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segunda-feira, 24 de novembro de 2025

LIÇÃO 09 - VONTADE - O QUE MOVE O SER HUMANO.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                    TEXTO ÁUREO 

"Digo porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscências da carne." (Gl 5.16)


                    VERDADE PRÁTICA 

Guiada por Deus, a vontade é uma bênção extraordinária, vital para a existência humana.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Galátas 5. 16-21; Tiago 1.14, 15; 4. 13-17


                        INTRODUÇÃO 

"Andar no espírito" significa viver em comunhão e submissão ao Espírito Santo, permitindo que Ele guie as decisões, pensamentos e atitudes diárias. É viver de acordo com a vontade de Deus, o que se manifesta através de um comportamento que demonstra o fruto do Espírito, como amor, alegria, paz e paciência, além de resistir às tentações da carne e viver uma vida alinhada com o caráter de Cristo. 

  • Submissão à orientação divina: 

Andar no espírito é seguir a direção do Espírito Santo em todas as áreas da vida, confiando em Sua orientação em vez de depender apenas da própria vontade ou das circunstâncias. 

  • Transformação interior: 

É permitir que o Espírito Santo molde o caráter, tornando a pessoa mais parecida com Cristo. Essa transformação ocorre no nível mais profundo, alinhando desejos e pensamentos à vontade de Deus. 

  • Vitória sobre o pecado: 

O Espírito Santo capacita o cristão a vencer os desejos da carne e as tentações, fortalecendo-o para viver uma vida de vitória sobre o pecado. 

  • Comportamento cristão: 

A expressão prática de "andar no espírito" é o modo de vida que demonstra o fruto do Espírito (amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio). 

  • Relacionamento prático: 

Não se trata apenas de um estado emocional, mas de uma prática diária de se alinhar com o Espírito Santo. Isso inclui estar em constante comunicação com Deus, orar sem cessar e dar graças em tudo. 



                I.      VONTADE: MOTIVAÇÃO E AÇÃO 

1.    Conceito de vontade    -      A vontade é uma força interior dada por Deus e que põe o ser humano em movimento em todas as áreas da vida. Essa força foi corrompida com a Queda (assim como tudo o mais no homem), mas ainda se mostra vital para a existência humana. Num sentido geral, vontade ou volição pode ser conceituada como a capacidade humana de desejar, querer, almejar, escolher e agir. Analisando os termos gregos utilizados com o sentido de vontade na literatura secular antiga e na Bíblia (boulomai e thelo), Coenen e Brown  (2000, p. 2674-2683) extraem diversos significados: “ter vontade”, “desejar”, “querer”, “almejar”, “intenção”, “propósito”, “ter em vista”, “eleger”, “estar resoluto”, “decidir”. A diferença entre os dois termos seria que o primeiro tem um sentido mais racional, e o segundo, mais emocional: “Sugere-se que boulomai fosse originalmente mais a determinação que surge da consideração consciente, livre da emoção, um esforço, em contraste com o desejo mais emocionalmente orientado que é expresso por ethelo” (p. 2675). Referindo- -se mais especificamente ao emprego de boulomai no Novo Testamento, os citados autores afirmam que o termo pode denotar a volição consciente como consequência da reflexão específica, uma decisão da vontade e que pressupõe a possibilidade de liberdade da decisão; que pode denotar uma vontade determinada pelas inclinações pessoais (p. 2676). 

 Essa análise do conceito de vontade tem muita relevância na Doutrina da Salvação. Como nos ensina a Declaração de Fé das Assembléia de Deus (ibid., p. 114,115): 

 Deus derrama sua graça, sem a qual o homem não pode entender as coisas espirituais, ou seja, foi Deus quem tomou a iniciativa na salvação, “do Senhor vem a salvação” (Jn 2.9), agindo em favor das pessoas. Graça é um favor imerecido. E por meio da graça que Deus capacita o ser humano para que ele responda com fé ao chamado do evangelho: “Alas, se ê por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já é graça” (Rm 11.6). Todavia, os seres humanos, influenciados pela graça que a habilita a livre escolha, são livres para escolher, por isso a graça divina pode ser resistida: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina, conhecerá se ela ê de Deus ou se eu falo de mim mesmo” (Jo 7.17). Deus proveu a salvação para todas as pessoas, mas essa salvação aplica-se somente àqueles que creem: “isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem” (Rm 3.22). Nesse sentido, não há conflito entre a soberania de Deus e a liberdade humana. 


2.     Do pensamento à ação    -     Quanto à relação entre vontade e sentimento, não é incomum ocorrer a confusão entre essas duas faculdades. Um exemplo disso está relacionado com a fome. As vezes afirmamos que estamos sentindo vontade de comer. Em princípio, a fome é apenas uma necessidade fisiológica, mas sabemos que banquetes não são preparados apenas por causa do estômago. Como vimos no início deste capítulo, os desejos humanos em geral têm relação com a alma, tanto que nephesh aparece, às vezes, na literatura hebraica com esse sentido. A linguagem bíblica é ampla e não fragmentada, como já abordamos. Assim, o conceito de desejo à luz da Bíblia não é apenas fisiologia — principalmente porque as Escrituras buscam descrever o ser humano na sua integralidade. Em relação à vontade, o apetite é um desejo que surge para que o ser humano satisfaça uma necessidade. 

(Veremos isso melhor no tópico II. subtópico l, quando tratarmos da experiência do povo de Israel no deserto). Por que, então, às vezes tratamos essa vontade como um sentimento? Em alguns casos, isso é correto, já que a “vontade de comer” pode não ser real ou fisiológica, mas emocional. A ansiedade pode ser um fator desencadeador da “vontade de comer”, mesmo não havendo uma necessidade fisiológica real. A tristeza também pode estimular-nos à busca de alimento, na vã tentativa de superá-la. Em casos assim, sentimento e vontade confundem-se e relacionam-se com a própria fisiologia.


3.    Fraqueza de vontade    -   Adão caiu porque DECIDIU PECAR. O segundo Adão, apesar de ter se preparado no estudo da Palavra de DEUS, na oração e no jejum, precisava ser cheio do ESPÍRITO SANTO para vencer a luta que o primeiro Adão perdeu, não existe como vencer Satanás sem o ESPÍRITO SANTO que tem o maior poder que existe sobre a face da Terra ou em qualquer parte, como na esfera do cosmos ou da superior, a espiritual. JESUS não teve, literalmente, as mesmas tentações que nós (não existia drogas, cigarros, cervejas, ele não era político, etc...), mas recebeu as tentações nas mesmas áreas que nós - Corpo, Alma e ESPÍRITO. Concupiscência dos olhos, da carne e soberba da vida. Portanto, foi tentado da mesma forma que nós somos, nas mesma áreas que nós. - Observações do Pr. Henrique).

