deve fazer qualquer tentativa de reduzi-lo a algo material para representá-lo; já o terceiro pede reverência para com o seu nome, Yahweh, que revela o seu caráter; e o quarto envolve a santificação do tempo e reconhece o mesmo como Deus criador e redentor (Êx 20.8; Dt 5.15). Pela instrumentalidade desses mandamentos, fica claro que o Senhor quer um relacionamento exclusivo com o seu povo, pois Ele não divide a sua glória com ninguém (Is 42.8), marcado pela santidade, adoração verdadeira, zelo e fidelidade, pois cada ponto desses mandamentos reflete a santidade de Deus.
A Lei, nesse particular, não pode ser analisada tão somente como exigências morais, mas, sim, como santa, espiritual e relacional. Essas exigências divinas estão presentes em todo o Novo Testamento, de maneira que o cristão precisa entender que o Senhor continua exigindo adoração exclusiva para Ele (1 Co 8.6), rejeitando e condenando todo tipo de idolatria (1 Jo 5.21), requerendo de todos reverência para com o seu nome (Mt 6.9) e convidando a todos para um tempo de descanso espiritual e adoração (Hb 4.9-10). Quem segue todos esses princípios bíblicos e coloca os em prática realmente manifestará um amor sincero para com Deus que será acima de todas as coisas (Mt 22.37). Adorar ao Senhor Deus em obediência e fidelidade e com a vida totalmente consagrada a Ele está acima de qualquer tradição religiosa e liturgias frias.
2. Os seis mandamentos: amor ao próximo - Os seis últimos mandamentos estabelecem uma ordem ética que envolve a vida em comunidade e mostra que o Senhor deseja uma vida com respeito, verdade e integridade. Em destaque, nota-se que “honrar pai e mãe” é o único mandamento com promessa. “Não matar” mostra respeito pela vida, e “não adulterar”, santidade no casamento. Os outros que se seguem envolvem o ato de preservar-se a propriedade, a verdade e a pureza do coração.
É importante atentar para os mandamentos dessa ética relacional, pois cada um deles mostra que o Senhor leva em consideração a forma como tratamos nosso próximo, pois cada ser humano traz na sua existência a imagem de Deus (Gn 1.26-27; 9.6), de modo que não se pode ter qualquer tipo de preconceito, racismo e diferença para com as pessoas, pois todos foram criados por Deus, e Ele jamais faz acepção de pessoas (Dt 10.17; 16.19; 2 Cr 19.7; Ml 2.9; At 10.34; Rm 2.11; Ef 6.9; Cl 3.25; Tg 2.1,9; 1 Pe 1.17).
Ao estudarmos o Decálogo, não estamos, portanto, tratando simplesmente de uma lei fria ou apenas de exigências morais, mas nele estão expressos o caráter de Deus, a sua santidade e o que o Senhor quer do seu povo. Essa lei divina não é só um código, mas a sua vontade (Dt 4.13). Nela estão declarados os fundamentos para que uma sociedade seja justa, o que só é possível quando, em primeiro lugar, acontece a mudança no coração de cada indivíduo. Esses mandamentos, pela ótica de Paulo, são por demais pertinentes, e ele reafirma-os em Romanos 13.8-10 como uma expressão de amor.
Compreendemos que a ética cristã é imprescindível para que o amor seja desenvolvido na prática. Quando se obedece à lei moral, o Fruto do Espírito é manifesto (Gl 5.22-23) no contexto que envolve os relacionamentos. Essa ética relacional é a moldura moral que visa proteger a vida em sociedade, a família, o casamento, a propriedade e a verdade. Trata-se de expressões práticas que envolvem o segundo e maior mandamento (Lv 19.18; Mt 22.39) e que são reflexo do caráter de Deus. Todo cristão, portanto, deve viver de modo justo, íntegro e amoroso na sua relação com o seu próximo. Paulo fala que toda a Lei é cumprida numa só palavra: amar o próximo (Gl 5.14).
A lei foi acrescentada por causa das transgressões
Essa é uma declaração clássica do apóstolo Paulo sobre o propósito da Lei de Moisés! Em Gálatas 3:19, ele escreve:
"Qual é, pois, a razão de ser da lei? Ela foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem a promessa tinha sido feita..."
O sentido dessa afirmação no texto bíblico:
1. Revelar e definir o pecado: A Lei não foi dada para salvar ou justificar as pessoas, mas para evidenciar a santidade de DEUS e expor explicitamente o pecado e as transgressões humanas.
