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sexta-feira, 17 de julho de 2026

LIÇÃO 04 - O ESPÍRITO QUE NOS GUIA PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                TEXTO ÁUREO

"De sorte que as igrejas eram confirmadas na fé e cada dia cresciam em número." (At 16.5)


               VERDADE PRÁTICA


O Espírito Santo não apenas guia o cristão em seus passos, mas também o impede de avançar quando isso não está em acordo com a vontade de Deus.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 16. 11-18; 25-31


                INTRODUÇÃO


O presente capítulo apresenta a ação soberana do Espírito Santo, que conduz Paulo e Silas à Macedônia, estabelecendo a primeira igreja cristã em solo europeu. A segunda viagem missionária de Paulo constitui um dos capítulos mais notáveis da história da Igreja Primitiva e do avanço do evangelho. Ela é um divisor de águas na história da vida cristã. Na sua narrativa, o livro de Atos demonstra a transição decisiva do cristianismo, que, até então, florescia entre os judeus para o mundo gentílico. Mediante a obediência dos servos de Deus e da direção do Espírito Santo, o evangelho rompe fronteiras culturais e geográficas, alcançando o continente europeu, a começar pela cidade de Filipos, principal cidade da Macedônia. 

O capítulo 13 de Atos marca uma grande virada na narrativa do livro. Até aqui, o foco estava principalmente em Jerusalém e na evangelização dos judeus. A partir daqui, a atenção volta-se para a missão entre os gentios, sendo transferida para Antioquia da Síria, onde havia nascido uma igreja marcada por forte ardor missionário. Os capítulos 13 a 28 descrevem a propagação do evangelho na extremidade oriental do mundo Mediterrâneo e em direção ao ocidente até Roma, a capital do Império Romano.

O texto de Atos 16–40, por sua vez, não narra apenas fatos históricos, mas também revela a dinâmica espiritual da missão: Deus direciona, abre corações, liberta oprimidos e salva famílias inteiras. Aqui encontramos o retrato da Igreja em ação: evangelizando, libertando e adorando mesmo em meio à perseguição. Essa passagem mostra que a expansão da Igreja é resultado direto da soberania de Deus e da fidelidade dos seus servos. Cada personagem — Lídia, a jovem possessa e o carcereiro — simboliza um aspecto do poder do evangelho que transforma todos os tipos de pessoas.

A expansão da Igreja, portanto, não é obra humana, e sim fruto da ação soberana de Deus, que guia os seus servos e transforma realidades. O Espírito Santo é o protagonista do livro de Atos, e as viagens missionárias de Paulo são um testemunho vivo de que a Igreja existe para ser missionária. A evangelização, o discipulado e o envio constituem a essência da identidade cristã.


                I.    LÍDIA: QUANDO O ESPÍRITO ABRE O CORAÇÃO E FUNDA UMA IGREJA


1.    A direção soberana do Espírito na segunda viagem missionária     -     O apóstolo Paulo era um homem de visões: “E Paulo teve de noite uma visão” (At 16.9; cf. 9.12; 18.9; 22.18; 26.19; 2 Co 12.1). Essas visões que Paulo teve eram, às vezes, para encorajar e, outras vezes — como aqui, por exemplo —, para dirigi-lo ao trabalho. Um anjo apresentou-se diante dele para dizer-lhe que era da vontade de Jesus que ele fosse à Macedônia. Disse-lhe também que não se deixasse abater pelos impedimentos e proibições que se lhe ocorriam repetidamente pelos quais as suas intenções eram interceptadas. Embora não fosse aonde queria ir, Paulo iria aonde Deus tinha trabalho para ele fazer.

A Deus não faltam maneiras para dirigir os seus filhos. Ele pode dirigi-los mesmo por meio de visões e por meio de sonhos (ver At 2.17). Apesar de ser durante a noite, Paulo foi dirigido por uma visão e não por sonho. Na visão, apresentou-se diante dele um varão da Macedônia. O apóstolo é chamado para ir lá por um varão da Macedônia, que fala em nome dos demais. O anjo não deve anunciar o evangelho aos macedônios, mas tem de levar Paulo a eles; nem deve, pela autoridade de um anjo, ordená-lo que vá, mas deve, na pessoa de um macedônio, solicitá-lo que venha. Esse macedônio honesto rogava-lhe, dizendo: “Passa a Macedônia e ajuda-nos!” (16.9).

Lucas, o autor de Atos, passa a empregar pela primeira vez a forma do verbo na primeira pessoa do plural, indicando que ele mesmo se ajuntara ao grupo de missionários:

“E logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho” (v. 10). A interpretação da visão que o apóstolo Paulo teve foi que eles estavam prontos para ir aonde quer que fossem dirigidos por Deus. Podemos concluir que Deus certamente nos chama quando somos chamados por alguém. Se o varão da Macedônia diz “Vem e ajuda-nos”, Paulo, então, conclui que Deus diz: “Vá e ajude-os”. 

Os ministros trabalham com grande alegria e ânimo quando percebem que foram chamados por Jesus Cristo não só para anunciar o evangelho, mas também para anunciá-lo naquele momento, naquele lugar e àquele povo. O maior dos apóstolos nem sempre esperava uma visão para descobrir o lugar onde devia trabalhar. Para ele, o fato de um campo não ter o evangelho era suficiente para entrar e iniciar a obra. E isso fazia se o Senhor permitisse-lhe ou não o impedisse (vv. 6,7).


2.    Fé sincera, sensibilidade espiritual e hospitalidade de Lídia     -     16:14-15/pelo menos uma dessas senhoras converteu-se, embora não necessariamente na primeira reunião. O tempo imperfeito do verbo "ouvir" no v. 14 sugere que ela ouviu os missionários mais de uma vez. Seu nome era Lídia, que também era o nome de seu país — conquanto este não tivesse independência, absorvido que fora pela província da Ásia. Lídia era da cidade de Tiatira. Uma das indústrias mais estáveis dessa cidade era a das tinturas, sendo dessa cidade que Lídia, a cidadã, talvez comprasse sua púrpura (v. 14). Era um comércio de luxo, pelo que essa senhora deve ter sido relativamente rica para poder trabalhar nessa área. 

Ela seria uma contribuinte, portanto, junto com muitos outros membros dessa igreja, que enviaram sustento pastoral a Paulo em várias ocasiões (Filipenses 4:10ss.; 2 Coríntios ll:18s.). Ela é descrita como pessoa que servia a Deus (v. 14, isto é, uma mulher temente a Deus; veja a nota sobre 6:5). Talvez ela tenha conhecido a doutrina judaica em Tiatira, visto que os judeus dessa cidade estavam envolvidos no comércio de tingimento de tecidos. Assim foi que o caminho para o evangelho lhe fora preparado de antemão. No entanto, Lucas atribui a prontidão de Lídia para que estivesse atenta ao que Paulo dizia (v. 14) a algo mais do que simples contexto ambiental. 

O Senhor lhe abriu o coração (v. 14; cp. Lucas 24:25; veja a disc. sobre 2:47). Isto sempre deve acontecer. Sem diminuir de modo algum a importância do arrependimento e fé, e a da pregação da fé em Cristo, não pode haver vida em Cristo sem o poder do Espírito Santo: "nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo" (1 Tessalonicenses 1:5; cp. Efésios 1:18). Todavia, Lucas o menciona agora talvez para mostrar que assim como Deus os havia chamado para sua obra, assim ele confirma esse chamado operando no meio deles (cp. 14:27). Todos haviam pregado às mulheres ("falamos às mulheres que ali se reuniram", v. 13), mas Lucas atribui a conversão de Lídia, no que concerne à instrumentalidade humana, à atuação de Paulo que, sem dúvida, era o principal preletor. Assim foi que Lídia se tornou crente fiel ao Senhor (v. 15). 

Ela e a sua casa, isto é, seu estabelecimento todo, o lar e o negócio empresarial, e foram batizados. É possível que Evódia e Síntique, e as demais senhoras de Filipenses 4:2s., estivessem nesse grupo (veja anota sobre 2:38 quanto ao batismo, e a nota sobre 10:48 quanto à inclusão da casa). Lídia expressou sua fé mediante boas obras (cp., p.e., 10:46; 19:6), persuadindo os visitantes a aceitarem sua hospitalidade durante o tempo em que permanecessem na cidade (veja a disc. sobre 9:6ss. quanto ao hábito de Lucas de mencionar os anfitriões de Paulo). Sem dúvida o nome dessa mulher veio a tornar-se o da primeira "igreja" em Filipos (a tradição a coloca no vilarejo que tomou o nome dela, não muito longe das ruínas de Filipos; veja a disc. sobre 14:27 e as notas). Alguns acham que ela teria sido o "meu leal companheiro de jugo" de Filipenses 4:3.


3.    A pregação em Filipos: simplicidade, graça e poder transformador    -      No sábado, o grupo saiu (saímos fora das portas, para a beira do rio) à procura de quaisquer judeus que lá teriam ido para cultuar a Deus. Pelo texto grego, eles simplesmente saíram "fora dos portões", mas entendemos que tais "portões" eram os da cidade, não aparecendo esse adendo em ECA. Todavia, é possível outro entendimento. Cerca de dois quilômetros a oeste da cidade, na via Ignácia, ficava uma arcada romana, hoje em ruínas; um pouco além corria o rio Gangites, tributário do Estrimão. A construção de uma arcada desse tipo com freqüência acompanhava a fundação de uma colônia, tendo a intenção de simbolizar ;i dignidade e privilégios da cidade. 

