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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

LIÇÃO 13 - A MISSÃO CONTINUA EM NÓS.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 



                    TEXTO ÁUREO

"Mas importa que o evangelho seja primeiramente pregado entre todas as nações." ( Mc 13.10)


                VERDADE PRÁTICA

Importa que a igreja pregue o Evangelho a todas as nações, pois essa missão deve avançar até os confins da terra.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Mateus 28. 18-20; Atos 1.8; Efésios 2. 13-18


                    INTRODUÇÃO

Igreja dos gentios não é um “plano B” (Ef 3.6). Ela surge não como um desvio do propósito divino, mas como a expressão plena do plano redentor de Deus revelado progressivamente nas Escrituras. O evangelho nasce no contexto judaico, mas desde o início carrega no seu DNA a vocação missionária universal, destinado a todas as nações.

A missão sempre foi global na essência. O propósito de Deus jamais se limitou a um povo, cultura ou geografia específica. A Grande Comissão revela autoridade, missão e presença de Cristo. A Grande Comissão de Jesus e o testemunho apostólico revelam que a Igreja não pode viver voltada para si mesma, mas ela existe para anunciar Cristo a todas as nações, formando discípulos e expandindo o Reino de Deus até os confins da terra. A Igreja dos gentios é fruto direto da obediência à ordem de Cristo e da ação poderosa do Espírito Santo.

Nossa identidade é missionária, e o crescimento da Igreja dos gentios é prova de que Deus chama todos os povos para o seu Reino. A missão de Cristo de levar o evangelho a todos os povos, incluindo os gentios (não judeus), é continuada pela Igreja e pelos cristãos mediante o testemunho da fé, da pregação e da ação em serviço dos outros, refletindo o amor de Deus manifestado em Jesus (At 10.34,35; Rm 1.16; 11.25). Assim, estudar esse tema é compreender quem somos e para que existimos como Igreja de hoje.


            I.    O MANDATO UNIVERSAL DE JESUS


1.    A autoridade de Cristo sobre todas as nações ( Mt 28.18)     -     Jesus fundamenta a missão da Igreja na sua autoridade absoluta em Mateus 28.18-20. Ao declarar que a sua autoridade suprema foi-lhe concedida pelo Pai (Dn 7.13,14), Cristo estabelece a base teológica da evangelização, afirmando, assim, o seu domínio supremo e o fundamento para a Grande Comissão, que o encarrega de fazer discípulos de todas as nações. Nenhuma cultura, poder político ou espiritual está fora do seu domínio (Cl 1.16-18).

 Essa autoridade foi conferida a Ele após a sua ressurreição, concedendo-lhe poder sobre todos os reinos espirituais e físicos, bem como sustentando a responsabilidade missionária dos crentes. Essa autoridade tem base na sua vitória sobre o pecado e a morte (Rm 1.4), na exaltação concedida pelo Pai (Fp 2.9-11) e no seu senhorio sobre toda a criação (Cl 1.16-18). A Igreja não anuncia uma mensagem própria, mas proclama o senhorio daquEle que reina soberanamente sobre toda a criação (Cl 1.18). A Igreja não age por iniciativa humana, mas por comissão divina. A Igreja não escolhe se quer ou não evangelizar; ela foi enviada (Jo 20.21), e a sua missão nasce da autoridade de Cristo.

A certeza dessa autoridade garante legitimidade à mensagem e gera ousadia missionária (At 4.12,13), especialmente em contextos adversos. Essa autoridade também sustenta a Igreja em meio às perseguições (At 5.41,42). Quem reconhece a autoridade de Cristo não se cala diante da necessidade espiritual do mundo. Evangelizamos não por iniciativa humana, mas sob a autoridade do Senhor do Universo. Hoje, a Igreja precisa reconhecer que a mesma ordem ainda está em vigor. A autoridade a nós delegada por Jesus garante a eficácia da missão.


2.    A ordem de fazer discípulos em todas as etnias ( Mt 28.19)     -     A ordem é fazer discípulos, não apenas convertidos. O discipulado começa quando uma pessoa confessa a sua fé em Jesus Cristo, representando o próximo passo na jornada espiritual de um novo convertido. O discipulado é um processo profundo que vai além da evangelização, pois envolve o ensino contínuo de doutrinas e valores (Mt 28.19,20), possibilitando a vivência diária da fé e a transformação pessoal do indivíduo para que este se torne um seguidor maduro de Cristo capaz de discipular outros (At 2.42; 2 Co 5.17), bem como ter compromisso com o Reino (Lc 9.23).

A maturidade espiritual é evidência de crescimento saudável (Cl 1.28). A Igreja cresce de forma saudável quando investe em formação espiritual. A ordem de fazer discípulos em todas as etnias, encontrada em Mateus 28.19, é comumente conhecida como a Grande Comissão. Essa passagem representa o mandamento final de Jesus Cristo aos seus seguidores antes da sua ascensão, estabelecendo a missão central da igreja cristã. Essa missão não é opcional, mas uma responsabilidade contínua de cada cristão e da Igreja como um todo, visando a expansão do Reino de Deus a todos os povos


3.     A promessa da presença de Cristo até o fim ( Mt 28.20)     -     Em Mateus 28.20, Jesus promete que estará constantemente presente com os seus seguidores, não se limitando a momentos específicos, mas “todos os dias” até a “consumação dos séculos” ou “fim dos tempos”, indicando a sua permanência eterna. Em momentos de dificuldade, luta, ansiedade ou depressão, a promessa de Jesus traz o consolo de que os crentes não estão sozinhos.

Essa é uma das principais promessas bíblicas que asseguram aos crentes que Jesus certamente os acompanhará na missão de disseminar o evangelho não só com a sua presença física, mas mediante o Espírito Santo, da Igreja e em atos de amor aos necessitados.

Essa promessa é crucial para o sucesso da Grande Comissão, pois assegura que a missão de Cristo será realizada em todo o mundo, impulsionando o testemunho dos crentes. Nossa missão hoje é continuar sendo testemunhas fiéis, anunciando a Cristo até que Ele volte para buscar a sua noiva.

Essa promessa é a base da confiança missionária, a certeza de vitória. A missão não é solitária, pois Cristo caminha conosco (ver Hb 13.5b,6). Essa certeza oferece força, esperança e a garantia de que a missão de Cristo será cumprida em todo o mundo, apesar das adversidades.

A presença contínua de Cristo sustenta a missão (ver Mt 28.20). Essa promessa garante consolo, fortalece a perseverança e sustenta a Igreja até a consumação. A Igreja cresce sustentada pela fidelidade do Senhor (Hb 13.5). A missão é desafiadora, mas jamais solitária.


                II.    O PODER DO ESPÍRITO SANTO NA MISSÃO


1.    A capacitação do Espírito Santo para testemunhar ( At 1.8a)    -     O Espírito Santo é o agente que capacita a igreja missionária. Não há missão eficaz sem Ele (At 1.8). O crescimento não é apenas estrutural, mas espiritual. O Espírito capacita para testemunhar (At 4.31), concede dons para edificação (1 Co 12.7) e convence o mundo do pecado (Jo 16.8). Evangelizar é cooperar com a ação do Espírito Santo, que dá poder, ousadia e sabedoria para vencer barreiras (Lc 24.49). O poder não é meramente humano, mas uma capacitação divina e ilimitada que permite aos crentes viver em santidade e comunicar eficazmente as verdades do evangelho, resultando na convicção dos ouvintes e na expansão da obra missionária por toda a terra.

