![]() |
| Pb. Junio - Congregação Boa Vista II |
TEXTO ÁUREO
"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus." (Ef 2.8)
VERDADE PRÁTICA
É pela graça que somos alcançados, perdoados e reconciliados com Deus.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 15. 1-5, 28, 29, 36-39
INTRODUÇÃO
À medida que cada vez mais crentes incircuncisos entravam na igreja, os temores dos cristãos judaizantes aumentaram, pois o Reino, rejeitado pela maioria dos judeus, estava sendo povoado rapidamente pelos convertidos entre os gentios. Isso parecia contrário às promessas e alianças especiais do Antigo Testamento, e os judaizantes começaram a fazer campanha a favor da circuncisão de todos os gentios convertidos para que pudessem pertencer à assembleia de Israel. Por outro lado, Paulo e Barnabé tinham sido favorecidos por revelações de Deus na sua convicção em uma nova época em que a igreja era universal e espiritual e de, forma nenhuma, poderiam sujeitar-se às exigências legalistas do judaísmo.
“Tendo tido Paulo e Barnabé não pequena discussão e contenda contra eles” (At 15.2)
De modo nenhum, os apóstolos concordaram com tal ensinamento; apresentaram-se e publicamente a rebateram. Eles defenderam que a salvação é pela graça, mediante a fé, sem as obras da Lei: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo” (Gl 2.16). A igreja da Fenícia tinha sido fundada por crentes que tinham fugido de Jerusalém (At 11.19); Samaria tinha sido evangelizada por Filipe (At 8.5). Em vez de ficarem alarmados com as notícias da conversão dos gentios, esses crentes expressaram grande alegria. Os crentes espirituais, que não são desencaminhados por sentimentos sectários, sempre se alegram ao saber de conversões (Fp 1.15-18).
A recepção de gentios no seio da igreja sem a necessidade da circuncisão (esta daria a implicação de submissão à lei toda) pode ter sido assegurada após a conversão de Cornélio e seus amigos. Por essa época, até mesmo em Jerusalém, coluna da tradição judaica, os cristãos que se haviam reunido a fim de estudar essa questão concordaram que "até aos gentios Deus concedeu o arrependimento para a vida" (11:18), embora eles talvez pensassem que isso seria só um caso excepcional. Desde então as coisas mudaram dramaticamente; o fluxo rápido de gentios para dentro da igreja, tanto em Antioquia como nas cidades do sul da Galácia, levantou de novo a questão da sua admissão, ou com mais precisão, as condições mediante as quais deviam ser admitidos. Aceitar os 'devotos' ocasionais na igreja, pessoas que sentiam simpatia pelas doutrinas judaicas, era uma coisa; mas era outra coisa bem diferente dar as boas-vindas a grande número de gentios que não tinham a menor consideração pela lei, e nenhuma intenção de guardá-la.
I. QUANDO A IGREJA PRESERVA A UNIDADE DA IGREJA
1. O concílio de Jerusalém - A composição exata desse Concílio não é conhecida. Outros apóstolos além de Pedro,
Paulo e Tiago devem ter sido convocados e devem ter estado presentes. As pessoas mais
interessadas nessa questão são os apóstolos presentes em Jerusalém, os anciãos da igreja e
a delegação de Antioquia, mas os versículos 12 e 22 indicam que esse debate ocorreu na
presença de toda a igreja. O debate completo era permitido, e então Pedro, Paulo e
Barnabé levaram a discussão à conclusão para que Tiago, que teria presidido a reunião,
pudesse propor uma solução. O argumento do partido legalista deve ter tido forte efeito de
persuasão, e as indicações que são dadas no Novo Testamento mostram que eles
conseguiram persuadir grande número de pessoas, o que explica a grande controvérsia
daí resultante, que também já tinha levado o apóstolo Paulo escrever a Epístola aos
Gálatas.
O Concílio de Jerusalém representa o primeiro grande encontro doutrinário da Igreja Cristã. Sua importância ultrapassa o aspecto histórico, pois estabelece princípios permanentes para a interpretação das Escrituras, para a preservação da unidade da Igreja e para a correta compreensão da doutrina da salvação.
A controvérsia surgiu quando alguns homens provenientes da Judeia chegaram a Antioquia ensinando:
"Se não vos circuncidardes conforme o costume de Moisés, não podeis salvar-vos." (At 15.1)
Observe que eles não estavam negando JESUS. Também não negavam sua morte.
Nem sua ressurreição. O erro era muito mais sutil.
Eles acrescentavam uma condição humana ao plano divino da salvação.
Esse é o perigo do legalismo.
Sempre acrescenta algo à obra perfeita de CRISTO.
Paulo percebe imediatamente que aquele ensino destruía a essência do Evangelho.
Por isso Lucas registra:
"Paulo e Barnabé tiveram com eles não pequena discussão."
A expressão grega utilizada por Lucas é extremamente forte.
Palavra Grega
στάσις (stásis)
Significa:
· Revolta; intenso debate; conflito; oposição firme
Lucas demonstra que Paulo não tratou aquela falsa doutrina com tolerância.
O Evangelho não admite negociações.
Por essa razão, posteriormente Paulo escreverá:
"Ainda que um anjo vindo do céu pregue outro evangelho, seja anátema."
(Gálatas 1.8)
A doutrina da justificação pela fé era inegociável.
O perigo do Legalismo
Legalismo não significa obediência. Significa tentar obter o favor de DEUS através do cumprimento de regras. A obediência é consequência da salvação.
O legalismo tenta produzir salvação. Existe enorme diferença entre ambas.
