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| Pb. Junio - Congregação Boa Vista II |
TEXTO ÁUREO
"Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com o seu próprio sangue." (At 20.38)
VERDADE PRÁTICA
A igreja é preservada quando líderes vigilantes cuidam do rebanho com fidelidade à palavra e submissão ao Espírito Santo.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 20. 17-25, 36-38
INTRODUÇÃO
O texto de Atos 20.17-38 narra o discurso de Paulo aos anciãos da igreja de Éfeso, em Mileto, antes da sua partida definitiva da Ásia. É importante por conter o único registro de um sermão seu diante de um auditório formado só de cristãos. Esse discurso de despedida de Paulo é um dos textos mais emocionantes e significativos do Novo Testamento, funcionando como um testamento espiritual e um modelo de liderança. Paulo exorta-os a cuidar do rebanho de Deus, alertando-os sobre os lobos devoradores que surgiriam entre eles e sobre homens que falariam coisas perversas para desviar os discípulos.
Esse discurso revela a preocupação do apóstolo com a preservação da pureza doutrinária da Igreja. Esse texto é de grande relevância, pois expõe tanto a ameaça das falsas doutrinas quanto o chamado à fidelidade ao ensino apostólico. Ele também compartilha a sua experiência de trabalho incansável e demonstração de amor por eles, lembrando que “mais bem-aventurada coisa é dar do que receber”. O trecho culmina com uma oração conjunta, lágrimas, abraços e beijos de despedida, pois os anciãos sabiam que nunca mais veriam o apóstolo. O discurso de Paulo é um apelo poderoso à fidelidade, à vigilância doutrinária e ao serviço sacrificial, deixando um legado duradouro sobre o que significa pastorear a Igreja de Deus.
Warren Wiersbe divide a mensagem de despedida de Paulo em três partes:
1. Ao recapitular o passado (20.18-21), Paulo enfatizou sua fidelidade ao Senhor e à igreja ao ministrar durante três anos em Efeso.
2. Ao falar sobre o presente (20.22-27), Paulo revelou seus sentimentos tanto em vista do passado quanto do futuro.
3. Por fim, ao mencionar o futuro (20.28-35), Paulo advertiu-os sobre os perigos que seriam enfrentados pela igreja.66
I. O MINISTÉRIO DE PAULO COMO EXEMPLO DE FIDELIDADE
1. Um ministério vivido com coerência e entrega (Vv. 17-21) - Mileto era um lugar de parada natural para os navios costeiros cuja rota fosse o sul, e suficientemente perto de Éfeso para que Paulo convocasse os anciãos. O verbo transmite ao mesmo tempo um senso de solicitude ansiosa e autoridade. É evidente que Paulo podia contar com uma estada ali de alguns dias, se levarmos em conta o tempo gasto no desembarque, o despacho do mensageiro e a viagem dos anciãos a Mileto; a reunião em que o apóstolo lhes falou não poderia ter ocorrido senão no terceiro dia.
Paulo pôde apelar para o próprio conhecimento que os presbíteros tinham do seu caráter e conduta. O seu exemplo de vida autêntica e o seu caráter coerente autenticaram o seu ministério e liderança. A verdadeira fidelidade começa com uma atitude de servo, que se envolve na vida das pessoas com compaixão e sofre com as suas dificuldades (vv. 18,19). Paulo relembra a sua caminhada entre os efésios, que foi marcada por humildade, lágrimas, provações e, sobretudo, com dedicação integral à pregação da Palavra, o seu desprendimento material e coragem diante das adversidades (v. 19). O seu foco não estava em interesses pessoais, mas em anunciar todo o conselho de Deus, pregando arrependimento e fé em Cristo.
A chegada dos anciãos, Paulo lhes falou, de início, de seu próprio ministério. Este lhes era bem conhecido, embora ele tivesse em mente não apenas a obra em Éfeso, mas na província toda. Todavia, a maior parte de seu tempo ele passou em Éfeso, de modo que eles tinham razão especial para expressar gratidão pelo seu ministério. Daí a ênfase no grego no pronome pessoal vós, na frase vós bem sabeis, desde o primeiro dia...como em todo esse tempo me portei no meio de vós. Esse apelo à memória do povo é traço familiar da fala de Paulo (cp. Filipenses 1:5; 4:15; Colossenses 1:6; 1 Tessalonicenses 2:ls, 5, lOs), embora o verbo "saber" seja característica de Lucas.
2. A fidelidade apostólica como guarda da verdade - O ministério paulino havia sido marcado pelo auto-sacrifício. As muitas lágrimas não foram derramadas por causa de suas dificuldades (lit., "provações" ou "tentações"), que foram, ao contrário, uma fonte de alegria, mas pelo sofrimento alheio — por causa dos irmãos "em Cristo" que enfrentavam aflições (cp. v. 31; Romanos 9:2; 2 Coríntios 2:4; Filipenses 3:18)), e por causa das pessoas sem Cristo que viviam num mundo "sem esperança e sem Deus" (Efésios 2:12). Podemos entender a referência paulina a lágrimas de modo literal; Paulo não era um estóico para quem a insensibilidade seria uma virtude (veja a nota sobre 17:18). Ele vinha servindo ao Senhor com toda a humildade num mundo em que a humildade era considerada falta, não virtude — algo adequado a um escravo apenas (as palavras "toda" e "humildade" são típicas de Paulo; cp. Efésios 4:2; Filipenses 2:3; Colossenses 2:18, 23; 3:12).
No entanto, Paulo via a si mesmo como um "escravo do Senhor" (a expressão de NIV e de ECA, servindo ao Senhor perde a força da língua grega; quanto à expressão "ser um escravo, servir" cp. Romanos 12:11; 14:18; 16:18; Efésios 6:7; Filipenses 2:22; Colossenses 3:24; 1 Tessalonicenses l:9s.; quanto ao substantivo "servo", Romanos 1:1; Gálatas 1:10; Filipenses 1:1; Tito 1:1). A referência às ciladas dos judeus faz-nos lembrar que há muita coisa nesta história que Lucas não nos narrou. O próprio Paulo preenche algumas dessas lacunas (1 Coríntios 15:32; 2 Coríntios 1:8-10; ll:23ss.;cp. Atos 9:23; 20:3; 23:12; 25:3; 1 Tessalonicenses 2:14-16 quanto a outras ciladas).
3. Fidelidade diante do futuro e consciência irrepreensível (Vv. 22-27) - 1. O líder precisa cuidar de si mesmo antes de cuidar do rebanho de Deus. A vida do pastor é a vida do seu pastora- do. Há muitos obreiros cansados da obra e na obra porque procuram cuidar dos outros sem cuidarem de si mesmos. Antes de pastorearmos os outros, precisamos pastorear a nós mesmos. Antes de exortar os outros, precisamos exortar a nós mesmos. Antes de confrontarmos os pecados dos outros, precisamos confrontar os nossos próprios pecados. O pastor não pode ser inconsistente. Sua vida é a base de sus tentação do seu ministério. O sermão mais eloquente pregado pelo pastor é o sermão da vida. O sermão mais difícil de ser pregado é aquele que pregamos para nós mesmos.
2. O líder precisa cuidar de si mesmo para não praticar o que condena. O ministério não é uma apólice de seguro contra o fracasso espiritual. Há grande perigo de o pastor acostumar-se com o sagrado e perder de vista a necessidade de temer e tremer diante da Palavra. Os filhos de Eli carregavam a arca da aliança com uma vida impura. A arca não os livrou da tragédia. Muitos pastores vivem na prática de pecados e ainda assim mantêm a aparência. Muitos Paulo rumo a Jerusalém pastores saem dos esgotos da impureza, navegando no lamaçal de sites pornográficos, e depois sobem ao púlpito e exortam o povo à santidade. Essa atitude torna os pecados do pastor mais graves, mais hipócritas e mais danosos do que os das demais pessoas. São mais graves porque o pastor peca contra um conhecimento maior; mais hipócritas, porque o pastor condena o pecado em público e, às vezes, o pratica em secreto; e, mais danosos, porque quando um pastor cai, mais pessoas são atingidas.
