![]() |
| Pb. Junio - Congregação Boa Vista II |
TEXTO ÁUREO
"De sorte que as igrejas eram confirmadas na fé e cada dia cresciam em número." (At 16.5)
VERDADE PRÁTICA
O Espírito Santo não apenas guia o cristão em seus passos, mas também o impede de avançar quando isso não está em acordo com a vontade de Deus.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 16. 11-18; 25-31
INTRODUÇÃO
O presente capítulo apresenta a ação soberana do Espírito Santo, que conduz Paulo e Silas à Macedônia, estabelecendo a primeira igreja cristã em solo europeu. A segunda viagem missionária de Paulo constitui um dos capítulos mais notáveis da história da Igreja Primitiva e do avanço do evangelho. Ela é um divisor de águas na história da vida cristã. Na sua narrativa, o livro de Atos demonstra a transição decisiva do cristianismo, que, até então, florescia entre os judeus para o mundo gentílico. Mediante a obediência dos servos de Deus e da direção do Espírito Santo, o evangelho rompe fronteiras culturais e geográficas, alcançando o continente europeu, a começar pela cidade de Filipos, principal cidade da Macedônia.
O capítulo 13 de Atos marca uma grande virada na narrativa do livro. Até aqui, o foco estava principalmente em Jerusalém e na evangelização dos judeus. A partir daqui, a atenção volta-se para a missão entre os gentios, sendo transferida para Antioquia da Síria, onde havia nascido uma igreja marcada por forte ardor missionário. Os capítulos 13 a 28 descrevem a propagação do evangelho na extremidade oriental do mundo Mediterrâneo e em direção ao ocidente até Roma, a capital do Império Romano.
O texto de Atos 16–40, por sua vez, não narra apenas fatos históricos, mas também revela a dinâmica espiritual da missão: Deus direciona, abre corações, liberta oprimidos e salva famílias inteiras. Aqui encontramos o retrato da Igreja em ação: evangelizando, libertando e adorando mesmo em meio à perseguição. Essa passagem mostra que a expansão da Igreja é resultado direto da soberania de Deus e da fidelidade dos seus servos. Cada personagem — Lídia, a jovem possessa e o carcereiro — simboliza um aspecto do poder do evangelho que transforma todos os tipos de pessoas.
A expansão da Igreja, portanto, não é obra humana, e sim fruto da ação soberana de Deus, que guia os seus servos e transforma realidades. O Espírito Santo é o protagonista do livro de Atos, e as viagens missionárias de Paulo são um testemunho vivo de que a Igreja existe para ser missionária. A evangelização, o discipulado e o envio constituem a essência da identidade cristã.
I. LÍDIA: QUANDO O ESPÍRITO ABRE O CORAÇÃO E FUNDA UMA IGREJA
1. A direção soberana do Espírito na segunda viagem missionária - O apóstolo Paulo era um homem de visões: “E Paulo teve de noite uma visão” (At 16.9; cf. 9.12; 18.9; 22.18; 26.19; 2 Co 12.1). Essas visões que Paulo teve eram, às vezes, para encorajar e, outras vezes — como aqui, por exemplo —, para dirigi-lo ao trabalho. Um anjo apresentou-se diante dele para dizer-lhe que era da vontade de Jesus que ele fosse à Macedônia. Disse-lhe também que não se deixasse abater pelos impedimentos e proibições que se lhe ocorriam repetidamente pelos quais as suas intenções eram interceptadas. Embora não fosse aonde queria ir, Paulo iria aonde Deus tinha trabalho para ele fazer.
A Deus não faltam maneiras para dirigir os seus filhos. Ele pode dirigi-los mesmo por meio de visões e por meio de sonhos (ver At 2.17). Apesar de ser durante a noite, Paulo foi dirigido por uma visão e não por sonho. Na visão, apresentou-se diante dele um varão da Macedônia. O apóstolo é chamado para ir lá por um varão da Macedônia, que fala em nome dos demais. O anjo não deve anunciar o evangelho aos macedônios, mas tem de levar Paulo a eles; nem deve, pela autoridade de um anjo, ordená-lo que vá, mas deve, na pessoa de um macedônio, solicitá-lo que venha. Esse macedônio honesto rogava-lhe, dizendo: “Passa a Macedônia e ajuda-nos!” (16.9).
