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sábado, 14 de fevereiro de 2026

LIÇÃO 08 - O DEUS ESPÍRITO SANTO.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                    TEXTO ÁUREO

"E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre." ( Jo 14.16)


                    VERDADE PRÁTICA

O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade, plenamente divino, atuando como Consolador, Ensinador e Santificador da Igreja.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: João 14. 25-31


                    INTRODUÇÃO


0 Espírito Santo é Deus, a terceira Pessoa da Trindade. Não se trata de um mero símbolo da presença divina ou uma força impessoal. Ele é Pessoa, com intelecto, vontade e emoções, capaz de falar (At 13.2), ensinar (Jo 14.26), interceder (Rm 8.26) e entristecer-se (Ef 4.30). Jesus o chama de “outro Consolador”, indicando que Ele possui a mesma natureza divina do Filho, sendo distinto em Pessoa, mas idêntico em essência. O presente capítulo tratará da Pneumatologia bíblica e teológica sob três eixos principais: (i) a Pessoa do Espírito Santo — evidências bíblicas de sua personalidade e relação trinitária e igualdade com o Pai e o Filho; (ii) a eterna divindade do Espírito — seus atributos divinos e símbolos representativos; e (iii) as obras do Espírito Santo — passando pela encarnação e ressureição até a santificação e glorificação final dos santos.

Vemos claramente na Bíblia a exposição do ESPÍRITO SANTO como DEUS, coexistindo na trindade com o PAI e com o FILHO, numa mesma substância. É clara sua identidade, sua deidade, sua personalidade, suas obras, suas reações e seus atributos.

Os primeiros cristãos não tiveram dificuldades em reconhecer tudo isto, mas vieram outras gerações que não conheceram os primeiros apóstolos e Paulo. Como no tempo dos hebreus, após a morte de Moisés e Josué, o povo se corrompeu, a igreja também, após os apóstolos, deixou que heresias penetrassem em seu meio e a doutrina verdadeira foi corrompida. A partir do Concílio de Niceia. Iniciou-se uma tentativa de formulação da doutrina pneumatológica e na segunda metade do século IV foi mais desenvolvida para corrigir os heréticos de então.




Mostre aos alunos algumas das verdades a respeito do ESPÍRITO SANTO extraídas do evangelho de João:

Ele nunca nos deixará (Jo 14.6).

O mundo não pode recebê-lo (Jo 14.7).

Ele vive em nós e conosco (Jo 14.17).

Ele nos ensina (Jo 14.26).

Ele nos lembra as palavras de JESUS (Jo 14.26).

Ele nos convence do pecado, nos mostra a justiça de DEUS, e anuncia seu juízo contra o mal (Jo 16.8).

Ele nos guia na verdade, e nos dá conhecimento de eventos futuros (Jo 16.13).

Ele glorifica a CRISTO (Jo 16.14).


                    I.    A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO

1.     O Espírito Santo é uma Pessoa      -      Na teologia cristã, a Pessoa é compreendida como um sujeito com vontade, inteligência, emoção e ação própria. O Espírito Santo, como revelado nas Escrituras, age de modo consciente, relacionai e autônomo, características que evidenciam sua personalidade. Ele age com autonomia, exercendo funções próprias de uma Pessoa.  O apóstolo atribui ao Espírito uma mente ativa e consciente, que intercede de forma compatível com a vontade de Deus. Isso confirma sua racionalidade e intenção volitiva, própria de uma Pessoa. O Espírito Santo pode ser entristecido (Ef 4.30). Implica dizer que o Espírito tem emoções, mas não como emoções humanas voláteis, e sim sensibilidade moral e relacionai, ou seja, Ele responde com pesar ao pecado e à quebra de comunhão. Ele ensina e faz lembrar (Jo 14.26), o que demonstra inteligência e comunicação consciente com propósito pedagógico. O Espírito Santo apresenta na memória do crente tudo o que Cristo falou, palavras que jamais podem ser esquecidas.1 2 Ele guia e orienta os crentes, função que exige entendimento e relacionamento, como de um mestre para o discípulo Jo 16.13). Ele distribui os dons “como quer”, demonstrando vontade deliberada, pessoal e ativa (1 Co 12.11). Ele fala diretamente e com clareza, e designa tarefas missionárias, o que comprova seu papel ativo no plano divino (At 13.2). Negar a pessoalidade do Espírito Santo é reduzir o próprio Deus a uma força impessoal, algo completamente alheio à revelação bíblica.


2.     Pessoa distinta na Trindade     -     DEUS é uno e, ao mesmo tempo, triuno (Gn 1.1,26; 3.22; 11.7; Dt 6.4; 1 Jo 5.7 . O PAI, o FILHO e o ESPÍRITO são três divinas e distintas Pessoas. São verdades bíblicas que transcendem a razão humana e as aceitamos alegremente pela fé. A fé em DEUS deve preceder a doutrina (I Tm 4.6).

Se a unidade composta do homem — ESPÍRITO, alma e corpo — continua como um fato inexplicável para a ciência e para os homens mais sábios e santos, quanto mais a triunidade do PAI, do FILHO e do ESPÍRITO SANTO!

As três divinas Pessoas da Trindade são co-eternas e iguais entre si. Mas, em suas operações concernentes à criação e à redenção, DEUS, o PAI, planejou a criação de tudo (Ef 3.9); DEUS, o FILHO, executou o plano, criando (Jo 1.3; Cl 1.16; Hb 1.2; 11.3); e DEUS, o ESPÍRITO SANTO, vivificou, ordenou, pôs tudo, todo o universo, em ação: desde a partícula infinitesimal e invisível até ao super-macroscópico objeto existente (Jó 33.4; Jo 6.63; Gl 6.8; Sm 33.6; Tt 3.5). Ou seja, o PAI domina, o FILHO realiza, e o ESPÍRITO SANTO vivifica, preserva e sustenta.

Na redenção da humanidade, o PAI planejou a salvação, no céu; o FILHO consumou-a, na terra; e o ESPÍRITO SANTO realiza e aplica essa tão grande salvação à pessoa humana. Entretanto, num exame cuidadoso da Bíblia vemos que, em qualquer desses atos divinos, as três Pessoas da Trindade estão presentes.

Uma tentativa de definição do trino DEUS é: DEUS PAI é a plenitude da divindade invisível (Jo 1.18). DEUS FILHO é a plenitude da divindade manifesta (Jo I7). DEUS ESPÍRITO SANTO é a plenitude da divindade operando na criatura (I Co 2.12-16).

Para os sentidos físicos do homem, por condescendência de DEUS, vemos as três Pessoas da Trindade no batismo de JESUS. O PAI eterno falou do céu, o ESPÍRITO SANTO desceu em forma visível de pomba — uma alegoria —, e o FILHO estava sendo batizado no rio Jordão, para cumprir toda a justiça (Mt 3.16,17).

Essa distinção do Espírito Santo é essencial para refutar here sias, como o modalismo que ensina que Pai, Filho e Espírito são apenas “modos” sucessivos de uma única Pessoa divina. Sabélio (séc. III) foi o maior defensor desse pensamento. Ele argumentava que a natureza do Filho era apenas semelhante à do Pai; não era, portanto, idêntica à do Pai. Essa heresia foi condenada no Concilio de Antioquia (268 d.C.).5 A distinção do Espírito também combate o arianismo, que negava a divindade do Filho. Ário ensinava que Deus Pai é o único Eterno, e que Cristo tinha sido criado, portanto, não Eterno. Ele foi excomungado por heresia no Concilio de Niceia (325 d.C.).6 Nessa esteira, a ortodoxia ratifica o papel distinto e a missão específica do Espírito Santo. Em João, essa distinção é facilmente percebi da: “aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas” (Jo 14.26). A construção grega desse versículo é clara: cada sujeito tem ações próprias, o que descarta a ideia de que são apenas manifestações ou modos de uma única Pessoa. O texto destaca três sujeitos distintos atuando simultaneamente: o Pai envia; o Filho é a referência do envio (“em meu nome”); e o Espírito é o enviado com missão específica. Em suma, o Espírito Santo é distinto do Pai e do Filho, mas plenamente Deus (1 Co 2.10-11).


