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| Pb. Junio - Congregação Boa Vista II |
TEXTO ÁUREO
"Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam." (At 17.30)
VERDADE PRÁTICA
A obra evangelística floresce quando o coração, sensível ao Espírito, discerne os tempos e proclama com ousadia a graça salvadora de Cristo.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 17. 15-20, 30-32
INTRODUÇÃO
Na época da chegada de Paulo a Atenas (meados do século I d.C.), a cidade já havia perdido a sua glória política e militar de outrora, mas continuava a ser um centro cultural e intelectual importante. Famosa pelos seus filósofos Sócrates, Platão e Aristóteles, dava tanta ênfase às artes, à poesia e à filosofia como nenhuma outra cidade. Atenas tinha cerca de cinco mil cidadãos. A Grécia não era uma superpotência militar, e Atenas era politicamente insignificante. Apesar disso, a cidade ainda servia de grandíssimo interesse cultural, sendo conhecida como a capital da sabedoria grega e berço da democracia. A cidade era um destino de passagem obrigatória para estudantes e filósofos, que buscavam as suas academias e escolas para estudar filosofia, retórica e outras artes liberais.
A sua importância era cultural, e não política. Embora os romanos admirassem e absorvessem a cultura grega, o poder político e a administração do vasto império estavam concentrados em Roma. Portanto, enquanto Atenas era um venerável e ativo centro de erudição e filosofia, a sede do império e o coração da vida política e social era Roma. Contudo, por trás da sua sofisticação, havia uma religiosidade profundamente idólatra e politeísta. Lucas registra a reação de Paulo, que se comoveu ao ver a cidade “entregue à idolatria” (At 17.16). Os debates filosóficos continuavam a ser uma característica proeminente da cidade, como evidenciado pelo relato bíblico da visita de Paulo ao Areópago, onde o apóstolo dialogou com filósofos epicureus e estóicos (At 17.16-34).
I. CONTEXTO HISTÓRICO, CULTURAL E RELIGIOSO DE ATENAS
1. Atenas o centro intelectual marcado pela idolatria (At 17.16) - O que Paulo primeiro viu em Atenas não foi sua beleza, nem o brilhantismo da cidade, mas sua idolatria. Howard Marshall diz que é nesta cidade aspergida e bafejada pela mais refinada intelectualidade, adornada pelos mais ilustres pensadores do mundo, que Paulo encontra a mais aguda crônica de ignorância espiritual. E aqui, na terra dos corifeus da filosofia, que Paulo se defronta com a mais tosca e repugnante idolatria. A palavra kateidolos só aparece aqui em todo o Novo Testamento. A tradução indica não apenas que a cidade estava cheia de ídolos, mas sob os ídolos. A cidade estava sufocada pelos ídolos. O que Paulo viu foi uma verdadeira floresta de imagens. Na teologia paulina, os ídolos nada são, mas por trás deles estão os demônios. A idolatria produz cegueira espiritual e desordem moral. Plínio afirmou que, ao tempo de Nero, Atenas estava ornamentada por mais de trinta mil estátuas públicas. Petrônio disse que era mais fácil encontrar um deus em Atenas do que um homem.
Xenofonte, citado por Champlin, assim descreveu a cidade: “O lugar inteiro é um altar, e a cidade inteira é um sacrifício e uma oferta aos deuses”. Russell Champlin também diz que certa feita, Diógenes saiu às ruas de Atenas em pleno meio-dia, sol a pino, de lanternas acesas nas mãos, procurando atentamente alguma coisa. Alguém, surpreso, interpelou-o: “Diógenes, o que procuras?”. Ele respondeu: “Eu procuro um homem”. Havia mais deuses em Atenas do que em todo o resto do país. Eram inúmeros templos, santuários, estátuas e altares. No Parthenon encontrava-se uma imensa estátua de Atena feita de ouro e mármore. Em toda parte se viam imagens de Apoio, o padroeiro da cidade, de Júpiter, Vênus, Mercúrio, Baco, Netuno, Diana e Esculápio. Todo o panteão grego estava ali, todos os deuses do Olimpo. E as imagens eram lindas, feitas de ouro, prata, marfim e mármore, construídas pelos melhores escultores gregos.