Na Bíblia, a fraqueza de vontade é vista tanto como uma vulnerabilidade humana à tentação (pecado) quanto como uma oportunidade para experimentar o poder de Deus (2 Coríntios 12:9). Ela se manifesta na inconstância da fé, na incapacidade de resistir aos desejos da carne e na dificuldade de perseverar, mesmo com força de vontade própria. A superação vem não pela própria força, mas pela dependência de Deus, pela confissão de pecados, pela prática de disciplinas espirituais (oração, leitura bíblica) e pela rendição à Sua graça, que se aperfeiçoa na nossa fraqueza. 
Definição e manifestação da fraqueza de vontade
  • Vulnerabilidade ao pecado: A fraqueza de vontade é frequentemente resultado de vícios e hábitos pecaminosos, que enfraquecem a capacidade de escolher o bem.
  • Inconstância na fé: Espiritualmente, a fraqueza se manifesta na inconstância, onde um pequeno obstáculo pode levar à dúvida e ao desânimo.
  • Incapacidade de seguir a Deus por conta própria: A Bíblia ensina que a força de vontade humana não é suficiente para mudar o coração ou seguir os mandamentos de Deus, pois os desejos da carne muitas vezes se opõem ao espírito. 
A fraqueza como oportunidade
  • A graça de Deus em nossa debilidade: A fraqueza humana é o momento em que reconhecemos nossa necessidade de Deus. Quando nos sentimos fracos, a graça e o poder de Cristo podem se manifestar mais claramente em nossas vidas, como diz o apóstolo Paulo em 2 Coríntios 12:9.
  • Dependência e humildade: Em vez de ser um sinal de derrota, a fraqueza nos leva a depender mais de Deus, pois nos torna mais vulneráveis ao Seu poder e amor. A verdadeira força, na perspectiva bíblica, é confiar em Deus em vez de na própria capacidade. 
Como superar a fraqueza de vontade

  • Busque a força divina: A solução não está em sua própria força, mas em se entregar a Deus e permitir que Ele opere em você. A fé é a confiança em Deus, mesmo quando não se entende o plano dele.
  • Pratique disciplinas espirituais: A prática constante de disciplinas espirituais como oração, leitura da Bíblia, jejum e meditação fortalece o espírito e ajuda a controlar os desejos da carne.
  • Confesse seus pecados: Confessar pecados escondidos e buscar o perdão de Deus com um coração contrito é um passo fundamental para a purificação e o fortalecimento espiritual.
  • Viver em comunhão: Viver em comunidade com outros cristãos e buscar ajuda em uma igreja é crucial para receber apoio e encorajamento para vencer as fraquezas. 



                    II.     DESEJOS DA ESCRAVIDÃO À REDENÇÃO 

1.    A experiência do deserto    -    Ser escravo dos próprios desejos é uma das circunstâncias mais trágicas que o ser humano pode enfrentar. Isso, porém, não acontece senão após uma rebelde insistência do homem em agir frontalmente contra a vontade divina. Não raro essas atitudes revelam ingratidão, como aconteceu com o povo hebreu no deserto. O texto de Números 11.1-10 nos apresenta um povo cheio de fraquezas, que provocava a Moisés e a Deus com lembranças infantis, pela influência do vulgo (os não israelitas) que acompanharam Israel desde o Egito (Nm 11.4-6). A nephesh dos hebreus recusava o maná que Deus havia-lhes enviado (Nm 11.7-9) e ansiava pelas comidas do Egito. Isso mostra mais uma vez a correlação entre a alma e os desejos do homem necessitado no seu aspecto fisiológico, além de apontar para a conexão da volição com a condição espiritual. Tudo neles conspirava contra a vontade de Deus. Numa condição emocional deplorável, o povo chorava como uma criança birrenta. O Senhor decidiu satisfazer-lhes os desejos, enviando-lhes carne até que ficassem enfastiados (Nm 11.18-20).

 Esse episódio demonstra a condescendência de Deus com a vontade própria humana e da sequela infeliz que isso causou, conforme observa Derek Kidner (1981, p. 397).3 O texto mostra que Israel tornou-se escravo dos seus desejos. E não foi um mero desejo, mas um desejo insaciável (NVT), uma cobiça excessiva (BKJ). Encontramos o mesmo registro em Salmos 78.29- 33. Donald Stamps (p. 999) comenta a ação divina em relação à insistência humana de apresentar os seus próprios desejos a despeito de contrários à vontade de Deus: “Quando insistimos em satisfazer os nossos desejos egoístas, às vezes Deus nos permite fazer as coisas à nossa maneira, mas também nos deixa sofrer as consequências físicas e espirituais”. E a condescendência de que fala Kidner. Fica evidente o quanto a atitude soberba e impenitente do povo de Israel — que buscava impor os seus próprios desejos contra a vontade de Deus — causou prejuízos à sua alma, trazendo profunda tristeza e angústia.


2.    Os desejos na era cristã    -     O drama dos desejos humanos continua na era cristã com uma diferença fundamental: Cristo venceu o pecado e dá poder a nós para que também o vençamos (ver Rm 6.6). Mas, enquanto estamos neste corpo mortal, há um conflito espiritual constante.

 Donald Stamps (p. 2073) aborda a questão das duas naturezas que coabitam no crente, explicando que a rejeição dos desejos carnais é, pela graça de Deus, um ato de vontade (uma escolha) da pessoa regenerada: 

 Embora os cristãos nascidos de novo tenham recebido a nova vida do Espírito de Deus, eles ainda retêm a natureza pecaminosa com as suas más inclinações e tendências de se rebelar contra Deus (G1 5.16-21). Essa natureza pecaminosa jamais pode ser considerada boa; ela deve ser condenada à morte espiritual — ‘crucificada com Cristo’ (cf. Rm 6.6; G1 2.20; 5.24) — e vencida com a ajuda e o poder do Espírito de Deus (Rm 8.13). Os seguidores de Cristo vencem a sua natureza humana negando-se a si mesmos diariamente (isto é, deixando de lado seus próprios desejos egoístas e escolhendo o caminho de Deus, Mt 16.24; Rm 8.12-13; Tt 2.12). Eles fazem uma escolha deliberada de eliminar de suas vidas tudo o que podería comprometer seu relacionamento com Deus ou levá-los a desafiar ou desagradar a Ele [...]. 

 Paulo expõe o seu drama pessoal entre a vontade do homem espiritual e a vontade do homem carnal, vendido sob o pecado: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer  está em mim, mas não consigo realizar o bem” (Rm 7.18). Isso significa que a vontade do homem natural, não regenerado, não é suficiente para vencer a força do pecado. No versículo 22 do mesmo capítulo, o apóstolo refere-se ao homem espiritual, cuja vontade é inclinada para a vontade de Deus: “Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus”. Na sequência, refere-se ao conflito que persiste entre as duas naturezas no cristão nascido de novo: “Mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros” (7.24).


3.    A decisão do homem redimido    -     Como já enfatizado, a luta interior entre as inclinações da natureza pecaminosa e do espírito do homem regenerado exige do cristão uma tomada de decisão. Com a graça de Deus, é possível vencer a força do pecado e não ceder às paixões carnais, pois é a obra da salvação realizada por Cristo que nos liberta do poder do pecado.

 Conforme o Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal (p. 295), 

 Enquanto os crentes vivem neste mundo, enfrentam uma tensão constante entre o que a carne e o que o Espírito querem. Não devemos concluir, com base nas palavras de Paulo, que a nossa personalidade tem duas partes, nem que temos duas forças iguais e opostos lutando para assumir o controle. Em Cristo e no Espírito Santo, nós temos uma nova vida de ressurreição que é vitoriosa. O Espírito Santo em nós assegura a nossa total redenção e modifica ção futura. Embora tenhamos uma vida nova em Cristo, nós ainda temos uma mente e um corpo inclinados à rebelião e seduzidos por desejos pecaminosos. Devemos resistir a estes desejos.



