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sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

LIÇÃO 11 - O ESPÍRITO HUMANO E AS DISCIPLINAS CRISTÃS.

 

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II


                        DIA DA BÍBLIA!!!

História do Dia da Bíblia

Celebrado no segundo domingo de dezembro, o Dia da Bíblia foi criado em 1549, na Grã-Bretanha, pelo Bispo Cranmer, que incluiu a data no livro de orações do Rei Eduardo VI.    O Dia da Bíblia é um dia especial, e foi criado para que a população intercedesse em favor da leitura da Bíblia. No Brasil, a data começou a ser celebrada em 1850, quando os primeiros missionários cristãos evangélicos chegaram da Europa e dos EUA.    Porém, a primeira comemoração pública aconteceu em 1948, no Monumento do Ipiranga, em São Paulo (SP), ano em que foi fundada a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB).    Graças ao trabalho de divulgação das Escrituras Sagradas, desempenhado pela SBB, o Dia da Bíblia passou a ser comemorado não só no segundo domingo de dezembro, mas também ao longo de toda a semana que antecede a data.      Desde dezembro de 2001, essa comemoração tão especial passou a integrar o calendário oficial do país, por meio da Lei Federal 10.335, que instituiu a celebração do Dia da Bíblia em todo o território nacional.      Hoje, as celebrações se intensificaram e diversificaram. Realização de cultos, carreatas, maratonas de leitura bíblica, exposições bíblicas, construção de monumentos à Bíblia e distribuição maciça de Escrituras são algumas formas que os cristãos encontraram para agradecer a Deus por esse alimento para a vida.

                TEXTO ÁUREO 

"Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir." ( 1Tm 4.8)


                VERDADE PRÁTICA  

As disciplinas espirituais são necessárias para o fortalecimento do espírito, assim como os exercícios físicos para a estrutura óssea e muscular.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: 1Timóteo 4. 6-8, 13-16


                    INTRODUÇÃO 

O principal objetivo das Disciplinas Espirituais é nos fazer parecidos com Jesus. A verdade é que não precisamos “adivinhar” quem Deus É, como Ele age e qual é o seu caráter. Mas podemos conhecê-lo se andarmos com Ele. As Disciplinas Espirituais ajudam nesse processo, que também é possível chamar de santificação.

Antes de mais nada, é importante entender que a disciplina não é um castigo e nem precisa ser um suplício. Afinal, quantas pessoas têm sido extremamente disciplinadas quanto a sua vida profissional a fim de realizar seus objetivos particulares e de negócios? E por que boa parte dos cristãos encontram grande dificuldade para se esmerar em sua vida com Deus? Simples: a luta contra carne continua por aqui! Saiba, porém, que as Disciplinas Espirituais é um meio de graça que o Senhor nos deixou para crescermos em nosso relacionamento com Ele.

 Quais são as Disciplinas Espirituais?

“Disciplinas Espirituais são as disciplinas pessoais e corporativas que promovem crescimento espiritual. São hábitos de devoção e cristianismo experimental que têm sido praticadas pelo povo de Deus desde os tempos bíblicos.”  Donald S. Whitney

Quando nos referimos a este termo, estamos falando a respeito de: leitura e estudo da palavra, oração, jejum, solitude, doar generosamente, comunhão e adoração. São ações práticas da fé que motivadas por amor profundo a Deus gera transformação pessoal.

Segundo Donald S. Whitney, “Deus usa três catalisadores básicos para nos mudar e nos conformar à semelhança de Cristo, mas somente um pode ser amplamente controlado por nós.”

Catalisadores de transformação:

O primeiro catalisador destacado por Donald são as pessoas: “Assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro (Provérbios 27:17). O Senhor usa os relacionamentos nos ensinando a amar até mesmo os nossos inimigos. Somos aperfeiçoados e crescemos através da comunhão dos santos. Aprendemos a receber perdão e a perdoar.

O segundo, são as circunstâncias: “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Romanos 8:28). Nada acontece sem a permissão do Senhor e mesmo em meio às pressões do dia a dia e aos problemas que enfrentamos, temos esperança e convicção de fé. Entendemos que nada pode nos separar do amor de Deus e sabemos que o Senhor está sempre conosco.  

Estes dois catalisadores são externos e não é possível ter controle sobre eles. Porém, quando se trata do terceiro, das Disciplinas Espirituais, Deus age em nós de dentro para fora. Além disso Donald afirma:

“As Disciplinas Espirituais também diferem dos outros dois métodos de mudança porque Deus nos concede uma medida de escolha a respeito do envolvimento com elas. Nós muitas vezes temos pouca escolha em relação às pessoas e circunstâncias que Deus traz às nossas vidas, mas podemos decidir, por exemplo, se iremos ler a Bíblia ou jejuar hoje.”

Buscando santidade através das Disciplinas Espirituais

“Não devemos simplesmente esperar pela santidade, devemos buscá-la.” Donald S. Whitney

Não podemos pensar que a santidade cairá de paraquedas sobre nós ou que fluirá milagrosamente do nosso interior sem que Cristo seja a nossa primazia. Em The Cost of Discipleship (O Custo do Discipulado), Dietrich Bonhoeffer deixa claro que a graça é grátis, mas não é barata. Além disso, existe um propósito para a manifestação da graça.

“Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos. Ela nos educa para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos neste mundo de forma sensata, justa e piedosa, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo. Ele deu a si mesmo por nós, a fim de nos remir de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, dedicado à prática de boas obras. Tito 2:11-14

Jesus pagou um alto preço para que tivéssemos acesso ao Pai. Nós podemos nos relacionar com o Senhor e isso acontece através da meditação (estudo e leitura da Palavra), da oração, da adoração, e de uma vida de fé condizente com as escrituras. Sim! Não é pelo nosso esforço humano que chegamos a Deus, é pela fé, e pelo mover do Espírito Santo em nós. Mas, é neste lugar de ligação que o Senhor deseja nos manter.

Jesus afirmou que só daremos frutos se permanecermos ligados na videira (João 15). Mas lembre-se, o propósito de seu coração é que sejamos seu povo exclusivo e dedicado à prática de boas obras. As Disciplinas Espirituais são importantes para crescimento em santificação. Por este motivo, apresentarei algumas delas neste devocional.