Obediência Cristã
Legalismo
Nasce da Graça
Nasce do medo
É fruto do ESPÍRITO
É esforço humano
Produz liberdade
Produz escravidão
Exalta CRISTO
Exalta o homem
Conduz à santidade
Produz orgulho espiritual
Paulo resume esse contraste em Gálatas:
"Para a liberdade CRISTO nos libertou."
A composição do Concílio
Lucas informa que participaram:
· os Apóstolos; os Presbíteros; a Igreja. (At 15.6,22)
Esse detalhe revela uma importante característica da liderança da Igreja Primitiva.
Não havia autoritarismo. Havia comunhão.
A liderança exercia autoridade espiritual sem desprezar a participação da comunidade.
O ESPÍRITO SANTO dirigindo a Igreja
O grande personagem invisível do Concílio é o ESPÍRITO SANTO.
Embora Lucas não descreva manifestações sobrenaturais naquele momento, toda a narrativa evidencia sua condução.
Isso fica evidente na declaração final:
"Pareceu bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós..."
(At 15.28)
Esta talvez seja uma das frases mais belas de todo o livro de Atos.
Ela revela que a Igreja não decidiu apenas segundo critérios humanos.
Ela discerniu a vontade divina.
Quadro Histórico
Antioquia da Síria
Foi em Antioquia que ocorreu a crise.
Ali havia uma igreja composta de:
· judeus; gregos; romanos; sírios; africanos.
Era uma igreja multicultural.
A imposição da circuncisão ameaçava destruir aquela comunhão construída pelo Evangelho.
Palavra Grega - ἐκκλησία (Ekklesía)
Traduzida por: "Igreja"
Literalmente significa: "Os chamados para fora."
Na cultura grega era utilizada para indicar uma assembleia convocada.
No Novo Testamento recebe significado muito mais profundo.
A Igreja é a comunidade daqueles que DEUS chamou das trevas para sua maravilhosa luz. (1Pe 2.9)
Aplicação Teológica
A Igreja contemporânea continua enfrentando problemas semelhantes.
Hoje poucos exigem circuncisão.
Mas muitos acrescentam exigências humanas ao Evangelho.
Alguns afirmam que a salvação depende de:
· usos e costumes; posição social; tradição denominacional; mérito espiritual; desempenho religioso.
Todos esses acréscimos possuem a mesma raiz do judaísmo legalista.
Sempre que alguma obra humana é colocada como condição para a salvação, a suficiência da cruz é diminuída.
A Graça preserva a unidade
Existe uma importante diferença entre:
Uniformidade e Unidade.
Uniformidade significa que todos são iguais. Unidade significa que todos pertencem ao mesmo Corpo. A Igreja nunca foi chamada para produzir uniformidade cultural.
Ela foi chamada para preservar a unidade espiritual.
Paulo escreveria anos depois: "Há um só corpo e um só ESPÍRITO." (Ef 4.4)
Quadro Comparativo
Judaizantes × Apóstolos
Judaizantes
Apóstolos
Circuncisão salva
CRISTO salva
Lei como requisito
Graça suficiente
Obras justificam
Fé justifica
Antiga Aliança como condição
Nova Aliança suficiente
Separação entre judeus e gentios
Um só povo em CRISTO
Ênfase nos ritos
Ênfase na cruz
Reflexão Exegética
Observe que Lucas jamais afirma que os judaizantes eram incrédulos.
Provavelmente eram judeus convertidos.
O problema não estava na sinceridade.
Estava na compreensão da doutrina.
Isso ensina um princípio importante:
Boas intenções nunca substituem a verdade bíblica.
A Igreja deve ser acolhedora com pessoas, mas inflexível quanto ao Evangelho.
Curiosidade Histórica
A circuncisão era realizada no oitavo dia de vida (Gn 17.12).
Para os judeus do primeiro século, deixar de circuncidar um homem significava romper com a identidade nacional de Israel.
Por isso o debate foi tão intenso.
Não era apenas uma questão religiosa.
Era também cultural.
CRISTO, porém, inaugurava uma nova humanidade (Ef 2.15), na qual a identidade do povo de DEUS não seria definida por um sinal na carne, mas pela regeneração operada pelo ESPÍRITO SANTO.
Aplicação Espiritual
A unidade verdadeira não nasce da ausência de diferenças, mas da centralidade de CRISTO. Quando a Igreja mantém a graça como fundamento de sua comunhão, evita tanto o exclusivismo religioso quanto o relativismo doutrinário. A cruz derruba as barreiras entre os homens e estabelece um único caminho de acesso ao Pai (Ef 2.18). Toda tentativa de acrescentar exigências humanas ao Evangelho compromete a liberdade cristã e obscurece a glória da graça divina.
2. O relatório de Pedro (Vv. 7-11) - O processo começou com um debate franqueado a todos, que Lucas não registrou, embora teria sido interessante termos uma declaração do ponto de vista dos legalistas e dos seus argumentos para apoiá- lo. No fim, porém, eram as opiniões de Pedro e Tiago que mais importavam. Os comentários de Pedro ressaltam uma só lição basicamente singela. Apelou à experiência. Referindo-se ao incidente da conversão de Cornélio alguns anos antes (Atos cap 10-11), declarou que Deus o escolhera para fazer conhecido aos gentios o evangelho, a fim de que cressem. Além disto, Deus mostrara Sua aceitação dos gentios, concedendo o Espírito Santo a eles, assim como fizera com os crentes judeus. Pedro se referia a Deus como sendo Aquele que conhece os corações de todos os homens, e tirou a conclusão de que, ao derramar assim o Espírito sobre os gentios, Deus estava purificando do pecado os seus corações assim como já purificara os corações dos crentes judeus.
