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sexta-feira, 26 de junho de 2026

LIÇÃO 01 - O CHAMADO PARA OS GENTIOS.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                    TEXTO ÁUREO

"E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o  Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a oba a que os tenho chamado." (At 13.2)


                VERDADE PRÁTICA

Quando a igreja ouve o Espírito, o evangelho avança e vidas são alcançadas para a glória de Deus.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 13. 1-12


                    INTRODUÇÃO


A história da chamada missionária de Barnabé e Saulo, registrada em Atos 13:2–3, é um marco na expansão da Igreja primitiva. Até então, o Evangelho havia se espalhado principalmente entre os judeus e alguns gentios próximos (Filipe em Samaria – Atos 8:4-8, 26-39, Pedro na casa de Cornélio - Atos 10 e pregações esporádicas de alguns gregos - At 11.20 -  e de Paulo). Mas em Antioquia, uma comunidade multicultural e fervorosa, o ESPÍRITO SANTO revelou um novo passo: -Atos 13 - separar Barnabé e Saulo para uma obra missionária que ultrapassaria fronteiras culturais e geográficas.

Esse episódio nos mostra que a missão não nasce de projetos humanos, mas da iniciativa divina. DEUS chama, a igreja confirma e envia, e os obreiros obedecem. É um modelo que continua válido até hoje. A oração e o jejum foram o ambiente em que o ESPÍRITO falou; a imposição de mãos simbolizou o reconhecimento e apoio comunitário; e a obediência dos missionários abriu caminho para que o Evangelho chegasse até nós.

Assim, estudar essa chamada é mais do que olhar para o passado: é compreender como DEUS continua levantando homens e mulheres para cumprir Sua obra. É também um convite para cada cristão refletir sobre seu papel na missão — indo, sustentando e intercedendo.

 O apóstolo Paulo foi divinamente comissionado para ser o principal evangelizador dos povos não judeus (gentios). Essa missão de levar o Evangelho a todas as nações define seu ministério e é amplamente documentada nos livros de Atos dos Apóstolos e em suas próprias cartas.

Referências Principais:

O Chamado Divino: Logo após sua conversão, DEUS revela sua missão a Ananias: "Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome perante os gentios..." (Atos 9:15).

A Confirmação do Apostolado: Paulo relata que Tiago, Pedro e João reconheceram seu chamado específico: "viram que a mim me havia sido confiada a pregação do evangelho aos incircuncisos", ou seja, aos gentios (Gálatas 2:7).

O "Apóstolo dos Gentios": Em Romanos, ele ratifica seu título: "Porque convosco falo, gentios! Visto que eu sou apóstolo dos gentios, glorifico o meu ministério" (Romanos 11:13).

O Mistério Revelado: Ele explica aos efésios que a graça lhe foi dada para anunciar aos gentios "as insondáveis riquezas de CRISTO" (Efésios 3:8).

Justificativa Profética: Em Atos 13:46-47, Paulo e Barnabé explicam aos judeus que, devido à rejeição deles à mensagem, eles se voltariam para os gentios, citando a ordem de DEUS: "Eu te pus para luz dos gentios, para que sejas para salvação até os confins da terra".



                I.     O NASCIMENTO DA MISSÃO GENTÍLICA


1.    Antíoquia: um centro escolhido por Deus   (V. 1)   -     Antioquia da Síria estava situada na extremidade norte da Síria, em frente à Ásia Menor e Europa, na margem do rio Oronte, 50 quilômetros distante do mar e a 500 quilômetros de Jerusalém. Não se sabe ao certo quão grande era a cidade nos dias de Paulo, mas, com base na informação dada por Crisóstomo, deve ter contado com uma população de cerca de 800 mil habitantes. Antioquia da Síria, local do nascimento da missão gentílica, tornou-se a base principal da evangelização aos gentios, o centro de partida da missão de penetração no mundo (a última parte da comissão de Jesus em At 1.8). 

Essa cidade tornou-se como o quartel-general das viagens missionárias de Paulo e Barnabé, servindo como um ponto de partida para a expansão do evangelho. Antioquia da Síria é muito importante na história inicial da Igreja. Nicolau, um dos primeiros diáconos, era um prosélito de Antioquia (At 6.5). Durante as perseguições que se seguiram após o apedrejamento de Estêvão, muitos cristãos de Jerusalém fugiram para Antioquia, onde pregaram para judeus que falavam grego (helenistas) e para os gregos (helenos). 