Não apenas os olhos de Paulo estavam abertos, mas também o seu coração estava disposto a auscultar a mais intelectual cidade do Império. Lucas registra: O seu espírito se revoltava (17.16). O verbo grego paroxyno, de onde vem a palavra “paroxismo”, tinha conotações médicas e se referia a um ataque epilético. Também significava “irritar, provocar, causar ira”. Essa palavra só ocorre novamente em lCoríntios 13.5: O amor não se exaspera. O sentido aqui não é falta de controle, mas de reação progressiva e ponderada contra aquilo que Paulo viu. O verbo paroxyno é regularmente empregado na LXX em relação à ira de Deus contra a idolatria do povo de Israel (Dt 9.7,18,22; SI 106.28,29; Os 8.5). Assim, Paulo foi provocado à ira pela mesma razão que provocou a ira de Deus, ou seja, a idolatria.534 A idolatria é um pecado gravíssimo porque rouba a honra e a glória do nome de Deus. E dar a outro ser a honra e a glória que só Deus merece.
2. O início da evangelização na sinagoga (At 17. 17a) - O método paulino de apresentar o evangelho é o mesmo empregado em Tessalônica (At 17.2). O evangelho que Paulo pregava tinha como foco inicial os judeus e, posteriormente, os gentios (Rm 1.16). O método de Paulo na sinagoga era de argumentação e persuasão, dialogando com judeus e gentios tementes a Deus com base nas Escrituras judaicas, buscando convencê-los a respeito do Reino de Deus. Esse método diferia da sua abordagem posterior no Areópago, que se adaptou à cultura e filosofia gregas. Atos 17 relata que, na sinagoga de Atenas, Paulo argumentou com os judeus e os gentios tementes a Deus, mas não há menção de uma aceitação em massa ou de uma rejeição violenta por parte dos judeus daquela cidade, como ocorreu em outras localidades. Paulo “disputava na sinagoga entre os judeus e os gentios piedosos” diariamente. Isso indica um debate ou discussão das Escrituras, o que era um procedimento comum para ele. Diferentemente de cidades como Tessalônica ou Bereia, onde a pregação de Paulo gerou aceitação por parte de alguns, mas também perseguição intensa por parte de outros judeus, o relato em Atenas não descreve a formação de um grupo de crentes judeus nem a oposição organizada deles.
3. A proclamação do Evangelho na ágora ( At 17. 17b) - A Ágora, ou praça, era o centro dos negócios e das atividades cívicas, como também da propaganda e da troca informal de ideias e novidades. Servia ainda de mercado e centro da vida social, local de reunião onde se congregava o povo para ouvir os oradores. Paulo falava nessa praça não apenas no sábado, mas todos os dias. Em outras palavras, Paulo não limitou seu ensino aos judeus e tementes a Deus aos sábados na sinagoga local. Durante o restante da semana, ensinava na praça do mercado, onde as pessoas iam comprar alimentos e outras mercadorias. O equivalente à Agora pode ser um parque, uma praça, um shopping, uma feira, uma sala de aula, uma cantina de escola. Há grande necessidade de evangelistas talentosos, capazes de fazer amigos e conversar sobre o evangelho em locais informais desse tipo. Paulo se misturava com o povo na praça. Não fugia das pessoas. Paulo não se encastelava numa torre de marfim. Não se empoleirava numa cátedra proclamando formulações teológicas na terra dos corifeus da filosofia. Paulo não era um teólogo de gabinete. Nivelava-se com o povo e descia até onde o povo estava. Mas também conversava com os intelectuais.
II. OS FILÓSOFOS EPICUREUS E OS ESTOICOS (AT 17. 18-21)
1. Os epicureus: o prazer como finalidade da vida (At 17.18) - Os epicureus ensinavam que o bem supremo é o prazer ou a felicidade (gr. hefone); mas é o prazer da mente e da vida inteira, e não o deleite dos caprichos e instintos momentâneos. Por “prazer”, Epicuro não se referia aos desejos sensuais (“como alguns, por ignorância, preconceito ou interpretação deliberadamente equivocada, entendeu que “somos”, mas “a ausência de sofrimento no corpo e de inquietação na alma”. Ele não defendia festas com bebida, sexo e alimento, mas o raciocínio sóbrio. Na realidade, Epicuro via o sexo como potencialmente prejudicial e, em geral, desencorajava o casamento. As consequências de todas as ações devem ser consideradas antes de deleitar-se em uma atividade ou mesmo aprová-la.