3.     O Consolador prometido     -     João 14.16 O CONSOLADOR. JESUS chama o ESPÍRITO SANTO de "Consolador". Trata-se da tradução da palavra grega parakletos, que significa literalmente "alguém chamado para ficar ao lado de outro para o ajudar". É um termo rico de sentido, significando Consolador, Fortalecedor, Conselheiro, Socorro, Advogado, Aliado e Amigo. O termo grego para "outro" é, aqui, allon, significando "outro da mesma espécie", e não heteros, que significa outro, mas de espécie diferente. Noutras palavras, o ESPÍRITO SANTO dá prosseguimento ao que CRISTO fez quando na terra. (1) JESUS promete enviar outro Consolador. O ESPÍRITO SANTO, pois, faria pelos discípulos, tudo quanto CRISTO tinha feito por eles, enquanto estava com eles. O ESPÍRITO estaria ao lado deles para os ajudar (cf. Mt 14. 30,31), prover a direção certa para suas vidas (v. 26), consolar nos momentos difíceis (v. 18), interceder por eles em oração (Rm 8.26,27; cf. 8.34) e permanecer com eles para sempre. (2) A palavra parakletos é aplicada ao Senhor JESUS em 1 Jo 2.1. JESUS, portanto, é nosso Ajudador e Intercessor no céu (cf. Hb 7.25) enquanto que o ESPÍRITO SANTO é nosso Ajudador e Intercessor, habitando em nós, aqui na terra (Rm 8.9,26; 1 Co 3.16; 6.19; 2 Co 6.16; 2 Tm 1.14).

Dicionário Strong em Português - παρακλητος parakletos

1) chamado, convocado a estar do lado de alguém, esp. convocado a ajudar alguém

1a) alguém que pleiteia a causa de outro diante de um juiz, intercessor, conselheiro de defesa, assistente legal, advogado

1b) pessoa que pleiteia a causa de outro com alguém, intercessor

1b1) de CRISTO em sua exaltação à mão direita de DEUS, súplica a DEUS, o PAI, pelo perdão de nossos pecados

1c) no sentido mais amplo, ajudador, amparador, assistente, alguém que presta socorro

1c1) do SANTO ESPÍRITO, destinado a tomar o lugar de CRISTO com os apóstolos (depois de sua ascensão ao PAI), a conduzi-los a um conhecimento mais profundo da verdade evangélica, a dar-lhes a força divina necessária para capacitá-los a sofrer tentações e perseguições como representantes do reino divino

AJUDADOR é a melhor interpretação, sendo que Ele é nosso intercessor na terra (...ESPÍRITO intercede por nós com gemidos inexprimíveis. Romanos 8:26), enquanto que JESUS o é no céu (o qual está à direita de DEUS, e também intercede por nós. Romanos 8:34), Ele é nosso advogado na Terra (como haveis de responder; Lucas 21:14), enquanto que JESUS o é no céu (Advogado para com o PAI, JESUS CRISTO, o justo. 1 João 2:1):

O ESPÍRITO SANTO NOS AJUDA:

- Nos ajuda a orar - Romanos 8:26

- Nos ajuda a entender a Bíblia, nos ensina - João 14.26

- Nos ajuda a lembrar - João 14.26

- Nos ajuda a falar quando não sabemos o que dizer - Lucas 12.12

- Nos ajuda a ganhar almas - João 16.8

- Nos ajuda a saber o futuro - João 16.13

- Nos ajuda nos Guiando - João 16.13



                    II.     A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO


1.    O debate "Filioque"     -    Fundamentada nas Escrituras, a fé cristã ratificou a doutrina trinitária nos concílios ecumênicos. Em Niceia (325 d.C.), estabeleceu a divindade do Filho: “Cremos [...] em um só Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, o Unigênito do Pai, que é da substância do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, não feito, de uma só substância [homooúsios\ com o Pai”.9 Em Constantinopla (381 d.C.), no Credo niceno-constantinopolitano, após confirmar que o Pai, o Filho e o Espírito Santo possuem a mesma natureza, o concilio ratificou a divindade do Espírito: “Cremos [...] no Espírito Santo, o Senhor e Vivificador, o que procede do Pai e do Filho, o que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorifica- do, que falou por meio dos profetas”.10 O debate da divindade de Jesus e do Espírito ocorreu durante o século I\( em virtude do arianismo negar a igualdade e eternidade do Filho com o Pai, e de forma indireta também do Espírito. Nesse período o grupo dos “pneumatómacos” de tendências semiarianas apesar de aceitarem que o Filho era divino, negavam que o Espírito Santo fosse Deus. Os primeiros concílios ecumênicos foram realizados para dirimir essas controvérsias. A respeito do Espírito, em Constantinopla (381 d.C.) o credo grego declarou “to ek tou Patros ekporeuommorP (que procede do Pai). Em Toledo (589 d.C.) a frase correspondente do credo latino acrescentou “qui ex Pa ire FilioqueprocediF (que procede do Pai e do Filho). O termo “filioque” (e do Filho) foi inserido para salvaguardar a fé bíblica que o Espírito procede tanto do Pai como do Filho Jo 15.26; 16.7). Os textos chaves são: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador” (Jo 14.16); e, “quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito da verdade, que procede do Pai” (Jo 15.26). Os verbos “rogarei” (gr. erõtáo) e “proceder” (gr. ekpo- reuetai) são cruciais para esse debate. O verbo erõtáõ significa “pedir em termo de igualdade e, por isso, é sempre usado por Cristo em relação ao seu próprio pedido para o Pai, no conhecimento de sua igual dig nidade”.11 O verbo “proceder” sinaliza que “o Espírito Santo é dado pelo Pai, em resposta à solicitação do Filho. Ele procede tanto do Pai como do Filho. O Pai o dá; o Filho o envia”.12 O apóstolo Paulo usa preposi ções gregas como ek (“de”) para expressar a relação do Espírito com o Pai e o Filho compatíveis com a doutrina que o Espírito também pro cede do Filho, a saber: “[...] se alguém não tem o Espírito de Cristo” (Rm 8.9); e, “Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho” (G1 4.6).


HISTÓRIA DA ORIGEM DE "FILIOQUE"

Filioque (em latim: "e (do) Filho") é uma frase encontrada na versão do Credo niceno-constantinopolitano em uso na Igreja Latina. Ela não está presente no texto grego desse credo como formulado originalmente no Primeiro Concílio de Constantinopla, onde se lê apenas que o Espírito Santo procede "do Pai":

Καὶ εἰς τὸ Πνεῦμα τὸ Ἅγιον, τὸ κύριον, τὸ ζωοποιόν, τὸ ἐκ τοῦ Πατρὸς ἐκπορευόμενον[1]
E no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai

O texto, na versão latina, fala do Espírito Santo como procedendo "do Pai e do Filho":

Et in Spiritum Sanctum, Dominum et vivificantem, qui ex Patre Filioque procedit
E no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai e do Filho[2]

Frequentemente diz-se que o primeiro caso conhecido da inserção da palavra Filioque na versão latina do Credo niceno-constantinopolitano ocorreu no Terceiro Concílio de Toledo (589) e que a sua inclusão a partir daí se espalhou espontaneamente[3] por todo o Império dos Francos.[4] No século IX, o Papa Leão III, ainda que aceitando a doutrina da procedência do Espírito Santo do Pai e do Filho, se opôs à adoção da cláusula Filioque.[4] Em 1014, porém, o canto do credo — com a Filioque — foi adotado na celebração da missa em Roma.[4]

A inserção foi inspirada pela doutrina, tradicional no Ocidente e encontrada também em Alexandria, que foi declarada dogmaticamente pelo Papa Leão I em 447,[5] e que é chamada filioquismo. A esta doutrina opõe-se a doutrina do monopatrismo, formulada por Fócio (veja Cisma de Fócio), patriarca de Constantinopla, que manteve que a frase "que procede do Pai" (τὸ ἐκ τοῦ Πατρὸς ἐκπορευόμενον) do Credo niceno-constantinopolitano deve ser interpretada no sentido de "que procede do Pai sozinho (τὸ ἐκ μόνου τοῦ Πατρὸς ἐκπορευόμενον).[6][7][8]

Os conflitos entre os defensores dessas duas doutrinas contribuíram para o Grande Cisma do Oriente de 1054 e ainda constituem um obstáculo para as tentativas de reunião das Igrejas Católica e Ortodoxa.[9]