A SEPARAÇÃO ESPIRITUAL DO CRENTE
2Co 6.17,18 “Pelo que saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei; e eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso”.
O conceito de separação do mal é fundamental para o relacionamento entre DEUS e o seu povo. Segundo a Bíblia, a separação abrange duas dimensões, sendo uma negativa e outra positiva: (a) a separação moral e espiritual do pecado e de tudo quanto é contrário a JESUS CRISTO, à justiça e à Palavra de DEUS; (b) acercar-se de DEUS em estreita e íntima comunhão, mediante a dedicação, a adoração e o serviço a Ele.
(1)            No AT, a separação era uma exigência contínua de DEUS para o seu povo (Lv 11.44; Dt 7.3; Ed 9.2). O povo de DEUS deve ser santo, diferente e separado de todos os outros povos, a fim de pertencer exclusivamente a DEUS. Uma principal razão por que DEUS castigou o seu povo com o desterro na Assíria e Babilônia foi seu obstinado apego à idolatria e ao modo pecaminoso de vida dos povos vizinhos (ver 2Rs 17.7,824.32Cr 36.14; Jr 2.5, 13; Ez 23.2; Os 7.8).
(2)            No NT, DEUS ordenou a separação entre o crente e (a) o sistema mundial corrupto e a transigência ímpia (Jo 17.15,16; 2Tm 3.1-5; Tg 1.27; 4.4); (b) aqueles que na igreja pecam e não se arrependem de seus pecados (Mt 18.15-17; 1Co 5.9-11; 2Ts 3.6-15); e (c) os mestres, igrejas ou seitas falsas que aceitam erros teológicos e negam as verdades bíblicas (ver Mt 7.15; Rm 16.17; Gl 1.9; Tt 3.9-11; 2Pe 2.17-22; 1Jo 4.1; 2Jo 10,11Jd vv.12,13).
9.1-         Nossa atitude nessa separação do mal, deve ser de (a) ódio ao pecado, à impiedade e à conduta de vida corrupta do mundo (Rm 12.9; Hb 1.9; 1Jo 2.15), (b) oposição à falsa doutrina (Gl 1.9), (c) amor genuíno para com aqueles de quem devemos nos separar (Jo 3.16; 1Co 5.5; Gl 6.1; cf. Rm 9.1 3; 2Co 2.1-8; 11.28,29; Jd v. 22) e (d) temor de DEUS ao nos aperfeiçoarmos na santificação
(3)            Nosso propósito na separação do mal, é que nós, como o povo de DEUS, (a) perseveremos na salvação (1Tm 4.16; Ap 2.14-17), na fé (1Tm 1.19; 6.10, 20,21) e na santidade (Jo 17.14-21; 2Co 7.1)         ; (b) vivamos inteiramente para DEUS como nosso Senhor e Pai (Mt 22.37; 2Co 6.16-18) e (c) convençamos o mundo incrédulo da verdade e das bênçãos do evangelho (Jo 17.21; Fp 2.15).
(4)            Quando corretamente nos separarmos do mal, o próprio DEUS nos recompensará, acercando-se de nós com sua proteção, sua bênção e seu cuidado paternal. Ele promete ser tudo o que um bom Pai deve ser. Ele será nosso Conselheiro e Guia; Ele nos amará e de nós cuidará como seus próprios filhos (6.16-18).
(5)            O crente que deixa de separar-se da prática do mal, do erro, da impureza, o resultado inevitável será a perda da sua comunhão com DEUS (6.16), da sua aceitação pelo Pai (6.17), e de seus direitos de filho (6.18; cf. Rm 8.15,16).



                I.       A PIEDADE E AS DISCIPLINAS CRISTÃS 

1.      Exercício corporal e piedade      -     Contexto: Naquela época as pessoas não tinham como hoje uma vida corrida e sedentária onde precisavam de uma academia para compensar o déficit de cuidado com a saúde e corpo. Na época, as pessoas caminhavam muito e sua locomoção era a pé. Pedro, por exemplo, quando sai de Jope para pregar em Cesaréia para Cornélio, precisou caminhar dois dias a pé e o equivalente a 60km.

Portanto, as pessoas da época tinham mais disposição, ritmo e saúde física. Sendo assim, para as pessoas daquele contexto, quando ouvem Paulo falar do pouco proveito do exercício físico, sabiam que sua referência não era aos cuidados básicos e essenciais, já que, como
normalidade, quase todos plantavam e aravam a terra, pois dependiam de um trabalho manual para sobreviver. Portanto, nenhum deles tinha um estilo de vida sedentário.
Então quando Paulo se referia ao exercício físico, ele estava falando sobre uma cultura que havia sido disseminada na época do império grego e que havia ganhado ainda mais expressão no império romano: a cultura do ginásio (conhecida hoje como academia) com os objetivos de alta performance para competições esportivas ou para definição muscular com objetivos estéticos. Ademais, além da influência da vaidade, havia a visão e crença que os gregos tinham em relação aos seus deuses. Para os gregos, os seus deuses eram semelhantes aos homens em virtudes e defeitos, sujeitos às mesmas paixões e impulsos,
embora dotados de imortalidade. Portanto, para os gregos, desejar um corpo belo, forte e rápido era um meio de se aproximar de seus deuses e, com isso, de uma suposta e superficial perfeição.
Paulo então não condena o exercício, pois como ele mesmo deixa claro, tem algum proveito, mas Paulo condena a cultura desenfreada e demoníaca da época que influenciava toda aquela geração. Paulo queria deixar claro que aquele comportamento não fazia parte da fé
cristã. Por isso, ele condenou o desequilíbrio, o exagero dos helênicos, as mentiras disseminadas e enfatizou assim que o exercício da piedade tinha muito mais proveito do que o exercício físico para a plenitude de vida.
Ali, Paulo fala para Timóteo (filho de grego) o que tem verdadeiramente poder para transformar uma vida e conduzi-la à semelhança do único que tem o padrão perfeito da varonilidade: Jesus.
“Exercita-te, pessoalmente, na piedade.”

Em contrapartida, a piedade (do grego eusebeia, que significa devoção, reverência, santidade prática) é incomparavelmente superior. Paulo diz que ela "para tudo é proveitosa":
·        Benefícios presentes: Melhora a qualidade da vida aqui e agora, oferecendo paz, propósito e um caráter moldado por DEUS.
·        Benefícios eternos: Tem a promessa da "vida que há de vir", garantindo a salvação e a comunhão eterna com DEUS.
O Ponto de Equilíbrio
A mensagem não é para negligenciar o corpo, mas para priorizar o espírito. O cuidado físico é bom, mas o treinamento espiritual é essencial.
A relação entre os dois pode ser resumida assim:
·        Ambos exigem disciplina, esforço e treinamento (como visto nas disciplinas cristãs mencionadas anteriormente).
·        Deve-se investir tempo e energia proporcionalmente ao valor e à duração dos benefícios. A saúde física é temporária; a saúde espiritual é eterna.
Em resumo, a piedade e o exercício corporal são áreas importantes da vida, mas a piedade deve sempre ocupar o lugar de prioridade máxima na vida do cristão, pois seus frutos são eternos.


2.     Piedade Interna e externa      -    Em alguns textos, o termo aparece associado a deveres religiosos em conjunto com atos de caridade, como no caso de Cornélio, que Lucas identifica como um homem “piedoso e temente a Deus, com toda a sua casa, o qual fazia muitas esmolas ao povo e, de contínuo, orava a Deus”. Não há, de fato, como conceber piedade sem amor ao próximo. Não se pode, contudo, resumir piedade a atos de caridade. Na carta de Paulo/ a Timóteo, o contexto em que a expressão aparece permite-nos compreender que o apóstolo refere-se principalmente a disciplinas espirituais, já que traça um paralelo com o exercício corporal. Ademais, no versículo 7 do capítulo 4, usa o verbo exercitar. “[...] exercita-te a ti mesmo em piedade”. A NTLH, que é uma versão dinâmica, traduz como “exercícios espirituais”.

A Piedade Interna: O Coração e a Mente
A piedade interna diz respeito à condição do coração e ao relacionamento privado e íntimo do indivíduo com DEUS. É a fonte, a raiz da vida espiritual. Sem essa base interna, qualquer manifestação externa é vazia ou hipócrita.
As principais características e expressões da piedade interna incluem:
·        Atitude de Adoração e Reverência: Um profundo senso de temor (respeito) a DEUS e reconhecimento de Sua santidade e soberania. É a motivação por trás de toda ação.
·        Comunhão Contínua (Oração Privada): O diálogo constante com DEUS, buscando Sua vontade, confessando falhas e agradecendo por Suas bênçãos.
·        Meditação e Estudo da Palavra: A assimilação pessoal dos ensinamentos bíblicos, permitindo que a mente seja renovada e que os valores de DEUS moldem a consciência do crente.
·        Arrependimento Genuíno: Uma sensibilidade à voz do ESPÍRITO SANTO que leva a um pesar sincero pelo pecado e a uma mudança de direção (metanoia).
·        Paz Interior e Confiança em DEUS: Uma dependência que gera calma e segurança, mesmo em meio às tribulações da vida.
As disciplinas internas (meditação, oração, jejum, estudo) são as ferramentas primárias para cultivar essa dimensão da piedade.


A Piedade Externa: A Ação e a Vida Pública
A piedade externa é a expressão visível e tangível da vida interior. É a prova de que a fé e a devoção internas são reais e ativas. JESUS enfatizou que uma árvore boa produz bons frutos (Mateus 7:17).
As principais características e expressões da piedade externa incluem:
·        Obras de Misericórdia: Ações concretas de ajuda aos necessitados, como alimentar os famintos, vestir os nus e visitar os doentes ou presos, demonstrando compaixão ativa.
·        Serviço e Generosidade: Colocar os dons e recursos a serviço dos outros, dentro e fora da comunidade de fé, com humildade.
·        Testemunho e Evangelismo: Compartilhar a fé e os princípios do Evangelho de forma coerente, tanto através de palavras quanto do estilo de vida.
·        Integridade e Ética: Viver de forma honesta, justa e transparente no trabalho, na família e na sociedade, refletindo o caráter de CRISTO.
·        Comunhão Corporativa: Participar ativamente da igreja local, adorando em comunidade, confessando pecados uns aos outros e buscando prestação de contas.
As disciplinas externas e corporativas (simplicidade, serviço, submissão, confissão, adoração coletiva) são as ferramentas para expressar essa dimensão da piedade.


A Necessidade de Ambas
A piedade bíblica autêntica exige um equilíbrio entre o que está dentro e o que está fora:
1.    Apenas Interna (Sem Fruto): Uma fé que se diz profunda, mas não resulta em amor prático ou mudança de comportamento, é considerada morta ou incompleta (Tiago 2:17).
2.    Apenas Externa (Hipocrisia): Fazer boas obras ou participar de rituais religiosos sem um coração transformado e devoto é a hipocrisia que JESUS condenou veementemente nos fariseus (Mateus 23:27).
A verdadeira piedade é um coração que ama a DEUS (interno) que transborda em uma vida que serve ao próximo (externo).


3.    Piedade e discrição     -       Uma das primeiras preocupações de Jesus no seu ministério foi ensinar aos seus discípulos o caráter eminentemente espiritual do Reino de Deus: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus” (Mt 5.3). Citando Alan Hugh McNeile, A. T. Robertson (2017, p. 67) afirma que a expressão “pobres de espírito” diz respeito aos piedosos em Israel, a maior parte pobre, a quem os ricos irreligiosos menosprezavam e perseguiam, e que Reino dos céus significa o reinado de Deus no coração e na vida do crente, o que mais importa. R. V G. Tasker (1980, p. 49) entende a expressão “pobres de espírito” como uma referência aos que reconhecem de coração ser “pobres” no sentido de não poderem realizar nenhum bem sem assistência divina e, também, que não têm nenhum poder em si mesmos que os ajude a fazer o que Deus requer deles.

 Tasker complementa: “O reino dos céus a estes pertence, pois deste reino os orgulhosos por sua autossuficiência são inevitavelmente excluídos”. Fica bem evidenciado que a verdadeira piedade é uma prática espiritual, humilde e profunda, que nasce no espírito e tem expressão mediante a alma e o corpo, já que se encarna na vida. Para que sejam autênticas e agradáveis diante de Deus, as disciplinas espirituais não podem ter qualquer sentido ou propósito exibicionista. Jesus advertiu os seus discípulos a que fossem discretos quando orassem e jejuassem.



                    II.     O DESAFIO DAS DISCIPLINAS ESPIRITUAIS 

1.    A analogia do corpo    -    A analogia do corpo humano e do exercício físico é uma das metáforas mais poderosas e frequentemente usadas na teologia cristã para explicar a natureza e a necessidade das disciplinas espirituais. Essa analogia, enraizada nas Escrituras, compara o cultivo da vida interior ao treinamento de um atleta. 

A Base Bíblica da Analogia
O apóstolo Paulo é quem estabelece essa analogia de forma mais direta, usando termos atléticos em suas cartas:
·        1 Timóteo 4:7-8: "Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas, e exercita-te a ti mesmo em piedade [treina-te para ser piedoso]; porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, visto que tem a promessa da vida presente e da que há de vir."
·        1 Coríntios 9:24-27: Paulo compara a vida cristã a uma corrida, onde todos correm, mas apenas um recebe o prêmio. Ele fala sobre a necessidade de "disciplinar o meu corpo e mantê-lo sob controle" para não ser desqualificado. 

Paralelos entre Treinamento Físico e Espiritual
A analogia funciona em vários níveis, destacando verdades essenciais sobre as disciplinas espirituais:
1. Esforço Intencional e Consistência
Assim como ninguém fica fisicamente apto por acidente, ninguém cresce espiritualmente sem esforço intencional e regularidade. Um atleta de elite segue uma rotina rigorosa de treinamento, dieta e descanso. Da mesma forma, as disciplinas espirituais (oração, estudo, jejum) exigem dedicação diária e consistente. 
2. Disciplina vs. Rigidez Legalista
A disciplina física não é uma punição, mas um meio para um fim: o desempenho máximo. Da mesma forma, as disciplinas espirituais não são regras rígidas e legalistas para ganhar o favor de DEUS. Elas são meios da graça que nos colocam em um lugar onde DEUS pode nos transformar. 
3. Resultados a Longo Prazo
O corpo não se torna forte da noite para o dia; a força é construída músculo por músculo, ao longo do tempo. O crescimento espiritual também é um processo lento e gradual (santificação). A analogia nos lembra de ter paciência e perseverança, pois a transformação do coração é um trabalho de longo prazo. 
4. O Corpo Como Ferramenta
No treinamento físico, o corpo é a ferramenta que é exercitada. Nas disciplinas espirituais, o nosso próprio corpo, mente e alma são as áreas que a graça de DEUS molda. É através do nosso corpo que praticamos o serviço, a submissão e a simplicidade. Paulo nos exorta a oferecer nossos corpos como sacrifício vivo (Romanos 12:1), o que é o nosso "culto racional". 
5. Hierarquia de Prioridades
Embora o exercício corporal tenha "pouco proveito" (benefícios temporais), a piedade tem valor "para tudo" (benefícios eternos). A analogia ensina que, embora o cuidado físico seja válido, ele é secundário em relação ao investimento na vida eterna. 


2.    Apatia, engano e pecado    -     A apatia, o engano e o pecado estão interligados em um ciclo destrutivo na vida espiritual do cristão. Eles representam estágios ou manifestações da resistência à vontade de DEUS e ao cultivo da piedade.

O Pecado: A Raiz do Problema
pecado é a transgressão da lei de DEUS e a rebelião contra Seu caráter santo (1 João 3:4). É o afastamento intencional de DEUS. O pecado não é apenas um ato isolado; é uma condição do coração humano decaído que, se não for tratado, gera consequências graves.
A relação do pecado com os outros termos é causal: o pecado gera apatia e é perpetuado pelo engano.

A Apatia: A Consequência do Pecado Não Tratado
apatia (do grego a-patheia, falta de sentimento ou paixão) no contexto espiritual não é apenas preguiça. É um estado de indiferença, dormência ou insensibilidade em relação às coisas de DEUS, à moralidade e às necessidades espirituais próprias e alheias.
A apatia é uma consequência direta do pecado persistente:
1.    Endurecimento do Coração: O pecado repetido cauteriza a consciência. O que antes causava culpa passa a ser tolerado, e a voz do ESPÍRITO SANTO torna-se mais difícil de ouvir.
2.    Perda do Primeiro Amor: O zelo e a paixão iniciais por DEUS e Sua Palavra esfriam. A prática das disciplinas espirituais torna-se mecânica ou é abandonada.
3.    Falta de Desejo: A pessoa apática perde a "fome e sede de justiça" (Mateus 5:6). Ela não sente mais o desejo de orar, ler a Bíblia ou buscar a comunhão cristã.
A apatia é um estado perigoso porque a pessoa pode estar espiritualmente doente, mas não sente dor nem urgência de cura.

O Engano: A Manutenção do Ciclo
engano (ou autoengano) é o mecanismo de defesa que mantém a apatia e o pecado. É a mentira que contamos a nós mesmos para justificar nosso estado espiritual. O engano nos cega para a gravidade da nossa condição.
O engano manifesta-se de várias formas:
·        Minimização do Pecado: "Não é tão grave assim", "Todo mundo faz", "DEUS entende minha fraqueza".
·        Justificação Própria: "Meus motivos são bons, apesar das minhas ações", "Sou uma boa pessoa no geral".
·        Falsa Segurança: "Uma vez salvo, salvo para sempre, então não preciso me preocupar com minha vida diária."
·        Culpa Externa: Culpar as circunstâncias, outras pessoas ou até mesmo a DEUS pela própria condição espiritual.
O livro de Tiago alerta sobre esse perigo: "Sede, pois, praticantes da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos" (Tiago 1:22). A pessoa enganada ouve a verdade, mas não a pratica porque acredita, falsamente, que sua condição está bem.

O Ciclo Vicioso e a Necessidade de Quebra
Esses três elementos formam um ciclo vicioso:
1.    pecado não tratado enfraquece a vida espiritual.
2.    O enfraquecimento leva à apatia (falta de sensibilidade e desejo).
3.    A apatia é protegida pelo engano (justificação e cegueira espiritual).
4.    O engano permite que o pecado continue.

A Solução: Discernimento e Arrependimento
A quebra desse ciclo exige a intervenção da Palavra de DEUS e do ESPÍRITO SANTO, que trazem luz. As disciplinas espirituais, como a meditação e a confissão, são ferramentas cruciais para:
·        Expor o Engano: A Palavra de DEUS é como uma espada que discerne as intenções do coração (Hebreus 4:12), revelando as mentiras que contamos a nós mesmos.
·        Combater a Apatia: A oração e o jejum reavivam o desejo espiritual e a paixão por DEUS.
·        Vencer o Pecado: O arrependimento (mudança de mente e direção) e a dependência do ESPÍRITO SANTO trazem a vitória sobre o poder do pecado.


3.    Da teoria à pratica    -      Na sua carta a Timóteo, Paulo refere-se diversas vezes sobre esse aspecto essencialmente prático dos deveres espirituais. No capítulo 2, ele fala abundantemente sobre a oração como disciplina prioritária tanto individual quanto coletiva e pública. A expressão “antes de tudo” em 1 Tm 2.1 mostra a prioridade da prática. A referência a “deprecações, orações, intercessões e ações de graças” revela a diversidade em que as orações devem ser feitas. Quanto à amplitude, Paulo menciona que deve ser “por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão em eminência”. Ou seja, a oração não está sujeita a nossos limites. O caráter coletivo e público é reforçado no versículo 8: “Quero, pois, que os homens orem em todo o lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contenda”. Verifica-se outro aspecto bem prático da piedade nos versículos 13 e 15 do capítulo 4, voltados para o estudo e o ensino das Escrituras. Timóteo deveria persistir em ler, exortar e ensinar (v. 13). Já há, portanto, a combinação da prática da oração e do estudo bíblico.



                    III.      AS DISCIPLINAS E A LUTA ESPIRITUAL 

1.    As astúcias do Maligno     -    Sabendo que a prática das disciplinas cristãs são fundamentais para nossa saúde e vigor espiritual, numa vida plena e vitoriosa, precisamos estar conscientes de que a observância delas não acontecerá sem oposição do inimigo de nossa alma. Ele procura sempre nos impedir de alguma maneira, querendo fazer com que desistamos de confiar e esperar em Deus. Satanás agiu assim em relação a Daniel quando este orava e jejuava. Depois de algum tempo de resistência enfrentada pelo anjo mensageiro nas regiões celestiais, o profeta recebe a resposta das suas orações e a informação da batalha travada entre os seres espirituais (Dn 10.13,14). O que houve em Daniel é o que não pode faltar em nenhum cristão: a persistência. Tivesse ele desistido nos primeiros dias, frustrado seria o processo espiritual que estava em curso.

O Maligno (Satanás, o Diabo) reconhece o poder transformador das disciplinas espirituais e, por isso, emprega diversas astúcias (estratégias ardilosas e sutis) para nos fazer desistir delas. Seu objetivo é nos manter fracos, apáticos e ineficazes na vida cristã.
A "luta espiritual" mencionada anteriormente é travada, em grande parte, no campo de batalha da nossa mente e rotina diária.


1. A Estratégia da Distração e da Ocupação
Esta é talvez a astúcia mais eficaz na sociedade moderna. O Maligno não precisa necessariamente nos tentar com pecados hediondos; basta nos manter ocupados e distraídos com coisas neutras ou até mesmo boas.
·        Aparência: Fazer com que a agenda diária esteja sempre lotada de compromissos de trabalho, familiares, sociais ou de entretenimento.
·        O Objetivo: Eliminar o tempo e o espaço para o silêncio, a solidão e a meditação. Se não houver tempo para as disciplinas, não há crescimento espiritual. A pessoa se sente constantemente "esgotada", mas não espiritualmente nutrida.


2. A Ilusão do Legalismo e da Culpa
Quando o cristão começa a praticar as disciplinas, o inimigo tenta corromper a motivação.
·        Aparência: Sugerir que as disciplinas são um meio de ganhar a salvação ou o favor de DEUS ("Se você não ler a Bíblia hoje, DEUS ficará desapontado com você"). Isso gera culpa e condenação.
·        O Objetivo: Fazer com que o crente desista por exaustão ou frustração. Se a pessoa falhar um dia, a culpa a leva a abandonar a prática completamente, em vez de recorrer à graça de DEUS.


3. O Desânimo pela Falta de Resultados Imediatos
Vivemos numa cultura que espera resultados instantâneos (o "fast-food espiritual"). As disciplinas, porém, exigem paciência e perseverança.
·        Aparência: Após uma semana de oração e leitura, o crente pode sentir que nada mudou. O Maligno sussurra: "Isso não funciona. Você não está sentindo nada. Por que continuar perdendo tempo?".
·        O Objetivo: Gerar desânimo e fazer com que a pessoa abandone o processo antes de ver o fruto a longo prazo (o amadurecimento do caráter).


4. A Semente da Dúvida e do Engano
O Maligno ataca a Palavra de DEUS e a eficácia da oração.
·        Aparência: Durante a leitura bíblica, surgem dúvidas sobre a veracidade ou relevância do texto. Na oração, a astúcia é sugerir que DEUS não está ouvindo ou não Se importa.
·        O Objetivo: Minar a fé (que é a base da vida cristã). Sem fé na Palavra e na oração, as disciplinas perdem seu fundamento.


5. A Apatia e a Insensibilidade Espiritual
Esta é a astúcia que nos leva ao estado de dormência.
·        Aparência: Tornar a prática das disciplinas entediante e sem vida. O crente ora, mas o coração está longe; lê a Bíblia, mas a mente vagueia. A rotina vira ritual vazio.
·        O Objetivo: Instalar a apatia. Uma pessoa apática não sente urgência espiritual, não luta e, eventualmente, desiste das práticas que não lhe dão "emoção".
Vencendo as Astúcias
A chave para vencer essas astúcias é a intencionalidade vigilante:
·        Reconhecer a Luta: Estar ciente de que a resistência às disciplinas não é apenas preguiça, mas parte de uma batalha espiritual.
·        Motivação Correta: Praticar as disciplinas por amor e graça, não por obrigação ou mérito.
·        Perseverança Humilde: Recomeçar sempre que cair, dependendo da força do ESPÍRITO SANTO e não da própria força de vontade.


2.    Evitando as distrações      -      A Revolução Industrial, iniciada no século 18, e os séculos posteriores prometeram ao ser humano uma vida econômica estável, facilidade na realização das tarefas cotidianas e tempo de sobra para o lazer, mas isso não foi alcançado. As sociedades atuais são mais agitadas e cansadas do que as do período em que a vida era praticamente toda artesanal ou voltada para a manufatura. Como bem assinala Nienkirchen, o que se tem na vida moderna são pessoas cujas vidas são estressantes e aflitivas (ibid., p. 271). Constatar isso não significa negar a importância das grandes invenções, dos eletrodomésticos e dos muitos equipamentos tecnológicos que facilitam a vida moderna.

 A questão está voltada para a gestão humana do tempo, e não para a demonização dos dispositivos e ferramentas que nos oferece a tecnologia. Nesse sentido, o conselho paulino continua aplicável ao cristão de qualquer época, lugar ou cultura: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porquanto os dias são maus” (Ef 5.15,16). Quanta profundidade espiritual em tão poucas palavras! Paulo refere-se à necessidade de um viver prudente, que deve ser sábio, pautado por decisões sensatas. Por outro lado, adverte-nos do perigo da necedade e da estupidez em relação a nosso estilo de vida.

 E aponta para uma questão fundamental, que é a administração do tempo (5.16). Como observa Willard H. Taylor (2020, p. 178), a ideia aí não é pagar um preço determinado pelo tempo, mas aproveitá-lo ao máximo. Pode ser que Paulo tivesse em mente a prática do serviço cristão, mas é mais provável que a sua referência tenha a ver com a vida cristã na sua totalidade — principalmente pelo contexto, que fala, inclusive, de práticas litúrgicas sob o enchimento do Espírito (5.18,19). Assim, é bastante evidente que disso faça parte a prática da piedade, tanto na vida privada quanto na congregacional.

 Por fim, Paulo aponta para a realidade da piora do sistema de vida humano, valendo-se da expressão “dias maus”, conhecida tanto no Antigo quanto no Novo Testamento (SI 49.5; Ec 7.14; Mt 6.344. Talvez nunca tenha sido tão necessário agir com sabedoria e prudência na administração do tempo, diante da degeneração moral impregnada em todas as áreas do sistema de vida humano, que conspira contra tudo o que diz respeito à vontade de Deus (1 Jo 5.19). Parece-nos muito claro que o conselho joanino de que não amemos o mundo e o que nele há seja de grande abrangência, incluindo os engenhos humanos (inclusive tecnológicos), que lutam para roubar nosso tempo de exercício das disciplinas espirituais. Usá-los, sim, mas sermos manipulados por eles, não.




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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio Corpo, Alma e Espírito - A Restauração Integral do Ser Humano para chegar à Estatura Completa de Cristo, Silas Queiroz - Editora CPAD

Livro O Homem, a natureza humana explicada pela bíblia - Corpo, Alma e Espírito, Pr. Severino Pedro da Silva, Editora CPAD


Mortificando o pecado pelo Espírito Santo - Ministério Fiel

Estudos Doutrinários da Bíblia de Estudo Pentecostal - CPAD

https://fhop.com/serie-disciplinas-espirituais-se-tornado-parecidos-com-jesus/

https://www.pregacaocrista.com/exercitando-se-na-piedade/

https://ebdnatv.blogspot.com/2025/12/escrita-licao-11-cpad-o-espirito-humano.html



sábado, 29 de novembro de 2025

LIÇÃO 10 - ESPÍRITO - O ÂMAGO DA VIDA HUMANA.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                    TEXTO ÁUREO

"Peso da Palavra do Senhor sobre Israel. Fala o Senhor, o que estende o céu, e que funda a terra, e que forma o espírito do homem dentro dele." ( Zc 12.1)


                VERDADE PRÁTICA

Uma vez livre, nossa alma recebe vida espiritual e dirige nosso corpo para adorar e servir ao Criador.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gênesis 2.7; Eclesiastes 12.7; Zacarias 12.1; João 4.24



                            INTRODUÇÃO 

Depois de estudar a alma e as suas faculdades, estudaremos o espírito, a principal entidade ou elemento constitutivo do homem; a parte imaterial através da qual estabelecemos nossa comunhão com Deus. O espírito é a fonte da vida recebida do Criador que usa e transmite essa vida à alma, que, por sua vez, a expressa por meio do corpo utilizando os sentidos físicos, que funcionam como portas de comunicação da alma com o mundo exterior (GILBERTO, p. 12). Eurico Bergstén (1999, p. 132) compara o espírito a uma janela aberta para o céu, que dá ao homem condições de sentir a presença de Deus. Por isso entende-se que o espírito é o âmago, a parte mais profunda e íntima do ser humano, entranhado com a alma e inseparável dela.



                I.    O SOPRO DIVINO: A CONCESSÃO DO ESPÍRITO 


1.   O fôlego da vida     -     O espírito é o que existe de melhor e mais puro no homem, pois vem de DEUS como forma de lembrar ao homem de que ele foi criado por DEUS e que esse DEUS o ama e deseja ter comunhão com ele, assim como o criou também para sua morada o mundo e todas as coisas que nele existem.

 O espírito não é o fôlego de vida, mas foi dado no momento do sopro divino, quando o homem foi feito alma vivente (Gn 2.7). Antes era apenas matéria em estado de inércia; o corpo formado do pó. Enquanto todos os demais seres vivos passaram a existir por meio de ordens verbais — “produzam as águas”; “produza a terra” (Gn 1.20,24) —, o homem recebeu vida por uma comunicação especial: o elemento espiritual soprado por Deus. Esse processo literal demonstra a singularidade da formação do ser humano, feito à imagem de Deus. A parte material recebeu vida espiritual consciente, constituída de espírito e alma.


2.    A singularidade do espírito    -      Quando analisamos o termo em foco do ponto de vista antropológico, a palavra ocorre por 400 vezes no Antigo Testamento e 385 vezes no Novo. Referindo-se àquela “parte” do homem que “sabe” (1 Co 2.11); esta parte habita “dentro do corpo” para que o mesmo seja reanimado (Dn 7.15). Foi formado por Deus “...dentro do homem” (Zc 12.1; Hb 4.12; 12.9). Esta parte representa a natureza suprema do seu ser e rege a qualidade do seu caráter numa posição elevada.

 Pelo relato de Gênesis, entendemos que a preocupação divina não foi descrever a criação em detalhes, incluindo o homem. A linguagem bíblica simplesmente apresenta o Todo-Poderoso agindo sem a intenção de atender especulações ontológicas do ser humano, principalmente o racionalismo cartesiano. Além de pertencer à soberania de Deus, essa decisão está perfeitamente alinhada ao fato de que o homem jamais consegue explicar os feitos divinos, por mais que especule. A apreensão e compreensão do sobrenatural só pode ocorrer por meio da fé para a Revelação ser completa e suficiente.


3.     A tênue divisão    -     São parte imaterial, ou seja, invisível aos olhos humanos, moram dentro do corpo, o corpo nós vemos, a alma e o espírito só DEUS pode ver (Mt 23.27 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos e de toda imundícia).

   1Co 4.1 Que os homens nos considerem, pois, como ministros de CRISTO, e despenseiros dos mistérios de DEUS.. Nesta passagem vemos que existem muitos mistérios insondáveis na palavra de DEUS que ainda não foram revelados ao homem, mas que pouco a pouco vão sendo desvendados pelo ESPÍRITO SANTO que nos transmite esses conhecimentos sobrenaturalmente. Um desses mistérios é exatamente o que estudamos nesta lição, o espírito humano, muitas vêzes confundido com a alma, mas diferente dela como vemos em passagens como 1Ts 5.23 e Hb 4.12.

 Como analisa Howard Marshall (1984, p. 193), 

 O modo mais fácil de interpretar o versículo [1 Ts 5.23] é como uma descrição da natureza humana como constituído de três partes. E acrescenta: [...] Paulo aqui distingue três aspectos da personalidade do cristão, sua vida em relação com Deus através da parte “espiritual” da sua natureza, da sua personalidade ou “alma”, e do corpo humano mediante o qual age e se expressa. [...] Paulo as alista juntas aqui para enfatizar que é realmente a pessoa inteira que é o objeto da salvação.



                II.     ESPÍRITO, PECADO E SANTIFICAÇÃO 


1.    Pecados do espírito    -     Segundo os ensinamentos evangélicos baseados na Bíblia, a distinção entre "pecados do espírito humano" e outros tipos de pecado geralmente se refere a transgressões que têm origem no coração e na mente, contrastando com as ações físicas. A teologia evangélica enfatiza que o pecado corrompeu a natureza humana como um todo (corpo, alma e espírito). 

Os pecados do espírito (ou pecados espirituais/do coração) incluem: 

·        Orgulho (Soberba): Considerado uma raiz de muitos outros pecados, é a exaltação de si mesmo acima de Deus e dos outros.

·        Inveja: O ressentimento ou cobiça pelo que os outros têm (bens, graças espirituais, etc.).

·        Ira (Raiva): Sentimentos de fúria e ressentimento não controlados, que podem levar a ações pecaminosas.

·        Egoísmo: Focar apenas nos próprios interesses e desejos, negligenciando o amor ao próximo e a Deus.

·        Mentira e engano: A desonestidade no coração e na fala.

·        Incredulidade: A falta de fé ou a rejeição intencional da verdade e da graça de Deus, o que é visto como um pecado grave contra a fé.

·        Heresias e dissensões: Promover divisões e falsas doutrinas dentro da comunidade de fé, originadas de um coração rebelde.

·        Rebeldia: A desobediência persistente e a resistência à vontade e autoridade de Deus.

·        Amargura e falta de perdão: Guardar ressentimento e não liberar o perdão, o que, segundo Jesus, é um pecado que impede o próprio perdão de Deus.

·        Blasfêmia contra o Espírito Santo: Um conceito específico que, segundo a interpretação evangélica comum, envolve atribuir a obra do Espírito Santo a Satanás, indicando uma rejeição final e endurecimento do coração. 

A ênfase é que os pecados não são apenas ações externas, mas também atitudes internas, intenções e pensamentos, pois "as más ações procedem do coração humano" (Mateus 15:19). O arrependimento desses pecados do espírito é visto como essencial para a restauração do relacionamento com Deus e a transformação espiritual. 


2.    Raízes do pecado     -      Os pecados do espírito são raízes malignas profundas, das quais brotam expressões pecaminosas por meio da alma e do corpo, como iras, disputas  e maledicências. Estas, embora comumente sejam reflexos de pecados do espírito, são, em geral, classificadas simplesmente como defeitos de personalidade. Assim, não são tratadas pelos meios espirituais próprios e permanecem encrustadas produzindo os seus nefastos e amargos frutos. De fato, uma compreensão parcial e pouco profunda do que realmente seja o pecado pode impedir-nos de alcançar estágios mais elevados de libertação espiritual e santificação. O texto de 1 Tessalonicenses 5.23 ajuda-nos nessa reflexão.

Ao referir-se à santificação do espírito, da alma e do corpo, Paulo expõe um processo de santificação que não se contenta com o exterior. Pelo contrário! Começa no âmago de nosso ser, no espírito, onde estão escondidas nossas mais profundas motivações. Não há espaço para o legalismo ou farisaísmo nesse ensino paulino, que reflete a doutrina bem enfatizada por Cristo em relação aos fariseus, que se orgulhavam das suas práticas exteriores. As suas crenças distorcidas levaram o Mestre a confrontá-los, mostrando como publicanos — que eram os “grandes” pecadores para os judeus — estavam tendo atitudes mais justas. 

Numa das ocasiões, Jesus expôs essa verdade por meio da parábola do fariseu e do publicano. O fariseu confiava nas suas práticas exteriores, como o jejum e os dízimos, enquanto o publicano apresentou-se contrito, rogando misericórdia (Lc 18.9-13). Jesus, então, esclarece: “Digo- -vos que este [o publicano] desceu justificado para sua casa, e não aquele [o fariseu]; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado” (Lc 18.14). 

 O grande erro dos judeus religiosos era confiar em práticas exteriores. Cristo expõe os fundamentos da verdadeira santificação, que necessariamente deve começar do interior, pois, do contrário, não tem eficácia (Mt 23.26). O ensino de Paulo está em consonância com esse princípio, que enfatiza a santificação total, que, iniciada no espírito, deve atingir o ser humano por inteiro. 


3.    Vencendo o pecado     -   Devemos nos mover agora do geral para o específico, relembrando-nos de que tudo é feito “pelo Espírito”, com uma mente iluminada por Ele. O que temos de fazer especificamente? O ensino do apóstolo pode ser considerado sob dois aspectos: direto e negativo, indireto e positivo.

No aspecto direto ou negativo,

 a primeira coisa que o crente tem de fazer é abster-se do pecado. É bem simples e direto! Pedro disse: “Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma” (1 Pe 2.11). Esse é um ensino bastante claro. Aqui não há qualquer sugestão de que somos incapazes, temos de desistir da luta e entregar tudo ao Senhor ressuscitado. Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes…” — parem de fazer isso, parem imediatamente, não o façam mais! Vocês precisam se abster totalmente desses pecados, essas “paixões carnais, que fazem guerra contra a alma”. Vocês não têm o direito de dizer: “Sou fraco, não posso; as tentações são poderosas”.

A resposta do Novo Testamento é: “Parem de fazer isso”. Vocês não precisam de hospital e de um tratamento médico; precisam recompor-se e compreender que são “peregrinos e forasteiros”. “Exorto-vos… a vos absterdes.” Vocês não têm qualquer negócio com essas coisas. Lembrem outra vez o ensino de Efésios 4: “Aquele que furtava não furte mais… Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe”. Não haja em vocês nenhuma dessas conversas ou gracejos tolos! Não façam isso! Abstenham-se! É tão simples e claro como estas palavras: parem de fazer isso!

Em segundo lugar, de modo específico, citando outra vez as palavras do apóstolo em Efésios: “Não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as. Porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha” (Ef 5.11-12). Observe o que ele disse: “Não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas”. Vocês não devem apenas abster-se dessas coisas, mas também não ter comunhão com pessoas que fazem essas coisas ou têm esse modo de vida. “Não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as.” O princípio governante de sua deve ser o não associar-se com pessoas desse tipo. Fazer isso é ruim para você e lhe será prejudicial… Não devemos ter qualquer comunhão com o mal; antes, precisamos fugir dele e manter-nos tão distantes quanto pudermos.

Outro termo é “esmurrar” (1 Co 9.27). “Esmurro o meu corpo”, disse o apóstolo. “Todo atleta” — ou seja, aquele que compete nas corridas — em tudo se domina”. As pessoas que passam por treinos visando as grandes competições atléticas são bastante cuidadosas quanto à sua dieta; param de fumar e ingerem bebidas alcoólicas. Quão cuidadosos eles são! E fazem tudo isso porque desejam ganhar o prêmio! Se eles faziam isso, disse Paulo, por causa de coisas corruptíveis, quanto mais devemos disciplinar-nos a nós mesmos… O corpo tem de ser “esmurrado”. Nas palavras de nosso Senhor registradas em Lucas 21.34, há uma sugestão a respeito de como isso deve ser feito. Ele disse: “Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado com as conseqüências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo, e para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente”. Não coma bem beba demais; não se preocupe excessivamente com as coisas deste mundo. Coma o suficiente e o alimento correto; mas não se torne culpado de “excesso”. Se uma pessoas satisfaz em demasia seu corpo, com alimento, bebida ou outra coisa, ele achará mais difícil viver uma vida cristã santificada e mortificar os feitos do corpo. Portanto, evite todos esses obstáculos, pois, do contrário, seu corpo se tornará indolente, pesado, moroso e lânguido. Há uma intimidade tão grande entre o corpo, a mente e o espírito, que achará grande problema em seu conflito espiritual. “Esmurre o corpo.”

Outra máxima usada pelo apóstolo, na Epístola aos Romanos, se acha no capítulo 13: “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências” (v. 14). Se querem mortificar os feitos do corpo, “nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências”. O que isso significa? Em Salmos 1, achamos um discernimento claro quanto ao significado dessas palavras do apóstolo. Eis a prescrição: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores” (Sl 1.1). Se vocês querem viver esta vida piedosa e mortificar os feitos do corpo, não gastem tempo permanecendo nas esquinas das ruas, porque, se fizerem isso, provavelmente cairão em pecado. Se permanecerem no lugar por onde o pecado talvez passará, não se surpreendam se voltarem para casa em tristeza e infelicidade, porque caíram no pecado. 

Não se detenham no “caminho dos pecadores”. E, menos ainda, devem vocês assentar-se “na roda dos escarnecedores”. Se permanecerem em tais lugares, não haverá surpresa em caírem no pecado. Se vocês sabem que certas pessoas lhes são má influencia, evitem-nas, fujam delas. Talvez vocês digam: “Eu me ajunto com elas para ajudá-las, mas percebo que, todas as vezes, elas me levam ao pecado”. Se isso é verdade, não estão em condições de ajudá-las…

No livro de Jó, o homem sábio disse: “Fiz aliança com meus olhos” (Jó 31.1). Era como se dissesse: “Olhem diretamente, não olhem para a direita ou para a direita. Cuidem de seus olhos propensos a vaguear, esses olhos que se movem quase automaticamente e veem coisas que iludem e induzem ao pecado”. “Faça uma aliança com os seus olhos”, declara esse homem. Concorde em não olhar para coisas que tendem a levá-lo ao pecado. Se isso era importante naqueles dias, é muito mais importante em nossos dias, quando temos jornais, cinemas, outdoors, televisão e assim por diante! Se há uma época em que os homens precisam fazer aliança com seus olhos, esta época é agora. Tenham cuidado com o que leem.

 Certos jornais, livros e diários, se os lerem, eles lhes serão prejudiciais. Vocês devem evitar tudo que lhes prejudica e diminui sua resistência. Não olhem na direção dessas coisas; não queira nada com elas… Na Palavra de Deus, vocês são instruídos a mortificar “os feitos do corpo” e não satisfazer “a carne no tocante às suas concupiscências”. Agradeça a Deus pelo evangelho poderoso. Agradeça a Deus pelo evangelho que nos diz que agora somos seres responsáveis em Cristo e que nos exorta a agir de um modo que glorifica o Salvador. Portanto, “nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências”.

Meu próximo assunto é sobremodo importante: enfrentem as primeiras movimentações e impulsos do pecado em vocês; combatam-nos logo que aparecerem. Se não fizerem isso, estão arruinados. Vocês cairão, conforme somos ensinados na epístola de Tiago: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”. O primeira moção do pecado é um encantamento, um leve incitação de cobiça e sedução. Esse é o momento em que temos de lidar com o pecado. Se deixarem de enfrentar o pecado nesse estágio, ele os vencerá. Cortem o mal pela raiz. Ataquem-no de imediato. Nunca lhes permitam qualquer avanço. Não o aceitem de maneia alguma. Talvez sintam-se inclinados a dizer: “Bem, não farei tal coisa”; mas, se aceitam a ideia em sua mente e começam a afagá-la e entretê-la em sua imaginação, vocês já estão derrotados. De acordo com o Senhor, vocês já pecaram. Não precisam realmente cometer o ato; nutri-lo no coração já é o suficiente. Permitir isso no coração significa pecar aos olhos de Deus, que conhece tudo a respeito de nós e vê até o que acontece na imaginação e no coração. Portanto, destruam o mal pela raiz, não tenham qualquer relação com ele, parem-no imediatamente, ao primeiro movimento, antes que comece a acontecer esse processo ímpio descrito por Tiago.

No entanto, lembrem-se de que isto — que será nosso próximo assunto — não significa repressão. Se vocês apenas reprimirem uma tentação ou esse primeiro movimento do pecado, ele provavelmente surgirá novamente com mais vigor. Nesse sentido, concordo com a psicologia moderna. A repressão é sempre má. “Então, o que devo fazer?”, alguém pergunta. Eu respondo: quando sentir aquele primeiro movimento do pecado, erga-se e diga: “Isto é mau; isto é vileza; é aquilo que expulsou do Paraíso os nossos primeiros pais”. Rejeite-o, enfrente-o, denuncie-o, odeie-o pelo que é. Assim, terá lidado realmente com o pecado. Você não deve apenas fazê-lo recuar, com um espírito de temor e de maneira tímida. Traga-o à luz, exponha-o, analise-o e, denuncie-o pelo que ele é, até que o odeie.



                    III.     REGENERAÇÃO E ADORAÇÃO 


1.     O Novo Nascimento     -      Não há como obter vitória sobre o pecado sem a obra sobrenatural do novo nascimento. Morta em ofensas e pecados, a pessoa que crê em Cristo é  vivificada; recebe uma nova vida espiritual realizada pelo Espírito de Deus no espírito humano (Jo 3.5-8; Ef 2.1-6). Esse processo não é meramente mental, não podendo ser compreendido senão por meio do Espírito. Nicodemos, no seu padrão religioso, não entendeu que Jesus falava com ele sobre essa obra divina, mantendo um pensamento meramente natural (ver Jo 3.4). E, portanto, fundamental para que haja o processo de santificação ple na, iniciado no espírito humano. E a ação divina de desprender o espírito do homem dos tentáculos do pecado, quebrantando a sua alma e conduzindo o corpo a uma vida de santidade e pureza (Rm 2.29; 12.1,2).


2.     Em espírito e em verdade     -       Assim como Nicodemos, a mulher samaritana também compreendia a obra regeneradora operada por Deus no espírito humano. Jesus apresentou-se a ela como a fonte da água viva, e ela respondeu-lhe apresentando a impossibilidade que Ele teria de tirar água do poço que pertencera a Jacó Jo 4.10-12). Mesmo quando o viu como um profeta, a mulher apontou para o fator físico que marcava as disputas entre os seus ancestrais e o povo judeu Jo 4.20). Só a obra sobrenatural do novo nascimento tira-nos dos limites de uma compreensão religiosa meramente humana, levando-nos a viver a experiência de desfrutar a presença de Deus em nós. É uma presença viva, constante e renovadora, que nos estimula a cada dia, gerando em nós um espírito de adoração conforme a vontade divina revelada nas Escrituras.

O sentido da expressão “em espírito e em verdade”, de João 4.24, é exatamente este, da profundidade e da correção da prática da adoração. Conforme o Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal (p. 510) explica: 

 A expressão “em espírito” se refere ao espírito humano, isto é, o ser interior e imaterial que existe em cada pessoa, a entidade soprada por Deus que corresponde à própria natureza de Deus, que é Espírito. Usando os temas do diálogo de Jesus, a adoração envolve a consciência daquela “fonte de água viva” individual que Deus plantou dentro de cada um. Deus habita dentro de cada crente; este é o lugar onde ocorre a verdadeira adoração.

 [...] A expressão “em verdade” significa “de forma verdadeira” ou “autêntica”. Isso quer dizer que todas as pessoas, judeus, samaritanos e até gentios, precisam adorar a Deus reconhecendo o seu caráter e natureza, assim como a necessidade da sua presença. Adoramos em verdade porque estamos adorando o que é verdadeiro. 


3.     Um espírito quebrantado    -      O verdadeiro cristianismo bíblico é autêntico e espiritual. E a religião do Espírito. Nele, as práticas externas são realizadas em sintonia com a doutrina bíblica da liberdade cristã. Visam glorificar a Deus e não nos tornar “merecedores” de salvação. Seja no aspecto individual, seja nas liturgias públicas, o que realmente conta é a posição espiritual, o propósito do coração, e não adereços materiais. Os pentecostais entendem que a verdadeira adoração nasce de um espírito quebrantado, sem pretensão de louvor ou glória humana. 

As experiências por meio dos dons espirituais são valiosas e sem qualquer propósito de espetacularização. Além do mais, nossas reuniões públicas são importantes e necessárias, mas não podemos negligenciar nossos momentos a sós com Deus, nos quais temos a oportunidade de aprofundar nossa comunhão com Ele, fortalecendo nosso espírito, o âmago de nosso ser.






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