Lucas, o autor de Atos, passa a empregar pela primeira vez a forma do verbo na primeira pessoa do plural, indicando que ele mesmo se ajuntara ao grupo de missionários:
“E logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho” (v. 10). A interpretação da visão que o apóstolo Paulo teve foi que eles estavam prontos para ir aonde quer que fossem dirigidos por Deus. Podemos concluir que Deus certamente nos chama quando somos chamados por alguém. Se o varão da Macedônia diz “Vem e ajuda-nos”, Paulo, então, conclui que Deus diz: “Vá e ajude-os”.
Os ministros trabalham com grande alegria e ânimo quando percebem que foram chamados por Jesus Cristo não só para anunciar o evangelho, mas também para anunciá-lo naquele momento, naquele lugar e àquele povo. O maior dos apóstolos nem sempre esperava uma visão para descobrir o lugar onde devia trabalhar. Para ele, o fato de um campo não ter o evangelho era suficiente para entrar e iniciar a obra. E isso fazia se o Senhor permitisse-lhe ou não o impedisse (vv. 6,7).
2. Fé sincera, sensibilidade espiritual e hospitalidade de Lídia - 16:14-15/pelo menos uma dessas senhoras converteu-se, embora não necessariamente na primeira reunião. O tempo imperfeito do verbo "ouvir" no v. 14 sugere que ela ouviu os missionários mais de uma vez. Seu nome era Lídia, que também era o nome de seu país — conquanto este não tivesse independência, absorvido que fora pela província da Ásia. Lídia era da cidade de Tiatira. Uma das indústrias mais estáveis dessa cidade era a das tinturas, sendo dessa cidade que Lídia, a cidadã, talvez comprasse sua púrpura (v. 14). Era um comércio de luxo, pelo que essa senhora deve ter sido relativamente rica para poder trabalhar nessa área.
Ela seria uma contribuinte, portanto, junto com muitos outros membros dessa igreja, que enviaram sustento pastoral a Paulo em várias ocasiões (Filipenses 4:10ss.; 2 Coríntios ll:18s.). Ela é descrita como pessoa que servia a Deus (v. 14, isto é, uma mulher temente a Deus; veja a nota sobre 6:5). Talvez ela tenha conhecido a doutrina judaica em Tiatira, visto que os judeus dessa cidade estavam envolvidos no comércio de tingimento de tecidos. Assim foi que o caminho para o evangelho lhe fora preparado de antemão. No entanto, Lucas atribui a prontidão de Lídia para que estivesse atenta ao que Paulo dizia (v. 14) a algo mais do que simples contexto ambiental.
O Senhor lhe abriu o coração (v. 14; cp. Lucas 24:25; veja a disc. sobre 2:47). Isto sempre deve acontecer. Sem diminuir de modo algum a importância do arrependimento e fé, e a da pregação da fé em Cristo, não pode haver vida em Cristo sem o poder do Espírito Santo: "nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo" (1 Tessalonicenses 1:5; cp. Efésios 1:18). Todavia, Lucas o menciona agora talvez para mostrar que assim como Deus os havia chamado para sua obra, assim ele confirma esse chamado operando no meio deles (cp. 14:27). Todos haviam pregado às mulheres ("falamos às mulheres que ali se reuniram", v. 13), mas Lucas atribui a conversão de Lídia, no que concerne à instrumentalidade humana, à atuação de Paulo que, sem dúvida, era o principal preletor. Assim foi que Lídia se tornou crente fiel ao Senhor (v. 15).
Ela e a sua casa, isto é, seu estabelecimento todo, o lar e o negócio empresarial, e foram batizados. É possível que Evódia e Síntique, e as demais senhoras de Filipenses 4:2s., estivessem nesse grupo (veja anota sobre 2:38 quanto ao batismo, e a nota sobre 10:48 quanto à inclusão da casa). Lídia expressou sua fé mediante boas obras (cp., p.e., 10:46; 19:6), persuadindo os visitantes a aceitarem sua hospitalidade durante o tempo em que permanecessem na cidade (veja a disc. sobre 9:6ss. quanto ao hábito de Lucas de mencionar os anfitriões de Paulo). Sem dúvida o nome dessa mulher veio a tornar-se o da primeira "igreja" em Filipos (a tradição a coloca no vilarejo que tomou o nome dela, não muito longe das ruínas de Filipos; veja a disc. sobre 14:27 e as notas). Alguns acham que ela teria sido o "meu leal companheiro de jugo" de Filipenses 4:3.
