Seja um Patrocinador desta Obra.

SEJA UM ALUNO ASSÍDUO NA EBD. Irmãos e amigos leitores, vc pode nos ajudar, através do PIX CHAVE (11)980483304 ou com doações de Comentários Bíblicos. Deste já agradeço! Tenham uma boa leitura ___ Deus vos Abençoe!!!!

sábado, 29 de novembro de 2025

LIÇÃO 10 - ESPÍRITO - O ÂMAGO DA VIDA HUMANA.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                    TEXTO ÁUREO

"Peso da Palavra do Senhor sobre Israel. Fala o Senhor, o que estende o céu, e que funda a terra, e que forma o espírito do homem dentro dele." ( Zc 12.1)


                VERDADE PRÁTICA

Uma vez livre, nossa alma recebe vida espiritual e dirige nosso corpo para adorar e servir ao Criador.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gênesis 2.7; Eclesiastes 12.7; Zacarias 12.1; João 4.24



                            INTRODUÇÃO 

Depois de estudar a alma e as suas faculdades, estudaremos o espírito, a principal entidade ou elemento constitutivo do homem; a parte imaterial através da qual estabelecemos nossa comunhão com Deus. O espírito é a fonte da vida recebida do Criador que usa e transmite essa vida à alma, que, por sua vez, a expressa por meio do corpo utilizando os sentidos físicos, que funcionam como portas de comunicação da alma com o mundo exterior (GILBERTO, p. 12). Eurico Bergstén (1999, p. 132) compara o espírito a uma janela aberta para o céu, que dá ao homem condições de sentir a presença de Deus. Por isso entende-se que o espírito é o âmago, a parte mais profunda e íntima do ser humano, entranhado com a alma e inseparável dela.



                I.    O SOPRO DIVINO: A CONCESSÃO DO ESPÍRITO 


1.   O fôlego da vida     -     O espírito é o que existe de melhor e mais puro no homem, pois vem de DEUS como forma de lembrar ao homem de que ele foi criado por DEUS e que esse DEUS o ama e deseja ter comunhão com ele, assim como o criou também para sua morada o mundo e todas as coisas que nele existem.

 O espírito não é o fôlego de vida, mas foi dado no momento do sopro divino, quando o homem foi feito alma vivente (Gn 2.7). Antes era apenas matéria em estado de inércia; o corpo formado do pó. Enquanto todos os demais seres vivos passaram a existir por meio de ordens verbais — “produzam as águas”; “produza a terra” (Gn 1.20,24) —, o homem recebeu vida por uma comunicação especial: o elemento espiritual soprado por Deus. Esse processo literal demonstra a singularidade da formação do ser humano, feito à imagem de Deus. A parte material recebeu vida espiritual consciente, constituída de espírito e alma.


2.    A singularidade do espírito    -      Quando analisamos o termo em foco do ponto de vista antropológico, a palavra ocorre por 400 vezes no Antigo Testamento e 385 vezes no Novo. Referindo-se àquela “parte” do homem que “sabe” (1 Co 2.11); esta parte habita “dentro do corpo” para que o mesmo seja reanimado (Dn 7.15). Foi formado por Deus “...dentro do homem” (Zc 12.1; Hb 4.12; 12.9). Esta parte representa a natureza suprema do seu ser e rege a qualidade do seu caráter numa posição elevada.

 Pelo relato de Gênesis, entendemos que a preocupação divina não foi descrever a criação em detalhes, incluindo o homem. A linguagem bíblica simplesmente apresenta o Todo-Poderoso agindo sem a intenção de atender especulações ontológicas do ser humano, principalmente o racionalismo cartesiano. Além de pertencer à soberania de Deus, essa decisão está perfeitamente alinhada ao fato de que o homem jamais consegue explicar os feitos divinos, por mais que especule. A apreensão e compreensão do sobrenatural só pode ocorrer por meio da fé para a Revelação ser completa e suficiente.


3.     A tênue divisão    -     São parte imaterial, ou seja, invisível aos olhos humanos, moram dentro do corpo, o corpo nós vemos, a alma e o espírito só DEUS pode ver (Mt 23.27 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos e de toda imundícia).

   1Co 4.1 Que os homens nos considerem, pois, como ministros de CRISTO, e despenseiros dos mistérios de DEUS.. Nesta passagem vemos que existem muitos mistérios insondáveis na palavra de DEUS que ainda não foram revelados ao homem, mas que pouco a pouco vão sendo desvendados pelo ESPÍRITO SANTO que nos transmite esses conhecimentos sobrenaturalmente. Um desses mistérios é exatamente o que estudamos nesta lição, o espírito humano, muitas vêzes confundido com a alma, mas diferente dela como vemos em passagens como 1Ts 5.23 e Hb 4.12.

 Como analisa Howard Marshall (1984, p. 193), 

 O modo mais fácil de interpretar o versículo [1 Ts 5.23] é como uma descrição da natureza humana como constituído de três partes. E acrescenta: [...] Paulo aqui distingue três aspectos da personalidade do cristão, sua vida em relação com Deus através da parte “espiritual” da sua natureza, da sua personalidade ou “alma”, e do corpo humano mediante o qual age e se expressa. [...] Paulo as alista juntas aqui para enfatizar que é realmente a pessoa inteira que é o objeto da salvação.



                II.     ESPÍRITO, PECADO E SANTIFICAÇÃO 


1.    Pecados do espírito    -     Segundo os ensinamentos evangélicos baseados na Bíblia, a distinção entre "pecados do espírito humano" e outros tipos de pecado geralmente se refere a transgressões que têm origem no coração e na mente, contrastando com as ações físicas. A teologia evangélica enfatiza que o pecado corrompeu a natureza humana como um todo (corpo, alma e espírito). 