Essa capacitação consiste no poder para testemunhar (dynamis). Não se trata de um poder para controle ou dominação, mas a força e a autoridade espiritual para proclamar e viver o evangelho mesmo diante de oposição e perseguição. É um revestimento (epíduō), como uma roupa que confere autoridade e capacidade, o Espírito Santo “veste” o crente com poder para a sua missão.

O Espírito Santo torna os crentes instrumentos para continuar a obra de Jesus, capacitando-os para falar, agir e viver como Ele. A capacitação do Espírito permite que o testemunho seja espalhado de um ponto central (Jerusalém) para regiões vizinhas (Judeia, Samaria) e, por fim, o mundo todo, quebrando barreiras étnicas e culturais, como visto com os samaritanos (At 8). O Espírito concede dons e sabedoria para servir à Igreja e para entender as Escrituras, guiando os crentes nas suas decisões e na proclamação da verdade.

Em suma, a capacitação do Espírito Santo é o dom fundamental que permite aos crentes serem testemunhas eficazes de Jesus Cristo não por sua própria força, mas pelo poder sobrenatural de Deus, permitindo que o evangelho alcance todas as nações. O Espírito Santo não apenas equipa quem testemunha, como também atua no coração dos ouvintes, convencendo-os do pecado, da justiça e do juízo (ver Jo 16.8-11).


2.    A expansão geográfica e espiritual do Evangelho ( At 1.8b)    -    Havia muito tempo, Israel havia perdido sua independência política e estava sob o domínio de povos estrangeiros. Eles alimentavam a esperança de que um dia a mesa iria virar e Israel assumiria o comando político do mundo. No entendimento dos discípulos, o reino já pertencia a Israel. Agora, eles aguardavam apenas o tempo em que esse reino lhes seria restituído. William Barclay assim descreve esse sentimento judaico:

O centro da mensagem de Cristo era o reino de Deus (Mc 1.14). Mas o problema era que ele queria dizer uma coisa por reino e aqueles que o escutavam pensavam em outra. Os judeus estavam sempre conscientes de que eram o povo escolhido de Deus. Criam que isto significava que estavam destinados inevitavelmente a receber honras e privilégios especiais e a dominar o mundo. O curso da história, porém, mostrava que isso era impossível. A Palestina era um país muito pequeno, de apenas 200 km de comprimento por 60 de largura. Teve seus dias de independência, mas estava, havia muitos séculos, submetida sucessivamente a Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma. Desse modo, os judeus começaram a esperar um dia em que Deus entraria diretamente na história humana para colocá-los no topo do mundo. Concebiam o reino em termos políticos. Esperavam um reino estabelecido pelo poder, e não pelo amor.

Jesus corrigiu essas falsas noções a respeito da natureza, extensão e chegada do reino, mostrando que o reino é espiritual quanto ao caráter, internacional quanto aos membros, e gradual quanto à expansão. Três eram as ideias equivocadas dos discípulos acerca do reino.

1. Eles pensavam que o reino era terreno em vez de espiritual. O reino de Deus não é um conceito territorial. Não consta de nenhum mapa geopolítico. E era exatamente isso o que os apóstolos tinham em mente ao confundir o reino de Deus com o reino de Israel.44 O reino de Deus não é terreno, mas espiritual. Seu trono é estabelecido no coração das pessoas, não nas embaixadas dos governos. Onde um escravo do pecado é libertado e onde um súdito do reino das trevas é transportado para o reino da luz, aí se estabelece o reino de Deus. O reino de Deus não é implantado pelo poder da baioneta nem pela força das armas, mas pela ação transformadora do Espírito Santo. Marshall diz que Jesus transformou a esperança judaica do reino de Deus, purgando dela os seus elementos políticos nacionalistas.

2. Eles pensavam que o reino era regional em vez de internacional. Os apóstolos ainda nutriam aspirações limitadas e nacionalistas. O reino de Deus, porém, não tem fronteiras geográficas nem políticas. Os discípulos deveriam ser testemunhas não apenas no território de Israel, mas até aos confins da terra. Não apenas aos judeus, mas também aos gentios. O reino de Deus abrange todos os povos, de todos os lugares, de todas as línguas e culturas. O reino de Deus alcança a todos, em todos os lugares, de todos os tempos, que foram lavados no sangue do Cordeiro (Ap 5.9). Somente no Novo Testamento, a consciência missionária centrípeta é substituída por uma atividade missionária centrífuga, e o grande ponto de partida é a ressurreição, da qual Jesus recebe autoridade universal e delega ao seu povo a comissão universal de ir e discipular as nações.

3. Eles pensavam que o reino era estático em vez de gradual. O reino de Deus é como uma semente de mostarda que vai crescendo. Ele não se estabelece com visível aparência. Ele amplia seus horizontes na medida em que os corações se rendem ao Salvador. A escatologia dos discípulos estava eivada de equívocos. Jesus os corrige, mostrando-lhes que essa tendência de marcação de datas para sua vinda é uma consumada tolice. O tempo da segunda vinda e da transição do reino da graça para o reino da glória é da exclusiva economia do Pai. Não nos é dado saber nem kronos nem kairós, nem tempos nem épocas. Nosso papel não é especular o futuro, mas agir no presente.

John Stott tem razão quando diz que o antídoto para a vã especulação espiritual é uma teologia cristã da história. Primeiro, Jesus voltou ao céu (Ascensão). Segundo, o Espírito Santo veio do céu (Pentecostes). Terceiro, a igreja sai para o mundo para ser testemunha (Missão). Quarto, Jesus voltará (Parousia).


3.    A missão como responsabilidade de toda a igreja      -     A passagem de Romanos 10.13-15 é um dos pilares bíblicos que fundamentam a missão como uma responsabilidade compartilhada por toda a Igreja, e não apenas de um grupo restrito. O texto destaca a necessidade da proclamação para que a salvação seja conhecida e recebida.

Ninguém ouvirá o evangelho se não houver pregação. Ninguém poderá crer se não o ouvir. E ninguém poderá invocar o nome do Senhor e ser salvo se não crer. Para que a mensagem da salvação seja ouvida, é necessário que pessoas sejam enviadas para proclamá-la, e a beleza dos que levam essas boas notícias é enaltecida, destacando a honra e a transformação que tal serviço proporciona aos que o realizam e aos que recebem a mensagem.

A tarefa missionária não é apenas de líderes. A missão não se restringe a pastores ou missionários, mas de todos os crentes. Cada cristão batizado é chamado a anunciar o evangelho no seu contexto (trabalho, casa, escola, etc). Todos os crentes são chamados a participar ativamente (1 Pe 2.9). O texto enfatiza, no entanto, que a pregação depende de enviados, o que implica que a Igreja local tem a responsabilidade de treinar, sustentar e enviar missionários. A missão não é um departamento da Igreja, mas a sua própria essência. A Igreja existe para evangelizar, sendo “embaixadora do evangelho”.