Seguia-se, portanto, que o que importava á vista de Deus era a purificação do coração, e que as observâncias legais externas, tais quais a circuncisão, eram matéria de indiferença. Além disto, procurar impor a lei sobre os gentios era tentar a Deus, no sentido de questionar o Seu julgamento para ver se Ele estava levando-o a sério, e se os homens podiam tomar impunemente atitudes diferentes. O que os legalistas estavam procurando fazer era colocar sobre os gentios o jugo da lei, jugo este que os próprios judeus nunca conseguiram carregar com sucesso. A lição aqui não é que a lei é um fardo opressivo, mas, sim, que os judeus eram incapazes de obter a salvação através dela; daí a sua irrelevância no que dizia respeito à salvação.
Pelo contrário, segundo disse Pedro, os judeus precisam crer a fim de serem salvos mediante a graça de Deus (cf. GNB, “cremos e somos salvos pela graça do Senhor Jesus”), exatamente como os gentios; Pedro fala do tipo de fé em Deus que leva à salvação (v. 11, cf. v. 7). Se tanto os judeus quanto os gentios são salvos desta maneira, é claro que a obediência à lei não se exige dos gentios. Podemos acrescentar que nem sequer dos judeus se exige a obediência à lei como meio da salvação (G1 5:6). Para alguns estudiosos esta dedução tem parecido por demais radical para ser crível nos lábios de um judeus cristão tal como Pedro: por que, pois, pergunta-se, os próprios cristãos judeus não abriram mão da circuncisão? Conforme Lucas, muitos cristãos judeus continuavam a guardar a lei.
Os cristãos judeus não viam necessidade alguma de remover as evidências físicas da circuncisão (contrastar 1 Mac. 1:15), e continuavam a guardar a lei de Moisés, embora as evidências dos Evangelhos sugerem que abandonavam, cada vez mais, os detalhes da observância legalística farisaica, e chegaram a reconhecer, também, que em certos aspectos a lei mosaica fora superada pela nova revelação da vontade de Deus em Jesus. Nem todos os cristãos judeus, porém, chegaram a este reconhecimento, e para muitos, a força do hábito e do costume num ambiente severamente palestiniano judaico permaneceu muito forte. O que Pedro disputava, portanto, era a necessidade de obedecer à lei a fim de ser salvo; se os judeus a guardavam por outros motivos era outro assunto.
3. O relatório de Paulo e Barnabé (V. 12) - ordem dos nomes talvez reflita o modo por que a igreja de Jerusalém os via; veja a disc. sobre 13:6ss.). Um e outro falou sobre os eventos de seu recente trabalho entre os gentios, com ênfase particular em quão grandes sinais e prodígios Deus havia feito por meio deles entre os gentios (v. 12; cp. v. 4), numa clara demonstração de suas bênçãos sobre o trabalho (cp. João 3:2; Hebreus 2:4). Além da descrição desses fatos eles aparentemente nenhuma tentativa fizeram para justificar o que haviam feito. Pedro já havia argumentado acerca das decisões tomadas acertadamente, à luz de suas próprias experiências, e Tiago haveria de mostrar que as Escrituras também forneceriam uma defesa.
Barnabé demonstra que o ministério missionário é evidenciado pelos frutos do Espírito. O próprio Deus encarregou-se de validar o ministério dos apóstolos com sinais, demostrando que a Nova Aliança rompe as fronteiras do judaísmo, aprovando a inclusão dos gentios. O caráter conciliador e espiritual de Barnabé tornou uma voz equilibrada no Concílio — um elo equilibrado entre judeus e gentios. Esse testemunho teve um peso enorme na decisão final do Concílio. Barnabé representa o missionário que testemunha com simplicidade o que Deus faz, e o seu discurso silencioso, porém poderoso, selou a vitória da graça sobre o legalismo.
Barnabé sempre se destacou pela capacidade de unir pessoas e promover reconciliação. Ele intercedeu por Paulo quando ninguém confiava nele (9.27) e trabalhou em harmonia com a igreja de Jerusalém e Antioquia (11.22-26). No Concílio, foi ponte de entendimento entre judeus e gentios. Ele representa o cristão cheio de graça, fé e equilíbrio, capaz de unir a Igreja pela verdade e pelo amor. A igreja de hoje deve, assim como Barnabé, testemunhar com humildade, dar glória a Deus e anunciar o evangelho sem barreiras. Embora Lucas apresente Paulo e Barnabé falando juntos (v. 12), o testemunho paulino — confirmado nas suas próprias epístolas — foi central para afirmar a liberdade cristã e a salvação pela graça, não pela Lei.
Apresentação do evangelho da Graça “[...] expus o evangelho que prego entre os gentios” (Gl 2.2). Paulo apresenta o mesmo evangelho que pregava fora de Jerusalém: Cristo crucificado e ressurreto como único meio de salvação. Ele mostra que os gentios estavam sendo transformados sem as práticas judaicas, provando que a graça é suficiente. Rejeição do Legalismo “Mas nem ainda Tito, que estava comigo, sendo grego, foi obrigado a circuncidar-se” (Gl 2.3). Paulo mostra que o legalismo é um retrocesso espiritual: voltar à Lei é negar a suficiência da cruz, seria negar o sacrifício de Cristo. O apóstolo apresenta a experiência missionária e reafirma que os gentios não precisam cumprir a Lei para serem salvos (At 15.12; Gl 2.1-10).