Poderia delimitar também opomerium, uma linha que englobava um espaço vazio, fora da cidade, dentro do qual não se permitiam edificações, sepultamentos, nem a realização de cerimônias religiosas estranhas. É possível, portanto, que os judeus tivessem sido forçados a realizar seus cultos e reuniões além desses limites, depois do portão. Foi aqui que os missionários esperavam encontrar um lugar para oração. No grego há apenas uma palavra, proseuche, que pode significar ou o ato de orar ou o lugar onde se ora; neste sentido, pode denotar um edifício (p.e., uma sinagoga). Entretanto, o emprego da palavra por Lucas, aqui, talvez signifique que não existia um edifício, apenas um lugar costumeiro de reunião ao ar livre. Quando os judeus eram obrigados a reunir-se desta forma, tão longe da cidade, faziam-no perto de um rio, ou do mar, de modo que ficasse mais fácil praticar as abluções cerimoniais; seria esse o caso em Filipos, segundo nos parece. 

Paulo e seus companheiros encontraram ali algumas mulheres — a ausência de homens poderia explicar a ausência de uma sinagoga, visto que pelo menos dez homens eram necessários para organizar-se uma sinagoga. Todos se assentaram (assentando-nos [essa era a postura usual durante a aula entre os judeus, embora neste caso possa significar apenas informalidade] e puseram-se a conversar [falamos às mulheres que ali se reuniram]). Se considerarmos a diminuta consideração que os antigos judeus tinham pelas mulheres como pessoas a quem se ministrariam aulas, lembramos de novo, em comparação, de como as mulheres assumem papel importante na história de Atos (veja a disc. sobre 1:14).


                II.      A LIBERTAÇÃO DA JOVEM POSSESSA E O CONFRONTO COM OS PODERES DAS TREVAS


1.   A expulsão de um espírito de adivinhação (Vv. 16-18)    -    As perseguições que Paulo sofreu vieram da parte dos judeus. Agora temos a primeira perseguição movida contra ele exclusivamente pelos gentios. Uma adivinha endemoninhada seguia Paulo e Silas clamando, maliciosamente ou sobrenaturalmente constrangida: “Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo”. Parece que Satanás, às vezes, empregava o truque do testemunho para causar empecilhos ao Evangelho. Leva alguns de seus agentes a se pronunciarem seguidores da obra evangelística. Seu objetivo é desacreditar o Evangelho, fazendo com que o povo em geral tenha péssima impressão dos cristãos. Se aquela pobre possessa tivesse continuado a gritar atrás de Paulo, todos teriam dito: “Aí vai uma das convertidas dele!” Isto não seria um elogio à obra de Paulo. O Senhor Jesus não convidava nem permitia a continuação do testemunho de demônios (ver Mc 1.23-25). Dias depois, Paulo já não aturava esta publicidade indesejável, e expulsou o demônio da mulher: “Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela”.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

LIÇÃO 03 - A GRAÇA QUE ALCANÇA TODAS AS NAÇÕES.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                TEXTO ÁUREO

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus." (Ef 2.8)


                VERDADE PRÁTICA

É pela graça que somos alcançados, perdoados e reconciliados com Deus.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 15. 1-5, 28, 29, 36-39



                        INTRODUÇÃO

À medida que cada vez mais crentes incircuncisos entravam na igreja, os temores dos cristãos judaizantes aumentaram, pois o Reino, rejeitado pela maioria dos judeus, estava sendo povoado rapidamente pelos convertidos entre os gentios. Isso parecia contrário às promessas e alianças especiais do Antigo Testamento, e os judaizantes começaram a fazer campanha a favor da circuncisão de todos os gentios convertidos para que pudessem pertencer à assembleia de Israel. Por outro lado, Paulo e Barnabé tinham sido favorecidos por revelações de Deus na sua convicção em uma nova época em que a igreja era universal e espiritual e de, forma nenhuma, poderiam sujeitar-se às exigências legalistas do judaísmo. 

“Tendo tido Paulo e Barnabé não pequena discussão e contenda contra eles” (At 15.2) 

De modo nenhum, os apóstolos concordaram com tal ensinamento; apresentaram-se e publicamente a rebateram. Eles defenderam que a salvação é pela graça, mediante a fé, sem as obras da Lei: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo” (Gl 2.16). A igreja da Fenícia tinha sido fundada por crentes que tinham fugido de Jerusalém (At 11.19); Samaria tinha sido evangelizada por Filipe (At 8.5). Em vez de ficarem alarmados com as notícias da conversão dos gentios, esses crentes expressaram grande alegria. Os crentes espirituais, que não são desencaminhados por sentimentos sectários, sempre se alegram ao saber de conversões (Fp 1.15-18). 

sábado, 4 de julho de 2026

LIÇÃO 02 - A PORTA DA FÉ SE ABRE ENTRE OS GENTIOS.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                    TEXTO ÁUREO

"Porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu te pus para luz dos gentios, para que sejas de salvação até aos confins da terra." (At 13.47)


                    VERDADE PRÁTICA

O propósito de Deus é que o Evangelho alcance todas as nações, revelando seu eterno desejo de salvar a todos.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 13. 44-52


                    INTRODUÇÃO


Tal como algumas outras revelações críticas relativas à missão dos gentios em Atos (c. 10:9, 31), esta revelação relativa à missão de Saulo e Barnabé ocorreu durante a oração – na verdade, uma oração concertada entre líderes espirituais e intelectuais de um movimento eclesial bem-sucedido. Além disso, embora Deus assuma a responsabilidade de chamar Barnabé e Saulo (para o chamado de Saulo, c. 9.15 16; 22.14-15; 26.16-18), o Espírito chama a liderança da igreja para compartilhar a responsabilidade de enviá-los. . Eles são “enviados” pelo Espírito (13:4), mas também por seus companheiros profetas e mestres que seguem o Espírito (13:3).

Excelente introdução! Você resumiu muito bem o itinerário da primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé. Esse trecho de Atos 13–14 é fundamental porque marca a transição da missão cristã: de um foco inicial nos judeus para uma abertura clara aos gentios.

📖 Alguns pontos importantes dessa viagem:

·        Antioquia da Síria: ponto de partida e base missionária da Igreja primitiva, mostrando que a comunidade estava organizada e sensível à direção do ESPÍRITO SANTO.

·        Chipre: primeira parada, onde Barnabé tinha raízes. Ali, o Evangelho alcançou tanto judeus quanto gentios, incluindo o procônsul Sérgio Paulo.

        Ásia Menor (Pisídia, Icônio, Listra, Derbe): cidades estratégicas, culturalmente diversas, onde Paulo enfrentou tanto receptividade quanto perseguição. Em Listra, por exemplo, foi confundido com um deus e depois apedrejado.

·        Mensagem central: a salvação em CRISTO não é exclusiva de Israel, mas destinada a todas as nações. O versículo que você citou (At 13.47) é a chave teológica dessa missão.

✨ Aplicação prática para hoje: Assim como Paulo e Barnabé obedeceram ao chamado de levar a luz de CRISTO “até os confins da terra”, nós também somos convidados a viver uma fé que ultrapassa fronteiras — culturais, sociais ou pessoais. O Evangelho continua sendo inclusivo e transformador, chamando-nos a ser testemunhas em nosso contexto.



                I.    A MISSÃO EM CHIPRE: A PRIMEIRA PORTA ABERTA ENTRE OS GENTIOS


1.    O envio missionário e o avanço da Palavra    -   O “envio pelo Espírito” remonta a 13:2–3, mas o restante de 13:4 aponta para a missão em Chipre de 13:5–12. Chipre é o lugar mais lógico para Barnabé e Saulo começarem (em vista de sua proximidade e conexões lá; c. os Onze em Jerusalém, 1:8; Lucas 24:47), e em Atos 13:5, a equipe começa em os lugares mais naturais de Chipre - nomeadamente, nas suas sinagogas. O significado de Barnabé e Saulo terem sido “enviados pelo Espírito Santo” (13:4) é bastante claro no contexto: eles oram comissionados por líderes orantes (13:3) que estavam obedecendo ao Espírito (13:2). ] 

A orientação sobre por onde começar, entretanto, era outra questão, e eles provavelmente prosseguiram inicialmente para o local mais lógico. Barnabé era originário de Chipre (4:36) e conhecia pessoas (ou teria contatos que os conheciam) que poderiam hospedá-los e convidá-los para alar em suas sinagogas (13:5). Embora Saulo e Barnabé trouxessem habilidades especiais, eles não trabalhariam em áreas totalmente não evangelizadas, como ariam mais tarde na Frígia; outros os precederam (11.19; c. 11.20). Além disso, até mesmo um tarsiano poderia ter ligações ali; Chipre tornou-se parte da província romana da Cilícia em 55 AEC, embora tenha se tornado uma província distinta em 27 AEC, talvez durante a vida do pai ou do avô de Paulo.

