Seja um Patrocinador desta Obra.

SEJA UM ALUNO ASSÍDUO NA EBD. Irmãos e amigos leitores, vc pode nos ajudar, através do PIX CHAVE (11)980483304 ou com doações de Comentários Bíblicos. Deste já agradeço! Tenham uma boa leitura ___ Deus vos Abençoe!!!!

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

LIÇÃO 08 - DESPEDIDA EM ÉFESO: ENTRE LÁGRIMAS E ALERTAS.

 

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II



            TEXTO ÁUREO

"Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com o seu próprio sangue." (At 20.38)


            VERDADE PRÁTICA

A igreja é preservada quando líderes vigilantes cuidam do rebanho com fidelidade à palavra e submissão ao Espírito Santo.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 20. 17-25, 36-38



                INTRODUÇÃO


 O texto de Atos 20.17-38 narra o discurso de Paulo aos anciãos da igreja de Éfeso, em Mileto, antes da sua partida definitiva da Ásia. É importante por conter o único registro de um sermão seu diante de um auditório formado só de cristãos. Esse discurso de despedida de Paulo é um dos textos mais emocionantes e significativos do Novo Testamento, funcionando como um testamento espiritual e um modelo de liderança. Paulo exorta-os a cuidar do rebanho de Deus, alertando-os sobre os lobos devoradores que surgiriam entre eles e sobre homens que falariam coisas perversas para desviar os discípulos.

 Esse discurso revela a preocupação do apóstolo com a preservação da pureza doutrinária da Igreja. Esse texto é de grande relevância, pois expõe tanto a ameaça das falsas doutrinas quanto o chamado à fidelidade ao ensino apostólico. Ele também compartilha a sua experiência de trabalho incansável e demonstração de amor por eles, lembrando que “mais bem-aventurada coisa é dar do que receber”. O trecho culmina com uma oração conjunta, lágrimas, abraços e beijos de despedida, pois os anciãos sabiam que nunca mais veriam o apóstolo. O discurso de Paulo é um apelo poderoso à fidelidade, à vigilância doutrinária e ao serviço sacrificial, deixando um legado duradouro sobre o que significa pastorear a Igreja de Deus.

Warren Wiersbe divide a mensagem de despedida de Paulo em três partes: 

1. Ao recapitular o passado (20.18-21), Paulo enfatizou sua fidelidade ao Senhor e à igreja ao ministrar durante três anos em Efeso. 

2. Ao falar sobre o presente (20.22-27), Paulo revelou seus sentimentos tanto em vista do passado quanto do futuro. 

3. Por fim, ao mencionar o futuro (20.28-35), Paulo advertiu-os sobre os perigos que seriam enfrentados pela igreja.66


        I.    O MINISTÉRIO DE PAULO COMO EXEMPLO DE FIDELIDADE


1.    Um ministério vivido com coerência e entrega (Vv. 17-21)      -       Mileto era um lugar de parada natural para os navios costeiros cuja rota fosse o sul, e suficientemente perto de Éfeso para que Paulo convocasse os anciãos. O verbo transmite ao mesmo tempo um senso de solicitude ansiosa e autoridade. É evidente que Paulo podia contar com uma estada ali de alguns dias, se levarmos em conta o tempo gasto no desembarque, o despacho do mensageiro e a viagem dos anciãos a Mileto; a reunião em que o apóstolo lhes falou não poderia ter ocorrido senão no terceiro dia. 

Paulo pôde apelar para o próprio conhecimento que os presbíteros tinham do seu caráter e conduta. O seu exemplo de vida autêntica e o seu caráter coerente autenticaram o seu ministério e liderança. A verdadeira fidelidade começa com uma atitude de servo, que se envolve na vida das pessoas com compaixão e sofre com as suas dificuldades (vv. 18,19). Paulo relembra a sua caminhada entre os efésios, que foi marcada por humildade, lágrimas, provações e, sobretudo, com dedicação integral à pregação da Palavra, o seu desprendimento material e coragem diante das adversidades (v. 19). O seu foco não estava em interesses pessoais, mas em anunciar todo o conselho de Deus, pregando arrependimento e fé em Cristo.

 A chegada dos anciãos, Paulo lhes falou, de início, de seu próprio ministério. Este lhes era bem conhecido, embora ele tivesse em mente não apenas a obra em Éfeso, mas na província toda. Todavia, a maior parte de seu tempo ele passou em Éfeso, de modo que eles tinham razão especial para expressar gratidão pelo seu ministério. Daí a ênfase no grego no pronome pessoal vós, na frase vós bem sabeis, desde o primeiro dia...como em todo esse tempo me portei no meio de vós. Esse apelo à memória do povo é traço familiar da fala de Paulo (cp. Filipenses 1:5; 4:15; Colossenses 1:6; 1 Tessalonicenses 2:ls, 5, lOs), embora o verbo "saber" seja característica de Lucas.


2.   A fidelidade apostólica como guarda da verdade     -     O ministério paulino havia sido marcado pelo auto-sacrifício. As muitas lágrimas não foram derramadas por causa de suas dificuldades (lit., "provações" ou "tentações"), que foram, ao contrário, uma fonte de alegria, mas pelo sofrimento alheio — por causa dos irmãos "em Cristo" que enfrentavam aflições (cp. v. 31; Romanos 9:2; 2 Coríntios 2:4; Filipenses 3:18)), e por causa das pessoas sem Cristo que viviam num mundo "sem esperança e sem Deus" (Efésios 2:12). Podemos entender a referência paulina a lágrimas de modo literal; Paulo não era um estóico para quem a insensibilidade seria uma virtude (veja a nota sobre 17:18). Ele vinha servindo ao Senhor com toda a humildade num mundo em que a humildade era considerada falta, não virtude — algo adequado a um escravo apenas (as palavras "toda" e "humildade" são típicas de Paulo; cp. Efésios 4:2; Filipenses 2:3; Colossenses 2:18, 23; 3:12). 

No entanto, Paulo via a si mesmo como um "escravo do Senhor" (a expressão de NIV e de ECA, servindo ao Senhor perde a força da língua grega; quanto à expressão "ser um escravo, servir" cp. Romanos 12:11; 14:18; 16:18; Efésios 6:7; Filipenses 2:22; Colossenses 3:24; 1 Tessalonicenses l:9s.; quanto ao substantivo "servo", Romanos 1:1; Gálatas 1:10; Filipenses 1:1; Tito 1:1). A referência às ciladas dos judeus faz-nos lembrar que há muita coisa nesta história que Lucas não nos narrou. O próprio Paulo preenche algumas dessas lacunas (1 Coríntios 15:32; 2 Coríntios 1:8-10; ll:23ss.;cp. Atos 9:23; 20:3; 23:12; 25:3; 1 Tessalonicenses 2:14-16 quanto a outras ciladas).


3.    Fidelidade diante do futuro e consciência irrepreensível (Vv. 22-27)      -      1. O líder precisa cuidar de si mesmo antes de cuidar do rebanho de Deus. A vida do pastor é a vida do seu pastora- do. Há muitos obreiros cansados da obra e na obra porque procuram cuidar dos outros sem cuidarem de si mesmos. Antes de pastorearmos os outros, precisamos pastorear a nós mesmos. Antes de exortar os outros, precisamos exortar a nós mesmos. Antes de confrontarmos os pecados dos outros, precisamos confrontar os nossos próprios pecados. O pastor não pode ser inconsistente. Sua vida é a base de sus tentação do seu ministério. O sermão mais eloquente pregado pelo pastor é o sermão da vida. O sermão mais difícil de ser pregado é aquele que pregamos para nós mesmos.

 2. O líder precisa cuidar de si mesmo para não praticar o que condena. O ministério não é uma apólice de seguro contra o fracasso espiritual. Há grande perigo de o pastor acostumar-se com o sagrado e perder de vista a necessidade de temer e tremer diante da Palavra. Os filhos de Eli carregavam a arca da aliança com uma vida impura. A arca não os livrou da tragédia. Muitos pastores vivem na prática de pecados e ainda assim mantêm a aparência. Muitos Paulo rumo a Jerusalém pastores saem dos esgotos da impureza, navegando no lamaçal de sites pornográficos, e depois sobem ao púlpito e exortam o povo à santidade. Essa atitude torna os pecados do pastor mais graves, mais hipócritas e mais danosos do que os das demais pessoas. São mais graves porque o pastor peca contra um conhecimento maior; mais hipócritas, porque o pastor condena o pecado em público e, às vezes, o pratica em secreto; e, mais danosos, porque quando um pastor cai, mais pessoas são atingidas. 

3. O líder precisa cuidar de si mesmo para não cair em descrédito. Há pastores que perderam o ministério porque foram seduzidos pelos encantos do poder, embriagados pela sedução do dinheiro e acabaram presos às teias da tentação sexual. Há pastores que causaram mais males com seus fracassos do que benefícios com seu trabalho. Se um pastor perder a credibilidade, perde também o seu ministério. A integridade do pastor é o fundamento sobre o qual ele constrói seu ministério. Sem vida íntegra não existe pastorado. Hoje, assistimos com tristeza a muitos pastores gananciosos que mercadejam a Palavra e vendem a consciência no mercado do lucro. Há obreiros que são rigorosos com os crentes, mas levam de forma frouxa sua vida pessoal. Há pastores que apascentam a si mesmos, e não ao rebanho. Amam a sua própria glória em vez de buscar a honra do Salvador.

 A alusão se refere ao atalaia de Ezequiel 33:1-6, usado como símbolo de responsabilidade espiritual. Paulo achava que havia cumprido sua missão entre os efésios, de tal modo que se alguém se desviasse, a culpa não seria dele, de Paulo. Literalmente, ele se declarou "inocente do sangue de todos" (v. 26; veja a disc. sobre 18:6). O adjetivo "inocente" ("limpo", em NIV) encontra-se sete vezes nas epístolas de Paulo, e somente aqui e em 18:6 (sempre como se havia sido palavra do próprio apóstolo) nos escritos de Lucas. A palavra "hoje" (v. 26, "neste mesmo dia", GNB) também pode ser atribuída a Paulo (2 Coríntios 3:14; cp. Romanos 11:8 também). Paulo se considerava "inocente" porque "nada deixara de anunciar, e ensinar" ao proclamar- lhes todo o conselho de Deus (v. 27; cp. Efésios 1:11; 3:4; veja a disc. sobre 2:23). O ministério de Paulo havia sido "completo".


                II.    ADVERTÊNCIAS AOS PRESBÍTEROS CONTRA OS FALSOS MESTRES


1.    O Espírito Santo como originador do ministério pastoral (v.28)    -    A partir desse uso linguístico, desenvolveu-se a ideia dos líderes da igreja como sendo “pastores” (Ef 4.11), mas o termo que Paulo usa é “bispos” (literalmente “guardiães”). É esse o significado da palavra grega episkopos, que se empregava para os líderes em, pelo menos, algumas igrejas de Paulo (Fp 1.1; 1 Tm 3.1-7; Tt 4.11). Ela transmite a ideia da supervisão espiritual e dos cuidados pastorais. Tais pessoas deviam a sua nomeação à escolha que Deus fez delas mediante o Espírito Santo. 

As pessoas que aqui se descrevem como sendo “bispos” são as mesmas que são chamadas “presbíteros” no versículo 17, e lemos em 14.23 (NAA) como Paulo nomeava-os em algumas das suas igrejas após oração e jejum, isto é, em dependência da orientação do Espírito Santo. A sua tarefa era pastorear a igreja, agir como pastores; refere-se de todos os cuidados que devem ser exercidos com relação ao rebanho. Fica claro no mesmo versículo 28 que eles também eram os “pastores”. Aqui, como em outros textos, a identidade dos “presbíteros” — “supervisores”, “bispos” — “pastores” é estabelecida, com cada termo definindo um aspecto particular das qualificações e da missão dos líderes da igreja local. Esses bispos eram os mesmos chamados “anciãos” no versículo 17

 1. O líder deve cuidar de todo o rebanho, e não apenas das ovelhas mais dóceis (20.28). Há ovelhas dóceis e indóceis. Há ovelhas que obedecem ao comando do pastor e ovelhas que se rebelam e fogem do cajado do pastor. Há ovelhas que escoiceiam o pastor e aquelas que são o deleite do pastor. Há um grande perigo do pastor cuidar apenas das ovelhas dóceis e deixar de lado as demais. A ordem divina é que o pastor cuide de todo o rebanho, e não apenas de parte dele. 

2. O líder não é o dono do rebanho, mas servo dele (20.28). A igreja é de Deus, e não do pastor. Jesus é o único dono da igreja. O Senhor nunca deu uma procuração para nos apossarmos da sua igreja. Na igreja de Deus não existem chefes, caudilhos e donos. Todos somos nivelados no mesmo patamar: somos servos. Aqueles que se arvoram em donos da igreja e tratam-na como uma empresa particular, buscando abastecer-se das ovelhas em vez de servi-las e pastoreá-las, estão em aberta oposição ao propósito divino. 