3. A pregação em Filipos: simplicidade, graça e poder transformador - No sábado, o grupo saiu (saímos fora das portas, para a beira do rio) à procura de quaisquer judeus que lá teriam ido para cultuar a Deus. Pelo texto grego, eles simplesmente saíram "fora dos portões", mas entendemos que tais "portões" eram os da cidade, não aparecendo esse adendo em ECA. Todavia, é possível outro entendimento. Cerca de dois quilômetros a oeste da cidade, na via Ignácia, ficava uma arcada romana, hoje em ruínas; um pouco além corria o rio Gangites, tributário do Estrimão. A construção de uma arcada desse tipo com freqüência acompanhava a fundação de uma colônia, tendo a intenção de simbolizar ;i dignidade e privilégios da cidade.
Poderia delimitar também opomerium, uma linha que englobava um espaço vazio, fora da cidade, dentro do qual não se permitiam edificações, sepultamentos, nem a realização de cerimônias religiosas estranhas. É possível, portanto, que os judeus tivessem sido forçados a realizar seus cultos e reuniões além desses limites, depois do portão. Foi aqui que os missionários esperavam encontrar um lugar para oração. No grego há apenas uma palavra, proseuche, que pode significar ou o ato de orar ou o lugar onde se ora; neste sentido, pode denotar um edifício (p.e., uma sinagoga). Entretanto, o emprego da palavra por Lucas, aqui, talvez signifique que não existia um edifício, apenas um lugar costumeiro de reunião ao ar livre. Quando os judeus eram obrigados a reunir-se desta forma, tão longe da cidade, faziam-no perto de um rio, ou do mar, de modo que ficasse mais fácil praticar as abluções cerimoniais; seria esse o caso em Filipos, segundo nos parece.
Paulo e seus companheiros encontraram ali algumas mulheres — a ausência de homens poderia explicar a ausência de uma sinagoga, visto que pelo menos dez homens eram necessários para organizar-se uma sinagoga. Todos se assentaram (assentando-nos [essa era a postura usual durante a aula entre os judeus, embora neste caso possa significar apenas informalidade] e puseram-se a conversar [falamos às mulheres que ali se reuniram]). Se considerarmos a diminuta consideração que os antigos judeus tinham pelas mulheres como pessoas a quem se ministrariam aulas, lembramos de novo, em comparação, de como as mulheres assumem papel importante na história de Atos (veja a disc. sobre 1:14).
II. A LIBERTAÇÃO DA JOVEM POSSESSA E O CONFRONTO COM OS PODERES DAS TREVAS
1. A expulsão de um espírito de adivinhação (Vv. 16-18) - As perseguições que Paulo sofreu vieram da parte dos judeus. Agora temos a primeira perseguição movida contra ele exclusivamente pelos gentios. Uma adivinha endemoninhada seguia Paulo e Silas clamando, maliciosamente ou sobrenaturalmente constrangida: “Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo”. Parece que Satanás, às vezes, empregava o truque do testemunho para causar empecilhos ao Evangelho. Leva alguns de seus agentes a se pronunciarem seguidores da obra evangelística. Seu objetivo é desacreditar o Evangelho, fazendo com que o povo em geral tenha péssima impressão dos cristãos. Se aquela pobre possessa tivesse continuado a gritar atrás de Paulo, todos teriam dito: “Aí vai uma das convertidas dele!” Isto não seria um elogio à obra de Paulo. O Senhor Jesus não convidava nem permitia a continuação do testemunho de demônios (ver Mc 1.23-25). Dias depois, Paulo já não aturava esta publicidade indesejável, e expulsou o demônio da mulher: “Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela”.
Chegou o dia, porém, em que Paulo sentiu-se tão perturbado pelo comportamento da menina (a palavra grega combina os sentidos de tristeza, dor e ira; é usada a respeito dos saduceus em 4:2) que o apóstolo voltou se para ela e em nome de Jesus Cristo ordenou ao espírito que saísse da moça (veja a nota sobre 2:38 quanto "ao nome", e cp. 3:6, quanto à ordem). A mesma palavra forte encontra-se na narrativa de I ucas sobre o demoníaco geraseno (Lucas 8:29) e, de certa maneira, a situação aqui seria semelhante àquela enfrentada por Jesus em Gerasa. () resultado final também foi o mesmo. E na mesma hora saiu o espírito 1, com ele, um lucro valioso que dava aos donos da escrava ("grande lucro", v. 16). Supomos que a jovem teria perdido seus poderes de ventriloquismo, ou fosse o que fosse que ela fazia. Com um leve toque tle humor, Lucas emprega o mesmo verbo ("saiu"; "a esperança do lucro eslava perdida", em ECA) quanto ao espírito e às habilidades mágicas.
2. A reação dos exploradores e a perseguição injusta Vv. 19-22) - Paulo, e qualquer outro cristão, pensaria tratar-se de uma bendita libertação para a jovem. Mas seus donos (era escrava) tinham outro ponto de vista: o apóstolo estragou os dotes de uma boa adivinhadora, cortando-lhes a fonte de lucros. Tirando vantagem do fato de os judeus não gozarem do favor de Roma, prepararam a seguinte acusação: “Estes homens sendo judeus, perturbaram a nossa cidade. E nos expõem costumes que nos não é lícito receber nem praticar, visto que somos romanos”. Os donos da escrava não contaram a verdade de que Paulo, num instante, expulsou um poderoso demônio. A lei romana nada dispunha contra isso. Portanto, inventaram a acusação política de perturbarem a paz da cidade ensinando costumes ilícitos. Os líderes judeus usaram a mesma estratégia para obter a condenação de Jesus pelo magistrado romano (ver Lc 23.1,2; comp. At 24.5). O Evangelho interfere nos lucros dos que se dedicam ao tráfico imoral. Quando isso ocorre, sempre aparecem queixas insinceras contra a interferência nos direitos do indivíduo, bem como oposição ferrenha (ver Lc 8.33-37; At 19.23-27).
3. A falha da justiça humana (Vv. 21-24) - Os magistrados não se deram ao trabalho de investigar o assunto. Logo deram a sentença, mandando açoitar os apóstolos e lançá-los na prisão. No escuro da parte mais profunda do cárcere, seus sofrimentos físicos aumentaram pela posição incômoda. Foram presos no tronco, instrumento de tortura e humilhação. Nem por isso os esforços evangelísticos de Paulo e Silas foram impedidos. No cárcere, seguiu-se um culto fora do comum.
III. A PRISÃO DE PAULO E SILAS E A CONVERSÃO DO CARCEREIRO
1. Açoitados e presos por causa do Evangelho (At. 16. 22-24) - Paulo e Silas eram cidadãos romanos e, como tais, não podiam ser açoitados com varas sem 310 A chegada do evangelho à Europa processo formal. Esse castigo, além de ilegal, era também injusto, pois eles não praticaram o mal, mas o bem. Não cometeram nenhum crime; ao contrário, desataram o nó do diabo na vida de uma jovem presa no cipoal da feitiçaria. O açoite com varas era o típico castigo romano. As roupas de Paulo e Silas foram rasgadas, e eles receberam muitos açoites (v. 22,23). Paulo foi fustigado com varas três vezes (2Co 11.25). Essa era uma das formas mais desumanas e brutais de castigo físico. Suas costas ficaram em carne viva. O sangue jorrava do corpo dilacerado pelos golpes violentos. Kistemaker diz que os magistrados romanos tinham a seu serviço soldados da polícia (16.35,38), que em latim era chamados de lictores (portadores de varas). Esses oficiais carregavam os símbolos da lei e da ordem — os fasces, um feixe de varas com um machado.
Com essa varas eles ministravam o castigo corporal e, por vezes, a punição de morte. Obedecendo às ordens dos magistrados, os oficiais rasgaram as roupas de Paulo e Silas e os espancaram com os fasces.4,77 Em quarto lugar, eles foram jogados na prisão interior de uma masmorra romana (16.23,24). Depois de açoitados, Paulo e Silas foram entregues ao carcereiro, com a recomendação de que os guardassem com toda segurança. Por essa razão, foram levados ao cárcere interior, onde seus pés foram presos no tronco. Na parte externa da cadeia, os presos tinham liberdade de caminhar e encontrar amigos e parentes, mas a parte interna era escura e preparada para manter os presos submetidos a rígido confinamento. Ali o carcereiro meteu as pernas dos apóstolos no tronco para tornar a fuga impossível. Ser confinado ao tronco representava uma tortura, especialmente quando as pernas eram forçadas a ficar separadas ao serem colocadas em buracos afastados uns dos outros. Uma prisão romana tinha três partes distintas. Na comuniora, os prisioneiros tinham luz e ar fresco. Na interiora, que era uma prisão subterrânea, úmida, fria, não havia luz nem ar fresco. Nessa prisão fechada por fortes portões e trancas de ferro, cada cela possuía cinco buracos - dois no chão para os pés e três buracos para os braços e para a cabeça -, o prisioneiro era torturado a cada movimento que fazia,. Por fim, havia o tullianum, ou cela subterrânea, o lugar de execução ou o lugar de um prisioneiro condenado à morte. Paulo e Silas estavam com seus pés presos no tronco (16.24). Submetidos a uma tortura alucinante, e isso depois de terem sido surrados com varas, eles não podiam mover- se. Ali, no frio e na escuridão da noite, com os corpos ensanguentados, latejando de dor, com os pés presos no tronco, em vez de ceder aos gemidos ou à revolta, eles oram e cantam! Essas circunstâncias não eram favoráveis à oração e ao cântico.
Mas eles oraram e cantaram, não porque as circunstâncias eram favoráveis, mas apesar às circunstâncias adversas. Cantaram não porque o sol já tinha raiado, mas apesar de ser meia-noite. Louvaram não porque o problema era pequeno, mas apesar de o problema ser grande. Exaltaram a Deus não porque estavam no controle da situação, mas porque o Senhor estava. Deus envia não um anjo, mas um terremoto para libertar os prisioneiros. Ele usa tanto os meios sobrenaturais como os naturais. Paulo e Silas deixam o cárcere na condição de honrados cidadãos romanos respeitados pelas autoridades locais (16.40).
2. O louvor que abre portas e transforma ambientes (At 16. 25,26) - Paulo e Silas não praguejaram nem murmuraram, mas oraram e cantaram. Warren Wiersbe cita Charles Spurgeon: “Qual quer tolo é capaz de cantar durante o dia. E fácil cantar quando conseguimos ler a partitura à luz do sol; mas o cantor habilidoso consegue cantar quando não há sequer um raio de luz para iluminar a notas. Os cânticos noturnos vêm somente de Deus; não se encontram ao alcance dos homens”.480 Os prisioneiros escutam atentamente. A palavra escutar (16.25) indica um ouvir atento. E usada em referência ao ouvir o que dá prazer, como uma melodiosa música. Ao passar pelo sofrimento, em vez de converter-se em fonte amarga, o cristão se transforma numa fonte de vida. Em vez de murmurar na hora da dor, ele celebra. Em vez de cerrar os punhos contra Deus como fez a mulher de Jó, ele adora.
As forças adversas tornam-se aliadas da alma. Paulo passou a olhar o sofrimento pela perspectiva de Deus. Apenas suportar o sofrimento não é cristianismo, mas estoicismo e paganismo. O cristianismo transforma vales em mananciais, choro em alegria, dor em prelúdio de consolo, sofrimento em liturgia de adoração. O cristianismo gera convicção de que Deus é soberano e está no controle de toda situação. Aqueles homens sofreram como quaisquer outros. A dor era verdadeira dor para eles. A prisão era verdadeira prisão para eles. Mas eles cantavam porque sabiam que Deus tinha um plano perfeito e que Jesus estava sendo glorificado naquele sofrimento.
Paulo e Silas estão em Filipos, no cárcere interior de uma masmorra romana. Estão acorrentados com os pés no tronco e em profunda agonia. Sim, isso é verdade. Mas não é toda a verdade. A coisa mais importante não foi dita. Eles estão em Cristo. Seus pés estão no tronco, mas o coração deles está em Deus. Fisicamente estão sofrendo a maior humilhação, mas espiritualmente estão assentados com Cristo nas regiões celestes. Era meia- noite, mas eles tinham a luz do céu na prisão. A presença de Deus transformou a prisão em palácio, o tronco em paraíso, e eles ergueram ao céu, à meia-noite, orações de adoração e hinos de louvor.
Era impossível prender Paulo e Silas. Eles sempre faziam da prisão uma embaixada. Paulo se considerava embaixador em cadeias. A Palavra nunca estava algemada. Paulo e Silas estavam com os pés no tronco, mas eram livres. Os pés estavam acorrentados, mas o coração deles estava no céu. Eles foram jogados no cárcere interior e trancados com ferrolhos. Tiveram o corpo surrado, mas se sentiam livres. Livres para adorar. Livres para cantar louvores. Livres para entrar na sala do trono. O corpo deles estava na prisão, mas a alma estava no santo dos santos. Eles são livres, livres! São embaixadores entre algemas. Estão algemados, mas a Palavra age livre e poderosamente neles e através deles. Viktor Frankl disse que a liberdade interior é o único bem que os homens não podem tirar de você. A decisão é escolher o que você fará de sua liberdade.
3. A conversão do carcereiro e a vitória da graça (At 16. 27-24) - Deus age por meios estranhos. O terremoto foi o caminho de Deus. Ele faz o seu caminho na tormenta. O terremoto é o instrumento que Deus usa para abrir as portas da prisão e quebrar os ferrolhos dos corações endurecidos. O propósito de Deus no terremoto é sacudir as almas dormentes. Deus sacode o chão sob os pés daqueles que se opõem. Deus precisou mandar um terremoto para o carcereiro ser convertido. O mesmo Deus que abriu o coração de Lídia numa reunião de oração envia um terremoto para abrir o coração do carcereiro. Ele age de formas diferentes.
O terremoto que abriu miraculosamente as portas da cadeia e o coração do carcereiro não é o ponto principal aqui. Paulo e Silas não cantam louvo res porque o terremoto ocorreu. Eles não cantam para que aconteça um terremoto. Nem sempre o terremoto se concretiza. Milhares foram deixados na prisão e lá morreram, mas cantaram à meia-noite. Depois de várias outras prisões, Paulo, no final da vida, voltou a uma masmorra romana. Desta vez não em Filipos, mas em Roma. Nessa prisão, ele adora a Deus novamente (2Tm 4.6-8). Mesmo enfrentando solidão (2Tm 4.9,11), abandono (2Tm 4.10), privação (2Tm 4.13), traição (2Tm 4.14,15) e ingratidão (2Tm 4.16),
Paulo ainda canta: Mas o Senhor me assistiu e me revestiu de forças, para que, por meu intermédio a pregação fosse plenamente cumprida, e todos os gentios a ouvissem; e fui libertado da boca do leão. O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial. A ele, glória pelos séculos dos séculos. Amém (2Tm 4.17,18). A canção de Filipos aconteceu antes do terremoto. Paulo não tinha ideia de que o terremoto viria. Agora ele canta não porque sabe que sairia da prisão. Ele canta porque a prisão não importa mais. Seu passaporte já está carimbado para a última viagem, e esta viagem derradeira é para o céu!
![]() |
| Ajude esta obra... Código do PIX Banco Mercantil do Brasil |
![]() |
| Pb. Junio | Prof° EBD - YouTube |
AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2.
Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.
Pr. Setorial – Pr. Saulo Marafon.
Pr. Local: Pr. Selmo Pedro.
INSTAGRAN: @PBJUNIOOFICIAL
FACEBOOK: JOSÉ EGBERTO S. JUNIO
CANAL YOUTUBE.: https://www.youtube.com/@pb.junioprofebd7178 Toda semana tem um vídeo da Lição. Deixem seu Like.
![]() |
| Chave do PIX Banco Mercantil |
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias
Comentário Exegético Vol. 2 Craig S. Keener - Editora CPAD
Estudo Livro de Atos - Myer Pearlman - Editora CPAD
Novo Comentário Bíblico Contemporâneo
.png)



Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu feedback
Compartilhem!!!!