Os filósofos epicureus buscavam o prazer moderado e a ausência de sofrimento como bem supremo. Eram materialistas e negavam a providência divina, os milagres, a profecia e a imortalidade. Não acreditavam em nenhum deus, exceto de nome. Eles negavam que os deuses exercessem qualquer governo sobre o mundo ou os seus habitantes. Para os epicureus, a divindade, por sua natureza, era transcendente e indiferente ao sofrimento humano. Para os Epicureus, mente e alma consistiam de partículas minúsculas de algo como ar, dispersas pelo corpo e afetando-o. Portanto, a alma, o ser material, pereceu na morte; nem bem-aventurança, nem aflição aguardam os seres humanos após a morte.
No fim do século I, Josefo declarou que as predições de Deus a Daniel refutavam as declarações epicureias que “exclui a Providência da vida humana e recusa-se a acreditar que Deus governa os assuntos da vida humana”. Epicuro repudiava a astrologia e ensinava que a religião era uma superstição; dizia que, para ser feliz, era necessário ser liberto do medo dos deuses. Também ensinava que “o prazer é o companheiro inseparável da virtude”. Os seus seguidores, porém, mudaram essa doutrina, chegando, por fim, a ensinar que o prazer é o fim principal da vida. Sustentavam que o mais importante consistia em satisfazer os apetites e que o prazer era a única finalidade da vida. Em última análise, o ensino deles era: “Comamos e bebamos que amanhã morreremos”. Se a morte fosse o fim de tudo, então apreciar cada momento seria o mais importante. Os cristãos, porém, sabem que existe vida além-túmulo e que nossa vida na terra é só uma preparação para a vida eterna. O que você faz hoje é importante para a eternidade. Levando-se em conta a eternidade, pecar é uma atitude tola.
2. Os estoicos: razão, destino e impessoalidade divina (At 17.18) - Deus não era um ser pessoal no estoicismo, mas uma força espiritual ou energia mental imanente aos homens e às coisas. Ele recebeu muitos nomes, como: Logos ou Razão, Natureza, Providência, Espírito divino e outros. A sua substância era o mundo todo e também o Céu. O bem supremo era obedecer à razão ou à virtude, suprimir as emoções e conduzir-se conforme o que a natureza ordenasse. No fim, haveria uma reabsorção no mundo da alma, mas nenhuma imortalidade individual.
Ambas as escolas negavam a ressurreição do corpo; a primeira negava a imortalidade da alma (v. 18). Os poetas citados por Paulo (At 17.18ss), eram os estóicos Aratus (Phaenomena) e Cleanthes (Hino a Zeus). A filosofia estóica foi adotada por muitos romanos como Sêneca, tutor de Nero, e o imperador Marco Aurélio. O pensamento estoico foi propagado e afetou a cultura popular no século I. O imperador Cláudio empregou o filósofo estóico Sêneca para educar membros da família.
No fim do século I, os líderes de Roma também viam favoravelmente o estoico Musônio Rufo. O estoicismo era a seita mais popular no período, em especial entre os envolvidos nos assuntos públicos. Outros grandes estoicos foram Crisipo de Solos, Epiteto, Lúcio Aneu Cornuto e Caio Musônio Rufo. Essa filosofia, muito influente no período helenista, foi admitida por Sócrates, Aristóteles e pelas escolas cínicas. Os estóicos, em contraste com os epicureus, associavam o prazer ao vício, embora a alegria de espírito fosse boa.
Das principais escolas filosóficas gregas, apenas o estoicismo preocupava-se com ajustar os deuses ao seu esquema; embora a sua percepção dos deuses não fosse convencional, a piedade popular iria considerá-la muito mais aceitável do que os seus competidores. Eles falavam do Logos que designava e governava o cosmos (ver At 17.26). Eles também enfatizavam o destino. Os estoicos, apesar de serem originalmente monistas e, por isso, panteístas (ver At 17.28), no início do império falavam de “Deus” de um modo mais pessoal, usando também durante muito tempo a linguagem de amizade com Deus.
O elemento panteísta, no entanto, nunca esteve completamente ausente; por isso, o verdadeiro Júpiter não só era o guardião do Universo, como também a alma e espírito do mundo.