2. Função temporária (Pedagogo): A Lei atuava como um "tutor" ou "guardião" (Gálatas 3:24) para conduzir o povo até a chegada de CRISTO (o Descendente/Ais prometido).
3. Contraste com a Promessa: A promessa feita a Abraão veio antes da Lei e baseava-se na fé. A Lei veio depois, acrescentada para disciplinar e mostrar a necessidade da graça.
3. Qual a utilidade da Lei para os cristãos hoje? - A lei foi acrescentada por causa das transgresões. Essa é uma declaração clássica do apóstolo Paulo sobre o propósito da Lei de Moisés! Em Gálatas 3:19, ele escreve:
"Qual é, pois, a razão de ser da lei? Ela foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem a promessa tinha sido feita..."
O sentido dessa afirmação no texto bíblico:
1. Revelar e definir o pecado: A Lei não foi dada para salvar ou justificar as pessoas, mas para evidenciar a santidade de DEUS e expor explicitamente o pecado e as transgressões humanas.
2. Função temporária (Pedagogo): A Lei atuava como um "tutor" ou "guardião" (Gálatas 3:24) para conduzir o povo até a chegada de CRISTO (o Descendente/Ais prometido).
3. Contraste com a Promessa: A promessa feita a Abraão veio antes da Lei e baseava-se na fé. A Lei veio depois, acrescentada para disciplinar e mostrar a necessidade da graça.
Em se tratando da utilidade da Lei para o cristão, é preciso analisar os seus três usos tradicionais: o primeiro pode ser visto na sua função moral. Nesse sentido, ela está sendo usada como um freio para o pecado, instruindo a consciência do homem (1 Tm 1.9,10). Segundo, ela tem o seu uso na função normativa para uma vida santa. No momento em que acontece o novo nascimento, a lei moral passa a ser um guia de vida que expressa a vontade de Deus (Sl 1.2; Rm 7.12). Terceiro, a Lei é usada na sua função pedagógica, pois revela o pecado e a incapacidade de o homem libertar-se dele pela sua vontade. Ela, porém, certamente o conduz a Cristo, que é a verdade que liberta (Jo 8.32; Gl 3.24).
Tudo se volta para o Antigo Testamento quando falamos das leis civil, moral e cerimonial, e os eventos têm ligação direta com a obra que Cristo consumou. Essa divisão, que foi muito usada pelos reformadores, serviu para explicar como esses aspectos aplicam a Lei Mosaica aos cristãos. Os cultos, os sacrifícios, as festas religiosas, a pureza ritual, o sacerdócio levítico e o Tabernáculo estavam presentes na lei cerimonial e apontavam para Cristo Jesus, sendo, portanto, sobras das coisas futuras (Cl 2.16-17; Hb 10.1). Jesus, como Cordeiro, Templo perfeito e Sumo Sacerdote, cumpriu essa lei totalmente (Jo 1.29; 5.17; Hb 7–10). Essa lei não é mais exigida para o culto cristão de hoje. Temos na lei civil o conjunto de leis que regiam a nação de Israel, que era teocrática, e isso envolvia penalizações, restituições, administração da justiça, herança, propriedade e guerra (Êx 21–23; Lv 25; Dt 19.15-21). Nesse particular, Jesus cumpriu toda a justiça da Lei e ensinou a todos princípios que vão além do contexto vivido por Israel, os quais foram direcionados a todas as nações (Mt 22.21; Jo 18.36). Não há mais necessidade dessa lei civil para o cristão; o povo de Deus agora se espalha por toda a terra (1 Pe 2.9).
Mesmo não sendo mais uma teocracia, os princípios de justiça, equidade e dignidade humana sempre são válidos. Os mandamentos são universais e eternos na lei moral. Eles refletem o caráter santo e justo de Deus. Essa cláusula não foi abolida, mas, sim, cumprida em Cristo e reafirmada por Ele (Êx 20; Dt 5; Mt 22.37-40; Rm 13.8-10). Jesus cumpriu essa lei porque viveu neste mundo sem pecar (Hb 4.15) e ensinou os seus discípulos a obedecerem-na em espírito e verdade (Mt 5.17-20; Rm 8.3-4). Essa lei permanece válida para os cristãos, porém jamais como meio de salvação, mas como norma para uma vida pura e santa, dirigida e avivada pelo Espírito Santo de Deus (Gl 5.16,22-23).
O cristão, portanto, não vive debaixo da Lei como uma forma de receber a regeneração, a justificação (Gl 2.16), mas submete-se à sua autoridade moral, pois os mandamentos guiam e orientam para uma vida de santificação e obediência, bem como discernimento ético frente a um mundo com os seus postulados relativistas (Rm 3.21). Assim, a Lei para o cristão apresenta três aspectos: espelho, ao revelar a necessidade de Cristo; bússola, ao orientar a caminhada; e testemunho, ao apresentar exemplo vivo de uma vida transformada pela graça de Deus (1 Jo 5.3).
III. OBEDECENDO À VOZ DE DEUS
1. A Palavra de Deus revelada à congregação - A promulgação da Lei ao povo de Israel manifestou a glória inefável e o caráter terrível da santidade divina, gerando nos espectadores uma aguda consciência da sua própria fragilidade e contaminação moral. Diante das labaredas de fogo, das nuvens densas e da voz trovejante, a congregação reconheceu a impossibilidade de manter um acesso direto ao DEUS Altíssimo sem a provisão de uma mediação autorizada. O pedido do povo para que Moisés servisse como intermediário prefigura tipologicamente a imperiosa necessidade do Sumo Sacerdote perfeito e definitivo, JESUS CRISTO, o único Mediador entre DEUS e os homens. A verdadeira revelação da palavra de DEUS não visa produzir desespero estéril, mas sim um temor reverente que conduz ao abandono da autoconfiança e à busca da graça transformadora do ESPÍRITO SANTO, que substitui o coração de pedra por um coração flexível e obediente.
Entendemos que o Senhor sempre quis comunicar-se com o homem, e a maneira como Ele procedeu na sua revelação, que foi direta, evidencia que Deus é comunicativo, santo e quer que o seu povo ouça a sua voz e viva em comunhão com Ele. Teologicamente, a relação geral de Deus torna-se especial quando fala de modo direto (Hb 1.1,2). Quando o Senhor fala, a sua voz mostra a sua glória e vontade (Sl 29). Essa revelação começou no Antigo Testamento, mas teve o seu desfecho completo na pessoa de Cristo Jesus (Jo 1.14).
A Igreja é consciente de que serve a um Deus vivo e poderoso e de que faz parte do seu pastoreio (Sl 100.3). Assim, quando se reúne, é para ouvir a voz divina por meio da pregação e ensino das Sagradas Escrituras, pois hoje Ele fala por meio dela e espera uma resposta de fidelidade e obediência sem qualquer traço de incredulidade, mas, sim, de plena fé (Hb 3.7-8; Ap 2.7).
O versículo 27 possui dois verbos que destacam a consideração do povo para com a palavra revelada: o primeiro é escutaremos ou ouviremos. Não se trata apenas de limitar-se ao ouvir físico, mas, sim, uma atenção e uma compreensão que respondesse obedientemente. Quando o povo disse: “ouviremos”, todos estavam reconhecendo que a obediência começava pela escuta reverente (Rm 10.17). O segundo verbo é cumpriremos. Ao usarem esse termo, todos se comprometiam a praticar o que iriam ouvir e, dessa maneira, diziam que teriam submissão total à vontade de Deus (Tg 1.22).
2. Bênção e preservação aos obedientes - Nos versículos 29-33, Moisés mostra que a obediência aos mandamentos de Deus traria ao povo gloriosas bênçãos: vida, bem-estar, preservação e continuidade tanto espiritual como social (Dt 5.29). A dimensão da bênção aqui descrita não é apenas material, mas vai muito mais além, pois, quando obedece a Deus em resposta à sua Lei, o homem tem a sua alma preservada e recebe vida abundante, cujos frutos serão duradouros (Dt 5.33). Bíblica e teologicamente, sabemos que a obediência é fruto do temor a Deus (Pv 1.7). No demais, ao obedecer, cada israelita era consciente de que estava ouvindo a voz de Deus, por meio da qual receberia proteção, direção e herança espiritual (Sl 91; Is 30.21). Semelhantemente, os cristãos que vivem a obediência por meio da Palavra de Deus são tanto aperfeiçoados quanto salvos (2 Tm 3.15; Hb 5.9). Além disso, mostra um amor grandioso para com a voz divina, guardando os mandamentos (Jo 14.15; Tg 1.22). Os que realmente desejam desfrutar das copiosas bênçãos do Senhor precisam ouvir e sujeitar-se à sua voz constantemente.
Na ordem pactual estabelecida no livro de Deuteronômio, a obediência atenta e amorosa aos preceitos divinos é apresentada como o meio ordenado por YHWH para a preservação e o desfrute da vida abundante sob a bênção celestial. A centralidade do coração na teologia bíblica enfatiza que o Senhor não se agrada de ritos formais ou externalismos vazios, exigindo que a vontade humana seja inteiramente submetida ao seu senhorio. A fidelidade do crente gera também um impacto pedagógico e intergeracional duradouro, estabelecendo uma herança de piedade que fortalece a família e edifica a comunidade da aliança. No contexto do Novo Testamento, essa promessa de preservação se realiza na bem-aventurança daqueles que não apenas escutam a pregação da Palavra, mas a guardam perseverantemente no dia a dia, experimentando a paz, a alegria e o amparo providencial de DEUS em todas as circunstâncias da vida.
3. Palavras exortativas de Moisés - O encerramento do solene discurso mosaico convoca a comunidade da aliança a uma perseverança inabalável no caminho traçado pela autorrevelação de DEUS, proibindo terminantemente qualquer desvio para a direita ou para a esquerda. A atitude de Moisés, ao permanecer no monte diante do Senhor para receber novas instruções enquanto o povo retornava às tendas, exemplifica a gravidade da responsabilidade ministerial e pastoral de interceder e ensinar com fidelidade exegética. A nova geração, prestes a enfrentar as batalhas para a conquista de Canaã, precisava ancorar a sua coragem e conduta na Palavra escrita e proclamada. Da mesma forma, o crente sob a Nova Aliança é exortado a andar continuamente na luz da Revelação divina, sendo guiado pela iluminação do ESPÍRITO SANTO que habita nele e pela suficiência absoluta das Santas Escrituras, que lâmpada são para os pés e luz para o caminho.
Os versículos 27-33 mostra que o povo temeu ouvir a voz de Deus, de modo que os israelitas solicitaram que Moisés figurasse como mediador entre eles e o Senhor. Nesse caso, o grande líder atuaria como um pastor que iria exortar e relembrar a todos os mandamentos do Senhor, bem como convocar cada um a viver conforme os mandamentos divinos com fé, fidelidade e obediência (Dt 5.27). As exortações dadas por Moisés eram para que cada um pudesse ouvir, guardar e praticar o que o Senhor Deus estava determinando por meio dos seus mandamentos e que isso fosse feito com a atitude de um coração cheio de temor e santidade, pois, somente procedendo assim é que teriam vida e bênção (Dt 5.32-33).
Já dissemos que Moisés iria atuar não como um orador ou um filósofo, que apenas mostram erudição acadêmica. Ele mesmo tinha consciência de que estaria dando ao povo os mandamentos do Senhor, de modo que a sua atuação seria profética e conclamaria a toda a congregação a uma vida de santidade e aliança com o Senhor. Nesse particular, o grande legislador do povo de Israel vai figurar como a pessoa de Jesus Cristo, que será o Mediador superior da Nova Aliança, firmada no seu próprio sangue (Hb 3.5-6; 8.6). Ao falarmos de Moisés como exortador, não queremos dizer que ele seria um tipo de opressor, ou seja, alguém que iria impor a sua vontade e ideias.
Ele, na verdade, entregaria a toda a congregação a Palavra de Deus, marcada pela graça divina que leva a vida. Os pastores de hoje, assim como Moisés, são profetas de Deus para esta geração e devem entregar na íntegra a mensagem divina, exortar todos a achegarem-se mais a Deus com temor e tremor santo, em rendição e submissão, e fazerem isso por meio do evangelho de Jesus Cristo, que é o poder de Deus para a salvação de todos (Rm 1.16). Essa exortação objetiva levar cada um a viver de santidade e fé, lembrando que, como disse Paulo, as Escrituras Sagradas são úteis para tudo (2 Tm 3.16). Devemos, portanto, exortar uns aos outros por meio dela (Hb 3.13).
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| Pb. Junio | Prof° EBD - YouTube |
AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2.
Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.
Pr. Setorial – Pr. Saulo Marafon.
Pr. Local: Pr. Tony Wenzler
INSTAGRAN: @PBJUNIOOFICIAL
FACEBOOK: JOSÉ EGBERTO S. JUNIO
CANAL YOUTUBE.: https://www.youtube.com/@pb.junioprofebd7178 Toda semana tem um vídeo da Lição. Deixem seu Like.
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BIBLIOGRAFIA
Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias
O-ANTIGO-TESTAMENTO-INTERPRETADO-VERSICULO-POR-VERSICULO-VOLUME-2.pdf
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**Comentário Teológico Expositivo:**
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