                    III.    O ENSINO SOBRE OS DESEJOS EM TIAGO 

1.   Atração e engano    -   "A Tentação Vem de Dentro (1.14)

Tiago conhecia os poderes sobrenaturais do mal que agiam no mundo (cf. 3.6), mas aqui ele procura ressaltar o envolvimento e a responsabilidade pessoal do homem ao cometer pecados. O engodo do mal está em nossa própria natureza. Ele está de alguma forma entrelaçado com a nossa liberdade. A questão é: 'Será que eu preferiria ser livre, tentado e ter a possibilidade de vitória ou ser um 'bom' robô?' O robô está livre de tentação, mas ele também não conhece a digni.dade da liberdade ou o desafio do conflito e não conhece nada acerca da imensa alegria quando vencemos uma batalha.
Tiago diz que cada um é atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Essa palavra epithumia ('desejo', RSV) pode ter um significado neutro, nem bom nem mal. Assim, H. Orton Wiley escreve: 'Todo apetite nunca se controla, mas está sujeito ao controle. 

Por isso o apóstolo Paulo diz: 'Antes, subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado' (1 Co 9.27)'. Este talvez seja o sentido que Tiago emprega aqui.
No entanto, na maioria dos casos no Novo Testamento, epithumia tem implicações maléficas. Se for o caso aqui, quando um homem é seduzido para longe do caminho reto, isso ocorre por causa de um desejo errado. Tasker escreve: 'Este versículo, na verdade, confirma a doutrina do pecado original. Tiago certamente teria concordado com a declaração de que 'a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice' (Gn 8.21). Desejos concupiscentes, como nosso Senhor ensinou de maneira tão clara (Mt 5.28), são pecaminosos mesmo quando ainda não se concretizaram em ações lascivas'. Se essa interpretação for verdadeira, há aqui mais uma dimensão na origem da tentação. Desejos errados podem ser errados não somente porque são incontrolados, mas porque, à parte da presença santificadora do ESPÍRITO, eles são carnais 


2.     Abortando o processo    -   Por Que Ê Importante Resistir à Tentação?

1. A tentação, se não for dominada, destrói a fibra moral.

2. Há uma bem-aventurança especial pronunciada em prol daqueles que resistirem às tentações, a saber, a «coroa da vida», e isso por promessa de DEUS (ver Tia. 1:12).

3. Isso significa que a santificação conduz à glória, o que é um tema ensinado em vários lugares do N.T. (Ver Mat. 5:48 e II Tes. 2:13).

4. Os testes, por si mesmos, podem ser forças que nos ajudem em nosso desenvolvimento espiritual; isso é explicado abundantemente em Atos 14:22.

«Bem-aventurado o homem que suporta com perseverança a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam» (Tia. 1:12).

«...juntamente com a tentação...» No original grego temos «...o livramento...», com o artigo definido, o que certamente indica «o meio de escape». Mui provavelmente isso quer dizer que no caso de cada tentação, manifestar-se-á alguma maneira pela qual podemos escapar ao mal, algum meio que nos capacite a suportar a dor e a tristeza.

«É uma demonstração de covardia cedermos à tentação, bem como um voto de desconfiança a DEUS». (Robertson, in loc.).

A parte seguinte do presente versículo deixa entendido que o «escape» só aparece através da resistência e da persistência do crente.

«...de sorte que a possais suportar...» Notemos que não nos é dado o «escape» por meio da ausência de toda a tentação; nem nos é outorgado o «escape» porque logo somos livres da tribulação. Antes, esse «escape» nos é proporcionado ‘porque’ temos podido resistir e chegar ao triunfo. Somente essa forma de escape e de disciplina é que pode produzir qualquer crescimento cristão substancial.

«Com frequência, o único ‘escape’ se verifica através da ‘resistência’. Ver Tia. 1:12». (Vincent, in loc.).

«Veja uma porta aberta para sua saída; e o homem continuará lutando, levando a sua carga. A palavra grega ‘ekbasis’ (escape) significa ‘saída’, escape para longe da luta. Logo em seguida aparece ‘upenegkein’ (sustentar debaixo de algo), em que esta última ação é possibilitada pela esperança relativa àquela primeira. Quão diferente é tudo isso da consolação estoica dos suicidas: ‘A porta continua aberta’! No caso desta epístola aos Coríntios, a ideia de ‘tentação’ deve incluir tanto as atrações em direção à idolatria como as perseguições que o abandono da idolatria envolve». (Findlay, in loc.).

«Neste versículo encontramos talvez a exposição mais prática, e, portanto, mais clara, que se pode achar acerca da doutrina do livre-arbítrio humano, em relação ao poder governador de DEUS. DEUS abre a estrada, mas o próprio homem deve ‘caminhar’ por ela. DEUS controla as circunstâncias; mas o homem se utiliza delas. É nesse ponto que jaz a sua responsabilidade como homem». (John Short, in loc).

«.. .A providencia de DEUS abre um caminho em meio a teia. DEUS sempre abre uma brecha nessa fortaleza doutra maneira inexpugnável. No caso de alguma alma reta entrar em dificuldades e apertos, podemos descansar certos de que haverá um ‘meio de escape’, tal como houve uma ‘entrada’; e também que o teste jamais ultrapassará as forças que DEUS dá a cada qual, para que possa suportar à prova». (Adam Clarke, in loc.).




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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.

Pr. Setorial – Pr. Saulo Marafon.

Pr. Local: Pr. Selmo Pedro.

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio Corpo, Alma e Espírito - A Restauração Integral do Ser Humano para chegar à Estatura Completa de Cristo, Silas Queiroz - Editora CPAD

Livro O Homem, a natureza humana explicada pela bíblia - Corpo, Alma e Espírito, Pr. Severino Pedro da Silva, Editora CPAD


(TAYLOR, S. Richard. Comentário Bíblico Beacon: Hebreus a Apocalipse. Vol. 2. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.159-60).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 4. pag. 154-155.



sábado, 15 de novembro de 2025

LIÇÃO 08 - EMOÇÕES E SENTIMENTOS - A BATALHA DO EQUILÍBRIO INTERIOR.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 



                        TEXTO ÁUREO

"E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus." (Fp 4.7)


                    VERDADE PRÁTICA 

Acima de todo e qualquer método humano, devemos confiar em Deus, único que pode nos dar a verdadeira paz e guardar nossos sentimentos.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Filipenses 4. 4-7; Mateus 9.36; João 11. 35, 36



                    INTRODUÇÃO 

 O texto de Filipenses 4.7 traz, no original, os termos gregos rum (mente, raciocínio), kardia (coração) e noema (um pensamento, aquilo que é pensado). Nesse texto específico, o termo kardia tem um sentido amplo, mas com uma ênfase maior em emoções e vontade, conforme assinalam Coenen e Brown citando Rudolf Bultmann: “E, portanto, a pessoa, o ego do homem, que pensa, sente e deseja, com especial atenção à responsabilidade diante de Deus, que o NT denota mediante o emprego de kardia” (2000, p. 426). 0 ensino de Paulo nesse texto é de como Deus quer e pode guardar todas as nossas fontes de vida interior para que tenhamos uma vida equilibrada, manifestada por meio de uma nova natureza, gerada em Cristo Jesus. E a nova criatura mencionada em 2 Coríntios 5.17. Nessas “coisas velhas”, estão incluídos pensamentos, sentimentos e vontades, os quais agora devem ser novos em Cristo. Esse deve ser o alvo de todo o cristão.