A Bíblia chama de “formosos” os pés dos que anunciam o evangelho da paz (v. 15), valorizando o esforço de levar a mensagem. O apóstolo Paulo exalta a beleza dos pés dos que anunciam as Boas Novas, mostrando que ser um mensageiro de Deus é uma honra (cf. Is 52.7). Em suma, Romanos 10.13-15 transforma a missão em um imperativo prático: se a Igreja não pregar e não enviar, o mundo não ouvirá e, consequentemente, não invocará para a salvação.

 


                III.    A GRANDE COMISSÃO E A CONTINUIDADE DO CHAMADO MISSIONÁRIO


1.    A inclusão dos gentios no Corpo de Cristo ( Ef 2. 11-16)     -     A inclusão dos gentios não foi improviso, mas cumprimento profético (Gn 12.3). Essa inclusão cumpre as promessas feitas a Abraão (Gl 3.8) a todas as famílias da terra. A Igreja é formada por um só corpo, sem distinções étnicas (Ef 2.14-16). Ela é luz para os gentios (Is 49.6), e nós somos coerdeiros dessa promessa (Ef 3.6). Por essa razão, a Igreja deve combater todo exclusivismo espiritual e abraçar a missão transcultural.

Os gentios foram incluídos por Deus no plano de salvação. Essa inclusão é a prova universal do evangelho. A Igreja é um só corpo, formada de judeus e gentios em Cristo (At 10.34-36). A igreja dos gentios é a prova viva de que a salvação é para todos. Paulo instrui os gentios (não judeus) a lembrarem-se da sua condição anterior (Ef 2.11,12), caracterizada por: afastamento por causa da incircuncisão, separação da comunidade de Israel, alheamento às alianças da promessa e sem esperança no verdadeiro Deus.

Entretanto, de acordo com Efésios 2.13,14, o cenário mudou por meio de Cristo. Os que estavam “longe” foram trazidos para perto pelo sacrifício de Jesus na cruz. Ele derrubou a “parede de separação” (a inimizade) que dividia judeus e gentios. Cristo aboliu na sua carne a lei dos mandamentos, que criava inimizade, para criar em si mesmo um “novo homem”. Em vez de dois povos distantes, Cristo reconciliou ambos com Deus em um só corpo, matando a inimizade pela cruz. 

A inclusão significa que, agora, os gentios não são mais estrangeiros ou forasteiros, mas concidadãos dos santos, membros da família de Deus, parte de um edifício bem ajustado que cresce para ser um santuário santo no Senhor. Efésios 2.11-16 estabelece, portanto, que a obra de Cristo unificou a humanidade diante de Deus, permitindo que todos, judeus e gentios, tenham acesso ao Pai por meio de um só Espírito


2.    A continuidade da missão até a volta de Cristo    -     “Mas importa que o evangelho seja primeiramente pregado entre todas as nações” — é um pilar fundamental da escatologia bíblica e missiológica. Ele estabelece uma relação direta entre a obra missionária e a segunda vinda de Jesus Cristo.

Hoje, somos responsáveis por dar continuidade à missão que começou em Jerusalém e alcançou o mundo. A continuidade da missão até a volta de Cristo é um chamado à perseverança para que os seguidores de Jesus continuem a pregar o evangelho a todas as nações. No capítulo 13, Jesus descreve os eventos que precederão a sua volta, incluindo guerras, perseguições e enganos por parte de falsos profetas.

A pregação do evangelho a todas as nações (etnias) é apresentada como uma das condições ou sinais que precedem o fim dos tempos e o retorno do Senhor. Apesar da perseguição e do sofrimento que virão, a missão deve prosseguir até que Jesus retorne de forma gloriosa, momento em que os crentes que perseveraram serão salvos e reunidos com Ele. O evangelho deve alcançar todas as culturas. Assim como os primeiros cristãos romperam barreiras culturais para alcançar os gentios, também devemos viver a missão hoje, levando o evangelho a todos os povos.


3.     O compromisso da Igreja atual com missões locais e transcultural     -     O compromisso da Igreja atual com as missões locais e transculturais fundamenta-se na ordem paulina de 2 Timóteo 4.2: “Pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina”. Esse versículo destaca a urgência, a constância e a centralidade da Palavra de Deus na evangelização; também envolve a prática de pregar o evangelho e servir às necessidades humanas em diferentes contextos culturais, transcendendo barreiras geográficas e étnicas.

Esse versículo de Paulo a Timóteo é um chamado para a perseverança na pregação da Palavra, adaptando-se a diferentes circunstâncias, o que também implica diferentes culturas. O texto acima citado trata de um chamado universal para a evangelização, refletido em mandamentos como a Grande Comissão (Mt 28.19,20), a necessidade de evangelizar todas as nações (Mc 16.15) e a preparação para as nações de todas as tribos, línguas e povos (Ap 7.9).

A exortação para pregar “a tempo e fora de tempo” significa que a missão é uma prioridade constante, não condicional, exigindo que a Igreja esteja preparada para compartilhar o evangelho tanto na sua vizinhança imediata (local) quanto além das fronteiras (transcultural). A missão local envolve a evangelização no contexto comunitário, focando na pregação e no testemunho de vida no cotidiano. O objetivo é tornar Cristo conhecido e amado em todas as esferas da sociedade, incluindo o “pregar”, o “corrigir” e o “repreender” com doutrina, conforme o texto bíblico.

A missão transcultural, por sua vez, refere-se à transposição de barreiras geográficas, linguísticas, étnicas e culturais para alcançar povos não alcançados. É o compromisso de levar o amor de Deus além das fronteiras com empatia e sensibilidade cultural. A missão transcultural é essencial devido ao preconceito e às diferenças culturais, exigindo um amor que une pessoas de diferentes culturas (Pentecostes).

O desafio atual é manter a chama missionária acesa diante de tantas distrações deste mundo. O compromisso missionário envolve orar, enviar, sustentar e cuidar dos missionários dando suporte financeiro e espiritual e ir, mantendo vivo o ardor missionário (1 Co 9.16).

O crescimento da Igreja, portanto, não se limita a números, mas à formação de discípulos comprometidos com a doutrina, comunhão e missão. O Espírito Santo é o agente do crescimento verdadeiro, conduzindo a Igreja em poder e graça (At 2.47; 1 Co 3.6). Jesus prometeu o poder do Espírito Santo como a força para essa obra. Não há missão sem o Espírito Santo, e a Igreja perde o seu propósito sem a missão.




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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21

Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio A Igreja dos Gentios - Pr. Wagner Gaby - Editora CPAD

Comentário Exegético Vol. 2 Craig S. Keener - Editora CPAD


Estudo Livro de Atos - Myer Pearlman - Editora CPAD

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Novo Comentário Bíblico Contemporâneo




sexta-feira, 11 de setembro de 2026

LIÇÃO 12 - O EVANGELHO CHEGA AO CORAÇÃO DO IMPÉRIO.