3. O líder precisa cuidar de si mesmo para não cair em descrédito. Há pastores que perderam o ministério porque foram seduzidos pelos encantos do poder, embriagados pela sedução do dinheiro e acabaram presos às teias da tentação sexual. Há pastores que causaram mais males com seus fracassos do que benefícios com seu trabalho. Se um pastor perder a credibilidade, perde também o seu ministério. A integridade do pastor é o fundamento sobre o qual ele constrói seu ministério. Sem vida íntegra não existe pastorado. Hoje, assistimos com tristeza a muitos pastores gananciosos que mercadejam a Palavra e vendem a consciência no mercado do lucro. Há obreiros que são rigorosos com os crentes, mas levam de forma frouxa sua vida pessoal. Há pastores que apascentam a si mesmos, e não ao rebanho. Amam a sua própria glória em vez de buscar a honra do Salvador.
A alusão se refere ao atalaia de Ezequiel 33:1-6, usado como símbolo de responsabilidade espiritual. Paulo achava que havia cumprido sua missão entre os efésios, de tal modo que se alguém se desviasse, a culpa não seria dele, de Paulo. Literalmente, ele se declarou "inocente do sangue de todos" (v. 26; veja a disc. sobre 18:6). O adjetivo "inocente" ("limpo", em NIV) encontra-se sete vezes nas epístolas de Paulo, e somente aqui e em 18:6 (sempre como se havia sido palavra do próprio apóstolo) nos escritos de Lucas. A palavra "hoje" (v. 26, "neste mesmo dia", GNB) também pode ser atribuída a Paulo (2 Coríntios 3:14; cp. Romanos 11:8 também). Paulo se considerava "inocente" porque "nada deixara de anunciar, e ensinar" ao proclamar- lhes todo o conselho de Deus (v. 27; cp. Efésios 1:11; 3:4; veja a disc. sobre 2:23). O ministério de Paulo havia sido "completo".
II. ADVERTÊNCIAS AOS PRESBÍTEROS CONTRA OS FALSOS MESTRES
1. O Espírito Santo como originador do ministério pastoral (v.28) - A partir desse uso linguístico, desenvolveu-se a ideia dos líderes da igreja como sendo “pastores” (Ef 4.11), mas o termo que Paulo usa é “bispos” (literalmente “guardiães”). É esse o significado da palavra grega episkopos, que se empregava para os líderes em, pelo menos, algumas igrejas de Paulo (Fp 1.1; 1 Tm 3.1-7; Tt 4.11). Ela transmite a ideia da supervisão espiritual e dos cuidados pastorais. Tais pessoas deviam a sua nomeação à escolha que Deus fez delas mediante o Espírito Santo.
As pessoas que aqui se descrevem como sendo “bispos” são as mesmas que são chamadas “presbíteros” no versículo 17, e lemos em 14.23 (NAA) como Paulo nomeava-os em algumas das suas igrejas após oração e jejum, isto é, em dependência da orientação do Espírito Santo. A sua tarefa era pastorear a igreja, agir como pastores; refere-se de todos os cuidados que devem ser exercidos com relação ao rebanho. Fica claro no mesmo versículo 28 que eles também eram os “pastores”. Aqui, como em outros textos, a identidade dos “presbíteros” — “supervisores”, “bispos” — “pastores” é estabelecida, com cada termo definindo um aspecto particular das qualificações e da missão dos líderes da igreja local. Esses bispos eram os mesmos chamados “anciãos” no versículo 17
1. O líder deve cuidar de todo o rebanho, e não apenas das ovelhas mais dóceis (20.28). Há ovelhas dóceis e indóceis. Há ovelhas que obedecem ao comando do pastor e ovelhas que se rebelam e fogem do cajado do pastor. Há ovelhas que escoiceiam o pastor e aquelas que são o deleite do pastor. Há um grande perigo do pastor cuidar apenas das ovelhas dóceis e deixar de lado as demais. A ordem divina é que o pastor cuide de todo o rebanho, e não apenas de parte dele.
2. O líder não é o dono do rebanho, mas servo dele (20.28). A igreja é de Deus, e não do pastor. Jesus é o único dono da igreja. O Senhor nunca deu uma procuração para nos apossarmos da sua igreja. Na igreja de Deus não existem chefes, caudilhos e donos. Todos somos nivelados no mesmo patamar: somos servos. Aqueles que se arvoram em donos da igreja e tratam-na como uma empresa particular, buscando abastecer-se das ovelhas em vez de servi-las e pastoreá-las, estão em aberta oposição ao propósito divino.
3. O líder não pode impor-se arbitrariamente como líder do rebanho (20.28). O pastor precisa ter plena consciência de que foi o Espírito Santo quem o constituiu bispo para pastorear a igreja. Qualquer manobra humana ou política de bastidor para continuar à frente de uma igreja é uma conspiração contra o plano de Deus. O pastorado não deve ser imposto. O pastor não pode agir com truculência. Ele não é um ditador, mas um pai. Não é um explorador do rebanho, mas um servo do rebanho. Muitos pastores constrangem as ovelhas e se impõem sobre elas com rigor despótico (IPe 5.3). Outros orquestram vergonhosamente para permanecer no pastorado, fazendo acordos e conchavos pecaminosos. O pastor não deve aceitar o pastorado de uma igreja nem sair dela por conveniência, vantagens financeiras ou pressões. Ele precisa saber que, antes de ser pastor do rebanho, é servo de Cristo.
4. O líder precisa compreender o valor da igreja aos olhos de Deus (20.28). A igreja é a noiva do Cordeiro, a menina dos olhos de Deus. Ele a comprou com o sangue de Jesus. Tocar na igreja é ferir a noiva do Filho de Deus. O Senhor tem zelo pelo seu povo. Perseguir a igreja é perseguir ao próprio Senhor da igreja. Quem fere o corpo atinge também a cabeça. Os pastores que tratam com rigor desmesurado as ovelhas de Cristo, e dispersam o rebanho ou deixam de protegê-lo dos lobos vorazes, estão desprezando a escrava resgatada, a amada do coração de Deus, a noiva do seu Filho bendito. John Stott é assaz oportuno ao escrever: “As ovelhas são o rebanho de Deus o Pai, compradas pelo precioso sangue de Deus o Filho e supervisionadas por pessoas indicadas por Deus o Espírito Santo”.667
2. O perigo real e contínuo das falsas doutrinas (Vv. 29-30) - O perigo das falsas doutrinas reside no seu potencial de desviar as pessoas da verdade bíblica, levando-as ao erro espiritual, a divisões e à apostasia, tal como alertam as Sagradas Escrituras. A fidelidade apostólica, que envolve a manutenção e propagação da sã doutrina, é um antídoto contra essas ameaças, exigindo um discernimento atento e um compromisso com a Palavra de Deus, que deve ser pregada com fidelidade e amor em contraste com os ensinamentos falsos e as motivações egoístas dos falsos mestres.
O autor do livro de Atos provavelmente se referia às influências do gnosticismo, heresia que combinava elementos da filosofia grega, das religiões pagãs misteriosas, do judaísmo e do cristianismo. Esses ensinadores heréticos entrariam para desviar pessoas, principalmente quando Paulo já não estivesse ali para agir contra eles. Foi isso o que aconteceu em Corinto. Os capítulos 10 a 13 da segunda epístola de Paulo aos Coríntios dão testemunho de como as pessoas chegaram a Corinto, provavelmente depois da saída de Paulo, e pregaram “outro evangelho”.