sábado, 8 de novembro de 2025

LIÇÃO 07 - OS PENSAMENTOS - A ARENA DE BATALHA NA VIDA CRISTÃ.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                        TEXTO ÁUREO 

"Quando ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai."  ( Fp 4.8)


                    VERDADE PRÁTICA 

O cristão sábio e prudente preserva sua mente, tornando seus pensamentos obedientes a Cristo.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Filipenses 4. 8, 9; 2Corintios 10. 3-5


                        INTRODUÇÃO 

O inimigo pode construir "fortalezas" mentais — crenças ou padrões de pensamento que escravizam a mente. A vitória envolve derrubar essas fortalezas. 
“As pessoas que têm a mente controlada pela natureza humana acabarão morrendo espiritualmente; mas as que têm a mente controlada pelo ESPÍRITO de DEUS terão a vida eterna e a paz.” Romanos 8:6
“E a paz de DEUS, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com CRISTO JESUS.” Filipenses 4:7
 
·        Renovação da mente: 
Para combater a batalha mental, é necessário renovar a mente para que ela seja transformada pela palavra de DEUS. Isso envolve uma mudança de pensamento para alinhar-se com os princípios divinos. 
“Pois, assim como Eva foi enganada pelas mentiras da cobra, eu tenho medo de que a mente de vocês seja corrompida e vocês abandonem a devoção sincera e pura a CRISTO.” 2 Coríntios 11:3.
“É preciso que o coração e a mente de vocês sejam completamente renovados.”
Efésios 4:23
“E, de acordo com o evangelho que eu anuncio, assim será naquele dia em que DEUS, por meio de CRISTO JESUS, julgará os pensamentos secretos de todas as pessoas” Romanos 2:16
E também: "O Senhor sabe que os pensamentos dos sábios não valem nada."
1 Coríntios 3:20
“Porque é de dentro, do coração, que vêm os maus pensamentos, a imoralidade sexual, os roubos, os crimes de morte, Marcos” 7:21
 
·        Como vencer:
·        Leve todo pensamento cativo: Tome a decisão de questionar e rejeitar pensamentos negativos, de medo ou dúvida que não vêm de DEUS. Pergunte-se se o pensamento glorifica a DEUS e edifica sua fé. Se não, expulse-o em nome de JESUS. 
“Ame o Senhor, seu DEUS, com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças." Marcos 12:30
“e também todo orgulho humano que não deixa que as pessoas conheçam a DEUS. Dominamos todo pensamento humano e fazemos com que ele obedeça a CRISTO.” 2 Coríntios 10:5
·        Foque no que é bom: Medite em coisas que são verdadeiras, nobres, justas, puras, amáveis e de boa fama
E a paz de DEUS, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com CRISTO JESUS. Por último, meus irmãos, encham a mente de vocês com tudo o que é bom e merece elogios, isto é, tudo o que é verdadeiro, digno, correto, puro, agradável e decente.”  Filipenses 4:7,8). 
·        Use a autoridade espiritual: A Bíblia ensina que os cristãos têm autoridade para rejeitar os pensamentos do inimigo. 
“Para terminar: tornem-se cada vez mais fortes, vivendo unidos com o Senhor e recebendo a força do seu grande poder. Vistam-se com toda a armadura que DEUS dá a vocês, para ficarem firmes contra as armadilhas do Diabo. Pois nós não estamos lutando contra seres humanos, mas contra as forças espirituais do mal que vivem nas alturas, isto é, os governos, as autoridades e os poderes que dominam completamente este mundo de escuridão. Por isso peguem agora a armadura que DEUS lhes dá. Assim, quando chegar o dia de enfrentarem as forças do mal, vocês poderão resistir aos ataques do inimigo e, depois de lutarem até o fim, vocês continuarão firmes, sem recuar. Portanto, estejam preparados. Usem a verdade como cinturão. Vistam-se com a couraça da justiça e calcem, como sapatos, a prontidão para anunciar a boa notícia de paz. E levem sempre a fé como escudo, para poderem se proteger de todos os dardos de fogo do Maligno. Recebam a salvação como capacete e a palavra de DEUS como a espada que o ESPÍRITO SANTO lhes dá.
¹⁸ Façam tudo isso orando a DEUS e pedindo a ajuda dele. Orem sempre, guiados pelo ESPÍRITO de DEUS. Fiquem alertas. Não desanimem e orem sempre por todo o povo de DEUS. E orem também por mim, a fim de que DEUS me dê a mensagem certa para que, quando eu falar, fale com coragem e torne conhecido o segredo do evangelho.” Efésios 6:10-19



                I.     UMA VISÃO INTRODUTÓRIA 

1.    A experiência de Adão e Eva    -     Apesar de sucinto, o relato de Gênesis 3.1-6 demonstra que houve um tempo de comunicação entre Eva e a serpente, durante o qual a mulher elaborou alguns pensamentos acerca da árvore da ciência do bem e do mal. Foi o seu imprudente diálogo com a serpente que a levou a pensar o que não devia. O apóstolo Paulo explica que a mulher foi enganada (1 Tm 2.14), ou seja, ela iniciou a conversa com um entendimento e passou a ter outro. Experimentou a alteração do seu sentimento (desejou o fruto) e da sua vontade e conduta (tomou do fruto e comeu) (Gn 3.6). Eva abstinha-se antes do fruto da árvore da ciência do bem e do mal. Depois o desejou, tomou e comeu. Destacam-se no texto os adjetivos “boa”, “agradável” e “desejável”, todos ligados a sentimentos. Também se observa a expressão “vendo a mulher que”, que traduz a conclusão cognitiva, a manifestação de um novo entendimento.

 Houve, portanto, um ciclo de pensamentos do início do diálogo à decisão e ato. A mudança de pensamento alterou o sentimento e, via de consequência, o comportamento. Eva, portanto, pensou o que não devia e foi enganada. Quanto a Adão, que não foi enganado, agiu de forma negligente, deixando de pensar o que devia. Adão simplesmente cedeu a sua vontade à oferta da mulher e pecou (Gn 3.6; 1 Tm 2.14).

Depois da Queda (Após exercerem o livre arbítrio e comerem do fruto)
·        Sentimento de Culpa e Medo: Imediatamente após desobedecerem a DEUS, a primeira manifestação de uma mudança em seus pensamentos foi a culpa e o medo. Eles se esconderam da presença de DEUS, algo que não haviam feito antes.
·        Consciência do Mal e Vergonha: O "conhecimento do bem e do mal" trouxe a consciência da sua nudez, gerando vergonha e a necessidade de se cobrirem. Seus pensamentos passaram a incluir a autoconsciência e o julgamento.
·        Separação e Ansiedade: A comunhão íntima com DEUS foi quebrada, e a ansiedade e as dificuldades entraram em suas vidas. Seus pensamentos voltaram-se para as consequências do seu ato, como a labuta pelo sustento e as dores do parto.
·        Natureza Decaída: Teologicamente, a Queda resultou em uma natureza humana decaída, o que significa que os pensamentos humanos, a partir de então, tornaram-se propensos ao pecado e à desobediência (o "pecado original"). 
Em resumo, a experiência de Adão e Eva quanto aos seus pensamentos ilustra uma transição dramática da inocência, paz e comunhão para a culpa, medo e uma consciência marcada pelo conhecimento do mal e suas consequências


2.    Conceito e origens     -    "Pensar nas coisas que são de cima e não nas que são da terra" (Colossenses 3:1) é um princípio bíblico que exorta os cristãos a focar em valores eternos e celestiais, em vez de se apegar a desejos e preocupações mundanas e passageiras. Gerenciar os pensamentos nesse contexto significa alinhar a mente com a perspectiva de DEUS, refletindo a nova vida em CRISTO. 

Significado de "Coisas que são de Cima"
As "coisas que são de cima" referem-se aos valores do Reino de DEUS e à realidade espiritual, onde CRISTO está. Isso inclui: 
·        Virtudes e ética cristã: Amor, paz, perdão, integridade, pureza, honestidade e justiça.
·        A vida eterna e a glória futura: Lembrar que a vida terrena é temporária e que a esperança está na manifestação de CRISTO.
·        O relacionamento com DEUS: Buscar a comunhão íntima com o Criador e dar glória a Ele acima de tudo.
·        A Palavra e o ESPÍRITO SANTO: Utilizar os recursos divinos disponíveis para orientar a mente. 
Gerenciando Pensamentos com Base em Colossenses 3:1
A gestão dos pensamentos, sob a luz desta passagem, envolve um esforço consciente e diário para redirecionar a mente:
1.    Reconhecer a Nova Identidade: O versículo começa lembrando que o crente já ressuscitou com CRISTO para uma nova vida. A base para pensar nas coisas do alto é essa realidade espiritual, não um esforço humano isolado.
2.    Redirecionamento Ativo: É um mandamento ativo: "buscai" e "pensai". Isso implica em escolher conscientemente onde colocar o foco mental, afastando-o das distrações e tentações terrenas.
3.    Renúncia ao Mundanismo: Significa renunciar ao apego excessivo às coisas materiais, prazeres mundanos e preocupações excessivas com o "agora" que não têm valor eterno.
4.    Prática Diária de Valores: Em vez de apenas evitar pensamentos negativos, o gerenciamento proativo envolve a prática diária de expressar as prioridades do Reino de DEUS em ações cotidianas, como no trabalho e nos relacionamentos familiares.
5.    Oração e Meditação na Palavra: Fortalecer a mente através da oração e da meditação nas Escrituras, permitindo que a mente esteja em comunhão com DEUS, e não com o mundo. 
Em essência, a passagem ensina que, embora vivamos na terra, nossa mentalidade e prioridades devem refletir nossa cidadania celestial e nosso relacionamento com CRISTO. 


 Sobre o dinamismo dos pensamentos e da possibilidade que temos de educá-los, Cruz escreve: 

 A interação com o meio físico e social, num primeiro momento, se lecionado e direcionado pelas escolhas familiares, nos direciona a pensar as coisas, os objetos, as possibilidades, os afetos e as pessoas. E essas relações nos levam a elaborar e formular conceitos e valores particulares, inclusive nossa autoimagem e autoestima. Com o passar dos anos, entretanto, vamos percebendo que não precisamos mais simplesmente refletir o que experienciamos. Aprendemos também com os erros e acertos dos outros, e percebemos que podemos pensar melhor, mais positivamente, escolhendo pensar de preferência no que edifica e santifica. Nossas vivências, percepções e racionalizações podem nos fazer pensar o pior. Muitas vezes as lembranças e sentimentos ruins insistem em dominar nossos pensamentos, tornando nossos dias mais tristes e sombrios. Mas lembre-se sempre de que eu e você podemos escolher onde colocar nossos pensamentos e nossas esperanças. 

 As Escrituras ensinam que, qualquer que seja a origem dos pensamentos, cabe ao ser humano aceitá-los ou rejeitá-los, reprovando-os (Js 1.8; Pv 3.1-7; 15.28; Jr 17.9,10; Fp 4.8).


3.    Características dos pensamentos    -     A capacidade imaginativa do ser humano é muito ampla. Não podemos afirmar que seja infinita, pois a infinitude não é dada ao homem em aspecto algum. Ainda assim, a possibilidade de pensamento é amplíssima.

Nesse sentido, abster-se de toda aparência do mal é essencial (1 Ts 5.22). Não podemos alimentar nossa mente com conteúdos enganosos ou impuros (SI 101.3-5). Deles podem surgir gravíssimos pecados, como violências, imoralidades sexuais, mentiras, calúnias e maledicências. Os fariseus foram chamados de “raça de víboras” porque as suas palavras más eram a reprodução do coração perverso que tinham com pensamentos e sentimentos ruins (ver Mt 12.34; cf. 15.19).

 Subjetividade: Os pensamentos são intrinsecamente pessoais. Duas pessoas podem experimentar a mesma situação, mas, devido às suas experiências sensoriais e passadas individuais, formarão pensamentos e interpretações diferentes sobre o evento.
·        Natureza Transitória: Pensamentos vêm e vão constantemente. Eles podem mudar rapidamente em resposta a novos estímulos sensoriais ou a processos internos de raciocínio.
·        Potencial de Controle e Direcionamento: Embora muitos pensamentos pareçam automáticos, é possível exercer um certo grau de controle sobre eles. A ideia de "abster-se" implica um ato consciente de seleção sobre a informação que permitimos entrar em nossa mente, direcionando assim a qualidade do nosso pensamento. 
Em resumo, a principal característica sublinhada pelo texto é que os pensamentos são moldáveis e influenciáveis pelo ambiente ao nosso redor e pelas nossas escolhas conscientes sobre o que "consumimos" sensorial e mentalmente, daí a importância e necessidade de ler e meditar em textos Bíblicos.


sexta-feira, 31 de outubro de 2025

LIÇÃO 06 - A CONSCIÊNCIA - O TRIBUNAL INTERIOR.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                        TEXTO ÁUREO 

"E, por isso, procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens." (At 24. 16)


                    VERDADE PRÁTICA 

Diante da crescente degradação do padrão moral do mundo, o cristão deve apegar-se cada vez mais à sã doutrina para ter sempre uma boa consciência.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Romanos 2. 12-16



                    INTRODUÇÃO 

 Deus dotou o homem de um senso moral chamado consciência. Em tempos de tanta tecnologia, podemos compará-la a um sensor capaz de detectar falhas e emitir juízos morais e espirituais em relação a elas; ou, diante de condutas corretas, emitir sinais de aprovação. Esse é o funcionamento adequado desse sensor se não estiver com defeito. Terrivelmente acusado pelos judeus diante do governador Félix, em Cesareia, Paulo responde serenamente: “procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens” (At 24.16).

 Sócrates, porém, a considera como sendo “um poder judiciário”. Observe: “A consciência não compete o poder legislativo; na sua função, ela não formula leis e sim, as cumpre; e nem é o poder executivo (ela não executa sentença), é sim, o poder judiciário (ela julga o homem aprovando ou reprovando seus atos). Ela nos diz se nossas ações são boas ou más”.

Na madrugada da noite em que Jesus foi preso, muitos ouviram o galo cantar, mas ninguém como Pedro, o discípulo que negou a Jesus três vezes: “Então, começou ele a praguejar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem. E imediatamente o galo cantou. E lembrou-se Pedro das palavras de Jesus, que lhe dissera: Antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente” (Mt 26.74,75). E assim com a consciência. Cada um tem a sua e vive as suas próprias experiências.

 Temos alguns pontos fundamentais relacionados ao funcionamento da consciência no episódio envolvendo Pedro. 

Em primeiro lugar, Pedro foi devidamente avisado (Mt 26.31-35). O funcionamento acusativo da consciência pressupõe a indicação prévia d e uma conduta vedada, como aconteceu com Adão e Eva em relação à arvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2.16,17). 

Em segundo lugar, Pedro agiu deliberadamente, confiando em si mesmo (Mt 26.35). Foi dissimulado e reticente no que fez: negou três vezes e ainda se embruteceu, praguejando. 

Terceiro, o galo “cantou imediatamente”. A consciência funciona tão logo uma conduta pecaminosa ou antiética é praticada. Não dá trégua. 

O quarto ponto fundamental: Pedro sentiu não apenas uma indicação de culpa, mas também terríveis consequências no espírito, na alma e no corpo: “E, saindo dali, chorou amargamente”. O Pedro impulsivo e cheio de si perdeu a graça e deixou o ambiente em que estava cheio de tristeza e amargura de alma. 

Quinto, afligido pela sua consciência, ele experimentou arrependimento sincero, levando o Mestre  a, no momento oportuno, trazê-lo de volta à restauração. Se não sufocarmos nossa consciência, mas seguirmos o caminho da humildade diante de Deus, seremos restaurados por Ele à sua presença, pois o funcionamento da consciência não é para nosso mal, mas para nosso bem.



                I.     ANTES E DEPOIS DA QUEDA

1.    A primeira manifestação    -   Na teologia cristã, a primeira manifestação da consciência humana no Éden está diretamente ligada ao evento da desobediência de Adão e Eva, conhecido como Pecado Original. Esse despertar da consciência ocorreu após eles comerem o fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, um ato que lhes deu a percepção de sua própria condição e do seu estado de pecado. Eva foi enganada, porém Adão comeu deliberadamente do fruto, transgredindo assim uma ordem direta de DEUS.

Antes da desobediência, Adão e Eva viviam em um estado de inocência e harmonia com DEUS, com a criação e entre si. Após comerem o fruto proibido, a consciência se manifesta através de três reações principais:
·        Percepção da nudez e vergonha: A primeira reação deles é perceberem que estavam nus, algo que antes era natural e não motivo de constrangimento. Essa percepção simboliza a perda da inocência e o surgimento da vergonha, que é uma característica da consciência moral.
·        Sentimento de culpa: Em vez de sentirem-se livres, eles se escondem de DEUS quando ouvem sua voz no jardim, revelando um sentimento de culpa e o medo do julgamento divino.
·        Conhecimento do bem e do mal: A desobediência abriu seus olhos para uma nova realidade, onde podiam distinguir entre o bem e o mal. No entanto, esse conhecimento não veio acompanhado de sabedoria ou perfeição, mas sim de uma natureza humana ferida, marcada pelo pecado e pela separação de DEUS. 
Em essência, a manifestação da consciência no Éden é descrita como o momento em que a humanidade deixou a inocência e passou a ter a capacidade de fazer escolhas morais, mas também a experimentar as consequências dolorosas da escolha errada. A partir desse momento, a natureza humana ficou marcada pela imperfeição e pela luta interna entre o bem e o mal. 
“Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Gênesis 2:17
“Então disse o Senhor DEUS: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente, ...” Gênesis 3:22
 
Adão e Eva se esconderam de DEUS por medo e vergonha após desobedecerem ao comerem o fruto proibido, como relatado no livro de Gênesis. Eles se esconderam entre as árvores do Jardim do Éden, mas DEUS, que é onisciente, os chamou para se apresentarem, dando-lhes a oportunidade de confrontar suas ações e assumir responsabilidade por elas. 
  O motivo: 
A desobediência trouxe vergonha pela sua nudez e a perda do favor divino. Eles não conseguiam encarar a DEUS, sabendo que haviam quebrado uma ordem importante. 
  O encontro: 
DEUS os encontrou mesmo assim, e em vez de simplesmente puni-los, Ele perguntou onde estavam e por que se escondiam. 
  A consequência: 
Após interrogá-los, Adão culpou Eva e Eva culpou a serpente. A desobediência resultou em consequências, como expulsão do jardim e proibição de comerem do fruto da árvore da vida, mas DEUS também prometeu redenção futura através de JESUS CRISTO (“...a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”  Gênesis 3:15b). 


2.    O direito natural    -      O homem não nasceu como um ser bruto, praticamente irracional, como querem fazer crer os adeptos da teoria da evolução. Não é originário do que chamam “o homem pré-histórico”, os primatas (ancestral comum de animais como os chimpanzés) ou o “homem das cavernas”. O homem foi criado à imagem de Deus, como um ser moral inteligente. A comunicação de Deus com Adão e os seus atos iniciais (assim como os de Eva) demonstram isso com muita clareza.

A afirmação está alinhada com a doutrina do direito natural (ou lei da natureza), que sustenta que os seres humanos nascem com um conhecimento intrínseco e universal do que é certo e errado, uma "lei moral" inscrita em sua alma (consciência) como revela a Bíblia. Filósofos associaram essa lei moral à razão humana, que, por sua vez, participa da lei eterna de DEUS. Para a Bíblia, esse conteúdo normativo fundamental é visto como originado na Criação e na semelhança entre DEUS e o homem. 
Leis Morais e a Lei Natural
·        Origem: 
A lei moral é vista como uma parte da ordem natural do universo, inscrita na alma de cada pessoa pela razão, uma reflexão da lei eterna de DEUS, uma consciência dada por DEUS..
·        Propósito: 
Ela permite que o ser humano discirna o bem e o mal, a verdade e a mentira, e serve como um guia para a conduta moral.
·        Fundamento: 
A ideia central é que o bem deve ser feito e o mal evitado, um princípio que se manifesta nas leis e regras que governam as ações humanas perante DEUS que os criou. 
Visão Bíblica
·        Criação e semelhança com DEUS: 
A Bíblia aponta para um moral que se origina na Criação, na ordem da criação e na semelhança de DEUS no homem. 
·        Lei de DEUS: 
DEUS, o criador, governa as criaturas de acordo com a sua sabedoria, que é a lei eterna. O homem, por sua vez, é súdito dessa lei ao nascer, participando da lei eterna em sua natureza. 
·        Revelação: 
A Bíblia, contudo, reconhece que a tarefa de apreender totalmente o direito natural pela razão é árdua, razão pela qual DEUS também o explicitou por meio de mandamentos revelados para os homens de fé. 
Conclusão
A concepção de que todo ser humano nasce com uma "lei moral" ou "direito natural" na alma é uma certeza teológica antiga, que tem profunda ressonância em diversas tradições religiosas e filosóficas, especialmente na cristã. Essa doutrina sugere que a capacidade de discernir o certo e o errado é inata, embora a Bíblia e outras fontes também reconheçam a importância da revelação e da educação para compreender totalmente seus preceitos. 
Caim mata Abel por inveja – o mal está enraizado no ser humano e passa de Pai para filho.
A história bíblica de Caim e Abel, narrada em Gênesis 4, descreve como a inveja e o ressentimento levaram ao primeiro assassinato da humanidade. O conflito surgiu após os dois irmãos, filhos de Adão e Eva, fazerem ofertas a DEUS. 
O enredo central é o seguinte:
·        Caim, um agricultor, ofereceu a DEUS parte dos frutos da terra.
·        Abel, um pastor de ovelhas, ofereceu as melhores e mais gordas de suas ovelhas.
·        DEUS aceitou a oferta de Abel, mas rejeitou a de Caim. Como souberam disso? Desceu fogo sobre a oferta de Abel. Esta oferta prefigurava a Morte de JESUS CRISTO na cruz por nós, para nossa salvação. A verdadeira adoração requer vida no altar.
·        O motivo da rejeição não estava na natureza da oferta em si, mas sim na atitude e no coração com que cada um a apresentou. Abel estava dando sua vida e a substituiu pela vida do cordeiro.
·        Caim se tornou amargurado e invejoso. DEUS o advertiu, dizendo que o pecado estava à espreita, mas que ele deveria dominá-lo.
·        Dominado pela inveja, Caim atraiu Abel para o campo e o matou.
·        Quando DEUS perguntou a Caim sobre o paradeiro de seu irmão, ele mentiu e se mostrou indiferente, mas DEUS já sabia o que havia acontecido.
·        Como castigo, Caim foi amaldiçoado e forçado a se tornar um fugitivo. Sua maldição consistiu em ter a terra negando-lhe seus frutos, não importando o quanto a trabalhasse.


3.    Escrita no coração    -      Á medida que as sociedades eram organizadas, desde os primórdios do mundo antigo, os princípios da lei natural estabelecida por Deus eram registrados, segundo a compreensão própria e imperfeita de cada povo — não sem distorções diante da maldade do coração humano. Com maior ou menor aproximação do propósito divino, o processo de codificação foi ocorrendo à medida que surgiu a escrita. Em relação aos hebreus, essa positivação do Direito Natural deu-se de forma perfeita, já que foi feita pelo próprio Deus. Foi a outorga do Decálogo, os Dez Mandamentos, escritos em pedras “com o dedo de Deus” (Êx 34.1-9; Dt 9.9-11). Mas a Lei Mosaica também incluía ampla regulação da \ida civil (direito de propriedade e direito de família, (ver Ex 22; Dt 24), além do estabelecimento de leis cerimoniais, necessárias para o culto a Jeová (e.g. Lv 1—7). Antes da codificação do direito natural pela Lei Mosaica, outras sociedades antigas tinham os seus regramentos.

 Edwin M. Yamauchi e Marvin R. Wilson (2023, p. 892-894) referem-se a vários códigos de leis e as listas de leis do antigo mundo do Oriente Próximo, tais como: 

o “código” de Ur-Mammu (2070 a.C.), também conhecido como “Código Sumério”; o código de leis de Lipit-Ishtar (1850 a.C.); as leis babilônicas de Hamurabi (1792-1750 a.C.); as leis de Eshnunna; 

o Código da Lei Assíria Média, o Código Hitita, além de leis do Egito. Séculos depois, surgiram as leis do mundo greco-romano, do mundo judaico e do mundo cristão, até os tempos modernos. Consideradas as muitas variações e diferenças existentes nas leis de todos os povos, o que há de bom nas imperfeitas leis humanas é inspira do na lei moral escrita no coração humano: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação” (Tg 1.17).



                II.    O FUNCIONAMENTO DA CONSCIÊNCIA 

1.   Acusação, defesa e julgamento    -    A respeito do funcionamento da consciência, o pastor Elienai apresenta quatro modos distintos de julgamento. Em primeiro lugar, a consciência julga com total imparcialidade, não fazendo acepção de pessoas ou aceitando qualquer tipo de discriminação. Em segundo lugar, a consciência não aceita apelação. O seu julgamento é irrefutável, absoluto e inapelável. Não faz alteração nos seus juízos, motivada por bajulação contida em palavras bonitas e orações poéticas. Em terceiro, a consciência julga nossas ações mediante os fatos. Não julga em cima de especulações e suposições. Em quarto lugar, a consciência age individualmente. A consciência de cada pessoa exerce juízo sobre os atos dela, e não de outrem (ibid., p. 79-81).

 Como observa Brunelli, a ação acusativa da consciência gera um sentimento que abate nosso ânimo, rouba nossa paz e traz a sensação de que alguma coisa não saiu como devia, atormentando nossa mente; uma noção intrínseca de certo e errado que grita em nossa alma e leva-nos tanto ao remorso quanto ao arrependimento; a consciência atua como juíza, cumprindo o dever de culpar ou absolver a pessoa (ibid., p. 68).

Para Scofield(64), a consciência é “a voz secreta da alma: é a voz que fala em silêncio”. Essa definição prende- se tanto ao campo filosófico como teológico. Ela é de fato “a voz silenciosa reprovando ou aprovando as nossas ações”. Ela é nosso juiz julgando entre o mal e o bem (Gn 3.5,22; 1 Co 11.28 e ss). Ela, através da alma, capacita o homem a reconhecer que deve praticar o bem e evitar o mal (Rm 2.15); e este conhecimento do dever inato da alma é que torna-o sensível à voz da consciência.


2.    Vãs justificativas    -    As justificativas de Adão e Eva em Gênesis 3, ao culparem um ao outro e a serpente por sua desobediência, representam o primeiro registro de um padrão de comportamento que se tornaria uma característica fundamental da natureza humana: a tentativa de fugir da responsabilidade e transferir a culpa. 

O significado do ato de culpar o outro:
·        Evitar a responsabilidade pessoal: Ao culpar Eva, Adão não assume a responsabilidade direta por sua própria escolha de desobedecer a DEUS. Sua resposta revela um desejo de se isentar da culpa e, consequentemente, das consequências de seus atos.
“Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram”
Romanos 5:12
·        Quebra do relacionamento: A acusação de Adão não foi apenas contra Eva, mas também contra DEUS ("a mulher que me deste..."). Isso demonstra como o pecado afeta negativamente as relações, não apenas entre os seres humanos, mas também com o Criador.
·        Corrupção da natureza humana: O ato de culpar o outro, em vez de confessar o erro, é um sintoma da decadência moral que entrou na humanidade após o pecado original. Ele inicia uma cadeia de desconfiança e alienação que se manifesta em toda a história humana. 
A justificativa de Eva:
·        Transferência da culpa: Eva, por sua vez, segue o mesmo padrão de Adão, transferindo a culpa para a serpente: "A serpente me enganou, e eu comi" (Gênesis 3:13). Isso mostra que a tentação de fugir da responsabilidade foi rapidamente absorvida pela natureza humana.
·        O engano da tentação: Embora Eva tenha sido enganada pela serpente, a justificativa não anula sua responsabilidade pessoal pela escolha de desobedecer. DEUS a confronta com o que ela fez, e não com o que a serpente fez. 
Lições para a natureza humana:
·        A fuga da vergonha e da culpa: Após desobedecerem, a primeira reação de Adão e Eva foi sentir vergonha e tentar se esconder de DEUS. As justificativas surgem como uma tentativa de aplacar a culpa interior.
·        O livre-arbítrio e suas consequências: A história de Gênesis 3 deixa claro que a escolha de Adão e Eva foi deliberada, feita com base em seu livre-arbítrio, mesmo estando em um ambiente perfeito. Isso mostra que a responsabilidade final pelos atos pecaminosos é do ser humano.
·        Odiar o pecado e vigiar: O relato bíblico nos alerta a sermos vigilantes contra as tentações do inimigo e a odiar o pecado, em vez de buscar justificativas para ele. A tentação pode vir de fora, mas a escolha de ceder a ela é sempre pessoal.
·        A importância do arrependimento: A atitude de Adão e Eva nos ensina, por contraste, a importância de assumir a responsabilidade pelos nossos erros e buscar o arrependimento, em vez de nos justificar. 
 
A serpente no relato de Adão e Eva é retratada como um animal astuto que tentou Eva a comer o fruto proibido, levando ambos ao pecado e, consequentemente, à expulsão do Jardim do Éden. A serpente é identificada com Satanás em interpretações posteriores e foi amaldiçoada por DEUS, que estabeleceu inimizade entre ela e a humanidade. 
·        A tentação: 
A serpente enganou Eva ao dizer que comer o fruto proibido não traria a morte. 
·        A desobediência: 
Eva comeu o fruto e, em seguida, ofereceu a Adão, que também comeu, desobedecendo à ordem de DEUS. 
·        As consequências: 
Após comerem o fruto, Adão e Eva perderam a inocência e foram expulsos do Jardim do Éden. DEUS amaldiçoou a serpente, a mulher (com dores no parto), e o homem (com o trabalho árduo da terra), além de estabelecer a inimizade entre a serpente e a descendência da mulher. 
·        Interpretações:
·        No Novo Testamento, a serpente do Éden é identificada como Satanás, o adversário


3.    O debate no tribunal    -     Quando uma causa chega a um Tribunal são feitos debates entre acusação e defesa. No Tribunal do Júri, onde há julgamento popular (sete pessoas do povo), são longas horas ouvindo testemunhas, o depoimento do réu e as palavras da acusação (promotor público) e da defesa (advogados do réu). Razões e mais razões são apresentadas a fim de, ao final, alcançar-se um veredicto. Isso também acontece na consciência, principalmente quando questões controvertidas são postas a exame. Ela é como um tribunal que julga condutas, aprovando-as ou reprovando-as.

 Isso pode ser visto na expressão de Paulo, de que procurava conservar uma consciência sem ofensa, ou seja, sem o registro de transgressões, contra Deus e contra os homens (At 24.16). Quadro semelhante vemos em Davi. O senso moral e espiritual que ele tinha em relação ao princípio de autoridade impediu-o de ferir a Saul (tempo presente), mas, em caráter continuado, guardava o coração de fazê-lo no futuro. Por haver cortado a orla do manto do rei de Israel, o belemita sentiu dor no coração e, cheio de temor, rogava a Deus que o guardasse de estender a mão contra o monarca, por ser este o escolhido e constituído pelo Senhor (1 Sm 24.6). Davi tinha uma consciência ativa, que o permitia compreender a gravidade de violar o princípio de autoridade.

Em Romanos 2.15, Paulo trata do conhecimento contido no coração (base moral) e dos pensamentos, como caixa de ressonância do papel da consciência. De fato, a mente fica agitada quando a consciência age, principalmente se acusando. Isso leva a longas horas de preocupação, que, não raro, comprometem o sono. Em muitos outros casos, os males de uma consciência com ofensa podem ser somatizados, isto é, sentidos no próprio corpo. Que o Senhor nos guarde de todo o pecado e nos conserve com uma consciência pura, sem ofensa, diante dEle e dos homens. 



                III.     A CONSCIÊNCIA É FALÍVEL 

1.    Defeitos da consciência    -      Como tudo o mais que há no ser humano, a consciência também foi afetada pela Queda, principalmente pela confusão de juízos e sentimentos que o homem passou a criar por sua própria conta, fruto do seu imaginativo e maldoso coração: “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gn 6.5). Apesar de ainda funcionar, a consciência humana passou a apresentar defeitos. E isso pode agravar-se conforme a possuímos, principalmente se ignorarmos o seu funcionamento, tentando manipulá-la. A Bíblia menciona consciências defeituosas.

 A consciência cauterizada é aquela que se mostra insensível ao pecado; que perde a sensibilidade para as coisas boas e corretas; significa a neutralização de todo sentimento humano que qualquer criatura possui; a perda da capacidade de distinguir entre o certo e errado, entre o que é puro e o que é impuro, o profano e o sacro (Ef 4.19; 1 Tm 4.2): “A cauterização da consciência pode acontecer mediante a persistência numa atitude de desobediência e a recusa em dar ouvidos à sua voz (da consciência)” (Cabral, p. 111). A consciência fraca não é orientada corretamente pela verdade, tornando-se legalista (1 Co 8.7-12). É imatura, hipersensível e vulnerável. E típica do cristão que facilmente se escandaliza e chega a abandonar a fé. O crente de consciência fraca vive preocupado com exterioridades terrenas e temporais em detrimento das coisas mais sublimes e eternas, não conseguindo avaliar a sua vida pela Palavra de Deus, porque está sempre preocupado com os outros cristãos e com o que eles fazem (p. 113). Cabral ainda aborda a consciência contaminada ou corrompida (Tt 1.15), que é “contagiada” por agentes externos, como um vírus contagia o corpo e  pode torná-lo doente. É a fraqueza da consciência que a faz corromper-se, como escreveu Paulo: “Mas nem em todos há conhecimento; porque alguns até agora comem, no seu costume para com o ídolo, coisas sacrificadas ao ídolo; e a sua consciência, sendo fraca, fica contaminada” (1 Co 8.7). Para que não haja contaminação, o cristão deve abster-se de tudo o que seja pecaminoso ou que tenha dúvida acerca da sua licitude ou conveniência. O ensino de Paulo é bastante elevado, porque chega a tratar da irrelevância espiritual de comer alimentos sacrificados aos ídolos, pela ciência de que eles (os ídolos), na verdade, nada são: “Para aqueles que sabiam que os ídolos não eram nada, Paulo afirma o óbvio: Ingerir alimentos (mesmo comida sacrificada a ídolos) não torna os crentes inaceitáveis perante Deus” (HOWARD, 2018, p. 1827).

 

2.    Deus, o Supremo- Juiz    -      O testemunho de Raymond Franz ilustra a fundamental necessidade de estudo e ensino das Escrituras, no lar e na igreja para a correta formação da consciência. Quanto mais a mente humana for iluminada pelo Espírito  de Deus, mais conhecerá o que está revelado na Bíblia, gerando firmeza na fé e convicção da boa, agradável e perfeita vontade do Senhor para todas as áreas da vida. O cristão que assim age deixa de ser presa fácil de heresias. Como ensina Elienai Cabral (ibid., p. 134,135), “Se a nossa consciência for moldada na Palavra de Deus, poderá produzir uma vida feliz. A Bíblia Sagrada é o melhor e singular molde para a consciência cristã”. O processo de modelagem da consciência, diz Cabral, envolve três práticas essenciais: (1) ler assiduamente as Escrituras, (2) meditar nelas (refletir e concentrar a mente sobre certas passagens) e (3) memorizar trechos ou versículos da Bíblia. É preciso estar ciente, contudo, de que mesmo nos esforçando para ter uma consciência plenamente eficaz, ficamos isentos de engano ou mesmo de resistir ao reconhecimento de erros e pecados de nossa parte.