 Proclamar a Palavra de Deus com fidelidade significa anunciar e viver a mensagem bíblica de forma íntegra e verdadeira, sem distorções, como um “dispenseiro dos mistérios de Deus” (1 Co 4.1,2), que é responsável por entregar a mensagem sem acrescentar ou remover. Isso exige santidade na conduta, perseverança na fé e uma resposta pessoal e prática à fidelidade de Deus, que Ele demonstra não só através das suas promessas, mas também na forma como nos sustenta nas tentações, como ensina 1 Coríntios 10.13. 

Proclamar a Palavra de Deus com fidelidade significa comunicá-la de forma precisa e verdadeira, sem adulterações ou omissões, honrando a sua mensagem original (Mt 4.4; 2 Tm 3.16,17). A proclamação da Palavra de Deus exige preparo, reverência e fidelidade (Jr 23.28,29). Ela não se limita à pregação, mas estende-se ao testemunho de vida. Viver conforme os mandamentos de Deus e praticar a sua palavra — como, por exemplo, Maria fez ao acolher a palavra do anjo Gabriel — é um ato de fidelidade. Para proclamar com fidelidade, é preciso cultivar uma vida espiritual profunda mediante a oração e a contemplação, que proporciona a graça de doar-se ao próximo e cumprir a missão confiada por Deus. A missão em Chipre lembra-nos de que evangelizar exige movimento, planejamento e obediência à direção do Espírito Santo.

I. AVEGA DO DE SELEÚCIA (13:4) Os viajantes teriam descido o rio Orontes até Selêucia, no Mar Mediterraneo; Selêucia ficava a cerca de quinze milhas a oeste-sudoeste de Antioquia (um pouco menos em linha reta e um pouco mais, talvez dezesseis milhas, para um viajante), mas apenas cinco milhas ao norte de onde o Orontes desaguava no mar.  Seu ambiente mercantil proporcionou a Selêucia riqueza suficiente para que fosse fortemente fortificada, com templos caros e outras obras públicas (5.59.8). Na base da encosta da cidade, em terreno plano perto do mar, ficava o distrito comercial e um subúrbio fortemente fortificado (5.59.7).[155] A muralha da cidade, com mais de 11 quilômetros de extensão, cercava as partes superior e inerior da cidade.[156] Além desta área, o terreno da cidade pode não ter parecido hospitaleiro para os estrangeiros.


2.    O confronto com as trevas e a vitória do Evangelho    -    O governador da ilha, Sérgio Paulo, é descrito como “varão prudente”. Chamou a Barnabé e Saulo, porque desejava ouvir a palavra de Deus. Esta entrevista foi concedida em Pafos, capital da ilha. O procônsul romano tinha em sua companhia um impostor judeu que alegava possuir conhecimentos e poderes sobrenaturais. Isto não depõe contra a inteligência do procônsul. Sérgio Paulo, como muitos romanos, perdeu sua fé na brutal idolatria da tradicional religião romana. Ele tateava em sua busca de contato com o poder invisível que controla o destino dos homens.

E, como muitos, procurava tais conhecimentos através dos que alegavam possuir a mística sabedoria religiosa do Oriente (hoje pessoas cultas, decepcionadas com igrejas frias e nominais, procuram a religião através da Ciência Cristã, Teosofia e outras seitas místicas falsas, baseadas na filosofia pagã do Oriente). Um impulso induziu o governador a ter consigo o mágico judeu. Naturalmente o mesmo impulso o levou a mandar chamar os novos ensinadores. A terna sinceridade e poder espiritual dos apóstolos por certo estavam comovendo a cidade.

Elimas “se opôs” ou “resistiu” (ἀνθίστατο, talvez escolhido em parte por sua semelhança fonética com ἀνθύπατος, “procônsul”)[358] Paulo e Barnabé, mas Jesus havia prometido que seus inimigos não poderiam se opor a eles (Lucas 21:15), e Estêvão demonstrou esta vitória (Atos 6:10).[359] O leitor atento ao uso deste termo por Lucas esperará, portanto, que Elimas seja silenciado rapidamente (13:11). Ao tentar desviar alguém da é, Elimas era o tipo de pessoa através da qual surgiriam tropeços (Lucas 17:1-2), e ele estava imitando o papel de Satanás (c. 22:31-32; Atos 13:10). . O ato de ele ter procurado “desviar” o procônsul da é pode soar como se o governador á tivesse acreditado, mas no contexto sugere antes que ele estava tentando desviá-lo da crença na mensagem (Atos 13:12).[360] (Para “a é” como a mensagem cristã, vea 6:7; 14:22; 16:5; o contexto aqui se refere à mensagem que o governador estava procurando ouvir, 13:7.) Elimas sem dúvida esperava algum tipo de resposta, uma vez que a forma habitual de confronto incluía desafiar a honra de outra pessoa, seguida de uma tentativa de resposta, respondendo ao desafio. O vencedor seria decidido pelos ouvintes,[361] mas Elimas devia estar confiante de que, á tendo o ouvido do governador, teria sucesso.


3.    Confiando no poder transformador do Evangelho     -    O conflito prova ser não apenas uma competição acadêmica entre diferentes perspectivas religiosas, mas um confronto entre poderes espirituais: porque Paulo está “cheio do Espírito Santo” (13:9), ele é capaz de se opor a um “filho do diabo” ( 13:10). É neste momento crucial, disputando a é de um governador romano, que Paulo começa a usar seu nome romano. Se Lucas tem menos informações (ou menos interesse) sobre os ministérios cipriota e frígio de Paulo do que sobre grande parte do seu ministério posterior, este é, no entanto, um incidente demasiado dramático e, aparentemente, demasiado seminal para o futuro ministério de Paulo, para que ele o omita. 

Embora Paulo fosse provavelmente mais forte intelectualmente ou mais educado que Barnabé, [362] o ato de ele agir aqui em vez de Barnabé é atribuído apenas à atividade do Espírito[363] e pode estar relacionado ao seu chamado distinto para alcançar gentios e também Judeus. . O Espírito enviou Paulo e Barnabé nesta missão (13:2, 4); agora o Espírito capacita Paulo para enfrentar a oposição. [364] A próxima menção de serem cheios do Espírito descreve seus convertidos em outro local (13:52); o ministério do Espírito se multiplicou. O ato de Paulo “olhar atentamente” (ἀτενίσας) para Elimas reflete uma expressão favorita de Lucas (doze dos quatorze usos do NT), em duas outras ocasiões associada à operação de milagres (3:4; 14:9).

2. Castigo. Sob a inspiração do Espírito Santo e como agente de Deus (ver At 5.3-5), o apóstolo pronuncia a sentença do castigo divino: “Eis aí, pois, agora contra ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo”. E assim foi: “E no mesmo instante a escuridão e as trevas caíram sobre ele, e, andando à roda, buscava a quem o guiasse pela mão”. A expressão “por algum tempo” indica a misericordiosa limitação do castigo. Oferecendo, também, oportunidade para o arrependimento. Esperamos que, ao abrir os olhos físicos, os espirituais tenham contemplado o Sol da Justiça (ver também At 9.8). 

3. Convicção. “Então o procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado da doutrina do Senhor”. Este poder espiritual, tão surpreendente e irresistível, produziu profunda convicção na mente do governador. O incidente é uma ilustração de como o missionário conseguiu “obediência dos gentios, por palavra e por obras; pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus” (Rm 15.18,19).

O impacto do evangelho é intelectual, espiritual e prático.

 Impacto intelectual – A fé cristã desafia e transforma a maneira como pensamos, oferecendo um novo entendimento sobre Deus, o mundo e nós mesmos (Rm 12.2; 2 Co 10.5), incentivando a renovação da mente e a submissão dos pensamentos a Cristo, indicando que o evangelho opera uma transformação intelectual. 

Impacto espiritual – Promove uma transformação espiritual, ou seja, no interior do ser humano, por meio da graça de Deus, levando-o à conversão, ao crescimento espiritual e a uma nova vida em Cristo (2 Co 5.17). 

Impacto prático – Pode ser observado na transformação pessoal, como mudança de comportamento, promovendo uma vida mais justa, ética e altruísta. Nas relações interpessoais (familiares, amizades, comunidade). Na área social (prática da justiça social, compaixão pelos necessitados, na busca pelo bem comum). Quanto à nossa missão e 14 serviço ao próximo (partilha das Boas Novas de salvação, levando esperança e transformação a todas as pessoas) (Mt 7.24-27; Jo 13.34,35; ; Lc 11.27,28; Tg 2.14-26; 1 Jo 2.3-6).


            II.     A MISSÃO EM ANTIOQUIA DA PISÍDIA: O EVANGELHO QUE ILUMINA


1.      A exposição apostólica que revela Cristo nas Escrituras      -     A cidade cresceu em magnificência e funcionou como centro administrativo para o sul da Galácia; os habitantes podem muito bem ter se vangloriado do status de sua cidade honrada (c. Atos 13:50).[610] Em meados do primeiro século EC, os visitantes podiam comparar a arquitetura e as esculturas da cidade com as de Roma; o mais impressionante oi o templo de Augusto na praça da cidade. Um portal de três arcos (um propileu) ligava a colunata “Rua Tibério” (Tiberia Platea) com uma escada que conduzia à praça principal, concluída provavelmente logo após a chegada de Paulo. O rico e elaboradamente decorado templo de Augusto ficava na extremidade leste da praça. Um dos fóruns da cidade recebeu o nome de Augusto e o outro de Tibério.[613] A casa de banhos, o teatro e outros locais oram escavados.[614] A rua principal, que corria de norte a sul, abria-se no extremo norte para uma ampla área que eventualmente abrigou um edifício de fonte pública, construído talvez algumas décadas depois da visita de Paulo.

(7) Religião em Antioquia 

Embora os residentes de Antioquia adorassem múltiplas divindades (c. Gálatas 4:8-10), dois objetos de adoração dominavam completamente a sua atenção.[637] Primeiro, era um amoso centro de adoração ao deus Mēn, a divindade padroeira da cidade; originalmente tinha seu próprio sacerdócio de Mēn Askaēnos, mas este oi destruído (Estrabão 12.8.14); um templo de outro Mēn permaneceu em território antioqueno (12.3.31).[638] Nos dias de Paulo, dois templos helenísticos ficavam dentro do recinto sagrado de Mēn (perto do templo imperial); centenas de dedicatórias de culto a Mēn Askaēnos oram recuperadas lá.   Na época de Paulo, porém, o local de culto que dominava o centro urbano de Antioquia era, como observado acima, um santuário imperial.[647] Os colonos romanos trouxeram outros cultos romanos, mas nenhum se comparava ao culto de Augusto e sua família; Augusto oi homenageado como o “fundador” da colônia.[648] O culto imperial, com suas celebrações cívicas em dias e meses especiais (c. Gl 4,10), regulou grande parte da vida pública em Antioquia, tornando os compromissos incompatíveis dos monoteístas anicônicos inescapavelmente óbvio.[649] Antioquia da Pisídia era uma colônia romana, orgulhosa do status romano que esta honra conferia aos seus próprios cidadãos (ver comentário em Atos 13:14). Isto significava que a maioria dos seus cidadãos também estariam ansiosos por demonstrar a sua lealdade no templo imperial da cidade. O templo imperial era tão grande que Paulo o teria visto quilômetros antes de chegar à colônia enquanto viajava pela Via Sebaste.[650] Um “templo de pódio e um propileno” constituíam o oco do santuário; esculturas comemorando os triunos de Augusto decoravam o edifício, “datadas de 2–1 aC”. [651] Tibério iniciou o proeto de construção, e provavelmente ainda estava em andamento sob Caio e no início do reinado de Cláudio e, portanto, apenas recentemente concluído (se ainda concluído) quando Paulo chegou.[652] Os sacerdócios romanos de Antioquia começaram na fundação de Antioquia ou no primeiro século EC, e depois persistiram por séculos.


O texto não indica como as autoridades reconheceram Paulo e Barnabé como potenciais oradores. Vários atores são possíveis. Primeiro, numa cidade com uma comunidade judaica de tamanho limitado, a chegada de dois judeus de ora da cidade à sinagoga seria reconhecida, o que poderia ter levado a uma investigação sobre a sua profissão ou formação. O treinamento de Paulo em Jerusalém (22:3) teria eito dele um candidato excepcional para orador convidado nesta comunidade judaica relativamente remota.

 Em segundo lugar, alguns estudiosos sugerem que os professores, tanto judeus quanto gentios, usavam roupas especiais que indicavam seu status,[678] embora não esteja claro se Paulo e Barnabé usavam tais roupas.[679] 

Terceiro, não há nenhuma sugestão neste versículo de que Paulo e Barnabé chegaram à cidade no sábado (quando, presumivelmente, estariam descansando em vez de viajando, especialmente se desejassem ser ouvidos nas sinagogas locais). Se á tivessem chegado, provavelmente á teriam eito contato com a comunidade da sinagoga e seriam alojados com um colega judeu, em vez de numa pousada (c. 17.5; ver comentário em Atos 16.15). A sua entrada na sinagoga parece ser no primeiro sábado após a sua chegada, e agora provavelmente á começaram a fazer contactos e são conhecidos por serem da “Terra Santa” e bem versados na Torá.

 Quarto, Paulo e Barnabé poderiam ter oferecido sua disponibilidade de antemão; Afinal de contas, Lucas não está fornecendo um relato passo a passo. Finalmente, Barnabé era um levita (4:36), e se isso fosse conhecido ele poderia ter sido convidado, optando por submeter-se a Paulo como melhor orador (14:12).[680] A tradição posterior, provavelmente refletindo preferências mais gerais, especificou que aqueles que convocavam leitores deveriam dar primeira preferência aos sacerdotes e depois aos levitas.[681] Mesmo além de Barnabé ser um levita (talvez unto com alguns membros regulares), tais práticas podem ilustrar a tendência de submeter-se àqueles que se espera que conheçam melhor a lei.

O resumo de Lucas do testemunho de João (13:25) começa com uma importante pergunta retórica (τί ἐμὲ ὑπονοεῖτε εἶναι;)[832] não contada nas perguntas do Evangelho sobre a identidade de João (Lucas 3:15–16; c. João 1:19– 23) e talvez modelado (consciente ou inconscientemente) após a pergunta de Jesus sobre sua identidade (Lucas 9:20, τίνα με λέγετε εἶναι;) para sublinhar o contraste entre as duas figuras. A submissão de João ao papel de Jesus não é simplesmente um adiamento educado[833], mas antes um reconhecimento da superioridade de Jesus.[834] A proclamação da vinda de João[835] também revela a sua submissão. As tarefas mais servis desempenhadas por um empregado doméstico diziam respeito aos pés do patrão, por exemplo, lavar os pés.[836] Da mesma forma, os servos carregavam sandálias para seus senhores ou desabotoavam as tiras das sandálias;[837] pessoas de status esperavam que outros tirassem suas sandálias[838] ou tivessem escravos para calçá-las. [839] Os mais ricos podem trazer um escravo para substituir seus sapatos de uso externo por sapatos de casa durante a refeição.[840] (Para mais informações sobre sapatos e sandálias antigas, veja o comentário em Atos 12:8.) Lidar com os pés era a única atividade servil que era muito humilhante para os discípulos judeus realizarem para seus professores.[841] Em outros aspectos, os professores antigos muitas vezes esperavam que os discípulos funcionassem como servos,[842] mas a única ressalva dos rabinos posteriores foi que, ao contrário dos escravos, os discípulos não cuidavam das sandálias do professor. [843] João está, portanto, afirmando ser indigno de ser servo daquele que vem. Esta é uma afirmação cristológica bastante notável quando consideramos que a Bíblia Hebraica e a tradição posterior chamam regularmente os profetas israelitas de “escravos de Deus”,[844] aplicando também o título a David,[845] Moisés,[846] aos patriarcas,[ 847] e Israel como um todo;[848] outros ouvintes antigos também teriam recebido a imagem de ser escravo de Deus como alguém de grande honra.[849] Em contraste, o profeta João aqui afirma que é indigno de ser escravo de Cristo. 

 PERDÃO ATRAVÉS DA FÉ (13:38–39)

 Depois de provar que a ressurreição de Jesus cumpre as Escrituras (e antes de notar que a rejeição da mensagem por parte dos seus ouvintes também poderia cumprir as Escrituras), Paulo ala do perdão através da é. Aqui, também, Paulo presumivelmente se baseou nas Escrituras (como Gênesis 15:6 [Romanos 4:3; Gálatas 3:6; também Tg 2:23; 1 Clem. 10.6; Cel. 13.7]; ou especialmente Hab 2:4 [c. Rm 1:17; Gl 3:7; também Hb 10:38], no próprio contexto do versículo de Habacuque citado em Atos 13:41), mas é omitido no resumo de Lucas. “Portanto” em Atos 13:38 pode conectar o perdão com a esperança da ressurreição, ligando a esperança futura dos crentes com a ressurreição/vindicação de Jesus (13:33, 35). (“Conhecei, pois” é a linguagem convencional na exortação.)[923] O contexto de Is 55:3 (citado em Atos 13:34) pode sugerir outras conexões omitidas no relato mais resumido de Lucas; Deus perdoará aqueles que se voltam para ele (Is 55,7).[924] O perdão azia, portanto, parte da promessa complexa: a promessa davídica de um Salvador (Atos 13:23); a mensagem de salvação nos profetas (13:26 27), conforme evidenciado pelo contexto de, por exemplo, Isaías 55 (parte da qual oi citada em Atos 13:34); e a promessa aos antepassados (Atos 13:32). A prometida restauração escatológica de Israel ao favor de Deus estava agora disponível através do evento escatológico da ressurreição de Jesus. (O perdão pregado aqui é a salvação pregada em 13:26, 32.) Assim, enquadra-se tanto no seu contexto lucano como no contexto dos textos mencionados mas não desenvolvidos por Lucas (o que poderia implicar uma fonte mais completa), levantando novamente a questão da até que ponto o discurso reflete a linguagem lucana e/ou paulina.

 ADVERTÊNCIA CONTRA A INCREDULIDADE (13:40-41) 

Um apelo para continuar ouvindo (Atos 13:40) era uma boa forma retórica (por exemplo, Cic. Verr. 2.3.5.10; ver comentário em Atos 2:22). Assim como as advertências dos profetas sobre a refeição de Jesus oram cumpridas pelos líderes de Jerusalém que não as entendiam (Atos 13:27), os ouvintes de Paulo deveriam tomar cuidado para que outras advertências proféticas não fossem cumpridas por eles. Esta passagem ilustra a interação entre o plano soberano de Deus e a responsabilidade humana; alguém cometerá a má ação, mas deve-se tomar cuidado para que não seja você mesmo (c. especialmente Lucas 17:1; 22:22; talvez 21:21–22). Lucas usa regularmente a rase comum “os profetas” (Atos 13:40; em outros lugares, por exemplo, Lucas 16:29, 31; 18:31; 24:25, 27, 44; Atos 3:18, 24), mas o termo é certamente apropriado aqui, pois ele cita o rolo dos profetas, os doze profetas “menores” formando um único livro (c. At 7,42; 15,15).[1063] Embora não fosse incomum passar da Torá para os profetas (como em Atos 7:42-50), a localização desta citação no final (13:41) não deveria nos induzir a subestimar seu significado para o discurso. Pode funcionar como um gnomo de fechamento, o que era comum em discursos.[1064] Às vezes, os textos centrais mais significativos apareciam no final de uma homilia, como acontece com todas as homilias em Pesiq. Rab Kah. 16, a maioria dos quais conclui com Is 40:1 (quer tenham sido citados anteriormente ou não).


2.    A rejeição dos judeus e a tristeza de Paulo diante da incredulidade (At 13. 44-45)     -   A grande tristeza e contínua dor no coração que Paulo sentia (At 9.2) devia-se à condição espiritual dos judeus que, pela dureza do coração, continuavam separados de Deus e distantes da salvação. Eles não reconheciam que as Escrituras tiveram o seu cumprimento no Senhor Jesus e que Ele era o Messias anunciado pelos profetas e, por essa razão, rejeitaram-no. A tristeza de Paulo por causa da incredulidade dos judeus encontra-se em Romanos 9.1 5. Nesse texto, Paulo declara a sua imensa tristeza e angústia constante pelo sofrimento do seu povo, os israelitas, que rejeitaram o Messias e a salvação oferecida por Deus. 

Essa dor contínua que Paulo trazia na sua alma por causa dessa situação era tão profunda que ele chegou a dizer que poderia desejar ser maldito (separado do Salvador) por amor a eles, enfatizando o sofrimento que ele sentia se isso tivesse algum proveito para livrar o seu povo da destruição. Obviamente que ele sabia que isso não teria nenhum valor, pois a salvação é individual, mas o que ele quis demonstrar era o seu grande desejo de ver os seus compatriotas salvos. O verdadeiro homem de Deus sofre ao ver as pessoas rejeitarem a salvação, pois sabe do terrível sofrimento que as aguarda. O seu sonho de salvar almas é tão grande, que ele abre mão de tudo para dedicar-se à obra do Senhor.

 ADVERTÊNCIA CONTRA A INCREDULIDADE (13:40-41) 

Um apelo para continuar ouvindo (Atos 13:40) era uma boa forma retórica (por exemplo, Cic. Verr. 2.3.5.10; ver comentário em Atos 2:22). Assim como as advertências dos profetas sobre a refeição de Jesus oram cumpridas pelos líderes de Jerusalém que não as entendiam (Atos 13:27), os ouvintes de Paulo deveriam tomar cuidado para que outras advertências proféticas não fossem cumpridas por eles. Esta passagem ilustra a interação entre o plano soberano de Deus e a responsabilidade humana; alguém cometerá a má ação, mas deve-se tomar cuidado para que não seja você mesmo (c. especialmente Lucas 17:1; 22:22; talvez 21:21–22).

 Lucas usa regularmente a rase comum “os profetas” (Atos 13:40; em outros lugares, por exemplo, Lucas 16:29, 31; 18:31; 24:25, 27, 44; Atos 3:18, 24), mas o termo é certamente apropriado aqui, pois ele cita o rolo dos profetas, os doze profetas “menores” formando um único livro (c. At 7,42; 15,15).[1063] Embora não fosse incomum passar da Torá para os profetas (como em Atos 7:42-50), a localização desta citação no final (13:41) não deveria nos induzir a subestimar seu significado para o discurso. Pode funcionar como um gnomo de fechamento, o que era comum em discursos.[1064] Às vezes, os textos centrais mais significativos apareciam no final de uma homilia, como acontece com todas as homilias em Pesiq. Rab Kah. 16, a maioria dos quais conclui com Is 40:1 (quer tenham sido citados anteriormente ou não).


3.    A porta da fé aberta aos gentios pela graça de Deus (At 13. 46-49)     -       Quando os gentios que a sinagoga não havia alcançado responderam agora à mensagem de Paulo (13:44), aparentemente porque ele exigia apenas é no Deus de Israel, sem conversão total à cultura e etnia judaica (13:38-39), grande parte da sinagoga respondeu com hostilidade (13:45). Paulo então se voltou para os gentios (13:46-47), para a alegria dos gentios (13:48) e para o aborrecimento adicional do povo judeu local de influência (13:50).  

A hostilidade de alguns membros da sinagoga aqui (13:45) estabelece um padrão para grande parte do ministério público subsequente de Paulo (o próprio testemunho de Paulo deixa aberta a possibilidade de que ele tenha enrentado tais conflitos mesmo antes deste ponto histórico, 2 Coríntios 11:24). O ciúme era um motivo comum para atribuir aos inimigos (por exemplo, Jos. Ag. Ap. 1.213, 222, 225; ver comentário em Atos 5:17), e Lucas às vezes o atribui aos líderes judeus como a causa de sua hostilidade ( Atos 5:17, que emprega a rase idêntica ἐπλήσθησαν ζήλου 17:5), seguindo o padrão da rejeição de José pelos patriarcas nas Escrituras (7:9). Para ἀντιλέγω, veja também Lucas 2:34; 20:27; Atos 28:19, 22, em cada caso com pessoas falando contra a verdade.[1092] O ato de Paulo ter questionadores não é de todo surpreendente; os desafiantes frequentemente incomodavam os oradores durante seus discursos. [1093] O motivo do ciúme neste caso não seria difícil de compreender. 

Estranhos - oferecendo é a toda a comunidade gentia local em termos que teriam parecido "baratos" para os judeus tradicionais que trabalharam entre eles [1094] - teriam parecido tratar levianamente, em nome e por meio de sua sinagoga, os tradicionais Os próprios anos de trabalho dos judeus como uma comunidade minoritária.[1095] Provavelmente consideravam os recém-chegados como violadores da sua hospitalidade, exigindo conformidade com novas crenças e provocando problemas.[1096] A perspectiva que se assume sobre o comportamento dos apóstolos aqui dependerá em grande parte da cristologia da pessoa. Mais importante, porém, teria sido a atenção imediata dos simpatizantes gentios que requentavam a sinagoga ao novo ensino.

 Os tementes a Deus podem ter tido um status social mais elevado com mais frequência do que os prosélitos, porque as pessoas de status tinham mais a perder com a conversão total.[1097] A sua presença nas sinagogas mostrava a sua atracção pela ética judaica e pelo monoteísmo e a sua vontade de questionar a sua própria herança religiosa. Ser acolhido como membros de primeira classe desta é, sem ter que se submeter à circuncisão e renunciar à sua própria identidade étnica, deve ter sido especialmente atraente para estes simpatizantes, ajudando a explicar a sua rápida conversão à é cristã.

[1098] O que atraiu os gentios, no entanto, poderia revelar-se ofensivo para os constituintes de base da sinagoga.[1099] Além disso, muitos destes aderentes gentios, embora incapazes de serem membros plenos da sinagoga, eram benfeitores cuja transferência de apoio (se a própria comunidade da sinagoga rejeitasse a mensagem apostólica) provocaria oposição (c. Atos 13:45, 50; 17: 12).[1100] Os gentios que á haviam dado o passo da conversão total (para os homens, incluindo a circuncisão)[1101] também podem não ter ficado satisfeitos com um padrão mais novo e “inferior” para outros gentios. Possivelmente os membros de status mais elevado da sinagoga (13:15) ou esses tementes a Deus de status elevado oram capazes de incitar outros com status contra os estranhos (13:50).



                III.      A MISSÃO EM ICÔNIO, LISTRA E DERBE: A FÉ QUE PERSEVERA


1.     Icônio: O testemunho ousado que enfrenta oposição (At 14.1-7)     -     Política e Local de Icônio (13:51) 

Augusto fundou uma colônia em Icônio, distinta e ao lado da polis grega, muito antes dos dias de Paulo. [1219] A polis grega Icônio recebeu o título de “Claudiconium”, talvez em algum momento do reinado de Cláudio;[1220] alguns estudiosos sugeriram que ela alcançou o cobiçado status de colônia romana nesta época (o que teria apresentado uma questão de interesse cívico imediato). orgulho), mas oi mais provável durante a refundação da cidade no reinado de Adriano (117-38 d.C.).[1221] (O status colonial á havia diminuído; Icônio tornou-se uma colônia completa sem qualquer influxo de romanos.) [1222] De qualquer forma, Icônio oi significativo, especialmente entre as cidades locais. Plínio, o Velho, chamou-a de urbs celeberrima, a cidade mais célebre dos Licaônios (NH 5.25.95).[1223] Sabe-se que Icônio incluía um teatro, patrocinado por patrocínio local e imperial na primeira metade do primeiro século EC. [1224] Um centro proeminente pelo menos desde o século IV a.C., a cidade “era claramente uma comunidade importante e presumivelmente agia como um centro político e económico para o sudeste da Frígia”. [1225] A sua zona rural fértil foi facilmente dividida “em lotes coloniais”. .”[1226] A população de Icônio era distinta das comunidades rurais do distrito, embora algumas delas também estivessem crescendo neste período.[1227] Estrabão observa que seu território ostentava recursos naturais muito superiores aos do resto da Licaônia; o rei da Gálata á manteve ali mais de trezentos rebanhos (Estrabão 12.6.1). Isentando explicitamente Icônio, Estrabão afirma que grande parte do resto da região dos “planaltos dos Licaônios” era “ria, desprovida de árvores e pastada por burros selvagens”, com pouca água e (onde havia água) a região mais profunda do mundo. poços para obtê-lo. Mesmo assim, o país produziu ovelhas suficientes para enriquecer alguns, “mas a lã é grosseira” (12.6.1 [LCL, 5:473–75]). Os romanos expulsaram ladrões e piratas da Licaônia e assim colocaram a terra sob controle romano (12.6.2). Sendo o cruzamento de várias estradas (incluindo a Via Sebaste e uma estrada de Éfeso), teve grande importância.[1228] Suas vantagens locais podem ter subido ao seu auge: ela se considerava a mais antiga das cidades, até mesmo pré-diluviana.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

LIÇÃO 01 - O CHAMADO PARA OS GENTIOS.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                    TEXTO ÁUREO

"E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o  Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a oba a que os tenho chamado." (At 13.2)


                VERDADE PRÁTICA

Quando a igreja ouve o Espírito, o evangelho avança e vidas são alcançadas para a glória de Deus.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 13. 1-12


                    INTRODUÇÃO


A história da chamada missionária de Barnabé e Saulo, registrada em Atos 13:2–3, é um marco na expansão da Igreja primitiva. Até então, o Evangelho havia se espalhado principalmente entre os judeus e alguns gentios próximos (Filipe em Samaria – Atos 8:4-8, 26-39, Pedro na casa de Cornélio - Atos 10 e pregações esporádicas de alguns gregos - At 11.20 -  e de Paulo). Mas em Antioquia, uma comunidade multicultural e fervorosa, o ESPÍRITO SANTO revelou um novo passo: -Atos 13 - separar Barnabé e Saulo para uma obra missionária que ultrapassaria fronteiras culturais e geográficas.

Esse episódio nos mostra que a missão não nasce de projetos humanos, mas da iniciativa divina. DEUS chama, a igreja confirma e envia, e os obreiros obedecem. É um modelo que continua válido até hoje. A oração e o jejum foram o ambiente em que o ESPÍRITO falou; a imposição de mãos simbolizou o reconhecimento e apoio comunitário; e a obediência dos missionários abriu caminho para que o Evangelho chegasse até nós.

Assim, estudar essa chamada é mais do que olhar para o passado: é compreender como DEUS continua levantando homens e mulheres para cumprir Sua obra. É também um convite para cada cristão refletir sobre seu papel na missão — indo, sustentando e intercedendo.

 O apóstolo Paulo foi divinamente comissionado para ser o principal evangelizador dos povos não judeus (gentios). Essa missão de levar o Evangelho a todas as nações define seu ministério e é amplamente documentada nos livros de Atos dos Apóstolos e em suas próprias cartas.

Referências Principais:

O Chamado Divino: Logo após sua conversão, DEUS revela sua missão a Ananias: "Vai, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome perante os gentios..." (Atos 9:15).

A Confirmação do Apostolado: Paulo relata que Tiago, Pedro e João reconheceram seu chamado específico: "viram que a mim me havia sido confiada a pregação do evangelho aos incircuncisos", ou seja, aos gentios (Gálatas 2:7).

O "Apóstolo dos Gentios": Em Romanos, ele ratifica seu título: "Porque convosco falo, gentios! Visto que eu sou apóstolo dos gentios, glorifico o meu ministério" (Romanos 11:13).

O Mistério Revelado: Ele explica aos efésios que a graça lhe foi dada para anunciar aos gentios "as insondáveis riquezas de CRISTO" (Efésios 3:8).

Justificativa Profética: Em Atos 13:46-47, Paulo e Barnabé explicam aos judeus que, devido à rejeição deles à mensagem, eles se voltariam para os gentios, citando a ordem de DEUS: "Eu te pus para luz dos gentios, para que sejas para salvação até os confins da terra".



                I.     O NASCIMENTO DA MISSÃO GENTÍLICA


1.    Antíoquia: um centro escolhido por Deus   (V. 1)   -     Antioquia da Síria estava situada na extremidade norte da Síria, em frente à Ásia Menor e Europa, na margem do rio Oronte, 50 quilômetros distante do mar e a 500 quilômetros de Jerusalém. Não se sabe ao certo quão grande era a cidade nos dias de Paulo, mas, com base na informação dada por Crisóstomo, deve ter contado com uma população de cerca de 800 mil habitantes. Antioquia da Síria, local do nascimento da missão gentílica, tornou-se a base principal da evangelização aos gentios, o centro de partida da missão de penetração no mundo (a última parte da comissão de Jesus em At 1.8). 

Essa cidade tornou-se como o quartel-general das viagens missionárias de Paulo e Barnabé, servindo como um ponto de partida para a expansão do evangelho. Antioquia da Síria é muito importante na história inicial da Igreja. Nicolau, um dos primeiros diáconos, era um prosélito de Antioquia (At 6.5). Durante as perseguições que se seguiram após o apedrejamento de Estêvão, muitos cristãos de Jerusalém fugiram para Antioquia, onde pregaram para judeus que falavam grego (helenistas) e para os gregos (helenos). 

Barnabé forneceu grandes laços de amizade entre a congregação de Antioquia e a igreja-mãe em Jerusalém (At 11.22-30), assegurou os serviços de Paulo a eles como ensinador (At 11.25,26) e em companhia de Paulo levou o dinheiro da oferta de ajuda para Jerusalém (At 11.27-30). Na igreja antiga, Antioquia era famosa por causa de Inácio, o bispo mártir, aproximadamente 110 d.C., e pela sua escola e grandes ensinadores. A história da igreja em Antioquia, a igreja-mãe entre os gentios, tinha uma distinção de que desfrutava durante muitos anos. Um dos seus bispos mais ilustres foi João Crisóstomo, grande escritor de comentários bíblicos, que exerceu notável influência sobre o desenvolvimento doutrinário da igreja cristã.


2.    Profetas e doutores servindo ao Senhor   (Vv. 1,2)    -    Os profetas eram considerados logo depois dos apóstolos, e os doutores ou mestres ocupavam o terceiro lugar (1 Co 12.28). Depois que a função de apóstolos terminou, os profetas e doutores passaram a constituir os dois principais grupos de obreiros da igreja dignos de receber apoio, como mostra a Didaquê (c.13), do segundo século. A função dos profetas era essencialmente hortatória (do latim hortari, que significa “incentivar” ou “encorajar”), ao passo que a função de mestres era essencialmente didática.

 Os dois ministérios não eram necessariamente idênticos, embora o ofício mais elevado de profecia comumente incluísse o ofício do ensino. O ofício de profeta subentende uma mensagem diretamente recebida de Deus, proveniente do Espírito Santo. O ofício de mestre implica em uma instrução mais sistemática, em que a razão e a reflexão desempenham o seu devido papel. A gramática grega, nesse ponto, ao utilizar-se do duplo te, dá-nos a entender que havia três profetas (Barnabé, Simeão e Lúcio), ao passo que os dois outros eram mestres (Manaém e Saulo)

Barnabé e Paulo tinham sido os principais professores na igreja de Antioquia (At 11.26). O Espírito Santo selecionou ambos como os seus primeiros missionários. Barnabé, provavelmente com 55 anos, tinha sido um rico proprietário de terras antes da sua conversão. Saulo, dez anos mais moço, tinha sido educado para tornar-se um rabino. Duas pessoas diferentes, porém colocadas juntas na obra do Senhor.

“Servindo eles ao Senhor, e jejuando [...]depois de jejuarem e orarem [...]” 

Na prática cristã primitiva, era comum a oração estar ligada ao jejum (Mt 17.21; Mc 9.29; At 10.30; 14.23). Os judeus estenderam esse costume de jejuar a um ponto bem mais adiantado do que prescrevia a Lei (Dia da Expiação – At 27.9), quando havia um jejum particularmente severo para todos os judeus (Lv 23.27), e Jesus ensinou aos seus discípulos que estes haveriam de continuar com a prática (Mt 6.16-18; 9.14-16). 

O jejum na Bíblia implica em total abstinência de alimentação por certo período. Jejuar significa abster-se de alimentos durante um período específico com a finalidade de concentrar-se no Senhor. A dor da fome irá lembrá-los da sua completa dependência de Deus (2 Cr 20.3; Ed 8.23; Et 4.16; Mt 6.16-18). A palavra “servindo” envolve oração, jejum, meditação e exortação — ou seja, provavelmente uma combinação de todos esses elementos. Tudo isso pode ter sido feito propositalmente para buscar a orientação divina sobre o que deveria ser feito em seguida para obtenção do progresso das atividades missionárias da igreja; ou, então, essa orientação divina pode ter surgido como um resultado natural.

 Na Bíblia de Estudo Plenitude, no verbete Dinâmica do Reino, destacam-se quais são as características do líder (At 13.1-3) com o seguinte comentário: 

Os líderes da Igreja Primitiva chegavam a decisões somente depois de jejuar e orar. Em Antioquia, os profetas e mestres jejuavam e oravam, buscando a direção de Deus para a Igreja. Enquanto eles esperavam por Deus, o Espírito Santo deu a direção (v. 2), começando, assim, o ministério missionário, que, por fim, levou o evangelho ao mundo inteiro. Os líderes piedosos confiam em Deus para a direção, e fortalecimento de sua vida e ministério. O jejum disciplinado e oração constante são meios comprovados para se chegar a isso e, sendo assim, são obrigatórios na vida dos líderes (Mt 9.5).


3.     A separação de Paulo e Barnabé     (Vv. 2,3)     -     A ordem do Espírito Santo inaugurou uma nova era na expansão do cristianismo. O Espírito Santo falou possivelmente por intermédio de algum dos membros do grupo (havia profeta entre eles (At 13.1). Ele disse: “Apartai-me [ ou seja, separem para mim] Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado”. O Senhor designou os dois melhores homens da congregação para que desempenhassem a tarefa das “missões estrangeiras”. Nestes dias de agitação mundial da pós-modernidade, o trabalho das missões mundiais exige o melhor que a Igreja puder dar!

 A PNEUMATOLOGIA MISSIONÁRIA E O CONFRONTO APOLOGÉTICO


O ESPÍRITO SANTO opera em Atos como o Agente Primário da Missio Dei. O imperativo ἀφορίσατε (aphòrisate) evoca a autoridade absoluta da Terceira Pessoa da Trindade sobre o corpo eclesiástico. A imposição de mãos subsequente não conferiu poder mágico a Paulo e Barnabé, mas chancelou juridicamente e espiritualmente o que o ESPÍRITO já havia decretado na esfera invisível.

No episódio em Pafos (Chipre), o confronto entre Saulo (agora identificado pelo nome romano, Paulo) e o falso profeta Barjesus (Elimas) revela duas realidades pneumatológicas:

O Confronto de Poder (Power Encounter): A feitiçaria e o engano satânico que tentavam reter a elite romana (o procônsul Sérgio Paulo) sob as trevas são desmascarados pela autoridade apostólica.

O Juízo Pedagógico: A cegueira física imposta a Elimas funciona como um sinal visível da sua própria escuridão interior, levando o governante pagão a render-se não meramente ao milagre, mas à doutrina do Senhor.



                II.     O ESPÍRITO SANTO E A OBRA MISSIONÁRIA


1.    O Espírito que conduz a missão    -   Dentre as muitas funções do Espírito Santo, estão a de ungir, a de inspirar, a de separar e a de enviar homens e mulheres para os quatro cantos da terra como missionários do Senhor. A obra missionária é uma tarefa ligada à ação exclusiva do Espírito Santo. O próprio Senhor Jesus dependeu da unção do Espírito Santo para o exercício do seu ministério (Is 61.1-3; Lc 4.17-20).  O Espírito Santo não permitiu que os próprios apóstolos ficassem envolvidos com problemas sociais e quaisquer outras atividades que não fossem a evangelização (At 6.1-4). 

Os cristãos primitivos, por sua vez, eram fiéis nas contribuições, o que proporcionava alegria e liberdade para que os apóstolos tivessem mais ousadia e poder do Espírito Santo para pregar a Palavra de Deus (At 4.32; 9.31). O Espírito Santo é quem escolhe e envia missionários para anunciarem as Boas Novas de salvação ao mundo (At 8.26-40; 13.2; 20.28). Em Atos 16.4-7, temos uma revelação clara de como o Espírito Santo deseja que a ação missionária seja realizada, onde e por quem. O Espírito Santo também é o instrutor dos ministros da Palavra de Deus (1 Co 2.118). 

O Espírito Santo é visto como o protagonista e a força motriz da obra missionária, sendo responsável por despertar, chamar, capacitar e guiar os missionários e a Igreja no 7cumprimento da missão divina, além de conferir poder e autoridade ao evangelho e ao testemunho dos cristãos. O Senhor Jesus prometeu que, após a sua partida, o Espírito Santo viria para capacitar os seus discípulos como testemunhas — promessa que se cumpriu plenamente com a descida do Espírito Santo.


2.    O poder do Espírito na evangelização    -     Os primitivos discípulos viviam cheios do Espírito Santo, de alegria e de gozo espiritual. Isso explica todas as demais características da evangelização daqueles dias (At 4.8,31; 5.17-41; 7.55). A igreja crescia em números, diariamente, por adição de vidas salvas e por ação divina.

 Vejamos o crescimento da Igreja Primitiva em números:

 1. Atos 1.15 – 120 membros; 

2. Atos 2.41 – 3.000 membros; 

3. Atos 4.4 – 5.000 membros; 

4. Atos 5.14 – Uma multidão é agregada à igreja;

 5. Atos 6.17 – O número dos discípulos é multiplicado; 

6. Atos 9.31 – A igreja expande-se para a Judeia, Galileia e Samaria; 

7. Atos 16.5 – Igrejas são estabelecidas e fortalecidas no mundo inteiro.

 Em Atos 1.3, vemos como a assistência do Espírito Santo é imprescindível à obra missionária. Guiados pelo Consolador, os missionários faziam discípulos numa cidade e partiam para outra (vv. 46-51). Graças à direção e providência do Espírito, o evangelho, tendo alcançado a Europa (At 16.10), também chegou à América do Norte, de onde vieram os missionários suecos Daniel Berg (1884–1963) e Gunnar Vingren (1879–1933), pioneiros do Movimento Pentecostal no Brasil.


3.    Evidências da ação missionária do Espírito ( At 13-14)    -    A viagem de regresso teria sido fácil, se viessem pelas montanhas e pelas portas da Cilícia até Tarso, passando depois por terreno muito familiar até chegar à Síria. Paulo, porém, tinha bem vivido na mente o furor de Listra, Icônio e Antioquia. Sem dúvida seria mais fácil voltar pelo caminho de Tarso; mas, e as igrejas recém-fundadas? Como estariam suportando o chicote da perseguição? Teriam crescido, ou algum membro enfraquecera, voltando a Adônis? Estava claro que ele deveria visitar todas as igrejas e confirmar os cristãos na fé. Eram seus amigos, e o apóstolo jamais cessara de orar por eles, mencionando-os pelo nome. E se essa visita resultasse realmente em perseguição? O Senhor não os protegera sempre? Paulo e Barnabé resolveram, então, voltar pelo mesmo caminho.

Em Listra, as cenas eram familiares; já sabiam onde encontrar os cristãos. Foram até à casa de Timóteo e ficaram contentes por saber que o povo de DEUS continuava firme, apesar da perseguição. Paulo e Barnabé sentiam-se confiantes; os cristãos de Listra estavam suficientemente fortes para se organizarem. Portanto, em cada igreja, ordenaram presbíteros para supervisionar espiritualmente a família cristã. A seguir, orando por todos, ambos partiram para Icônio.

Depois de alguns meses, a igreja de Icônio fizera um verdadeiro progresso e achava-se também pronta para ser organizada. Os discípulos fizeram isso e continuaram o caminho de volta para casa.

Ao chegarem aos portões de Antioquia, de onde tinham sido expulsos alguns meses antes, lembraram como os gentios daquela cidade haviam acolhido o Evangelho. Foram recebidos com alegria pelos velhos amigos e informados de que os cristãos de Antioquia haviam permanecido firmes durante todos aqueles meses.

Paulo pregou-lhes novamente e, antes de partir com Barnabé, nomearam homens de confiança, provados durante a perseguição, para dirigir a igreja.

A primavera já estava bem avançada, e os discípulos queriam chegar ao porto de Perge antes que aumentasse o calor do verão. Lembravam-se dos dias e noites quentes quando chegaram a Perge, e como fora agradável o frio das montanhas em sua viagem a Antioquia. Na planície que beirava a costa, o verão chegara em toda a sua força. Como na visita anterior haviam passado pouco tempo pregando em Perge, decidiram-se demorar ali e testemunhar de CRISTO. Dia após dia foram usados por DEUS, e fundaram na cidade uma igreja.

Enquanto pregavam, esperavam por um navio que os levasse para casa. Havia barcos de muitos lugares, mas nenhum que fosse para Selêucia. Despediram-se dos crentes e continuaram a viagem pela planície até o mar, e depois ao longo da estrada costeira até Atália, um dos maiores portos marítimos de todo o império. Atália era grande e importante, e, como em qualquer outra cidade dessa região, havia nela muitos judeus. Mas Paulo e Barnabé estavam ansiosos por encontrar um navio que os levasse de volta, e seguiram imediatamente para o porto. Sua busca teve sucesso; havia ali uma porção de barcos grandes e pequenos, oriundos de terras estrangeiras de todas as partes do mundo.

Eles pagaram a passagem e, quando se levantaram os ventos matutinos, as velas foram desfraldadas e o barco partiu, acompanhando a costa rochosa até Selêucia. Durante todo aquele primeiro dia, puderam ver as altas montanhas da Panfília elevarem-se sobre a vasta planície costeira. Haviam passado dois invernos naquelas montanhas. O trabalho fora difícil, mas enquanto os morros desapareciam na distância, os dois homens de DEUS recordavam-se de como o Senhor havia honrado Sua Palavra. Em cada cidade, muitos que, há apenas um ano, viviam nas trevas, estavam agora servindo a DEUS.

Todas as noites, enquanto navegavam e oravam sob as estrelas, Barnabé e Paulo lembravam-se de cada crente fiel, agradecendo ao Senhor e entregando-os ao seu cuidado. Até que a viagem chegou ao fim.


 A GRANDE CONTROVÉRSIA

Paulo e Barnabé animaram-se ao avistar Selêucia. Ali estava o porto de Antioquia, protegido pelo quebra-mar. Para os apóstolos era como voltar à casa paterna; estar naquela igreja era o mesmo que estar em família. Era uma igreja forte; maior que a igreja-mãe em Jerusalém. Paulo gostava dos cristãos de Antioquia da Síria, e considerava-os uma igreja modelo. Afinal, haviam aberto o coração aos gentios, recebendo-os juntamente com os descendentes de Abraão no Reino de DEUS.

Os missionários mal tinham posto os pés no portão da cidade, e a notícia de sua chegada já se espalhara. Naquela noite, uma grande multidão reuniu-se à volta deles. Dois anos antes, aqueles crentes haviam acompanhado Paulo e Barnabé até o navio que os levaria em sua primeira viagem missionária. Agora estavam de volta, e todos queriam ouvi-los. Foi uma noite emocionante. Jovens e velhos sentaram-se no chão, de pernas cruzadas, e ouviram-nos discorrer sobre a atuação do poder de DEUS em cada cidade.

É provável que tenham contado toda a história; primeiro Barnabé e depois Paulo. Ninguém se cansou de ouvi-los, e muitos choraram de alegria ao saber dos caminhos de DEUS para os gentios. Os missionários falaram da viagem até Chipre; de Sérgio Paulo em Pafos; do calor de Perge e da deserção de Marcos, que muito os desapontara. Descreveram seu primeiro inverno passado na outra Antioquia, e como muitos ali haviam se tornado cristãos. As fugas para Icônio e Listra, onde Paulo tinha sido apedrejado, foram contadas rapidamente. Por último veio a história do segundo inverno, passado em Derbe.

Em todas as cidades, tiveram de enfrentar a oposição dos judeus nas sinagogas; mas na praça do mercado, os gentios tinham-nos ouvido de boa vontade e, deixando os ídolos, haviam se voltado para DEUS. Centenas tinham aberto o coração para JESUS! Em cada cidade visitada pelos missionários, uma igreja havia sido estabelecida.


                III.     A IGREJA COMO AGÊNCIA MISSIONÁRIA


1.   A Igreja que ouve à voz de Deus     -    Uma igreja missionária é, antes de tudo, uma igreja que ouve a Deus: “E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Aparta-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado”(At 13.2). Se quisermos impactar o mundo, precisamos primeiro ouvir o Céu. Ouvir a voz de Deus implica em sair de si mesmo, ser inflamado pela caridade divina e espalhar esse amor ao próximo, tornando-se um instrumento da glória divina.

 A igreja de Antioquia era uma importante base missionária dos primeiros anos do Cristianismo. Um estudo bíblico sobre aquela comunidade cristã mostra que ela foi responsável por enviar ao campo missionário ninguém menos que o apóstolo Paulo, mediante a ordem do Espírito Santo. Isso significa que a igreja de Antioquia desempenhou um papel na grande propagação do Evangelho no Império Romano no primeiro século. 

A igreja em Antioquia foi instruída por Barnabé e Saulo – agora chamado Paulo – e tornou-se a maior igreja missionária da época, servindo como base missionária do apóstolo Paulo (At. 11.25,26).

O ensino da Palavra de Deus foi tão expressivo que em apenas um ano os novos convertidos estavam tão completamente mudados ao ponto de chamarem a atenção dos moradores locais, os quais os denominaram de Cristãos (Christianoi em grego ou Christianus em latim que aparece apenas três vezes no Novo Testamento –At. 11.26; 26.28 e 1 Pe. 4.16 e cuja desinência ão – de Cristo+ão = Cristão – significa “seguidor ou adepto de” Cristo).

Após um ano de serviço cristão em Antioquia, Paulo e Barnabé foram indicados, nominalmente, pelo Espírito Santo, para a obra missionária, sendo estes os primeiros missionários enviados ao Exterior onde fundaram diversas igrejas. Este fato fez com que a igreja em Antioquia da Síria fosse conhecida como a primeira agência missionária, ou o primeiro centro de missões de todos os tempos.

Seu exemplo como base missionária favoreceu o avanço da Igreja Primitiva para alcançar os outros povos e foi também a primeira igreja enviadora (At. 13. 1-3 – impondo sobre eles as mãos, os despediram, “é símbolo de autoridade em enviar”). 


2.    Uma igreja que envia e sustenta    -   Uma igreja missionária não é centrada em si mesma, mas investe em pessoas, tempo e recursos para alcançar os perdidos. A igreja sustentava, intercedia e enviava obreiros continuamente. Missões não é um departamento; é a essência da Igreja. Uma igreja que tem como base a expansão do Reino de Deus é como a igreja de Antioquia, que se tornou o quartel-general da missão gentílica. Foi de lá que partiram muitas viagens missionárias do apóstolo Paulo.

 Antioquia é o exemplo a ser seguido pelas igrejas da atualidade que precisa reconhecer sua responsabilidade na vida dos seus missionários em orar, contribuir, amar, socorrer e compreender.

Os cristãos de Antioquia possuíam um caráter solidário extraordinário como foi demonstrado no envio de esmolas para a igreja de Jerusalém, quando a fome assolou esta cidade (At 11.27-30), além de ser cheia do conhecimento e livre de preconceitos, isto é, ministrava igualmente a judeus e gentios e quando alguns judeus cristãos vindos da Judéia foram visitá-la, proclamando que os gentios deveriam ser circuncidados como pré-requisito para se tornarem cristãos, foi ela que, resistindo a essa imposição, enviou a Jerusalém uma delegação encabeçada por Paulo e Barnabé para resolver este impasse – o chamado Concílio de Jerusalém (c. 50 A.D.), primeiro da história da Igreja Cristã, que aconteceu por causa das reivindicações dessa igreja; contudo, o zelo missionário e evangelístico, notabilizado pelas viagens missionárias de Paulo foi, com certeza, a característica principal dela.

A Igreja em Antioquia é caracterizada também por dar ouvidos à voz do Espírito Santo, e como consequência da ação do Espírito Santo no meio dela, veio a se tornar uma referência nos dons espirituais e ministeriais. Ela mantinha um grupo de homens de Deus como profetas e mestres na Palavra (At. 13:1) dispostos a obedecer às ordens recebidas da parte de Deus; por isso era apropriado que a cidade onde foi fundada a primeira igreja cristã gentílica, e onde os cristãos receberam seu nome característico, fosse o berço e o princípio de sustentação das missões cristãs ao estrangeiro (At. 13.1). Foi a partir desta igreja que a conquista do mundo passou a ser vista como estratégia de Evangelização de todo o mundo romano e no ano 70 d.C., com a destruição de Jerusalém, passou a ser o segundo lar da igreja cristã.


3.   Uma igreja que cumpre a Grande Comissão     -     A Igreja Primitiva cumpriu a Grande Comissão enviando Paulo e Barnabé para a obra que o Senhor havia-os chamado. Assim, Paulo alcançou as nações da sua época. Nós, como Igreja do Senhor, também devemos fazer nossa parte, pois ainda existem muitas nações e povos que precisam ser alcançados com o evangelho de Cristo. Atualmente, na chamada “Janela 10x40”, existem milhares de pessoas que se encontram em trevas espirituais. Como elas ouvirão o evangelho se não há quem pregue? (Rm 10.14). E como pregarão se a Igreja do Senhor não enviar e sustentar os missionários? (Rm 10.15). Ouçamos a voz do Espírito Santo, pois Ele continua a falar à sua Igreja: “Separai meus servos para a obra que os tenho chamado”. Nossa missão ainda não acabou. Deus está chamando a sua Igreja para ser mais do que uma comunidade de celebração; Ele soberanamente nos chama para ser um povo em missão. Sua igreja é apenas um lugar de encontros, ou um centro de envio para a glória de Deus entre os povos?



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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21

Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio A Igreja dos Gentios - Pr. Wagner Gaby - Editora CPAD

https://estiloadoracao.com/igreja-de-antioquia/

https://adalagoas.com.br/ad-alagoas/licoes-biblicas/18732/licao-12-o-modelo-de-missoes-da-igreja-de-antioquia

EBD NA TV - Pr. Henrique, 99-99152-0454 Wh, Família Cristã Church, Cajamar, SP - YouTube @PrHenrique: Escrita Lição 1, CPAD, O chamado para os gentios, 3Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV