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sábado, 14 de março de 2026

LIÇÃO 12 - O FILHO E O ESPÍRITO.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                TEXTO ÁUREO

"E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus." (Lc 1.35)


                VERDADE PRÁTICA

O Filho de Deus cumpriu seu ministério em plena dependência do Espírito, revelando que a obra redentora é trinitária: o Pai envia, o Filho obedece e o Espírito capacita.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Lucas 1.26-38


                    INTRODUÇÃO

0 plano da salvação não é uma obra isolada, mas uma ação conjunta, coordenada em perfeita harmonia pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo. A Escritura revela que a Trindade age inseparavelmente em favor da redenção da humanidade. Essa verdade bíblica revela não apenas a unidade trinitária, mas também a economia da salvação, isto é, a forma como cada Pessoa divina age de maneira distinta, mas inseparável, na obra redentora. A unidade perfeita da Trindade no plano da salvação é um testemunho de que Deus é ao mesmo tempo um só em essência e trino em pessoa, agindo com propósito eterno e amor redentor (Ef 1.9-10). Esse capítulo mostra como o Espírito Santo participa ativamente desde a encarnação do Filho, sua obra redentora, sua ressurreição e exaltação (Jo 3.16; Rm 8.11; Ef 1.4-7), bem como enfatiza a resposta esperada de cada crente à obra de redenção.



A DOUTRINA DA REDENÇÃO


Como já vimos, redenção tem a ver com a pessoa do pecador. Ela é realizada por JESUS CRISTO: “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Ef 1.7). Pois “... por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” (Hb 9.12).
Definição de redenção. Nos dias bíblicos, redenção é a libertação de um escravo, mediante um resgate — gr. lytron (este termo aparece em Mateus 20.28) —, além de retirar esse escravo do mercado de escravos, para não mais ficar exposto à venda. Redenção sempre requer o preço a ser pago para garantir a liberdade do escravo.

Há sete principais palavras originais no Novo Testamento para redenção:

Agorazo, “compraste” (Ap 5.9). Comprar na praça. O pecador estava na praça do mercado de escravos, vendido ao pecado e servindo a Satanás: “Assim,
meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de CRISTO, para que sejais doutro, daquele que ressuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fruto para DEUS” (Rm 7.4).
Exagorazo, “resgatou” (Gl 3.13). Comprar o escravo na praça e retirá-lo de lá, para que não fosse mais exposto à venda: “Ele nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o Reino do FILHO do seu amor” Cl 1.13.
Lytroo, “resgatados” (I Pe 1.18,19). Pagar o preço exigido pelo resgate de um escravo e libertá-lo.
Lytrosis, “redenção” (Hb 9.12). Libertar mediante o pagamento de resgate. É um termo mais vigoroso do que lytroo,
Apolytrosis, “redenção” (Ef 1.7). É empregado em Lucas 21.28 para significar soltura, libertação, livramento, desprendimento do povo de DEUS, ao sair deste mundo opressor e escravizador, para ficar eternamente com o Senhor. Este termo é uma forma mais vigorosa que lytrosis.
Antilyron (I Tm 2.6). A troca de uma pessoa por outra; ou seja, a redenção de vida por vida, no caso de um cativo, escravo ou prisioneiro.
Lytron (Êx 21.30; Mt 20.28; Mac 10.45). O resgate pago pela redenção de um cativo, escravo ou prisioneiro de guerra.
A redenção do pecador. A nossa redenção espiritual foi planejada e decidida por DEUS antes da fundação do mundo (I Pe 1.18,19; Ap 13.8). Essa redenção, em CRISTO, é formosa e claramente ilustrada em Levítico 25 — principalmente nos versículos 25, 48 e 49 — e Rute 2.20; 3.9-13; 4.1-9. Nessas passagens, o termo go’el significa “parente remidor”, o qual tinha de ser consanguíneo do escravo. Vemos claramente no papel desse parente remidor um tipo de nosso Redentor, o Senhor JESUS (Tt 2.14).

O tríplice resultado da redenção.
 A nossa redenção efetuada por JESUS resulta na conversão da alma, pois esta foi perdida pelo homem, na sua Queda (Gn 2.17; Ez 18.20).
Outro resultado da redenção é a nossa ressurreição, isto é, a redenção do corpo. O homem perdeu o seu corpo ao perder o direito a comer da árvore da vida, no Éden, devido à Queda: “Então, disse o Senhor DEUS: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, pois, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente” (Gn 3.22).
A redenção resulta também em domínio da terra. O ser humano perdeu a terra ao pecar (Gn 1.28). Em João 1.29, vemos que JESUS é o Cordeiro de DEUS que tira o pecado do mundo (cf. Ap 5.1-5,9). Na Segunda Vinda de CRISTO, começará a redenção da terra, que fora amaldiçoada depois da Queda: “maldita é a terra” (Gn 3.17).

                I.    O ESPÍRITO E A CONCEPÇÃO DO FILHO


1.    O anúncio do nascimento de Jesus      -      A mensagem divina rompe o silêncio dos séculos e inaugura a plenitude dos tempos (G1 4.4). O anjo declara: “E eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus" (Lc 1.31). O anúncio contém três elementos fundamentais para a doutrina da encarnação do verbo de Deus: a concepção, o nascimento e a identidade da criança. A concepção de Jesus foi um ato miraculoso de Deus. Paulo disse que a encarnação de Cristo foi um milagre e a chamou de “mistério da piedade” (1 Tm 3.16).' Maria concebeu pelo poder do “Espírito Santo”, cuja obra é santificar, e, portanto, santificou a virgem, para esse propósito (Lc 1.35). 

Henry anota que a criança não seria “concebida da maneira normal, porque ela não deveria compartilhar da corrupção e da contaminação comuns da natureza humana [...] A sua natureza humana deveria ser produzida desta maneira, como era adequado que fosse, pois se uniria à natureza divina”. O nascimento de Jesus, embora precedido por uma concepção sobrenatural (Mt 1.18,20; Lc 1.35), ocorreu de forma natural por meio do ventre de Maria, como qualquer outro parto. Lucas registra que “cumpriram-se os dias [...] E [Maria] deu à luz o seu filho” (Lc 2.6-7). Paulo reforça essa realidade ao afirmar que o Filho eterno foi “nascido de mulher” (G14.4), destacando sua plena humanidade. Assim, embora concebido milagrosamente, Jesus foi gerado, nasceu e cresceu dentro das condições normais da experiência humana (Lc 2.40,52), sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem. 

O anjo declara que o nome da criança seja Jesus e sua identidade divina é confirmada pelo título messiânico: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo” (Lc 1.32). Essa expressão não apenas revela a filiação divina de Jesus, mas o apresenta como o herdeiro do trono de Davi (2 Sm 7.12-16; Is 9.6-7). Maria de monstra perplexidade, não entende como isso poderia acontecer uma vez que era virgem (Lc 1.34). A esse respeito o anjo lhe assegura: “para Deus nada é impossível” (Lc 1.37). Na sequência o texto afirma que ela creu e na mais completa confiança e submissão declarou: “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1.38).


2.    O Espírito como agente da concepção     -     O teólogo da Reforma Filipe Melanchthon endossa o que já foi afirmado, isto é, “Deus desejou que Cristo nascesse sem a união física de um homem e uma mulher, para que sua concepção se realizasse sem pecado”. A explicação que o anjo faz de como seria a concepção é singular e miraculosa: “Descerá sobre ti o Espírito Santo” (Lc 1.35a). Assim, a sombra do Espírito ao mesmo tempo protege e cria. Des se modo, elucida o anjo, a concepção será obra do Espírito Santo, e por isso declara: a criança “que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35b). Essa linguagem lucana é especialmente trinitária: o Altíssimo, o Filho de Deus e o Espírito Santo. No evento da anunciação, como um incentivo a sua fé, o anjo comunica a Maria da gravidez de Isabel: “Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice” (Lc 1.36a). 

Todas as mulheres estéreis da história bíblica que engravidaram de modo sobrenatural prepararam o mundo para crer no milagre da concepção, inclusive de uma virgem esperando um filho. A perplexa jovem do início da revelação angelical, após a minuciosa explicação, compreendeu o desígnio divino e não desacreditou das palavras do anjo. Como observa Horton, a grande lição das narrativas da concepção e do nascimento de Jesus é a afirmação de que Ele é, ao mesmo tempo, Filho de Deus e filho de Maria. Desde o princípio, o Espírito Santo foi o agente da concepção no ventre da virgem, revelando o profundo vínculo de Cristo com a terceira Pessoa da Trindade (Lc 1.34-35).8 O exemplo de Maria, assim como o de Abraão, ensina o crente a não vacilar diante das promessas de Deus, mas a fortalecer-se na fé, dando glória ao Senhor (Rm 4.20-21).



A concepção de JESUS pelo ESPÍRITO SANTO é um pilar doutrinário central na teologia, sublinhando o caráter sobrenatural da encarnação e a natureza divina e humana de CRISTO. Baseado em fontes evangélicas, o ESPÍRITO SANTO agiu de forma soberana e milagrosa para tornar o FILHO de DEUS encarnado na virgem Maria, sem a colaboração de um homem.
Aqui estão os pontos teológicos principais:


a. O ESPÍRITO como Agente de um Nascimento Sobrenatural Agente Divino: A concepção não foi fruto de um processo biológico natural, mas um ato criativo direto do ESPÍRITO SANTO sobre Maria (Lucas 1:35).Nascimento Virginal: É estritamente necessário o entendimento do nascimento virginal, indicando que JESUS foi concebido pelo poder do ESPÍRITO e não por sêmen humano. O "Poder do Altíssimo": Em Lucas 1:35, a expressão "o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra" é interpretada como a presença ativa do ESPÍRITO de DEUS no útero de Maria, tornando JESUS santo desde o ventre.

b. Implicações Teológicas da Concepção pelo ESPÍRITOA "Nova Criação": JESUS é considerado o "Novo Adão" que inaugura uma nova criação. Enquanto o primeiro homem veio do pó, o segundo veio do céu por intervenção divina. Isenção do Pecado: A concepção pelo ESPÍRITO garantiu que JESUS nascesse sem a natureza pecaminosa hereditária de Adão. Ele é totalmente humano, mas sem pecado. Natureza Divino- Humana: O ESPÍRITO SANTO uniu a natureza divina do FILHO de DEUS à natureza humana no seio de Maria, permitindo que Ele fosse 100% DEUS e 100% homem.

c. A Concepção e a Trindade Unidade de Ação:
Embora o ESPÍRITO SANTO tenha sido o agente da concepção, isso é entendido como uma ação de toda a Trindade, onde o PAI envia e o FILHO assume a carne. Início da "Oficina" de JESUS: Teólogos evangélicos (como os da tradição do The Gospel Coalition) pontuam que, enquanto o FILHO é eterno, o relacionamento do ESPÍRITO SANTO com a natureza humana de JESUS (JESUS de Nazaré) começou no momento da concepção.

d. A Importância da Doutrina Autenticidade da Salvação: Para os evangélicos, a negação do nascimento pelo ESPÍRITO SANTO compromete a divindade de JESUS e, consequentemente, a eficácia da expiação (a salvação).Autoridade Bíblica: A aceitação da concepção virginal é vista como um teste de fidelidade à autoridade das Escrituras (Lucas e Mateus).

Em resumo, a bíblia enfatiza que o ESPÍRITO SANTO não apenas concebeu JESUS, mas garantiu a santidade e a divindade de CRISTO no momento de sua entrada na história humana.


3.    A pureza e a santidade do Filho     -     Ao atribuir o título de “santo” ao Filho desde o nascimento, o anjo não apenas descreve seu estado moral, mas confirma sua divindade intrínseca. Assim sendo, a santidade de Cristo não é adquirida, mas inerente à sua missão: 

(i) Obediência perfeita. Como segundo Adão, Cristo permaneceu justo e obediente, garantindo a justificação dos que creem (Rm 5.19; 1 Co 15.45); 

(ii) Cordeiro imaculado. Sua santidade o qualificou para ser o sacrifício perfeito e sem defeito (1 Pe 1.19); 

(iii) Redentor eficaz. Por ser santo, pôde oferecer-se de uma vez por todas em favor dos pecadores (Hb 10.10); 

 (iv) Modelo de santificação. Assim como foi concebido pelo Espírito, os crentes também nascem espiritualmente pelo mesmo Espírito e são conformados à imagem do Filho (Rm 8.29). Do ponto de vista doutrinário, a santidade de Cristo constitui o fundamento da soteriologia cristã. Sem a santidade intrínseca do Filho, não haveria redenção, justificação nem santificação possíveis. 



A doutrina da impecabilidade de Cristo afirma que, embora plenamente humano, Ele esteve livre da corrupção do pecado, garantindo a eficácia de sua obra expiatória. Sua santidade também é escatológica, pois garante a glorificação futura dos crentes, chamados a participar da herança incorruptível (1 Pe 1.4). Em vista disso, a declaração angelical revela que Jesus nasceu santo, separado do pecado e consagrado desde a concepção pelo Espírito Santo. Essa santidade é atributo divino essencial, confirmando-o como verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Teologicamente, ela é a base da obra redentora de Cristo, pois somente um Salvador santo poderia cumprir a Lei, oferecer-se como sacrifício perfeito e conduzir os crentes à santificação. A santidade do Filho é a garantia da justificação e glorificação do salvo, bem como o paradigma da vida cristã conduzida pelo Espírito.

A visão bíblica sobre a pureza e a santidade de JESUS baseia-se na convicção de sua impecabilidade (sinlessness), ou seja, sua natureza totalmente separada do pecado e sua vida perfeitamente dedicada a DEUS. JESUS é descrito como o Cordeiro de DEUS "sem defeito e sem mácula" (1 Pedro 1:19).

 
Aqui está um resumo teológico, baseado em fontes evangélicas:


a. Santidade Essencial e Posicional A Natureza Divina: A santidade de JESUS é intrínseca à sua divindade. Ele não apenas fazia coisas santas, Ele era SANTO. Em Isaías 6:3, a santidade de DEUS é o foco, e no Novo Testamento, JESUS é reconhecido como o "SANTO de DEUS". Separado dos Pecadores: Hebreus 7:26 descreve JESUS como um Sumo Sacerdote "santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime que os céus". Sem Pecado no Ser: A teologia evangélica enfatiza que, embora JESUS tenha sido tentado em todas as coisas como nós, Ele era "sem pecado" (Hebreus 4:15). Ele não tinha natureza pecaminosa e nunca cometeu um ato, pensamento ou atitude errada.

b. A Pureza em Ação (Vida Terrestre)Pureza de Coração: JESUS ensinou "Bem-aventurados os limpos de coração, pois verão a DEUS" (Mateus 5:8). Ele exemplificou a pureza absoluta, com pensamentos, motivações e ações totalmente alinhados com a vontade de DEUS. Aparência de Pecadores, Pureza Absoluta: Ao contrário dos humanos que se contaminam ao tocar na impureza, JESUS tocava nos leprosos e pecadores e os purificava, demonstrando que sua santidade é ativa e transformadora, e não passível de corrupção. Obediência Perfeita: A santidade de JESUS foi mantida através de uma obediência contínua e perfeita ao PAI, até a morte na cruz.

c. A Importância da Santidade de JESUS para a Salvação Substituição (Imputação): Para que JESUS fosse o sacrifício perfeito, Ele precisava ser perfeitamente justo. A "troca" bíblica (2 Coríntios 5:21) afirma que Ele, que não conheceu pecado, tornou-se pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de DEUS.Sem a Santidade, Não Há Salvação: A ausência de pecado em CRISTO é o que torna possível a nossa justificação. Se Ele tivesse falhado, não haveria esperança.

d. Chamado à Santidade Baseado em JESUS Exemplo e Capacitação: Os cristãos são chamados à santidade não para serem salvos, mas porque já foram salvos e transformados por JESUS. "Sede santos, porque eu sou santo" (1 Pedro 1:16).Reflexo da Pureza: A vida de um cristão evangélico deve refletir a pureza de JESUS, vivendo "separado" (o significado de santo) da corrupção moral do mundo.

Em resumo, a santidade de JESUS é absoluta, divina e o fundamento único da purificação do crente.



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                II.     O FILHO E A SUA RELAÇÃO COM O ESPÍRITO


1.    O Filho é o Verbo feito carne     -     A teologia bíblica, baseada no texto bíblico de João 1:14 ("E o Verbo se fez carne e habitou entre nós"), interpreta a afirmação de que "o FILHO é o Verbo feito carne" como o núcleo central da doutrina da Encarnação. 

Aqui estão os pontos principais sobre essa verdade:

A Eternidade e Divindade do FILHO: O "Verbo" (Logos) não começou a existir quando JESUS nasceu; Ele é eterno e era DEUS. A expressão "Verbo se fez carne" significa que DEUS se tornou acessível, limitando-se humanamente sem deixar de ser DEUS.

Encarnação (O Verbo se fez Carne): "Carne" enfatiza a fragilidade e a humanidade assumida pelo FILHO. Ele assumiu uma natureza humana real, nascendo de mulher, sentindo fome, sede, cansaço e tentações, mas sem pecado.

União Hipostática: JESUS é totalmente DEUS e totalmente homem. Não foi uma troca de divindade por humanidade, mas a união das duas naturezas na pessoa de JESUS CRISTO.

O Propósito (Habitou entre nós): O verbo "habitar" (grego: eskenosen) remete à ideia de acampar, aludindo ao Tabernáculo no Antigo Testamento, onde a glória de DEUS residia no meio do povo. JESUS é a presença gloriosa de DEUS tabernaculando entre a humanidade.

A Revelação de Graça e Verdade: A encarnação foi o meio de DEUS revelar perfeitamente o Seu amor, graça e verdade, algo que a Lei de Moisés não conseguia fazer plenamente.

Objetivo Redentor: O FILHO assumiu a carne para poder morrer no lugar da humanidade, reconciliando o homem com DEUS. Em suma, para a teologia evangélica, o FILHO é DEUS Eterno que se tornou um ser humano histórico (carne) para salvar a humanidade.

O Filho eterno, “nascido de mulher”, assume a humanidade sem cessar de ser Deus. Aqui se firma a união hipostática: uma Pessoa (o Filho), duas naturezas (divina e humana), não dividida ou separada em duas pessoas, mas um só e mesmo Filho Unigênito. Assim, a encarnação não implica redução da divindade do Filho, mas assunção da natureza humana. A distinção de natureza de modo algum é anulada pela união, mas, pelo contrário, as propriedades de cada natureza permanecem intactas (Calcedônia, 451 d.C.). Significa que Cristo submeteu-se voluntariamente às limitações humanas, mas manteve a sua essência divina (Jo 5.19). 

O Filho “esvaziou- -se” (Fp 2.6-8) não de seus atributos, mas de suas prerrogativas e do status de glória, assumindo forma de servo e limites humanos (fome, cansaço, dor, tristeza, alegria), permanecendo plenamente Deus. Horton reitera a respeito desse assunto “que Jesus não deixou de ser Deus durante a encarnação. Pelo contrário, abriu mão apenas do exercício independente dos atributos divinos”. O pastor Antonio Gilberto ressalta que, ao humanizar-se, Cristo não deixou de ser divino, pois atributos exclusivos da deidade foram manifestos por Ele entre os homens.1


2.    O Espírito capacita o Filho    -     A encarnação do Verbo Jo 1.14) revela não apenas a união das naturezas divina e humana em Cristo, mas também a maneira pela qual Ele viveu. Embora fosse plenamente Deus, Jesus escolheu agir como verdadeiro homem. As Escrituras revelam que o seu ministério terreno foi marcado pela ação do Espírito Santo. Stronstad esclarece que o poder exercido por Ele é atribuído “à capacitação que Jesus recebeu do Espírito Santo (Mt 12.28)”. O próprio Senhor Jesus reconhece ser ungido pelo Espírito de Deus para anunciar boas-novas, curar e libertar os cativos e oprimidos (Lc 4.18). 

A missão de Jesus, portanto, foi conduzida sob a unção e capacitação do Espírito Santo: (1) A cada palavra proferida. Cristo falava as palavras de Deus porque o Espírito lhe fora dado “sem medida” Jo 3.34). Logo, cada ensino tinha autoridade divina, mas comunicado por meio da unção do Espírito; (2) A cada milagre realizado. 

A capacitação de Jesus pelo Espírito tem profundas implicações doutrinárias: (1) Cristológicas. Na encarnação, Cristo assumiu a natureza humana e escolheu depender do Espírito, revelando obediência filial (Fp 2.8); (2) Pneumatológicas. O Espírito é o agente central na vida de Cristo, desde a concepção (Lc 1.35), batismo (Lc 3.22), tentação (Mt 4.1), milagres (At 10.38), até a ressurreição (Rm 8.11); (3) Soteriológicas. O sacrifício vicário de Cristo é realizado em comunhão com o Espírito (Tt 3.5-6; Hb 9.14); e (4) Eclesiológicas. Assim como Jesus viveu e atuou no poder do Espírito, a Igreja é chamada a realizar sua missão pela capacitação do mesmo Espírito (At 1.8).


3.     O Filho e o poder do Espírito     -    Como já observado, os Evangelhos mostram que, embora sendo Deus, o Filho viveu em dependência do Espírito Santo, revelando a humildade de sua encarnação e oferecendo um paradigma para a vida cristã.16 Tal relação entre Cristo e o Espírito não diminui sua divindade, mas evidencia o mistério da união hipostática, em que o Verbo eterno assume a natureza humana e nela realiza a redenção em plena obediência ao Pai pelo poder do Espírito Santo (Jo 6.38; Fp 2.6-8). 

Seu batismo foi confirmado pelo Espírito e pela voz do Pai como a manifestação das três Pessoas da Trindade no plano redentor (Lc 3.22). Exegeticamente, o verbo grego katabainõ (“descer”) indica o revestimento de poder do Espírito para a missão messiânica, não uma outorga de divindade, mas a confirmação de sua consagração messiânica. No deserto, em contraste com Adão, que sucumbiu à tentação, Cristo, o “último Adão”, venceu o Diabo pela obediência à Palavra e pelo poder do Espírito (Mt 4.1; 1 Co 15.45).

 Desse modo, todas as etapas da vida de Jesus — encarnação, batismo, tentação, pregação, milagres, morte sacrificial e ressurreição — são apresentadas como fruto da cooperação entre o Filho e o poder do Espírito na execução do propósito do Pai. Essa cooperação enfatiza que a salvação é obra do Pai, realizada pelo Filho e sustentada pelo Espírito. A conduta do Senhor Jesus mostra que o poder para a missão procede do Espírito.17 Assim, o crente é chamado a viver sob a mesma dependência, realizando a obra do Reino “não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor” (Zc 4.6).

Com base bíblia, a relação entre JESUS e o poder do ESPÍRITO SANTO é central para a compreensão da sua missão terrena e de sua divindade. JESUS, embora sendo DEUS, encarnou-se e voluntariamente submeteu-se à capacitação do ESPÍRITO SANTO para realizar seu ministério como homem. 
Aqui estão os pontos principais:


a. JESUS e a Plenitude do ESPÍRITO 

  • Concepção e Batismo: JESUS foi concebido pelo ESPÍRITO SANTO (Lc 1:35) e, no seu batismo, o ESPÍRITO desceu sobre ele, marcando o início público do seu ministério.
  • Sem Medida: As Escrituras ensinam que DEUS deu o ESPÍRITO a JESUS "sem medida" (João 3:34), indicando capacitação total.
  • Guiado e Capacitado: JESUS foi guiado pelo ESPÍRITO ao deserto (Mt 4:1) e retornou de lá "no poder do ESPÍRITO" para iniciar sua pregação na Galileia (Lc 4:14). 

Porque brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. E repousará sobre ele o ESPÍRITO do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor. Isaías 11:1,2 (Completude da unção e poder do ESPÍRITO SANTO).


b. O Poder do ESPÍRITO na Obra de JESUS

  • Ministério de Milagres: JESUS realizou curas, libertações e milagres pelo poder do ESPÍRITO SANTO (Mt 12:28), demonstrando que o Reino de DEUS havia chegado; profetizou e revelou mistérios pela inspiração do ESPÍRITO SANTO.
  • Sacrifício na Cruz: JESUS se ofereceu na cruz como um sacrifício perfeito "pelo ESPÍRITO eterno" (Hebreus 9:14), o que ressalta o poder espiritual por trás de sua entrega.
  • Ressurreição: A ressurreição de JESUS foi um ato do poder do ESPÍRITO, que o vindicou e provou sua divindade (Rm 1:4, 8.11; 1 Tm 3:16). 

c. O ESPÍRITO SANTO, JESUS e a Igreja

  • Promessa do Consolador: Antes de sua ascensão, JESUS prometeu enviar o ESPÍRITO SANTO (o Consolador) aos seus discípulos (João 14:16-17).
  • Poder para Testemunhar: O mesmo poder que operava em JESUS agora capacita a Igreja (Atos 1:8). O ESPÍRITO SANTO convence o mundo do pecado e revela a verdade de JESUS.
  • A "Unção": JESUS é o Messias (o Ungido) capacitado pelo ESPÍRITO, e os cristãos, ao serem cheios do ESPÍRITO, vivem a vida cristã e realizam obras em seu nome. 

Em resumo, JESUS não viveu na Terra usando sua própria autoridade divina para si mesmo, mas, como FILHO, operou dependendo inteiramente do poder do ESPÍRITO SANTO para cumprir a vontade do PAI, tornando-se o modelo para a vida cristã e o batizador com o ESPÍRITO SANTO.

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            III.    A TRINDADE E A MISSÃO REDENTORA


1.    O Pai envia o Filho e o Espírito     -     O verbo grego apesteilen (“enviou”, G1 4.4) denota não só um comissionamento, mas uma missão com propósito sacrificial. O envio do Filho mostra que a redenção é histórica, concreta e vicária (At 10.38). Essa perspectiva mostra que a redenção é expressão da graça e do amor eterno do Pai (1 Jo 4.9). Esse amor foi a causa do envio do Filho para propiciação pelos pecados da humanidade (1 Jo 4.10).18 O Filho, o Verbo Eterno, encarnou-se para cumprir perfeitamente a lei e assumir a penalidade do pecado Jo 1.14; 2 Co 5.21). O credo Atanasiano (séc. IV) ratifica que Cristo “sofreu por nossa salvação: desceu ao inferno, ao terceiro dia ressurgiu dos mortos.

 Ascendeu aos céus: assentando-se à direita de Deus Pai Onipotente, de onde virá para julgar os vivos e os mortos”. O Espírito, que também procede do Pai Jo 15.26), não é um agente passivo. Ele não ocupa papel secundário, mas é plenamente ativo na salvação. Como já visto, reitera-se que o Espírito concebe o Filho no ventre de Maria (Lc 1.35), unge, capacita e acompanha o Filho em cada etapa do ministério (At 10.38). E, finalmente, o Espírito aplica os méritos de Cristo na vida dos crentes. Paulo afirma que é pelo Espírito que o cristão conhece e experimenta a salvação (1 Co 2.10-12; Rm 8.16).

 Dessa forma, a obra do Filho realizada na cruz torna-se eficaz em cada crente pela ação do Espírito. Essa cooperação, ratifica-se, demonstra que a redenção é, em sua essência, uma obra trinitária. Sem sobreposição ou confusão, mas em perfeita harmonia. Essa estrutura não revela três salvação distintas, mas uma só salvação trinitária: o Pai, em amor eterno pelos pecadores, envia; o Filho, em total submissão e obediência, executa; e o Espírito, em virtude e poder, aplica (1 Pe 1.2). A fé cristã encontra aqui sua base para viver na experiência do amor do Pai, na graça do Filho e na comunhão do Espírito Santo (2 Co 13.13).


2.    O Espírito revela e exala o Filho    -    DEUS, o PAI, o glorificou no céu, e o ESPÍRITO o glorificou na terra. Era a honra do Redentor o fato de que o ESPÍRITO fosse enviado em seu nome e também na sua missão, para dar prosseguimento à sua tarefa, e aperfeiçoá-la. Todos os dons e graças do ESPÍRITO, toda a pregação e todos os textos escritos pelos apóstolos, sob a influência do ESPÍRITO, as línguas e milagres, são maravilhas que glorificam a CRISTO.


 O ESPÍRITO glorificou a CRISTO conduzindo seus seguidores na verdade, como ela está em JESUS, Efésios 4.21. Ele lhes garante, em primeiro lugar, que o ESPÍRITO lhes transmitiria as coisas de CRISTO: Ele “há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar”. Assim como, em essência, o ESPÍRITO procedia do FILHO, Ele também derivava dele em influência e operação. Ele terá ektouemou – daquilo que é meu. Tudo o que o ESPÍRITO nos mostra, isto é, nos dá para nossa instrução e consolo, tudo o que Ele nos dá para nosso fortalecimento e vivificação, e tudo o que Ele nos garante e sela, tudo pertence a CRISTO, e foi recebido dele. Tudo é dele, pois Ele o comprou, e pagou caro por isto, e, portanto, Ele tinha motivos para chamar de seu. Seu, pois Ele o recebeu primeiro. Foi dado a Ele, como o cabeça da igreja, para ser transmitido por Ele a todos os seus membros. 

O ESPÍRITO não veio para edificar um novo reino, mas para promover e estabelecer o mesmo reino que CRISTO tinha edificado, para manter o mesmo interesse e procurar o mesmo desígnio. Portanto, aqueles que aspiram ao ESPÍRITO e difamam a CRISTO, se contradizem e desmentem, pois Ele veio para glorificar a CRISTO. 

Em segundo lugar, que assim as coisas de DEUS deveriam nos ser transmitidas. Para que ninguém se esquecesse de que o recebimento de tão grande bênção lhe tornaria muito mais rico, o Senhor acrescenta: “Tudo quanto o PAI tem é meu”. Como DEUS, Ele tem toda aquela luz autoexistente e toda aquela felicidade autossuficiente que o PAI tem. Como Mediador, todas as coisas lhe são entregues pelo PAI (Mt 11.27). 

Toda aquela graça e verdade que DEUS, o PAI, desejava nos mostrar, Ele colocou nas mãos do Senhor JESUS, Colossenses 1.19. As bênçãos espirituais nas coisas celestiais são dadas pelo PAI ao FILHO, para nós, e o FILHO encarrega o ESPÍRITO de transmiti-las a nós. Alguns relacionam isto ao que foi dito há pouco: Ele “vos anunciará o que há de vir”, e assim está explicado por Apocalipse 1.1. DEUS, o PAI, deu tudo a CRISTO, e Ele o anunciou a João, que, por sua vez, escreveu o que o ESPÍRITO disse, Apocalipse 1.1.


3.    A fé e a submissão do crente    -    Com base na teologia bíblica, a fé e a submissão são aspectos indissociáveis da vida de um salvo. A fé é reconhecida como o meio de salvação (Efésios 2:8-9), enquanto a submissão é a evidência prática e fruto dessa fé, demonstrada através da obediência ao senhorio de CRISTO. 

Aqui está uma síntese baseada em fontes bíblicas:
a. A Fé: Fundamento e Salvação 
  • A fé para salvação: não vem das obras, o homem ouve e crê no evangelho, permitindo ao ESPÍRITO SANTO vir morar nele a partir daí (Ef 1.13,2.8). Fé não é obra, pois se crê na salvação efetuada por JESUS.
  • Fé sem obras é morta: A teologia bíblica, baseada em Tiago 2:14-26, ensina que a fé verdadeira produz frutos. Boas obras não salvam, mas testificam a fé que salva. Obra não salva, mas todo crente pratica boas obras, após receber a salvação.
  • A "Obediência da Fé": A fé verdadeira é obediência à Palavra de DEUS, não apenas uma crença intelectual. 
b. A Submissão: Evidência de uma Nova Criatura
  • Submissão a DEUS: O salvo submete-se ao senhorio de JESUS (Lc 14:27), reconhecendo-O como Rei e Dono da sua vida. Fomos comprados pelo sangue de JESUS (1 Coríntios 6:20).
  • Não é escravidão, mas libertação: A submissão bíblica restaura a ordem e é vista como um plano de DEUS para proteger e guiar, não para escravizar.
  • Fruto da união com CRISTO: A submissão é uma "escolha consciente" baseada no amor e respeito, refletindo a nova criatura descrita em 2 Coríntios 5:17.
  • Exemplo de CRISTO: JESUS é o maior exemplo de submissão, submetendo-Se ao PAI, ao ponto de morrer na cruz. O que resulta em glorificação. 
c. A Fé e a Submissão em Ação
  • Vida de Oração e Palavra: O crente salvo vive em constante submissão através do estudo da Bíblia e obediência à oração (Mc 13.33 – Vigiai e Orai).
  • Perseverança: A fé salvífica inclui a perseverança na justiça, mantendo-se fiel mesmo diante de desafios e provações.
  • Submissão Mútua: No contexto da igreja e da vida social, os salvos se submetem uns aos outros no temor de CRISTO. 
Resumo: O salvo não se submete para ser salvo, mas submete-se porque foi salvo, demonstrando uma fé autêntica, operante e amorosa.
 




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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.

Pr. Setorial – Pr. Saulo Marafon.

Pr. Local: Pr. Selmo Pedro.

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas, Douglas Baptisda- Editora CPAD

EBD NA TV - Pr. Henrique, 99-99152-0454 WhatsApp, Min.Belém, SP - Canal YouTube @PrHenrique: Escrita Lição 12, CPAD, O Filho e o Espírito Santo, 1Tr26, Com. Extras do Pr Henrique, EBD NA TV Vídeo



sábado, 7 de março de 2026

LIÇÃO 11 - O PAI E O ESPÍRITO SANTO.

 

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II



                    TEXTO ÁUREO

"Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus." (Rm 8.14)


                   VERDADE PRÁTICA

O Espírito Santo nos liberta da escravidão do pecado, confirma nossa filiação em Cristo e nos conduz à herança eterna planejada pelo Pai.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Romanos 8. 12-17; Gálatas 4. 1-6



                    INTRODUÇÃO

Este estudo apresenta uma reflexão bíblica e teológica sobre a obra da Santíssima Trindade na salvação e na vida do cristão. A partir das Escrituras, o texto destaca a atuação conjunta do PAI, do FILHO e do ESPÍRITO SANTO no plano eterno de redenção. O PAI é revelado como a fonte amorosa da salvação, o FILHO como o Redentor que executa essa obra, e o ESPÍRITO SANTO como aquele que a aplica de forma viva e eficaz no coração do crente. Ao longo do texto, observa-se a transformação espiritual que ocorre quando o ser humano passa da escravidão do pecado para a filiação divina. Essa mudança envolve adoção, identidade, herança e uma nova forma de relacionamento com DEUS. O ESPÍRITO SANTO é apresentado como guia, consolador e agente da santificação diária. A caminhada cristã é descrita como um processo de libertação, amadurecimento e obediência à vontade do PAI. Por fim, o texto aponta para a esperança escatológica da herança eterna, enfatizando que a Trindade conduz os filhos de DEUS à plena comunhão e à vida eterna.

 Trata-se de uma transformação integral, pela qual o crente é conduzido do “espírito de escravidão” para o “espírito de adoção”, da condição de condenação para a comunhão com Deus e da concupiscência da carne para a participação na glória eterna. No presente capítulo, apresentam-se elementos doutrinários fundamentais para compreender a transição do homem da antiga vida sob o pecado e sob a lei para a nova vida na condição de filho adotivo em Cristo. Serão abordadas, em particular, as formas pelas quais o Pai e o Espírito Santo atuam em conjunto para garantir a adoção dos pecadores como filhos e coerdeiros da promessa divina, evidenciando a profundidade e a coerência da obra redentora trinitária.



            I.    O ESPÍRITO E AS DÁDIVAS DO PAI


1.    Da escravidão à filiação    -    Paulo expõe que “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23a). O “salário” (gr. opsoniori) era um termo militar que designava o pagamento dos serviços de um soldado. O resultado dessa servidão é a morte. Por sua vez, o “pecado” (gr. hamartía) não é apenas um ato isolado, mas um mal que escraviza (Rm 6.12-14). E a morte (gr. thánatos) tem um sentido abrangente: (i) morte espiritual (Ef 2.1); (ii) morte física (Gn 3.19; Hb 9.27); e (iii) morte eterna (Ap 20.14).

Segundo a Bíblia, a trajetória espiritual do ser humano é descrita como uma transição da escravidão (ao pecado/lei) para a filiação divina (adoção como filhos de DEUS), com direito à herança.

Essa doutrina é central na teologia paulina, especialmente em Gálatas e Romanos.

a). A Escravidão (O Estado Anterior)

Antes de CRISTO, a Bíblia descreve o ser humano como escravo de várias formas: Escravos do Pecado: João 8:34 declara: "Todo aquele que vive pecando é escravo do pecado".
Escravos da Lei/Rudimentos: Gálatas 4:3 refere-se a estar debaixo dos "rudimentos do mundo", um estado de menoridade, semelhante a um escravo que não tem posse real até a maioridade.
Medo: O "espírito de escravidão" gera medo, não intimidade (Romanos 8:15).

b). A Transição (A Obra de CRISTO)

A libertação ocorre através de JESUS CRISTO: Adoção: DEUS enviou seu FILHO para resgatar os que estavam debaixo da lei, para que recebessem a "adoção de filhos" (Gálatas 4:5).
O ESPÍRITO SANTO: Como prova dessa filiação, DEUS enviou o ESPÍRITO ao coração dos crentes, que clama "ABA, PAI" (Gálatas 4:6; Romanos 8:15).

c). A Filiação e Herança (O Estado Atual)

O resultado dessa mudança de status é transformador: "Já não és escravo, mas FILHO" (Gálatas 4:7): A identidade muda.
Herdeiro: Sendo FILHO, o crente se torna "herdeiro por DEUS" (Gálatas 4:7; Romanos 8:17).
Intimidade: A relação passa a ser de amor e confiança ("ABA, PAI"), não de medo servil (Romanos 8:15).

Em resumo: A Bíblia ensina que o sacrifício de JESUS nos tira da posição de servos temerosos sob condenação para a posição de filhos amados com plenos direitos na família de DEUS.


2.   Da rebeldia a filho legítimo    -    Antes da regeneração, todo pecador era espiritualmente idólatra e rebelde (1 Co 12.2). Henry descreve como “impelidos à mais grosseira idolatria [...] pela força de uma vã imaginação [...] Desgraça miserável da mente [...] Estado sombrio do paganismo”.1 Ferguson discorre que o principal agente da rebeldia é o Diabo ou Satanás, “cuja atividade começa com ações oponentes, consideradas próprias dele (Zc 3.1; Jd 9; Ap 12.10), mas logo se estende a atos, mais amplos, de assédio e tentação (1 Pe 5.8)”. Nessa condição de rebeldia e consequente queda, todas as áreas do ser humano foram afetadas. 

Segundo Armínio, “neste estado [caído] , o livre-arbítrio do homem para o que é bom não somente está ferido, aleijado, enfermo, distorcido e enfraquecido; ele também está aprisionado, destruído e perdido”. Todavia, por meio da graça, Deus capacita o homem para que responda com fé ao chamado do evangelho. Dessa forma, os seres humanos, influenciados pela graça que habilita a livre escolha, tornam-se livres para escolher. 

Deus proveu a salvação, mas ela se aplica somente àquele que crer (Rm 3.22). Assim sendo, por meio da graça, o pecador é transformado pelos méritos de Cristo, e o Espírito “testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16). O verbo “testificar” (gr. symmartyrás) indica um testemunho conjunto, não paralelo ou independente. O Espírito corrobora a certeza que brota da Palavra crida e da fé viva. Não é mera sugestão psicológica; é ato divino de confirmação que se dá no íntimo do crente (Rm 5.5). O termo “filhos” (gr. tekna) ressalta a filiação por geração espiritual (novo nascimento). 


3.    Das trevas à plenitude do Espírito    -    A Escritura emprega a metáfora das “trevas” para descrever a con dição de alienação do homem em relação ao Criador, marcada pelo pe cado, ignorância e escravidão. Aos Efésios Paulo recorda: “noutro tempo, éreis trevas, mas, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” (Ef 5.8). A expressão “éreis trevas” (gr. en skótos) não indica apenas que o homem estava em trevas, mas que sua natureza era trevas em si mesma, afastado de Deus (2 Co 4.4,6), depravado (At 26.18) e desesperado (Is 9.1,2).5 Contudo, o apóstolo acrescenta: “agora, sois luz no Senhor” (gr. nyn phõs en kyrios). A frase mostra a transformação operada por um ato gracioso do Pai (1 Pe 2.9). Essa transição é descrita como uma transferência “do império das trevas [...] para o reino do Filho do seu amor” (Cl 1.13, ARA). Contrastando com a escuridão, os filhos do Reino agora são luz, eles possuem conhecimento de Deus (SI 36.9), justiça e santidade (Ef 4.24), e a felicidade (SI 97.11; Is 9.1-7). Além disso, se tornaram também refletores dessa luz (Mt 5.14; Jo 8.12).


                II.     O ESPÍRITO NOS GUIA NA VONTADE DO PAI


1.     Os filhos são guiados pelo Espírito     -    Pohl enfatiza que “o Espírito guia, assim como um pastor conduz as suas ovelhas, e elas o seguem (Jo 10.3), ou como Deus conduziu o povo pelo deserto por meio de Moisés (SI 136.16), ou como Jesus naquele tempo ia adiante dos seus discípulos (Mc 10.32)”.8 Portanto, “ser guiado” não é primariamente direção para decisões circunstanciais, mas ser conduzido pelo Espírito em mortificação do pecado e vida santa, o sinal identitário dos adotados (cf. Rm 8.13). Significa que os filhos de Deus são instruídos pelo Espírito, no caminho do Pai, em todo o curso da vida Jo 16.13). Na Igreja Primitiva, sempre em conformidade com a Palavra, o Espírito orientou missões e deu pareceres (At 13.2; 15.28; 16.6-7). 

O Espírito também ilumina o entendimento para discernir e compreender a vontade do Pai (1 Co 2.12-16; Jo 16.13). O Espírito não contradiz à Escritura que Ele mesmo inspirou (2 Tm 3.16-17). Essa direção do Espírito se opõe à inclinação da carne e produz o fruto que forja o caráter cristão (G1 5.16-18,22-23). Ele aplica a vontade do Pai na distribuição de dons espirituais, ministeriais e de serviço (1 Co 12; Ef 2.10). Tal orientação é resultado da “habitação” do Espírito Santo no coração regenerado (Rm 8.9). 

Aqui, o verbo “habitar” (gr. oikeí] aponta para uma residência permanente, e não transitória. Diferente da antiga aliança, em que o Espírito repousava sobre os servos de Deus para tarefas específicas Jz 14.6; 1 Sm 16.13), agora, em Cristo, Ele faz morada constante no crente. Não apenas junto, mas habitando dentro de cada crente regenerado Jo 14.16-17). Allen enfatiza que “antes era o pecado que habitava, mas agora é o Espírito que habita e governa. A posse do Espírito é coisa essencial, e não acessória para o crente. Ninguém pertence a Cristo se não tem o Espírito de Cristo (cf. Jd 19)”.


2.     O Espírito opera a mortificação da carne     -     A Bíblia apresenta a mortificação da carne como um princípio da vida cristã: “se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis” (Rm 8.13). Nesse versículo, Paulo contrapõe dois regimes existenciais: “segundo a carne” (gr. kata sarka) e “segundo o espírito” (gr. kata pneuma). O termo “mortificardes” (gr. thanatóo) exprime a ideia de fazer morrer continuamente, sufocar algo até que perca sua força; trata-se de um processo, não de um ato isolado. Se isso não ocorrer, os que estão vivendo segundo o padrão da carne estão condenados à morte.  A expressão “obras do corpo” (gr. praxeis tou sõmatos) indica que Paulo não demoniza o corpo (que será vivificado, Rm 8.11), mas visa às práticas pecaminosas que se servem dele como palco de expressão. A cláusula condicional culmina em uma promessa, “vivereis” (gr. zêsesthe), o que implica vida presente e escatológica. Por conseguinte, o texto diz respeito à necessidade de o crente subjugar os desejos pecaminosos. E ratifica que é “pelo Espírito” que os filhos de Deus devem destruir os desditosos feitos do corpo. Ele é o agente divino que capacita o salvo a vencer a carne. Porém, o papel do crente não é ser passivo. A iniciativa e o poder são do Espírito; a resposta diligente é do crente (sinergismo). 


3.    O Espírito age conforme o plano do Pai    -      A frase “plenitude dos tempos” (gr. plírõma toü chrónou) marca o fim do período de tutela da lei. Stronstad ensina que “o plano pré-ordenado de Deus era que a lei ditasse o fundamento da moralidade até a vinda de Cristo. Jesus é o ponto focal da história mundial; Ele é o sustentáculo do qual depende a virada dos tempos”.11 O texto é teologicamente rico, pois evidencia que cada Pessoa da Trindade tem uma função específica e harmoniosa no plano eterno de Deus. O Pai enviou o Filho: a encarnação de Cristo ocorreu no tempo previamente estabelecido pelo Pai, dentro de sua soberania e sabedoria eterna (At 17.26). O Pai não apenas idealizou, mas também determinou o momento e as circunstâncias para que o plano redentivo se realizasse. O Filho executou a redenção: Cristo foi enviado “para remir” os pecadores (G1 4.5). O verbo grego exagorázõ (remir, resgatar) significa comprar de volta mediante pagamento. Segundo Wycliffe, “na antiga nação de Israel, a remissão era um instrumento para controlar a escravidão e a dívida pessoal (Dt 15.1-3,9; 31.10)”. O Espírito não apenas confirma a adoção, mas introduz o salvo à comunhão filial com o Pai (G1 4.6; Rm 8.15). Essa verdade revela que o Espírito não atua de forma autônoma ou independente, mas em perfeita harmonia com o plano do Pai e a obra do Filho (Jo 16.7-8). Em vista disso, reitera-se que o plano da redenção é obra do Pai que planeja, do Filho que executa e do Espírito que aplica. Essa verdade revela que a salvação é uma ação soberana do Deus Triúno.



                III.     A TRINDADE NOS CONDUZ À HERANÇA ETERNA


1.    Herdeiros de Deus por adoção    -    A singularidade da adoção

Muitas pessoas acabam confundindo a adoção com outros elementos do processo de salvação. Elas misturam especialmente os conceitos de regeneração, justificação e adoção. A regeneração é a ressurreição espiritual. A Bíblia chama a regeneração de novo nascimento. Saiba mais sobre o que é o novo nascimento.

A justificação é o ato jurídico em que Deus declara aquele que nasceu de novo, legalmente justo com base na justiça de Cristo. Leia também sobre a doutrina da justificação pela fé. Quanto a adoção, biblicamente ela pode ser entendida como o principal benefício da justificação. No entanto, ainda assim ela possui sua singularidade.

É a doutrina da adoção que revela de forma ainda mais clara a grandiosidade do amor de Deus. Ele nos ressuscitou quando estávamos mortos (regeneração). Declarou-nos justos sem que merecêssemos (justificação), e nos recebeu legalmente em sua família (adoção). A doutrina da adoção expressa a verdade de que Deus pegou aqueles que mereciam o inferno e os fez seus herdeiros (Romanos 8:7). Ele não apenas nos recebeu como justos, mas como seus filhos!
O fundamento da adoção

A adoção é uma bênção decretada por Deus. Isso significa que a adoção faz parte do decreto eterno de Deus. A Bíblia diz que desde a eternidade “Deus nos escolheu para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele, em amor Deus nos predestinou para ele, para adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Efésios 1:4-6).

Isso significa que a base da adoção não está em nós. Deus não nos escolheu porque éramos santos e irrepreensíveis, merecedores de sermos seus filhos. Ele nos escolheu para sermos santos e irrepreensíveis, e para que pela obra de Cristo e nossa união com Ele, pudéssemos ser seus filhos.

Os benefícios de sermos adotados por Deus

A adoção também confere uma série de benefícios. Os adotados por Deus desfrutam dos privilégios legais de serem seus filhos. Eles têm sobre si o nome de Deus (Apocalipse 7:3). Eles recebem o Espírito de adoção, e não de escravidão.

W. Hendriksen diz que adoção humana não é uma ilustração adequada da adoção divina. Os pais que adotam gostariam de transmitir algo de seu próprio caráter ao filho adotivo, mas nem sempre isso acontece. No entanto, quando Deus adota, Ele também implanta seu próprio Espírito no coração do filho adotivo, transformando-o em sua imagem e semelhança (Romanos 8:15).

Os que foram adotados por Deus têm acesso ao trono da graça, e clamam a Deus dizendo “Aba, Pai”. Conheça o significado da expressão “Aba, Pai”. Os adotados por Deus são por Ele instruídos, corrigidos, protegidos e preservados. Eles nunca serão lançados fora, nunca se tornaram bastardos, pois foram feitos herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo (Romanos 8:17).

Fomos adotados por Deus, mas nossa adoção alcançará sua plenitude quando também recebermos plenamente nossa herança em Cristo, no grande dia de sua vinda. Nossos corpos serão redimidos e reinaremos com Ele sobre toda a criação restaurada.

2.    Coerdeiros de Cristo por filiação    -    A Incrível Jornada: De Escravos a Filhos e Herdeiros

Filhos e herdeiros. Essa não é apenas uma frase bonita; é a realidade espiritual de todo aquele que crê em Jesus Cristo. Mas para entendermos a magnitude disso, precisamos voltar um pouco e entender de onde viemos. O apóstolo Paulo, escrevendo aos gálatas, usa uma ilustração poderosa que era comum no mundo antigo e que ainda faz todo sentido para nós hoje.

Imagine um menino, filho único de um homem muito rico. Esse menino é, por direito, o herdeiro de toda a fortuna do pai. Tecnicamente, ele é o dono de tudo. Mas, na prática, enquanto ele é uma criança, sua vida é muito diferente da vida de um dono. Ele não tem acesso livre aos bens, não pode tomar decisões importantes e vive sob a supervisão de tutores e curadores – pessoas contratadas para cuidar dele e administrar a herança até o tempo certo.

Paulo diz: “Digo, pois, que, todo o tempo em que o herdeiro é menino, em nada difere do servo, ainda que seja senhor de tudo. Mas está debaixo de tutores e curadores até ao tempo determinado pelo pai” (Gálatas 4:1-2).

A Nossa Condição Antes de Cristo: Meninos sob Tutela

E qual é a aplicação espiritual disso? Paulo é claro: “Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos primeiros rudimentos do mundo” (Gálatas 4:3).

Antes de conhecermos a Cristo, éramos como aquela criança. Estávamos debaixo de uma tutela, de um sistema que, embora tivesse seu propósito, não nos dava a liberdade e a intimidade de filhos. Para os judeus, esse “aio” ou “tutor” era a Lei de Moisés. Ela era santa e boa (Romanos 7:12), mas sua função era justamente mostrar ao homem o padrão de Deus e, ao mesmo tempo, revelar nossa incapacidade de cumpri-lo por nós mesmos. Ela nos conduzia, como um tutor conduz a criança à escola, até Cristo.

Para os gentios (não judeus), como a maioria de nós, essa servidão era ainda mais clara: era a escravidão à idolatria e aos rudimentos fracos e pobres deste mundo (Gálatas 4:9). Era uma vida de medo, de tentar agradar a deuses que não ouvem, de seguir regras vazias sem nenhuma relação verdadeira.

Em ambos os casos, a realidade era a mesma: servidão. Não éramos donos do nosso destino, mas escravos do pecado e da condenação.

A Virada de Chave: A Plenitude dos Tempos

Mas eis que a história muda! Deus não nos deixou para sempre nesse estado de menoridade espiritual. Paulo nos apresenta o momento mais crucial da história humana:

“Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (Gálatas 4:4-5).

Percebe a beleza disso? “A plenitude dos tempos”. Não foi um acidente. Não foi um plano B. Foi no tempo exato, determinado pela soberania perfeita de Deus. Quando tudo estava pronto – cultural, política e espiritualmente – Deus agiu.

Ele enviou o Seu próprio Filho, Jesus: Nascido de mulher: Ele se fez plenamente humano. Entende nossas dores, tentações e fraquezas (Hebreus 4:15).
Nascido sob a lei: Como judeu, Ele se submeteu plenamente à Lei de Moisés.
Para remir os que estavam debaixo da lei: A palavra remir significa “comprar de volta”, “resgatar”. Jesus, através de sua morte na cruz, pagou o preço para nos comprar do mercado de escravos do pecado e da Lei.

E qual era o objetivo final? Não era apenas nos tirar da escravidão. Era nos dar um novo status! “A fim de recebermos a adoção de filhos”. Deus não nos resgatou para sermos Seus empregados. Ele nos resgatou para nos tornarmos Seus filhos amados.

O Selo da Herança: O Espírito Santo em Nós

E como temos certeza de que isso é real? Como sabemos que não é apenas um conceito teológico bonito, mas uma realidade prática? Deus não nos deixou na dúvida. Ele nos deu um selo, uma garantia incontestável de nossa filiação e herança.

“E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” (Gálatas 4:6).

Este é, talvez, um dos versículos mais poderosos da Bíblia para o crente pentecostal. A prova de que somos filhos não é um documento, um ritual ou um sentimento. É a presença interna do Espírito Santo habitando em nós!
“Deus enviou”: É uma ação divina. O Espírito Santo não é uma conquista nossa; é um dom gratuito de Deus.
“Aos nossos corações”: Não é uma experiência externa, mas íntima e pessoal.
“O Espírito de seu Filho”: O mesmo Espírito que ungiu Jesus, que O ressuscitou dos mortos, agora vive em nós!
“Que clama: Aba, Pai”: “Aba” é uma palavra aramaica carinhosa, equivalente ao nosso “papai”, “paizinho”. É um clamor de intimidade, confiança e relacionamento que brota do nosso interior pelo Espírito.

Irmão, você já sentiu isso? Já sentiu, em momentos de oração, adoração ou até de profunda necessidade, um gemido inside, uma confiança que vai além das palavras, que sussurra “papai” para Deus? Esse é o Espírito Santo testificando com o seu espírito que você é um filho de Deus (Romanos 8:16). Essa é a garantia da sua herança.
A Declaração Final: De Servo a Herdeiro

Paulo então conclui com uma declaração triunfante, que deve ecoar em nossos corações todos os dias:

“Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo” (Gálatas 4:7).

Note a progressão:Já não és mais servo: A velha vida de escravidão ficou para trás. Você não está mais debaixo do jugo da Lei ou do pecado.
Mas filho: Esta é sua nova identidade. Relacionamento, intimidade, amor.
E herdeiro de Deus: Esta é sua nova posição. Tudo o que pertence ao Pai, pertence ao Filho (Jesus), e como co-herdeiros com Cristo (Romanos 8:17), nós também temos acesso a essa herança incalculável.

O que inclui essa herança? Inclui a vida eterna, a salvação, o perdão, a presença de Deus, o fruto do Espírito, a autoridade espiritual, e todas as promessas das Escrituras. Somos herdeiros do próprio Deus!

Os Perigos do Retrocesso: Agindo como Crianças

Paulo, porém, não para por aí. Ele adverte os gálatas sobre um perigo grave: o retrocesso. Após experimentarem essa liberdade gloriosa como filhos e herdeiros, alguns estavam voltando para a escravidão dos rudimentos fracos e pobres.

“Como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” (Gálatas 4:9).

Eles estavam trocando a intimidade com o Pai pela escravidão a regras religiosas: “Guardais dias, e meses, e tempos, e anos” (Gálatas 4:10). Estavam colocando-se novamente debaixo de um jugo pesado, observando calendários e festas judaicas como um meio de se tornarem aceitáveis para Deus.

Irmão, precisamos vigiar! O legalismo é um inimigo sorrateiro. Ele se disfarça de piedade, mas rouba a graça. Quantos hoje trocam a relação de filhos pela religião de servos? Acham que Deus ficará mais feliz se jejuarem mais, se orarem por mais horas, se cumprirem uma lista de proibições. Não entenda mal: a disciplina espiritual é importante! Mas a motivação é que é diferente.

O filho obedece por amor, para agradar ao Pai que já o aceitou.
O servo obedece por medo, para tentar ser aceito pelo patrão.

Qual tem sido a sua motivação?

Maturidade Exige Responsabilidade

Um herdeiro que atinge a maioridade não pode mais agir como criança. Ele assume responsabilidades. Da mesma forma, a maturidade espiritual exige de nós um comportamento diferenciado.Viver pela fé: Confiando na obra consumada de Cristo, não em nossos próprios esforços.
Andar no Espírito: Deixando que o Espírito Santo nos guie e produza seu fruto em nós (Gálatas 5:16, 22-23).
Desfrutar da liberdade em Cristo: Mas usando essa liberdade não como desculpa para pecar, e sim para servir uns aos outros em amor (Gálatas 5:13).

Um crente maduro entende que sua herança não é motivo de orgulho, mas de humilde gratidão e profunda responsabilidade de viver de maneira digna do Evangelho.
Conclusão: Aceite Sua Posição e Viva Como Herdeiro

Chegamos ao fim da nossa conversa, amigo. E o convite de Deus para você hoje é simples: Aceite o seu lugar à mesa.

Você não precisa mais viver como escravo, tentando conquistar o amor de um Deus que já o amou primeiro. Você não precisa carregar o fardo pesado da religião. Em Cristo, você já foi adotado. Você já é um filho. Você já é um herdeiro.

O Espírito Santo dentro de você clama “Aba, Pai”. Ele é a garantia de que isso é real. Então, levante-se hoje nessa autoridade. Viva a partir dessa verdade. Ore com a confiança de um filho que se achega ao Pai. Enfrente as batalhas com a certeza de que você é um herdeiro do Rei dos reis.

Que possamos, como a igreja de Gálatas, rejeitar qualquer doutrina que nos queira colocar outra vez debaixo do jugo da escravidão. E que, pela graça de Deus, vivamos cada dia na liberdade, na maturidade e na alegria de ser, de fato e de verdade, filhos e herdeiros de Deus.


3.    O Pai administra o tempo da herança     -      O apóstolo enfatiza que o Pai “determina o tempo” (gr. prothésmios) para a plena manifestação da herança (G1 4.2). O termo significa “colocado de antemão, apontado ou determinado anteriormente”.19 O Pai é que tem o controle do tempo oportuno e exato (gr. kairós) não só para o advento do Messias, mas também para a outorga das promessas e da herança eterna (Ec 3.1). Deus, em sua sabedoria, controla o período adequado para que cada promessa seja experimentada na vida dos herdeiros. Pohl enfatiza que “não foi o tempo que colocou Deus em movimento, porque os povos estivessem maduros ou uma lei numérica se manifestasse, mas foi Deus quem fez o tempo andar”.20 Por conseguinte, o crente não deve ansiar pelo cumprimento das promessas em seu próprio ritmo, mas reconhecer que o tempo de Deus é perfeito (Rm 8.28). A espera não é passiva; mas é um processo de aprendizado em que Deus prepara o coração e amadurece o herdeiro. A metáfora da tu tela também reforça a natureza progressiva da herança. Antes da maturidade, o herdeiro participa apenas parcialmente das promessas “até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.13). Portanto, o crente deve confiar que sua herança é administrada soberanamente pelo Pai. Ele sabe o tempo certo de conceder cada porção da sua promessa a cada um de seus filhos.




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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio A Santíssima Trindade - O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas, Douglas Baptisda- Editora CPAD

Por Que Fomos Adotados Por Deus? O Que é a Doutrina da Adoção?

Filhos e Herdeiros: Entenda Sua Herança em Cristo e Viva como um Filho Amado de Deus - Seitas