A apologética estoica para a existência e a natureza da divindade lembra o argumento de Paulo em Atos 17. Os estoicos podiam argumentar que os deuses existem e, a seguir, definir o caráter deles e, depois, as necessidades da humanidade. Esse esboço básico do argumento era bastante conhecido para servir como um modelo para o esboço do discurso de Paulo no Areópago, naturalmente recomendando mais uma vez o discurso mais para os estoicos do que para os epicureus. Paulo, distante de pregar deuses estranhos (At 17.18), chama os seus ouvintes a abandonar os falsos deuses, voltando-se para o único Deus verdadeiro, que não está longe de cada um deles (At 17.27). Eles levaram Paulo a um tipo de audiência oficial; ele adverte-os do julgamento iminente contra a idolatria (At 17.30,31). Essa coragem dificilmente seria característica do estrangeiro normal em busca de hospitalidade nem de alguém sendo avaliado numa audiência (At 7.51-53), mas era uma forma retórica boa em alguns cenários (ver At 4.13).
3. Paulo levado ao areópago: o Evangelho diante da cultura (At 17. 19-21) - O areópago era a instituição mais venerável de Atenas; sua história perde-se em tempos legendários. A despeito de grande parte de seu poder ter sido podado, o areópago continuou a gozar de imenso prestígio.
Suas funções tinham variado, de tempos em tempos. Em certos períodos, sua jurisdição ficara limitada a casos de crimes de pena capital. Noutras épocas, o areópago esteve relacionado a vasta gama de pendências religiosas, educacionais, políticas e legais, como nessa época em foco (segundo nos parece), visto que o demos estava praticamente extinto. (Atenas era uma cidade livre, com direito de dirigir seus próprios empreendimentos.) O areópago tomou seu nome de uma pequena colina postada bem à frente da Agora (praça) — a colina de Ares — em que se esculpira um lance de degraus, no lado sudeste; fragmentos remanescentes de bancos esculpidos na rocha podem mostrar onde os conselheiros costumavam reunir-se. Todavia, com o passar do tempo, tornou-se costumeiro que o conselho se reunisse noutros lugares, talvez numa área demarcada com cordas, na Stoa Basileios, no canto noroeste da Agora (veja J. Finegan, "Areópago", IDB, vol. 1, p. 217).
A primeira pergunta foi, literalmente: "Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de que falas? " (v. 19), mas sem ouvirmos o tom de voz, torna-se impossível saber se a pergunta foi formulada com cortesia ou com sarcasmo; todavia, visto que o texto grego recebe alguma ênfase na frase nova doutrina, talvez a pergunta seja mesmo sarcástica. Devido, quem sabe, a essa atitude e à reação imprópria desses homens diante de um assunto que Lucas julgava ser da maior importância, o autor ficou mal impressionado com os atenienses. Num aparte ele comenta que os atenienses tinham mentalidade rasa, pois de nenhuma outra coisa se ocupavam (o imperfeito indica que esses eram os hábitos deles), senão dizer e ouvir a última novidade (v. 21), e nunca (por implicação) levar a sério o que ouvem. Tampouco Lucas emitiu opinião própria, isto é, dele mesmo. Era opinião compartilhada por alguns de seus próprios patrícios (Tucídides, História da Guerra do Peloponeso 3.38; Demóstenes, Primeira Filípica 43; Carta de Filipe 156s.)
III. O DISCURSO DE PAULO NO AREÓPAGO
1. Observação cultural como ponto de contato com o Evangelho (At 17. 22-23) - Fosse qual fosse o espírito com que a pergunta tivesse sido feita, Paulo a tomou com seriedade e assim se pôs a responder a ela. Levantou-se e dirigiu-se aos homens no mesmo estilo de oratória deles ("homens atenienses"; mas veja a nota sobre 1:16), e faz uma observação: em tudo vejo que sois muito religiosos (v. 22). A palavra traduzida por "religiosos" (deisidaimonesterous) pode ter um sentido mau, ou bom (o substantivo correspondente parece que foi usado de modo pejorativo em 25:19). O adjetivo aqui está no grau comparativo, e tanto pode significar que eram mais devotos que a maioria na prática de sua religião, como que eram mais supersticiosos. É provável que Paulo tenha escolhido deliberadamente essa palavra, com gentil ambigüidade, a fim de não ofender seus ouvintes, almejando ao mesmo tempo satisfazer-se, ao expressar o que pensava deles.