 

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II



                TEXTO ÁUREO

"Pregando o Reino de Deus e ensinando com toda a liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum." ( At 28.31)


              VERDADE PRÁTICA

Nada pode impedir o avanço do Reino de Deus quando o Evangelho é anunciado com fidelidade, coragem e esperança.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 28. 16-24, 28-31


                INTRODUÇÃO

A chegada de Paulo a Roma representa o clímax teológico, missionário e literário do livro de Atos. O que à primeira vista parece o encerramento abrupto da narrativa é, na verdade, uma declaração poderosa: o evangelho alcançou o coração do mundo gentílico. Roma não é apenas uma cidade; ela representa o centro político, militar e cultural do mundo antigo. Deus leva o evangelho ao centro do poder. Levar o evangelho a Roma significa declarar que Cristo é Senhor acima de César e de todos os reinos (Fp 2.9-11). 

O texto de Atos 28.16-31 marca o ponto culminante da jornada do apóstolo Paulo chegando a Roma não como um orador livre, mas como prisioneiro de Cristo, encerrando o livro de Atos e mostrando a expansão ininterrupta do evangelho de Jesus Cristo até o centro do Império Romano. O objetivo é demonstrar que o evangelho não pode ser aprisionado, que Deus conduz a sua missão mesmo por caminhos inesperados e que Roma não foi o fim de Paulo, mas o palco final do livro de Atos, revelando a soberania de Deus sobre a História da Igreja.

A narrativa não termina com a morte de Paulo, nem com a resolução do seu processo jurídico, mas com a Palavra de Deus sendo proclamada “com toda a liberdade [...] sem impedimento algum” (At 28.31). Tal desfecho não é acidental; ele revela que, embora os mensageiros possam ser limitados, o evangelho jamais pode ser aprisionado. Roma, símbolo máximo do poder humano, torna-se palco da manifestação soberana do Reino de Deus.


              I.     PAULO EM ROMA: PRISIONEIRO, MAS LIVRE EM CRISTO


1.    Mesmo em custódia, Paulo recebe certa liberdade ( Vv. 16, 20, 30)      -     Paulo entra em Roma sob custódia romana, algemado a um soldado (At 28.20; Ef 6.20). Ele chega como prisioneiro, mas o texto revela que a sua prisão não é sinal de fracasso ministerial, mas cumprimento profético aos olhos de Deus. O próprio Senhor havia declarado: “[...] assim importa que testifiques também em Roma” (At 23.11). A soberania divina conduz Paulo por meio de perseguições, naufrágios e tribunais até o lugar determinado por Deus. Isso nos ensina que Deus governa até mesmo os caminhos tortuosos da história humana para cumprir os seus propósitos redentores (Rm 8.28).

Uma das qualidades do verdadeiro cristão é saber transformar as adversidades em oportunidades. Paulo foi acusado falsamente pelos invejosos, sendo levado à prisão. Ele não desanimou nem deu lugar ao desespero; pelo contrário, ele viu que aquela situação difícil era uma oportunidade de ganhar a alma dos soldados e dos oficiais romanos. Paulo percebeu que a obra de Deus pode ser realizada em qualquer lugar. Mesmo passando por momentos difíceis e até injustos, em vez de ficarmos lamentando e/ou reclamando, devemos ver o propósito de Deus naquela situação e a maneira como podemos glorificar o nome do Senhor Jesus por meio dela (Rm 8.28).

As condições de Paulo poderiam ser descritas como “prisão domiciliar”. Ainda estava algemado a um soldado, com uma corrente leve (At 28.20). Os soldados revezavam-se, mas Paulo continuava acorrentado dia e noite de modo que não podia entrar e sair como lhe agradasse; fora disso, todavia, gozava de considerável liberdade, de modo especial a de poder receber na sua casa a quem quer que desejasse.

Essa realidade ilustra uma verdade central da fé cristã: a liberdade em Cristo não depende das circunstâncias externas. Paulo escreve mais tarde que aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação (Fp 4.11-13). A custódia romana não se torna um obstáculo ao seu ministério, mas um novo campo missionário. A sua casa transformou-se em um centro de proclamação do Reino, demonstrando que Deus frequentemente utiliza contextos de aparente limitação para cumprir os seus propósitos eternos. Isso mostra um cenário que, ao invés de impedir a pregação, se torna um novo ponto de irradiação da Palavra. 

Nesse trecho final, somos lembrados da providência de Deus, que garante que o evangelho seja proclamado mesmo nas circunstâncias mais desafiadoras, e da fé inabalável de Paulo, que continua a anunciar com intrepidez o Reino de Deus e o Senhor Jesus Cristo a todos os que o procuram. A providência divina não elimina prisões, mas transforma-as em plataformas missionárias. O Deus soberano governa, inclusive, decisões políticas e militares (Sl 33.10,11; Pv 21.1). A soberania de Deus não depende da liberdade do pregador, mas da fidelidade do propósito (2 Tm 2.9).


2.    A prisão não impede o cumprimento do plano de Deus      -       A afirmação de que a prisão de Paulo não impediu o cumprimento do plano de Deus (Fp 1.12-14) é uma interpretação teológica comum baseada na própria Carta de Paulo aos Filipenses, onde ele transforma a sua prisão numa oportunidade para o avanço do evangelho.

Nesses versículos, Paulo explica que as suas “circunstâncias” (a sua prisão em Roma) serviram, na verdade, para “o progresso do evangelho” de várias maneiras, sendo as principais: (1) testemunho aos guardas; (2) encorajamento dos irmãos; e (3) disseminação mais ampla da pregação do evangelho a pessoas que não ouviram falar de Jesus Cristo. A interpretação, portanto, está correta dentro do contexto bíblico, ilustrando a crença

cristã de que Deus pode usar até mesmo circunstâncias adversas para cumprir os seus propósitos. Paulo foi acusado falsamente pelos invejosos, sendo levado à prisão. Ele, todavia, não desanimou nem deu lugar ao desespero; pelo contrário, Paulo percebeu que a obra de Deus pode ser realizada em qualquer lugar e viu que aquela situação difícil era uma oportunidade de ganhar a alma dos soldados e dos oficiais romanos. Mesmo passando por momentos difíceis e até injustos, em vez de ficarmos lamentando, devemos ver o propósito de Deus naquela situação e a maneira como podemos glorificar o nome do Senhor Jesus por meio dela (Rm 8.28).


3.     O Evangelho vence barreiras políticas, sociais e religiosas      -      A trajetória de Paulo revela a força invencível do evangelho. Diante de autoridades políticas, o apóstolo não se intimidou, mas proclamou com ousadia a fé em Cristo, mostrando que as correntes não poderiam prender a Palavra de Deus (Fp 1.12,13). Mesmo diante de governadores e reis, a sua mensagem não foi silenciada, mas tornou-se a luz que ecoou no coração do Império Romano (At 24.24,25; 26.1-32). A soberania de Deus sobre os reinos humanos (Dn 4.32; At 17.28).

Paulo também demonstrou que o evangelho ultrapassa as barreiras sociais. Pregou tanto a intelectuais quanto a escravos, a ricos e pobres, a judeus e gentios (Fm 10-16; 1 Co 1.26- 29). Em Cristo, todas as distinções perdem a sua força (Gl 3.28). Essa unidade é um testemunho poderoso na reconciliação que o evangelho produz.

Além disso, a vida de Paulo mostra que o evangelho supera as barreiras religiosas. Ele enfrentou a oposição dos judeus que rejeitaram a Cristo e confrontou a idolatria dos gentios (At 13.45,46; 19.26,27). A sua mensagem não foi moldada pela tradição ou pelos deuses da sua época, mas permaneceu firme na proclamação de Cristo crucificado e ressurreto como único caminho de salvação (1 Co 1.22-24).