Os pecados do espírito (ou pecados espirituais/do coração) incluem: 

·        Orgulho (Soberba): Considerado uma raiz de muitos outros pecados, é a exaltação de si mesmo acima de Deus e dos outros.

·        Inveja: O ressentimento ou cobiça pelo que os outros têm (bens, graças espirituais, etc.).

·        Ira (Raiva): Sentimentos de fúria e ressentimento não controlados, que podem levar a ações pecaminosas.

·        Egoísmo: Focar apenas nos próprios interesses e desejos, negligenciando o amor ao próximo e a Deus.

·        Mentira e engano: A desonestidade no coração e na fala.

·        Incredulidade: A falta de fé ou a rejeição intencional da verdade e da graça de Deus, o que é visto como um pecado grave contra a fé.

·        Heresias e dissensões: Promover divisões e falsas doutrinas dentro da comunidade de fé, originadas de um coração rebelde.

·        Rebeldia: A desobediência persistente e a resistência à vontade e autoridade de Deus.

·        Amargura e falta de perdão: Guardar ressentimento e não liberar o perdão, o que, segundo Jesus, é um pecado que impede o próprio perdão de Deus.

·        Blasfêmia contra o Espírito Santo: Um conceito específico que, segundo a interpretação evangélica comum, envolve atribuir a obra do Espírito Santo a Satanás, indicando uma rejeição final e endurecimento do coração. 

A ênfase é que os pecados não são apenas ações externas, mas também atitudes internas, intenções e pensamentos, pois "as más ações procedem do coração humano" (Mateus 15:19). O arrependimento desses pecados do espírito é visto como essencial para a restauração do relacionamento com Deus e a transformação espiritual. 


2.    Raízes do pecado     -      Os pecados do espírito são raízes malignas profundas, das quais brotam expressões pecaminosas por meio da alma e do corpo, como iras, disputas  e maledicências. Estas, embora comumente sejam reflexos de pecados do espírito, são, em geral, classificadas simplesmente como defeitos de personalidade. Assim, não são tratadas pelos meios espirituais próprios e permanecem encrustadas produzindo os seus nefastos e amargos frutos. De fato, uma compreensão parcial e pouco profunda do que realmente seja o pecado pode impedir-nos de alcançar estágios mais elevados de libertação espiritual e santificação. O texto de 1 Tessalonicenses 5.23 ajuda-nos nessa reflexão.

Ao referir-se à santificação do espírito, da alma e do corpo, Paulo expõe um processo de santificação que não se contenta com o exterior. Pelo contrário! Começa no âmago de nosso ser, no espírito, onde estão escondidas nossas mais profundas motivações. Não há espaço para o legalismo ou farisaísmo nesse ensino paulino, que reflete a doutrina bem enfatizada por Cristo em relação aos fariseus, que se orgulhavam das suas práticas exteriores. As suas crenças distorcidas levaram o Mestre a confrontá-los, mostrando como publicanos — que eram os “grandes” pecadores para os judeus — estavam tendo atitudes mais justas. 

Numa das ocasiões, Jesus expôs essa verdade por meio da parábola do fariseu e do publicano. O fariseu confiava nas suas práticas exteriores, como o jejum e os dízimos, enquanto o publicano apresentou-se contrito, rogando misericórdia (Lc 18.9-13). Jesus, então, esclarece: “Digo- -vos que este [o publicano] desceu justificado para sua casa, e não aquele [o fariseu]; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado” (Lc 18.14). 

 O grande erro dos judeus religiosos era confiar em práticas exteriores. Cristo expõe os fundamentos da verdadeira santificação, que necessariamente deve começar do interior, pois, do contrário, não tem eficácia (Mt 23.26). O ensino de Paulo está em consonância com esse princípio, que enfatiza a santificação total, que, iniciada no espírito, deve atingir o ser humano por inteiro. 


3.    Vencendo o pecado     -   Devemos nos mover agora do geral para o específico, relembrando-nos de que tudo é feito “pelo Espírito”, com uma mente iluminada por Ele. O que temos de fazer especificamente? O ensino do apóstolo pode ser considerado sob dois aspectos: direto e negativo, indireto e positivo.

No aspecto direto ou negativo,

 a primeira coisa que o crente tem de fazer é abster-se do pecado. É bem simples e direto! Pedro disse: “Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma” (1 Pe 2.11). Esse é um ensino bastante claro. Aqui não há qualquer sugestão de que somos incapazes, temos de desistir da luta e entregar tudo ao Senhor ressuscitado. Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes…” — parem de fazer isso, parem imediatamente, não o façam mais! Vocês precisam se abster totalmente desses pecados, essas “paixões carnais, que fazem guerra contra a alma”. Vocês não têm o direito de dizer: “Sou fraco, não posso; as tentações são poderosas”.

A resposta do Novo Testamento é: “Parem de fazer isso”. Vocês não precisam de hospital e de um tratamento médico; precisam recompor-se e compreender que são “peregrinos e forasteiros”. “Exorto-vos… a vos absterdes.” Vocês não têm qualquer negócio com essas coisas. Lembrem outra vez o ensino de Efésios 4: “Aquele que furtava não furte mais… Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe”. Não haja em vocês nenhuma dessas conversas ou gracejos tolos! Não façam isso! Abstenham-se! É tão simples e claro como estas palavras: parem de fazer isso!

Em segundo lugar, de modo específico, citando outra vez as palavras do apóstolo em Efésios: “Não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as. Porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha” (Ef 5.11-12). Observe o que ele disse: “Não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas”. Vocês não devem apenas abster-se dessas coisas, mas também não ter comunhão com pessoas que fazem essas coisas ou têm esse modo de vida. “Não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as.” O princípio governante de sua deve ser o não associar-se com pessoas desse tipo. Fazer isso é ruim para você e lhe será prejudicial… Não devemos ter qualquer comunhão com o mal; antes, precisamos fugir dele e manter-nos tão distantes quanto pudermos.

Outro termo é “esmurrar” (1 Co 9.27). “Esmurro o meu corpo”, disse o apóstolo. “Todo atleta” — ou seja, aquele que compete nas corridas — em tudo se domina”. As pessoas que passam por treinos visando as grandes competições atléticas são bastante cuidadosas quanto à sua dieta; param de fumar e ingerem bebidas alcoólicas. Quão cuidadosos eles são! E fazem tudo isso porque desejam ganhar o prêmio! Se eles faziam isso, disse Paulo, por causa de coisas corruptíveis, quanto mais devemos disciplinar-nos a nós mesmos… O corpo tem de ser “esmurrado”. Nas palavras de nosso Senhor registradas em Lucas 21.34, há uma sugestão a respeito de como isso deve ser feito. Ele disse: “Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que o vosso coração fique sobrecarregado com as conseqüências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo, e para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente”. Não coma bem beba demais; não se preocupe excessivamente com as coisas deste mundo. Coma o suficiente e o alimento correto; mas não se torne culpado de “excesso”. Se uma pessoas satisfaz em demasia seu corpo, com alimento, bebida ou outra coisa, ele achará mais difícil viver uma vida cristã santificada e mortificar os feitos do corpo. Portanto, evite todos esses obstáculos, pois, do contrário, seu corpo se tornará indolente, pesado, moroso e lânguido. Há uma intimidade tão grande entre o corpo, a mente e o espírito, que achará grande problema em seu conflito espiritual. “Esmurre o corpo.”

Outra máxima usada pelo apóstolo, na Epístola aos Romanos, se acha no capítulo 13: “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências” (v. 14). Se querem mortificar os feitos do corpo, “nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências”. O que isso significa? Em Salmos 1, achamos um discernimento claro quanto ao significado dessas palavras do apóstolo. Eis a prescrição: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores” (Sl 1.1). Se vocês querem viver esta vida piedosa e mortificar os feitos do corpo, não gastem tempo permanecendo nas esquinas das ruas, porque, se fizerem isso, provavelmente cairão em pecado. Se permanecerem no lugar por onde o pecado talvez passará, não se surpreendam se voltarem para casa em tristeza e infelicidade, porque caíram no pecado. 

Não se detenham no “caminho dos pecadores”. E, menos ainda, devem vocês assentar-se “na roda dos escarnecedores”. Se permanecerem em tais lugares, não haverá surpresa em caírem no pecado. Se vocês sabem que certas pessoas lhes são má influencia, evitem-nas, fujam delas. Talvez vocês digam: “Eu me ajunto com elas para ajudá-las, mas percebo que, todas as vezes, elas me levam ao pecado”. Se isso é verdade, não estão em condições de ajudá-las…

No livro de Jó, o homem sábio disse: “Fiz aliança com meus olhos” (Jó 31.1). Era como se dissesse: “Olhem diretamente, não olhem para a direita ou para a direita. Cuidem de seus olhos propensos a vaguear, esses olhos que se movem quase automaticamente e veem coisas que iludem e induzem ao pecado”. “Faça uma aliança com os seus olhos”, declara esse homem. Concorde em não olhar para coisas que tendem a levá-lo ao pecado. Se isso era importante naqueles dias, é muito mais importante em nossos dias, quando temos jornais, cinemas, outdoors, televisão e assim por diante! Se há uma época em que os homens precisam fazer aliança com seus olhos, esta época é agora. Tenham cuidado com o que leem.

 Certos jornais, livros e diários, se os lerem, eles lhes serão prejudiciais. Vocês devem evitar tudo que lhes prejudica e diminui sua resistência. Não olhem na direção dessas coisas; não queira nada com elas… Na Palavra de Deus, vocês são instruídos a mortificar “os feitos do corpo” e não satisfazer “a carne no tocante às suas concupiscências”. Agradeça a Deus pelo evangelho poderoso. Agradeça a Deus pelo evangelho que nos diz que agora somos seres responsáveis em Cristo e que nos exorta a agir de um modo que glorifica o Salvador. Portanto, “nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências”.

Meu próximo assunto é sobremodo importante: enfrentem as primeiras movimentações e impulsos do pecado em vocês; combatam-nos logo que aparecerem. Se não fizerem isso, estão arruinados. Vocês cairão, conforme somos ensinados na epístola de Tiago: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”. O primeira moção do pecado é um encantamento, um leve incitação de cobiça e sedução. Esse é o momento em que temos de lidar com o pecado. Se deixarem de enfrentar o pecado nesse estágio, ele os vencerá. Cortem o mal pela raiz. Ataquem-no de imediato. Nunca lhes permitam qualquer avanço. Não o aceitem de maneia alguma. Talvez sintam-se inclinados a dizer: “Bem, não farei tal coisa”; mas, se aceitam a ideia em sua mente e começam a afagá-la e entretê-la em sua imaginação, vocês já estão derrotados. De acordo com o Senhor, vocês já pecaram. Não precisam realmente cometer o ato; nutri-lo no coração já é o suficiente. Permitir isso no coração significa pecar aos olhos de Deus, que conhece tudo a respeito de nós e vê até o que acontece na imaginação e no coração. Portanto, destruam o mal pela raiz, não tenham qualquer relação com ele, parem-no imediatamente, ao primeiro movimento, antes que comece a acontecer esse processo ímpio descrito por Tiago.

No entanto, lembrem-se de que isto — que será nosso próximo assunto — não significa repressão. Se vocês apenas reprimirem uma tentação ou esse primeiro movimento do pecado, ele provavelmente surgirá novamente com mais vigor. Nesse sentido, concordo com a psicologia moderna. A repressão é sempre má. “Então, o que devo fazer?”, alguém pergunta. Eu respondo: quando sentir aquele primeiro movimento do pecado, erga-se e diga: “Isto é mau; isto é vileza; é aquilo que expulsou do Paraíso os nossos primeiros pais”. Rejeite-o, enfrente-o, denuncie-o, odeie-o pelo que é. Assim, terá lidado realmente com o pecado. Você não deve apenas fazê-lo recuar, com um espírito de temor e de maneira tímida. Traga-o à luz, exponha-o, analise-o e, denuncie-o pelo que ele é, até que o odeie.



                    III.     REGENERAÇÃO E ADORAÇÃO 


1.     O Novo Nascimento     -      Não há como obter vitória sobre o pecado sem a obra sobrenatural do novo nascimento. Morta em ofensas e pecados, a pessoa que crê em Cristo é  vivificada; recebe uma nova vida espiritual realizada pelo Espírito de Deus no espírito humano (Jo 3.5-8; Ef 2.1-6). Esse processo não é meramente mental, não podendo ser compreendido senão por meio do Espírito. Nicodemos, no seu padrão religioso, não entendeu que Jesus falava com ele sobre essa obra divina, mantendo um pensamento meramente natural (ver Jo 3.4). E, portanto, fundamental para que haja o processo de santificação ple na, iniciado no espírito humano. E a ação divina de desprender o espírito do homem dos tentáculos do pecado, quebrantando a sua alma e conduzindo o corpo a uma vida de santidade e pureza (Rm 2.29; 12.1,2).


2.     Em espírito e em verdade     -       Assim como Nicodemos, a mulher samaritana também compreendia a obra regeneradora operada por Deus no espírito humano. Jesus apresentou-se a ela como a fonte da água viva, e ela respondeu-lhe apresentando a impossibilidade que Ele teria de tirar água do poço que pertencera a Jacó Jo 4.10-12). Mesmo quando o viu como um profeta, a mulher apontou para o fator físico que marcava as disputas entre os seus ancestrais e o povo judeu Jo 4.20). Só a obra sobrenatural do novo nascimento tira-nos dos limites de uma compreensão religiosa meramente humana, levando-nos a viver a experiência de desfrutar a presença de Deus em nós. É uma presença viva, constante e renovadora, que nos estimula a cada dia, gerando em nós um espírito de adoração conforme a vontade divina revelada nas Escrituras.

O sentido da expressão “em espírito e em verdade”, de João 4.24, é exatamente este, da profundidade e da correção da prática da adoração. Conforme o Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal (p. 510) explica: 

 A expressão “em espírito” se refere ao espírito humano, isto é, o ser interior e imaterial que existe em cada pessoa, a entidade soprada por Deus que corresponde à própria natureza de Deus, que é Espírito. Usando os temas do diálogo de Jesus, a adoração envolve a consciência daquela “fonte de água viva” individual que Deus plantou dentro de cada um. Deus habita dentro de cada crente; este é o lugar onde ocorre a verdadeira adoração.

 [...] A expressão “em verdade” significa “de forma verdadeira” ou “autêntica”. Isso quer dizer que todas as pessoas, judeus, samaritanos e até gentios, precisam adorar a Deus reconhecendo o seu caráter e natureza, assim como a necessidade da sua presença. Adoramos em verdade porque estamos adorando o que é verdadeiro. 


3.     Um espírito quebrantado    -      O verdadeiro cristianismo bíblico é autêntico e espiritual. E a religião do Espírito. Nele, as práticas externas são realizadas em sintonia com a doutrina bíblica da liberdade cristã. Visam glorificar a Deus e não nos tornar “merecedores” de salvação. Seja no aspecto individual, seja nas liturgias públicas, o que realmente conta é a posição espiritual, o propósito do coração, e não adereços materiais. Os pentecostais entendem que a verdadeira adoração nasce de um espírito quebrantado, sem pretensão de louvor ou glória humana. 

As experiências por meio dos dons espirituais são valiosas e sem qualquer propósito de espetacularização. Além do mais, nossas reuniões públicas são importantes e necessárias, mas não podemos negligenciar nossos momentos a sós com Deus, nos quais temos a oportunidade de aprofundar nossa comunhão com Ele, fortalecendo nosso espírito, o âmago de nosso ser.






Ajude esta obra...
Código do PIX
Banco Mercantil do Brasil
Pb. Junio | Prof° EBD - YouTube



AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.

Pr. Setorial – Pr. Saulo Marafon.

Pr. Local: Pr. Selmo Pedro.

INSTAGRAN: @PBJUNIOOFICIAL

FACEBOOK: JOSÉ EGBERTO S. JUNIO

 CANAL YOUTUBE.:    https://www.youtube.com/@pb.junioprofebd7178       Toda semana tem um vídeo da Lição. Deixem seu Like.

 Siga-nos nas redes sociais... Tenha um bom estudo bíblico.

 ** Seja um Patrocinador desta obra: chave do        PIX 11980483304        

Chave do PIX
Banco Mercantil 





               





         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio Corpo, Alma e Espírito - A Restauração Integral do Ser Humano para chegar à Estatura Completa de Cristo, Silas Queiroz - Editora CPAD

Livro O Homem, a natureza humana explicada pela bíblia - Corpo, Alma e Espírito, Pr. Severino Pedro da Silva, Editora CPAD


Mortificando o pecado pelo Espírito Santo - Ministério Fiel

EBD NA TV - Pr. Henrique, 99-99152-0454 WhatsApp, Min.Belém, SP - Canal YouTube @PrHenrique: Escrita Lição 10, CPAD, ESPÍRITO - O ÂMAGO DA VIDA HUMANA, 4Tr25, Com. Extra Pr. Henrique, EBD NA TV



segunda-feira, 24 de novembro de 2025

LIÇÃO 09 - VONTADE - O QUE MOVE O SER HUMANO.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                    TEXTO ÁUREO 

"Digo porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscências da carne." (Gl 5.16)


                    VERDADE PRÁTICA 

Guiada por Deus, a vontade é uma bênção extraordinária, vital para a existência humana.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Galátas 5. 16-21; Tiago 1.14, 15; 4. 13-17


                        INTRODUÇÃO 

"Andar no espírito" significa viver em comunhão e submissão ao Espírito Santo, permitindo que Ele guie as decisões, pensamentos e atitudes diárias. É viver de acordo com a vontade de Deus, o que se manifesta através de um comportamento que demonstra o fruto do Espírito, como amor, alegria, paz e paciência, além de resistir às tentações da carne e viver uma vida alinhada com o caráter de Cristo. 

  • Submissão à orientação divina: 

Andar no espírito é seguir a direção do Espírito Santo em todas as áreas da vida, confiando em Sua orientação em vez de depender apenas da própria vontade ou das circunstâncias. 

  • Transformação interior: 

É permitir que o Espírito Santo molde o caráter, tornando a pessoa mais parecida com Cristo. Essa transformação ocorre no nível mais profundo, alinhando desejos e pensamentos à vontade de Deus. 

  • Vitória sobre o pecado: 

O Espírito Santo capacita o cristão a vencer os desejos da carne e as tentações, fortalecendo-o para viver uma vida de vitória sobre o pecado. 

  • Comportamento cristão: 

A expressão prática de "andar no espírito" é o modo de vida que demonstra o fruto do Espírito (amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio). 

  • Relacionamento prático: 

Não se trata apenas de um estado emocional, mas de uma prática diária de se alinhar com o Espírito Santo. Isso inclui estar em constante comunicação com Deus, orar sem cessar e dar graças em tudo. 



                I.      VONTADE: MOTIVAÇÃO E AÇÃO 

1.    Conceito de vontade    -      A vontade é uma força interior dada por Deus e que põe o ser humano em movimento em todas as áreas da vida. Essa força foi corrompida com a Queda (assim como tudo o mais no homem), mas ainda se mostra vital para a existência humana. Num sentido geral, vontade ou volição pode ser conceituada como a capacidade humana de desejar, querer, almejar, escolher e agir. Analisando os termos gregos utilizados com o sentido de vontade na literatura secular antiga e na Bíblia (boulomai e thelo), Coenen e Brown  (2000, p. 2674-2683) extraem diversos significados: “ter vontade”, “desejar”, “querer”, “almejar”, “intenção”, “propósito”, “ter em vista”, “eleger”, “estar resoluto”, “decidir”. A diferença entre os dois termos seria que o primeiro tem um sentido mais racional, e o segundo, mais emocional: “Sugere-se que boulomai fosse originalmente mais a determinação que surge da consideração consciente, livre da emoção, um esforço, em contraste com o desejo mais emocionalmente orientado que é expresso por ethelo” (p. 2675). Referindo- -se mais especificamente ao emprego de boulomai no Novo Testamento, os citados autores afirmam que o termo pode denotar a volição consciente como consequência da reflexão específica, uma decisão da vontade e que pressupõe a possibilidade de liberdade da decisão; que pode denotar uma vontade determinada pelas inclinações pessoais (p. 2676). 

 Essa análise do conceito de vontade tem muita relevância na Doutrina da Salvação. Como nos ensina a Declaração de Fé das Assembléia de Deus (ibid., p. 114,115): 

 Deus derrama sua graça, sem a qual o homem não pode entender as coisas espirituais, ou seja, foi Deus quem tomou a iniciativa na salvação, “do Senhor vem a salvação” (Jn 2.9), agindo em favor das pessoas. Graça é um favor imerecido. E por meio da graça que Deus capacita o ser humano para que ele responda com fé ao chamado do evangelho: “Alas, se ê por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já é graça” (Rm 11.6). Todavia, os seres humanos, influenciados pela graça que a habilita a livre escolha, são livres para escolher, por isso a graça divina pode ser resistida: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina, conhecerá se ela ê de Deus ou se eu falo de mim mesmo” (Jo 7.17). Deus proveu a salvação para todas as pessoas, mas essa salvação aplica-se somente àqueles que creem: “isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem” (Rm 3.22). Nesse sentido, não há conflito entre a soberania de Deus e a liberdade humana. 


2.     Do pensamento à ação    -     Quanto à relação entre vontade e sentimento, não é incomum ocorrer a confusão entre essas duas faculdades. Um exemplo disso está relacionado com a fome. As vezes afirmamos que estamos sentindo vontade de comer. Em princípio, a fome é apenas uma necessidade fisiológica, mas sabemos que banquetes não são preparados apenas por causa do estômago. Como vimos no início deste capítulo, os desejos humanos em geral têm relação com a alma, tanto que nephesh aparece, às vezes, na literatura hebraica com esse sentido. A linguagem bíblica é ampla e não fragmentada, como já abordamos. Assim, o conceito de desejo à luz da Bíblia não é apenas fisiologia — principalmente porque as Escrituras buscam descrever o ser humano na sua integralidade. Em relação à vontade, o apetite é um desejo que surge para que o ser humano satisfaça uma necessidade. 

(Veremos isso melhor no tópico II. subtópico l, quando tratarmos da experiência do povo de Israel no deserto). Por que, então, às vezes tratamos essa vontade como um sentimento? Em alguns casos, isso é correto, já que a “vontade de comer” pode não ser real ou fisiológica, mas emocional. A ansiedade pode ser um fator desencadeador da “vontade de comer”, mesmo não havendo uma necessidade fisiológica real. A tristeza também pode estimular-nos à busca de alimento, na vã tentativa de superá-la. Em casos assim, sentimento e vontade confundem-se e relacionam-se com a própria fisiologia.


3.    Fraqueza de vontade    -   Adão caiu porque DECIDIU PECAR. O segundo Adão, apesar de ter se preparado no estudo da Palavra de DEUS, na oração e no jejum, precisava ser cheio do ESPÍRITO SANTO para vencer a luta que o primeiro Adão perdeu, não existe como vencer Satanás sem o ESPÍRITO SANTO que tem o maior poder que existe sobre a face da Terra ou em qualquer parte, como na esfera do cosmos ou da superior, a espiritual. JESUS não teve, literalmente, as mesmas tentações que nós (não existia drogas, cigarros, cervejas, ele não era político, etc...), mas recebeu as tentações nas mesmas áreas que nós - Corpo, Alma e ESPÍRITO. Concupiscência dos olhos, da carne e soberba da vida. Portanto, foi tentado da mesma forma que nós somos, nas mesma áreas que nós. - Observações do Pr. Henrique).

Na Bíblia, a fraqueza de vontade é vista tanto como uma vulnerabilidade humana à tentação (pecado) quanto como uma oportunidade para experimentar o poder de Deus (2 Coríntios 12:9). Ela se manifesta na inconstância da fé, na incapacidade de resistir aos desejos da carne e na dificuldade de perseverar, mesmo com força de vontade própria. A superação vem não pela própria força, mas pela dependência de Deus, pela confissão de pecados, pela prática de disciplinas espirituais (oração, leitura bíblica) e pela rendição à Sua graça, que se aperfeiçoa na nossa fraqueza. 
Definição e manifestação da fraqueza de vontade
  • Vulnerabilidade ao pecado: A fraqueza de vontade é frequentemente resultado de vícios e hábitos pecaminosos, que enfraquecem a capacidade de escolher o bem.
  • Inconstância na fé: Espiritualmente, a fraqueza se manifesta na inconstância, onde um pequeno obstáculo pode levar à dúvida e ao desânimo.
  • Incapacidade de seguir a Deus por conta própria: A Bíblia ensina que a força de vontade humana não é suficiente para mudar o coração ou seguir os mandamentos de Deus, pois os desejos da carne muitas vezes se opõem ao espírito. 
A fraqueza como oportunidade
  • A graça de Deus em nossa debilidade: A fraqueza humana é o momento em que reconhecemos nossa necessidade de Deus. Quando nos sentimos fracos, a graça e o poder de Cristo podem se manifestar mais claramente em nossas vidas, como diz o apóstolo Paulo em 2 Coríntios 12:9.
  • Dependência e humildade: Em vez de ser um sinal de derrota, a fraqueza nos leva a depender mais de Deus, pois nos torna mais vulneráveis ao Seu poder e amor. A verdadeira força, na perspectiva bíblica, é confiar em Deus em vez de na própria capacidade. 
Como superar a fraqueza de vontade

  • Busque a força divina: A solução não está em sua própria força, mas em se entregar a Deus e permitir que Ele opere em você. A fé é a confiança em Deus, mesmo quando não se entende o plano dele.
  • Pratique disciplinas espirituais: A prática constante de disciplinas espirituais como oração, leitura da Bíblia, jejum e meditação fortalece o espírito e ajuda a controlar os desejos da carne.
  • Confesse seus pecados: Confessar pecados escondidos e buscar o perdão de Deus com um coração contrito é um passo fundamental para a purificação e o fortalecimento espiritual.
  • Viver em comunhão: Viver em comunidade com outros cristãos e buscar ajuda em uma igreja é crucial para receber apoio e encorajamento para vencer as fraquezas. 



                    II.     DESEJOS DA ESCRAVIDÃO À REDENÇÃO 

1.    A experiência do deserto    -    Ser escravo dos próprios desejos é uma das circunstâncias mais trágicas que o ser humano pode enfrentar. Isso, porém, não acontece senão após uma rebelde insistência do homem em agir frontalmente contra a vontade divina. Não raro essas atitudes revelam ingratidão, como aconteceu com o povo hebreu no deserto. O texto de Números 11.1-10 nos apresenta um povo cheio de fraquezas, que provocava a Moisés e a Deus com lembranças infantis, pela influência do vulgo (os não israelitas) que acompanharam Israel desde o Egito (Nm 11.4-6). A nephesh dos hebreus recusava o maná que Deus havia-lhes enviado (Nm 11.7-9) e ansiava pelas comidas do Egito. Isso mostra mais uma vez a correlação entre a alma e os desejos do homem necessitado no seu aspecto fisiológico, além de apontar para a conexão da volição com a condição espiritual. Tudo neles conspirava contra a vontade de Deus. Numa condição emocional deplorável, o povo chorava como uma criança birrenta. O Senhor decidiu satisfazer-lhes os desejos, enviando-lhes carne até que ficassem enfastiados (Nm 11.18-20).

 Esse episódio demonstra a condescendência de Deus com a vontade própria humana e da sequela infeliz que isso causou, conforme observa Derek Kidner (1981, p. 397).3 O texto mostra que Israel tornou-se escravo dos seus desejos. E não foi um mero desejo, mas um desejo insaciável (NVT), uma cobiça excessiva (BKJ). Encontramos o mesmo registro em Salmos 78.29- 33. Donald Stamps (p. 999) comenta a ação divina em relação à insistência humana de apresentar os seus próprios desejos a despeito de contrários à vontade de Deus: “Quando insistimos em satisfazer os nossos desejos egoístas, às vezes Deus nos permite fazer as coisas à nossa maneira, mas também nos deixa sofrer as consequências físicas e espirituais”. E a condescendência de que fala Kidner. Fica evidente o quanto a atitude soberba e impenitente do povo de Israel — que buscava impor os seus próprios desejos contra a vontade de Deus — causou prejuízos à sua alma, trazendo profunda tristeza e angústia.


2.    Os desejos na era cristã    -     O drama dos desejos humanos continua na era cristã com uma diferença fundamental: Cristo venceu o pecado e dá poder a nós para que também o vençamos (ver Rm 6.6). Mas, enquanto estamos neste corpo mortal, há um conflito espiritual constante.

 Donald Stamps (p. 2073) aborda a questão das duas naturezas que coabitam no crente, explicando que a rejeição dos desejos carnais é, pela graça de Deus, um ato de vontade (uma escolha) da pessoa regenerada: 

 Embora os cristãos nascidos de novo tenham recebido a nova vida do Espírito de Deus, eles ainda retêm a natureza pecaminosa com as suas más inclinações e tendências de se rebelar contra Deus (G1 5.16-21). Essa natureza pecaminosa jamais pode ser considerada boa; ela deve ser condenada à morte espiritual — ‘crucificada com Cristo’ (cf. Rm 6.6; G1 2.20; 5.24) — e vencida com a ajuda e o poder do Espírito de Deus (Rm 8.13). Os seguidores de Cristo vencem a sua natureza humana negando-se a si mesmos diariamente (isto é, deixando de lado seus próprios desejos egoístas e escolhendo o caminho de Deus, Mt 16.24; Rm 8.12-13; Tt 2.12). Eles fazem uma escolha deliberada de eliminar de suas vidas tudo o que podería comprometer seu relacionamento com Deus ou levá-los a desafiar ou desagradar a Ele [...]. 

 Paulo expõe o seu drama pessoal entre a vontade do homem espiritual e a vontade do homem carnal, vendido sob o pecado: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer  está em mim, mas não consigo realizar o bem” (Rm 7.18). Isso significa que a vontade do homem natural, não regenerado, não é suficiente para vencer a força do pecado. No versículo 22 do mesmo capítulo, o apóstolo refere-se ao homem espiritual, cuja vontade é inclinada para a vontade de Deus: “Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus”. Na sequência, refere-se ao conflito que persiste entre as duas naturezas no cristão nascido de novo: “Mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros” (7.24).


3.    A decisão do homem redimido    -     Como já enfatizado, a luta interior entre as inclinações da natureza pecaminosa e do espírito do homem regenerado exige do cristão uma tomada de decisão. Com a graça de Deus, é possível vencer a força do pecado e não ceder às paixões carnais, pois é a obra da salvação realizada por Cristo que nos liberta do poder do pecado.

 Conforme o Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal (p. 295), 

 Enquanto os crentes vivem neste mundo, enfrentam uma tensão constante entre o que a carne e o que o Espírito querem. Não devemos concluir, com base nas palavras de Paulo, que a nossa personalidade tem duas partes, nem que temos duas forças iguais e opostos lutando para assumir o controle. Em Cristo e no Espírito Santo, nós temos uma nova vida de ressurreição que é vitoriosa. O Espírito Santo em nós assegura a nossa total redenção e modifica ção futura. Embora tenhamos uma vida nova em Cristo, nós ainda temos uma mente e um corpo inclinados à rebelião e seduzidos por desejos pecaminosos. Devemos resistir a estes desejos.



                    III.    O ENSINO SOBRE OS DESEJOS EM TIAGO 

1.   Atração e engano    -   "A Tentação Vem de Dentro (1.14)

Tiago conhecia os poderes sobrenaturais do mal que agiam no mundo (cf. 3.6), mas aqui ele procura ressaltar o envolvimento e a responsabilidade pessoal do homem ao cometer pecados. O engodo do mal está em nossa própria natureza. Ele está de alguma forma entrelaçado com a nossa liberdade. A questão é: 'Será que eu preferiria ser livre, tentado e ter a possibilidade de vitória ou ser um 'bom' robô?' O robô está livre de tentação, mas ele também não conhece a digni.dade da liberdade ou o desafio do conflito e não conhece nada acerca da imensa alegria quando vencemos uma batalha.
Tiago diz que cada um é atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Essa palavra epithumia ('desejo', RSV) pode ter um significado neutro, nem bom nem mal. Assim, H. Orton Wiley escreve: 'Todo apetite nunca se controla, mas está sujeito ao controle. 

Por isso o apóstolo Paulo diz: 'Antes, subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado' (1 Co 9.27)'. Este talvez seja o sentido que Tiago emprega aqui.
No entanto, na maioria dos casos no Novo Testamento, epithumia tem implicações maléficas. Se for o caso aqui, quando um homem é seduzido para longe do caminho reto, isso ocorre por causa de um desejo errado. Tasker escreve: 'Este versículo, na verdade, confirma a doutrina do pecado original. Tiago certamente teria concordado com a declaração de que 'a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice' (Gn 8.21). Desejos concupiscentes, como nosso Senhor ensinou de maneira tão clara (Mt 5.28), são pecaminosos mesmo quando ainda não se concretizaram em ações lascivas'. Se essa interpretação for verdadeira, há aqui mais uma dimensão na origem da tentação. Desejos errados podem ser errados não somente porque são incontrolados, mas porque, à parte da presença santificadora do ESPÍRITO, eles são carnais 


2.     Abortando o processo    -   Por Que Ê Importante Resistir à Tentação?

1. A tentação, se não for dominada, destrói a fibra moral.

2. Há uma bem-aventurança especial pronunciada em prol daqueles que resistirem às tentações, a saber, a «coroa da vida», e isso por promessa de DEUS (ver Tia. 1:12).

3. Isso significa que a santificação conduz à glória, o que é um tema ensinado em vários lugares do N.T. (Ver Mat. 5:48 e II Tes. 2:13).

4. Os testes, por si mesmos, podem ser forças que nos ajudem em nosso desenvolvimento espiritual; isso é explicado abundantemente em Atos 14:22.

«Bem-aventurado o homem que suporta com perseverança a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam» (Tia. 1:12).

«...juntamente com a tentação...» No original grego temos «...o livramento...», com o artigo definido, o que certamente indica «o meio de escape». Mui provavelmente isso quer dizer que no caso de cada tentação, manifestar-se-á alguma maneira pela qual podemos escapar ao mal, algum meio que nos capacite a suportar a dor e a tristeza.

«É uma demonstração de covardia cedermos à tentação, bem como um voto de desconfiança a DEUS». (Robertson, in loc.).

A parte seguinte do presente versículo deixa entendido que o «escape» só aparece através da resistência e da persistência do crente.

«...de sorte que a possais suportar...» Notemos que não nos é dado o «escape» por meio da ausência de toda a tentação; nem nos é outorgado o «escape» porque logo somos livres da tribulação. Antes, esse «escape» nos é proporcionado ‘porque’ temos podido resistir e chegar ao triunfo. Somente essa forma de escape e de disciplina é que pode produzir qualquer crescimento cristão substancial.

«Com frequência, o único ‘escape’ se verifica através da ‘resistência’. Ver Tia. 1:12». (Vincent, in loc.).

«Veja uma porta aberta para sua saída; e o homem continuará lutando, levando a sua carga. A palavra grega ‘ekbasis’ (escape) significa ‘saída’, escape para longe da luta. Logo em seguida aparece ‘upenegkein’ (sustentar debaixo de algo), em que esta última ação é possibilitada pela esperança relativa àquela primeira. Quão diferente é tudo isso da consolação estoica dos suicidas: ‘A porta continua aberta’! No caso desta epístola aos Coríntios, a ideia de ‘tentação’ deve incluir tanto as atrações em direção à idolatria como as perseguições que o abandono da idolatria envolve». (Findlay, in loc.).

«Neste versículo encontramos talvez a exposição mais prática, e, portanto, mais clara, que se pode achar acerca da doutrina do livre-arbítrio humano, em relação ao poder governador de DEUS. DEUS abre a estrada, mas o próprio homem deve ‘caminhar’ por ela. DEUS controla as circunstâncias; mas o homem se utiliza delas. É nesse ponto que jaz a sua responsabilidade como homem». (John Short, in loc).

«.. .A providencia de DEUS abre um caminho em meio a teia. DEUS sempre abre uma brecha nessa fortaleza doutra maneira inexpugnável. No caso de alguma alma reta entrar em dificuldades e apertos, podemos descansar certos de que haverá um ‘meio de escape’, tal como houve uma ‘entrada’; e também que o teste jamais ultrapassará as forças que DEUS dá a cada qual, para que possa suportar à prova». (Adam Clarke, in loc.).




Ajude esta obra...
Código do PIX
Banco Mercantil do Brasil
Pb. Junio | Prof° EBD - YouTube



AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.

Pr. Setorial – Pr. Saulo Marafon.

Pr. Local: Pr. Selmo Pedro.

INSTAGRAN: @PBJUNIOOFICIAL

FACEBOOK: JOSÉ EGBERTO S. JUNIO

 CANAL YOUTUBE.:    https://www.youtube.com/@pb.junioprofebd7178       Toda semana tem um vídeo da Lição. Deixem seu Like.

 Siga-nos nas redes sociais... Tenha um bom estudo bíblico.

 ** Seja um Patrocinador desta obra: chave do        PIX 11980483304        

Chave do PIX
Banco Mercantil 





               





         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio Corpo, Alma e Espírito - A Restauração Integral do Ser Humano para chegar à Estatura Completa de Cristo, Silas Queiroz - Editora CPAD

Livro O Homem, a natureza humana explicada pela bíblia - Corpo, Alma e Espírito, Pr. Severino Pedro da Silva, Editora CPAD


(TAYLOR, S. Richard. Comentário Bíblico Beacon: Hebreus a Apocalipse. Vol. 2. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.159-60).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 4. pag. 154-155.