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sexta-feira, 5 de junho de 2026

LIÇÃO 11 - JACÓ: DE ENGANADOR A HOMEM DE HONRA.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                    TEXTO ÁUREO

"Então, disse: Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel, pois, como príncipe, lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste." (Gn 32. 28)


                    VERDADE PRÁTICA

Somente Deus pode transformar o caráter e a vida do ser humano.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gênesis 32. 22-31


                    INTRODUÇÃO


A vida de Jacó foi marcada por mudanças das mais diversas. Umas, muito positivas, e outras, bem negativas. o nascer, gêmeo, ao lado do seu irmão, ele chamou a atenção. Sendo o segundo a sair do ventre da mãe, segurou o calcanhar de Esaú e foi considerado um “suplantador”. Na infância e depois como jovem, mostrou que era diferente do seu irmão. Gostava mais de passar o dia na tenda, em companhia da sua mãe, enquanto o seu irmão preferia estar fora de casa, e inclinou-se para a vida no campo e tornou-se caçador. Como já foi visto, Isaque tinha uma predileção por Esaú, enquanto Rebeca amava mais a Jacó. 

Na juventude, os conflitos manifestaram-se e chegaram ao cume quando o seu pai, pressentindo a chegada da morte, resolveu dar a bênção a um dos filhos e pediu a Esaú para ir à caça, apanhar um animal e preparar-lhe um saboroso guisado antes de abençoá-lo. Rebeca preferia que a última bênção de Isaque fosse dada a Jacó, a quem ela mais amava, e preparou uma artimanha enganosa, pela qual fez Jacó passar-se por Esaú aproveitando-se da pouca visão do pai. Vimos que tal arranjo foi muito prejudicial para os dois irmãos e para a família. Jacó foi beneficiado e tomou a bênção que deveria ser do seu irmão com engano e mentira. Por isso, foi chamado de “enganador”. As consequências foram tão sérias que Esaú, ao constatar que Jacó usurpara a sua bênção, prometeu matar o seu irmão assim que o seu pai morresse. Isaque e Rebeca, temendo a tragédia, mandaram que Jacó fosse para a casa do seu tio Labão passar certo tempo até que a ira do seu irmão aplacasse.


                I.    A FAMÍLIA DE JACÓ


1.    Um encontro especial    -    No meio da caminhada, sozinho, ele dormiu ao relento, tendo uma pedra por travesseiro, e teve um sonho que mudou a sua história. Deus revelou-se a ele naquele sonho e fez-lhe promessas semelhantes às que fizera a Abraão, e a Isaque, e à sua descendência. Ao chegar próximo à cidade, viu um poço, diante do qual as pessoas tiravam água, mas havia um protocolo: só tiravam a pedra que fechava o poço quando todos os rebanhos estivessem se juntado. Ao perguntar se eles conheciam Labão, disseram que sim (Gn 29.1-5). 

Naquele ínterim, Raquel, a sua prima, aproximava-se do poço e iria esperar que tirassem a pedra. Sabedor de que ela era a sua parenta, tomou a iniciativa de revolver a pedra do poço e deu de beber ao rebanho de Labão e a todos os que ali se encontravam. Naturalmente, todos os pastores de ovelha ficaram impressionados, pois Jacó quebrara toda a tradição para tirar água do poço. Além disso, ele próprio apresentou-se a Raquel e beijou-a emocionado a ponto de derramar lágrimas diante dela e dos circunstantes (Gn 29.6-11). 

Sob efeito daquela emoção, Raquel pegou o seu cântaro e foi para casa, onde, visivelmente abalada, contou a seus pais o que ocorrera. Labão foi ao encontro de Jacó, reconheceu que ele era o seu parente próximo e levou-o para a sua casa, onde trabalhou com afinco. Com o passar dos dias, Labão quis retribuir a Jacó pelo seu trabalho; mas ele disse que preferia ter Raquel como a sua noiva, por quem trabalharia sete anos seguidos. Labão concordou. Porém, após os sete anos, Jacó começou a colher o que plantou (Gn 29.12-20).


2.    O enganador é enganado    -    Decorridos sete anos de trabalho, Jacó pediu ao sogro para levar a sua esposa, Raquel, para ter a sua própria casa. Labão fez um banquete para o casamento e convidou os moradores do lugar para aquela festa. Após as núpcias, Labão enganou a Jacó; em lugar de entregar Raquel para passar a lua de mel, chamou a filha mais velha, Leia, e entregou-a a Jacó. No dia seguinte, quando percebeu o que havia acontecido, Jacó protestou, mas Labão disse que não poderia dar a filha mais nova antes da mais velha. Propôs, então, que ele trabalhasse mais sete anos por Raquel. Como Jacó a amava, submeteu-se àquela proposta absurda. Para ele, o tempo passou rápido e ficou es poso de Raquel, a quem amava, de fato, e de Leia, com quem se casou obrigado e enganado.


3.    Muitos filhos     -     Jacó teve doze filhos com Raquel, Leia e suas respectivas servas, que eram esposas secundárias. Esses filhos foram líderes das doze tribos de Israel. Leia era a filha mais velha de Labão. Com ela, Jacó foi en ganado pelo seu sogro. Ele desejava casar-se com Raquel, a quem amava, mas Labão usou um artificio enganador e, depois de dar um banquete pelo suposto casamento com Raquel, na noite de núpcias, em lugar de entregar Raquel ao genro, pôs Leia ao lado dele.

 Imaginando estar com a sua amada no seu seio, teve relações com ela, totalmente enganado. Com ela, Jacó teve Rúben, Simeão, Levi e Judá (Gn 29.32-35) e depois Issacar e Zebulom (Gn 30.17-20), totalizando seis filhos, e mais uma filha, a quem deram o nome de Diná (Gn 30.21). Com Zilpa, serva de Leia, Jacó teve mais dois filhos: Gade e Aser (Gn 30.9-13). Com Bila, serva de Raquel, Jacó também teve dois filhos: Dã e Naftali (Gn 30.3-8).

 Com Raquel, a sua esposa amada, Jacó teve mais dois filhos: José (Gn 30.22-24) e depois Benjamim (Gn 35.16-19). Porém, Raquel teve problemas no parto e faleceu. Assim, Jacó teve 13 filhos, sendo 12 homens e uma filha, dos quais oito ele os teve com suas duas esposas e quatro com as duas servas das esposas. Isso prova que Deus não é elitista; a maior parte dos filhos que Jacó teve foi com Leia, a esposa indesejada, e com as servas; os quais formaram a liderança das doze tribos de Israel. Apenas duas tribos tiveram seus líderes 126 JACÓ: DE ENGANADOR A HOMEM DE HONRA nascidos de Raquel, a sua esposa a quem tanto amava, que faleceu no parto do segundo filho.



                II.    JACÓ DESEJA RETORNAR A SUA TERRA


1.    Jacó almeja retornar para sua casa     -     O rosto de Labão não lhe era favorável, como anteriormente. Finalmente, o relacionamento entre o tio e sobrinho chegou ao fim. Jacó percebeu que Labão e seus filhos eram-lhe hostis por causa do seu sucesso. Além disso, já possuía riqueza e propriedades suficientes para satisfazê-lo. Assim, quando recebeu ordem do Deus de Betel para se por a caminho, sabia que já era hora de voltar para casa. Vinte anos tinham se passado, durante os quais sua mãe já morrera. Talvez Labão ficasse ainda mais desagradável. Era hora de partir.

4-13. Jacó explicou sua decisão às suas esposas, dizendo-lhes como o Anjo de Deus lhe falara em sonho e o encorajara em seu propósito. O "anjo" se identificou com Aquele que apareceu a Jacó em Betel. Era realmente o próprio Jeová.

14-16. Lia e Raquel apoiaram fortemente a decisão de Jacó. Elas conheciam seu pai e tinham perdido o amor e o respeito por ele. Lembraram-se que recebera quatorze anos de trabalho de Jacó sem lhes dar a parte que uma noiva tinha direito de receber. Não nos considera ele como estrangeiras? disseram. Pois nos vendeu, e consumiu tudo o que nos era devido (v. 15 ).

 Jacó Parte de Harã. As relações entre Jacó e Labão não demoraram nada a azedar. Jacó sofreu às mãos de seu tio, Labão, o mesmo tratamento que Jacó havia conferido a Esaú, o que mostra que a lei da colheita segundo a semeadura estava operando. Todavia, Labão prosperava, porquanto Jacó era fiel e operoso, e Labão nunca teria abandonado a situação se o próprio Jacó não tivesse desistido. Reunindo sua família e suas propriedades, Jacó partiu de Padã-Harã a fim de retornar à sua terra de Canaã, o que ocorreu em cerca de 1960

A.C. Labão só descobriu a fuga de Jacó ao terceiro dia; mas, quando a percebeu, saiu ao encalço do sobrinho e genro com um grupo armado. Todavia, Deus fez intervenção e advertiu Labão a que não tentasse fazer qualquer mal a Jacó. Assim, não sendo capaz de fazer qualquer coisa de radical, ao alcançar Jacó, limitou-se a repreendê-lo severamente. Por que Jacó partira secretamente? Por que havia enganado seu tio? Por que havia levado suas filhas e netos, sem dar-lhe uma oportunidade de despedir-se? E, acima de tudo, por que Jacó cometera o ultraje de furtar seus deuses domésticos (seus santos protetores)?

Dessa vez, pelo menos Jacó disse a verdade. Ele temia o que Labão poderia querer fazer contra ele. E calculou que, no mínimo, mandá-lo-ia vazio, e que os seus familiares e os seus bens seriam forçados a ficar em Padã-Harã. No tocante aos terafins ou deuses domésticos, Jacó afirmou que não os havia tirado, e que qualquer um que o tivesse feito poderia ser executado. (Raquel não contara a Jacó que ela é quem furtara os tais deuses). Labão procurou e apalpou por toda a parte e nada achou. Raquel estava assentada sobre a sela de seu camelo, e os deuses estavam ocultos debaixo da sela. Ela estava serenamente sentada, com um ar de inocência. E disse a Labão que ele teria de desculpa-la, pois não podia levantar-se, visto que estava menstruada. Os ídolos permaneceram seguramente ocultos debaixo da sela, porquanto uma mulher, e tudo quanto ela tocasse, era considerado imundo, estando ela nesse período. Pelo menos assim se dava na lei mosaica posterior, e podemos supor que a crença era anterior a essa data.


2.    O acordo entre Labão e Jacó     -    Ofereceu a Jacó que estipulasse seu salário. Imagine a sua surpresa quando o seu sobrinho lhe fez uma contra-oferta que lhe pareceu esmagadoramente a seu favor. Na Síria as ovelhas são brancas e as cabras são negras, com muito poucas exceções. Jacó ofereceu-lhe para começar o seu acordo imediatamente, aceitando como suas as ovelhas que não fossem brancas e as cabras que não fossem negras, deixando o restante para Labão. Assim, ambos os patrimônios poderiam prosperar. Labão aceitou a oferta imediatamente. Naquele mesmo dia levou para uma distância segura todas as ovelhas e cabras "fora de série" para que Jacó não tivesse com o que começar. Os animais que ele separou entregou a seus filhos. Foi um ardil baixo e covarde Labão acreditava que tornara impossível a vitória de Jacó, porque removera todo o capital de Jacó antes de começar a competição.

37-42. Mas Jacó não se entregava tão facilmente assim. Ele usou de três expedientes para derrotar seu tio. Colocou varas listadas diante das ovelhas nos locais onde bebiam água, para que o colorido das crias ficasse sujeito à influência pré-natal. É fato estabelecido, declara Delitzsch, que se pode garantir crias brancas nas ovelhas colocando muitos objetos brancos junto dos bebedouros (New Commentary on Genesis, in loco). Jacó também separou do rebanho os cordeiros e cabritos listados e salpicados. mas os manteve à vista das ovelhas, para que estas fossem influenciadas. Seu terceiro expediente foi deixar que essas influências predeterminantes agissem sobre as ovelhas mais fortes, para que os seus cordeiros e cabritos fossem mais fortes e mais viris que os outros. Jacó foi bastante astuto para recorrer à influência pré-natal e reprodução seletiva.

43. Como resultado desse esquema, dentro de poucos anos Jacó ficou imensamente rico em ovelhas e cabras. Embora tivesse usado a sua cabeça, ele foi o primeiro a declarar que o Senhor interveio na sua vitória. Jeová tornava possível que o patriarca retornasse a terra prometida com recursos, vindo a ser o príncipe de Deus, que executara à vontade divina.

Jacó Retorna a Canaã. 31:1-55.


3.    Deus manda Jacó retornar à casa de seus pais    -    Mas, agora, o Senhor havia instruído Jacó para que voltasse para casa (Gn 31.3,11-13). Jacó falou com suas esposas e as lembrou de que seu pai Labão havia mudado seus ganhos “dez vezes” (Gn 31.4-7). Elas lhe asseguraram a aceitação de seus planos (vv. 14-16).

Enquanto Labão estava pastoreando o seu rebanho, Jacó com suas esposas, filhos, servos e rebanhos partiram rumo à terra de seu rebanho, Jacó com suas esposas, filhos, servos e rebanhos partiram rumo à terra de seu pai (Gn 31.17-20). Eles cruzaram o rio Eufrates e seguiram em direção a Gileade. Depois de três dias, Labão, ouvindo sobre a fuga, os perseguiu durante sete dias, encontrando-os na montanha de Gileade a, aproximadamente, 650 quilômetros de Harã (vv. 21-25). Irado, Labão levantou três acusações contra Jacó (vv. 26-30): (1) que ele fugiu em segredo; (2) que sequestrou suas filhas; (3) e, que roubara seus ídolos do lar (terafim; cf. G. E. Wright, Biblical Archaeology, p· 44). Jacó contava com vinte anos de servjço árduo e sofria a constante tentativa de Labão de defraudá-lo em seus ganhos. Depois de muitos discursos bombásticos, nos quais cada um tentava sobrepujar o outro exagerando nos erros cometidos pela outra parte, Labão sugeriu uma trégua, que foi marcada pelo estabelecimento de uma coluna e um monte de pedras, e que culminou em um banquete de aliança que durou a noite toda (vv. 3154־). Na manhã seguinte, Labão retomou a Harã e Jacó viajou em direção ao sul. 

Sem dúvida Jacó sentiu grande alívio em poder replicar a Labão. A atmosfera clareou-se e Labão abandonou a sua mordacidade. Os dois homens fizeram um acordo, ratificando-o e comemorando o acontecimento com o levantamento de uma coluna de pedras no alto da colina. A coluna constituiu o que foi chamado de Mispa ou "posto de observação", de onde um observador podia ver toda a terra em ambas as direções. Indicava suspeitas e falta de confiança. Ao levantar essa coluna os homens queriam dizer que estavam convidando Jeová para se assentar ali e observar as duas pessoas nas quais não se podia confiar. Deus tinha de ser uma sentinela para vigiar Labão e Jacó, na esperança de que a luta fosse evitada. Jacó foi obrigado a prometer que trataria as filhas de Labão com bondade e consideração. Nenhuma das duas partes deveria atravessar a fronteira estabelecida para praticar violência contra a outra. Jamais uma deveria prejudicar a outra.



                III.     JACÓ NO VAU DE JABOQUE


1.    A  angústia e o medo de Jacó    -   Esaú vinha de Edom, os mensageiros de Jacó o informaram, para se encontrar com o grande grupo de viajantes que vinha de Padã-Arã. Edom era a terra que ficava ao sul do Mar Morto, que geralmente é chamada de Seir, no Monte Seir (v. 3) na Bíblia. No Novo Testamento o povo de Edom é chamado de os idumeus. Jacó estava com o coração cheio de medo, lembrando-se das ameaças de Esaú anos antes e imaginando que o seu irmão estivesse fazendo planos para se vingar dele. Quatrocentos homens sob o comando do selvagem homem de Edom poderiam ser perigosos. Jacó adotou três medidas definidas para garantir a segurança. Primeiro, orou ao Senhor humildemente. Segundo, enviou pródigos presentes a Esaú para despertar sua boa vontade. Terceiro, arrumou sua família, suas propriedades e seus guerreiros da maneira mais vantajosa e preparou-se para lutar caso fosse necessário.

9-12. Na sua oração Jacó fez o Senhor se lembrar de que Ele o convocara a fazer esta viagem para Canaã e lhe prometera proteção e vitória. A oração foi sincera e humilde. uma sincera súplica pedindo segurança, livramento e proteção na emergência que se lhe defrontava. Embora nenhuma palavra de confissão saísse dos lábios do suplicante com referência as injustiças que cometera a Esaú e Isaque, Jacó admitiu humildemente que era completamente indigno do favor de Deus literalmente, sou indigno (v.10). Demonstrou o seu temor de Deus e a sua fé nEle. Estava literalmente lançando-se nos braços do Senhor para obter a vitória e o livramento.

13-21a. O presente, ou minha foi algo muito bem escolhido, consistindo de cerca de 580 animais dentre os seus melhores rebanhos. O minha era um presente que geralmente se oferecia a um superior com a intenção de se obter um favor ou para despertar sua boa vontade. Jacó disse: Eu o aplacarei (v. 20). A palavra é muito significativa no que se refere à expiação. Seu sentido literal é, eu cobrirei. Por meio do presente, Jacó esperava "cobrir" o rosto de Esaú, de modo que ele fizesse vista grossa para a injúria, abandonando sua ira. Suas próximas palavras – porventura me aceitará – são, literalmente, para que ele levante o meu rosto. É uma linguagem simbólica, indicando plena aceitação depois do perdão. Jacó foi excepcionalmente humilde, cortês e conciliatório em suas mensagens para Esaú. Ele chamou Esaú de "meu Senhor" e intitulou-se "seu servo". Ele não deixaria nenhuma pedra que não fosse revolvida em busca da reconciliação.

21b-23. Na noite antes da chegada de Esaú, Jacó enfrentou o teste decisivo de toda a sua vida. Depois de fazer suas esposas e filhos atravessassem o Jaboque em segurança, ele voltou para a margem setentrional do rio para ficar sozinho na escuridão. O Jaboque era um tributário do Jordão, ao qual se juntava a cerca de meio caminho do Mar da Galiléia e Mar Morto. Hoje se conhece o Jaboque pelo nome de Zerka.


2.    Jacó ficou só e lutou com o anjo    -     Lutava com ele um homem, ate ao romper do dia. Na solidão da escura noite. Jacó encontrou-se com um homem que lutou com ele. O hebraico 'abaq, "dar voltas" ou "lutar", tem alguma ligação com a palavra Jaboque. Depois de uma longa luta, o visitante desconhecido exigiu que Jacó o soltasse. Jacó recusou-se a fazê-lo até que o estranho o abençoasse. O "homem" pediu a Jacó que declarasse o seu nome, o qual significa suplantador. Então o estranho disse que daquele momento em diante ele teria um novo nome com um novo significado.

A palavra Israel pode ser traduzida para aquele que luta com Deus, ou Deus luta, ou aquele que persevera, ou, pode ser associado com a palavra 'sar, "príncipe". O "homem" declarou: Lutaste com Deus .. . e prevaleceste. Era uma certeza da vitória no seu relacionamento com Esaú, como também certeza de triunfo ao longo do caminho. Na titânica luta, Jacó percebeu a sua própria fraqueza e a superioridade dAquele que o tocou. No momento em que se submeteu, tornou-se um novo homem, que pôde receber as bênçãos divinas e tomar o seu lugar no plano divino. O novo nome, Israel, dá idéia de realeza, poder e soberania entre os homens. Estava destinado a ser um homem governado por Deus, em vez de um suplantador inescrupuloso. Por meio da derrota alcançara o poder. Todo o resto de sua vida ficaria aleijado; mas sua manqueira seria um lembrete de sua nova realeza.

Peniel (ou Penuel) significa face de Deus. O i e o u são simplesmente vogais de ligação entre os substantivos pen e el. É provável que se localize a cerca de 11,2 ou 12,8 kms do Jordão no Vale de Jaboque. Jacó vira a lace de Deus e continuara vivo. Jamais esqueceria essa incrível experiência.


3.    Jacó é transformado     -       Nesta luta, Jacó ganhou uma medalha, que não mais perdeu. Vendo o Anjo que não prevalecia, adaptando a linguagem às inteligências humanas, tocou-lhe a coxa e marcou-o para toda a vida. Quando passou o ribeiro, manquejava. Por isto os filhos de Israel não comem esta parte dos animais.

Qual seria o efeito sobre Esaú, ao ver este homem coxeando? Sem pau na mão, sem capacidade física para uma luta corporal, com um coração penitente, revelado no grande presente feito, não teria isto influído poderosamente em Esaú, caso quisesse vingar-se? Este Jacó não é mais o Jacó que roubou a bênção auxiliado por sua mãe. O tempo, as circunstâncias, as experiências e sobretudo Deus mudaram este homem. O Dr. Carroll aconselhava seus discípulos a comprar todos os comentários e livros sobre esta luta de Jacó com o Anjo, e dizia que neste incidente está o segredo de poder de Jacó. É certo isto. Vale a pena os pregadores lerem e relerem esta história. Ela é sempre nova. Depois de um contacto destes com Deus, Abraão, Paulo e muitos outros foram mudados para toda a vida.

(O riacho de Jaboque está seco seis meses do ano, e mesmo quando cheio tem pouca água. O autor passou a seco este rio há tempos atrás. Nem sinal de água. Em certo ponto os árabes Indicam o lugar da luta entre o Anjo e Jacó. É um lugar deserto atualmente; a não ser uma birosca, nada mais se vê no local.)


 Ele ficou coxo O anjo “tocou a juntura de sua coxa; e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, lutando com ele” (Gn 32.25). Foi uma mudança visível no seu corpo. Quando alguém tem um encontro verdadeiro com Deus, todo o seu ser experimenta mudanças indeléveis, não só no ser interior, na alma e no espírito, mas também no seu aspecto físico. A Bíblia diz que “a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas” (Hb 4.12). No encontro de Jacó com o anjo, não foi só a palavra que o alcançou, mas o ser celestial tocou diretamente no seu corpo e deslocou a sua coxa. Uma lição espiritual pode ser tirada desse fato. Quando alguém tem um encontro com Deus, não anda mais como antes, com suas próprias forças, mas como disse o salmista: “Sairei na força do S e n h o r Deus; farei menção da tua justiça, e só dela” (SI 71.16). 3.2. Jacó luta pela bênção de Deus O anjo fez ver a Jacó que precisava retornar ao céu, pois a alva já havia subido. “Porém ele disse: Não te deixarei ir, se me não abençoares” (Gn 32.26). Quando uma pessoa tem um encontro com Deus, deseja e busca intensamente as suas bênçãos. 

Diz o apóstolo Paulo: “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra” (Cl 3.1,2). 3.3. Jacó tem seu nome mudado Seu nome de nascimento era Jacó (Ta 'aqov, no hebraico), que significa “aquele que segura pelo calcanhar” ou “suplantador”; também tem o significado de “enganador”, pelo fato de ter enganado o seu pai para usurpar a bênção que seria de Esaú. O anjo, porém, perguntou a ele: “Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó. Então, disse: Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel, pois, como príncipe, lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste” (Gn 32.27,28).

 Esse fato indica que o anjo que falou com Jacó seria o próprio Deus, pois ele diz que Jacó lutou com Deus e com os homens e prevaleceu. A mudança de nome também indica mudança de caráter, de atitudes e de comportamento. Depois do encontro com Deus, Jacó não mais seria conhecido como “enganador” ou “suplantador”; a partir daquele momento em que foi tocado pelo anjo, o seu nome seria Israel, um homem de fé, um homem fiel, um homem de honra. O impacto na mente de Jacó foi tão grande que ele quis saber o nome do anjo: “E Jacó lhe perguntou e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali” (Gn 32.29).



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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio Homens dos quais o Mundo não era digno - Pr. Elinaldo Renovado - Editora CPAD

Genesis - Série Cultura Bíblica - Derek Kidner

JACÓ - Enciclopédia Ilumina

JACÓ - Comentário Bíblico Wesleyana

JACÓ - Dicionario Champlin

Jacó - Dicionário Wycliffe



sábado, 30 de maio de 2026

LIÇÃO 10 - A EXPERIÊNCIA TRANSFORMADORA DE JACÓ.

 

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II


TEXTO ÁUREO

"E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra, porque te não deixarei, até que te haja feito o que te tenho dito." (Gn 28.15)


VERDADE PRÁTICA

Após um encontro com Deus, Jacó é transformado. Ninguém sai da presença do Senhor da mesma maneira.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gênesis 28. 10-17



                    INTRODUÇÃO

"Era o terceiro no plano de DEUS para iniciar uma nação descendente de Abraão para dai nascer JESUS (Gl 3.16). O sucesso deste plano se deu mais 'apesar de' do que 'em razão da vida de Jacó. Antes de Jacó nascer, DEUS prometera que seu plano se desenvolveria através dele, e não de seu irmão gêmeo, Esaú. Embora os métodos de Jacó nem sempre fossem respeitáveis, suas habilidades, determinação e paciência tinham de ser reconhecidas. Ao acompanharmos sua vida desde o nascimento até à morte, vemos a mão de DEUS trabalhando."

"Jacó fazia tudo, o certo e o errado, com grande zelo. Ele enganou seu próprio irmão Esaú, e seu pai, Isaque. Ele lutou com DEUS, e trabalhou catorze anos para se casar com a mulher que amava. Por intermédio de Jacó, aprendemos como um forte líder pode, também, ser um servo. Também vemos como ações erradas sempre voltam para nos perturbar.

Depois de enganar Esaú, Jacó correu para salvar sua vida, viajando mais de 640 quilômetros até Harã, onde vivia seu tio, Labão. Pelo caminho, ele recebeu uma mensagem do Senhor, em um sonho, e deu a esse lugar o nome de Betel. Em Harã, Jacó se casou e iniciou uma família" 


        


                I.     UM SONHO QUE MUDOU UMA VIDA


1.    Uma escada que tocava o céu     -    O Incidente de Betei. A caminho de Berseba para Harã, Jacó parou para descansar, em Betei, que era chamada Luz, antes de receber aquele nome. Ali Jacó recebeu a visão da escada, com anjos que subiam e desciam pela mesma, posta entre a terra e o céu. Ele ficou sumamente admirado com a divina manifestação, e rebatizou o local com o nome de Betei, «casa de Deus» (Gên. 28:18,19). Jacó consagrou uma décima parte de toda a sua renda a DEUS (Gên. 28:10-22), aparentemente de forma perpétua. Betei (vide) ficava cerca de cem quilómetros de Berseba, pelo que esse incidente ocorreu ainda no começo de sua jornada, provavelmente com o propósito de infundir-lhe coragem. A Jacó, pois, foi garantida a proteção divina. O pacto-abraâmico foi confirmado com Jacó nessa oportunidade Gên. 28:3,4), pelo que os propósitos divinos estavam em operação, apesar das vicissitudes da vida de Jacó, a despeito de seus fracassos misturados com sucessos. Jacó erigiu um altar ali, e fez seus votos, incluindo o pagamento de dízimos a Yahweh.

 Uma escada misteriosa. Ela era posta na terra, mas seu topo tocava no céu; e o que mais lhe chamou a atenção, no sonho, foi que “os anjos de Deus subiam e desciam por ela”. Segundo Matthew Henry, essa escada é uma representação da providência de Deus, pela qual existe uma correspondência constante, entre o céu e a terra. Os conselhos do céu são executados na terra, e os atos e assuntos desta terra são todos conhecidos no céu e ali são julgados. A providência faz o seu trabalho gradualmente, passo a passo. Os anjos são empregados como espíritos ministradores, [...] são espíritos ativos, continuamente subindo ou descendo. Eles não descansam, noite e dia, do serviço, de acordo com as posições a eles designadas. Eles sobem, para prestar contas do que fizeram, e para receber ordens. E então descem, para executar as ordens que receberam.


2.    Deus apresentou-se em sonhos a Jacó     -    A vida em Harã (Gn 28-30). Quando a trama toda foi descoberta, Jacó foi enviado para junto de seus parentes em Harã. Em sua viagem a partir de Berseba, Jacó, como um exaurido, cansado, e fugitivo pecador, passou sua primeira noite nas proximidades do antigo santuário cananeu de Luz. Em uma visão noturna, DEUS revelou-se a este peregrino como o DEUS de seu pai. Ele também renovou a bênção da aliança (Gn 12.7; 13.14- 17; 26.3-5), prometeu-lhe a terra, deu-lhe uma missão universal e assegurou-lhe que teria a orientação divina e uma vida próspera. Jacó respondeu com um voto pessoal e chamou o local de Betel (q.v.).


3.    O concerto de Deus com Jacó    -     Acordado do sonho, seu primeiro pensamento foi que DEUS morava ali e que mui terrível era aquele lugar! Os antigos não tinham a concepção espiritual da divindade que nós temos, nem conheciam tanto de sua onipresença como nós, de modo que uma aparição destas era tomada logo como prova de que DEUS morava ali; em seguida, erigia-se o altar para o culto dos sacrifícios. Apressado como ia, Jacó não tinha tempo de construir este altar. Portanto, usou a pedra que lhe tinha servido de travesseiro, botou nela um pouco de azeite do que levava consigo para fins medicinais e chamou ao lugar "Betel", que significa "Casa de Deus". O nome do lugar antes era Luz. 

Nesta visão, Jeová repete a promessa tantas vezes feita de que sua linhagem seria numerosa. Jacó, por sua vez, faz um voto em base toda comercial, de que, de tudo que DEUS lhe desse, lhe daria o dízimo. Nisto podemos ver a nova ideia que Jacó teve de Deus, na sua vida. Esta manifestação foi o despertamento para um novo começo de vida, muito diferente da que tinha vivido antes. A isto se tem chamado a conversão de Jacó, e tem sido bem empregada a frase. As experiências que o esperavam não amorteceriam esta nova concepção de Deus, e, uns trinta anos depois, encontramos Jacó neste mesmo lugar, oferecendo a Jeová o dízimo de todas as coisas que tinha conseguido (cap. 35:7).



                II.     AS DESCOBERTAS DE JACÓ


1.     Jacó descobriu a presença de Deus     -     Espiritual e emocionalmente, ele não se sentia bem. No meio daquela luta, Deus se revelou a Jacó, mostrando que não estava só, e lhe fez promessas muito importantes. Ao acordar e constatar que tudo o que vira fora sonho, declarou para si mesmo: “Na verdade o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia”! 114 A EXPERIÊNCIA TRANSFORMADORA DE JACÓ Esse episódio na jornada atribulada de Jacó nos mostra que, muitas vezes, Deus está perto de nós, e não o percebemos. Por vezes, as tribulações da vida são tantas que nos fazem pensar que Deus não está conosco, não nos vê; que nos abandonou, diante de tantos problemas sem solução. Esquecemo-nos de que, se formos fiéis ao Senhor, obedecendo à sua voz e cumprindo os seus preceitos, Ele é fiel para cumprir o que planejou para nós.


2.    Jacó descobriu a Casa de Deus     -     Um ponto que aparece com força na fala dos pastores é que a fuga de Jacó não foi só geográfica. Não era apenas ir para longe do perigo. Era o começo de uma jornada espiritual profunda, onde Deus encontra o homem justamente no instante em que ele está mais vulnerável, mais inseguro, com mais perguntas do que respostas. E isso é muito parecido com o que acontece com a gente: às vezes é no momento mais “desajeitado” da vida — quando não dá nem para fingir controle — que o Senhor se revela com mais clareza.

O episódio também destaca o simbolismo do sonho: a escada não é um caminho construído pelo homem para chegar ao céu; ela vem do alto. Essa diferença é enfatizada com a lembrança da Torre de Babel: quando o homem tenta chegar ao céu por conta própria, dá errado. Mas quando Deus coloca o acesso, aí sim existe caminho. E a mensagem aponta para a figura do Senhor Jesus como mediador, aquele que liga o homem ao céu — uma leitura apresentada como prefiguração do que viria a se cumprir na obra de Cristo.


3.    Jacó descobriu a porta dos céus    -    O episódio vai costurando a história com detalhes que dão vida ao relato: a escada no sonho, os anjos subindo e descendo, e o Senhor se apresentando como o Deus de Abraão e de Isaque. E aí vem uma aplicação muito marcante: até aquele momento, Jacó conhecia Deus “por tabela” — como o Deus dos pais —, mas ainda não tinha vivido uma experiência pessoal. E quando essa experiência acontece, a jornada muda de cor. Ele acorda “um novo homem”, com a certeza de que Deus estaria com ele e o guardaria no caminho.

Outro trecho que chama atenção é quando o episódio fala sobre “cabeça na pedra e corpo na terra”. A ideia é simples e forte: mesmo que a caminhada não seja confortável, a mente precisa estar na Rocha. E, ao contrário de um travesseiro comum, que se molda à cabeça, a Rocha é que molda a pessoa. O episódio insiste nisso: Deus quer moldar a mente, corrigir a direção, alinhar a vida. Porque viver no “projeto de Deus” não é uma frase bonita — é uma mudança real de rumo.

E falando em mudança real, o programa lembra que a transformação de Jacó se completa mais à frente, no Val de Jaboque, quando ele tem um encontro decisivo e sai marcado. A imagem é usada para reforçar que um toque de Deus muda o caminhar, muda a postura, muda tudo. E isso conversa com muita gente hoje: há pessoas na igreja, participando, ouvindo, mas ainda sem perceber a presença do Senhor — como Jacó antes do sonho. A palavra do episódio é quase um chamado: continue buscando, porque uma hora Deus se revela, e você mesmo vai dizer: “Deus está neste lugar… e eu não sabia.”



                III.      A COLUNA DE BETEL


1.    A pedra transformada em coluna     -    Quando Jacó acordou do sono, disse: “Sem dúvida o Senhor está neste lugar, mas eu não sabia!” Teve medo e disse: “Temível é este lugar! Não é outro, senão a casa de Deus; esta é a porta dos céus”. Na manhã seguinte, Jacó pegou a pedra que tinha usado como travesseiro, colocou-a em pé como coluna e derramou óleo sobre o seu topo. E deu o nome de Betel àquele lugar, embora a cidade anteriormente se chamasse Luz.


a. Sem dúvida o Senhor está neste lugar, mas eu não sabia! Jacó estava certo ao sentir a presença do Senhor ali. Deus se revelou a Jacó tanto no sonho quanto na palavra. No entanto, se ele pensou que Deus estava em alguns lugares, mas não em outros, ele estava errado.


i. Mais tarde, o rei Davi entendeu que Deus estava em todos os lugares: “Para onde poderia eu escapar do teu Espírito? Para onde poderia fugir da tua presença?” (Salmo 139:7)


b. Temível é este lugar! De sua perspectiva não espiritual e talvez supersticiosa, Jacó deu muita ênfase a um lugar específico. Ele não percebeu que, se a presença do Senhor não estivesse com ele em todos os lugares, então Deus nunca poderia cumprir a promessa que lhe fez. Quando ele deixasse aquele lugar e viajasse para o leste, Deus ainda estaria com ele.


c. E deu o nome de Betel àquele lugar: a cidade de Betel teria um papel importante na história de Israel, mas às vezes como um lugar associado à idolatria. Entre as cidades de Israel, ela fica atrás apenas de Jerusalém no número de vezes que é mencionada no Antigo Testamento.


i. Mais tarde, ao falar com Jacó, Deus se referiu a si mesmo como “o Deus de Betel” (Gênesis 31:13).


ii. Betel acabaria se tornando um lugar alto, conhecido por ser um lugar de sacrifício a ídolos (1 Reis 13:32, Oséias 10:15, Amós 4:4).


2.     O voto de gratidão a Deus (Gn 28. 20-22)     -    mesmo nos dias atuais. E Jacó fez um voto, em que colocava diante de Deus quatro desejos, dizendo: 

3.1. “Se Deus for comigo” (v.20a) Jacó estava no meio da sua jornada, deslocando-se sozinho, em termos humanos, indo para Harã, para buscar apoio e refúgio na casa de seu tio Labão. Desse modo, ele sentia o valor e a importância da presença de Deus em sua vida. Da mesma forma, nos dias presentes, todo cristão necessita da presença de Deus em sua vida, em todos os lugares e em todas as ocasiões e circunstâncias; sem essa presença, ninguém pode sentir-se seguro, em meio à realidade da vida, num mundo que não crê nem honra a Deus nem à sua Palavra; num mundo que aborrece aos filhos de Deus, e até os matam, como em países hostis ao evangelho.

 3.2. “e me guardar nesta viagem que faço” (v.20b) Ele sabia da importância fundamental da proteção de Deus em sua vida, principalmente na condição em que se encontrava, sem ninguém ao seu lado, atravessando os mais diferentes lugares e ambientes, nos quais, em grande parte, a insegurança, as ameaças de assaltos, e de violência eram comuns, naqueles tempos. Segundo estudiosos, a distância que ele deveria per correr, a pé, sem ninguém para lhe dar apoio, seria de cerca de setecentos e cinquenta quilômetros, e levaria mais de trinta dias de viagem. Não era nada fácil para um jovem, acostumado a viver em casa, sob os cuidados de seus pais, especialmente da sua mãe, que muito o amava. O salmista escreveu: Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas estarás seguro; a sua verdade é escudo e broquel. [...] Somente com os teus olhos olharás e verás a re compensa dos ímpios. Porque tu, ó Senhor, és o meu refúgio! O Altíssimo é a tua habitação. (SI 91.4,8-9) 

3.3. “e me der pão para comer e vestes para vestir” (v. 20c) Jacó sabia que não podería sobreviver, em sua difícil e arrisca da viagem, se não tivesse os bens de primeira necessidade à sua disposição: era indispensável ter o pão de cada dia e a apropriada vestimenta para suportar as variações climáticas, desde o calor intenso, sob o sol causticante do deserto, até o frio intenso da noite, quando, muitas vezes, teria que dormir ao relento. Por isso, colocou diante de Deus sua petição. Na oração do Pai Nosso, está escrito: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mt 6.11). Notemos que, essa oração, ensinada por Jesus, indica que Deus nos dá o “pão nosso de cada dia”; não dá o pão nosso de cada semana, de cada mês ou de cada ano. Isso significa que dependemos de Deus todos os dias. Diz o salmista: “Uma coisa pedi ao Senhor e a buscarei: que possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida [...]” (SI 27.4), ou seja, estar todos os dias na presença de Deus. 

 3.4. “e eu em paz tomar à casa de meu pai” (v. 21a) No seu coração, Jacó tinha o sonho de um dia retornar à casa de seu pai, ao seu lar, onde viveu desde quando nascera, onde passou sua infância e sua adolescência. Por isso, colocou como a última condição para fazer seu voto a Deus, de modo sincero e solene, ter a bênção de Deus para retornar em paz à casa paterna. Sua longa e arriscada viagem era talvez o maior desafio de sua vida. Como ele deve ter-se arrependido de ter dado ouvidos ao conselho errado de sua mãe, que o induziu a enganar seu pai, para se apropriar indevidamente da bênção que não era sua! Daí porque um servo ou serva de Deus jamais deve usar de qualquer atitude ilícita ou enganosa para buscar algo em proveito próprio ou de ninguém. Está escrito:

 Os meus olhos procurarão os fiéis da terra, para que estejam comigo; o que anda num caminho reto, esse me servirá. O que usa de engano não ficará dentro da minha casa; o que profere mentiras não estará firme perante os meus olhos. (SI 101.6-7)


3.   O concerto de Deus com Jacó    -    E acima dela estava o Senhor, que disse: Eu sou o Senhor, o Deus de teu pai Abraão e o Deus de Isaque; darei a ti e à tua descendência esta terra em que estás deitado; 14 e a tua descendência será como o pó da terra. Tu te espalharás para o ocidente, para o oriente, para o norte e para o sul; todas as famílias da Terra serão abençoadas por meio de ti e da tua descendência. 15 Eu estou contigo e te guardarei por onde quer que fores; e te farei voltar a esta terra, pois não te deixarei até que haja cumprido o que te prometi.

O brilho do trono de Deus resplandecia sobre a escada e refletia uma luz de glória inexprimível sobre a Terra. Aquela escada representava Cristo, que havia aberto a comunicação entre a Terra e o Céu.

Ao lado dele estava o Senhor, que lhe disse: “Eu sou o Senhor, o Deus de seu pai Abraão e o Deus de Isaque. Darei a você e a seus descendentes a terra na qual você está deitado. Seus descendentes serão como o pó da terra, e se espalharão para o Oeste e para o Leste, para o Norte e para o Sul. Todos os povos da terra serão abençoados por meio de você e da sua descendência. Estou com você e cuidarei de você, aonde quer que vá; e eu o trarei de volta a esta terra. Não o deixarei enquanto não fizer o que lhe prometi.”


a. Eu sou o Senhor, o Deus de seu pai Abraão e o Deus de Isaque: Jacó certamente já tinha ouvido falar do grande Deus que apareceu a Abraão e a Isaque, mas agora esse mesmo Deus se encontrou com Jacó de forma pessoal. Essa foi uma experiência que mudou a vida de Jacó.


b. Darei a você e a seus descendentes a terra na qual você está deitado: Essas palavras serviram de conforto e esperança para Jacó nessa encruzilhada crítica de sua vida. Deus repetiu a Jacó os termos da aliança que Ele deu a Abraão (Gênesis 12:1-3) e a Isaque (Gênesis 26:2-5).


i. Anteriormente, Isaque disse a Jacó que a aliança era dele (Gênesis 28:3-4), mas agora a voz do próprio Deus confirmou isso. Deus prometeu a Jacó:

·Uma terra.

·Uma nação (seus descendentes serão como o pó da terra).

·Uma bênção (todos os povos da terra serão abençoados por meio de você e da sua descendência).

c. Estou com você e cuidarei de você, aonde quer que vá; e eu o trarei de volta a esta terra. Não o deixarei enquanto não fizer o que lhe prometi: A promessa da terra, da nação e da bênção não teria muito valor se Jacó não vivesse o suficiente para voltar à terra que Deus lhe prometeu e gerar os descendentes que Deus prometeu. Aqui, Deus prometeu estar presente com Jacó e protegê-lo até que todas as Suas promessas fossem cumpridas.

i. Deus fez a Jacó uma promessa do mesmo tipo encontrada mais tarde em Filipenses 1:6: “Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus.” Deus continuará a trabalhar até que Sua obra esteja completa em Seu povo.

ii. Estou com você: “O fato de Deus ter dado a Jacó pão para comer e roupas para vestir era muito, mas não é nada comparado a ‘Eu estou contigo’. O fato de Deus enviar seu anjo com Jacó para protegê-lo teria sido muito, mas não é nada comparado com “Eu sou contigo.” Isso inclui inúmeras bênçãos, mas é, em si, muito mais do que todas as bênçãos que podemos conceber.” (Spurgeon)

iii. A bênção e a fidelidade de Deus para com Jacó podem ser vistas nas várias maneiras pelas quais Sua presença foi descrita na vida de Jacó.


·Estou com você (Gênesis 28:15) descreve a benção presente e a benção indescritível da presença de Deus.

·“Eu estarei com você” (Gênesis 31:3) descreve a maravilhosa promessa da presença e da bênção futuras de Deus.

·“O Deus de meu pai tem estado comigo” (Gênesis 31:5) foi o testemunho de Jacó sobre a fidelidade e a presença de Deus com ele.

·“Deus estará com vocês” (Gênesis 48:21) foi Jacó transmitindo a benção da presença de Deus para as próximas gerações.





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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.

Pr. Setorial – Pr. Saulo Marafon.

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio Homens dos quais o Mundo não era digno - Pr. Elinaldo Renovado - Editora CPAD

Genesis - Série Cultura Bíblica - Derek Kidner

JACÓ - Enciclopédia Ilumina

JACÓ - Comentário Bíblico Wesleyana

JACÓ - Dicionario Champlin

Jacó - Dicionário Wycliffe

JACÓ - Comentários Moody - Isaque. 25:19 - 26:35.

“Deus Está Aqui e Eu Não Sabia”: o dia em que Jacó descobriu a Casa de Deus no meio da fuga - Saniju



sexta-feira, 22 de maio de 2026

LIÇÃO 09 - JACÓ E ESAÚ: IRMÃOS EM CONFLITO.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


            TEXTO ÁUREO

"[...] Duas nações estão no teu ventre, e dois povos se dividirão das suas entranhas: um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá o menor." (Gn 27.33)


                VERDADE PRÁTICA

Os pais não devem ter preferência entre seus filhos e deve tratá-los da mesma forma.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gênesis 27. 1-5, 41-44



                    INTRODUÇÃO

A história de Isaque, Esaú e Jacó é um retrato da soberania e graça de Deus. Mesmo em meio a erros humanos, o plano divino segue inabalável. Isaque ensina sobre fé e oração; Rebeca, sobre discernimento e limites; Esaú, sobre o perigo da impulsividade; Jacó, sobre transformação e arrependimento. Deus não escolhe os perfeitos, mas os disponíveis. A venda da primogenitura mostra que o espiritual deve ter prioridade sobre o material. O engano de Jacó mostra que a bênção obtida sem integridade traz dor. Contudo, Deus usa até as falhas para cumprir Seus propósitos. A reconciliação entre Jacó e Esaú (Gn 33.4) é símbolo do perdão que cura. A jornada de Jacó culmina na formação das doze tribos — um povo separado para Deus. Assim, o conflito inicial gera uma nação de propósito eterno. 

A lição final é que Deus transforma engano em redenção. O crente deve aprender a esperar, orar e confiar. A oração de Isaque é modelo de fé; o arrependimento de Jacó é modelo de restauração. Esaú nos alerta contra o desprezo pelo espiritual. Rebeca nos ensina que boas intenções não justificam más ações. A história mostra que a bênção verdadeira vem de Deus, não de manipulação. O propósito divino é maior que as falhas humanas. A graça triunfa sobre o pecado. 

A eleição divina é expressão do amor soberano. Deus cumpre Suas promessas através das gerações. A vida cristã é uma jornada de fé, disciplina e transformação. O estudo de Gênesis 25–33 nos chama à maturidade espiritual. A oração, o arrependimento e o perdão são pilares da vida com Deus. Assim como Jacó foi transformado em Israel, o crente é chamado a uma nova identidade. A história termina com reconciliação — sinal da graça restauradora. Deus continua agindo hoje como agiu com Isaque e seus filhos. A mensagem é clara: não há erro que Deus não possa redimir. A bênção pertence aos que perseveram na fé. Portanto, que cada leitor aprenda a valorizar o espiritual, confiar na soberania divina e viver pela graça. Essa é a essência do evangelho revelada desde Gênesis — Deus fiel, mesmo quando o homem falha.



                I.     OS FILHOS DE ISAQUE


1.    Isaque ora por um filho (Gn 25.21)      -     Isaque sabia que a promessa do Senhor dizia respeito a uma descendência numerosa para Abraão. Mas o único que era contado até o momento era ele próprio, e uma pessoa somente não poderia ser considerada uma "descendência numerosa". Ele compreendeu, portanto, que deveria gerar filhos para que o plano de Deus fosse continuado. E nesse momento, ele se deparou com o seu primeiro desafio espiritual: sua esposa, Rebeca, era estéril. Ele tinha quarenta anos quando se casou com ela e a luz do texto bíblico, começou a orar para que sua esposa engravidasse.

Assim como Isaque nasceu mediante a promessa, seus filhos, da mesma forma, seriam gerados de modo sobrenatural, mediante o poder de Deus curando o ventre de Rebeca. Seriam filhos da promessa, assim como ele mesmo foi. Aqui, perceba que a oração de Isaque não visava primariamente atender um desejo pessoal seu de ser pai, mas sim o de cumprir com o próprio plano de Deus de abençoar as famílias da terra pela descendência prometida. Neste ponto cabe a nós um momento particular de reflexão. 



2.     Rebeca fica grávida     -    Rebeca foi atendida pelo Senhor e engravidou de gêmeos. A Bíblia afirma que os filhos lutavam dentro do seu ventre, o que gerou nela uma profunda preocupação. Ela então foi consultar ao Senhor, o que deve ser entendido como "buscar ao Senhor em oração". Assim como Deus respondeu a Isaque, Ele também falou ao coração de Rebeca. As palavras divinas foram deixadas a nós no texto bíblico:

E os filhos lutavam dentro dela; então disse: Se assim é, por que sou eu assim? E foi perguntar ao Senhor. E o Senhor lhe disse: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor. E cumprindo-se os seus dias para dar à luz, eis gêmeos no seu ventre. E saiu o primeiro ruivo e todo como um vestido de pêlo; por isso chamaram o seu nome Esaú. E depois saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú; por isso se chamou o seu nome Jacó. E era Isaque da idade de sessenta anos quando os gerou. 

Gênesis 25:22-26

Isaque e Rebeca deveriam lidar com um particular desdobramento da promessa divina. Abraão teve diversos filhos, mas "em Isaque será contada a sua descendência". Agora, Isaque teve filhos gêmeos, sendo Esaú o primogênito. Mas a promessa não segue padrões e protocolos humanos e a descendência seria contada não dele, mas de Jacó, porque Deus disse que "o maior servirá o menor". 

Embora os dois filhos tenham sido gerados "pela fé", somente um deles receberia a fé de salvação. Os dois nasceram no mesmo estigma do pecado, mas somente um seria vivificado. A um, Deus haveria de mostrar justiça, ao outro, misericórdia. Falaremos muito disso na próxima reflexão, mas deixo um lampejo do que a própria Escritura afirma a esse respeito:

Todavia, antes que os gêmeos nascessem ou fizessem qualquer coisa boa ou má — a fim de que o propósito de Deus conforme a eleição permanecesse, não por obras, mas por aquele que chama — foi dito a ela: "O mais velho servirá ao mais novo". Como está escrito: "Amei Jacó, mas rejeitei Esaú". Romanos 9:11-13


3.     O nascimento dos gêmeos     -     Vemos que esta família não cresceu, um filhote por vez, mas recebeu dois de uma vez só. Todavia, mesmo sendo gémeos, os irmãos eram profundamente diferentes, não apenas nas suas caraterísticas físicas, mas também nas suas personalidades, que ditavam as suas inclinações. Enquanto Esaú era virado para a caça, e gostava de andar pelo campo, Jacó era simples, e “caseiro”. Ora, sabemos que todas as famílias têm alguma diversidade, que pode ser muito ou pouco acentuada. Cabe aos pais discernirem essa diversidade e aprenderem a lidar com ela, respeitando-a. Seria com certeza contraproducente que, Isaque e Rebeca, agissem de modo igual com dois filhos tão distintos. E na verdade, Deus tinha propósitos muito diferentes para cada um, os quais foram confiados a Rebeca, como vimos nos vers. 22-23, em resposta à sua oração. 

Portanto, após a experiência de paternidade / maternidade, este casal teve grande dificuldade em perceber a diversidade dos seus filhos, sem tomar partido de um deles, não conseguindo agir com equidade para com eles. E este é um grande desafio para todos os pais: Cada pai e mãe é um ser humano que sente maior ou menor afinidade com o caráter e as inclinações de um ou outro filho, em determinados momentos, mas isso nunca pode ser motivo para os tratar de modo desigual em termos de justiça, cuidados, atenção e proteção. A diferenciação não significa discriminação. É importante tratar cada um com respeito à sua individualidade, mas não beneficiar um, prejudicando outro.



                II.    ESAÚ VENDE SUA PRIMOGENITURA


1.   Preferências entre filhos    -    Infelizmente, Isaque e Rebeca não conseguiram respeitar a individualidade dos seus filhos, e cada um, foi injusto com um dos filhos, devido às suas preferências. Vejamos o vers. 28-34 de Gen. 25: ”E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó. E Jacó cozera um guisado; e veio Esaú do campo, e estava ele cansado; E disse Esaú a Jacó: Deixa-me, peço-te, comer desse guisado vermelho, porque estou cansado. Por isso se chamou Edom. Então disse Jacó: Vende-me hoje a tua primogenitura. E disse Esaú: Eis que estou a ponto de morrer; para que me servirá a primogenitura? Então disse Jacó: Jura-me hoje. E jurou-lhe e vendeu a sua primogenitura a Jacó. E Jacó deu pão a Esaú e o guisado de lentilhas; e ele comeu, e bebeu, e levantou-se, e saiu. Assim desprezou Esaú a sua primogenitura. “

Percebe-se nitidamente que Isaque criou maior afinidade com Esaú, pois tinham a caça em comum. Já Rebeca criou maior afinidade com Jacó que, provavelmente, ficando mais por casa, acabava por passar mais tempo com a mãe e, eventualmente, até a ajudaria na lida. Assim, cada um foi cultivando mais a relação com um dos filhos, baseado na afinidade existente, e acabou por negligenciar a relação com o outro filho. Esta preferência distinta que cada um tinha, levou a que tivessem grande dificuldade em se manter unidos na função de educar, perdendo o foco da união na educação dos filhos. A própria comunicação entre Isaque e Rebeca falhou redondamente, pois se Deus falara a Rebeca sobre os propósitos distintos que tinha para cada filho, eles deviam estar unidos, cooperando para os propósitos de Deus! Se a comunicação tivesse sido correta, poderia ter alterado o modo como tudo sucedeu e o impacto negativo que teve na vida de cada um dos membros desta família.

O processo educativo necessita de dois elementos que têm de agir alinhados: pai e mãe. Quando um se demite do seu papel, tal torna-se notório na vida dos filhos. Se analisarmos Esaú, o preferido de Isaque, entendemos que se tornou rude, desprovido da sensibilidade, negligenciando as “coisas espirituais”, a ponto de se envolver com mulheres fora do seu povo, e indo assim contra o que Deus instituíra, causando desgosto a seus pais (ver Gén. 26:34-35); Quanto a Jacó, o preferido de Rebeca, vivia na ânsia de ocupar um lugar que, tendo-lhe sido dado por Deus, dispensaria a utilização de artimanhas. Ele não permitiu que o seu lugar lhe fosse dado, mas usurpou-o Na verdade, ambos se tornaram homens inseguros, pois não havia alinhamento, cooperação, auxílio mútuo na relação de seus pais, quanto ao processo educativo de cada um deles, e um tinha muita influência de Rebeca e influência quase nula de Esaú, sucedendo o contrário com o outro. 

Acredito que não só cada um dos progenitores tinha nítida preferência por um dos filhos, como cada um agia de modo a ser, ele mesmo, o preferido do filho que preferia. O problema é que quando pai e mãe deixam de agir como uma equipa coesa, e passam a agir, individualmente, cada um com o objetivo de ser o preferido de um filho, destroem a coesão tão necessária para atingir os melhores resultados na educação dos filhos e sua preparação para o futuro, acabando por lhes passar valores errados.

O resultado da inexistência de união entre Isaque e Rebeca, no que respeitava à educação dos filhos ficou à vista: Jacó tornou-se manipulador, utilizando os seus trunfos (no caso, o facto de saber cozinhar bem), e Esaú tornou-se negligente, trocando uma bênção preciosa como era a primogenitura, por um prato de lentilhas.


Manter a lealdade na relação do Casal


A preferência demonstrada pelos filhos, levou ainda à deslealdade. Por um lado, a Bíblia não relata se Rebeca terá ou não partilhado com o marido os propósitos que Deus falara ao seu coração para os seus filhos, mas por outro também não sabemos se foi Isaque quem resistiu ao que Deus falara, ou quem estava mais desatento aos propósitos divinos. A verdade é que os propósitos de Deus sempre aconteceriam, mas poder-se-iam evitar algumas mágoas familiares.

Em Génesis 26, é relatada uma mudança na vida deste casal, pois Deus conduz Isaque a morar em Gerar. A partir do vers.6, é contada a vivência do casal naquele lugar: Rebeca era uma mulher muito bonita e Isaque temia que ela suscitasse desejo noutros homens. Por essa razão, em vez de proteger a sua esposa, Isaque foi desleal, tentando apenas proteger-se a si próprio, mentindo ao dizer que ela era sua irmã, com receio que o matassem para ficar com ela. Todavia essa situação foi descoberta pelo rei Abimeleque, e acabou, por misericórdia de Deus, por se reverter em proteção (veja-se os vers. 6-33).

Mais tarde, já fora daquele lugar, também Rebeca foi desleal para com Isaque. Se observarmos a passagem contida em Génesis 27:5-17, percebemos que Rebeca impulsionou Jacó a enganar e mentir a seu pai a fim de obter a benção que Isaque, naquele momento, destinara entregar a Esaú. Ao ouvir o que Isaque pretendia fazer, Rebeca, mulher determinada e ciosa das suas convicções quanto ao futuro de Jacó, caiu em deslealdade para com o seu marido. A sua preocupação em certificar-se de que a bênção ia para Jacó, seu preferido, levou-a a romper com a idoneidade, induzindo Jacó a enganar o próprio pai, e abdicando da transparência tão necessária a qualquer família. 

Vejamos os vers. 6-10: 

“ Então falou Rebeca a Jacó seu filho, dizendo: Eis que tenho ouvido o teu pai que falava com Esaú teu irmão, dizendo: “Traze-me caça, e faze-me um guisado saboroso, para que eu coma, e te abençoe diante da face do Senhor, antes da minha morte. Agora, pois, filho meu, ouve a minha voz naquilo que eu te mando: Vai agora ao rebanho, e traze-me de lá dois bons cabritos, e eu farei deles um guisado saboroso para teu pai, como ele gosta; E levá-lo-ás a teu pai, para que o coma; para que te abençoe antes da sua morte.”

 Não bastando a Rebeca a iniciativa de levar Isaque a enganar o pai para obter o que pretendia, elaborando ela própria o plano, ainda engendrou forma de tudo correr do modo planeado, cozinhando, de modo absolutamente cúmplice, o guisado e certificando-se de que o pai não se apercebia de estar perante o filho errado, como lemos nos vers. 15-17: “ Depois tomou Rebeca os vestidos de gala de Esaú, seu filho mais velho, que tinha consigo em casa, e vestiu a Jacó, seu filho menor; E com as peles dos cabritos cobriu as suas mãos e a lisura do seu pescoço; E deu o guisado saboroso e o pão que tinha preparado, na mão de Jacó seu filho.”


2.    O valor da primogenitura    -     Nos tempos bíblicos, o primogênito recebia certos direitos, responsabilidades e privilégios exclusivos. O filho primogênito do sexo masculino de um casal tinha prioridade e preeminência na família e recebia o melhor da herança. A nação de Israel é identificada como o "primogênito" de Deus na Bíblia (Êxodo 4:22; Jeremias 31:9); em outras palavras, Israel ocupava um lugar especial de privilégio e bênção entre as nações.

Os povos das culturas antigas davam grande valor ao filho mais velho, atribuindo-lhe benefícios e obrigações distintas. O primogênito do sexo masculino era importante porque se acreditava que ele representava o auge da força e da vitalidade humana (Gênesis 49:3; Salmo 78:51) como o "abridor do ventre" (Êxodo 13:2, 12, 15; Números 18:15; Lucas 2:23). Como resultado, o filho primogênito se tornava o principal herdeiro da família. O direito de primogenitura envolvia uma porção dupla dos bens da casa e a liderança da família caso seu pai ficasse incapacitado ou se ausentasse por algum motivo (Deuteronômio 21:17). Após a morte do pai, o filho mais velho geralmente cuidava de sua mãe até a morte dela e sustentava suas irmãs solteiras.

No Antigo Testamento, os primogênitos humanos - e os animais - eram considerados sagrados para Deus (Gênesis 4:4; Êxodo 13:1-2; Levítico 27:26; Números 3:11-13; Deuteronômio 15:19-23). Depois que Deus resgatou Israel da escravidão no Egito, ordenou que o povo consagrasse a Ele todo primogênito humano do sexo masculino e todo primogênito animal (Êxodo 22:29-30). A dedicação era uma lembrança da grande libertação de Deus e um sinal para seus filhos de que Deus os havia tirado do Egito (Êxodo 13:11-16).


3.    Esaú vende seu direito à primogenitura    -     O primogênito podia vender seus direitos, como Esaú fez com Jacó (Gênesis 25:29-34). Ao fazer isso, "Esaú desprezou o seu direito de primogenitura" (Gênesis 25:34). O autor de Hebreus advertiu seus leitores: "Ninguém seja imoral ou profano, como Esaú, que por uma simples refeição vendeu o seu direito de primogenitura. Porque sabeis que, mais tarde, querendo ele ainda herdar a bênção, foi rejeitado; e não achou lugar de arrependimento, ainda que o buscasse com lágrimas" (Hebreus 12:16-17). Ao assumir levianamente sua posição de primogênito, Esaú pecou contra Deus e sua família.

Os direitos do primogênito também poderiam ser perdidos, como foi o caso de Rúben, o filho primogênito de Jacó (Gênesis 49:3-4). Rúben dormiu com Bila, a concubina de seu pai (Gênesis 35:22), um ato que demonstrou o maior desrespeito por seu pai e sua família. Jacó negou a Rúben a bênção do primogênito por causa desse pecado (Gênesis 49:4). De fato, Jacó também negou a bênção do primogênito aos dois filhos mais velhos seguintes, devido à violência deles contra os siquemitas (Gênesis 49:5-7; cf. Gênesis 34).

A importância do primogênito atinge seu ápice nas Escrituras na pessoa de Jesus Cristo. Todas as implicações anteriores do papel do primogênito na Bíblia servem para iluminar a preeminência de Cristo sobre toda a criação e na família de Deus.

O Novo Testamento descreve Cristo como o "primogênito" várias vezes. Em um sentido terreno, Jesus é o filho primogênito de Maria (Lucas 2:7), e Ele foi dedicado de acordo com a lei (Lucas 2:22-24). Espiritualmente, Jesus é o "primogênito entre muitos irmãos e irmãs" no corpo de Cristo (Romanos 8:29). Em Colossenses 1:15, o apóstolo Paulo escreve: "O Filho é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação". Esse uso do título de primogênito para Cristo ecoa o texto do Salmo 89:27-29, onde Deus diz o seguinte sobre o rei Davi: "Também lhe darei o direito de primogenitura e o tornarei o mais exaltado dos reis da terra. Eu o conservarei para sempre no meu amor, e minha aliança com ele permanecerá firme. Farei sua descendência subsistir para sempre, e o seu trono, enquanto existirem os céus."

No livro de Hebreus, Cristo é "herdeiro de todas as coisas" (Hebreus 1:2) e o "primogênito de Deus no mundo" (Hebreus 1:6). Assim como o filho primogênito é o cabeça de sua família terrena depois do pai, Jesus Cristo é o cabeça do corpo de Cristo - a igreja - depois de Deus, o Pai (Efésios 1:20-23; Colossenses 1:18, Hebreus 2:10-12). Assim como o filho primogênito recebe a maior herança de seu pai, Jesus Cristo recebe o mundo como Sua herança. Deus diz a Seu Filho: "Pede-me, e te darei as nações como herança, e as extremidades da terra como propriedade" (Salmo 2:8).

Como ponto de esclarecimento, o termo primogênito em relação a Jesus não sugere que Ele seja um ser criado. O Filho de Deus existe há toda a eternidade junto com o Pai e o Espírito Santo. Jesus é totalmente Deus (João 1:1-3). Ele assumiu a carne humana para que pudesse se tornar nosso Salvador e servir como o Mediador entre a humanidade e Deus (1 Timóteo 2:5). Quando as Escrituras se referem a Cristo como o "primogênito", a mensagem é que a supremacia, a soberania e a prioridade de Cristo se estendem sobre todas as coisas e todos os outros seres.

Ao pagar pelo nosso pecado, Jesus Cristo sofreu a morte, mas também se tornou "o primogênito dentre os mortos" (Apocalipse 1:5); ou seja, Ele venceu a morte e é a primeira pessoa a "nascer" para a vida eterna depois de morrer. Pela graça de Deus, por meio da fé em Jesus, nós também podemos receber a vida eterna (Efésios 2:1-10; João 3:16-18). Por meio de Sua morte e ressurreição, Jesus é as "primícias" que garantem a ressurreição futura e a vida eterna de muitos outros filhos e filhas de Deus (1 Coríntios 15:20-23). Como Ele mesmo disse: "Porque eu vivo, vós também vivereis" (João 14:19).



                III.     REBECA INDUZ JACÓ AO PECADO


1.     Isaque manda Esaú preparar um guisado    -    Gênesis 27 começa mostrando um Isaque já velho e debilitado. Ele já não enxergava mais e pensava que o fim de sua vida havia chegado. Então ele chamou seu filho mais velho, Esaú, e lhe pediu que ele lhe preparasse uma refeição saborosa com carne de caça.

O próprio Isaque deixa claro que seu objetivo era comer a refeição que ele tanto apreciava feita por seu filho mais velho, e então abençoá-lo antes de sua morte (Gênesis 27:4). Era costume naquele tempo, por ocasião de uma despedida ou da morte iminente, que o líder da família desse sua bênção.  Mas na família de Abraão o significado espiritual dessa bênção era singular. Isso porque aquele que fosse abençoado se tornaria o herdeiro das promessas de Deus. Então aquele era um momento decisivo na família da aliança.

Além disso, Jacó se mostrou preocupado em seu pai perceber sua trapaça. Caso isso acontecesse, ele sabia que poderia ser amaldiçoado ao invés de abençoado (Gênesis 27:12). Mas Rebeca assumiu a responsabilidade e disse que a maldição poderia cair sobre ela (Gênesis 27:13). Notavelmente Jacó não se mostrou nenhum um pouco incomodado se o plano de sua mãe era moralmente aceitável ou não. Ele estava apenas preocupado com a possibilidade de o plano dar errado.

Jacó fez tudo conforme Rebeca lhe pediu. Após preparar a refeição de carne que Isaque apreciava, Rebeca também vestiu Jacó com a melhor roupa de Esaú que ela tinha em sua casa. Para disfarçar as diferenças entre Jacó e Esaú, Rebeca cobriu as mãos e o pescoço de Jacó com a pele dos cabritos que ela tinha preparado.


2.    O plano de Rebeca    -    Tempos depois, sendo Isaque já velho, chamou Esaú e fez um pedido e uma promessa. O patriarca queria comer um delicioso prato preparado pelo caçador Esaú, para em seguida abençoar seu filho mais velho (Gn 27.1-4). Esaú foi caçar. Rebeca, escutou a conversa. Imediatamente, chamou Jacó e explicou o plano para enganar Isaque, que estava cego, e, assim, tomar a benção de Esaú (Gn 27.5-13). Note que Esaú deveria ter participado ao Pai que havia vendido o direito de primogenitura para Jacó. Teria evitado muito transtorno para a família.

Rebeca fez a refeição. Depois pegou a melhor roupa de Esaú para vestir Jacó. Para ficar perfeito o disfarce, cobriu as mãos e o pescoço de Jacó com pelo de animais, pois Esaú era peludo e o filho mais novo não (Gn 27.15,16). Disfarçado, com o coração cheio de mentiras e apoiado pela mãe, Jacó enganou o pai e recebeu a benção que havia comprado no lugar de Esaú (Gn 27.18-29). Jacó e sua mãe deveriam ter contado a verdade a Isaque e reivindicado o direito comprado.


3.     As consequências dos atos de Jacó     -       “A forma como reagimos a um dilema moral costuma revelar nossos verdadeiros motivos. Em geral, ficamos mais preocupados em ser pegos do que em fazer o que é certo. Jacó não pareceu preocupado quanto ao plano enganoso de sua mãe; sua única preocupação era apenas a de ser pego enquanto o executava. Se você tem a preocupação de ser apanhado, está provavelmente em posição não muito honesta.

Faça deste medo um alerta e aja de forma íntegra. Jacó pagou um alto preço por executar um plano desonesto. Jacó hesitou ao ouvir o plano enganoso de Rebeca. Embora o houvesse questionado pelo motivo errado (medo de ser pego), ele protestou e ainda lhe deu uma chance para reconsiderar. Rebeca, porém, estava tão envolvida no plano que não conseguia mais ver com clareza o que fazia […]. [Por fim], embora Jacó tivesse recebido a bênção desejada, o fato de ter enganado seu pai custou-lhe muito caro. Eis algumas consequências daquele engano:

(1) Jacó nunca mais viu sua mãe; (2) seu irmão quis matá-lo; (3) ele foi enganado por seu tio, Labão; (4) sua família dividiu-se devido a conflitos; (5) Esaú tornou-se o fundador de uma nação inimiga; (6) Jacó ficou exilado de sua família durante anos” 

Jacó permaneceu exilado de sua família por 20 anos. Ele fugiu de Canaã para Padã-Arã para escapar da ira de seu irmão Esaú.

Durante esse período na casa de seu tio Labão:

14 anos foram trabalhados para casar com Lia e Raquel.

6 anos foram trabalhados em troca de seus rebanhos]

Após esse ciclo de 20 anos, Jacó retornou para Canaã para se reconciliar com sua família.



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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio Homens dos quais o Mundo não era digno - Pr. Elinaldo Renovado - Editora CPAD

Genesis - Série Cultura Bíblica - Derek Kidner

Fontes: Teólogo Internacional (Fabiano Souza), Pecador Confesso (Hubner Braz), Revista EBD (PECC)

Isaque - Sermão de 14/08/2022

Igreja Lighthouse - Lições Aprendidas com Isaque e Rebeca – Parte 2

Por que o primogênito é tão importante na Bíblia? | GotQuestions.org/Portugues

EBD NA TV - Pr. Henrique, 99-99152-0454 Wh, Família Cristã Church, Cajamar, SP - YouTube @PrHenrique: Escrita, Lição 9, CPAD, Jacó e Esaú - Irmãos em Conflito, 2Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV

Estudo de Gênesis 27: Esboço e Comentário Bíblico