Barnabé forneceu grandes laços de amizade entre a congregação de Antioquia e a igreja-mãe em Jerusalém (At 11.22-30), assegurou os serviços de Paulo a eles como ensinador (At 11.25,26) e em companhia de Paulo levou o dinheiro da oferta de ajuda para Jerusalém (At 11.27-30). Na igreja antiga, Antioquia era famosa por causa de Inácio, o bispo mártir, aproximadamente 110 d.C., e pela sua escola e grandes ensinadores. A história da igreja em Antioquia, a igreja-mãe entre os gentios, tinha uma distinção de que desfrutava durante muitos anos. Um dos seus bispos mais ilustres foi João Crisóstomo, grande escritor de comentários bíblicos, que exerceu notável influência sobre o desenvolvimento doutrinário da igreja cristã.


2.    Profetas e doutores servindo ao Senhor   (Vv. 1,2)    -    Os profetas eram considerados logo depois dos apóstolos, e os doutores ou mestres ocupavam o terceiro lugar (1 Co 12.28). Depois que a função de apóstolos terminou, os profetas e doutores passaram a constituir os dois principais grupos de obreiros da igreja dignos de receber apoio, como mostra a Didaquê (c.13), do segundo século. A função dos profetas era essencialmente hortatória (do latim hortari, que significa “incentivar” ou “encorajar”), ao passo que a função de mestres era essencialmente didática.

 Os dois ministérios não eram necessariamente idênticos, embora o ofício mais elevado de profecia comumente incluísse o ofício do ensino. O ofício de profeta subentende uma mensagem diretamente recebida de Deus, proveniente do Espírito Santo. O ofício de mestre implica em uma instrução mais sistemática, em que a razão e a reflexão desempenham o seu devido papel. A gramática grega, nesse ponto, ao utilizar-se do duplo te, dá-nos a entender que havia três profetas (Barnabé, Simeão e Lúcio), ao passo que os dois outros eram mestres (Manaém e Saulo)

Barnabé e Paulo tinham sido os principais professores na igreja de Antioquia (At 11.26). O Espírito Santo selecionou ambos como os seus primeiros missionários. Barnabé, provavelmente com 55 anos, tinha sido um rico proprietário de terras antes da sua conversão. Saulo, dez anos mais moço, tinha sido educado para tornar-se um rabino. Duas pessoas diferentes, porém colocadas juntas na obra do Senhor.

“Servindo eles ao Senhor, e jejuando [...]depois de jejuarem e orarem [...]” 

Na prática cristã primitiva, era comum a oração estar ligada ao jejum (Mt 17.21; Mc 9.29; At 10.30; 14.23). Os judeus estenderam esse costume de jejuar a um ponto bem mais adiantado do que prescrevia a Lei (Dia da Expiação – At 27.9), quando havia um jejum particularmente severo para todos os judeus (Lv 23.27), e Jesus ensinou aos seus discípulos que estes haveriam de continuar com a prática (Mt 6.16-18; 9.14-16). 

O jejum na Bíblia implica em total abstinência de alimentação por certo período. Jejuar significa abster-se de alimentos durante um período específico com a finalidade de concentrar-se no Senhor. A dor da fome irá lembrá-los da sua completa dependência de Deus (2 Cr 20.3; Ed 8.23; Et 4.16; Mt 6.16-18). A palavra “servindo” envolve oração, jejum, meditação e exortação — ou seja, provavelmente uma combinação de todos esses elementos. Tudo isso pode ter sido feito propositalmente para buscar a orientação divina sobre o que deveria ser feito em seguida para obtenção do progresso das atividades missionárias da igreja; ou, então, essa orientação divina pode ter surgido como um resultado natural.

 Na Bíblia de Estudo Plenitude, no verbete Dinâmica do Reino, destacam-se quais são as características do líder (At 13.1-3) com o seguinte comentário: 

Os líderes da Igreja Primitiva chegavam a decisões somente depois de jejuar e orar. Em Antioquia, os profetas e mestres jejuavam e oravam, buscando a direção de Deus para a Igreja. Enquanto eles esperavam por Deus, o Espírito Santo deu a direção (v. 2), começando, assim, o ministério missionário, que, por fim, levou o evangelho ao mundo inteiro. Os líderes piedosos confiam em Deus para a direção, e fortalecimento de sua vida e ministério. O jejum disciplinado e oração constante são meios comprovados para se chegar a isso e, sendo assim, são obrigatórios na vida dos líderes (Mt 9.5).