Assim, a vida de Paulo torna-se um testemunho vivo de que o evangelho transcende barreiras políticas, sociais e religiosas. Nem o poder de Roma, nem as acusações judaicas, nem as correntes romanas foram capazes de deter a missão confiada por Deus. A Igreja de hoje deve seguir o mesmo caminho: viver e anunciar com ousadia e fidelidade, convicta de que o poder de Deus aperfeiçoa-se nas fraquezas humanas. O evangelho nivela as diferenças sociais, trazendo dignidade, igualdade e fraternidade em Cristo.


                II.     O EVANGELHO PREGADO AOS JUDEUS EM ROMA


1.    Paulo convoca os líderes judeus para esclarecer sua situação ( V. 17)     -      Paulo convoca os líderes judeus da cidade de Roma para se encontrarem com ele. Seu propósito é defender-se das acusações que os judeus assacaram contra ele, tanto em Jerusalém como nas províncias. Nessa defesa, Paulo enfatiza o seguinte: ele não fizera nada contra os judeus nem contra os costumes de seus antepassados (28.17a); b) ele foi preso pelos judeus e entregue aos romanos (28.17b), mas estes, ao interrogá-lo, concluíram que era inocente das acusações e quiseram libertá-lo por não acharem nada que justificasse sua morte (28.18); e ele apelou a César porque os judeus se opuseram à sua libertação, não obstante ele mesmo nada tivesse contra seu povo (28.19). Finalmente, Paulo diz que está preso por causa da esperança de Israel, ou seja, por anunciar Cristo, sua morte e ressurreição (28.20).

Os judeus relataram a Paulo que não haviam recebido nenhuma acusação formal contra ele da Judeia e gostariam de ouvi-lo com mais exatidão acerca dessa nova fé que ele anunciava, ou seja, a seita nazarena que era impugnada por toda parte (28.21,22). No dia marcado, os judeus vieram em grande número e Paulo fez uma exposição detalhada de manhã até a tarde, concentrando-se no reino de Deus e sua vinda, persuadindo-os a respeito de Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas (28.23). Assim, usando as Escrituras, Paulo identificou o Jesus histórico com o Cristo bíblico.


2.    Paulo anuncia o Reino de Deus, mostrando Cristo nas escrituras ( Vv. 23, 24)     -    A exposição das Escrituras ocupa lugar central. Esse modelo apostólico revela que o verdadeiro ministério é bíblico, cristocêntrico e paciente (At 28.23). O apóstolo ensina “desde manhã até à tarde”, mostrando perseverança e profundidade. Durante um dia inteiro, ele explica, testifica e procura persuadir os seus ouvintes acerca de Jesus. O método de Paulo não é retórico apenas, mas profundamente escriturístico: ele demonstra que Cristo é o cumprimento das promessas feitas a Israel. O método dele é claro: testificar do Reino de Deus; persuadir acerca de Jesus; usar a Lei e os profetas. Esse é o mesmo método de Jesus (Lc 24.27; Jo 5.39). Cristo é o centro da Escritura, não um apêndice.  Pregação fiel não é criatividade humana, mas exposição bíblica centrada em Cristo (2 Tm 4.2).

Lucas registra duas reações opostas: alguns creram, outros rejeitaram (v. 24). Onde a Palavra é fielmente anunciada, ela produz inevitavelmente reações distintas: fé em alguns, rejeição em outros. Isso confirma o ensino bíblico de que o evangelho é cheiro de vida para uns e de morte para outros (2 Co 2.15,16). A cruz é escândalo e loucura para os que perecem (1 Co 1.23). O sucesso da pregação não se mede por aceitação, mas por fidelidade. Paulo expressou a sua frustração e desilusão aos que não creram e repreendeu￾os citando Isaías 6.9,10, texto clássico sobre endurecimento espiritual, mostrando que o coração deles tornou-se insensível e que a salvação de Deus será enviada aos gentios, e eles certamente a ouvirão (vv. 26,27).

Ele anuncia o Reino de Deus, mostrando Cristo nas Escrituras. O texto mostra que o evangelho avança apesar da oposição. Os judeus, embora tenham recebido primeiro a mensagem, rejeitaram-na em grande parte. Isso abre espaço para que os gentios sejam alcançados, cumprindo o propósito divino de um evangelho universal.

O próprio apóstolo interpreta teologicamente a sua prisão ao afirmar que as suas cadeias contribuíram para o progresso do evangelho (Fp 1.12-14). O testemunho de Paulo encoraja outros irmãos a anunciarem a Palavra com mais ousadia, revelando que Deus converte adversidade em instrumento de avanço missionário. Assim, a vida de Paulo torna-se um testemunho vivo de que o evangelho transcende barreiras políticas, sociais e religiosas. Nem o poder de Roma, nem as acusações judaicas, nem as correntes romanas são capazes de deter a missão confiada por Deus


3.    A reação dividida revela que o coração é o campo da decisão     -     O resultado desse vigoroso testemunho dividiu os ouvintes em dois grupos: os que creram e os que continuaram incrédulos (28.24). Por haver discordância entre eles, os judeus se despediram, mas Paulo com toda ousadia advertiu- -os, usando as palavras do profeta Isaías: Vai a este povo e dize-lhe: De ouvido ouvireis e não entendereis; vendo, vereis e não percebereis. Porquanto o coração deste povo se tornou endurecido; com. os ouvidos ouviram tardiamente e fecharam os olhos, para que jamais vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos; para que não entendam com o coração, e se convertam, e por mim sejam curados (28.26,27).

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

LIÇÃO 11 - ENTRE TEMPESTADES E PROMESSAS.

 

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II



                    TEXTO ÁUREO

"Mas, agora, vos admoesto a que tenhais bom ânimo, porque não se perderá a vida de nenhum de vós, mas somente o navio." ( At 27.22)


                VERDADE PRÁTICA

Mesmo quando perdas materiais são inevitáveis, Deus preserva a vida e cumpre suas promessas àqueles que confiam nEle.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 27. 9-15, 21-16


                    INTRODUÇÃO

A narrativa de Atos 27 é tomada pelo relato da viagem de Paulo a Roma, quando ele foi enviado para lá como prisioneiro pelo governador Festo por ter apelado a César. Esse foi um dos relatos mais detalhados da viagem marítima de toda a Bíblia. Lucas, médico e historiador, descreve com precisão técnica os ventos, portos, embarcações e decisões humanas. Contudo, por trás dos acontecimentos naturais, revela-se a mão invisível da providência divina, conduzindo Paulo até Roma, conforme a promessa do Senhor (At 23.11). Esse texto ensina que a vontade de Deus não exclui tempestades, mas garante a chegada ao destino.

Não se sabe quanto tempo depois da conferência com Agripa Paulo foi enviado a Roma, mas é provável que o enviaram na primeira oportunidade que tiveram. Nesse meio-tempo, Paulo está entre os amigos em Cesareia, que o confortaram, sendo o apóstolo uma bênção para eles.

Paulo é entregue ao centurião Júlio, da coorte Augusta, chamada Italiana (At 10.1). Ele tinha soldados ao seu comando que fariam a guarda de Paulo para que este não pudesse fugir e também para protegê-lo para que não causassem nenhum dano ao apóstolo. Coorte era uma das divisões do exército romano. As coortes eram compostas de dez centúrias (de cem soldados cada), e cada centúria contava com o seu centurião ou capitão.

Cláudio Lísias (At 21.31; 23.26) era comandante de uma dessas coortes de mil homens. A maior divisão que havia no Exército romano era a “legião”, que às vezes consistia em nada menos de dez coortes, embora ordinariamente contasse apenas com 6 mil homens. Além das coortes, uma legião também contava usualmente com a “ala”, composta de 120 cavaleiros.

Eles embarcaram num navio de Adramítio (At 27.2), um porto da África, de onde esse navio trazia mercadorias africanas, e, como parece, fazia uma viagem costeira para Síria, onde aquelas embarcações chegavam a um bom mercado. 

Havia alguns prisioneiros confiados à custódia do mesmo Centurião, que provavelmente também tinham apelado a César, ou estavam sendo, por algum outro motivo, levados a Roma para serem ali julgados, ou então para serem interrogados como testemunhas contra alguns prisioneiros que lá estivessem. Alguns transgressores conhecidos, como foi Barrabás, foram, portanto, ordenados a serem levados diante do imperador.

O apóstolo Paulo, entretanto, também tinha alguns dos seus amigos consigo, em particular Lucas, o autor de Atos. Percebe-se isso pela autoinclusão do médico e historiador na narrativa (v. 2). Aristarco, macedônico de Tessalônica, parece ter sido um dos amigos particularmente fiéis que Paulo teve (At 20.4), e estava com o apóstolo durante a sua primeira prisão em Roma (Cl 4.10; Fm 24).


            I.    A TEMPESTADE QUE SURGE NA VIAGEM


1.    A decisão precipitada de navegar apesar da advertência de Paulo ( Vv. 9-12)     -     (27.11,12). Nas tempestades da vida precisamos estar atentos às placas de sinalização. A segurança de uma viagem depende da obediência à sinalização disposta no caminho. Desobedecer é entrar em rota de colisão e enveredar-se por caminhos de morte. Há três fatos dignos de nota neste texto.

Em primeiro lugar, a advertência (27.10). Quando Paulo e seus companheiros de viagem embarcaram para Roma, a viagem parecia segura e tranquila. Era um bom navio, havia um comandante e marinheiros experientes. Os passageiros estavam em segurança. No entanto, logo que iniciaram a viagem, começaram a soprar os ventos contrários (27.4). 

Chegou a um ponto em que Paulo os admoestou, dizendo: 

...Vejo que a viagem vai ser trabalhosa, com dano e muito prejuízo, não só da carga e do navio, mas também da nossa vida (27.9,10). Eles não ouviram o conselho de Paulo e logo veio um tufão, que tirou o navio da mão deles. Aprenda a ler as placas do caminho. Aprenda a discernir os sinais que Deus lhe dá. Quando não prestamos atenção às placas e sinalizações da vida, podemos provocar acidentes ou cair num abismo.

 Em segundo lugar, o descrédito (27.11). Lucas relata: Mas o centurião dava mais crédito ao piloto e ao mestre do navio do que ao que Paulo dizia. O centurião deve ter pensado: Esse Paulo pode saber alguma coisa de Bíblia, mas não entende nada de mar. Assim, o centurião desprezou a advertência de Paulo e seguiu viagem. Não é seguro enfrentar as estradas da vida sem observar os sinais. Na viagem da vida precisamos buscar conselho e orientação daqueles que andam com Deus. Quem despreza conselhos sofre grandes danos.

Em terceiro lugar, a voz da maioria nem sempre é a voz de Deus (27.12). A maioria dos que estavam no navio decidiu partir, ignorando o conselho de Paulo. A maioria nem sempre está com a razão. A maioria nem sempre discerne a vontade de Deus. Seguir a cabeça da maioria pode colocar-nos em grandes encrencas. Sansão, mesmo sendo nazireu e não podendo beber vinho, deu uma festa em seu casamento, como era o costume dos jovens da sua época (Jz 14.10). Ele não teve coragem de ser diferente. Não teve peito para discordar da maioria. Ali começou uma derrocada em sua vida. Muitos jovens vão para uma boate porque a maioria dos colegas de classe vai. Muitos jovens mergulham nas drogas porque a maioria dos adolescentes experimenta. A maioria dos jovens perde a virgindade no namoro porque a mídia diz que isso é normal. Cuidado com a maioria! A Bíblia afirma que largo é o caminho que conduz à perdição e são muitos que entram por ele.


2.    A fragilidade humana diante das forças da natureza ( Vv. 13-17)     -     Logo que zarparam de Fenice, descumprindo a orienta­ ção de Paulo, experimentaram uma leve sensação de sucesso, pois o vento soprava brandamente (27.13). Não tardou, porém, para que o mar se transformasse em um monstro indomável. O navio começou a ser jogado de um lado para o outro com grande violência, sob as fortes rajadas de vento e imensas ondas provocadas pelo tufão de vento, uma espécie de redemoinho, ou ciclone, chamado Euroaquilão. 

A direção do vento levou-os para a grande Sirte, um banco de areia ao norte da costa da África, famoso pelos muitos naufrágios que aconteceram ali. Sirte era um verdadeiro cemitério de navios. O navio já não obedecia mais ao comando do piloto. Então, cessaram a manobra e se deixaram levar. 

Concordo com Matthew Henry quando ele diz: “Quando é inútil se esforçar, é sábio render-se”.

 Longe da ilha de Creta, o navio estava agora exposto à tempestade em mar aberto. Por não ouvirem os conselhos de Paulo, todos se viam agora em apuros. Há cinco resultados colhidos dessa indisposição de ouvir a advertência.

Em primeiro lugar, a aparente segurança (27.13). Logo que zarparam de Creta, em desobediência à advertência de Paulo, perceberam que soprava um vento brando e o mar estava esmaltado por águas tranquilas. Certamente deve ter havido um buchicho dentro do navio, zombando dos conselhos de Paulo. O vento brando faz muita gente confundir as circunstâncias da vida. Por um momento parecia que Paulo estava errado e a maioria estava certa. Se você pudesse ver a carranca do diabo nas tentações, jamais cairia nelas. Se um jovem pudesse ver a degradação das drogas, jamais cairia nas lábias de um traficante. Se um homem pudesse ver o opróbrio em que cai um viciado no alcoolismo, jamais tomaria o primeiro gole. O diabo é um mentiroso e um falsário. Ele promete vida e arrasta seus escravos para a morte. O pecado é uma fraude: parece delicioso aos olhos, mas é um veneno mortal.

Em segundo lugar, o perigo (27.14). Depois do vento brando, repentinamente as circunstâncias mudaram e surgiu um tufão. A crise chegou. O mar se revoltou. Sempre que deixamos de observar as placas de Deus ao longo da estrada da vida, corremos o risco de sérios acidentes. De repente, o tufão chega, a vida se transtorna e tudo vira de cabeça para baixo. Os acidentes acontecem repentinamente. Surgem inesperadamente. Basta seguir no caminho sem observar as placas e, mais cedo ou mais tarde, o acidente acontecerá.

Em terceiro lugar, a impotência (27.15). A fúria dos ventos era tão rigorosa que eles perderam o controle do navio. O navio já não obedecia mais a nenhum comando. O leme já não estava mais nas mãos daqueles que conduziam o batel. O navio ficou à deriva. As coisas fugiram do controle, e a vida virou de ponta-cabeça. Há momentos em que você quer conduzir a sua vida para uma direção, mas ela segue em direção contrária. As ondas revoltas superam sua capacidade de gerenciamento. A crise torna-se maior do que suas forças. Prevalece sobre sua vontade. Talvez você esteja vivendo essa situação. Você já perdeu o controle da sua vida, do seu casamento, das suas finanças, da sua família? Você é como aquele navio, em alto-mar, jogado de um lado para o outro ao sabor do vendaval.


3.    A perda da esperança diante da adversidade ( Vv. 18-20)     -       Eles precisaram aliviar o navio e jogar seus bens fora para salvar a própria vida. Houve grande prejuízo e enormes perdas financeiras. A desobediência é um caminho de muitos desastres, inclusive financeiro. Singrar as águas para a viagem da vida sem atender às advertências de Deus é candidatar-se ao naufrágio. Muitas pessoas deixam de ler as placas de Deus e mentem, roubam, corrompem e matam para granjear mais riquezas. Acumulam tesouros na terra, alcançam glória e fama por um tempo. Mas, depois, tudo o que fizeram na surdina, nas caladas da noite, ao arrepio da lei, vem à tona. Aí perdem a honra, a dignidade e a própria riqueza que acumularam com injustiça.

A desesperança (27.20). Diz o historiador Lucas que dissipou-se, afinal, toda esperança de salvamento. O centurião, os marinheiros, a tripulação e os prisioneiros embarcados naquele navio perderam completamente a esperança de sobreviver. Eles haviam chegado ao fim da linha, ao fundo do poço, ao desespero fatal. A morte parecia inevitável. Destacamos aqui dois pontos importantes.

1. As medidas da tripulação para salvar o navio (27.13- 20). Várias medidas foram tomadas na tentativa de salvar o navio da avassaladora tempestade. Primeiro, eles recolheram a bordo o barco salva-vidas (27.16). Segundo, cingiram o navio, passando cabos por baixo do casco para manter as tábuas unidas ou amarradas a proa à popa, por cima do convés, a fim de evitar que ele quebrasse ao meio (27.17a). 

Terceiro, arriaram os aparelhos, ou seja, a âncora flutuante, para agir como freio à medida que eram empurrados para frente (27.17b). 

Quarto, jogaram parte da carga do navio no mar (27.18). Quinto, lançaram fora o máximo possível de equipamentos do navio (27.19). Contudo, após quatorze dias sem aparecer sol ou estrelas no céu, ainda atirados de um lado para outro pela fúria dos ventos, perderam toda a esperança de salvamento (27.20).806



                II.     A INTERVENÇÃO DE DEUS NA HORA DO DESESPERO


1.    A palavra de encorajamento de Paulo ( Vv. 21-26)      -      A má situação chegou ao auge (At 27.21), o que não era incomum naqueles dias numa tempestade marítima, pelo fato de o alimento estragar-se, ou pela impossibilidade de cozinhá-lo. Os homens passavam dias a fio, desalentados, molhados, enfadados, famintos.

A falta de alimentação apropriada e a exaustão causada pelo trabalho prolongado naturalmente agravavam os sentimentos de desespero. Depois de muitos dias sem comer e em total desespero, Paulo levanta-se com autoridade espiritual. Antes de animar aos seus ouvintes (o que só faz no versículo seguinte), Paulo repreendeu os responsáveis pela embarcação com o seu “Eu bem que disse”, o que daria maior autoridade às suas próximas palavras de ânimo.

É possível que houvesse pouca comida disponível depois da tempestade e que as pessoas sentissem-se demasiadamente ansiosas, enjoadas ou desanimadas para comer. Todo esse sofrimento e risco poderia ser evitado se o navio tivesse permanecido em Bons Portos, e Paulo comentou que a sua advertência não fora devidamente atendida; a sua profecia de danos e perdas foi cumprida, embora, por enquanto, só afetasse (e, no fim, somente afetaria) o navio, e não as pessoas a bordo que incluíra na sua profecia. É essa qualificação da sua profecia anterior que Paulo agora ressalta num esforço para animar as pessoas.

Paulo transmite esperança mesmo em meio ao desespero (v. 22; cf. Rm 15.13; Is 41.10). Nossa esperança segura de ser recompensados por Deus pode diminuir nossa ansiedade e ajudar-nos a ficar calmos, a pensar de modo claro e a manter nossa fé forte. A esperança também nos dá forças para que enfrentemos as dificuldades (ver Am 3.7; Sl 25.14).


2.    A promessa de Deus em meio à crise ( Vv. 23, 24)     -     Durante a tempestade no naufrágio, passageiros e tripulantes perderam a esperança de salvação devido à fúria do mar e à falta de visibilidade, ficando catorze noites sem ver o Sol, o que os levou ao desespero (At 27.18-20). Paulo, no entanto, confortou-os com a promessa divina de que todos seriam salvos, embora o navio fosse perdido (Sl 34.19).

A base dessa segurança não é otimismo humano, mas revelação divina (vv. 23,24). O anjo do Senhor fortaleceu Paulo! Quando toda esperança parecia perdida, Deus envia um anjo a Paulo, garantindo que nenhum daqueles 276 (ver v. 37) passageiros perderiam a vida. A vida de Paulo preservou outras vidas. Isso revela o alcance coletivo da graça, o impacto espiritual de um justo no meio dos ímpios.

Visões espirituais assinalavam coerentemente as crises da vida do apóstolo Paulo (At 9.3- 6; 16.9,10; 18.9,10). Paulo reconhecia que pertencia a Deus (v. 23). Não somos de nós mesmos, fomos comprados por bom preço (1 Co 6.19,20). As promessas de Deus não dependem das circunstâncias, mas da fidelidade do Senhor (Hb 10.23). Enquanto Deus tiver um lugar na vida de alguém aqui na terra e tal pessoa buscar a Deus e seguir a direção do Espírito Santo (At 23.11; 24.16), o Senhor irá protegê-lo da morte.


3.     A fé e a liderança espiritual de Paulo ( Vv. 33-36)      -     Diante do desespero que assaltara a todos no navio, já havia duas semanas que ninguém conseguia comer nada, seja pelo pânico provocado pela tempestade, seja pelo enjoo provocado pelo mar agitado. Quando o dia já estava raiando, Paulo toma um pão, dá graças e encoraja a todos a comerem. Ao se alimentarem, todos recobram o ânimo e resolvem jogar o restante do trigo no mar (27.38). 

John Stott destaca essas intervenções de Paulo, com as seguintes palavras:

Paulo combinava a espiritualidade e o bom senso, a fé e as obras. Ele acreditava que Deus cumpriria suas promessas e teve a coragem para dar graças na presença de pagãos calejados. Mas a sua confiança e santidade não impediram de ver que o navio não deveria se arriscar no começo do inverno, ou que não se podia permitir que os marinheiros fugissem, ou que a tripulação e os passageiros esfomeados precisavam comer para sobreviver, ou (mais tarde, na praia) que ele precisava juntar lenha para manter o fogo aceso. Que homem! Ele era homem de Deus e homem de ação; homem do Espírito e homem de bom senso.


                III.     A PROVIDÊNCIA DIVINA NO NAUFRÁGIO ( AT 27. 39-44)


1.    O cuidado de Deus preservando vidas ( Vv. 39-44)     -     A noite trevosa se despedira, e um novo dia trazia esperança em suas asas. A tripulação avistou terra. Era uma ilha, Malta, mas eles não reconheceram o lugar. Os marinheiros levantaram as âncoras, largando as amarras do leme, direcionando o navio para a praia (27.40). Fragilizado pelas ondas que chicotearam o navio por duas semanas, a embarcação enfim encalhou num banco de areias. A proa ficou imobilizada, ao mesmo tempo que a popa era açoitada violentamente pelo vento. Por fim, o navio quebrou-se e o naufrágio se revelou inevitável (27.41). 

O navio, que estranhamente suportara a tempestade no vasto oceano, onde tinha espaço para virar, é feito em pedaços quando encalhado. Desse modo, se o coração se fixa no mundo por amor e afeição, acaba perdendo-se. As tentações de Satanás batem contra ele, e ele é destruído; mas, enquanto ele se mantém acima do mundo, embora sacudido pelas preocupações e tumultos, há esperança. Eles tinham a praia em vista e, no entanto, sofreram naufrágio no porto, para nos ensinar a nunca sermos autoconfiantes.

Nesse momento, os soldados que tinham o compromisso de transportar os prisioneiros a Roma resolveram matá-los. Isso, porque de acordo com a lei romana, o soldado encarregado da vigilância de um prisioneiro era responsabilizado em seu lugar, caso esse prisioneiro viesse a escapar (27.42). Simon Kistemaker diz que a ingratidão dos soldados foi demasiadamente cruel, quando eles decidiram matar Paulo e todos os outros prisioneiros. 

 Paulo anunciara a boa notícia de que suas vidas seriam poupadas; ele os encorajara quando já haviam perdido a esperança de viver; e lhes dera conselhos de valor, exortando-os a comer. O centurião Júlio, porém, impediu os soldados de consumarem essa matança e ordenou a todos os que sabiam nadar que saltassem primeiro no mar (27.43), enquanto os outros deveriam usar tábuas e destroços do barco para chegarem à praia. Desta forma, conforme Deus havia prometido, todos alcançaram a terra firme em segurança (27.44).


2.    A soberania divina acima das decisões humanas ( Vv. 42, 43)     -     Estando o navio condenado, os soldados eram de opinião que todos os prisioneiros fossem mortos antes que algum dentre eles escapasse e eles fossem responsabilizados (v. 42). Não seria difícil aos que sabiam nadar chegar ao litoral e afundar-se nas matas do interior, de onde só com dificuldade poderiam ser presos de novo.

Os guardas prefeririam o suicídio a ter de enfrentar a corte marcial pela acusação de descumprimento do dever: Pedro liberto da prisão (At 12.10-19); o carcereiro de Filipos (At 16.27). Os soldados pagariam com a própria vida se algum dos seus prisioneiros escapassem. O código posterior de Justiniano formalizou o princípio de que um guarda cujo prisioneiro escapasse cumpriria a sentença do prisioneiro.

O plano humano de matar todos os prisioneiros foi frustrado pelo agir divino. Os soldados pagariam com a vida se algum dos seus prisioneiros escapassem (At 12.18,19; 16.27). Júlio, o centurião, desejava salvar a vida de Paulo, por estar resoluto a não submeter a vida do apóstolo a perigo, sobretudo tendo em vista a atividade de Paulo durante a viagem. A palavra “salvar” significa conduzir com segurança no meio do perigo. Assim, deu ordens no sentido de cada um chegar a terra da melhor maneira que pudessem. Os que soubessem nadar, que partissem imediatamente. Aqueles que sabiam nadar facilmente chegariam à praia, que não estava tão distante (v. 43). Paulo poderia estar incluído aqui, visto ter sobrevivido a três naufrágios e ter passado uma noite no mar (2 Co 11.25). 

Isso mostra que até as intenções humanas são controladas pela providência de Deus. Ele preservou a vida de Paulo e permitiu que a promessa de Deus de que todas as pessoas no navio seriam salvas fosse cumprida (At 27.22). O coração dos homens está sob o governo do Senhor (ver Pv 21.1). Nada escapa ao controle divino. Nenhum poder nos céus ou na terra poderia tirar a vida de Paulo, porque o Senhor já determinara que ele fosse pregar o evangelho em Roma (At 27.24).


3.    O cumprimento fiel da promessa de Deus ( V. 44)     -     Os demais que não soubessem nadar deviam seguir usando tábuas ou outros destroços do navio capazes de flutuar para sustentá-los na água. Essas pessoas que não sabiam nadar, porém, agarrando-se a pedaços de madeira pertencentes ao navio, puderam flutuar, sendo empurradas para a praia pela força das ondas, como se estivessem surfando. Há a possibilidade de a construção grega significar, no entanto, que eram levados pelos que sabiam nadar, que usavam técnicas de salva-vidas para conduzir em segurança os que não sabiam. Os que nadassem estariam na praia para garantir que estes extraviados chegassem em segurança a terra. Exatamente como o anjo havia dito, todos se salvaram. 

Foi só por causa da corajosa liderança de Paulo sob a orientação de Deus que essa viagem agonizante chegou a um desfecho satisfatório. A Palavra de Deus é firme mesmo em meio ao caos. O naufrágio de Paulo é um poderoso testemunho de que, mesmo nos momentos mais turbulentos, a providência divina está presente, conduzindo a vitória dos que confiam na sua palavra. O Senhor cumpriu a promessa feita por intermédio do anjo (At 27.22). Durante todos os dias da tormenta e os demais que se seguiram após o naufrágio, Paulo manteve-se confiante nessa promessa e foi sustentado por ela

Estando o navio condenado, os soldados eram de opinião que todos os prisioneiros fossem mortos antes que algum dentre eles escapasse e eles fossem responsabilizados (cp. 12:19; 16:27). Todavia, querendo salvar a Paulo, o centurião estorvou-lhes este intento (v. 43) —a palavra "salvar" significa conduzir em segurança no meio do perigo. Portanto, ele deu ordens para que todos procurassem chegar à praia da melhor maneira que pudessem — os que soubessem nadar, que partissem imediatamente.

Paulo poderia estar incluído aqui, visto ter sobrevivido a três naufrágios e ter passado uma noite no mar (2 Coríntios 11:25). Os que não soubessem nadar deveriam agarrar-se a tábuas e outros em destroços do navio (v. 44). A última frase todavia poderia ser traduzida assim: "às costas dos membros da tripulação". Assim foi que desta ou daquela maneira todos chegaram à terra salvos (v. 44; cp. vv. 22, 34).





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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21

Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio A Igreja dos Gentios - Pr. Wagner Gaby - Editora CPAD

Comentário Exegético Vol. 2 Craig S. Keener - Editora CPAD


Estudo Livro de Atos - Myer Pearlman - Editora CPAD

atos.pdf

Novo Comentário Bíblico Contemporâneo