Logo esses homens ficariam sabendo qual era a opinião de Paulo a respeito deles. Por ora, abundavam as evidências, por todos os lados, de que eram de fato "muito religiosos". Uma das inscrições em particular havia atraído a atenção de Paulo. O apóstolo havia observado um altar com esta dedicatória: AO DEUS DESCONHECIDO (v. 23). Paulo tomou essas palavras como se fora "seu texto". É claro que não havia nenhuma ligação entre esse deus e o Deus que ele proclamava. O apóstolo não sugeriu em momento algum que eram adoradores inconscientes do verdadeiro Deus, mas procurou apenas um meio de levantar perante eles a questão básica da teologia: Quem é Deus?
2. O Deus Criador, Sustentador e Senhor da História (At 17. 24-29) - Os epicureus, que também eram ateus, afirmavam que tudo era matéria e que a matéria sempre existiu. Os estoicos, que eram panteístas, diziam que tudo era Deus, o “Espírito do Universo”. Os epicureus alegavam que Deus não existia, e os estoicos defendiam que tudo era Deus. Paulo, porém, pregou em Atenas tanto a transcendência como a imanência de Deus. Deus não está distante nem separado da criação; não está cativo nem preso a ela. Deus é grande demais para ser contido em templos feitos por mãos humanas (lR s 8.27; Is 66.1,2; At 7.48-50), e ao mesmo tempo solidário o suficiente para cuidar das necessidades humanas (17.25).545 Paulo coloca a revelação no lugar da filosofia e contrasta o monoteísmo com o panteísmo estoico.
A matéria não é eterna como pensavam os gregos. O mundo não resulta de uma explosão cósmica, nem é fruto de milhões e milhões de anos de evolução. Paulo declara em Atenas, a capital intelectual do mundo, que Deus fez o mundo e tudo o que nele existe (17.24). O livro A origem das espécies, de Charles Darwin, publicado em 1859 em Londres, contém nada menos do que oitocentos verbos no futuro do subjuntivo: “suponhamos”. A evolução é uma suposição improvável, uma teoria falaz. Tanto o macrocosmo quanto o microcosmo denunciam as incongruências da teoria da evolução.
Hoje sabemos que todo ser vivo é programado e automatizado em fitas DNA. O código da vida existe porque Deus o elaborou e o escreveu nas moléculas de DNA que controlam todas as formas de vida. Dominico Rivaldo diz que segundo o dr. Marshall W. Nirenberg, prêmio Nobel de Biologia, em cada corpo humano adulto há 60 trilhões de células vivas. Em cada célula há 1,70 metro de fita DNA, contendo a programação genética de todo nosso ser, como cor do cabelo, cor dos olhos, da cútis, tamanho, temperamento e outras características. De quem derivou este fantástico projeto? Quem é o autor dessa programação e gravação biogenética? Certamente só pode ser alguém que está acima da matéria e da energia. A ciência prova que o universo foi feito de matéria e energia. Prova também que o universo é governado por leis. De igual forma, atesta que matéria e energia não criam leis. Logo, alguém acima, fora e distinto do universo as criou.
Paulo diz que o Deus que ele anuncia é o Senhor do céu e da terra (17.24). Nos dias de Paulo, só César era senhor, honrado como uma divindade na terra. De forma contundente, Paulo diz que Cristo está acima de toda autoridade. Cristo está acima dos deuses do Panteão. Está acima de César, acima do Estado. Diante dele todo joelho se dobrará. Jesus é o Senhor do céu e a da terra. E o Senhor da história. E o Senhor da igreja. E o Senhor do universo.
Os deuses dos gregos eram seres distantes. Mas o Deus da criação, o Senhor do céu e da terra é o Deus da história e da geografia. Deus criou a humanidade de um só homem (17.26), de modo que o pai da História não é Heródoto, nem os gregos são uma raça especial como pensavam. Não é o poder humano, mas sim a soberania divina que determina a ascensão e a queda das nações (Dn 4.35). Deus não é uma divindade distante; ele não está longe de cada um de nós (17.27).