Novo Testamento

Anthony E. Siecienski afirma que é importante reconhecer que "o Novo Testamento não afirma explicitamente a procedência do Espírito Santo como a teologia posterior entende e define a doutrina". Apesar disso, há "certos princípios estabelecidos no Novo Testamento que formataram a futura teologia trinitária e, em particular, textos que tanto os latinos quanto os gregos utilizaram para apoiar as suas respectivas posições frente à controvérsia da cláusula Filioque".[10]

Em João 16:13–15, Jesus diz que o Espírito Santo "…há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar" e se argumenta que, nas relações entre as Pessoas da Trindade, uma delas não poderia "tomar" ou "receber" (em gregoλήψεται) nada das outras exceto através da "procedência".[11] Trechos como João 20:22 ("soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.") eram vistos pelos Padres da Igreja, especialmente AtanásioCirilo e Epifânio, como base para dizer que o Espírito Santo "procede substancialmente de ambos", do Pai e do Filho[12] Outros trechos que tem sido utilizados no debate incluem Gálatas 4:6Romanos 8:9Filipenses 1:19, nos quais o Espírito Santo é identificado como "Espírito de seu Filho""Espírito de Cristo" e "Espírito de Jesus Cristo", e em trechos do Evangelho de João sobre o envio do Espírito Santo por Jesus (João 14:16João 15:26 e João 16:7)[11]


2.     Os atributos divinos do Espírito     -    Os atributos da divindade se dividem entre atributos incomunicáveis (só DEUS os possui e os pode revelar) – o ser humano não os possui), e também os atributos comunicáveis que são transferidos aos

crentes para que possam ter uma vida cristã sadia. O ESPÍRITO SANTO É SENHOR - 2 Coríntios 3.17.

1. Alguns atributos incomunicáveis.

Atributos incomunicáveis (só DEUS os possui e os pode revelar) – O ESPÍRITO SANTO comunica esses atributos por meio dos dons espirituais, como por exemplo, o dom Palavra de Sabedoria que é comunicada sobrenaturalmente revelando alguma coisa no futuro, dentro da onisciência de DEUS (Êx. E, levantando-se um deles, por nome Ágabo, dava a entender pelo ESPÍRITO, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e isso aconteceu no tempo de Cláudio César. Atos 11:28). Já a onipresença é manifestada no dom Palavra de Conhecimento ou da ciência como em 2 Reis 6:12 (E disse um dos servos: Não, ó rei meu senhor; mas o profeta Eliseu, que está em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que tu falas no teu quarto de dormir). A onipotência é revelada nos dons de poder, Fé, Milagres e Dons de Curar.

Os homens em si mesmo não possuem esses atributos. São exclusivos de DEUS. O ESPÍRITO SANTO os possui.

São eles, os principais:

Atributo que pertence exclusivamente à divindade (Rm 1.23; Hb 1.11).

a) Onipresença. Ele está presente em todos os lugares ao mesmo tempo (Sm 139.7-10; I Co 2.10).. Não podemos fugir à sua presença (Sl 139.7). Como ê bom saber que podemos contar com a sua companhia em todo o tempo.

Atentemos para duas ênfases contidas nesses textos que evidenciam a onipresença do ESPÍRITO: “Para onde me irei do teu ESPÍRITO, ou para onde fugirei da tua face?” e “O ESPÍRITO penetra todas as coisas, ainda as profundezas de DEUS”.

b) Onisciência. O ESPÍRITO SANTO tudo sabe e tudo conhece. Ele nos sonda e nos prova quanto às intenções de nosso coração (1 Co 2.10). Ninguém pode mentir àquEle que sabe toda a verdade. Lembra-se de Ananias e Safira? Nada escapa ao conhecimento do ESPÍRITO SANTO. Sua compreensão é infinita. Ele tudo sabe e nada ignora (Sl 139.2.11,13).

Esta é mais uma evidência da deidade do ESPÍRITO SANTO, o qual sabe e conhece todas as coisas (I Co 2.10,11). Isso é um fato solene, mormente se considerarmos que Ele habita em nós: “habita convosco, e estará em vós” (Jo 14.17). A primeira parte dessa declaração de JESUS indica a permanência do ESPÍRITO SANTO em nós (“habita convosco”); e a segunda, a sua presença constante dentro de nós (“e estará em vós”).

Alguém pode habitar numa casa e não estar presente nela em determinada ocasião. Porém, o ESPÍRITO SANTO quer estar sempre presente no crente, como uma das maravilhas dessa “tão grande salvação” (Hb 2.3).

c) Onipotência. Ele é DEUS. Não há impossíveis para o ESPÍRITO SANTO. O homem é limitado, mas o Consolador tudo pode fazer e o maior milagre que Ele opera no homem ê o do novo nascimento (Jo 3.3).

O divino Consolador tem pleno poder sobre todas as coisas (Sm 104.30)

O ESPÍRITO SANTO tem poder próprio. Ê dEle que flui a vida, em suas dimensões e sentidos bem como o poder de DEUS (SI 104.30; Ef 3.16; At 1.8). Isso é uma evidência da deidade do ESPÍRITO SANTO. Ele tem autoridade e poder inerentes, como vemos em toda a Bíblia, máxime em o Novo Testamento.

Em I Coríntios 2.4, na única referência (no original) em que aparece o termo traduzido por “demonstração do ESPÍRITO SANTO”, designa-se literalmente uma demonstração operacional, prática e imediata na mente e na vida dos ouvintes do evangelho de CRISTO. E isso ocorre pela poderosa ação persuasiva e convincente do ESPÍRITO, cujos efeitos transformadores foram visíveis e incontestáveis na vida dos ouvintes de então, confirmando o evangelho pregado pelo apóstolo Paulo (I Co 2.4,5).

Era nítido o contraste entre a ação poderosa do ESPÍRITO e os métodos secos e repetitivos dos mestres e filósofos gregos da época, que tentavam convencer e conseguir admiradores e discípulos mediante demonstrações encenadas de retórica, dialética e argumentação filosófica; isto é, “sabedoria dos homens” (v.5). Que diferença faz o evangelho de poder do Senhor JESUS CRISTO, o qual “é o poder de DEUS para a salvação de todo o que crê” (Rm 1. 16)1

Paulo reconhecia que os mestres gregos o superavam em capacidade acadêmica e humana (2 Co 10.10; 11.6). Mas a sabedoria, a oratória e a argumentação filosófica deles era tão-somente um espetáculo teatral, vazio, que atingia apenas os sentidos dos espectadores. No apóstolo Paulo, ao contrário, operava, nesse sentido, o poder de DEUS (I Co 2.4,5; Cl 1.29; I Ts 1.5; 2 Co 13.10).

O poder do ESPÍRITO SANTO, que evidencia a sua deidade, é também revelado em passagens como Lucas 1.35, Jó 26.13 e 33.4, Salmos 33.6 e Gênesis 1.1,2. Esse divino poder, como já afirmamos, é liberado através da pregação do evangelho de CRISTO:

Na conversão dos ouvintes (Ato 2.37,38).

No batismo com o ESPÍRITO SANTO para os novos crentes (Ato 10.44).

Na expulsão de Espíritos malignos (Ato 8.6,7; Lc 11.20).

Na cura divina dos enfermos (Ato 3.6-8).

Na obediência dos crentes ao Senhor (Rm 16.19).



d) Eternidade. Ele é infinito em existência; sem princípio; sem fim; sem limitação de tempo (Hb 9.14). Ele estava presente no princípio, quando todas as coisas foram criadas (Gn 1.1,2).

Outros atributos. O ESPÍRITO de DEUS é denominado Senhor (2 Co 3.16-18); é descrito como Criador (Jó 26.13; 33.4; Sm 33.4; 104.3; Gn 1.1,2; Ez 37.9,10); e é classificado e mencionado juntamente com o PAI e o FILHO, o que, claramente, é uma grande evidência da sua divindade.

2. Alguns atributos comunicáveis.

a) O ESPÍRITO SANTO é santo. "SANTO" não como que tendo recebido esta santidade externamente, mas como consequência direta de sua natureza santa. ELE mesmo é santo.  Ele nos santifica (Rm 15.16; 1 Co 6.11).

b) O Fruto do ESPÍRITO e suas 9 qualidades é um atributo do ESPÍRITO SANTO que nos comunica suas virtudes. Mas o fruto do ESPÍRITO é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Gálatas 5:22.

c) Os dons do ESPÌRITO SANTO são também seus atributos que nos capacita a fazer a obra a de DEUS, reúne multidões para ouvir o evangelho e confirma nossa pregação como advinda de DEUS. Aí há muitas conversões com o ESPÍRITO SANTO os convencendo do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8).

Mas a manifestação do ESPÍRITO é dada a cada um, para o que for útil. Porque a um pelo ESPÍRITO é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo ESPÍRITO, a palavra da ciência; E a outro, pelo mesmo ESPÍRITO, a fé; e a outro, pelo mesmo ESPÍRITO, os dons de curar; E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo ESPÍRITO opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer. 1 Coríntios 12:7-11

Também muitos dos que seguiam artes mágicas trouxeram os seus livros, e os queimaram na presença de todos e, feita a conta do seu preço, acharam que montava a cinquenta mil peças de prata. Atos 19:19 - E, apegando-se o coxo, que fora curado, a Pedro e João, todo o povo correu atônito para junto deles, ao alpendre chamado de Salomão Atos 3:11

E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém. Marcos 16:20


3.    Os símbolos do Espírito      -     “E João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele.

E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele
que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo” (João 1:32-34).

O SENHOR DEUS nos fala hoje por meio de sua Palavra escrita. É o Espírito Santo falando na Palavra. E nela encontramos muitas figuras de linguagem: metáforas, símiles, símbolos, tipos, parábolas, alegorias e emblemas. Todas essas figuras são utilizadas por Deus, o Espírito Santo na Palavra. A pessoa e a obra do Espírito são ilustradas pelas figuras bíblicas. Nesse texto vamos estudar sete símbolos ou metáforas que estão relacionadas à pessoa do Espírito Santo.

ÁGUA

A água é um símbolo do Espírito Santo que se aplica principalmente à doutrina a salvação. É Jesus quem fala da salvação como beber água: “aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede, pelo contrário, a água que eu lhe der será como uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo 4:14). “O Espírito Santo, ao habitar no cristão é essa fonte a jorrar para a vida eterna”. (Jo 7:37-39).

A água é necessária para a limpeza e purificação. No Antigo Testamento era utilizada como símbolo de purificação dos sacerdotes (Êx 29:4; Lv 8:6). Ezequiel fala da água como instrumento de purificação dos sacerdotes. (Êx 29:4; Lv 8:6). Ezequiel fala da água como instrumento de purificação interior e a relaciona com a regeneração produzida pelo Espírito Santo (Ez 36:25-27). É o Espírito quem limpa nossos corações na regeneração e continua nos purificando durante o nosso processo de santificação (Tt 3:5; 1Jo 1:9).

FOGO

O fogo na Bíblia possui diversos significados, mas principalmente para simbolizar a presença de Deus (Êx 3:2; 12:21). O nosso Deus é fogo consumidor (Hb 12:29). O fogo é um sinal da aprovação de Deus (2Cr 7:1), da proteção de Deus (Zc 2:5), da purificação divina (Ml 3:3), do juízo de Deus (Lv 10:2).

O fogo é um emblema do Espírito Santo (Mt 3:11). Em Apocalipse o Espírito é comparado a “sete tochas de fogo que ardem diante do trono de Deus” (Ap 4:5). Em Atos 2:3, na descida do Espírito Santo (Pentecostes), vemos que o fogo era um sinal da presença do Espírito, que é o fogo que aquece, ilumina, purifica e fornece energia ao povo de Deus.

POMBA  

A pomba é o primeiro símbolo do Espírito Santo que encontramos no Novo Testamento. Foi quando João Batista batizou o Senhor Jesus: “E João testemunhou dizendo: Vi o Espírito descer do Céu como pomba e pousar sobre Ele. Eu não o conhecia; aquele, porém, que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo” (Jo 1:32-33). Temos uma manifestação da Trindade, quando o espírito é comparado a uma pomba.

A pomba é um dos mais antigos amigos do homem. A primeira menção que se faz da pomba na Bíblia é em Gn 8:8, 10, 12. Noé soltou a ave com o propósito de saber quanto havia baixado as águas do dilúvio.

As pombas são classificadas por Moisés entre os animais limpos, e sempre foram aves da mais alta estima nas nações orientais (Lv 11). As pombas poderiam ser usadas nos sacrifícios Levíticos, principalmente pelos pobres (Lv 1:14). Foi nessas condições que Maria ofereceu um par de rolas ou dois pombinhos, depois do nascimento de Cristo (Lv 12:8; Lc 2:22-24).

Quais os significados da pomba que podem ser aplicados ao Espírito Santo? A pomba é mencionada como símbolo de simplicidade, de inocência, de gentileza, afeição e fidelidade (Os 7:11; Mt 10:36).

VENTO

O vento é um símbolo da presença do Espírito Santo (Ez 37:9, 13; Jo 3:8; At 2:2). Jesus Cristo comparou a obra do Espírito à ação do vento, quando disse a Nicodemos: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai: assim é todo o que é nascido do Espírito” (Jo 3:8).

Após a sua ressurreição, Jesus soprou sobre os seus discípulos e disse: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20:22).

Algumas lições práticas:

  1. Assim como o vento é invisível na sua ação, o Espírito age de forma invisível no coração humano (Jo 3:8).
  2. Assim como o vento move um barco a velas, o Espírito de Deus moveu aqueles que escreveram as Escrituras (2 Pe 1:21).

ÓLEO

A principal fonte de óleo ou azeite entre os judeus era a oliveira. A “oferta de manjares”, prescrita pela lei era misturada ao óleo (Lv 2:4-7; 15; 8:26,31; Nm 7:19; Dt 12:17; 2Cr -32). O azeite estava incluído entre as ofertas de primeiros frutos (Êx 22:29-23:16) e o seu dízimo era obrigatório (Dt 12:17; 2 Cr 31:5).

O óleo era usado para iluminação (Êx 25: 6; 27:20-21; Zc 4:3, 12), no sacrifício diário (Êx 29:40) na purificação do leproso (Lv 14:10-28), e no complemento dos votos dos nazireus (Nm 6:15). Certas ofertas deviam efetuar-se sem aquele óleo, como por exemplo as que eram feitas para a expiação do pecado (Lv 5:11) e por causa de ciúmes (Nm 5:15).

Nos banquetes havia o costume de ungir os hóspedes – os criados ungiam a cabeça de cada um na ocasião em que tomavam seu lugar à mesa (Dt 28:40; RT 3:3; Lc 7:46). O azeite indicava alegria, ao passo que a falta denunciava tristeza ou humilhação (Is 61:3; Jl 2:19; Ap 6:6). Assim como o óleo era usado para a cura, o conforto, a iluminação e a unção, com propósitos específicos, o Espírito Santo cura, conforta, ilumina e unge ou consagra o cristão (1 Jo 1:27-29; 2 Co 1:21-22; Tg 5:14).

SELO

A figura do selo aparece três vezes no Novo Testamento (2 Co 1:21-22; Ef 1:13; 4:30). Quais são as funções e propósitos normais de um selo? O que ele significa?

O selo tem três funções básicas:

  1. A) autenticação de um documento;
  2. B) propriedade ou posse;
  3. C) proteção ou inviolabilidade.

O selo do Espírito Santo indica que o cristão é propriedade de Deus (Ef 1:13; 1Pd 2:9) e é protegido espiritualmente por Deus (1 Jo 5:18-19).

PENHOR

O Espírito Santo é comparado também ao “penhor” (Ef 1:14). Um penhor é uma parte do preço que se paga por alguma coisa, como garantia do pagamento final. É uma fiança.

O Espírito Santo nos foi outorgado no dia da nossa conversão e a sua presença em nós é uma garantia da nossa redenção final (Rm 8:23; Fp 1:6).


                III.     AS OBRAS DO ESPÍRITO SANTO


1.    O Espírito Santo e a Encarnação     -      A encarnação do Filho de Deus revela o papel singular do Espírito como o agente divino na concepção de Jesus. Lucas registra que o anjo Gabriel declarou a Maria: “Descerá sobre ti o Espírito Santo [...] o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35). O verbo “descerá” (gr. eperchomai) transmite a ideia de uma vinda intencional e eficaz, enfatizando que a ação do Espírito Santo é pessoal e direcionada. Essa linguagem indica que a concepção de Jesus não foi resultado de ação humana, mas o Espírito Santo em união com o poder do Pai, atua de modo sobrenatural no ventre de Maria. Mateus enfatiza a origem divina da concepção, ao revelar que Maria “se achou grávida pelo Espírito Santo” (Mt 1.18, NAA). 

O Evangelista reforça a informação: “porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo” (Mt 1.20, NAA). Aqui o verbo “gerado” (gr. gennáo) confirma a obra misteriosa do Espírito Santo e ratifica a ausência de qualquer intervenção física. Essa verdade está em consonância com o livro dos começos. Barclay destaca que “no princípio o Espírito de Deus sobrevoava a face das águas, e o caos se converteu em cosmos (Gn 1.2). O Espírito é o criador do mundo e o doador da vida. De maneira que, em Jesus Cristo, ingressa no mundo o poder de Deus que dá vida e cria”.15 Embora Jesus tenha sido concebido pelo Espírito Santo, Ele é eternamente o Filho do Pai, gerado e não criado Jo 1.1; Mq 5.2). 

A concepção virginal não cria o Filho, mas introduz a sua natureza humana na história. O Espírito Santo atua como agente da nova criação, formando no ventre de Maria o corpo santo do Salvador (Efb 10.5), sem a mácula do pecado, para que Ele pudesse ser o Cordeiro perfeito (1 Pe 1.19). Essa participação direta do Espírito confirma sua divindade, pois a concepção do Verbo encarnado é obra exclusiva de Deus. A concepção virginal de Jesus é, em essência, uma obra trinitária. O Pai é a fonte e o autor do plano redentor. O Pai é quem envia o Filho: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho” (G1 4.4, ARA). O Filho voluntariamente assume a natureza humana: “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens” (Fp 2.7, ARA).


2.    O Espírito Santo e a Ressurreição     -      A ressurreição é uma demonstração incontestável da soberania divina sobre a morte. As Escrituras afirmam que apenas Deus possui o poder de dar vida e restaurá-la: “Pois assim como o Pai ressuscita os mortos e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer” (Jo 5.21). Desse modo, a ressurreição de Cristo é um ato conjunto e inseparável do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O Pai é apresentado como aquEle que ressuscitou Jesus dentre os mortos (At 2.24). O Filho, por sua vez, declarou possuir autoridade para entregar a sua vida e retomá-la: “Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la” Jo 10.18, ARA). O verbo “reaver” (gr. lambáno) que significa “pegar de volta”, aponta para a divindade de Jesus, pois a vida e a ressurreição são prerrogativas exclusivas de Deus Jo 5.21; 11.25). Além disso, Jesus não apenas afirma que ressuscitará, mas se apresenta como a própria ressurreição: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá” Jo 11.25, ARA). 

Nas Escrituras, também o Espírito Santo é revelado como o agente vivificador dessa obra. Paulo declara: “o Espírito daquele que res suscitou a Jesus dos mortos [...] também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós” (Rm 8.11, TB). Essa afirmação possui duas dimensões: (i) aponta para a ação direta do Espírito Santo na ressurreição de Cristo; e (ii) garante aos crentes que esse mesmo Espírito lhes concederá vida na ressurreição final (1 Co 15.51-54). Dessa forma, a ressurreição de Cristo é uma obra trinitária: Esse ato revela a unidade e a igualdade do Espírito Santo com o Pai e o Filho, afirmando que Ele é plenamente Deus e participante da obra salvífica desde a encarnação até a consumação final.


3.     O Espírito Santo e a Santificação     -    Salvação e santificação são obras realizadas por JESUS no homem integral: ESPÍRITO, alma e corpo. A Bíblia afirma que fomos eleitos “desde o princípio para a salvação, em santificação do ESPÍRITO” (2Ts 2.13). Esta verdade está implícita em João 19.34. Do lado ferido do corpo de JESUS fluíram, a um só tempo, sangue e água. Isto é, o sangue poderoso de CRISTO nos redime de todo pecado, mas a água também nos lava de nossas impurezas pecaminosas.

CRISTO morreu “para nos remir de toda iniquidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” (Tt 2.14). A salvação e a santificação devem andar juntas na vida do crente.

A santidade de DEUS. A Bíblia diz que nosso DEUS é santíssimo: “SANTO, SANTO, SANTO é o Senhor dos Exércitos” (Is 6.3; Ap 4.8). A santidade de DEUS é intrínseca, absoluta e perfeita (Lv 19.2; Ap 15.4). E o atributo que mais expressa sua natureza. No crente, porém, a santificação não é um estado absoluto, é relativo assim como a lua, que, não tendo luz própria, reflete a luz do sol (cf. Hb 12.10; Lv 21.8b).

DEUS é “SANTO” (Pv 9.10; Is 5.16); e, quem almeja andar com Ele, precisa viver em santidade, segundo as Escrituras.

O que não é santificação. O próprio Pedro enganou-se a respeito da santificação (At 10.10-15). Vejamos o que não é a santificação bíblica.

Exterioridade (Mt 23.25-28; I Sm 16.7). Usos, práticas e costumes.

Estes últimos, quando bons, devem ser o efeito da santificação, e não a causa dela (Ef 2.10).

Maturidade cristã.

Não é pelo tempo que algo se torna limpo, mas pela ação contínua da limpeza. A maturidade cristã varia, como se vê em I João 2.12,13: “Filhinhos”; “pais”; “mancebos”; “filhos”.

Batismo com o ESPÍRITO SANTO e dons espirituais.

O batismo com o ESPÍRITO SANTO e os dons espirituais em si mesmos não equivalem à santificação como processo divino e contínuo em nós (At 1.8; I Co 14.3).

Santificar e santificação.

“Santificar” é “pôr à parte, separar, consagrar ou dedicar uma coisa ou alguém para uso estritamente pessoal”. SANTO é o crente que vive separado do pecado e das práticas mundanas pecaminosas, para o domínio e uso exclusivo de DEUS. E exatamente o contrário do crente que se mistura com as coisas tenebrosas do pecado.

A santificação do crente tem dois lados:

(I) sua separação para a posse e uso de DEUS; e (2) a separação do pecado, do erro, de todo e qualquer mal conhecido, para obedecer e agradar a DEUS. Ela tem também três aspectos: posicionai, progressiva e futura.

A santificação posicionai (Hb 10.10; Cl 2.10; I Co 6.11). No seu aspecto posicionai, a santificação é completa e perfeita, ou seja, o crente pela fé torna-se SANTO “em CRISTO”. DEUS nos vê em CRISTO perfeitos (Ef 2.6; Cl 2.10). Quando estamos “em CRISTO”, não há qualquer acusação contra nós (Rm 8.33,34), porque a santidade do Senhor passa a ser a nossa santidade (I Jo 4.17b).

A santificação progressiva. E a santificação prática, aplicada ao viver diário do crente. Nesse aspecto, a santificação do crente pode ser aperfeiçoada (2 Co). Os crentes mencionados em Hebreus 10.10 já haviam sido santificados, e continuavam sendo santificados (w. 10,14-ARA).

A santificação futura. “E o mesmo DEUS de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso ESPÍRITO, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor JESUS CRISTO” (I Ts 5.23). Trata-se da santificação completa e final (I Jo 3.2). Leia também Efésios 5.27 e I Ts 3.13.



A SANTIFICAÇÃO COMO UM PROCESSO

O crescimento do crente “em santificação” ocorre à medida que o ESPÍRITO o rege soberanamente, e o crente, por sua vez, o busca, em cooperação com DEUS: “Sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (I Pe I.I5).

O lado divino da santificação progressiva. São meios que o Senhor utiliza para santificar- nos em nosso viver diário. Esses recursos divinos são: o sangue de JESUS CRISTO (Hb 13.12; I Jo 1.7,9); a Palavra de DEUS (Sm 12.6; 119.9; Jo 17.17; Ef 5.26); o ESPÍRITO SANTO (Rm 1.4; I Pe 1.2; 2 Ts 2.13); a glória de DEUS manifesta (Êx 29.43; 2 Cr 5.13, 14); e a fé em DEUS (Ato 26.18; Fp 3.9; Tg 2.23; Rm 4.11).

O lado humano da santificação progressiva. DEUS é quem opera a santificação no crente, embora haja a cooperação deste.

Os meios coadjuvantes de santificação progressiva são:

O próprio crente. Sua atitude e propósito de ser SANTO, separado do mal para posse de DEUS, são indispensáveis. E o crente tendo fome e sede de ser SANTO (Mt 5.6; 2Tm 2.21, 22; I Tm 5.22).

O SANTO ministério.

Os obreiros do Senhor têm o dever de cooperar para a santificação dos crentes (Êx 19.10,14; Ef 4.11,12).

Pais que andam com DEUS.

Assim como Jó (Jó 1.5), os pais devem cooperar para a santificação dos filhos. Eunice, por exemplo, colaborou para a integridade de Timóteo, seu FILHO (2Tm 1.5; 3.15). Por outro lado, pais descuidados podem influenciar negativamente seus filhos, como no caso de Herodias que influenciou a Salomé (Mac 6.22-24).

As orações do justo (Sm 51.10; 32.6).

A oração contrita, constante e sincera tem efeito santificador.

A consagração do crente a DEUS (Lv 27.28b; Rm 12.1,2).

A rendição incondicional do crente a DEUS tem efeito santificador nele.

Estorvos à santificação do crente.

Estorvos são embaraços que impedem o cristão de viver em santidade, tais como:

Desobediência.

Desobedecer de modo consciente, contínuo e obstinadamente à conhecida vontade do Senhor (Êx 19.5,6).

Comunhão com as trevas. Comungar com as obras infrutíferas das trevas (Rm 13.12); com os ímpios, seus costumes mundanos e suas falsas doutrinas (Ef 5.3; 2 Co 6.14-17).

Áreas da vida não santificadas. Alguns aspectos reservados da vida do crente que não foram consagrados a DEUS devem ser apresentados ao Senhor. Como, por exemplo, mente, sentidos, pensamento, instintos, apetites e desejos, linguagem, gostos, vontade, hábitos, temperamento, sentimento. Um exemplo disso está em Mateus 6.22,23.

A necessidade de santificar-se. Para esse tópico aconselhamos a leitura meditativa de 2 Coríntios 7.1 e I Ts 4.7. Vejamos por que é necessário seguir a santificação:

A Bíblia ordena. A Bíblia afirma que temos dentro de nós a “lei do pecado” (Rm 7.23; 8.2). Daí ela ordenar que sejamos santos (I Pe I.I6; Lv 11.44; Ap

 o Senhor habita somente em lugar SANTO (Is 57.15; I Co 3.17).

Só os santos serão arrebatados. O Senhor JESUS — que é SANTO — virá buscar os que são consagrados a Ele (I Ts 3.13; 5.23; 2 Ts 1.10; Hb 12.14). Por isso, a vontade de DEUS para a vida do crente é que ele seja SANTO, separado do pecado (I Ts 4.3).

A santidade revelada de DEUS. Uma importante razão pela qual o crente deve santificar-se é que a santidade de DEUS, em parte, é revelada através do procedimento justo e da vida santificada do crente (Lv 10.3; Nm 20.12). Então, o crente não deve ficar observando, nem exigindo santidade na vida dos outros; ele deve primeiro demonstrar a sua!

Os ataques do Diabo. Devemos atentar para o fato de que o Inimigo centraliza seus ataques na santificação do crente. A principal tática que o Adversário emprega para corromper a santidade é o pecado da mistura. Isso ele já propôs antes a Israel através de Faraó (Êx 8.25), o que abrange mistura da igreja com o mundanismo; da doutrina do Senhor com as heresias; da adoração com as músicas profanas; etc.

Em muitas igrejas hoje a santificação é chamada de fanatismo. Nessas igrejas falam muito de união, amor, fraternidade, louvor, mas não da separação do mundanismo e do pecado. Notemos que as “virgens” da parábola de Mateus 25 pareciam todas iguais;

a diferença só foi notada com a chegada do noivo. Estejamos, pois, preparados para

o Encontro com JESUS nos ares, avivados para o Arrebatamento (I Ts 4.16,17).




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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.

Pr. Setorial – Pr. Saulo Marafon.

Pr. Local: Pr. Selmo Pedro.

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas, Douglas Baptisda- Editora CPAD

(Extraído da Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal, CPAD, p. 1472.)


Dicionário Strong em Português - παρακλητος parakletos

Cláusula Filioque – Wikipédia, a enciclopédia livre

EBD NA TV - Pr. Henrique, 99-99152-0454 WhatsApp, Min.Belém, SP - Canal YouTube @PrHenrique: Escrita Lição 8, CPAD, O Deus Espírito Santo, 1Tr26, Com. Extras do Pr Henrique, EBD NA TV

7 MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO – Pregadores do Telhado




terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

LIÇÃO 07 - A OBRA DO FILHO.




Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                TEXTO ÁUREO

"Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome." ( Fp 2.9)


                VERDADE PRÁTICA

A humilhação voluntária de Cristo, sua obra redentora e sua exaltação gloriosa revelam que somente Ele é digno de toda adoração e obediência.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Filipenses 2. 5-11; Hebreus 9. 24-28


                    INTRODUÇÃO


A encarnação e a vida terrena de Jesus Cristo revelam o mistério profundo da humilhação voluntária do Filho de Deus. Ele renunciou ao exercício pleno de seus direitos divinos em favor da salvação dos pecadores. Sua missão não terminou na manjedoura. O propósito da encarnação foi a redenção da humanidade por meio de sua morte substitutiva na cruz e sua ressurreição gloriosa (Lc 19.10; Hb 9.12). A cruz não foi o fim, mas o caminho para a glória. Sua humilhação foi seguida por sua exaltação suprema, como resposta do Pai à sua perfeita obediência e sacrifício expiatório (Fp 2.9-11). Sob tais premissas, este capítulo apresenta a obra do Filho em três dimensões: sua humilhação, sua redenção e sua exaltação.

Nenhum outro sacrifício, tanto o de animais no AT quanto o de seres humanos na história das nações pagãs, com vistas a alcançar a salvação do homem, teve o êxito de apagar os pecados do passado, do presente e do futuro. Somente o sacrifício de CRISTO foi completo nesse sentido, a ponto de anular uma aliança antiga para inaugurar um novo tempo de relacionamento com DEUS, estabelecendo uma aliança nova, superior e perfeita.
Que ideia foi desenvolvida na sociedade judaica do AT?
Na sociedade judaica do AT, desenvolveu-se uma ideia de mérito por intermédio do sistema de sacrifícios de animais. Bastava apresentar uma vítima inocente no Templo e a pessoa satisfazia a sua própria consciência.
Por que foi necessária a nossa reconciliação com DEUS?
Essa reconciliação foi necessária porque o nosso relacionamento com o Altíssimo estava rompido, visto que o homem pecador não pode ter comunhão com o DEUS santo.
Quando fomos vivificados por DEUS?
Uma vez reconciliados com DEUS, fomos vivificados por Ele quando estávamos mortos em ofensas e pecados, um estado espiritual de quem se encontra longe de DEUS. Assim, o ESPÍRITO SANTO operou em nós, produzindo vida espiritual como fonte transbordante, injetando em nós sede pela presença de DEUS, fazendo-nos uma fonte de água viva, nos enviando para produzir muitos frutos no Reino de DEUS e capacitando-nos para que todos conheçam a salvação em CRISTO JESUS.
O que é redenção?
A redenção é o ato de remir, isto é, libertar, reabilitar, reparar e salvar algo ou alguém.
 


                I.    A HUMILHAÇÃO VOLUNTÁRIA DO FILHO


1.    A submissão de Cristo     -     Aqui, Paulo apresenta Cristo com o exemplo supremo de humildade, e modelo máximo de serviço abnegado, contrastando com a tendência do ser humano ao orgulho e à autopromoção (Gn 3.5; Is 14.13-14). O termo grego para “sentimento” é phroneõ, que significa  mais do que uma emoção passageira — trata-se de um modo de pensar, uma disposição humilde que dirige e molda a mente por uma visão ética e espiritual.1 Na sequência do texto, Paulo introduz o chamado “hino cristológico” (Fp 2.6-11), considerado uma das porções mais sublimes acerca da encarnação e da exaltação de Cristo. 

A perícope apresenta dois movimentos: (i) a humilhação voluntária do Filho (Fp 2.6-8); e (ii) a exaltação gloriosa de Cristo pelo Pai (Fp 2.9-11). Nessa perspectiva, Paulo convida os Filipenses a seguirem o exemplo deixado por Cristo e assumirem concretamente sua atitude de humildade e serviço voluntário. Isso demonstra que o crente deve, em todo tempo e de toda a maneira, imitar o mesmo modo de pensar e viver que foi demonstrado por Jesus Cristo (1 Jo 2.6). Essa conduta a ser assumida pelo cristão refere-se a uma consciência orientada pela humildade e pelo exercício do amor Jo 13.15). Imitar a mente de Cristo significa o abandono de exclusividade e busca por prestígio, trata-se de um convite à cruz diária (Lc 9.23). 

 A submissão voluntária de Cristo ao Pai Jo 6.38; Mt 26.39) revela o caminho da obediência plena, que deve caracterizar todo cristão. Dessa forma, o chamado é para pensar e agir como Cristo, o que envolve transformação da mente (Rm 12.2), vida de serviço (Mc 10.45) e a renúncia do próprio eu (Fp 2.3-4). Implica, ainda, buscar o bem do próximo, e não se moldar ao espírito do presente século. Reporta-se a um viver diário prático e renovado (Rm 12.1-2). Essa renovação é operada pelo Espírito Santo por meio da Palavra (2 Co 3.18; Ef 4.23; Cl 3.10). Tal transformação habilita o crente a discernir e praticar a vontade de Deus, e essa vontade é sempre voltada para a glória do Pai em todas as esferas da existência — trabalho, família, relacionamentos e ministério (1 Co 10.31; Mt 5.16). Como cristãos, somos chamados não apenas a crer em Cristo, mas a pensar e agir como Ele (Mt 11.29).


2.    O esvaziamento de sua glória      -       O verbo “subsistindo” (gr. hyparcho) indica um estado contínuo e permanente, ou seja, Cristo sempre foi Deus, mesmo antes de sua encarnação (Jo 1.1; Cl 1.17). A expressão “forma de Deus” (gr. morphê Theou) aponta para a essência divina compartilhada com o Pai, não apenas uma aparência. Conforme leciona Barclay, “Jesus está de maneira inalterável na forma de Deus; sua essência e seu ser imutável são divinos”. Contudo, Cristo não considerou esse status divino como algo a ser usado em benefício próprio. A frase traduzida “como usurpação” (gr. harpagmós) pode ser entendida como “algo a ser retido a todo custo” ou “algo a ser explorado egoisticamente”. A versão brasileira (TB) traduz como “não julgou que o ser igual a Deus fosse coisa de que não deves se abrir mão”. Como escreve Hendriksen, “Ele não considerou o fato de ser igual a Deus como sendo algo que não devesse escapar de seu domínio”.

Aqui é importante ratificar que, na encarnação, Jesus não perdeu seus atributos divinos. Cristo não deixou de ser Deus, mas abriu mão da manifestação externa da sua glória e dos privilégios celestiais Jo 17.5). Stronstad corrobora com essa interpretação ao afirmar que a “divindade foi algo que Jesus se recusou a reconhecer como seu direito inalienável. Ele colocou de lado os seus direitos (não a sua divindade), e não os defendeu”.5 Sim, Ele se humilhou, tornando-se servo (gr. doulos), com total identificação com os homens (Hb 2.14-17; 4.15).


3.    Obediência sacrificial até à cruz    -    A expressão “humilhou-se a si mesmo” (gr. etapdrwsen heauton) indica um ato voluntário e intencional de submissão. Ele não foi humilha do pelos homens apenas — Ele escolheu se humilhar Jo 10.17-18). Cristo desceu à condição mais humilde e morreu como servo (2 Co 8.9). Em obediência ao Pai, submeteu-se à humilhação da cruz (Hb 12.2). Beacon descreve que “a morte de cruz fala do clímax da humilhação própria de Cristo, pois era a maneira mais infame de morte conheci da nos dias de Paulo [...] associada à cruz estava a vergonha mais intensa”, A frase “morte de cruz” era uma expressão carregada de horror e escândalo para os judeus (Dt 21.23; G1 3.13) e vergonha para os gentios (1 Co 1.23). Mas Cristo, o Santo de Deus, submeteu-se a essa ignomínia por amor aos pecadores (Hb 12.2). 

O termo “obediente” (gr. hypekoos) carrega a ideia de submissão completa à autoridade. A obediência de Jesus não foi parcial, nem condicional, mas plena, ativa e contínua, desde a manjedoura até o Cal vário. As Escrituras ensinam que pela desobediência, o primeiro Adão trouxe condenação pelo pecado; e Cristo, o segundo Adão, trouxe justiça por meio de sua perfeita obediência (Rm 5.19). Essa verdade ratifica que a obra redentora do Filho está fundamentada na obediência completa de Cristo ao Pai Jo 6.38). Por sua obediência, Cristo “não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho” (2 Tm 1.10, ARA). A salvação dos pecadores é resultado dessa obediência, e não de méritos humanos (Ef 2.8-9).

Portanto, a morte de cruz não foi um acidente de percurso, mas o culminar do propósito redentor de Deus (At 2.23). Cristo obedeceu até o fim, por amor ao Pai e à humanidade. A obediência ativa de Cristo inclui toda a sua vida de conformidade com a vontade do Pai (Jo 4.34; Jo 6.38), e sua obediência passiva culmina na cruz Jo 10.17-18). A justificação do salvo se fundamenta nessa perfeita obediência de Cristo, imputada por meio da fé (2 Co 5.21; Ef 2.8-9). A obediência de Cristo não é apenas substitutiva, mas serve de exemplo ao crente para obedecer à vontade do Pai (Rm 12.1; Mt 16.24).




                II.    A OBRA REDENTORA DO FILHO


1.    A ineficácia do sacerdócio levítico     -    O sacerdócio levítico da Antiga Aliança tinha por função mediar entre Deus e os homens por meio de rituais prescritos na Lei (Êx 28-29). O ponto culminante desse ministério era o Dia da Expiação (Tom Kippur), quando o sumo sacerdote adentrava ao Santo dos Santos, uma vez ao ano, com o sangue de animais, para fazer expiação tanto por seus próprios pecados quanto pelos do povo (Lv 16.11-15). O autor aos Hebreus explica a limitação desse sistema levítico, cuja eficácia era temporária e simbólica, apontando para algo maior (Hb 9.7,25; 10.1-4). 

A repetição anual demonstrava sua incapacidade de purificar a consciência ou de oferecer redenção plena.' Esse sacerdócio estava marcado pela transitoriedade. Seus ministros eram homens pecadores (Hb 7.27-28), o sumo sacerdote terreno era uma figura (tipo) de Cristo, que é o real e eterno Sumo Sacerdote (Hb 2.17). Seu santuário era terreno e provisório (Hb 8.5; 9.1). Seus sacrifícios eram apenas tipológicos, incapazes de remover definitivamente o pecado (Hb 10.4). A Lei levítica não conduziu à perfeição, pois foi dada como “sombra dos bens futuros” (Hb 10.1). Por ser imperfeito, o sacerdócio levítico foi substituído por um superior, o sacerdócio de Cristo (Hb 7.23-24). 

A doutrina cristã entende que Cristo é o antítipo perfeito, o cumprimento do que o sistema levítico apenas prenunciava. Enquanto o sacerdote levítico oferecia sangue alheio (animal), Cristo ofereceu o seu próprio sangue (Hb 9.12). Enquanto o sumo sacerdote terreno voltava ano após ano, Jesus entrou no céu mesmo e de uma vez por todas, para interceder pelos pecadores diante do Pai (Hb 8.1-2). A entrada única de Cristo no santuário assegura uma eterna redenção (Hb 9.25-26).


2.    O sacrifício único e suficiente    -    O sacrifício de JESUS na cruz é considerado único e suficiente, pois ocorreu "uma vez por todas" (Hebreus 10:10-14), anulando a necessidade de repetições e sacrifícios rituais do Antigo Testamento. Essa oblação definitiva de CRISTO resgatou a humanidade, oferecendo perdão completo e santificação eterna. 

Aqui estão os pontos fundamentais sobre essa doutrina:

  • Único e Definitivo: JESUS não precisa ser sacrificado novamente. Sua morte resolveu a questão do pecado de forma absoluta e eterna.
  • Suficiente para a Salvação: Seu sacrifício é o único meio para a reconciliação com DEUS e salvação, não dependendo de obras humanas.
  • Cumprimento das Escrituras: Ele agiu como o verdadeiro "Cordeiro de DEUS", cumprindo as profecias e o sistema de alianças.
  • Acesso Direto: Através do sangue de JESUS, os fiéis ganham livre acesso a DEUS. 

A aceitação desse sacrifício traz a vida eterna, transformando a relação entre a humanidade e o Criador

Assim sendo, a morte de Jesus foi definitiva, completa e eficaz. Ele se ofereceu “uma vez para levar os pecados de muitos” (Hb 9.28a, ACF). A expressão “uma vez” (gr. hápax) significa literalmente “uma única vez para sempre”, e indica que não há necessidade de repetição, o que Ele fez é perfeito e eterno (Eíb 10.10). Conforme anota Guthrie, “a frase ex pressa a completa suficiência do sacrifício de Cristo”.10 A salvação não é progressiva por méritos ou rituais humanos, mas plena e gratuita, alcançada pela fé na obra consumada de Cristo (Jo 19.30). Cristo, ao morrer, rasgou o véu que separava o homem da presença de Deus (Mt 27.51). Não há outro meio de salvação, nenhuma outra oferta, nenhum outro nome (At 4.12). O Calvário é suficiente. Jesus é tudo!


3.    A substituição vicária     -     A substituição vicária é inseparável da justiça divina (Rm 3.26). Conforme interpreta Pohl, “na morte de Jesus o Deus todo se revelou totalmente — inteiramente como juiz, inteiramente como redentor. Ele julgou com o máximo rigor, porém amou seus inimigos com amor supremo”.11 No entanto, o pecado não podia ser ignorado, o peca do precisava ser punido (Rm 5.21).

Somente Cristo, o Cordeiro de Deus sem mácula, podería cumprir cabalmente essa função substitutiva (Jo 1.29). Ele não apenas cobriu o pecado, como nos ritos do Antigo Testamento, mas o removeu definitivamente, assumindo sobre si a culpa da humanidade caída. Dessa forma, a substituição vicária é o cerne da doutrina da expiação, ela integra o plano eterno de redenção, revelado progressivamente nas Escrituras desde o Éden (Gn 3.21). Ratifica-se que a doutrina afirma que Cristo morreu em lugar do pecador, suportando a ira justa de Deus contra o pecado (Rm 3.25- 26). A justiça divina exige punição, e o amor divino proveu um substituto: Jesus Cristo. 

Nesse entendimento, Horton ratifica que “Cristo su portou em nosso lugar a total penalidade que deveriamos pagar [...] Ele sofreu, não meramente para nosso beneficio ou vantagem, mas em nos só lugar”.12 Essa verdade da substituição vicária de Cristo deve produzir em todo crente salvo sentimento de gratidão reverente, adoração sincera e uma vida consagrada. Como diz Paulo: “Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5.15). Cristo morreu pelos pecadores, e isso muda tudo. A cruz não é apenas um símbolo religioso, mas o local onde a dívida da culpa foi paga, o pecado foi julgado e a salvação foi selada.



                III.       A EXALTAÇÃO GLORIOSA DO FILHO


1.    Recebido à destra do Pai     -     Henry corrobora com esse entendimento ao afirmar que a exaltação de Cristo “foi a recompensa da sua humilhação. Pelo fato de Ele se humilhar, Deus o exaltou; e o exaltou soberanamente a uma posição extraordinariamente elevada”.14 Cristo não apenas venceu a morte, mas foi exaltado à posição suprema no Universo: “depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas” (Hb 1.3). Estar “à destra do Pai” não é apenas uma referência espacial, mas uma metáfora rica em significados. 

Simboliza autoridade suprema, honra, glória e domínio (SI 110.1; Mt 26.64). A destra é o lugar de honra reservado ao herdeiro real (1 Rs 2.19). Estar assentado expressa descanso depois do conflito (Ef 4.10; Hb 8.1). Deus exaltou a Jesus crucificado, não apenas o ressuscitando dos mortos, mas também o entronizando no céu.15 Assim, o fato de Cristo estar assentado demonstra o reconhecimento divino da obra completa realizada pelo Filho (Jo 17.4-5). Nesse aspecto, a exaltação de Cristo é uma das fases da Cristologia, que contempla os estados de humilhação e exaltação de Jesus. A humilhação inclui sua encarnação, sofrimento, morte e sepultamento. 

 A exaltação compreende sua ressurreição, ascensão, assentamento à destra de Deus e ainda o seu retorno glorioso. Essa doutrina da exaltação de Cristo é confessada universalmente na fé cristã ortodoxa. O Credo dos Apóstolos afirma: “subiu ao céu, e está sentado à mão direita de Deus, o Pai Todo-Poderoso”. Ele não apenas retornou para o céu; Ele assentou-se no trono (Ap 3.21). O Cristo exaltado é a nossa esperança viva, pois está entronizado e intercede por nós (Rm 8.34; Hb 7.25). João confirma essa esperança em sua visão apocalíptica: “Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono” (Ap 3.21).


2.    Um nome acima de todo nome    -    No Antigo e Novo Testamentos, o “nome” representa a essência, o caráter, a autoridade e a reputação da pessoa (SI 8.1; Pv 18.10; Mt 1.21). Ao dizer que Cristo recebeu um nome sobre-excelente, a Escritura afirma que nenhuma autoridade, visível ou invisível, se compara ao seu poder e posição (Ef 1.21a). Henry anota que se trata de “um título de dignidade acima de todas as criaturas, homens e anjos”.18 Isso significa que Cristo foi exaltado acima de toda eminência do bem e do mal e de todo título que se possa conferir nesta era e também no porvir (Ef 1.21b). Implica dizer que nenhuma força — seja humana, seja demoníaca, política ou espiritual — pode se comparar ou rivalizar com Cristo. Ele não apenas reina sobre todos; Ele é o Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap 19.16). 

Desse modo, a frase “nome acima de todo nome” reflete a soberania universal e messiânica de Jesus, como anunciado pelos profetas (Is 9.6-7; Dn 7.13-14) e confirmado pela ressurreição (Rm 1.4). Conforme leciona Stronstad, Cristo foi entronizado como Senhor “acima de todo principado, e poder, e potestade, e domínio” (Ef 1.21); e nomeado como a autoridade suprema para a Igreja (Ef 1.22,23).19 Essa declaração faz analogia com o texto messiânico em que todos os inimigos estariam sob o estrado dos pés de Cristo (SI 110.1b). Nesse sentido, Stronstad ratifica que Cristo foi “nomeado como o soberano acima de todas as coisas, isto é, o chefe supremo da criação, a manifes tação final do que nos espera no futuro (Ef. 1.10)”.

 Portanto, não existe poder algum que seja maior e nem mesmo igual ao poder de Cristo (1 Pe 3.22).21 22 O nome de Jesus não é apenas um símbolo de fé, mas uma fonte real de autoridade. O Senhor delegou à Igreja o uso de seu nome, para curar, libertar, pregar e vencer as forças do mal \ 1 c 16.17-18). Contudo, o nome de Jesus não e uma fórmula mágica, mas representa sua presença e poder concedidos à Igreja. A expressão “nome de Jesus”; não se refere ao som da palavra, mas à autoridade de Jesus. Usar o nome de Jesus significa agir em sua missão, segundo sua vontade, sob seu senhorio e para sua glória.


3.    Soberania universal e retorno triunfal    -    A Bíblia declara que todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor (Fp 2.10-11). A expressão “todo joelho se dobre” (NVT) ecoa a profecia, onde o próprio Deus declara que toda criatura se curvará diante dEle (Is 45.23). Ao aplicar esse texto ao Filho, Paulo ratifica a divindade e o senhorio de Cristo. A estrutura tripartida “nos céus, na terra e debaixo da terra” (Fp 2.10b, NVT) indica o alcance universal e cósmico do do mínio de Cristo. Hendriksen chama atenção para as três classes de seres: (i) no céu: os humanos redimidos e os seres celestiais; (ii) na terra: os seres humanos vivos; e (iii) debaixo da terra: os condenados no inferno, tanto humanos quanto anjos maus ou demônios." Não haverá criatura que escape ao reconhecimento do senhorio de Jesus.

Hebreus afirma que Ele voltará para levar para si os que o esperam (Hb 9.28). Esse retorno será em glória e majestade, poder e juízo (Mt 24.30). Sua glória será reconhecida por todos — para salvação ou para condenação. Ele voltará triunfante para buscar sua Noiva e para reinar eternamente Jo 14.2-3; Ap 11.15). Diante da soberania de Jesus e da certeza do seu retorno triunfal, o cristão é convocado a dobrar seus joelhos em adoração e proclamar com ousadia: Maranata! Jesus Cristo é o Senhor!




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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas, Douglas Baptisda- Editora CPAD