Isso também aconteceu depois da morte de Paulo, de modo 64 que, se Atos foi composto depois desse evento, as palavras de Paulo teriam um significado mais amplo. O alerta de Paulo não se limita apenas a perigos externos. Ele profetiza que, “dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas” para seduzir a congregação e para atrair discípulos. Isso mostra que a vigilância espiritual começa no próprio coração e vida dos líderes e, por extensão, de cada crente, para não se corromperem ou negligenciarem a sã doutrina (Rm 16.17,18; Cl 2.8). Foram feitas tentativas no sentido de identificar melhor o caráter desses heréticos, mas não se pode tirar conclusões firmes.
Tendo em vista tal perigo, os líderes da igreja deviam estar constantemente vigilantes, como pastores que ficam acordados à noite para zelar contra os lobos que rondavam. A injunção comum para todos os cristãos vigiarem (1 Co 1.3; 2 Tm 1.15; Ap 2.1-7) aqui se aplica especificamente aos líderes (Hb 13.17) e é reforçada pelo exemplo de Paulo. Por três anos (o cômputo arredondado da sua permanência em Éfeso (At 19.10) sinceramente advertia todos os membros da congregação de noite e de dia (1 Ts 2.11; 1 Co 4.14; Cl 1.28). “Noite e dia” é uma hipérbole (uma figura de linguagem que usa o exagero intencional para dar ênfase, intensidade ou expressividade a uma ideia). Paulo trabalhava com as mãos “noite e dia” para ganhar o seu sustento (1 Ts 2.9).
Essa advertência é atemporal: a Igreja de Cristo sempre enfrentará o desafio de falsos mestres, cujos ensinos deturpam a Palavra e desviam os crentes da fé genuína. Esses lobos continuam em nossos dias criando teorias baseadas no entendimento humano e arrebatando para si pessoas incautas que acreditam nas suas palavras e absorvem as suas ideias malignas. Isso sublinha a necessidade de vigilância constante contra ideologias, filosofias e ataques externos que visam desviar os crentes da verdade do evangelho. As falsas doutrinas levam os crentes a serem enganados e a serem desviados da verdade de Deus, resultando em confusão e conflito. Por trás das falsas doutrinas, muitas vezes existem líderes inescrupulosos que as usam para proveito próprio ou para manipulação, como alertado pelo apóstolo Paulo.
3. Vigilância espiritual como dever permanente do pastor (v. 31) - A metáfora pastoral prossegue e Paulo exorta os anciãos: portanto, vigiai. Eles podiam reanimar-se pelo exemplo pessoal de Paulo. Durante três anos (número arredondado; veja a nota sobre 19:10), o apóstolo lhes havia ensinado noite e dia... com lágrimas (cp. v. 19). A ordem das palavras noite e dia talvez seja proposital, como pensam alguns, a fim de enfatizar seu trabalho incansável; sendo mais provável, no entanto, que expresse seu padrão normal de trabalho, que começava antes do nascer do sol (noite) estendendo-se até cerca do meio dia, quando a maior parte das pessoas fazia um repouso ("siesta"), enquanto Paulo pregava na escola de Tirano (veja a disc. sobre 19:9).
A vigilância espiritual não é um estado de ansiedade, mas uma prontidão ativa que se manifesta mediante várias práticas, a saber:
(1) oração constante; (2) estudo e meditação na Palavra; (3) autoconhecimento e auto avaliação; (4) santificação e abandono do pecado; (5) priorização do Reino de Deus; (6) comunhão e apoio mútuo e (7) serviço e compaixão. A vigilância espiritual é uma necessidade vital e contínua na vida cristã, enfatizada por Paulo na sua despedida aos presbíteros de Éfeso (At 20.17-38). As suas palavras destacam os perigos iminentes e a responsabilidade de cuidar de si mesmo e do rebanho de Deus.
A vigilância espiritual é a prática de manter-se atento e alerta na vida espiritual, buscando a santidade e a proximidade com Deus e evitando a queda em tentação e pecado. Envolve estar vigilante nas práticas espirituais, como oração e meditação, e não apenas esperar passivamente pela volta de Cristo, mas também viver de forma prudente e responsável, cuidando do próprio espírito para estar preparado para o futuro.
Em suma, a despedida de Paulo serve como um lembrete solene de que a vida cristã é um campo de batalha espiritual contínuo. A vigilância mediante oração, santidade e estudo diligente da Bíblia é essencial para manter a lealdade a Cristo e proteger a integridade da Igreja. O principal objetivo da vigilância espiritual é estar preparado para a volta iminente de Jesus Cristo e evitar cair em tentação. É um reconhecimento de que o crente está envolvido numa batalha espiritual constante contra forças malignas e a própria natureza carnal, e a distração abre espaço para a atuação do mal. Manter-se vigilante significa dizer “sim” a Deus e agir para preservar o bem, a paz e o amor, mesmo em meio aos desafios do mundo. A vigilância espiritual na vida cristã em geral também está ligada à expectativa do retorno iminente de Jesus, exigindo que os crentes vivam em santidade e prontidão.
III. O CUIDADO PASTORAL DE PAULO COM OS LÍDERES DA IGREJA
1. A Palavra de Deus como fundamento seguro do ministério (v. 32) - Em Atos 20.32-38, a Palavra de Deus (especialmente a “palavra da sua graça”) é o fundamento porque ela tem o poder de edificar os líderes e o rebanho, conceder a herança eterna, guiá-los para longe do materialismo (ganância), motivá-los a servir aos necessitados com o próprio trabalho e sustentar a comunhão e o afeto entre eles, sendo o único meio de capacitá-los para um ministério cristocêntrico e fiel diante dos perigos vindouros. A Palavra da Graça capacita os líderes e os crentes a progredir espiritualmente, construindo-os para a vida eterna e para a herança prometida, separando-os para Deus.
O fundamento na prática de Paulo está relacionado a três regras distintas: (1) ensino constante (At 20.20,21); (2) pregação integral (v. 27) e (3) zelo doutrinário (cf. Ap 2.1-7). No que diz respeito ao futuro, Paulo advertiu severamente sobre a chegada de “lobos cruéis” (v. 29) e de homens que distorceriam a verdade para arrastar os discípulos para si (At 20.32). A Palavra de Deus, portanto, não era só o conteúdo do ensino, mas a própria fonte de poder, crescimento e segurança para os líderes e para toda a igreja. Era o alicerce sobre o qual eles deveriam manter-se firmes, cuidar do rebanho e resistir aos erros doutrinários após a partida do apóstolo.
É a Palavra que edifica os cristãos, isto é, torna-os maduros (1 Co 3.9-15; Ef 4.12) e dá a eles herança entre todo o seu povo santo (Rm 8.17). Essa frase obscura, que talvez se baseie em Deuteronômio 33.3,4, parece referir-se à dádiva outorgada por Deus de uma participação nas bênçãos do seu Reino soberano que os ouvintes de Paulo desfrutarão juntamente com o povo de Deus na sua totalidade. É significante que essas bênçãos advém mediante a dedicação à Palavra: Paulo e Lucas nada sabem da ideia de líderes eclesiásticos que se colocam acima da Palavra a eles entregue (2 Tm 1.14); controlando-a, pelo contrário, ficam submissos a ela.
Finalmente, Paulo os encomenda a Deus e à palavra da sua graça (veja a disc. sobre 13:43). O genitivo aqui é objetivo. Trata-se da "mensagem a respeito da graça". Esta mensagem pode edificar o crente, isto é, levar o crente à maturidade em Cristo (cp. 1 Coríntios 3:9-15; Efésios 4:12) e dar-lhe herança entre todos os que são santificados (cp. Romanos 8:17). É linguagem do Antigo Testamento, que fala da herança de Israel primeiramente na terra de Canaã, mas além dessa, herança do próprio Deus (cp., p.e., Salmo 16:5). Todavia, esses temas são caracteristicamente paulinos (quanto a "edificação", cp. Efésios 2:20s.; 4:12, 16, 29; quanto a "herança", cp. Efésios 1:14, 18; 5:5). Observe que os líderes, não menos do que o resto da congregação, estão sujeitos à autoridade da mensagem de Deus (as Escrituras).
2. O exemplo de desprendimento e serviço cristão (Vv. 33-35) - O discurso aproxima-se do final e Paulo de novo coloca-se a si próprio perante os anciãos como exemplo, mediante sua conduta entre eles. Longe de exigir recompensa, o apóstolo jamais cobiçou prata, nem ouro, nem vestes (v. 33; cp. 1 Coríntios 9:15-18). Estas eram formas tradicionais de riqueza no mundo antigo, e símbolos de "status" (cp. 1 Macabeus 11:24; Tiago 5:2s.). Paulo havia sido totalmente desinteressado em seu ministério. Em vez de apoiar-se nos efésios quanto ao seu sustento, ele havia trabalhado a fim de garantir sua sobrevivência e a de seus companheiros. Estas mãos, disse ele, proveram o que me era necessário a mim, e aos que estão comigo (v. 34); podemos imaginar o apóstolo levantando as próprias mãos ao dizer isso (as palavras estão colocadas numa posição enfática no grego), numa demonstração de algo que os efésios sabiam muito bem. Dessas palavras inferimos que Paulo havia voltado a trabalhar em seu ofício com Áquila e Priscila (cp. 18:3; veja também Romanos 12:13; Efésios 4:28; Tito 3:14). Entretanto, embora não houvesse aceito remuneração da parte dos efésios, o apóstolo teria recebido ofertas ocasionais de outra igreja (cp. Filipenses 2:25; 4:16).
Paulo nos ensina algumas lições importantes sobre o assunto em pauta.
O líder é alguém que faz a obra não motivado pelo dinheiro (20.33). Paulo não foi a Efeso para cobiçar prata ou ouro das pessoas; foi para levar-lhes riquezas espirituais. O dinheiro jamais foi o vetor do ministério de Paulo. Ele diz que não cobiçou dinheiro nem vestes. Sua alegria no ministério não era receber benefícios da igreja, mas dar sua vida pela igreja.
O líder é alguém que se dedica à obra mesmo quando lhe falta dinheiro (20.34). Paulo trabalhou com as próprias mãos para continuar no ministério. Ele não abandonou o ministério para trabalhar na fabricação de tendas e jamais se empolgou com esse ofício a ponto de diminuir seu entusiasmo com o ministério. Quando as igrejas pagavam o que lhe era devido, Paulo se concentrava integralmente no ministério, mas, se as igrejas sonegavam seu salário, ele continuava exercendo o ministério, ainda que precisasse trabalhar para isso.
O líder é alguém que entende que mais feliz é aquele que dá do que aquele que recebe dinheiro (20.35). Paulo cita uma expressão de Jesus: Mais bem-aventurado é dar do que receber. A visão do pastor não deve ser a de um egoísta e avarento. O pastor precisa ter coração generoso, mãos dadivosas e bolso aberto. Se o pastor não tiver o hábito de ajudar as pessoas, não ensinará seu rebanho a ser generoso. Se o pastor não for dizimista, seu povo será infiel. Se o pastor nunca der uma oferta, suas ovelhas não aprenderão a ofertar. O pastor é o exemplo do rebanho.
3. Uma despedida marcada por amor, comunhão e lágrimas (Vv. 36-38) - Quando Paulo terminou, todos oraram juntos. A solenidade do momento ficou marcada pelo fato de todos se porem de joelhos (veja a disc. sobre 7:60 quanto à postura de joelhos, e sobre 9:11, sobre a oração). Após uma cena comovedora, descrita de modo que nos faz lembrar do Antigo Testamento (cp. Gênesis 33:4; 45:14; 46:29), durante a qual todos se despediram com muito afeto (observe o tempo imperfeito, "persistiam em beijar", v. 37), os efésios acompanharam Paulo e os demais ao navio (veja a disc. sobre 15:3). Estes versículos nos mostram "um quadro do inimitável comando que Lucas tinha do elemento emocional, com que nos revela o maravilhoso poder do apóstolo de atrair afeto e devoção pessoais" (A. J. Mattill, Perspectivas, p. 81).
Paulo passara três anos em Éfeso, tempo suficiente para for mar fortes elos de amizade. Agora, os irmãos demonstram a intensidade desse afeto nessa despedida. Destacamos alguns pontos importantes aqui. Nós somos seres afetivos (20.37). O amor precisa ser ver balizado e demonstrado. Nossas emoções precisam refletir nosso amor. Os presbíteros de Éfeso abraçaram e beijaram a Paulo numa praia, um lugar público. Eles não negaram, não camuflaram nem esconderam suas emoções. A mídia repleta de violência está minando as nossas emoções. Estamos ficando secos como um deserto. Não conseguimos mais chorar nem expressar nossas emoções.
Uma senhora da igreja disse-me entre lágrimas após o culto: “Pastor, valorizo muito o seu abraço na porta da igreja, porque é o único que recebo durante a semana inteira”. Há momentos em que a maior necessidade de uma pessoa na igreja não é ouvir o coral, mas receber o abraço de um irmão. Nós precisamos demonstrar nosso afeto pelas pessoas que amamos (20.37). Muitos pastores não conseguem expressar seus sentimentos nem verbalizar seu amor pelas ovelhas. São como Davi, que só conseguiu expressar amor por seu filho Absalão no dia que ele morreu. Alguns pastores são como aqueles que só mandam flores para uma pessoa no seu funeral. Precisamos aprender a declarar o nosso amor pelos outros. Precisamos aprender a valorizar as pessoas enquanto elas estão conosco. Precisamos demonstrar nosso apreço enquanto elas podem ouvir nossa voz. Estava pregando num congresso de liderança e perguntei aos pastores qual tinha sido a última vez que eles haviam beijado seus presbíteros. Um pastor levantou a mão no fundo do auditório e disse: “Beijar eu não beijei nenhuma vez, mas vontade de morder eu já tive algumas vezes”. Nós precisamos entender a força terapêutica da afetividade (20.36-38). O amor é o elo de perfeição que une as pessoas.
E o cinturão que mantém unidas as demais peças da virtude cristã. Uma pessoa não permanece numa igreja onde ela não tem amigos. A comunhão e a evangelização são te mas profundamente conectados. Onde há união entre os irmãos, ali Deus ordena sua bênção e a vida para sempre (SI 133.1-3). Certa feita uma irmã da igreja me telefonou informando que pretendia transferir-se para uma igreja mais próxima de sua casa. Eu carinhosamente lhe disse: “O problema é que você é tão importante para a nossa igreja, que não podemos abrir mão de sua presença”. A mulher começou a chorar ao telefone e disse: “Pastor, na verdade eu não queria ir para outra igreja. Era isso o que eu precisava ouvir. Muito obrigada” e desligou o telefone. As pessoas são carentes afetivamente, e os pastores precisam compreender que o amor verbalizado e demonstrado tem um grande poder terapêutico.
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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2.
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BIBLIOGRAFIA
Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias
Comentário Exegético Vol. 2 Craig S. Keener - Editora CPAD
Estudo Livro de Atos - Myer Pearlman - Editora CPAD
Novo Comentário Bíblico Contemporâneo




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