O discurso de Paulo confirma a suficiência da cruz e da graça, reforçando que a verdadeira autoridade vem do chamado divino. Por essa razão, ele defendeu a liberdade do evangelho com firmeza e coragem mesmo diante de líderes influentes (Gl 2.4,5). A liberdade cristã, porém, não é rebeldia, mas vida guiada pelo Espírito e sustentada pela graça (Gl 5.1,13). A graça liberta o crente da escravidão religiosa e chama-o à liberdade do Espírito. Reconhecimento Apostólico “[...] reconheceram a graça que me foi dada” (Gl 2.9, NVT). Paulo declara que o evangelho que ele prega não é humano, mas recebido por revelação direta de Cristo (Gl 1.11,12). Assim, ele fala no Concílio com autoridade divina e apresenta as provas do agir de Deus entre os gentios. Após o discurso e o testemunho de Paulo, o Concílio reconheceu a legitimidade da sua missão, a autenticidade do evangelho que ele pregava, bem como o que o próprio Deus já havia feito. Pedro, Tiago e João reconheceram que Paulo havia recebido de Deus o ministério entre os gentios.
O versículo começa com os líderes da igreja, Tiago, Pedro e João, reconhecendo a autoridade e a graça que Deus concedeu a Paulo para o ministério entre os não judeus. Eles estenderam a mão direita a Paulo e Barnabé, um sinal de comunhão e de que todos trabalhavam juntos no plano de Deus, selando a unidade do evangelho. Foi acordado que Paulo e Barnabé diligentemente se dedicariam ao trabalho com os gentios (não judeus), enquanto os outros apóstolos ficariam mais concentrados em evangelizar os judeus. Como uma condição para a comunhão, os apóstolos pediram que Paulo e Barnabé lembrassem-se de ajudar os pobres, algo que Paulo comprometeu-se a fazer.
O versículo demonstra a unidade na diversidade entre os apóstolos, que reconheceram a missão específica de cada um para propagar o evangelho, reforçando o objetivo de levar a salvação a todos os povos. Assim, o Concílio uniu doutrina, experiência e comunhão, mostrando que a Igreja pode ser diversa, porém fiel à mesma graça! A partir dali, a Igreja compreendeu que a salvação não é uma mistura de Lei e Graça, mas unicamente pela graça de Deus em Cristo Jesus.
4. O discurso de Tiago (Vv. 13-21) - A partir deste argumento, Tiago tirou a conclusão de que a igreja não deveria continuar a colocar um fardo sobre os gentios que se voltavam a Deus. Como é, pois, que a conclusão se tira do argumento? A lição parece ser que Deus está fazendo algo novo em levantar a igreja; é um evento dos últimos dias, e, portanto, já não se aplicam as regras antigas da religião judaica: Deus está fazendo das nações um povo Seu, e nada há no texto para sugerir que devem tomar-se judeus a fim de tornar-se o povo de Deus. Logo, não há condições de “entrada” a serem impostas sobre eles. Mesmo assim, Tiago tem uma recomendação para fazer: os gentios devem abster-se de certas coisas que eram repugnantes ao judeus.
Quatro coisas se mencionam no texto. Em primeiro lugar, há as contaminações dos ídolos. Refere-se à carne oferecida em sacrifício aos ídolos, e depois comida numa festa do templo ou vendida num açougue.
Em segundo lugar, haviam as relações sexuais ilícitas entendidas como prostituição ou como quebra da lei judaica do casamento (que proibia o casa mento entre parentes próximos, Lv 18:6-18).
O terceiro elemento foi a carne de animais sufocados, um método de abate mediante o qual o sangue permanecia na came,
e o quarto item era o próprio sangue. Estes regulamentos alimentícios se assemelham àqueles em Levítico 17:8-13. Quanto aos problemas levantados por estas regras, ver a introdução a esta seção.
16 - 21. A declaração final de Tiago é de difícil entendimento. Talvez o significado seja que, já que há judeus noutros lugares que regularmente ouvem a lei de Moisés lida nas sinagogas, os cristãos gentios devem respeitar seus escrúpulos, para evitar que a igreja tenha má fama entre eles. Alternativamente, o argumento talvez signifique que se os gentios cristãos querem descobrir qualquer coisa a mais acerca da lei judaica, têm bastante oportunidade nas sinagogas locais, e não há necessidade da igreja em Jerusalém fazer qualquer coisa em prol deste assunto.
22-29. A proposta de Tiago recebeu a concordância da assembléia inteira. Vale a pena ressaltar o sentido disto: signifiça que os judeus extremistas perderam o argumento e concordaram em seguir uma política mais liberal. Parece que aceitaram a sua derrota sem amargura ou ressentimento. Resolveu-se nomear delegados para acompanhar Paulo e Barnabé a Antioquia a fim de relatar as decisões da reunião. Judas, chamado Barsabás, não se conhece fora deste trecho (a não ser que fosse parente de José Barsabás, 1:23), mas Silas (conhecido, noutros trechos, por seu nome latino, Silvano) ficou sendo uma figura de destaque na igreja (15:40; 1 Ts 1:1; 2 Co 1:19; 1 Pe 5:12). Presumivelmente eram presbíteros da igreja de Jerusalém. Sua tarefa seria entregar e expor oralmente a mensagem escrita que levaram para Antioquia.
A carta que Lucas reproduz se encaixa no padrão normal das cartas do século I, que nos é familiar nas cartas de Paulo. Ao passo que Paulo emprega uma forma cristianizada de saudações de abertura e encerramento, aqui se retém a forma secular usual. A carta foi enviada em nome dos apóstolos e presbíteros da igreja em Jerusalém. Escrevem com autoridade aos seus irmãos cristãos; a esta altura, a igreja em Jerusalém ainda sentia que possuía autoridade para mandar as demais igrejas fazer conforme suas instruções, sem dúvida por ser liderada por apóstolos. Os endereçados foram os cristãos em Antioquia, na Síria e na Cilicia. Antioquia era a capital da província romana da Síria (9:30 nota). Não se mencionam as áreas evangelizadas por Paulo e Barnabé (mas ver 16:4).