3.     A separação de Paulo e Barnabé     (Vv. 2,3)     -     A ordem do Espírito Santo inaugurou uma nova era na expansão do cristianismo. O Espírito Santo falou possivelmente por intermédio de algum dos membros do grupo (havia profeta entre eles (At 13.1). Ele disse: “Apartai-me [ ou seja, separem para mim] Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado”. O Senhor designou os dois melhores homens da congregação para que desempenhassem a tarefa das “missões estrangeiras”. Nestes dias de agitação mundial da pós-modernidade, o trabalho das missões mundiais exige o melhor que a Igreja puder dar!

 A PNEUMATOLOGIA MISSIONÁRIA E O CONFRONTO APOLOGÉTICO


O ESPÍRITO SANTO opera em Atos como o Agente Primário da Missio Dei. O imperativo ἀφορίσατε (aphòrisate) evoca a autoridade absoluta da Terceira Pessoa da Trindade sobre o corpo eclesiástico. A imposição de mãos subsequente não conferiu poder mágico a Paulo e Barnabé, mas chancelou juridicamente e espiritualmente o que o ESPÍRITO já havia decretado na esfera invisível.

No episódio em Pafos (Chipre), o confronto entre Saulo (agora identificado pelo nome romano, Paulo) e o falso profeta Barjesus (Elimas) revela duas realidades pneumatológicas:

O Confronto de Poder (Power Encounter): A feitiçaria e o engano satânico que tentavam reter a elite romana (o procônsul Sérgio Paulo) sob as trevas são desmascarados pela autoridade apostólica.

O Juízo Pedagógico: A cegueira física imposta a Elimas funciona como um sinal visível da sua própria escuridão interior, levando o governante pagão a render-se não meramente ao milagre, mas à doutrina do Senhor.



                II.     O ESPÍRITO SANTO E A OBRA MISSIONÁRIA


1.    O Espírito que conduz a missão    -   Dentre as muitas funções do Espírito Santo, estão a de ungir, a de inspirar, a de separar e a de enviar homens e mulheres para os quatro cantos da terra como missionários do Senhor. A obra missionária é uma tarefa ligada à ação exclusiva do Espírito Santo. O próprio Senhor Jesus dependeu da unção do Espírito Santo para o exercício do seu ministério (Is 61.1-3; Lc 4.17-20).  O Espírito Santo não permitiu que os próprios apóstolos ficassem envolvidos com problemas sociais e quaisquer outras atividades que não fossem a evangelização (At 6.1-4). 

Os cristãos primitivos, por sua vez, eram fiéis nas contribuições, o que proporcionava alegria e liberdade para que os apóstolos tivessem mais ousadia e poder do Espírito Santo para pregar a Palavra de Deus (At 4.32; 9.31). O Espírito Santo é quem escolhe e envia missionários para anunciarem as Boas Novas de salvação ao mundo (At 8.26-40; 13.2; 20.28). Em Atos 16.4-7, temos uma revelação clara de como o Espírito Santo deseja que a ação missionária seja realizada, onde e por quem. O Espírito Santo também é o instrutor dos ministros da Palavra de Deus (1 Co 2.118). 

O Espírito Santo é visto como o protagonista e a força motriz da obra missionária, sendo responsável por despertar, chamar, capacitar e guiar os missionários e a Igreja no 7cumprimento da missão divina, além de conferir poder e autoridade ao evangelho e ao testemunho dos cristãos. O Senhor Jesus prometeu que, após a sua partida, o Espírito Santo viria para capacitar os seus discípulos como testemunhas — promessa que se cumpriu plenamente com a descida do Espírito Santo.


2.    O poder do Espírito na evangelização    -     Os primitivos discípulos viviam cheios do Espírito Santo, de alegria e de gozo espiritual. Isso explica todas as demais características da evangelização daqueles dias (At 4.8,31; 5.17-41; 7.55). A igreja crescia em números, diariamente, por adição de vidas salvas e por ação divina.

 Vejamos o crescimento da Igreja Primitiva em números:

 1. Atos 1.15 – 120 membros; 

2. Atos 2.41 – 3.000 membros; 

3. Atos 4.4 – 5.000 membros; 

4. Atos 5.14 – Uma multidão é agregada à igreja;

 5. Atos 6.17 – O número dos discípulos é multiplicado; 

6. Atos 9.31 – A igreja expande-se para a Judeia, Galileia e Samaria; 

7. Atos 16.5 – Igrejas são estabelecidas e fortalecidas no mundo inteiro.

 Em Atos 1.3, vemos como a assistência do Espírito Santo é imprescindível à obra missionária. Guiados pelo Consolador, os missionários faziam discípulos numa cidade e partiam para outra (vv. 46-51). Graças à direção e providência do Espírito, o evangelho, tendo alcançado a Europa (At 16.10), também chegou à América do Norte, de onde vieram os missionários suecos Daniel Berg (1884–1963) e Gunnar Vingren (1879–1933), pioneiros do Movimento Pentecostal no Brasil.


3.    Evidências da ação missionária do Espírito ( At 13-14)    -    A viagem de regresso teria sido fácil, se viessem pelas montanhas e pelas portas da Cilícia até Tarso, passando depois por terreno muito familiar até chegar à Síria. Paulo, porém, tinha bem vivido na mente o furor de Listra, Icônio e Antioquia. Sem dúvida seria mais fácil voltar pelo caminho de Tarso; mas, e as igrejas recém-fundadas? Como estariam suportando o chicote da perseguição? Teriam crescido, ou algum membro enfraquecera, voltando a Adônis? Estava claro que ele deveria visitar todas as igrejas e confirmar os cristãos na fé. Eram seus amigos, e o apóstolo jamais cessara de orar por eles, mencionando-os pelo nome. E se essa visita resultasse realmente em perseguição? O Senhor não os protegera sempre? Paulo e Barnabé resolveram, então, voltar pelo mesmo caminho.

Em Listra, as cenas eram familiares; já sabiam onde encontrar os cristãos. Foram até à casa de Timóteo e ficaram contentes por saber que o povo de DEUS continuava firme, apesar da perseguição. Paulo e Barnabé sentiam-se confiantes; os cristãos de Listra estavam suficientemente fortes para se organizarem. Portanto, em cada igreja, ordenaram presbíteros para supervisionar espiritualmente a família cristã. A seguir, orando por todos, ambos partiram para Icônio.

Depois de alguns meses, a igreja de Icônio fizera um verdadeiro progresso e achava-se também pronta para ser organizada. Os discípulos fizeram isso e continuaram o caminho de volta para casa.

Ao chegarem aos portões de Antioquia, de onde tinham sido expulsos alguns meses antes, lembraram como os gentios daquela cidade haviam acolhido o Evangelho. Foram recebidos com alegria pelos velhos amigos e informados de que os cristãos de Antioquia haviam permanecido firmes durante todos aqueles meses.

Paulo pregou-lhes novamente e, antes de partir com Barnabé, nomearam homens de confiança, provados durante a perseguição, para dirigir a igreja.

A primavera já estava bem avançada, e os discípulos queriam chegar ao porto de Perge antes que aumentasse o calor do verão. Lembravam-se dos dias e noites quentes quando chegaram a Perge, e como fora agradável o frio das montanhas em sua viagem a Antioquia. Na planície que beirava a costa, o verão chegara em toda a sua força. Como na visita anterior haviam passado pouco tempo pregando em Perge, decidiram-se demorar ali e testemunhar de CRISTO. Dia após dia foram usados por DEUS, e fundaram na cidade uma igreja.

Enquanto pregavam, esperavam por um navio que os levasse para casa. Havia barcos de muitos lugares, mas nenhum que fosse para Selêucia. Despediram-se dos crentes e continuaram a viagem pela planície até o mar, e depois ao longo da estrada costeira até Atália, um dos maiores portos marítimos de todo o império. Atália era grande e importante, e, como em qualquer outra cidade dessa região, havia nela muitos judeus. Mas Paulo e Barnabé estavam ansiosos por encontrar um navio que os levasse de volta, e seguiram imediatamente para o porto. Sua busca teve sucesso; havia ali uma porção de barcos grandes e pequenos, oriundos de terras estrangeiras de todas as partes do mundo.

Eles pagaram a passagem e, quando se levantaram os ventos matutinos, as velas foram desfraldadas e o barco partiu, acompanhando a costa rochosa até Selêucia. Durante todo aquele primeiro dia, puderam ver as altas montanhas da Panfília elevarem-se sobre a vasta planície costeira. Haviam passado dois invernos naquelas montanhas. O trabalho fora difícil, mas enquanto os morros desapareciam na distância, os dois homens de DEUS recordavam-se de como o Senhor havia honrado Sua Palavra. Em cada cidade, muitos que, há apenas um ano, viviam nas trevas, estavam agora servindo a DEUS.

Todas as noites, enquanto navegavam e oravam sob as estrelas, Barnabé e Paulo lembravam-se de cada crente fiel, agradecendo ao Senhor e entregando-os ao seu cuidado. Até que a viagem chegou ao fim.


 A GRANDE CONTROVÉRSIA

Paulo e Barnabé animaram-se ao avistar Selêucia. Ali estava o porto de Antioquia, protegido pelo quebra-mar. Para os apóstolos era como voltar à casa paterna; estar naquela igreja era o mesmo que estar em família. Era uma igreja forte; maior que a igreja-mãe em Jerusalém. Paulo gostava dos cristãos de Antioquia da Síria, e considerava-os uma igreja modelo. Afinal, haviam aberto o coração aos gentios, recebendo-os juntamente com os descendentes de Abraão no Reino de DEUS.

Os missionários mal tinham posto os pés no portão da cidade, e a notícia de sua chegada já se espalhara. Naquela noite, uma grande multidão reuniu-se à volta deles. Dois anos antes, aqueles crentes haviam acompanhado Paulo e Barnabé até o navio que os levaria em sua primeira viagem missionária. Agora estavam de volta, e todos queriam ouvi-los. Foi uma noite emocionante. Jovens e velhos sentaram-se no chão, de pernas cruzadas, e ouviram-nos discorrer sobre a atuação do poder de DEUS em cada cidade.

É provável que tenham contado toda a história; primeiro Barnabé e depois Paulo. Ninguém se cansou de ouvi-los, e muitos choraram de alegria ao saber dos caminhos de DEUS para os gentios. Os missionários falaram da viagem até Chipre; de Sérgio Paulo em Pafos; do calor de Perge e da deserção de Marcos, que muito os desapontara. Descreveram seu primeiro inverno passado na outra Antioquia, e como muitos ali haviam se tornado cristãos. As fugas para Icônio e Listra, onde Paulo tinha sido apedrejado, foram contadas rapidamente. Por último veio a história do segundo inverno, passado em Derbe.

Em todas as cidades, tiveram de enfrentar a oposição dos judeus nas sinagogas; mas na praça do mercado, os gentios tinham-nos ouvido de boa vontade e, deixando os ídolos, haviam se voltado para DEUS. Centenas tinham aberto o coração para JESUS! Em cada cidade visitada pelos missionários, uma igreja havia sido estabelecida.


                III.     A IGREJA COMO AGÊNCIA MISSIONÁRIA


1.   A Igreja que ouve à voz de Deus     -    Uma igreja missionária é, antes de tudo, uma igreja que ouve a Deus: “E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Aparta-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado”(At 13.2). Se quisermos impactar o mundo, precisamos primeiro ouvir o Céu. Ouvir a voz de Deus implica em sair de si mesmo, ser inflamado pela caridade divina e espalhar esse amor ao próximo, tornando-se um instrumento da glória divina.

 A igreja de Antioquia era uma importante base missionária dos primeiros anos do Cristianismo. Um estudo bíblico sobre aquela comunidade cristã mostra que ela foi responsável por enviar ao campo missionário ninguém menos que o apóstolo Paulo, mediante a ordem do Espírito Santo. Isso significa que a igreja de Antioquia desempenhou um papel na grande propagação do Evangelho no Império Romano no primeiro século. 

A igreja em Antioquia foi instruída por Barnabé e Saulo – agora chamado Paulo – e tornou-se a maior igreja missionária da época, servindo como base missionária do apóstolo Paulo (At. 11.25,26).

O ensino da Palavra de Deus foi tão expressivo que em apenas um ano os novos convertidos estavam tão completamente mudados ao ponto de chamarem a atenção dos moradores locais, os quais os denominaram de Cristãos (Christianoi em grego ou Christianus em latim que aparece apenas três vezes no Novo Testamento –At. 11.26; 26.28 e 1 Pe. 4.16 e cuja desinência ão – de Cristo+ão = Cristão – significa “seguidor ou adepto de” Cristo).

Após um ano de serviço cristão em Antioquia, Paulo e Barnabé foram indicados, nominalmente, pelo Espírito Santo, para a obra missionária, sendo estes os primeiros missionários enviados ao Exterior onde fundaram diversas igrejas. Este fato fez com que a igreja em Antioquia da Síria fosse conhecida como a primeira agência missionária, ou o primeiro centro de missões de todos os tempos.

Seu exemplo como base missionária favoreceu o avanço da Igreja Primitiva para alcançar os outros povos e foi também a primeira igreja enviadora (At. 13. 1-3 – impondo sobre eles as mãos, os despediram, “é símbolo de autoridade em enviar”). 


2.    Uma igreja que envia e sustenta    -   Uma igreja missionária não é centrada em si mesma, mas investe em pessoas, tempo e recursos para alcançar os perdidos. A igreja sustentava, intercedia e enviava obreiros continuamente. Missões não é um departamento; é a essência da Igreja. Uma igreja que tem como base a expansão do Reino de Deus é como a igreja de Antioquia, que se tornou o quartel-general da missão gentílica. Foi de lá que partiram muitas viagens missionárias do apóstolo Paulo.

 Antioquia é o exemplo a ser seguido pelas igrejas da atualidade que precisa reconhecer sua responsabilidade na vida dos seus missionários em orar, contribuir, amar, socorrer e compreender.

Os cristãos de Antioquia possuíam um caráter solidário extraordinário como foi demonstrado no envio de esmolas para a igreja de Jerusalém, quando a fome assolou esta cidade (At 11.27-30), além de ser cheia do conhecimento e livre de preconceitos, isto é, ministrava igualmente a judeus e gentios e quando alguns judeus cristãos vindos da Judéia foram visitá-la, proclamando que os gentios deveriam ser circuncidados como pré-requisito para se tornarem cristãos, foi ela que, resistindo a essa imposição, enviou a Jerusalém uma delegação encabeçada por Paulo e Barnabé para resolver este impasse – o chamado Concílio de Jerusalém (c. 50 A.D.), primeiro da história da Igreja Cristã, que aconteceu por causa das reivindicações dessa igreja; contudo, o zelo missionário e evangelístico, notabilizado pelas viagens missionárias de Paulo foi, com certeza, a característica principal dela.

A Igreja em Antioquia é caracterizada também por dar ouvidos à voz do Espírito Santo, e como consequência da ação do Espírito Santo no meio dela, veio a se tornar uma referência nos dons espirituais e ministeriais. Ela mantinha um grupo de homens de Deus como profetas e mestres na Palavra (At. 13:1) dispostos a obedecer às ordens recebidas da parte de Deus; por isso era apropriado que a cidade onde foi fundada a primeira igreja cristã gentílica, e onde os cristãos receberam seu nome característico, fosse o berço e o princípio de sustentação das missões cristãs ao estrangeiro (At. 13.1). Foi a partir desta igreja que a conquista do mundo passou a ser vista como estratégia de Evangelização de todo o mundo romano e no ano 70 d.C., com a destruição de Jerusalém, passou a ser o segundo lar da igreja cristã.


3.   Uma igreja que cumpre a Grande Comissão     -     A Igreja Primitiva cumpriu a Grande Comissão enviando Paulo e Barnabé para a obra que o Senhor havia-os chamado. Assim, Paulo alcançou as nações da sua época. Nós, como Igreja do Senhor, também devemos fazer nossa parte, pois ainda existem muitas nações e povos que precisam ser alcançados com o evangelho de Cristo. Atualmente, na chamada “Janela 10x40”, existem milhares de pessoas que se encontram em trevas espirituais. Como elas ouvirão o evangelho se não há quem pregue? (Rm 10.14). E como pregarão se a Igreja do Senhor não enviar e sustentar os missionários? (Rm 10.15). Ouçamos a voz do Espírito Santo, pois Ele continua a falar à sua Igreja: “Separai meus servos para a obra que os tenho chamado”. Nossa missão ainda não acabou. Deus está chamando a sua Igreja para ser mais do que uma comunidade de celebração; Ele soberanamente nos chama para ser um povo em missão. Sua igreja é apenas um lugar de encontros, ou um centro de envio para a glória de Deus entre os povos?



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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.

Pr. Setorial – Pr. Saulo Marafon.

Pr. Local: Pr. Selmo Pedro.

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21

Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio A Igreja dos Gentios - Pr. Wagner Gaby - Editora CPAD

https://estiloadoracao.com/igreja-de-antioquia/

https://adalagoas.com.br/ad-alagoas/licoes-biblicas/18732/licao-12-o-modelo-de-missoes-da-igreja-de-antioquia

EBD NA TV - Pr. Henrique, 99-99152-0454 Wh, Família Cristã Church, Cajamar, SP - YouTube @PrHenrique: Escrita Lição 1, CPAD, O chamado para os gentios, 3Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV