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sexta-feira, 27 de março de 2026

LIÇÃO 01 - ABRAÃO: SEU CHAMADO E SUA JORNADA DE FÉ.

 

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II


            TEXTO ÁUREO

"Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei." ( Gn 12.1)


            VERDADE PRÁTICA

O chamado de Deus na vida de Abrão e na nossa exige obediência irrestrita. fé e perseverança.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gênesis 12. 1-9


                    INTRODUÇÃO


Abrão estava em sua casa, certamente em suas atividades rotineiras, quando, de forma surpreendente, Deus o chamou para cumprir uma grande e extraordinária missão. Diz a Bíblia: “Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gn 12.1). Para qualquer pessoa, um chamado dessa natureza causaria muita perplexidade. E, para um homem como Abrão, que já tinha por volta de 75 anos, sem dúvida alguma, deve ter gerado um impacto emocional que ele jamais havia experimentado. Deixar sua terra já seria muito difícil para um ancião, porém mais difícil ainda era deixar seus parentes, a casa de seu pai, de sua grande família, com quem já estava bem acostumado. 

Deus apresentou tamanhas condições para que pudesse cumprir sua vontade na vida do patriarca. Após dizer o que esperava de Abrão, Deus acrescentou que o enviaria a uma terra que lhe seria mostrada, depois que ele obedecesse à sua voz (Gn 12.1). Não deve ter sido fácil para Abrão atender àquele chama do divino. Todavia, Deus não faz nada sem condições e sem propósitos elevados. Além disso, quando Ele chama alguém, já terá analisado todo o seu perfil, em termos espirituais, morais, emocionais e de toda a ordem, segundo o seu propósito. Deus vira no patriarca um homem que cria nEle. 

E o chamou e fez-lhe uma promessa tão grande que, ainda hoje, está se cumprindo. Para que Deus cumprisse a promessa de fazer de Abrão “uma grande nação” (Gn 12.2) e abençoar os que o abençoassem, bem como amaldiçoar os que o amaldiçoas sem (Gn 12.3). Abrão teve de obedecer, deixar sua parentela, sair do seio de sua família e de sua terra, para um lugar que desconhecia. Sendo um homem de fé, quando ele atendeu ao chamado de Deus, todas as promessas divinas se cumpriram em sua vida e na sua família. Outras promessas Deus deu a Abrão, quando ele obedeceu à sua voz: “E te farei frutificar grandissimamente e de ti farei nações, e reis sairão de ti” (Gn 17.6). Lembremo-nos de que Abrão já era bastante idoso, e que sua esposa era estéril! Como parte da aliança com Abrão, Deus exigiu que todos os machos, seus descendentes, não só seus filhos, mas também os servos de sua casa fossem circuncidados, para que tivessem sempre a aprovação de Deus (Gn 17.10-14,23). 

Além de ser um homem de fé, Abrão era um homem obediente. Tendo em vista o chamado de Deus a Abrão, as mudanças em sua vida não se limitaram à mudança de lugar e de geografia. Deus não mudou somente o seu nome, mas o de sua esposa que antes se chamava Sarai, que significa “minha princesa”, “minha senhora”, para Sara, que tem o significado de “mãe das nações” (Gn 17.16). Por intermédio dela, Deus tinha um maravilhoso plano a cumprir, na linhagem real, que incluiu a vinda do Messias, o Rei dos reis e Senhor dos senhores. Tempos depois, quando Deus chamou Isaque declarou que Abraão obedeceu integralmente a sua voz: “porquanto Abraão obedeceu à minha voz e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis” (Gn 26.5). Ele foi um homem de fé e um exemplo na obediência a Deus.

                CURIOSIDADE DA LIÇÃO:

O pai de Abraão, era idólatra (Não Abrão)

A Bíblia indica que Terá, o pai de Abraão, era idólatra. Em Josué 24:2, é declarado que os antepassados de Israel, incluindo Terá, "adoravam outros deuses" além do rio Eufrates, na Mesopotâmia. Tradições judaicas sugerem que ele também fabricava ídolos.

 

Pontos principais sobre Terá e a idolatria:

·        Contexto Cultural: A família de Abraão vivia em Ur dos Caldeus, um grande centro de adoração ao deus da lua, Nannar.

·        A Bíblia Menciona: O livro de Josué deixa claro que a família de Abraão era pagã antes do chamado de DEUS.

·        O Chamado de Abraão: A escolha de Abraão por DEUS é vista como um ato soberano, tirando-o do meio da idolatria de seu pai e de sua terra natal

 

·        Tradições sobre Terá: Além de Josué, tradições judaicas retratam Terá como um comerciante de ídolos que ficou irritado quando Abraão, ainda jovem, começou a questionar e rejeitar essa adoração.

 

Abrão não se corrompeu com a idolatria alastrada em meio a sua família e parentes, por isso mesmo DEUS disse para ele sair do meio de sua parentela.

Abrão não era idólatra, assim como Noé que viveu em meio a uma geração corrompida e não se corrompeu.

A Bíblia não diz que Abrão e seu pai adoravam deuses - A bíblia diz que Terá, pai de Abrão era idólatra e seus parentes. Se olharmos na sobreposição da vida de homens da linhagem de Noé veremos que Abrão viveu ainda na época de Sem que nunca seria idólatra e dava testemunho de seu pai que foi chamado por DEUS exatamente por não ser idólatra no meio de uma geração idólatra. Abrão não se corrompeu com a idolatria alastrada em meio a sua família e parentes, por isso mesmo DEUS disse para ele sair do meio de sua parentela.

 

Abrão deve ter morado no máximo 35 anos em Harã.

Ele saiu de Harã com 75 anos para descer a Canaã (Gn 12.4), após ter morado em Harã? Ele já saiu de Ur dos Caldeus casado com Sarai, seu sobrinho Ló não era mais criança, então o irmão de Abrão não era mais jovem, portanto, Abrão deve ter morado em Harã por 30 anos, ou o máximo 35 anos. 


                I.    DEUS CHAMA ABRÃO


1.    A fé de Abrão diante do chamado ( Gn 12.1)     -    Abrão ouviu a voz de Deus, por volta do ano 1800 a.C., chamando-o para ser um dos personagens mais importantes da história sagrada, descrita na Bíblia. Ele se encontrava com seu pai, em Harã, uma cidade importante do Império Assírio. 

O nome Harã é mencionado primeiramente na Bíblia como sendo o lugar para o qual Tera viajou a partir de Ur dos caldeus. Tera morreu nesse lugar e foi lá que Abraão recebeu o chamado de Deus para deixar seus parentes e ir para Canaã. Abraão partiu com sua mulher e seu sobrinho Ló, enquanto os outros membros do clã permaneceram na cidade (Gn 11.3 D l 2.4). Embora não esteja especificamente afirmado, Harã era aparentemente o lugar onde o servo de Abraão, ao procurar uma esposa para Isaque, encontrou Rebeca junto ao poço; ainda pode ser visto o local tradicional desse poço. Mais tarde, Jacó fugiu para seu tio Labão que vivia em Harã, ou em suas proximidades (Gn 28.10), e lá permaneceu durante 20 anos antes de retornar à sua casa (Gn 28-30).

 Hoje, corresponde à cidade de Harran, ao sul da Turquia, mas, na verdade, Deus olhou para Abrão desde quando ele estava na terra de seus pais, na Caldeia.

Ao ouvir aquela determinação, Abrão não questionou Deus. Não ponderou que já era um homem bastante idoso, de quase oitenta anos e que já estava bem onde morava. Não! Ele simplesmente creu e tomou as providências para se mudar para o lugar destinado por Deus. A experiência da vida cristã nos mostra que, para a fé ser aprovada pelo Senhor, normalmente, ela tem que ser provada. Nunca alguém pode dizer que tem fé se não passar por momentos de prova em sua vida.


2.    A promessa para Abraão    -      Além disso, as promessas feitas a Abrão ultrapassaram o âmbito de sua vida particular, familiar e nacional, e incluíam toda a humanidade. Podemos demonstrar sete promessas de Deus a Abrão que marcaram a sua história e a de seus descendentes até os dias de hoje.

 2.1. Deus prometeu fazer dele “uma grande nação” Antes de chamar Abrão, Deus se revelava a um povo único na Terra. Não havia distinção entre gentios e judeus ou israelitas. Porém, a partir do chamado de Abrão, a promessa de Deus foi a de fazer dele, ou a partir dele, “uma grande nação”, que se tornou a nação israelita, ou dos judeus. Ele é considerado o primeiro patriarca de Israel. Por isso, também é chamado de “o pai da nação de Israel”. Diz o texto bíblico: “Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação [...]” (Gn 12.1 -2a). Aqui, vemos a origem da nação israelita.

2.2. Deus prometeu abençoá-lo (Gn 12.2b) “[...] e abençoar-te-ei”. Uma das características mais marcantes de Deus no relacionamento com seus servos é a de abençoador. Ele tem prazer em abençoar os que o amam e o servem “em espírito e em verdade” Jo 4.23). Quando Deus fez o ser hu mano, homem e mulher, seu projeto era que o ser criado fosse abençoado eternamente. Teria vida eterna; nunca envelhecería e jamais morrería; teria uma vida plena de paz, alegria, saúde e felicidades; e, o mais importante, teria o contato permanente e pessoal com o Criador. Deus falava com o homem todos os dias, antes da Queda. “E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim” (Gn 3.8). O texto de Gênesis nos dá a entender que, diariamente, pela viração do dia, ou nos finais de cada tarde, o próprio Deus visitava o casal e interagia com ele. Infelizmente, porém, usando mal a sua liberdade, ou livre-arbítrio, o ser humano preferiu ouvir a voz do Maligno e desprezou a voz de Deus. Com a entrada do pecado (Rm 5.12) no coração do ser criado, este perdeu a bênção de desfrutar da gloriosa presença pessoal de Deus no jardim do Éden. 

2.3. Deus prometeu engrandecer o seu nome (Gn 12.2c) Abrão só era conhecido em sua terra. Jamais imagina ria, sendo um personagem tribal, ter um nome tão famoso e importante para os judeus, e para toda a humanidade, além de ser um personagem especial para a Igreja de Jesus. Abrão, cujo significado era, em hebraico, “pai exaltado”, era o nome original de Abraão, que foi mudado quando ele tinha 99 anos, com o novo significado de “Pai da multidão de nações”. Seu nome foi engrandecido por Deus de forma que ele nunca imaginou.

2.4. Deus prometeu fazer dele “uma bênção” (Gn 12.2d) A cada pessoa chamada por Deus para alguma missão há um preço a pagar, em termos espirituais, emocionais e de outras ordens, mas também Deus tem propósitos elevados e promessas gloriosas para aqueles que são chamados. Abrão não foi apenas uma bênção para Israel e para toda a humanidade. Ele foi uma bênção para sua família. Isaque e Jacó se tornaram nomes influentes na história dos hebreus, da igreja e do mundo. Eles foram beneficiários das promessas de Deus a Abrão. Em comentários posteriores, veremos como seus filhos se tornaram patriarcas e instrumentos de Deus para o cumprimento das promessas feitas a seu pai, encontradas em Gênesis 12.1-3. E um ponto crucial da história bíblica. Ela registra um pacto entre Deus e Abrão, com a promessa de uma descendência numerosa e de bênçãos para todas as nações. A promessa de que Abrão seria uma bênção significa que ele e sua descendência seriam instrumentos para a manifestação do favor e da graça divina no mundo.

 2.5. Deus prometeu, em Abrão, abençoar todas as famílias da terra (Gn 12.2-3) Se não bastasse tamanha amplitude das promessas divinas a Abrão, Deus disse a ele: “E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Essa é uma das maio res promessas da parte de Deus para Abrão. Deus prometera abençoar a Abrão e fazer dele “uma bênção”, o que já significa uma grande consideração da parte do Senhor. Porém, em sua promessa ao patriarca, Deus estendeu sua bênção a todos os que o abençoassem e, por conseguinte, a seus descendentes, os filhos de Israel. A declaração de Deus sobre essa bênção é muito significativa, incisiva e muito forte, em termos espirituais e proféticos: “E abençoarei os que te abençoarem”.


3.    As bênçãos de Deus para Abrão   -    DEUS prometeu a Abrão transformar sua descendência em uma grande nação, dar-lhe a terra de Canaã e adjacências, engrandecer seu nome e torná-lo uma bênção, abençoando todas as famílias da terra por meio dele (Gênesis 12:1-3). Essas bênçãos incluíam proteção divina e uma descendência numerosa, estendendo-se também à sua posteridade que é CRISTO (Gl 3.16). 

Principais Bênçãos e Promessas:

·        Terra Própria: A promessa de Canaã como herança para seus descendentes.

·        Grande Descendência: Promessa de um povo numeroso e uma "grande nação".

·        Nome Engrandecido: DEUS prometeu tornar o nome de Abrão famoso e honrado.

·        Bênção Universal: Abrão seria uma fonte de bênçãos para todas as famílias da terra.

·        Proteção Divina: "Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem".

·        Prosperidade e Proteção: DEUS garantiu riqueza e provisão em sua caminhada. 

Essas promessas, frequentemente chamadas de Aliança Abraâmica, estabeleceram o alicerce para a nação de Israel e, segundo a teologia bíblica, estendem-se espiritualmente a todos os que creem, tornando-os herdeiros dessas bênçãos. 



                    II.     A OBEDIÊNCIA DE ABRAÃO A DEUS


1.    Atendendo o chamado     -    Devemos ressaltar, no entanto, que Abrão e Sarai eram bem idosos para nossos padrões de faixas etárias. Como a longevidade era muito grande, no seu tempo, o casal poderia ser considerado ainda “de meia-idade”. Aqui, temos uma lição para os que seguem a Cristo nos dias presentes. Ao se tornar cristão, o crente tem de abandonar muitas coisas de sua velha vida. Não precisa abandonar seus pais, ou a família, no sentido literal, mas tem que deixar de seguir as crenças, os costumes, a linguagem, marcados pela idolatria ou pela cultura de sua família. Sua decisão implica uma mudança completa em todas as áreas da vida. Diz o apóstolo Paulo: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17). 

Abrão atendeu ao chamado de DEUS (Gênesis 12) saindo de Harã aos 75 anos, deixando sua terra, parentela e segurança para ir a Canaã, um lugar desconhecido, confiando apenas na promessa divina de se tornar uma grande nação. Sua obediência foi imediata, agindo pela fé, mesmo sem saber o destino exato. 

·        A Atitude de Abrão: Ele partiu com sua esposa Sarai, seu sobrinho Ló e seus bens. Ele demonstrou fé, obediência e confiança ao deixar seu conforto para seguir a direção de DEUS.

·        A Jornada: Ao chegar em Canaã, DEUS apareceu a ele novamente e prometeu dar aquela terra à sua descendência. Em resposta, Abrão construiu altares ao Senhor como gesto de gratidão e adoração. 

Essa obediência foi o marco inicial para a formação do povo de Israel e destacou Abrão como um homem de fé.


2.    Um descuido     -     O descuido de Abrão foi ocasionado por levar seu sobrinho Ló consigo. Aconteceram alguns problemas com seu sobrinho (Gn 13.8,9).

DEUS mandou Abrão sair do meio da parentela de seu pai, mas ele levou consigo seu sobrinho Ló.
Ló era filho do irmão de Abrão, Harã, que faleceu ainda na terra de Ur. O pai de Abrão trouxe consigo Ló e Abrão na viagem rumo a terra de Canaã. Harã era irmão de Abraão e Naor (Gênesis 11:27).
O Pai de Abrão, Terá, levou Ló para Harã junto com Abrão e Sarai. Após a morte de seu Pai, Terá, em Harã, Abrão segue para Canaã e leva Ló, entretanto a mensagem era para sair do meio dos parentes! Mais à frente, no capítulo 13, é relatado divergências que aconteceram entre os pastores de Ló e de Abrão, e assim foi necessário realizar a separação dos dois. Ló escolhe a terra do pecado que lhe era linda a sua vista. Depois Ló é ameaçado de ser destruído junto com Sodoma e Gomorra e Abrão intercede por ele junto a JESUS (teofania).

Essa história nos lembra que a ordem dada pelo Senhor deve ser cumprida exatamente na medida. Não tente dar um jeitinho para você caber na situação. Se ele mandar ir, vá! Se ele mandar deixar ir, deixe! Não insista em quem não vale apena insistir. Ore e entregue ao Senhor. Peça mudança ao Senhor, mas não pense que você tem obrigação de tentar sempre! Quando DEUS diz basta, é porque acabou e o rumo tem que ser seguido em frente!


3.    A passagem por Harã    -   A passagem de Abrão por Harã foi uma etapa crucial de obediência antes de chegar a Canaã. Aos 75 anos, após a morte de seu pai Terá, Abrão deixou Harã obedecendo ao chamado de DEUS, levando sua esposa Sarai, seu sobrinho Ló e todos os bens adquiridos, conforme descrito em Gênesis 12:1-5 e Gênesis 12:4-5.

Postos-chave da passagem de Abrão por Harã:

· O Chamado e a Parada: DEUS ordenou que Abrão saísse da terra dos caldeus (Ur) e de sua parentela. A caminho de Canaã, a família de Abrão fixou residência em Harã, onde moraram até que seu pai, Terá, falecesse, informa o relato bíblico, como citado em Atos 7:2-4 e Gênesis 11:32.

· A Partida: Após a morte de seu pai, Abrão, aos 75 anos, obedeceu ao chamado de DEUS e saiu de Harã em direção a Canaã. Ele levou Sarai, Ló, seus bens e as pessoas que haviam adquirido em Harã.

· A Promessa: Ao sair de Harã, DEUS prometeu a Abrão torná-lo uma grande nação, abençoá-lo e engrandecer seu nome.

· Continuidade da Jornada: A jornada de Harã levou Abrão à terra de Canaã, passando por Siquém e indo para o carvalho de Moré, conforme Gênesis 12:4-6.

A saída de Harã marcou o início definitivo da trajetória de Abraão como um patriarca itinerante em direção à terra prometida.

 


            III.    AS LUTAS QUE ABRÃO ENFRENTOU AO CHEGAR A CANAÃ


1.   A dificuldade contra a fome    -     Mesmo com sua fé inabalável e tendo a companhia de sua esposa, que sempre esteve ao seu lado, como verdadeira adjutora em todas as experiências da vida, obedecer a Deus foi um grande desafio para Abrão e os que o acompanharam. Além de terem deixado “a terra de sua parentela”, em atenção à voz de Deus, levaram todos os seus bens móveis, toda a sua fazenda, todo o seu patrimônio adquirido ao longo dos anos. “Eles não desejavam ter nenhuma tentação de voltar. Por isso, não deixaram nem uma unha para trás, para que isto não os fizesse pensar na terra da qual saíram”.2 Essa é uma lição muito eloquente para quem aceita a Cristo como seu Salvador. Levar para sua vida com Cristo apenas o que é indispensável e coerente. Tudo o que não agrada a Deus, do antigo “Egito”, que é o mundo, que “jaz no Maligno”, velhos costumes, antigos comportamentos carnais, que afrontam a Deus, tudo que não é da vontade do Senhor, deve ser deixado para trás. Mas não deixaram para trás seus servos, que faziam parte do grupo social; certamente, eles também foram muito abençoados por Deus, por acompanharem Abrão para a Terra Prometida.

  

2.     A dificuldade de ir para o lugar certo    -   A jornada de Abraão (inicialmente Abrão) para o "lugar certo" — a terra de Canaã — foi marcada por obediência, mas também por dificuldades significativas, incertezas e desvios que testaram sua fé. Embora ele seja conhecido como o "pai da fé" por ter deixado sua terra natal, o caminho até a promessa não foi direto nem simples.
Principais dificuldades e desvios de Abraão:
· A Saída sem Destino Definido: A primeira grande dificuldade foi obedecer sem saber exatamente para onde ia. DEUS disse para sair de sua parentela e casa, prometendo mostrar a terra depois. Isso exigiu uma confiança cega no chamado de DEUS, saindo da zona de conforto (Ur e Harã) para o desconhecido.
· Fome na Terra Prometida: Logo ao chegar em Canaã, Abraão enfrentou uma severa fome. Esse teste foi difícil porque o lugar de bênção (Canaã) parecia não ter sustento, levando-o a duvidar e a sair do lugar certo para buscar recursos no Egito.
· O Desvio para o Egito e o Medo: No Egito, Abraão, com medo de ser morto por causa da beleza de Sara, mentiu dizendo que ela era sua irmã. Esse episódio mostra a falha humana e a dificuldade em confiar totalmente na proteção divina em um lugar estranho, resultando em perigo para sua família.
· A Presença de Ló (Influência Familiar): Abraão foi chamado para deixar sua parentela, mas levou Ló, seu sobrinho, o que causou conflitos e brigas entre os pastores, evidenciando que a presença de quem não foi chamado pode atrapalhar o foco no lugar certo.
· Demora na Promessa e Dúvida: Abraão esperou anos para que a promessa de um filho (Isaque) se cumprisse, o que gerou momentos de dúvida e desânimo, levando a tentativas humanas de cumprir a promessa, como o caso de Hagar.
· Ocupação Canaanita: Quando Abraão chegou a Canaã, a terra já era habitada pelos cananeus, o que significava que ele teve que viver como um estrangeiro em tendas, em vez de assumir a posse imediata da terra.
Lição da Jornada: Apesar desses desafios, Abraão continuou voltando para o local de sua fé (Betel), construindo altares e aprendendo a depender da providência de DEUS, e não apenas de suas próprias forças


3.   A dificuldade em falar a verdade    -    Um homem fora da direção de DEUS pode tomar decisões totalmente contrárias a vontade de DEUS. Um dos maiores descuidos, ou falhas de fé, de Abrão (mais tarde Abraão) foi mentir sobre sua esposa, Sara (então Sarai), ao dizer que ela era sua irmã. Esse episódio ocorreu quando ele desceu ao Egito devido a uma grande fome na terra de Canaã.
Detalhes do Descuido:
· Medo e Desconfiança: Com medo de ser morto pelos egípcios, que poderiam cobiçar a beleza de Sara, Abrão não confiou na proteção divina.
· A Mentira: Ele pediu que Sara dissesse ser sua irmã, o que levou o Faraó a levá-la para seu harém. Ele repetiu isso depois em Gerar com Abimeleque.
· Consequências: Como resultado da ação de Abrão, Sara ficou em perigo na casa do Faraó, e o Egito foi assolado por pragas, conforme descrito em Gênesis 12.
Este episódio é frequentemente citado como uma prova de que, apesar de ser um homem de fé, Abraão não estava livre de fraquezas e imperfeições humanas. Ele repetiu comportamento semelhante mais tarde com Abimeleque.

a) A Dificuldade no Egito (Gênesis 12:10-20)
· A Fome Severa: Após chegar a Canaã, uma fome severa forçou Abrão a descer ao Egito, conhecido como o "celeiro" da região devido ao Nilo.
· O Medo e a Mentira: Com medo de ser morto pelos egípcios por causa da beleza de Sara, Abrão pediu que ela dissesse ser sua irmã.
· Consequência: Sara foi levada para a casa de Faraó, e Abraão recebeu bens em troca, colocando em risco a promessa divina de descendência.
· Intervenção: DEUS castigou Faraó e sua casa com pragas, forçando-os a devolver Sara e expulsar Abraão.
b) A Dificuldade em Gerar (Gênesis 20)
· A Mudança para Gerar: Mais tarde, Abraão peregrinou na região de Gerar.
· Repetição do Erro: Por temor ao rei Abimeleque, Abraão mentiu novamente, dizendo que Sara era sua irmã.
· Intervenção Divina: Novamente, DEUS interveio, desta vez através de um sonho a Abimeleque, para impedir que ele tocasse em Sara.
· Desfecho: Abimeleque repreendeu Abraão, devolveu Sara e ofereceu riquezas, evidenciando que, apesar das falhas de Abraão, DEUS o protegeu.






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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.

Pr. Setorial – Pr. Saulo Marafon.

Pr. Local: Pr. Selmo Pedro.

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio Homens dos quais o Mundo não era digno - Pr. Elinaldo Renovado - Editora CPAD


sexta-feira, 20 de março de 2026

LIÇÃO 13 - A TRINDADE SANTA E A IGREJA DE CRISTO.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                    TEXTO ÁUREO

"Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo." (Mt 28.19)


                    VERDADE PRÁTICA

A redenção da igreja é uma obra conjunta da Trindade: o Pai elege, o Filho redime e o Espírito santifica, sustentando a fé e a missão da Igreja no mundo.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: 2 Coríntios 13. 11-13; 1Pedro 1. 2, 3



                    INTRODUÇÃO

A Santíssima Trindade é uma doutrina fundamental da fé cristã, e, também, a base da existência e da missão da Igreja de Cristo. Ela revela o agir cooperativo do Pai, do Filho e do Espírito Santo, de forma harmoniosa na criação, redenção, santificação e na comunhão da Igreja. Esse capítulo visa mostrar como a Trindade sustenta, guia e envia a Igreja para o cumprimento do seu papel no mundo. Compreender essa verdade fortalece a identidade da Igreja como povo de Deus.


                I.    A TRINDADE E O PLANO REDENTOR


1.    Eleitos segundo a presciência do Pai    -   A presciência é conhecer coisas ou eventos antes que existam ou aconteçam. Em grego, o termo para “pré-conhecimento” é prognóstico, que expressa a ideia de conhecer a realidade antes que ela seja real e os eventos antes que ocorram. Na teologia cristã, a presciência refere-se à natureza onisciente de Deus, pela qual Ele conhece a realidade antes que ela seja real, todas as coisas e eventos antes que aconteçam e todas as pessoas antes que existam.


Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento falam da presciência de Deus. Não há nada no futuro que esteja oculto aos olhos de Deus (Isaías 41:2342:944:6-846:10). Deus vê nossas vidas, nossos corpos e nossos dias mesmo antes de sermos concebidos: "Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles ainda existia" (Salmo 139:15-16).

Deus prometeu que abençoaria povos futuros por meio de Abraão (Gênesis 12:3). Deus disse a Moisés o que aconteceria com Faraó (Êxodo 3:19). Graças à presciência de Deus, os profetas falaram de um Messias vindouro (Isaías 9:1-7Jeremias 23:5-6). Por meio de Daniel, Deus revelou a futura ascensão e queda de alguns reinos (Daniel 2:31-457). E as profecias do Antigo Testamento são cumpridas no ministério de Jesus Cristo e na formação da Igreja de acordo com numerosas passagens do Novo Testamento (Mateus 1:224:148:17João 12:38-41Atos 2:17-213:22-25Gálatas 3:8Hebreus 5:61 Pedro 1:10-12).

O apóstolo Pedro ensina que Deus tinha conhecimento prévio da morte expiatória de Seu Filho muito antes de Jesus morrer (1 Pedro 1:20; veja também Apocalipse 13:8). A morte de Jesus na cruz fazia parte do plano eterno de salvação de Deus antes da fundação do mundo. No dia de Pentecostes, Pedro condenou aqueles que mataram Cristo, mas ao mesmo tempo ressaltou a soberania de Deus: eles receberam permissão para fazer o que quisessem com Cristo "conforme o plano determinado e a presciência de Deus" (Atos 2: 23). Embora governantes malignos conspirassem para matar o Senhor Jesus, a Sua morte foi preordenada por Deus (Atos 4:28).

A Bíblia nos ensina que os filhos de Deus foram escolhidos de antemão, e que a presciência de Deus tem a ver com a eleição. Os eleitos são aqueles que foram "eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo. Que a graça e a paz lhes sejam multiplicadas" (1 Pedro 1:2). "Pois aqueles que Deus de antemão conheceu ele também predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos" (Romanos 8:29).

Entretanto, a escolha dos eleitos não foi baseada simplesmente em Sua presciência dos eventos; mas em Seu beneplácito: "Antes da fundação do mundo, Deus nos escolheu, nele, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele. Em amor nos predestinou para ele, para sermos adotados como seus filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o propósito de sua vontade" (Efésios 1:4-5). Em Romanos 11:2, a presciência de Deus implica uma conexão eterna entre Deus e o Seu povo escolhido ou "pré-conhecido" por causa da Sua amorosa fidelidade: "Deus não rejeitou o seu povo, a quem de antemão conheceu."

A presciência de Deus é mais do que a Sua capacidade de "ver o futuro"; a Sua presciência é o verdadeiro "conhecimento" do que está por vir, baseado em Sua própria vontade. Ele determina o que vai acontecer. Ou seja, a presciência não é apenas intelectual; é algo pessoal e de relação.


2.    Redimidos pelo sangue de Cristo     -     Livramento de alguma forma de escravidão com base no pagamento de um preço por um redentor (q.v.). Redenção é um conceito básico para a visão bíblica da salvação. No AT, a redenção está integralmente associada à vida familiar, social e nacional de Israel. Um indivíduo israelita poderia agir como um redentor, pagando um resgate para a libertação de um escravo (Lv 25.48ss.), para recuperar um campo (Lv 25.23ss.), ao invés de sacrificar um macho primogênito (Êx 13.12ss.), e em favor de alguém que de outra forma seria condenado à morte (Êx 21.28 ss.).

Logo no início do AT, o Senhor DEUS revelou a si mesmo como agindo de forma redentora em favor do homem. Jacó invocou a DEUS como aquele “que me livrou de todo o mal” (Gn 48.15,16). DEUS declarou sua intenção de livrar Israel da servidão no Egito, dizendo: “Vos resgatarei com braço estendido” (Êx 6.6). Na maioria dos casos no AT onde é feita referência à atividade redentora de DEUS, A libertação efetuada é de natureza física e não espiritual (por exemplo, a libertação de Israel do Egito e da Babilônia). Mesmo estas libertações, porém, trazem em si um significado espiritual em que a libertação indicava que DEUS havia perdoado o pecado ou os pecados que diretamente ou indiretamente ocasionaram a calamidade. Em pelo menos um caso (Sl 130.8) a redenção referida é claramente de natureza espiritual, isto é, trata-se de uma redenção do pecado.

No NT, a redenção é estritamente uma atividade divina que é realizada por JESUS CRISTO e através dele (Ef 1.7; Gl 3.13; 4,5). Embora a atividade redentora de CRISTO tenha as suas manifestações físicas (por exemplo, a cura das enfermidades), seu principal significado é o resgate espiritual dos pecadores que estão escravizados no pecado (Mc 10.45). A libertação do pecador é assegurada com base no preço de resgate pago a DEUS PAI por JESUS CRISTO em sua morte na cruz (Tt 2.14; Hb 9.12; 1 Pe 1,18,19). Propiciação; Resgate; Reconciliação; Salvação, tudo está implícito.
A perfeição da obra redentora de CRISTO é claramente declarada no NT (Hb 9.25-28). No entanto, a experiência de redenção do indivíduo redimido só estará completa na segunda vinda de CRISTO para nos buscar (Lc 21.28; Rm 8.23; Ef 1.14).


3.    Santificados pelo Espírito Santo    -     O conjunto desse versículo revela a cooperação trinitária na salvação: o Pai elege, o Filho redime e o Espírito santifica. Essa tríplice perspectiva ratifica a economia da Trindade na história da redenção e mostra que a santificação não é mero esforço humano, mas resultado direto da atuação benevolente do Espírito, inseparável da obra redentora de Cristo e da habitação do Espírito.

O termo "santificação" gr. hagiasmós) denota tanto o ato inicial de separação do pecado quanto o processo contínuo de consagração a Deus. O vocábulo se refere à ação do Espírito que, aplicando a obra de Cristo, separa os eleitos do domínio do pecado e os consagra ao serviço do Reino de Deus. Como já visto nessa obra, reitera-se que a santificação é tanto instantânea quanto progressiva. Instantânea, porque no momento da conversão o crente é separado para Deus (l co I. 2); progressiva, porque envolve uma caminhada diária de renúncia ao pecado e crescimento na graça (2 co 3.18).

Sem essa ação do Espírito, a Igreja não passa de uma instituição humana destituída de vida espiritual. Essa compreensão molda a identidade da Igreja. Não basta professar a fé em Cristo, é preciso manifestar uma vida transformada. A santificação é tanto o sinal da eleição quanto a evidência do autêntico discipulado, que pela ação do Espírito: (i) vivifica, comunicando a vida de Cristo Jo 6.63; (ii) purifica, lavando e regenerando (l co 6.1 1); (iii) conduz, orientando no caminho da obediência Rm 8.14); e (iv) couforma a Cisto, moldando o caráter segundo o modelo do Filho (Ef 4.13).

Assim, a Igreja é continuamente chamada a andar no Espírito (Gl 5.25), em um processo de purificação e transformação que culminará na sua apresentação como uma noiva santa, gloriosa e irrepreensível diante do Cordeiro Ef 5.27). Não se trata de perfeição absoluta nesta vida, mas de um caminhar constante em novidade de vida. Como ensina Erickson, "a santificação é uma continuação do que foi iniciado na regeneração, quando uma novidade de vida foi conferida ao crente.



                II.     A IGREJA E A COMUNHÃO COM A TRINDADE


1.    Comunhão com o Pai    -    Henry traduz como "cuidado para não se afastarem do amor de Deus, ou de suas manifestações deleitáveis, alegres e vigorosas; mantenham-se nos caminhos de Deus e continuem no seu amor". Ô O alerta é para que os crentes não se distanciem da experiência, comunhão e segurança desse amor, o que acontece quando alguém escolhe viver no pecado ou na indiferença espiritual. O amor de Deus recebido deve ser cultivado e transmitido. Isso aponta para a perseverança em amar a Deus de todo o coração (Dt 6.5) e amar o próximo (Jo 13.34-35). E o chamado a permanecer firme no amor recebido e no amor praticado (l Jo 4.16,19). 

O termo enfatiza a responsabilidade constante do fiel em perseverar no âmbito do amor divino. Não se refere a conquistar o amor de Deus, uma vez que este já foi concedido em Cristo (Rm 5.8), mas de permanecer nele (Jo 15.9-10). A comunhão com o Pai envolve retribuir esse amor por meio da obediência e fidelidade. A permanência no amor divino abrange um aspecto duplo: (i) reconhecer o amor que Deus possui em relação aos pecadores (l Jo 3. l); e ii exercer o amor como um reflexo da regeneração I Jo 4.11-12). Dessa forma, o fiel deve cuidar do amor que lhe foi concedido por Deus, do amor que deve dedicar a Ele e do amor que deve ter para com os irmãos (l Jo 4.10-12). 

A comunhão com o Pai, portanto, manifesta-se não apenas em devoção individual, mas também em amor para com o próximo (l Jo 4.20). Estar no amor de Deus implica caminhar na sua vontade e guardar os seus mandamentos Jo 14.21). Não é meramente emocional, mas denota a verdadeira comunhão que se manifesta em uma \ida de santidade, temor e dependência divina FP 2.12). Paulo afirma que nada pode separar o crente do amor de Deus, que está em Cristo Jesus (Rm 8.35-39). Esse amor é o sustento da comunhão com o Pai e a garantia da perseverança do crente. Por isso, a Igreja é chamada a permanecer nesse amor, pois nele encontra a vitalidade de sua vida espiritual.


2.    Comunhão com o Filho    -   Desse modo, João declara categoricamente: "Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida" (l Jo 5.12). A comunhão com Cristo é condição indispensável para a posse da vida eterna. Essa comunhão, porém, é também uma antecipação da plenitude escatológica: "Quando Cristo [...] se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória" (Cl 3.4).

Nesse aspecto, o salvo já experimenta a realidade da vida eterna no presente, mas aguarda sua consumação no futuro. A comunhão com Cristo tem início na regeneração, pela fé. Paulo explica que os crentes, unidos a Cristo, participam de sua morte, ressurreição e nova vida Rm 6.4). Essa união com Cristo não é apenas simbólica, mas espiritual e real, de modo que a Igreja é chamada a morrer para o pecado e viver para Deus até glorificação final (Rm 6.5-6; 8.30). 


Essa comunhão também demanda vida prática em obediência. João declara: "aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou" I Jo 2.6, ARA). Boor expõe ser "impossível permanecer em Cristo e ao mesmo tempo andar caminhos completamente diferentes daqueles que ele andou"  Portanto, permanecer em Cristo é viver em conformidade com seu exemplo, refletindo seu caráter no mundo. Contudo, esse ensino não possui nenhuma conotação "legalista". Jesus não "andou" como um escriba e fariseu, mas como o Filho cuja alegria era cumprir os mandamentos do Pai (Jo 4.34; 15.10).9 Desse modo, a comunhão com o Filho implica regeneração, transformação de vida, perseverança, e, ainda, frutificação espiritual (Jo 15.4-5).


3.   Comunhão com o Espírito     -    A comunhão da Igreja com a Trindade não estaria completa sem a participação do Espírito Santo. Paulo, ao escrever aos Coríntios, almeja que a comunhão do Espírito Santo seja com todos os crentes (2 co 13.13c). Esse texto revela que a comunhão com o Espírito é tão essencial quanto a graça do Filho e o amor do Pai, sendo parte constitutiva da vida cristã. O termo grego koinonia, traduzido por "comunhão", indica participação, partilha, união íntima. Assim, a comunhão com o Espírito não é apenas relacionamento, mas uma cicla de cooperação, dependência e submissão à sua direção. O Espírito Santo, reafirma-se, é quem aplica no coração do crente a obra da redenção realizada pelo Filho e decretada pelo Pai (Ef l . 13-14).

Nesse sentido, Stronstad avalia que a "bênção final de Paulo expressa seu desejo de que os coríntios experimentem a plenitude do amor e da graça redentora de Deus através da ministração do Espírito Santo". IO A Escritura mostra que o Espírito habita no interior do crente (l co 6.19). Sua presença é a marca distintiva da nova aliança, tornando a comunhão com Deus algo permanente e real (Ef l. 13-14).

Além disso, a comunhão com o Espírito é marcada por ensino, consolo e direção Jo 14.26; Jo 16.13). Outra dimensão dessa comunhão é a santificação 2 Ts 2.13). E o Espírito quem opera a purificação do coração, moldando o crente à imagem de Cristo. Além da santificação, o Espírito concede dons e poder para o serviço no Reino de Deus (l co 12.7). Ele participa das fraquezas do crente, sustentando em oração e fortalecendo na esperança da glória futura Rm 8.16-17).


Em vista disso, Judas adverte os crentes a ser edificados "sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo" (Jd 20). O versículo evidencia que a vida espiritual genuína não é possível sem a ação constante do Espírito (Gl 5.25). A oração no Espírito não se resume a palavras, mas expressa intimidade ativa e dependente da sua direção Rm 8.26-27). O Espírito é o que promove a unidade no Corpo de Cristo (Ef 4.3). A comunhão com Ele insere o crente na dimensão espiritual onde há reconciliação, perdão e cooperação (Ef 4.30-32; FP 2.1-2). Assim, a verdadeira unidade cristã não ocorre por meio de celebrações, mas é preservada pelo Espírito, quando os crentes vem em comunhão e amor sacrificial (Ef 4.3; I co 12.12-13). E por meio dessa comunhão que a Igreja permanece, santa e frutífera, até o dia em que será plenamente glorificada em Cristo.



                III.    A IGREJA É ENVIADA PELA TRINDADE


1.    A missão dada pelo Pai     -      Acima, na figura ilustrativa temos um resumo do plano de salvação. DEUS PAI planejou a salvação, ou redenção, JESUS CRISTO a executou em seu ministério terreno e em sua morte na Cruz do Calvário e ressurreição, o ESPÍRITO SANTO vaticinou antes, deu poder e cuidou para que tudo fosse cumprido (1 Pe 1.2 - eleitos segundo a presciência de DEUS PAI, em santificação do ESPÍRITO, para a obediência e aspersão do sangue de JESUS CRISTO: graça e paz vos sejam multiplicadas). Presciência de DEUS PAI implica em que DEUS olhou o futuro antes de acontecer para o ser humano e viu o homem em pecado e condenação, providenciando assim um plano de redenção deste homem, sua salvação.

 
 DEUS anunciou diversas vezes e de diversas maneiras, pelos profetas, a vinda de seu FILHO como Salvador do mundo (Rm 1.2). Isso significa a participação do ESPÍRITO SANTO de modo que a promessa messiânica é acompanhada da promessa do ESPÍRITO (Is 32.15; 42.1,2; Is 61.1), confirmada no Novo Testamento (Mt 12.18; Lc 4.18-21). A salvação e a plenitude do ESPÍRITO são anunciadas de antemão no Antigo Testamento para todo o povo (Is 44.3; Jl 2.28-32).
 
A doutrina da salvação, chamada de Soteriologia, ocupa-se do estudo do plano salvífico (Ef 1.3-14), da obra de CRISTO (Rm 3.24-26), e da aplicação da salvação ao homem (Ef 2.8-10), de acordo com a Escritura. O termo procede do grego sōtēria, traduzido por “salvação”, “libertação” e “preservação”. Nos textos de Lc 1.69,71 e Hb 11.7, o vocábulo é usado com o sentido de “livrar ou preservar de um perigo eminente”. A palavra equivalente usada no Antigo Testamento é yeshû‘â (o nome JESUS no grego, procede desse termo hebraico, Mt 1.21), isto é, “salvação”, “livramento”. O termo hebraico é usado, em Gn 49.18, como referência à salvação do Senhor (ver Dt 32.15; 1 Sm 12.1), e, em Ez 37.23, com o significado de “livrar” dos pecados. Portanto, salvação, quer no Antigo ou Novo Testamento, significa libertação, livramento ou preservação de um perigo eminente.
 
A Bíblia ensina acerca da salvação; é um tema que se estende do Gênesis ao Apocalipse.
Salvação é uma palavra de amplo sentido, que abrange todos os atos e processos redentores, a saber: justificação, redenção, graça, propiciação, imputação, perdão, santificação e glorificação. A salvação procede de DEUS e não do homem. Foi concebida por DEUS o PAI,
consumada por JESUS o FILHO, e oferecida ao crente por intermédio do ESPÍRITO SANTO. O homem não teve participação alguma no plano de salvação. Resta-lhe apenas aceitar o Dom de DEUS. Tão logo o homem pecou, DEUS anunciou seu projeto para salvá-lo (Gn 3.15).
Salvação é palavra de profundo significado e de infinito alcance. Muitos têm uma concepção bastante pobre da inefável salvação consumada por JESUS, o que às vezes reflete numa vida espiritual descuidada e negligente, onde falta aquele amor ardente e total por JESUS, e busca constante de sua comunhão.

Salvação não significa apenas livramento da condenação do Inferno. Ela abarca todos os atos e processos redentores e transformadores da parte de DEUS para com o homem e o mundo através de JESUS, o Redentor, nesta vida e na outra.
A salvação é o resultado da redenção efetuada por JESUS, o meio que DEUS proveu para livrar o homem de seus pecados. Salvação é o usufruto desse livramento.
A doutrina da salvação diz respeito ao plano divino para restaurar o homem do pecado e, consequentemente, livrá-lo da condenação eterna.
CRISTO é o único caminho ao PAI. A salvação nos é concedida mediante a graça de DEUS, manifesta em CRISTO JESUS e está baseada na morte, ressurreição, e exaltação do FILHO de DEUS.
A doutrina em apreço pode ser estudada sob os vários aspectos da salvação.


2.    O Filho comissiona seus discípulos     -     Cristo, como o enviado do Pai, deixou claro que a missão da Igreja é a continuidade de sua própria missão: "Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós" Jo 20.21). D. A. Carson esclarece que "os apóstolos receberam a comissão de continuar a obra de Cristo, e não de começar uma outra". l - Portanto, o envio da Igreja pelo Filho é o seguimento do plano trinitário de salvação, e envolve proclamação, ensino, batismo e discipulado. A Igreja não atua por iniciativa própria, mas, sim, como instrumento comissionado e capacitado pelo Cristo ressuscitado, chamada a ser testemunha da graça, verdade e amor de Deus em todo o mundo (Mc 16.15-16).


3.    O Espírito capacita e envia    -    No Novo Testamento, JESUS em um só dia fazia pelo menos 10 vezes mais milagres do que esses todos. Pedro, Estêvão, Filipe e Paulo também, em um dia só, eram usados em milagres pelo ESPÍRITO SANTO mais do que todos esses três foram usados no Antigo Testamento.

de sorte que transportavam os enfermos para as ruas e os punham em leitos e em camilhas, para que ao menos a sombra de Pedro, quando este passasse, cobrisse alguns deles. E até das cidades circunvizinhas concorria muita gente a Jerusalém, conduzindo enfermos e atormentados de espíritos imundos, os quais todos eram curados. Atos 5:15,16.

E Estêvão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. Atos 6:8
E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia, pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados. Atos 8:6,7
Aconteceu estar de cama enfermo de febres e disenteria o PAI de Públio, que Paulo foi ver, e, havendo orado, pôs as mãos sobre ele e o curou. Feito, pois, isto, vieram também ter com ele os demais que na ilha tinham enfermidades e sararam, Atos 28:8,9
 
 
Também o ESPÍRITO SANTO dava capacitação a pessoas para obras específicas, como a de profeta (Nm 12.6) ou a de liderança (Jz 6.34; 1 Sm 16.13). Essas habilitações eram espirituais: profecias (Nm 11.25), revelações (Ez 8.3) e milagres (1 Rs 18.12); também aptidões individuais, artísticas (Êx 31.3) e habilidades para liderança militar e política (Jz 3.10; Zc 4.6,7).
 
 
Pelo que entendemos, no Antigo Testamento, o ESPÍRITO SANTO vinha sobre aquele que DEUS escolheu para realizar determinada tarefa e depois o deixava até que nova tarefa fosse designada. Ou seja, não ficava residente como em nós que somos templo, morada do ESPÍRITO SANTO.
Todos os dons do ESPÍRITO SANTO foram manifestos no Antigo Testamento, mas não eram residentes naqueles que foram usados. Até mesmo o dom de línguas pode ser reconhecido em uma oportunidade, através de escolhidos para auxiliarem Moisés (Porém no arraial ficaram dois homens; o nome de um era Eldade, e o nome do outro, Medade; e repousou sobre eles o ESPÍRITO (porquanto estavam entre os inscritos, ainda que não saíram à tenda), e profetizavam no arraial. Números 11:26 - segundo alguns eruditos pode ser interpretado como falaram em línguas desconhecidas). Línguas também podem ser identificadas em Isaías (Pelo que, por lábios estranhos e por outra língua, falará a este povo, Isaías 28:11).

Moisés foi tremendamente usado em dons, bem como Elias (Cura, Fé (ressurreição de morto) e Milagre), Eliseu (Cura, Fé (ressurreição de morto), Milagre, Palavra de Sabedoria - revelação do futuro; Palavra de Conhecimento - revelação de estratégia de guerra do inimigo; discernimento de espíritos - visão de exército de anjos), Daniel (Palavra de Sabedoria - revelação do futuro; Palavra de Conhecimento - revelação de Sonhos e visões; Línguas e interpretação) e vários profetas (Palavra de Sabedoria - revelação do futuro). As profecias eram sempre usadas também no Antigo Testamento. DEUS usou tanto mulheres como homens e os capacitou com a unção do ESPÍRITO SANTO para exercerem suas funções no Antigo Testamento.




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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas, Douglas Baptisda- Editora CPAD

O que é a presciência na Bíblia? | GotQuestions.org/Portugues

EBD NA TV - Pr. Henrique, 99-99152-0454 WhatsApp, Min.Belém, SP - Canal YouTube @PrHenrique: Escrita Lição 13, CPAD, A Trindade Santa e a Igreja de CRISTO, 1Tr26, Com. Extras do Pr Henrique, EBD NA TV