II. UM PRESENTE DE SALVAÇÃO PARA TODOS
1. O que é a graça de Deus? - Nos versículos 12 a 19, o apóstolo abordara a analogia existente entre Cristo e Adão, que mantêm relacionamentos singulares para com a raça humana. Nada destaca isso mais incisivamente do que o fato de que Adão é figura dAquele que viria (v. 14). A entrada e o domínio do pecado neste mundo, a condenação e a morte estão vinculados a Adão, A entrada da justiça e o domínio da graça, da retidão, da justificação e da vida estão vinculados a Cristo. Estes dois cabeças da humanidade e os dois complexos análogos, mas opostos, vinculados a eles são os eixos em torno dos quais gira a história da humanidade. O governo divino sobre a raça humana pode ser interpretado somente em termos destes dois cabeças e dos respectivos complexos que eles colocam em operação. Eles são os pivôs da revelação redentora: o primeiro torna a redenção necessária; o segundo a concretiza e a assegura Nos versículos anteriores, este termo se refere à ofensa de Adão (vv. 15,17,18; cf. vv. 14,16,19).
E pareceria necessário adotar esta especificação aqui. No entanto, é difícil entender como a ofensa de Adão se tornaria maior mediante a chegada da lei. A resposta seria que há uma alusão à ofensa de Adão, que supriu o modelo daquilo que aumentaria mediante a chegada da lei. A ofensa de Adão foi a desobediência a um mandamento expressamente revelado. Quando a lei chegou, por intermédio de Moisés, teve início a multiplicação daquele tipo de transgressão exemplificada no pecado de Adão, isto é, a transgressão de mandamentos expressamente revelados. Quanto mais evidente for a revelação de uma lei, mais hediondas e graves serão as violações desta lei.
Sem dúvida, o apóstolo estava aqui ponderando sobre o efeito acerca do qual ele faiou, com mais detalhes, em Romanos 7.8,11,13 — quanto mais dispositivos legais forem impostos ao coração do homem pecaminoso, tanto mais se despertará a inimizade do coração para transgredir. Esta multiplicação das ofensas é o propósito pelo qual a lei veio paralelamente ao que já fora revelado. Isto não é uma definição de todo o propósito da outorga da lei por intermédio de Moisés. Outros propósitos são declarados em diversas passagens bíblicas,54 más este é o propósito mais relevante à doutrina que o apóstolo passa a explicar.
A segunda parte do versículo 20, “mas onde abundou o pecado, superabundou a graça", nos instrui que jamais devemos fazer separação entre o propósito anterior da lei e as provisões mais abundantes da graça. O apóstolo interpretou a multiplicação das ofensas, provocada pela outorga da lei, como algo que magnifica e demonstra as superabundantes riquezas da graça divina. Quanto mais a transgressão se multiplica e agrava, tanto maior se torna a graça que transborda para a justificação, e mais intenso se torna o resplendor da graça manifestada. Á eficácia extraordinária e a glória da graça de Deus são ressaltadas pelo superlativo “superabundou” .
A parte final do versículo 20 deve ser entendida em íntima conexão com o versículo 21, que define o propósito pelo qual a graça superabundou. Este propósito é declarado: “A fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor” . Isto é ura sumário final do apóstolo acerca da analogia e da antítese instituídas nos versículos precedentes. Há certa analogia entre o reino do pecado e da morte, por um lado, e o reino da justiça e da vida, por outro. Mas essa analogia tem o propósito de exibir o contraste total em cada ponto particular da analogia. A graça superabundou para que reinasse através da justiça que leva à vida eterna.
A DOUTRINA DA GRAÇA NA HISTÓRIA DA REDENÇÃO
Período Bíblico | Manifestação da Graça |
Éden | DEUS promete o Redentor (Gn 3.15) |
Noé | Graça preserva a humanidade (Gn 6.8) |
Abraão | Graça estabelece a aliança (Gn 12.1-3) |
Moisés | Graça acompanha a Lei (Êx 33.19) |
Profetas | Graça anuncia o Messias |
CRISTO | Graça torna-se plenamente manifesta |
Igreja | Graça é proclamada às nações |
Eternidade | Graça culmina na glorificação |
Ilustração Teológica
Um espelho mostra que o rosto está sujo. Mas o espelho não consegue limpá-lo.
Assim é a Lei.
Ela revela o pecado. Mas não possui poder para removê-lo.
Somente CRISTO pode fazê-lo.
2. Jesus Cristo como a manifestação da graça - O Concílio de Jerusalém proclamou que a salvação é oferecida gratuitamente a judeus e gentios. Entretanto, essa graça não é um conceito abstrato nem um simples atributo divino. Ela possui um rosto, um nome e uma obra histórica. A graça manifesta-se plenamente na pessoa de JESUS CRISTO.
João declara:
"Porque a Lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por JESUS CRISTO." (Jo 1.17)
Essa afirmação não estabelece oposição entre Moisés e CRISTO, como se a Lei fosse má e a graça boa. Antes, ensina que a Lei possuía caráter preparatório, enquanto CRISTO representa a plenitude da revelação divina. A Lei apontava para a necessidade da redenção; CRISTO realizou definitivamente essa redenção.
A graça, portanto, não é apenas aquilo que DEUS concede; é aquilo que DEUS revelou em Seu Filho.
A GRAÇA É UMA PESSOA
No Novo Testamento, a graça deixa de ser apenas um favor concedido por DEUS para tornar-se plenamente revelada na encarnação do Verbo.
João escreve: "O Verbo se fez carne e habitou entre nós..." (João 1.14)
CRISTO é a expressão visível da graça invisível. Tudo aquilo que DEUS desejava revelar ao homem acerca do Seu amor manifesta-se na pessoa de JESUS.
Reflexão Cristológica
A graça não custou pouco. Custou tudo.
Custou:
· a humilhação do Filho; Sua obediência perfeita; Seu sofrimento; Seu sangue; Sua morte; Sua separação judicial na cruz; Seu sepultamento.
A salvação é gratuita para nós.
Mas infinitamente preciosa para DEUS.
Por isso Paulo afirma: "Fostes comprados por bom preço." (1Co 6.20)
A graça é gratuita para o pecador, porém jamais foi barata para o Salvador.
Aplicação Espiritual
Conhecer a CRISTO é conhecer a graça em sua expressão mais elevada. O cristão não deve reduzir a graça a uma simples doutrina, mas contemplá-la diariamente na pessoa do Senhor JESUS. Cada aspecto da vida de CRISTO — Sua encarnação, Seu ministério, Sua morte substitutiva, Sua ressurreição e Sua intercessão à direita do Pai — proclama que DEUS continua oferecendo salvação plena a todos os que creem. A resposta adequada a tão grande graça é uma vida de adoração, santidade, serviço e gratidão.
3. A graça é para todos os povos sem exceção - O Concílio de Jerusalém representou muito mais que a solução de uma controvérsia doutrinária; ele confirmou publicamente aquilo que DEUS já havia revelado desde o princípio das Escrituras: o plano da redenção sempre foi universal. Desde a promessa feita a Abraão — "em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn 12.3) — até a visão da grande multidão diante do trono (Ap 7.9), a Bíblia apresenta um DEUS missionário que deseja alcançar todas as nações com Seu amor redentor.
A inclusão dos gentios, portanto, não foi um plano alternativo diante da rejeição de Israel. Ela fazia parte do decreto eterno de DEUS (Ef 1.4-10). A missão da Igreja consiste em anunciar essa graça universal, convidando todos os homens ao arrependimento e à fé em JESUS CRISTO.
A UNIVERSALIDADE DO EVANGELHO
A universalidade da graça não significa universalismo.
Há uma diferença fundamental entre esses dois conceitos.
Universalidade
CRISTO morreu por todos. A salvação é oferecida a todos.
Universalismo
Todos serão salvos, independentemente da fé. A Bíblia jamais ensina essa segunda ideia. A graça é universal em sua oferta.
Mas sua eficácia é aplicada àqueles que respondem pela fé ao Evangelho.
A GRAÇA E A ELEIÇÃO
A eleição divina deve ser compreendida à luz da missão universal do Evangelho. DEUS, em Sua soberania, tomou a iniciativa da salvação e escolheu, em CRISTO, um povo para o Seu nome (Ef 1.4-5). Contudo, essa eleição não elimina a responsabilidade humana de responder ao chamado do Evangelho.
As Escrituras mantêm em equilíbrio duas verdades:
· DEUS chama soberanamente.
· O homem é convocado a arrepender-se e crer.
JESUS declarou: "Quem vem a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora." (Jo 6.37)
Ao mesmo tempo afirmou:
"Arrependei-vos e crede no Evangelho." (Mc 1.15)
A graça é preveniente, isto é, antecede a resposta humana, despertando o pecador para DEUS. Contudo, ela não violenta a vontade; convida, convence e capacita, aguardando uma resposta de fé.
A RESPONSABILIDADE HUMANA
Embora a salvação seja inteiramente fruto da graça, DEUS trata o homem como um ser moralmente responsável.
A Bíblia apresenta diversos convites universais:
"Vinde a mim..." (Mt 11.28)
"Quem quiser, tome de graça da água da vida." (Ap 22.17)
"Todo aquele que invocar..." (Rm 10.13)
Esses textos demonstram que o chamado do Evangelho é genuíno e dirigido a todos.
Perspectiva Pentecostal
A tradição pentecostal sempre compreendeu que a universalidade da graça está intimamente ligada ao derramamento do ESPÍRITO SANTO. O Pentecostes (At 2) já antecipava esse propósito, pois judeus provenientes de diversas nações ouviram o Evangelho em suas próprias línguas. O dom de línguas tornou-se um sinal profético de que DEUS estava rompendo as barreiras linguísticas e culturais para anunciar CRISTO ao mundo inteiro. Assim, a Igreja é chamada a permanecer cheia do ESPÍRITO para cumprir sua vocação missionária "até aos confins da terra" (At 1.8).
Aplicação Espiritual
A universalidade da graça desafia a Igreja a abandonar todo tipo de exclusivismo, preconceito ou barreira cultural que impeça a proclamação do Evangelho. Não existe povo inalcançável, cultura irredimível ou pecador irrecuperável para a graça de DEUS. O mesmo CRISTO que salvou o centurião Cornélio, o perseguidor Saulo, o carcereiro de Filipos e milhares de gentios continua chamando homens e mulheres de todas as nações para fazerem parte do Seu povo.
III. CRESCENDO NA GRAÇA
1. Como nos aproximar do trono da graça (Hb 4.16) - O autor de Hebreus escreve:
"Cheguemo-nos, pois, com confiança ao trono da graça..."
Essa talvez seja uma das expressões mais extraordinárias de toda a Epístola aos Hebreus.
Ela reúne três grandes doutrinas:
· a mediação de CRISTO;
· o sacerdócio celestial;
· o livre acesso do crente à presença de DEUS.
No Antigo Testamento, apenas o sumo sacerdote entrava no SANTO dos Santos, e somente uma vez por ano, levando sangue de animais (Lv 16). Agora, porém, todos os que estão em CRISTO possuem livre acesso ao Pai por meio do sangue do Cordeiro.
Palavra Grega
θρόνος τῆς χάριτος (Thrónos tēs Cháritos)
Significa literalmente:
"O Trono da Graça."
É uma expressão exclusiva de Hebreus.
O que representa esse Trono?
No Antigo Testamento, o trono era símbolo de:
· autoridade; governo; julgamento.
Em Hebreus, surpreendentemente,
o trono torna-se:
o lugar da graça.
O DEUS que reina é o mesmo DEUS que acolhe.
O Juiz é também o Salvador.
Tabela
Dois Tronos na Bíblia
Trono do Juízo | Trono da Graça |
Ap 20 | Hb 4 |
Condenação do ímpio | Misericórdia ao crente |
Após a rejeição de CRISTO | Durante o tempo da graça |
Justiça retributiva | Misericórdia restauradora |
"Cheguemo-nos"
A palavra utilizada é:
προσερχώμεθα (Proserchṓmetha)
Significa: aproximar-se; entrar na presença; aproximar-se continuamente.
O verbo encontra-se no presente contínuo.
Isso indica ação constante. Não é um acesso ocasional. É um privilégio permanente.
COM CONFIANÇA
Outra palavra importante.
παρρησία (Parrēsía)
Significa: liberdade; ousadia; plena confiança.
Não significa irreverência.
Também não significa intimidade superficial.
É a segurança de quem sabe que foi aceito em CRISTO.
A BASE DESSA CONFIANÇA
Nossa confiança não está:
· em nossa santidade; em nossa fidelidade; em nossas obras; em nossos méritos.
Nossa confiança repousa exclusivamente: na obra perfeita de CRISTO.
2. Quando devemos nos achegar ao trono da graça? - Aplicação Pastoral
O cristão não deve fugir da presença de DEUS quando peca. Deve correr para ela. Adão escondeu-se. Davi arrependeu-se. Pedro chorou. O filho pródigo voltou.
Todos encontraram graça.
A pior atitude do crente é imaginar que precisa primeiro tornar-se digno para depois aproximar-se de DEUS.
É justamente porque somos indignos que necessitamos do Trono da Graça.
Reflexão Teológica
O acesso ao trono da graça constitui um dos maiores privilégios da Nova Aliança. Na Antiga Aliança, o véu separava o pecador da presença divina. Com a morte de CRISTO, o véu do templo foi rasgado de alto a baixo (Mt 27.51), simbolizando que o caminho para DEUS foi definitivamente aberto. O crente não depende mais de um sacerdócio humano para aproximar-se do Pai; sua entrada é garantida pelo sangue de JESUS e pela Sua intercessão contínua.
Como afirma Hebreus 10.19-22, temos "ousadia para entrar no SANTO dos Santos". Essa ousadia não nasce da autoconfiança, mas da confiança no Salvador que vive para interceder por nós (Hb 7.25). Assim, o trono da graça permanece aberto diariamente, oferecendo perdão ao arrependido, força ao cansado, sabedoria ao confuso e esperança ao aflito.
3. O que recebemos ao nos achegarmos ao trono da graça? - O escritor da Epístola aos Hebreus conclui sua exortação afirmando que aqueles que se aproximam do trono da graça recebem misericórdia, graça e socorro em ocasião oportuna (Hb 4.16). Essas três bênçãos resumem toda a provisão espiritual que DEUS oferece aos Seus filhos durante a peregrinação cristã.
É importante observar que o texto não diz que DEUS apenas concede dons materiais ou remove imediatamente todas as dificuldades. O maior presente do trono da graça é o próprio DEUS, que comunica Sua presença, Seu favor e Seu poder ao crente.
A vida cristã não é sustentada pelo esforço humano, mas pela graça continuamente derramada sobre aqueles que permanecem em CRISTO.
O PRIMEIRO PRESENTE: MISERICÓRDIA
O texto afirma: "...para que alcancemos misericórdia..." (Hb 4.16)
A palavra utilizada é:
Palavra Grega - ἔλεος (Éleos)
Significa: misericórdia; compaixão; piedade para com o necessitado.
No Antigo Testamento, a misericórdia aparece associada à fidelidade da aliança (חֶסֶד – ḥésed). No Novo Testamento, ela manifesta o coração compassivo de DEUS diante da miséria humana.
A misericórdia consiste em DEUS não aplicar ao pecador arrependido a condenação que justamente merecia.
Como afirmou Jeremias: "As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos." (Lm 3.22)
Misericórdia e Justiça
Há quem imagine que a misericórdia anula a justiça divina.
As Escrituras ensinam exatamente o contrário.
Na cruz, a justiça foi satisfeita para que a misericórdia pudesse ser oferecida.
A misericórdia nunca ignora o pecado.
Ela triunfa porque CRISTO suportou a penalidade do pecado.
Tabela
Justiça, Misericórdia e Graça
Atributo | O que significa |
Justiça | DEUS dá aquilo que merecemos |
Misericórdia | DEUS não nos dá o castigo merecido |
Graça | DEUS nos concede aquilo que jamais poderíamos merecer |
O SEGUNDO PRESENTE: GRAÇA CONTÍNUA
O autor continua: "...e achemos graça..."
Observe que o texto dirige-se a pessoas já convertidas.
Isso demonstra que a graça não atua apenas na conversão.
Ela acompanha toda a caminhada cristã.
Infelizmente muitos pensam:
"Fui salvo pela graça." Mas agora preciso viver pelas minhas forças.
A Bíblia ensina exatamente o oposto.
Paulo escreve: "Assim como recebestes CRISTO JESUS, o Senhor, assim também andai nele." (Cl 2.6)
Da mesma maneira que fomos salvos pela graça, continuamos vivendo pela graça.
O TERCEIRO PRESENTE: SOCORRO DIVINO
Hebreus conclui:
"...para sermos ajudados em ocasião oportuna."
Palavra Grega
βοήθεια (Boḗtheia)
Significa: Auxílio.
Socorro. Ajuda eficaz.
É interessante observar sua origem.
Vem do verbo:
βοηθέω (boēthéō)
Literalmente: "Correr ao grito de alguém."
Que figura maravilhosa! Quando o filho de DEUS clama, o Pai responde.
DEUS conhece nossas necessidades
JESUS declarou: "Vosso Pai sabe o de que tendes necessidade." (Mt 6.8)
Ele conhece:
· nossas lágrimas; nossas enfermidades; nossas crises; nossas dúvidas; nossas tentações. Nada escapa ao Seu olhar.
O SOCORRO DIVINO NÃO É APENAS LIVRAMENTO
Muitas vezes imaginamos que DEUS nos ajuda retirando imediatamente a dificuldade.
Nem sempre. Às vezes, Ele remove o problema. Outras vezes, Ele fortalece o crente para atravessar o problema. Foi exatamente isso que ocorreu com Paulo.
O ESPINHO NA CARNE
Paulo orou três vezes. A resposta foi: "A minha graça te basta."
Observe. DEUS não removeu imediatamente a dificuldade. Mas concedeu graça suficiente.
Palavra Grega
δύναμις (Dýnamis) Poder.
A continuação do texto afirma: "Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza."
A graça comunica poder espiritual.
A GRAÇA PRODUZ MATURIDADE
Existe uma diferença entre: receber graça e crescer na graça.
Pedro afirma: "Crescei na graça..." (2Pe 3.18)
Características do Crente Maduro
Crente Imaturo | Crente Maduro |
Instável | Perseverante |
Facilmente ofendido | Misericordioso |
Busca apenas bênçãos | Busca conhecer a DEUS |
Oscila facilmente | Permanece firme |
Vive pelas emoções | Vive pela Palavra |
A GRAÇA E OS MEIOS DE SANTIFICAÇÃO
Embora a santificação seja obra do ESPÍRITO SANTO, DEUS estabeleceu instrumentos pelos quais fortalece Seu povo. Esses meios não produzem mérito. São canais pelos quais DEUS comunica Sua graça.
Reflexão Teológica
A tradição reformada costuma chamar esses instrumentos de "meios da graça", expressão também útil na teologia pentecostal, desde que corretamente compreendida. Não são meios automáticos de transmissão de bênçãos, nem possuem eficácia por si mesmos. Sua eficácia depende da ação do ESPÍRITO SANTO e da resposta de fé do crente.
Assim, a leitura da Palavra sem fé torna-se mero exercício intelectual; a oração sem sinceridade converte-se em formalismo; a Ceia sem discernimento perde seu propósito espiritual (1Co 11.27-29). A graça de DEUS opera nesses meios quando o coração se aproxima dEle com humildade e confiança.
A GRAÇA CONDUZ À GLORIFICAÇÃO
O crescimento espiritual não termina nesta vida.
Paulo afirma:
"Aos que justificou, a esses também glorificou."
(Rm 8.30)
A glorificação representa a consumação da graça.
Nesse dia:
· não haverá pecado; não haverá morte; não haverá lágrimas; não haverá tentações.
A graça alcançará sua expressão perfeita na presença eterna de CRISTO.
Como escreveu João: "Seremos semelhantes a Ele, porque o veremos como Ele é." (1Jo 3.2)
APLICAÇÃO ESPIRITUAL
O cristão não deve medir sua vida espiritual apenas pelas circunstâncias favoráveis. Crescer na graça significa aprender a depender de DEUS tanto nos dias de abundância quanto nos dias de provação. O trono da graça permanece aberto em todas as estações da vida. Nele encontramos perdão quando falhamos, força quando enfraquecemos, direção quando estamos confusos e esperança quando tudo parece perdido.
A maturidade cristã não consiste em precisar menos da graça, mas em reconhecer cada vez mais nossa total dependência dela. Quanto mais conhecemos a DEUS, mais compreendemos que "dele, por ele e para ele são todas as coisas" (Rm 11.36).
![]() |
| Ajude esta obra... Código do PIX Banco Mercantil do Brasil |
![]() |
| Pb. Junio | Prof° EBD - YouTube |
AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2.
Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.
Pr. Setorial – Pr. Saulo Marafon.
Pr. Local: Pr. Selmo Pedro.
INSTAGRAN: @PBJUNIOOFICIAL
FACEBOOK: JOSÉ EGBERTO S. JUNIO
CANAL YOUTUBE.: https://www.youtube.com/@pb.junioprofebd7178 Toda semana tem um vídeo da Lição. Deixem seu Like.
![]() |
| Chave do PIX Banco Mercantil |
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias
Comentário Exegético Vol. 2 Craig S. Keener - Editora CPAD
Estudo Livro de Atos - Myer Pearlman - Editora CPAD
file:///C:/Users/Junio/Downloads/Comentario_Romanos_John_Murray%20(1).pdf
file:///C:/Users/Junio/Downloads/Documentos/Comentarios%20Biblicos%20Efesios%20-%20Elienai%20Cabral%20pdf.pdf
5 - Atos - Introdução e Comentário.pdf
Novo Comentário Bíblico - ATOS - David J. Williams.doc.pdf
.png)



Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu feedback
Compartilhem!!!!