Paulo citou o poeta Epimênides: Pois nele vivemos, e nos movemos e existimos. Em seguida acrescentou as palavras de outros dois poetas, Arato e Cleantes: Porque dele também somos geração. Com isso, chegou à conclusão lógica: Deus nos fez à sua imagem, de modo que é tolice fazer deuses à nossa imagem! A religião grega não passava da criação e adoração de deuses moldados pelos seres humanos e que agiam como eles. Paulo apontou-lhes não apenas o disparate dos templos e de seus rituais, mas também a insensatez de toda a idolatria.553 O Deus que Paulo anuncia em Atenas é o Deus que se fez carne, se esvaziou e se humilhou até a morte, e morte de cruz. Mas Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu um nome que está acima de todo nome. Ele é o Senhor diante de quem todo joelho se dobrará. E que toda língua confessará que ele é o Senhor.
3. O chamado ao arrependimento e anúncio do Juízo (At 17.30-31) - Paulo pregou em Atenas sobre Jesus e a ressurreição (17.18). Durante séculos, Deus se mostrou paciente com o pecado e a ignorância dos homens (14.16; Rm 3.25). Aquilo que os gregos imaginavam ser refinada sabedoria não passava de crassa ignorância espiritual aos olhos do apóstolo Paulo. Por isso, Deus chama a todos ao arrependimento. Em Atos 17.30, Paulo faz quatro afirmações tremendas sobre a questão do arrependimento:
Deus não levou em conta os tempos da ignorância; o arrependimento é uma exigência imperativa que envolve razão, emoção e vontade; o arrependimento é para todos os seres humanos, sem exceção; e o arrependimento deve ser exercitado em todas as nações.
Nessa mesma linha, John Stott acrescenta que Paulo destaca três considerações imutáveis a respeito do juízo: O juízo será universal — Deus há de julgar o mundo. Os vivos e os mortos, os grandes e os pequenos, todos serão incluídos; ninguém escapará, b) O juízo será justo: Deus há de julgar com justiça. Todos os segredos serão revelados. Não haverá possibilidade de erro judicial, c) O juízo está definido, pois o dia já foi marcado e o juiz foi escolhido: embora não saibamos o dia, já sabemos quem é o Juiz. E próprio Senhor Jesus. Deus já nomeou o Juiz e determinou o dia do julgamento (17.31). As nações serão julgadas diante dele (Mt 25.31-33). Ele julgará grandes e pequenos, reis e vassalos, religiosos e ateus, vivos e mortos. Naquele dia todos comparecerão perante o tribunal de Deus e serão julgados segundo as suas obras. Naquele dia todos os segredos dos homens serão revelados. Nesse julgamento divino não haverá erro judicial nem apelação. Todas as nações foram criadas a partir do primeiro Adão.
Agora, todas serão julgadas pelo último Adão. Àqueles que acusam Paulo de não ter pregado a essência do evangelho em Atenas, John Stott responde que a palestra diante do Areópago revela a amplitude da mensagem de Paulo. O apóstolo proclamou a Deus em sua plenitude como Criador, Mantenedor, Governador, Pai e Juiz. Incluiu toda a natureza e história. Reexaminou todo o tempo, da criação à consumação. Enfatizou a grandeza de Deus, não apenas como o começo e o fim de todas as coisas, mas como aquele a quem devemos a nossa existência e a quem precisamos prestar contas. E afirmou que os seres humanos já sabem disso por revelação natural ou geral, e que a sua ignorância e sua idolatria são, portanto, indesculpáveis. Assim Paulo os repreendeu com grande solenidade, para que se arrependessem antes que fosse tarde demais.
Ainda Stott é assaz oportuno quando escreve:
Aprendemos de Paulo que não podemos pregar o evangelho de Jesus sem a doutrina de Deus, ou a cruz sem a criação, ou a salvação sem o juízo. O mundo de hoje precisa de um evangelho maior, o evangelho completo das Escrituras, que Paulo, mais tarde, falando aos presbíteros de Éfeso, chamaria de todo o desígnio de Deus (20.27).
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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2.
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BIBLIOGRAFIA
Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias
Comentário Exegético Vol. 2 Craig S. Keener - Editora CPAD
Estudo Livro de Atos - Myer Pearlman - Editora CPAD
Novo Comentário Bíblico Contemporâneo
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