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domingo, 22 de fevereiro de 2026

LIÇÃO -9 - ESPÍRITO SANTO - O REGENERADOR.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


         TEXTO ÁUREO

"Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus." ( Jo 3.3)


                    VERDADE PRÁTICA

A regeneração é a transformação operada pelo Espírito Santo, pela qual o pecador se torna uma nova criatura.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: João 3.1-8



                        INTRODUÇÃO


A regeneração é a obra inicial do Espírito Santo na aplicação da salvação, pela qual o pecador espiritualmente morto é vivificado e transformado em uma nova criatura. Não se trata de uma mera mudança exterior, mas de uma transformação operada internamente pelo Espírito, que purifica dos pecados e concede nova natureza, e que não depende de obras meritórias, mas da graça divina Jo 1.12-13; Tt 3.5). O "nascer de novo” ou “nascer do alto” expressa essa nova criação de natureza espiritual (1 Pe 1.23). A regeneração é obra invisível, mas real, como o vento que não se vê, mas que se sente e produz efeitos (Jo 3.8). Essa metáfora destaca tanto a soberania do Espírito, que atua livremente no coração humano, quanto a profundidade da mudança produzida na vida de um convertido. Esse capítulo apresenta o Espírito Santo operando no plano trinitário da salvação, como o agente da regeneração. Sua atuação revela o milagre divino que transforma a natureza humana decaída, concedendo nova vida em Cristo.

Nicodemos defendeu JESUS perante o Sinédrio invocando a Halachá.

A lei judaica, ou Halachá, exige que o réu seja ouvido antes de qualquer julgamento ou decisão. Este princípio, conhecido como "audição do réu", é fundamental na justiça judaica e assegura que todas as partes envolvidas em uma disputa tenham a oportunidade de apresentar seus argumentos e evidências.

Elaboração:

A Halachá, ou lei judaica, é um sistema legal abrangente que se baseia na Torá e no Talmud. O princípio da "audição do réu" (também conhecido como direito de defesa ou devido processo legal) é um dos fundamentos da justiça judaica, garantindo que o réu tenha a oportunidade de apresentar sua versão dos fatos e se defender antes de qualquer decisão judicial. 

Este princípio é expresso de várias maneiras na Halachá, incluindo:

·        Direito à defesa:

O réu tem o direito de contratar um advogado, apresentar testemunhas e argumentos, e questionar as evidências apresentadas contra ele. 

·        Ouvir o réu:

Juízes e tribunais são obrigados a ouvir o réu e considerar suas palavras e argumentos antes de tomar qualquer decisão. 

·        Justiça e equidade:

A lei judaica busca garantir que o processo judicial seja justo e equitativo, considerando todas as partes envolvidas. 

·        Imparcialidade:

Os juízes devem ser imparciais e não mostrar preconceito contra o réu. 

Além disso, a Halachá enfatiza a importância da misericórdia e do perdão. O objetivo final da lei judaica não é apenas a punição, mas também a reconciliação e a restauração da justiça. 

Portanto, a "audição do réu" na lei judaica é mais do que apenas um procedimento legal; é um princípio ético e moral que visa garantir a justiça e o tratamento justo de todas as pessoas envolvidas em um processo judicial. 



                I.    REGENERAÇÃO: UMA OBRA TRINITÁRIA 


1.    A doutrina bíblica da Regeneração     -    "O novo nascimento no Evangelho de João – morrer para a descendência de Adão (semente do pecado), nascer para a descendência de DEUS (nascer da Palavra de DEUS – esta é semente).Encontramos a única menção explícita ao novo nascimento na conversa de JESUS com Nicodemos (3.1-21). JESUS fala a Nicodemos: 'Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de DEUS' (v. 3). A réplica de Nicodemos: 'Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?' (v. 4), indica que ele entendeu o comentário de JESUS na esfera humana, física. A interpretação errônea de Nicodemos fornece a JESUS a oportunidade de esclarecer o que queria dizer. Ele fala da necessidade de um novo nascimento espiritual, não de um segundo nascimento físico (vv. 6-8). A interpretação errônea e o esclarecimento resultante dela são refletidos em um jogo de palavras no versículo 3 (repetidas no v. 7). A palavra grega aõthen, traduzida por 'novo', na NVI, pode querer dizer 'de novo' ou 'de cima'. Contudo, o fato de Nicodemos entendê-la com o sentido de 'de novo' leva-o a concluir que JESUS fala de um segundo nascimento físico, mas a resposta de JESUS, registrada nos versículos 6-8, mostra que Ele se refere à necessidade de um nascimento espiritual, um nascimento 'de cima'. Esse novo nascimento não é resultado de nenhum ato humano, só a fé ao ouvir a pregação do evangelho(cf. v.6), a seguir vem a obra do ESPÍRITO SANTO (v. 8). É necessária a atividade sobrenatural do ESPÍRITO de DEUS para realizar esse novo nascimento espiritual no indivíduo. Ele não consiste apenas em percepção ou compreensão mais excelente, mas na completa transformação do indivíduo (cf. 2 Co 5.17)"

Tt 3.5 O novo nascimento significa regeneração
3.5 A LAVAGEM DA REGENERAÇÃO. Isto se refere ao novo nascimento do crente, ÁGUA – PALAVRA + ESPÍRITO SANTO
Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de DEUS, viva, e que permanece para sempre. 1 Pedro 1:23 (grifo nosso)
Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do ESPÍRITO SANTO, Tito 3:5 (grifo nosso)
Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, Efésios 5:26 (grifo nosso)
Visto como na sabedoria de DEUS o mundo não conheceu a DEUS pela sua sabedoria, aprouve a DEUS salvar os crentes pela loucura da pregação. 1 Coríntios 1:21 (grifo nosso)
Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o ESPÍRITO SANTO da promessa; Efésios 1.13 ouviu + creu = salvo. A "renovação do ESPÍRITO SANTO" refere-se à outorga constante da vida divina aos crentes à medida que se submetem a DEUS (cf. Rm 12.2).

Na conversa com Nicodemos, Jesus faz um contraste entre o nas cimento físico “da carne” (gr. ek sárx) e o nascimento espiritual “do Espírito” (gr. ekpneâma), revelando que a regeneração é uma obra sobre natural Jo 3.6). Jesus explica que o “nascer de novo” é algo espiritual Jo 3.5) — uma segunda origem, não humana — um renascimento a partir do alto, isto é, de Deus. A Teologia Sistemática Pentecostal ensina que a expressão “de novo”, de acordo com o texto original, significa “nas cer do alto, de cima, das alturas”.1 Isso quer dizer que se trata de uma obra realizada pelo Espírito. Nesse sentido, Paulo ensina que somos salvos “pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tt 3.5b).

 Aqui, “regeneração” (gr. palingenesia) significa “novo nascimento” e está intimamente ligada à conversão. Ratifica-se que se trata de renovação interior realizada pelo Espírito, ocasião em que a pessoa se torna uma nova criatura (2 Co 5.17). O pastor Antonio Gilberto afirma que “enquanto a regeneração enfatiza o nosso interior, a conversão, o nosso exterior. Quem diz ser nas cido de novo deve demonstrar isso no seu dia-a-dia”.2 Não é uma mera reforma moral, mas uma recriação plena do ser humano.


2.     A Regeneração  como exigência de Jesus     -    Cristo declarou que “aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” Jo 3.3). F. F. Bruce explica que “nesse Evangelho, bem como nos outros, ‘ver o Reino de Deus’ nesse sentido é a mesma coisa que a ‘vida eterna’ [...] A ‘regeneração’ é outro sinônimo (Mt 19.28). Porém, Jesus fala de uma regeneração a ser experimentada aqui e agora”. A expressão “ver o Reino” é paralelo à frase “entrar no Reino” Jo 3.5), evidenciando que não há participação na salvação sem o novo nasci mento. Equivale dizer que a regeneração é absolutamente necessária.3 Nos Sinópticos, Jesus reforça essa exigência ao declarar: “se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus” (Mt 18.3).

 Nesse sentido, Henry salienta que a conversão significa “ter uma outra mentalidade, em uma outra estrutura e sentimento; devem ter outros pensamentos, tanto de si mesmos como do Reino dos céus, antes de estarem aptos a ocupar um lugar nele”. A regeneração/conversão é a porta de entrada no Reino, a obra inicial da graça que principia a transformação do pecador. A ideia é mudança radical de caráter e de total dependência de Deus (1 Co 6.9-11).

 No milagre do novo nascimento, há fé e arrependimento (Mt 4.17). Implica o abandono da velha vida, do egoísmo e do controle da carne, pela adoção de um novo comportamento de santidade e obediência a Cristo.5 O ser uma nova criatura é uma exigência absoluta, uma condição essencial para a salvação (G1 6.15). Aponta para uma nova ordem de existência, criada por Deus, não apenas melhorada. Essa “nova criação” é a evidência visível de que houve regeneração. Por essa razão, a pregação apostólica priorizava o chamado ao arrependimento e à fé (Mc 6.15; At 20.21), colocando a regeneração no centro da proclamação.


3.    O Pai como autor da Salvação     -     A expressão eleição significa “escolha”, e predestinação tem o sentido de “determinar antes”. Esses vocábulos ligados entre si explicam que, pela presciência divina, Deus soube de antemão quem iria crer e perseverar em Cristo desde a eternidade e elegeu-os conforme a sua vontade e, para esses eleitos, determinou propósitos específicos (1 Pe 1.2). Elucida que Deus elegeu a Igreja desde a eternidade, antes da fundação do mundo, segundo a sua presciência. Desse modo, a eleição “inclui a previsão de Deus quanto àquilo que o homem irá fazer com a sua própria liberdade, mas depende, para sua realização, da graça soberana de Deus”. Nesse sentido, não há nenhum conflito entre a soberania de Deus e a liberdade humana.

 Assim sendo, o amor divino é a fonte primária da salvação — não condicionado às obras dos homens, mas oferecido por graça divina, mediante a fé em Cristo (Ef 2.8-9). Essa verdade gloriosa exalta o Pai como a fonte de toda boa dádiva e o autor da nova vida concedida ao crente (Tg 1.17-18). Doutrinariamente, isso preserva o sinergismo da salvação. A regeneração é iniciativa de Deus, a fé e o arrependimento são frutos da graça preveniente que possibilita ao homem responder positivamente ao chamado divino (Fp 1.29; At 11.18).


4.     O Espírito como agente da Regeneração     -      A nova criação, que Paulo em Efésios expressa como “criados em CRISTO JESUS” (Ef 2.10), é levada a efeito pela ação do ESPÍRITO SANTO: “nascer do ESPÍRITO” (Jo 3.5,6). O ESPÍRITO SANTO opera o novo nascimento e nos concede uma nova vida em CRISTO (Tt 3.5). E, após o novo nascimento, o mesmo ESPÍRITO habita na nova criatura operando outras obras: capacitação, fruto, ajuda, santificação e tantas outras. Como o próprio Senhor disse: o ESPÍRITO está com os discípulos de CRISTO e vive com os Seus discípulos (Jo 14.16-17).

 

Revista Betel Dominical, 4º Trimestre de 2017, Lição 5:”Assim como o ESPÍRITO SANTO desempenhou um papel na criação (Gn 1.2) a regeneração é Obra do ESPÍRITO SANTO no íntimo das pessoas. Como o Senhor JESUS CRISTO foi gerado pelo ESPÍRITO SANTO, assim, pela operação do mesmo ESPÍRITO, somos “feitos filhos de DEUS” (Jo 1.12). Como já visto anteriormente, antes do novo nascimento, o ser humano está, espiritualmente, morto em ofensas e pecados. A regeneração é DEUS agindo em favor do homem: “E porei em vós o meu ESPÍRITO, e vivereis…” (Ez 37.14). O ESPÍRITO SANTO é o ESPÍRITO de Vida (Rm 8.2). Logo, o novo nascimento não é somente uma doutrina, mas uma realidade”.

O texto descreve o Espírito Santo como o executante da regeneração. Isso indica que, onde o Espírito opera, ocorre transformação interna e espiritual. O Espírito não apenas desperta, mas implanta vida Jo 6.63). O resultado dessa nova vida é evidenciado pelo fruto do Espírito (G1 5.22-23), que é o caráter de Cristo formado no crente (Rm 8.29). Essa obra é contínua, pois o mesmo Espírito que regenera, também santifica e preserva o crente até o final (Fp 1.6; Rm 8.11).



                II.    A NATUREZA ESPIRITUAL DA REGENERAÇÃO 


1.    Uma transformação interior    -    A capacitação divina

Essa transformação interior acontece por meio de três recursos fundamentais que a nova aliança nos oferece.

O primeiro é o novo nascimento. Em Cristo, recebemos um novo coração e um novo espírito. Deixamos de ser apenas criaturas e passamos a participar da natureza divina, revestindo-nos de uma nova identidade. Como escreve Paulo: “[…] se revestiram da nova natureza que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que a criou” (Colossenses 3.10).

O segundo é a presença do Espírito Santo. Ele habita em nós e opera continuamente para nos conformar à imagem de Jesus. É o Espírito quem nos transforma de glória em glória, como Paulo afirma: “E todos nós, com o rosto descoberto, contemplando a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, que é o Espírito” (2 Coríntios 3.18).

O terceiro é a Palavra de Deus, que agora está gravada em nosso interior. A voz divina, antes ouvida de fora, passa a ecoar dentro de nós, guiando, corrigindo e moldando o coração. A obediência deixa de ser resultado de imposição e se torna fruto de comunhão.

A transformação é um processo


Embora o novo nascimento marque o início dessa mudança, a transformação é progressiva. A vida cristã é um caminhar constante de amadurecimento e rendição. Somos desafiados a abandonar padrões antigos e a permitir que Cristo forme em nós sua própria natureza. Esse processo exige perseverança, sensibilidade ao Espírito e disciplina para permanecermos firmes na fé.

Paulo descreve esse amadurecimento como um avanço até a plena estatura de Cristo: “Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de pessoa madura, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efésios 4.13).

O caminho da transformação passa por aprender a pensar como Cristo pensa e a agir como Ele agiu. “Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus” (Filipenses 2.5), escreveu o apóstolo. E Pedro reforça: “Cristo sofreu no lugar de vocês, deixando exemplo para que vocês sigam os seus passos” (1 Pedro 2.21). A vida do Filho se torna o padrão e o modelo de todo aquele que é nascido de Deus.


2.    Uma obra soberana do Espírito    -     A construção gramatical do texto grego (ek hydõr kai pneüma) forma uma ideia unificada — indicando que “água” e “Espírito” não são dois nascimentos distintos, mas aspectos complementares de um mesmo ato regenerador. Essa metáfora da água é recorrente nas Escrituras e aponta para limpeza e purificação do pecado (Ef 5.26; Hb 10.22). Água, sobretudo no Evangelho de João, é símbolo do Espírito Jo 7.37-39). Jesus está retomando a linguagem profética de Ezequiel, em que Deus promete purificar Israel com água limpa e colocar neles um novo espírito (Ez 36.25-27). O Espírito Santo é o agente que concede essa nova vida, capacitando o homem a viver em comunhão com Deus (2 Go 3.6).

Aqui, água e Espírito formam um par inseparável — purificação e vivificação — para descrever a regeneração. Cristo também compara a ação do Espírito com o vento (gr. pneüma), termo que no hebraico (ruach) tem o mesmo campo semântico. As sim como o vento sopra onde quer (Jo 3.8), o Espírito age livremente, sem depender de controle humano ou de rituais externos (1 Co 2.11- 12). Isso reforça e harmoniza a revelação bíblica: no Antigo Testamento, Deus prometeu tirar o “coração de pedra” e dar um “coração de carne” (Ez 36.26), colocando seu Espírito para capacitar à obediência. No Novo Testamento, Paulo descreve o mesmo processo como “lavagem da regeneração e renovação do Espírito Santo” (Tt 3.5).

 Por conseguinte, “nascer da água e do Espírito” significa uma transformação espiritual completa: ser purificado dos pecados e receber renovação interior pelo poder do Espírito (Ef 3.16; 5.26). Essa mudança não pode ser produzida pela carne. E um ato soberano do Espírito que age de acordo com a vontade eterna do Pai (Ef 1.4-5). Somente a ação divina é capaz de renascer o homem espiritualmente. Aquele que nasce do Espírito torna-se nova criatura (2 Co 5.17), com uma natureza renovada (Cl 3.10) e um coração transformado (Ez 36.26-27). Passa a ter uma nova vida e uma nova identidade.


3.    Uma nova vida e nova conduta    -    Como ensinou Jesus, aquele que nasce apenas da natureza humana permanece limitado àquilo que é da carne; mas quem nasce pela ação do Espírito Santo recebe uma nova natureza espiritual Jo 3.6). Conforme F. F. Bruce, o ensino se refere a uma “antítese entre o campo de ação da carne e o do Espírito”. A expressão “carne” (gr. sárx) não diz respeito apenas ao “corpo”, mas indica a condição humana na sua limitação e incapacidade de comunhão com Deus Jo 1.13; 6.63). O vocábulo “Espirito” (gr. pneuma) assinala nova origem e nova ordem de existência. Essa distinção enfatiza que nada da carne pode produzir vida espiritual. As “obras da carne” descrevem a produção natural da velha natureza, tais como imoralidades, inimizades e heresias (G15.19-21).

Aquele que é nascido da carne permanece dominado pela natureza pecaminosa. A Escritura revela que tanto a inclinação como o pensamento da carne são inimizade contra Deus (Rm 8.7). A tendência da carne é voltada para o pecado. E quem está “na carne” não pode agradar a Deus (Rm 8.8). Não obstante, todo aquele que vive no Espírito já está sob nova jurisdição (Rm 8.6b). Ratifica-se que não se trata de uma mera reforma comportamental; mas de fato uma vida nova (Jo 3.5-8; Tt 3.5). A antiga identidade “em Adão” dá lugar à identidade “em Cristo” (1 Co 15.22; Rm 8.1). O domínio da carne é vencido pela vida cheia do Espírito (G1 5.16). O pecado deixa de ser a prática dominante (1 Jo 3.9). 

O caráter de Cristo emerge em contraste com as obras da carne (G15.22). O Espírito gera nova vida com fruto espiritual (G1 5.22). Ao nascer do Espírito, o crente passa a viver sob uma nova condição de ordem espiritual. O salvo passa a viver em novidade de vida (Rm 6.4), não uma continuidade melhorada, mas um novo modo de existir. Torna-se uma nova criatura, com uma nova mentalidade, novos desejos e nova direção de vida (Ef 4.22-24). Essa nova vida se evidencia na prática da justiça, no amor fraternal, no desejo pela Palavra e na obediência a Cristo — que são marcas da regeneração genuína (1 Jo 3.9).



                III.      SINAIS DO NOVO NASCIMENTO EM CRISTO 


1.    A Justificação pela fé    -    A doutrina da justificação pela fé é a grande verdade que a Re forma Protestante restituiu à Igreja. Lutero vivia atormentado com o seguinte raciocínio: “Se Deus julga o homem de acordo com a sua estrita justiça, quem poderá ser salvo?”. Em certa ocasião, ele escreveu: “Eu era o homem mais miserável da terra. Dia e noite eram gritos e desespero, e ninguém podia ajudar-me”.13 E, foi somente após compreender o texto “o justo viverá dá fé” (Rm 1.17) que Lutero encontrou alívio para sua alma. A doutrina da justificação pela fé ensina que o pecador é justificado (absolvido da condenação do pecado) unicamente pela fé na graça divina. Ratifica que as obras humanas não podem salvar, mas apenas a fé em Cristo por meio da recepção da graça de Deus (Ef 2.8-9). 

Ao descrever a ação divina para justificar pecadores, os termos usados na Bíblia apontam para o contexto judicial e forense. Em outras palavras, Deus torna livres os pecadores condenados e os declara plenamente justos e isentos de toda culpa, mediante a fé na obra de Cristo na cruz. Quanto a essa verdade, o Novo Testamento jamais afirma que a justificação é “dia pistin” (“em troca da fé”), mas sempre “dia pisteos” (mediante a fé). Isso significa que a fé não é meritória, ou seja, a fé é o meio de se receber a justificação. Desse modo, a justificação pela fé está atrelada à graça divina. 

Lutero, ao receber a paz que vem me diante a fé, escreveu: “Finalmente compreendi que a justiça de que fala o evangelho é aquela pela qual Deus, em sua graça, nos justifica. Imediatamente senti que renascia para uma nova vida”.14 Em síntese, pela fé em Cristo, o pecador é justificado, e recebe uma nova posição diante de Deus, não por mérito pessoal, mas pela obra redentora do Calvário (Rm 3.24,28). O crente não é apenas per doado, mas é declarado justo diante de Deus, isto é, absolvido da culpa e da condenação do pecado (Rm 4.7-8). Essa dádiva é recebida somente por meio da fé, como resposta à graça de Deus revelada em Cristo (Rm 3.22). Os efeitos da justificação pela fé incluem a paz com Deus (Rm 5.1) e a adoção como filhos amados do Pai Jo 1.12).


2.    A vida de Santificação    -    O Novo Dicionário de Teologia leciona que “santificação” é um ter mo técnico de ritual de culto. Apresenta a ideia tanto de limpeza (Êx 19.10,14) quanto de consagração e dedicação a Deus (Êx 19.22; Dt 15.19; 2 Sm 8.11; Is 13.3). A palavra hebraica “qadash”, traduzida por “santo”, possui o significado básico de separação do uso comum para uso exclusivo ao serviço de Deus. Contudo, o significado de santifica ção e santidade se estende além do ritual para a esfera moral. No Novo Testamento, o termo grego mais comum traduzido por “santo” é “hagios”. No singular, é usado com o adjetivo para descrever Deus e o seu o Espírito. No plural, é empregado como substantivo para referir-se ao povo de Deus.

' O verbo “hagiazo” é utilizado no sentido ritual de separar algo dentre o que é comum para a utilização com propósitos sagrados (Mt 6.9; Jo 10.39; 1 Pe 3.15). A expressão “hagnos” se refere particularmente a pureza no sentido ético. Em ter mos gerais, “a obra da santificação é a separação de tudo que é contrário à pureza do Espírito”. A Teologia Sistemática Pentecostal define que santificar é “pôr à par te, separar, consagrar ou dedicar uma coisa ou alguém para uso estritamente pessoal”. Assim, “santo” é todo crente que vive no domínio exclusivo de Deus, separado do pecado e das práticas mundanas pecaminosas. E exatamente o contrário do crente que se mistura com as coisas tenebrosas do pecado.

 A partir da regeneração/conversão, inaugura-se o processo contínuo de santificação, isto é, uma vida separada do pecado e consagrada à obediência, até a sua glorificação final no Dia de Cristo (2 Co 3.18). O crente passa a viver segundo o Espírito, e não mais como escravo da carne (1 Ts 4.3-4). Conforme abordado no capítulo anterior, a santificação apresenta aspectos posicionais e progressivos, à medida que o crente avança em maturidade espiritual e se torna mais semelhante a Cristo (1 Pe 1.15-16). E Sim, podemos ser santos! Deus é santo e espera que seus seguidores sejam santos. Mas como? Primeiro precisamos entender o que é santidade...

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Mas, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem, pois está escrito: "Sejam santos, porque eu sou santo".
- 1 Pedro 1:15-16

O significado de santidade

Ser santo significa ser puro, separado do mal. Deus é santo. Nada de ruim existe nele e tudo nele é perfeito. Em tudo que faz, Deus é justo e fiel.

Para nós, aqui na terra, santidade significa dedicação total a Deus, nos separando pecado. Ser santo significa uma vida dedicada às coisas de Deus, amando a verdade, a justiça e o bem. Santidade é viver de maneira agradável a Deus.

Mas será que isso é possível? O pecado faz parte de nossa natureza humana e estamos longe da perfeição. No entanto, existe uma forma de nos tornarmos santos: através de Jesus! Ele morreu e ressuscitou para nos salvar e purificar de nossos pecados. Quando cremos em Jesus e dedicamos nossa vida a ele, Jesus nos torna puros e santos.

Santidade é ser salvo por Jesus.

Passos para a santificação

Quem é salvo por Jesus é santo, porque sua vida agora é dedicada a Deus. Mas o processo não está completo. Ainda temos uma natureza humana pecadora. Precisamos aprender a lutar contra o pecado e isso se chama santificação.

A Bíblia nos ensina que o primeiro passo é ter um coração voltado para Deus. Quem ama a Deus quer o agradar e obedece a ele. Quanto mais nos dedicamos a Deus, menos felizes vamos ficar com o pecado. 

segundo passo é ler a Bíblia. Ela nos ensina o que é bom e agradável para Deus. A Bíblia nos mostra como viver de maneira santa. Através da Bíblia, podemos aprender a identificar o pecado e a resistir à tentação.

terceiro passo é aplicar o ensino. Podemos saber tudo sobre a vontade de Deus para nossas vidas, mas se não pusermos em prática, tudo isso é inútil. Com a ajuda de Jesus, precisamos mudar como vivemos.

O que santidade não é

Santidade não é ser superior a outras pessoas. Ninguém é melhor que os outros por orar mais horas ou ler a Bíblia mais. Somos santos pela graça de Deus, não porque fizemos por merecer. Devemos nos esforçar para viver de maneira santa, mas isso não nos dá o direito de desprezar os outros.

Santidade também não é se isolar do mundo. Deus não nos tirou do mundo e precisamos aprender a conviver com a sociedade à nossa volta. Mas é como interagimos com o mundo que vai marcar a diferença. Somos chamados para sermos luz em um mundo de trevas.

E mais, santidade não é ser sem graça. Há muito espaço para a alegria e a diversão na vida com Jesus! Novamente, é como nos alegramos é que é importante. A vida de santidade tem alegrias especiais que não podem ser conhecidas por quem está no pecado. 

Por fim, santidade não é nunca mais pecar. Enquanto ainda estamos deste lado da eternidade, vamos cometer erros. Mas viver de maneira santa significa reconhecer os pecados e pedir perdão, procurando viver de maneira melhor. Santidade implica humildade e dependência de Deus.


3.    O fruto do Espírito    -    O fruto do Espírito Santo se relaciona com o crescimento espiritual e o desenvolvimento do caráter do cristão. Refere-se à nova vida em Cristo, ao modo de andar e proceder daqueles que pertencem a Cristo e vivem no Espírito (G1 5.16-18; Ef 5.18). Cristo ensinou que é pelo fruto que se conhece a árvore (Mt 12.33). Desse modo, o verdadeiro cristão é identificado pelo bom fruto que evidencia no seu caminhar diário. E que o contrário, o fruto mau — a prática das obras da carne (Cl 5.19-21) , denuncia que a pessoa ainda não experimentou a genuína regeneração. O Comentário de Aplicação Pessoal anota que “os crentes exibem o fruto do Espírito, não porque eles trabalham nele, mas simplesmente porque o Espírito controla as suas vidas”.20 Paulo observa que “o me lhor antídoto contra o veneno do pecado é andar no Espírito, estar em íntima sintonia com as coisas espirituais, dedicar-se às coisas da alma, que é a parte espiritual do homem”. 

Por que “fruto do Espírito” e não “frutos do Espírito”?

É interessante notar que quando o apóstolo fala dessas capacitações ele utiliza o singular, “fruto do Espírito”, ao invés do plural, “frutos do espírito”. Já quando ele escreve sobre as práticas pecaminosas, ele utiliza o plural, “as obras da carne”.

Muitas especulações já foram feitas na tentativa de explicar o porquê disto. A melhor de todas elas defende que isso acontece porque, diferentemente das obras da carne, o fruto do Espírito é uma unidade. Isso significa que todas as capacitações pertencem a um único fruto.

Não somos nós que produzimos esse fruto, mas o Espírito Santo que o produz em nós. Ele assim o faz de um modo em que uma virtude está diretamente ligada a outra. Por tanto, essas virtudes são indivisíveis e juntas formam “o fruto”. Pense em cada virtude como sendo gomos de um mesmo fruto.

Também facilita o nosso entendimento quando conseguimos entender que o amor é à base de todas as outras virtudes citadas. Se não houver amor, é impossível que se tenha verdadeira alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Podemos dizer que o fruto do Espírito é o amor seguido necessariamente pelas outras oito preciosas virtudes citadas.

Essa não foi a única vez em que o apóstolo utilizou uma metáfora relacionada à produção agrícola para se referir a conduta esperada dos verdadeiros cristãos (Romanos 6:22; Efésios 5:9; Filipenses 1:11). Encontramos também em outras passagens bíblicas o mesmo princípio. Um exemplo disto é a pregação de João Batista que enfatizava que o arrependimento verdadeiro produz fruto visível de mudança de comportamento (Mateus 3:8; Lucas 3:8).


A descrição do fruto do Espírito


Como já dissemos, imediatamente após descrever as obras da carne, o apóstolo Paulo descreveu o fruto do Espírito. O apóstolo apresentou a seguinte relação representativa como sendo o fruto do Espírito:
Amor

O amor é a base para todas as outras virtudes (cf. 1 Coríntios 13; Efésios 5:2; Colossenses 3:14). No mesmo capítulo 5 de Gálatas, Paulo já havia enfatizado a importância e necessidade do amor na vida dos verdadeiros cristãos (Gálatas 5:6,13).

Paulo não foi o único a enfatizar a prioridade do amor na vida dos santos. O apóstolo João escreveu que “aquele que não ama não conhece a Deus” (1 João 4:8; cf. 3:14; 4:19). O apóstolo Pedro também ressaltou esse princípio em sua primeira epístola (1 Pedro 4:8). Claro que tudo isto reflete o ensino do próprio Jesus, onde Ele pessoalmente ensinou que seus discípulos seriam conhecidos pelo amor demonstrado (João 13:34,35).
Alegria

A alegria é uma consequência direta do amor. Essa não é uma alegria superficial, nem mesmo significa a ausência de aflições e dificuldades. Essa alegria é aquela que o apóstolo Pedro escreveu dizendo que é “inefável e gloriosa” (1 Pedro 1:8).

Essa alegria também é a mesma que o apóstolo Paulo sentia ao dizer: “entristecidos, mas sempre alegres” (2 Coríntios 6:10). A alegria produzida pelo Espírito Santo em nós, faz com que nos alegremos mesmo diante da dor, pois somos capazes de compreender que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Romanos 8:28).
Paz

No livro de Salmos aprendemos que aquele que ama a Lei de Deus possui grande paz (Salmos 119:165; cf. 29:11; 37:11; 85:8). Resultante do amor, essa paz é a marca de um coração sereno. ela é uma tranquilidade experimentada verdadeiramente apenas por aqueles que são justificados mediante a fé (Romanos 5:1).
Quando alcançamos essa paz, inevitavelmente desejamos compartilhá-la, para que outros também a tenham (Mateus 5:9). Pela cruz de Cristo é que hoje temos a genuína paz.
Longanimidade

A longanimidade é a paciência característica de quem foi regenerado, que nos preserva das típicas explosões de ira tão comuns nas obras da carne (Gálatas 5:20). A paciência como fruto do Espírito Santo é fundamentada na confiança de que Deus cumprirá suas promessas. Essa certeza não nos deixa cair em desespero (2 Timóteo 4:2,8; Hebreus 6:12).
Benignidade

Sabemos que nosso Deus manifesta a benignidade (Romanos 2:4; 11:22; cf. Salmos 136:1). No ministério do Senhor Jesus narrado nos Evangelhos, podemos claramente perceber tamanha benignidade demonstrada por Ele para com os pecadores (Marcos 10:13-16; Lucas 7:11-17,36-50; 8:40-56; 13:10-17; 18:15-17; 23:24; João 8:1-11; 19:25-27).

Diretamente resultante do amor, somos aconselhados a demonstrar benignidade. Isso significa que não devemos causar dor a ninguém (Mateus 5:43-48; Lucas 6:27-38).
Bondade

A bondade pode ser traduzida como a generosidade presente no coração e expressa nas ações daqueles que são guiados pelo Espírito. É a excelência moral e espiritual produzida pelo Espírito Santo em nós que nos capacita a zelar pela verdade e pelo que é correto. Essa bondade no leva a rejeitar tudo o que é mal e perverso.
Fidelidade

A fidelidade em algumas traduções aparece traduzida como “fé”. Essa também é uma tradução correta do termo grego utilizado. Porém, devido à clara relação com a bondade e a benignidade citadas anteriormente, a tradução que mais se encaixa ao contexto é “fidelidade” ou “lealdade”.

Analisando a própria Epístola aos Gálatas, podemos perceber que faltava lealdade a muitos membros daquela comunidade cristã, não só para com Paulo (Gálatas 4:16), mas para com o próprio Evangelho (Gálatas 1:6-9; 3:1; 5:7). Assim, fidelidade como fruto do Espírito não apenas se resume à lealdade para com os homens, mas principalmente para com Deus e à sua vontade.
Mansidão

A Mansidão é o oposto da agressividade, da raiva, da violência. Sermos gentis uns para com os outros revela o fruto do Espírito em nós, e nos faz ser imitador do nosso Senhor (Mateus 11:29; 2 Coríntios 10:1).
Domínio próprio

O fruto do Espírito pode ser visto na relação que alguém tem consigo mesmo. O domínio próprio também pode ser traduzido como “temperança”. No sentido original, o termo grego descreve a capacidade de uma pessoa conter-se a si mesma. Exercendo o domínio próprio, submetemos todas as nossas vontades à obediência a Cristo.

A importância do fruto do Espírito

É evidente o contraste entre as obras da carne e o fruto do Espírito. Diante da depravação da natureza humana, sabemos que seria impossível ao homem exercer tais virtudes. É por isso que o Espírito Santo é quem nos capacita a exercê-las. Portanto, demonstrar o fruto do Espírito em nossas vidas não é uma questão de autojustiça ou mérito próprio, mas de submissão à direção e domínio do Espírito Santo.

Em sua exposição sobre o fruto do Espírito, Paulo continua dizendo que “contra tais coisas não existe Lei” (Gálatas 5:23). Com isto ele quer dizer que não há qualquer restrição a esse modo de vida santo caracterizado pelo fruto do Espírito Santo. Além disso, é vivendo assim que desfrutamos da verdadeira liberdade em Cristo.

Paulo também deixou claro que a única maneira de vivermos o fruto do Espírito em nossas vidas é através da nossa união com Cristo. Essa união reflete nossa completa dependência d’Ele. Nós não somos capazes de exibir por nossa própria força, essas virtudes que fundamentam o caráter cristão.

Assim, o apóstolo nos ensina que “os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com suas paixões e concupiscências” (Gálatas 5:24). Jesus levou consigo na cruz a nossa natureza carnal. Portanto, nossa carne e os desejos provenientes dela que nos escravizavam, foram crucificados com Cristo. O golpe fatal já foi dado! Deus já providenciou tudo o que precisamos para vivermos em novidade de vida de uma forma que o agrada.
O fruto do Espírito na vida cristã

No entanto, cabe a nós agora vivermos na prática o que somos em princípio. Se nossa carne foi crucificada com Cristo, então agora vivemos no Espírito. Se o Espírito é a fonte de nossas vidas, se é Ele quem nos capacita a vivermos em retidão, então devemos entregar completamente nossos passos a Ele. Por isso o apóstolo escreve: “se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito” (Gálatas 5:25).

Se somos verdadeiramente seguidores de Cristo, necessariamente devemos viver de uma maneira compatível à nossa fé. A vida cristã deve ser completamente dependente do poder que o Espírito Santo nos concede de mortificar as paixões e desejos carnais, revelando em nossa conduta os efeitos da cruz de Cristo.

Como servos do Senhor, a primeira coisa que deve ser notado em nosso modo de viver é o fruto do Espírito. Se olharmos para nossa própria vida e não enxergarmos o fruto do Espírito nela, então pode ser que nossas raízes não estejam no Calvário.



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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas, Douglas Baptisda- Editora CPAD

A TRANSFORMAÇÃO DA NOVA ALIANÇA - Luciano Subirá - Orvalho.com | Luciano Subirá | Um Ministério de Ensino Bíblico ao Corpo de Cristo

O Que é o Fruto do Espírito? Estudo Sobre o Fruto do Espírito Santo

Estudo bíblico sobre santidade: sejam santos - Bíblia

EBD NA TV - Pr. Henrique, 99-99152-0454 WhatsApp, Min.Belém, SP - Canal YouTube @PrHenrique: Escrita Lição 9, CPAD, ESPÍRITO SANTO, O Regenerador, 1Tr26, Com. Extras do Pr Henrique, EBD NA TV


sábado, 14 de fevereiro de 2026

LIÇÃO 08 - O DEUS ESPÍRITO SANTO.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                    TEXTO ÁUREO

"E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre." ( Jo 14.16)


                    VERDADE PRÁTICA

O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade, plenamente divino, atuando como Consolador, Ensinador e Santificador da Igreja.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: João 14. 25-31


                    INTRODUÇÃO


0 Espírito Santo é Deus, a terceira Pessoa da Trindade. Não se trata de um mero símbolo da presença divina ou uma força impessoal. Ele é Pessoa, com intelecto, vontade e emoções, capaz de falar (At 13.2), ensinar (Jo 14.26), interceder (Rm 8.26) e entristecer-se (Ef 4.30). Jesus o chama de “outro Consolador”, indicando que Ele possui a mesma natureza divina do Filho, sendo distinto em Pessoa, mas idêntico em essência. O presente capítulo tratará da Pneumatologia bíblica e teológica sob três eixos principais: (i) a Pessoa do Espírito Santo — evidências bíblicas de sua personalidade e relação trinitária e igualdade com o Pai e o Filho; (ii) a eterna divindade do Espírito — seus atributos divinos e símbolos representativos; e (iii) as obras do Espírito Santo — passando pela encarnação e ressureição até a santificação e glorificação final dos santos.

Vemos claramente na Bíblia a exposição do ESPÍRITO SANTO como DEUS, coexistindo na trindade com o PAI e com o FILHO, numa mesma substância. É clara sua identidade, sua deidade, sua personalidade, suas obras, suas reações e seus atributos.

Os primeiros cristãos não tiveram dificuldades em reconhecer tudo isto, mas vieram outras gerações que não conheceram os primeiros apóstolos e Paulo. Como no tempo dos hebreus, após a morte de Moisés e Josué, o povo se corrompeu, a igreja também, após os apóstolos, deixou que heresias penetrassem em seu meio e a doutrina verdadeira foi corrompida. A partir do Concílio de Niceia. Iniciou-se uma tentativa de formulação da doutrina pneumatológica e na segunda metade do século IV foi mais desenvolvida para corrigir os heréticos de então.




Mostre aos alunos algumas das verdades a respeito do ESPÍRITO SANTO extraídas do evangelho de João:

Ele nunca nos deixará (Jo 14.6).

O mundo não pode recebê-lo (Jo 14.7).

Ele vive em nós e conosco (Jo 14.17).

Ele nos ensina (Jo 14.26).

Ele nos lembra as palavras de JESUS (Jo 14.26).

Ele nos convence do pecado, nos mostra a justiça de DEUS, e anuncia seu juízo contra o mal (Jo 16.8).

Ele nos guia na verdade, e nos dá conhecimento de eventos futuros (Jo 16.13).

Ele glorifica a CRISTO (Jo 16.14).


                    I.    A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO

1.     O Espírito Santo é uma Pessoa      -      Na teologia cristã, a Pessoa é compreendida como um sujeito com vontade, inteligência, emoção e ação própria. O Espírito Santo, como revelado nas Escrituras, age de modo consciente, relacionai e autônomo, características que evidenciam sua personalidade. Ele age com autonomia, exercendo funções próprias de uma Pessoa.  O apóstolo atribui ao Espírito uma mente ativa e consciente, que intercede de forma compatível com a vontade de Deus. Isso confirma sua racionalidade e intenção volitiva, própria de uma Pessoa. O Espírito Santo pode ser entristecido (Ef 4.30). Implica dizer que o Espírito tem emoções, mas não como emoções humanas voláteis, e sim sensibilidade moral e relacionai, ou seja, Ele responde com pesar ao pecado e à quebra de comunhão. Ele ensina e faz lembrar (Jo 14.26), o que demonstra inteligência e comunicação consciente com propósito pedagógico. O Espírito Santo apresenta na memória do crente tudo o que Cristo falou, palavras que jamais podem ser esquecidas.1 2 Ele guia e orienta os crentes, função que exige entendimento e relacionamento, como de um mestre para o discípulo Jo 16.13). Ele distribui os dons “como quer”, demonstrando vontade deliberada, pessoal e ativa (1 Co 12.11). Ele fala diretamente e com clareza, e designa tarefas missionárias, o que comprova seu papel ativo no plano divino (At 13.2). Negar a pessoalidade do Espírito Santo é reduzir o próprio Deus a uma força impessoal, algo completamente alheio à revelação bíblica.


2.     Pessoa distinta na Trindade     -     DEUS é uno e, ao mesmo tempo, triuno (Gn 1.1,26; 3.22; 11.7; Dt 6.4; 1 Jo 5.7 . O PAI, o FILHO e o ESPÍRITO são três divinas e distintas Pessoas. São verdades bíblicas que transcendem a razão humana e as aceitamos alegremente pela fé. A fé em DEUS deve preceder a doutrina (I Tm 4.6).

Se a unidade composta do homem — ESPÍRITO, alma e corpo — continua como um fato inexplicável para a ciência e para os homens mais sábios e santos, quanto mais a triunidade do PAI, do FILHO e do ESPÍRITO SANTO!

As três divinas Pessoas da Trindade são co-eternas e iguais entre si. Mas, em suas operações concernentes à criação e à redenção, DEUS, o PAI, planejou a criação de tudo (Ef 3.9); DEUS, o FILHO, executou o plano, criando (Jo 1.3; Cl 1.16; Hb 1.2; 11.3); e DEUS, o ESPÍRITO SANTO, vivificou, ordenou, pôs tudo, todo o universo, em ação: desde a partícula infinitesimal e invisível até ao super-macroscópico objeto existente (Jó 33.4; Jo 6.63; Gl 6.8; Sm 33.6; Tt 3.5). Ou seja, o PAI domina, o FILHO realiza, e o ESPÍRITO SANTO vivifica, preserva e sustenta.

Na redenção da humanidade, o PAI planejou a salvação, no céu; o FILHO consumou-a, na terra; e o ESPÍRITO SANTO realiza e aplica essa tão grande salvação à pessoa humana. Entretanto, num exame cuidadoso da Bíblia vemos que, em qualquer desses atos divinos, as três Pessoas da Trindade estão presentes.

Uma tentativa de definição do trino DEUS é: DEUS PAI é a plenitude da divindade invisível (Jo 1.18). DEUS FILHO é a plenitude da divindade manifesta (Jo I7). DEUS ESPÍRITO SANTO é a plenitude da divindade operando na criatura (I Co 2.12-16).

Para os sentidos físicos do homem, por condescendência de DEUS, vemos as três Pessoas da Trindade no batismo de JESUS. O PAI eterno falou do céu, o ESPÍRITO SANTO desceu em forma visível de pomba — uma alegoria —, e o FILHO estava sendo batizado no rio Jordão, para cumprir toda a justiça (Mt 3.16,17).

Essa distinção do Espírito Santo é essencial para refutar here sias, como o modalismo que ensina que Pai, Filho e Espírito são apenas “modos” sucessivos de uma única Pessoa divina. Sabélio (séc. III) foi o maior defensor desse pensamento. Ele argumentava que a natureza do Filho era apenas semelhante à do Pai; não era, portanto, idêntica à do Pai. Essa heresia foi condenada no Concilio de Antioquia (268 d.C.).5 A distinção do Espírito também combate o arianismo, que negava a divindade do Filho. Ário ensinava que Deus Pai é o único Eterno, e que Cristo tinha sido criado, portanto, não Eterno. Ele foi excomungado por heresia no Concilio de Niceia (325 d.C.).6 Nessa esteira, a ortodoxia ratifica o papel distinto e a missão específica do Espírito Santo. Em João, essa distinção é facilmente percebi da: “aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas” (Jo 14.26). A construção grega desse versículo é clara: cada sujeito tem ações próprias, o que descarta a ideia de que são apenas manifestações ou modos de uma única Pessoa. O texto destaca três sujeitos distintos atuando simultaneamente: o Pai envia; o Filho é a referência do envio (“em meu nome”); e o Espírito é o enviado com missão específica. Em suma, o Espírito Santo é distinto do Pai e do Filho, mas plenamente Deus (1 Co 2.10-11).


3.     O Consolador prometido     -     João 14.16 O CONSOLADOR. JESUS chama o ESPÍRITO SANTO de "Consolador". Trata-se da tradução da palavra grega parakletos, que significa literalmente "alguém chamado para ficar ao lado de outro para o ajudar". É um termo rico de sentido, significando Consolador, Fortalecedor, Conselheiro, Socorro, Advogado, Aliado e Amigo. O termo grego para "outro" é, aqui, allon, significando "outro da mesma espécie", e não heteros, que significa outro, mas de espécie diferente. Noutras palavras, o ESPÍRITO SANTO dá prosseguimento ao que CRISTO fez quando na terra. (1) JESUS promete enviar outro Consolador. O ESPÍRITO SANTO, pois, faria pelos discípulos, tudo quanto CRISTO tinha feito por eles, enquanto estava com eles. O ESPÍRITO estaria ao lado deles para os ajudar (cf. Mt 14. 30,31), prover a direção certa para suas vidas (v. 26), consolar nos momentos difíceis (v. 18), interceder por eles em oração (Rm 8.26,27; cf. 8.34) e permanecer com eles para sempre. (2) A palavra parakletos é aplicada ao Senhor JESUS em 1 Jo 2.1. JESUS, portanto, é nosso Ajudador e Intercessor no céu (cf. Hb 7.25) enquanto que o ESPÍRITO SANTO é nosso Ajudador e Intercessor, habitando em nós, aqui na terra (Rm 8.9,26; 1 Co 3.16; 6.19; 2 Co 6.16; 2 Tm 1.14).

Dicionário Strong em Português - παρακλητος parakletos

1) chamado, convocado a estar do lado de alguém, esp. convocado a ajudar alguém

1a) alguém que pleiteia a causa de outro diante de um juiz, intercessor, conselheiro de defesa, assistente legal, advogado

1b) pessoa que pleiteia a causa de outro com alguém, intercessor

1b1) de CRISTO em sua exaltação à mão direita de DEUS, súplica a DEUS, o PAI, pelo perdão de nossos pecados

1c) no sentido mais amplo, ajudador, amparador, assistente, alguém que presta socorro

1c1) do SANTO ESPÍRITO, destinado a tomar o lugar de CRISTO com os apóstolos (depois de sua ascensão ao PAI), a conduzi-los a um conhecimento mais profundo da verdade evangélica, a dar-lhes a força divina necessária para capacitá-los a sofrer tentações e perseguições como representantes do reino divino

AJUDADOR é a melhor interpretação, sendo que Ele é nosso intercessor na terra (...ESPÍRITO intercede por nós com gemidos inexprimíveis. Romanos 8:26), enquanto que JESUS o é no céu (o qual está à direita de DEUS, e também intercede por nós. Romanos 8:34), Ele é nosso advogado na Terra (como haveis de responder; Lucas 21:14), enquanto que JESUS o é no céu (Advogado para com o PAI, JESUS CRISTO, o justo. 1 João 2:1):

O ESPÍRITO SANTO NOS AJUDA:

- Nos ajuda a orar - Romanos 8:26

- Nos ajuda a entender a Bíblia, nos ensina - João 14.26

- Nos ajuda a lembrar - João 14.26

- Nos ajuda a falar quando não sabemos o que dizer - Lucas 12.12

- Nos ajuda a ganhar almas - João 16.8

- Nos ajuda a saber o futuro - João 16.13

- Nos ajuda nos Guiando - João 16.13



                    II.     A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO


1.    O debate "Filioque"     -    Fundamentada nas Escrituras, a fé cristã ratificou a doutrina trinitária nos concílios ecumênicos. Em Niceia (325 d.C.), estabeleceu a divindade do Filho: “Cremos [...] em um só Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, o Unigênito do Pai, que é da substância do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, não feito, de uma só substância [homooúsios\ com o Pai”.9 Em Constantinopla (381 d.C.), no Credo niceno-constantinopolitano, após confirmar que o Pai, o Filho e o Espírito Santo possuem a mesma natureza, o concilio ratificou a divindade do Espírito: “Cremos [...] no Espírito Santo, o Senhor e Vivificador, o que procede do Pai e do Filho, o que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorifica- do, que falou por meio dos profetas”.10 O debate da divindade de Jesus e do Espírito ocorreu durante o século I\( em virtude do arianismo negar a igualdade e eternidade do Filho com o Pai, e de forma indireta também do Espírito. Nesse período o grupo dos “pneumatómacos” de tendências semiarianas apesar de aceitarem que o Filho era divino, negavam que o Espírito Santo fosse Deus. Os primeiros concílios ecumênicos foram realizados para dirimir essas controvérsias. A respeito do Espírito, em Constantinopla (381 d.C.) o credo grego declarou “to ek tou Patros ekporeuommorP (que procede do Pai). Em Toledo (589 d.C.) a frase correspondente do credo latino acrescentou “qui ex Pa ire FilioqueprocediF (que procede do Pai e do Filho). O termo “filioque” (e do Filho) foi inserido para salvaguardar a fé bíblica que o Espírito procede tanto do Pai como do Filho Jo 15.26; 16.7). Os textos chaves são: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador” (Jo 14.16); e, “quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito da verdade, que procede do Pai” (Jo 15.26). Os verbos “rogarei” (gr. erõtáo) e “proceder” (gr. ekpo- reuetai) são cruciais para esse debate. O verbo erõtáõ significa “pedir em termo de igualdade e, por isso, é sempre usado por Cristo em relação ao seu próprio pedido para o Pai, no conhecimento de sua igual dig nidade”.11 O verbo “proceder” sinaliza que “o Espírito Santo é dado pelo Pai, em resposta à solicitação do Filho. Ele procede tanto do Pai como do Filho. O Pai o dá; o Filho o envia”.12 O apóstolo Paulo usa preposi ções gregas como ek (“de”) para expressar a relação do Espírito com o Pai e o Filho compatíveis com a doutrina que o Espírito também pro cede do Filho, a saber: “[...] se alguém não tem o Espírito de Cristo” (Rm 8.9); e, “Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho” (G1 4.6).


HISTÓRIA DA ORIGEM DE "FILIOQUE"

Filioque (em latim: "e (do) Filho") é uma frase encontrada na versão do Credo niceno-constantinopolitano em uso na Igreja Latina. Ela não está presente no texto grego desse credo como formulado originalmente no Primeiro Concílio de Constantinopla, onde se lê apenas que o Espírito Santo procede "do Pai":

Καὶ εἰς τὸ Πνεῦμα τὸ Ἅγιον, τὸ κύριον, τὸ ζωοποιόν, τὸ ἐκ τοῦ Πατρὸς ἐκπορευόμενον[1]
E no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai

O texto, na versão latina, fala do Espírito Santo como procedendo "do Pai e do Filho":

Et in Spiritum Sanctum, Dominum et vivificantem, qui ex Patre Filioque procedit
E no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai e do Filho[2]

Frequentemente diz-se que o primeiro caso conhecido da inserção da palavra Filioque na versão latina do Credo niceno-constantinopolitano ocorreu no Terceiro Concílio de Toledo (589) e que a sua inclusão a partir daí se espalhou espontaneamente[3] por todo o Império dos Francos.[4] No século IX, o Papa Leão III, ainda que aceitando a doutrina da procedência do Espírito Santo do Pai e do Filho, se opôs à adoção da cláusula Filioque.[4] Em 1014, porém, o canto do credo — com a Filioque — foi adotado na celebração da missa em Roma.[4]

A inserção foi inspirada pela doutrina, tradicional no Ocidente e encontrada também em Alexandria, que foi declarada dogmaticamente pelo Papa Leão I em 447,[5] e que é chamada filioquismo. A esta doutrina opõe-se a doutrina do monopatrismo, formulada por Fócio (veja Cisma de Fócio), patriarca de Constantinopla, que manteve que a frase "que procede do Pai" (τὸ ἐκ τοῦ Πατρὸς ἐκπορευόμενον) do Credo niceno-constantinopolitano deve ser interpretada no sentido de "que procede do Pai sozinho (τὸ ἐκ μόνου τοῦ Πατρὸς ἐκπορευόμενον).[6][7][8]

Os conflitos entre os defensores dessas duas doutrinas contribuíram para o Grande Cisma do Oriente de 1054 e ainda constituem um obstáculo para as tentativas de reunião das Igrejas Católica e Ortodoxa.[9]

Novo Testamento

Anthony E. Siecienski afirma que é importante reconhecer que "o Novo Testamento não afirma explicitamente a procedência do Espírito Santo como a teologia posterior entende e define a doutrina". Apesar disso, há "certos princípios estabelecidos no Novo Testamento que formataram a futura teologia trinitária e, em particular, textos que tanto os latinos quanto os gregos utilizaram para apoiar as suas respectivas posições frente à controvérsia da cláusula Filioque".[10]

Em João 16:13–15, Jesus diz que o Espírito Santo "…há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar" e se argumenta que, nas relações entre as Pessoas da Trindade, uma delas não poderia "tomar" ou "receber" (em gregoλήψεται) nada das outras exceto através da "procedência".[11] Trechos como João 20:22 ("soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.") eram vistos pelos Padres da Igreja, especialmente AtanásioCirilo e Epifânio, como base para dizer que o Espírito Santo "procede substancialmente de ambos", do Pai e do Filho[12] Outros trechos que tem sido utilizados no debate incluem Gálatas 4:6Romanos 8:9Filipenses 1:19, nos quais o Espírito Santo é identificado como "Espírito de seu Filho""Espírito de Cristo" e "Espírito de Jesus Cristo", e em trechos do Evangelho de João sobre o envio do Espírito Santo por Jesus (João 14:16João 15:26 e João 16:7)[11]


2.     Os atributos divinos do Espírito     -    Os atributos da divindade se dividem entre atributos incomunicáveis (só DEUS os possui e os pode revelar) – o ser humano não os possui), e também os atributos comunicáveis que são transferidos aos

crentes para que possam ter uma vida cristã sadia. O ESPÍRITO SANTO É SENHOR - 2 Coríntios 3.17.

1. Alguns atributos incomunicáveis.

Atributos incomunicáveis (só DEUS os possui e os pode revelar) – O ESPÍRITO SANTO comunica esses atributos por meio dos dons espirituais, como por exemplo, o dom Palavra de Sabedoria que é comunicada sobrenaturalmente revelando alguma coisa no futuro, dentro da onisciência de DEUS (Êx. E, levantando-se um deles, por nome Ágabo, dava a entender pelo ESPÍRITO, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e isso aconteceu no tempo de Cláudio César. Atos 11:28). Já a onipresença é manifestada no dom Palavra de Conhecimento ou da ciência como em 2 Reis 6:12 (E disse um dos servos: Não, ó rei meu senhor; mas o profeta Eliseu, que está em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que tu falas no teu quarto de dormir). A onipotência é revelada nos dons de poder, Fé, Milagres e Dons de Curar.

Os homens em si mesmo não possuem esses atributos. São exclusivos de DEUS. O ESPÍRITO SANTO os possui.

São eles, os principais:

Atributo que pertence exclusivamente à divindade (Rm 1.23; Hb 1.11).

a) Onipresença. Ele está presente em todos os lugares ao mesmo tempo (Sm 139.7-10; I Co 2.10).. Não podemos fugir à sua presença (Sl 139.7). Como ê bom saber que podemos contar com a sua companhia em todo o tempo.

Atentemos para duas ênfases contidas nesses textos que evidenciam a onipresença do ESPÍRITO: “Para onde me irei do teu ESPÍRITO, ou para onde fugirei da tua face?” e “O ESPÍRITO penetra todas as coisas, ainda as profundezas de DEUS”.

b) Onisciência. O ESPÍRITO SANTO tudo sabe e tudo conhece. Ele nos sonda e nos prova quanto às intenções de nosso coração (1 Co 2.10). Ninguém pode mentir àquEle que sabe toda a verdade. Lembra-se de Ananias e Safira? Nada escapa ao conhecimento do ESPÍRITO SANTO. Sua compreensão é infinita. Ele tudo sabe e nada ignora (Sl 139.2.11,13).

Esta é mais uma evidência da deidade do ESPÍRITO SANTO, o qual sabe e conhece todas as coisas (I Co 2.10,11). Isso é um fato solene, mormente se considerarmos que Ele habita em nós: “habita convosco, e estará em vós” (Jo 14.17). A primeira parte dessa declaração de JESUS indica a permanência do ESPÍRITO SANTO em nós (“habita convosco”); e a segunda, a sua presença constante dentro de nós (“e estará em vós”).

Alguém pode habitar numa casa e não estar presente nela em determinada ocasião. Porém, o ESPÍRITO SANTO quer estar sempre presente no crente, como uma das maravilhas dessa “tão grande salvação” (Hb 2.3).

c) Onipotência. Ele é DEUS. Não há impossíveis para o ESPÍRITO SANTO. O homem é limitado, mas o Consolador tudo pode fazer e o maior milagre que Ele opera no homem ê o do novo nascimento (Jo 3.3).

O divino Consolador tem pleno poder sobre todas as coisas (Sm 104.30)

O ESPÍRITO SANTO tem poder próprio. Ê dEle que flui a vida, em suas dimensões e sentidos bem como o poder de DEUS (SI 104.30; Ef 3.16; At 1.8). Isso é uma evidência da deidade do ESPÍRITO SANTO. Ele tem autoridade e poder inerentes, como vemos em toda a Bíblia, máxime em o Novo Testamento.

Em I Coríntios 2.4, na única referência (no original) em que aparece o termo traduzido por “demonstração do ESPÍRITO SANTO”, designa-se literalmente uma demonstração operacional, prática e imediata na mente e na vida dos ouvintes do evangelho de CRISTO. E isso ocorre pela poderosa ação persuasiva e convincente do ESPÍRITO, cujos efeitos transformadores foram visíveis e incontestáveis na vida dos ouvintes de então, confirmando o evangelho pregado pelo apóstolo Paulo (I Co 2.4,5).

Era nítido o contraste entre a ação poderosa do ESPÍRITO e os métodos secos e repetitivos dos mestres e filósofos gregos da época, que tentavam convencer e conseguir admiradores e discípulos mediante demonstrações encenadas de retórica, dialética e argumentação filosófica; isto é, “sabedoria dos homens” (v.5). Que diferença faz o evangelho de poder do Senhor JESUS CRISTO, o qual “é o poder de DEUS para a salvação de todo o que crê” (Rm 1. 16)1

Paulo reconhecia que os mestres gregos o superavam em capacidade acadêmica e humana (2 Co 10.10; 11.6). Mas a sabedoria, a oratória e a argumentação filosófica deles era tão-somente um espetáculo teatral, vazio, que atingia apenas os sentidos dos espectadores. No apóstolo Paulo, ao contrário, operava, nesse sentido, o poder de DEUS (I Co 2.4,5; Cl 1.29; I Ts 1.5; 2 Co 13.10).

O poder do ESPÍRITO SANTO, que evidencia a sua deidade, é também revelado em passagens como Lucas 1.35, Jó 26.13 e 33.4, Salmos 33.6 e Gênesis 1.1,2. Esse divino poder, como já afirmamos, é liberado através da pregação do evangelho de CRISTO:

Na conversão dos ouvintes (Ato 2.37,38).

No batismo com o ESPÍRITO SANTO para os novos crentes (Ato 10.44).

Na expulsão de Espíritos malignos (Ato 8.6,7; Lc 11.20).

Na cura divina dos enfermos (Ato 3.6-8).

Na obediência dos crentes ao Senhor (Rm 16.19).



d) Eternidade. Ele é infinito em existência; sem princípio; sem fim; sem limitação de tempo (Hb 9.14). Ele estava presente no princípio, quando todas as coisas foram criadas (Gn 1.1,2).

Outros atributos. O ESPÍRITO de DEUS é denominado Senhor (2 Co 3.16-18); é descrito como Criador (Jó 26.13; 33.4; Sm 33.4; 104.3; Gn 1.1,2; Ez 37.9,10); e é classificado e mencionado juntamente com o PAI e o FILHO, o que, claramente, é uma grande evidência da sua divindade.

2. Alguns atributos comunicáveis.

a) O ESPÍRITO SANTO é santo. "SANTO" não como que tendo recebido esta santidade externamente, mas como consequência direta de sua natureza santa. ELE mesmo é santo.  Ele nos santifica (Rm 15.16; 1 Co 6.11).

b) O Fruto do ESPÍRITO e suas 9 qualidades é um atributo do ESPÍRITO SANTO que nos comunica suas virtudes. Mas o fruto do ESPÍRITO é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Gálatas 5:22.

c) Os dons do ESPÌRITO SANTO são também seus atributos que nos capacita a fazer a obra a de DEUS, reúne multidões para ouvir o evangelho e confirma nossa pregação como advinda de DEUS. Aí há muitas conversões com o ESPÍRITO SANTO os convencendo do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8).

Mas a manifestação do ESPÍRITO é dada a cada um, para o que for útil. Porque a um pelo ESPÍRITO é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo ESPÍRITO, a palavra da ciência; E a outro, pelo mesmo ESPÍRITO, a fé; e a outro, pelo mesmo ESPÍRITO, os dons de curar; E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo ESPÍRITO opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer. 1 Coríntios 12:7-11

Também muitos dos que seguiam artes mágicas trouxeram os seus livros, e os queimaram na presença de todos e, feita a conta do seu preço, acharam que montava a cinquenta mil peças de prata. Atos 19:19 - E, apegando-se o coxo, que fora curado, a Pedro e João, todo o povo correu atônito para junto deles, ao alpendre chamado de Salomão Atos 3:11

E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém. Marcos 16:20


3.    Os símbolos do Espírito      -     “E João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele.

E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele
que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo” (João 1:32-34).

O SENHOR DEUS nos fala hoje por meio de sua Palavra escrita. É o Espírito Santo falando na Palavra. E nela encontramos muitas figuras de linguagem: metáforas, símiles, símbolos, tipos, parábolas, alegorias e emblemas. Todas essas figuras são utilizadas por Deus, o Espírito Santo na Palavra. A pessoa e a obra do Espírito são ilustradas pelas figuras bíblicas. Nesse texto vamos estudar sete símbolos ou metáforas que estão relacionadas à pessoa do Espírito Santo.

ÁGUA

A água é um símbolo do Espírito Santo que se aplica principalmente à doutrina a salvação. É Jesus quem fala da salvação como beber água: “aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede, pelo contrário, a água que eu lhe der será como uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo 4:14). “O Espírito Santo, ao habitar no cristão é essa fonte a jorrar para a vida eterna”. (Jo 7:37-39).

A água é necessária para a limpeza e purificação. No Antigo Testamento era utilizada como símbolo de purificação dos sacerdotes (Êx 29:4; Lv 8:6). Ezequiel fala da água como instrumento de purificação dos sacerdotes. (Êx 29:4; Lv 8:6). Ezequiel fala da água como instrumento de purificação interior e a relaciona com a regeneração produzida pelo Espírito Santo (Ez 36:25-27). É o Espírito quem limpa nossos corações na regeneração e continua nos purificando durante o nosso processo de santificação (Tt 3:5; 1Jo 1:9).

FOGO

O fogo na Bíblia possui diversos significados, mas principalmente para simbolizar a presença de Deus (Êx 3:2; 12:21). O nosso Deus é fogo consumidor (Hb 12:29). O fogo é um sinal da aprovação de Deus (2Cr 7:1), da proteção de Deus (Zc 2:5), da purificação divina (Ml 3:3), do juízo de Deus (Lv 10:2).

O fogo é um emblema do Espírito Santo (Mt 3:11). Em Apocalipse o Espírito é comparado a “sete tochas de fogo que ardem diante do trono de Deus” (Ap 4:5). Em Atos 2:3, na descida do Espírito Santo (Pentecostes), vemos que o fogo era um sinal da presença do Espírito, que é o fogo que aquece, ilumina, purifica e fornece energia ao povo de Deus.

POMBA  

A pomba é o primeiro símbolo do Espírito Santo que encontramos no Novo Testamento. Foi quando João Batista batizou o Senhor Jesus: “E João testemunhou dizendo: Vi o Espírito descer do Céu como pomba e pousar sobre Ele. Eu não o conhecia; aquele, porém, que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo” (Jo 1:32-33). Temos uma manifestação da Trindade, quando o espírito é comparado a uma pomba.

A pomba é um dos mais antigos amigos do homem. A primeira menção que se faz da pomba na Bíblia é em Gn 8:8, 10, 12. Noé soltou a ave com o propósito de saber quanto havia baixado as águas do dilúvio.

As pombas são classificadas por Moisés entre os animais limpos, e sempre foram aves da mais alta estima nas nações orientais (Lv 11). As pombas poderiam ser usadas nos sacrifícios Levíticos, principalmente pelos pobres (Lv 1:14). Foi nessas condições que Maria ofereceu um par de rolas ou dois pombinhos, depois do nascimento de Cristo (Lv 12:8; Lc 2:22-24).

Quais os significados da pomba que podem ser aplicados ao Espírito Santo? A pomba é mencionada como símbolo de simplicidade, de inocência, de gentileza, afeição e fidelidade (Os 7:11; Mt 10:36).

VENTO

O vento é um símbolo da presença do Espírito Santo (Ez 37:9, 13; Jo 3:8; At 2:2). Jesus Cristo comparou a obra do Espírito à ação do vento, quando disse a Nicodemos: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai: assim é todo o que é nascido do Espírito” (Jo 3:8).

Após a sua ressurreição, Jesus soprou sobre os seus discípulos e disse: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20:22).

Algumas lições práticas:

  1. Assim como o vento é invisível na sua ação, o Espírito age de forma invisível no coração humano (Jo 3:8).
  2. Assim como o vento move um barco a velas, o Espírito de Deus moveu aqueles que escreveram as Escrituras (2 Pe 1:21).

ÓLEO

A principal fonte de óleo ou azeite entre os judeus era a oliveira. A “oferta de manjares”, prescrita pela lei era misturada ao óleo (Lv 2:4-7; 15; 8:26,31; Nm 7:19; Dt 12:17; 2Cr -32). O azeite estava incluído entre as ofertas de primeiros frutos (Êx 22:29-23:16) e o seu dízimo era obrigatório (Dt 12:17; 2 Cr 31:5).

O óleo era usado para iluminação (Êx 25: 6; 27:20-21; Zc 4:3, 12), no sacrifício diário (Êx 29:40) na purificação do leproso (Lv 14:10-28), e no complemento dos votos dos nazireus (Nm 6:15). Certas ofertas deviam efetuar-se sem aquele óleo, como por exemplo as que eram feitas para a expiação do pecado (Lv 5:11) e por causa de ciúmes (Nm 5:15).

Nos banquetes havia o costume de ungir os hóspedes – os criados ungiam a cabeça de cada um na ocasião em que tomavam seu lugar à mesa (Dt 28:40; RT 3:3; Lc 7:46). O azeite indicava alegria, ao passo que a falta denunciava tristeza ou humilhação (Is 61:3; Jl 2:19; Ap 6:6). Assim como o óleo era usado para a cura, o conforto, a iluminação e a unção, com propósitos específicos, o Espírito Santo cura, conforta, ilumina e unge ou consagra o cristão (1 Jo 1:27-29; 2 Co 1:21-22; Tg 5:14).

SELO

A figura do selo aparece três vezes no Novo Testamento (2 Co 1:21-22; Ef 1:13; 4:30). Quais são as funções e propósitos normais de um selo? O que ele significa?

O selo tem três funções básicas:

  1. A) autenticação de um documento;
  2. B) propriedade ou posse;
  3. C) proteção ou inviolabilidade.

O selo do Espírito Santo indica que o cristão é propriedade de Deus (Ef 1:13; 1Pd 2:9) e é protegido espiritualmente por Deus (1 Jo 5:18-19).

PENHOR

O Espírito Santo é comparado também ao “penhor” (Ef 1:14). Um penhor é uma parte do preço que se paga por alguma coisa, como garantia do pagamento final. É uma fiança.

O Espírito Santo nos foi outorgado no dia da nossa conversão e a sua presença em nós é uma garantia da nossa redenção final (Rm 8:23; Fp 1:6).


                III.     AS OBRAS DO ESPÍRITO SANTO


1.    O Espírito Santo e a Encarnação     -      A encarnação do Filho de Deus revela o papel singular do Espírito como o agente divino na concepção de Jesus. Lucas registra que o anjo Gabriel declarou a Maria: “Descerá sobre ti o Espírito Santo [...] o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35). O verbo “descerá” (gr. eperchomai) transmite a ideia de uma vinda intencional e eficaz, enfatizando que a ação do Espírito Santo é pessoal e direcionada. Essa linguagem indica que a concepção de Jesus não foi resultado de ação humana, mas o Espírito Santo em união com o poder do Pai, atua de modo sobrenatural no ventre de Maria. Mateus enfatiza a origem divina da concepção, ao revelar que Maria “se achou grávida pelo Espírito Santo” (Mt 1.18, NAA). 

O Evangelista reforça a informação: “porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo” (Mt 1.20, NAA). Aqui o verbo “gerado” (gr. gennáo) confirma a obra misteriosa do Espírito Santo e ratifica a ausência de qualquer intervenção física. Essa verdade está em consonância com o livro dos começos. Barclay destaca que “no princípio o Espírito de Deus sobrevoava a face das águas, e o caos se converteu em cosmos (Gn 1.2). O Espírito é o criador do mundo e o doador da vida. De maneira que, em Jesus Cristo, ingressa no mundo o poder de Deus que dá vida e cria”.15 Embora Jesus tenha sido concebido pelo Espírito Santo, Ele é eternamente o Filho do Pai, gerado e não criado Jo 1.1; Mq 5.2). 

A concepção virginal não cria o Filho, mas introduz a sua natureza humana na história. O Espírito Santo atua como agente da nova criação, formando no ventre de Maria o corpo santo do Salvador (Efb 10.5), sem a mácula do pecado, para que Ele pudesse ser o Cordeiro perfeito (1 Pe 1.19). Essa participação direta do Espírito confirma sua divindade, pois a concepção do Verbo encarnado é obra exclusiva de Deus. A concepção virginal de Jesus é, em essência, uma obra trinitária. O Pai é a fonte e o autor do plano redentor. O Pai é quem envia o Filho: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho” (G1 4.4, ARA). O Filho voluntariamente assume a natureza humana: “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens” (Fp 2.7, ARA).


2.    O Espírito Santo e a Ressurreição     -      A ressurreição é uma demonstração incontestável da soberania divina sobre a morte. As Escrituras afirmam que apenas Deus possui o poder de dar vida e restaurá-la: “Pois assim como o Pai ressuscita os mortos e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer” (Jo 5.21). Desse modo, a ressurreição de Cristo é um ato conjunto e inseparável do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O Pai é apresentado como aquEle que ressuscitou Jesus dentre os mortos (At 2.24). O Filho, por sua vez, declarou possuir autoridade para entregar a sua vida e retomá-la: “Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la” Jo 10.18, ARA). O verbo “reaver” (gr. lambáno) que significa “pegar de volta”, aponta para a divindade de Jesus, pois a vida e a ressurreição são prerrogativas exclusivas de Deus Jo 5.21; 11.25). Além disso, Jesus não apenas afirma que ressuscitará, mas se apresenta como a própria ressurreição: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá” Jo 11.25, ARA). 

Nas Escrituras, também o Espírito Santo é revelado como o agente vivificador dessa obra. Paulo declara: “o Espírito daquele que res suscitou a Jesus dos mortos [...] também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós” (Rm 8.11, TB). Essa afirmação possui duas dimensões: (i) aponta para a ação direta do Espírito Santo na ressurreição de Cristo; e (ii) garante aos crentes que esse mesmo Espírito lhes concederá vida na ressurreição final (1 Co 15.51-54). Dessa forma, a ressurreição de Cristo é uma obra trinitária: Esse ato revela a unidade e a igualdade do Espírito Santo com o Pai e o Filho, afirmando que Ele é plenamente Deus e participante da obra salvífica desde a encarnação até a consumação final.


3.     O Espírito Santo e a Santificação     -    Salvação e santificação são obras realizadas por JESUS no homem integral: ESPÍRITO, alma e corpo. A Bíblia afirma que fomos eleitos “desde o princípio para a salvação, em santificação do ESPÍRITO” (2Ts 2.13). Esta verdade está implícita em João 19.34. Do lado ferido do corpo de JESUS fluíram, a um só tempo, sangue e água. Isto é, o sangue poderoso de CRISTO nos redime de todo pecado, mas a água também nos lava de nossas impurezas pecaminosas.

CRISTO morreu “para nos remir de toda iniquidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” (Tt 2.14). A salvação e a santificação devem andar juntas na vida do crente.

A santidade de DEUS. A Bíblia diz que nosso DEUS é santíssimo: “SANTO, SANTO, SANTO é o Senhor dos Exércitos” (Is 6.3; Ap 4.8). A santidade de DEUS é intrínseca, absoluta e perfeita (Lv 19.2; Ap 15.4). E o atributo que mais expressa sua natureza. No crente, porém, a santificação não é um estado absoluto, é relativo assim como a lua, que, não tendo luz própria, reflete a luz do sol (cf. Hb 12.10; Lv 21.8b).

DEUS é “SANTO” (Pv 9.10; Is 5.16); e, quem almeja andar com Ele, precisa viver em santidade, segundo as Escrituras.

O que não é santificação. O próprio Pedro enganou-se a respeito da santificação (At 10.10-15). Vejamos o que não é a santificação bíblica.

Exterioridade (Mt 23.25-28; I Sm 16.7). Usos, práticas e costumes.

Estes últimos, quando bons, devem ser o efeito da santificação, e não a causa dela (Ef 2.10).

Maturidade cristã.

Não é pelo tempo que algo se torna limpo, mas pela ação contínua da limpeza. A maturidade cristã varia, como se vê em I João 2.12,13: “Filhinhos”; “pais”; “mancebos”; “filhos”.

Batismo com o ESPÍRITO SANTO e dons espirituais.

O batismo com o ESPÍRITO SANTO e os dons espirituais em si mesmos não equivalem à santificação como processo divino e contínuo em nós (At 1.8; I Co 14.3).

Santificar e santificação.

“Santificar” é “pôr à parte, separar, consagrar ou dedicar uma coisa ou alguém para uso estritamente pessoal”. SANTO é o crente que vive separado do pecado e das práticas mundanas pecaminosas, para o domínio e uso exclusivo de DEUS. E exatamente o contrário do crente que se mistura com as coisas tenebrosas do pecado.

A santificação do crente tem dois lados:

(I) sua separação para a posse e uso de DEUS; e (2) a separação do pecado, do erro, de todo e qualquer mal conhecido, para obedecer e agradar a DEUS. Ela tem também três aspectos: posicionai, progressiva e futura.

A santificação posicionai (Hb 10.10; Cl 2.10; I Co 6.11). No seu aspecto posicionai, a santificação é completa e perfeita, ou seja, o crente pela fé torna-se SANTO “em CRISTO”. DEUS nos vê em CRISTO perfeitos (Ef 2.6; Cl 2.10). Quando estamos “em CRISTO”, não há qualquer acusação contra nós (Rm 8.33,34), porque a santidade do Senhor passa a ser a nossa santidade (I Jo 4.17b).

A santificação progressiva. E a santificação prática, aplicada ao viver diário do crente. Nesse aspecto, a santificação do crente pode ser aperfeiçoada (2 Co). Os crentes mencionados em Hebreus 10.10 já haviam sido santificados, e continuavam sendo santificados (w. 10,14-ARA).

A santificação futura. “E o mesmo DEUS de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso ESPÍRITO, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor JESUS CRISTO” (I Ts 5.23). Trata-se da santificação completa e final (I Jo 3.2). Leia também Efésios 5.27 e I Ts 3.13.



A SANTIFICAÇÃO COMO UM PROCESSO

O crescimento do crente “em santificação” ocorre à medida que o ESPÍRITO o rege soberanamente, e o crente, por sua vez, o busca, em cooperação com DEUS: “Sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (I Pe I.I5).

O lado divino da santificação progressiva. São meios que o Senhor utiliza para santificar- nos em nosso viver diário. Esses recursos divinos são: o sangue de JESUS CRISTO (Hb 13.12; I Jo 1.7,9); a Palavra de DEUS (Sm 12.6; 119.9; Jo 17.17; Ef 5.26); o ESPÍRITO SANTO (Rm 1.4; I Pe 1.2; 2 Ts 2.13); a glória de DEUS manifesta (Êx 29.43; 2 Cr 5.13, 14); e a fé em DEUS (Ato 26.18; Fp 3.9; Tg 2.23; Rm 4.11).

O lado humano da santificação progressiva. DEUS é quem opera a santificação no crente, embora haja a cooperação deste.

Os meios coadjuvantes de santificação progressiva são:

O próprio crente. Sua atitude e propósito de ser SANTO, separado do mal para posse de DEUS, são indispensáveis. E o crente tendo fome e sede de ser SANTO (Mt 5.6; 2Tm 2.21, 22; I Tm 5.22).

O SANTO ministério.

Os obreiros do Senhor têm o dever de cooperar para a santificação dos crentes (Êx 19.10,14; Ef 4.11,12).

Pais que andam com DEUS.

Assim como Jó (Jó 1.5), os pais devem cooperar para a santificação dos filhos. Eunice, por exemplo, colaborou para a integridade de Timóteo, seu FILHO (2Tm 1.5; 3.15). Por outro lado, pais descuidados podem influenciar negativamente seus filhos, como no caso de Herodias que influenciou a Salomé (Mac 6.22-24).

As orações do justo (Sm 51.10; 32.6).

A oração contrita, constante e sincera tem efeito santificador.

A consagração do crente a DEUS (Lv 27.28b; Rm 12.1,2).

A rendição incondicional do crente a DEUS tem efeito santificador nele.

Estorvos à santificação do crente.

Estorvos são embaraços que impedem o cristão de viver em santidade, tais como:

Desobediência.

Desobedecer de modo consciente, contínuo e obstinadamente à conhecida vontade do Senhor (Êx 19.5,6).

Comunhão com as trevas. Comungar com as obras infrutíferas das trevas (Rm 13.12); com os ímpios, seus costumes mundanos e suas falsas doutrinas (Ef 5.3; 2 Co 6.14-17).

Áreas da vida não santificadas. Alguns aspectos reservados da vida do crente que não foram consagrados a DEUS devem ser apresentados ao Senhor. Como, por exemplo, mente, sentidos, pensamento, instintos, apetites e desejos, linguagem, gostos, vontade, hábitos, temperamento, sentimento. Um exemplo disso está em Mateus 6.22,23.

A necessidade de santificar-se. Para esse tópico aconselhamos a leitura meditativa de 2 Coríntios 7.1 e I Ts 4.7. Vejamos por que é necessário seguir a santificação:

A Bíblia ordena. A Bíblia afirma que temos dentro de nós a “lei do pecado” (Rm 7.23; 8.2). Daí ela ordenar que sejamos santos (I Pe I.I6; Lv 11.44; Ap

 o Senhor habita somente em lugar SANTO (Is 57.15; I Co 3.17).

Só os santos serão arrebatados. O Senhor JESUS — que é SANTO — virá buscar os que são consagrados a Ele (I Ts 3.13; 5.23; 2 Ts 1.10; Hb 12.14). Por isso, a vontade de DEUS para a vida do crente é que ele seja SANTO, separado do pecado (I Ts 4.3).

A santidade revelada de DEUS. Uma importante razão pela qual o crente deve santificar-se é que a santidade de DEUS, em parte, é revelada através do procedimento justo e da vida santificada do crente (Lv 10.3; Nm 20.12). Então, o crente não deve ficar observando, nem exigindo santidade na vida dos outros; ele deve primeiro demonstrar a sua!

Os ataques do Diabo. Devemos atentar para o fato de que o Inimigo centraliza seus ataques na santificação do crente. A principal tática que o Adversário emprega para corromper a santidade é o pecado da mistura. Isso ele já propôs antes a Israel através de Faraó (Êx 8.25), o que abrange mistura da igreja com o mundanismo; da doutrina do Senhor com as heresias; da adoração com as músicas profanas; etc.

Em muitas igrejas hoje a santificação é chamada de fanatismo. Nessas igrejas falam muito de união, amor, fraternidade, louvor, mas não da separação do mundanismo e do pecado. Notemos que as “virgens” da parábola de Mateus 25 pareciam todas iguais;

a diferença só foi notada com a chegada do noivo. Estejamos, pois, preparados para

o Encontro com JESUS nos ares, avivados para o Arrebatamento (I Ts 4.16,17).




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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas, Douglas Baptisda- Editora CPAD

(Extraído da Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal, CPAD, p. 1472.)


Dicionário Strong em Português - παρακλητος parakletos

Cláusula Filioque – Wikipédia, a enciclopédia livre

EBD NA TV - Pr. Henrique, 99-99152-0454 WhatsApp, Min.Belém, SP - Canal YouTube @PrHenrique: Escrita Lição 8, CPAD, O Deus Espírito Santo, 1Tr26, Com. Extras do Pr Henrique, EBD NA TV

7 MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO – Pregadores do Telhado