3. O líder não pode impor-se arbitrariamente como líder do rebanho (20.28). O pastor precisa ter plena consciência de que foi o Espírito Santo quem o constituiu bispo para pastorear a igreja. Qualquer manobra humana ou política de bastidor para continuar à frente de uma igreja é uma conspiração contra o plano de Deus. O pastorado não deve ser imposto. O pastor não pode agir com truculência. Ele não é um ditador, mas um pai. Não é um explorador do rebanho, mas um servo do rebanho. Muitos pastores constrangem as ovelhas e se impõem sobre elas com rigor despótico (IPe 5.3). Outros orquestram vergonhosamente para permanecer no pastorado, fazendo acordos e conchavos pecaminosos. O pastor não deve aceitar o pastorado de uma igreja nem sair dela por conveniência, vantagens financeiras ou pressões. Ele precisa saber que, antes de ser pastor do rebanho, é servo de Cristo. 

4. O líder precisa compreender o valor da igreja aos olhos de Deus (20.28). A igreja é a noiva do Cordeiro, a menina dos olhos de Deus. Ele a comprou com o sangue de Jesus. Tocar na igreja é ferir a noiva do Filho de Deus. O Senhor tem zelo pelo seu povo. Perseguir a igreja é perseguir ao próprio Senhor da igreja. Quem fere o corpo atinge também a cabeça. Os pastores que tratam com rigor desmesurado as ovelhas de Cristo, e dispersam o rebanho ou deixam de protegê-lo dos lobos vorazes, estão desprezando a escrava resgatada, a amada do coração de Deus, a noiva do seu Filho bendito. John Stott é assaz oportuno ao escrever: “As ovelhas são o rebanho de Deus o Pai, compradas pelo precioso sangue de Deus o Filho e supervisionadas por pessoas indicadas por Deus o Espírito Santo”.667


2.    O perigo real e contínuo das falsas doutrinas (Vv. 29-30)     -     O perigo das falsas doutrinas reside no seu potencial de desviar as pessoas da verdade bíblica, levando-as ao erro espiritual, a divisões e à apostasia, tal como alertam as Sagradas Escrituras. A fidelidade apostólica, que envolve a manutenção e propagação da sã doutrina, é um antídoto contra essas ameaças, exigindo um discernimento atento e um compromisso com a Palavra de Deus, que deve ser pregada com fidelidade e amor em contraste com os ensinamentos falsos e as motivações egoístas dos falsos mestres.

O autor do livro de Atos provavelmente se referia às influências do gnosticismo, heresia que combinava elementos da filosofia grega, das religiões pagãs misteriosas, do judaísmo e do cristianismo. Esses ensinadores heréticos entrariam para desviar pessoas, principalmente quando Paulo já não estivesse ali para agir contra eles. Foi isso o que aconteceu em Corinto. Os capítulos 10 a 13 da segunda epístola de Paulo aos Coríntios dão testemunho de como as pessoas chegaram a Corinto, provavelmente depois da saída de Paulo, e pregaram “outro evangelho”. 

Isso também aconteceu depois da morte de Paulo, de modo 64 que, se Atos foi composto depois desse evento, as palavras de Paulo teriam um significado mais amplo. O alerta de Paulo não se limita apenas a perigos externos. Ele profetiza que, “dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas” para seduzir a congregação e para atrair discípulos. Isso mostra que a vigilância espiritual começa no próprio coração e vida dos líderes e, por extensão, de cada crente, para não se corromperem ou negligenciarem a sã doutrina (Rm 16.17,18; Cl 2.8). Foram feitas tentativas no sentido de identificar melhor o caráter desses heréticos, mas não se pode tirar conclusões firmes.

Tendo em vista tal perigo, os líderes da igreja deviam estar constantemente vigilantes, como pastores que ficam acordados à noite para zelar contra os lobos que rondavam. A injunção comum para todos os cristãos vigiarem (1 Co 1.3; 2 Tm 1.15; Ap 2.1-7) aqui se aplica especificamente aos líderes (Hb 13.17) e é reforçada pelo exemplo de Paulo. Por três anos (o cômputo arredondado da sua permanência em Éfeso (At 19.10) sinceramente advertia todos os membros da congregação de noite e de dia (1 Ts 2.11; 1 Co 4.14; Cl 1.28). “Noite e dia” é uma hipérbole (uma figura de linguagem que usa o exagero intencional para dar ênfase, intensidade ou expressividade a uma ideia). Paulo trabalhava com as mãos “noite e dia” para ganhar o seu sustento (1 Ts 2.9). 

Essa advertência é atemporal: a Igreja de Cristo sempre enfrentará o desafio de falsos mestres, cujos ensinos deturpam a Palavra e desviam os crentes da fé genuína. Esses lobos continuam em nossos dias criando teorias baseadas no entendimento humano e arrebatando para si pessoas incautas que acreditam nas suas palavras e absorvem as suas ideias malignas. Isso sublinha a necessidade de vigilância constante contra ideologias, filosofias e ataques externos que visam desviar os crentes da verdade do evangelho. As falsas doutrinas levam os crentes a serem enganados e a serem desviados da verdade de Deus, resultando em confusão e conflito. Por trás das falsas doutrinas, muitas vezes existem líderes inescrupulosos que as usam para proveito próprio ou para manipulação, como alertado pelo apóstolo Paulo.


3.    Vigilância espiritual como dever permanente do pastor (v. 31)     -     A metáfora pastoral prossegue e Paulo exorta os anciãos: portanto, vigiai. Eles podiam reanimar-se pelo exemplo pessoal de Paulo. Durante três anos (número arredondado; veja a nota sobre 19:10), o apóstolo lhes havia ensinado noite e dia... com lágrimas (cp. v. 19). A ordem das palavras noite e dia talvez seja proposital, como pensam alguns, a fim de enfatizar seu trabalho incansável; sendo mais provável, no entanto, que expresse seu padrão normal de trabalho, que começava antes do nascer do sol (noite) estendendo-se até cerca do meio dia, quando a maior parte das pessoas fazia um repouso ("siesta"), enquanto Paulo pregava na escola de Tirano (veja a disc. sobre 19:9).

A vigilância espiritual não é um estado de ansiedade, mas uma prontidão ativa que se manifesta mediante várias práticas, a saber: 

(1) oração constante; (2) estudo e meditação na Palavra; (3) autoconhecimento e auto avaliação; (4) santificação e abandono do pecado; (5) priorização do Reino de Deus; (6) comunhão e apoio mútuo e (7) serviço e compaixão. A vigilância espiritual é uma necessidade vital e contínua na vida cristã, enfatizada por Paulo na sua despedida aos presbíteros de Éfeso (At 20.17-38). As suas palavras destacam os perigos iminentes e a responsabilidade de cuidar de si mesmo e do rebanho de Deus.

A vigilância espiritual é a prática de manter-se atento e alerta na vida espiritual, buscando a santidade e a proximidade com Deus e evitando a queda em tentação e pecado. Envolve estar vigilante nas práticas espirituais, como oração e meditação, e não apenas esperar passivamente pela volta de Cristo, mas também viver de forma prudente e responsável, cuidando do próprio espírito para estar preparado para o futuro.

Em suma, a despedida de Paulo serve como um lembrete solene de que a vida cristã é um campo de batalha espiritual contínuo. A vigilância mediante oração, santidade e estudo diligente da Bíblia é essencial para manter a lealdade a Cristo e proteger a integridade da Igreja. O principal objetivo da vigilância espiritual é estar preparado para a volta iminente de Jesus Cristo e evitar cair em tentação. É um reconhecimento de que o crente está envolvido numa batalha espiritual constante contra forças malignas e a própria natureza carnal, e a distração abre espaço para a atuação do mal. Manter-se vigilante significa dizer “sim” a Deus e agir para preservar o bem, a paz e o amor, mesmo em meio aos desafios do mundo. A vigilância espiritual na vida cristã em geral também está ligada à expectativa do retorno iminente de Jesus, exigindo que os crentes vivam em santidade e prontidão.


                III.     O CUIDADO PASTORAL DE PAULO COM OS LÍDERES DA IGREJA


1.    A Palavra de Deus como fundamento seguro do ministério (v. 32)     -    Em Atos 20.32-38, a Palavra de Deus (especialmente a “palavra da sua graça”) é o fundamento porque ela tem o poder de edificar os líderes e o rebanho, conceder a herança eterna, guiá-los para longe do materialismo (ganância), motivá-los a servir aos necessitados com o próprio trabalho e sustentar a comunhão e o afeto entre eles, sendo o único meio de capacitá-los para um ministério cristocêntrico e fiel diante dos perigos vindouros. A Palavra da Graça capacita os líderes e os crentes a progredir espiritualmente, construindo-os para a vida eterna e para a herança prometida, separando-os para Deus.

O fundamento na prática de Paulo está relacionado a três regras distintas: (1) ensino constante (At 20.20,21); (2) pregação integral (v. 27) e (3) zelo doutrinário (cf. Ap 2.1-7). No que diz respeito ao futuro, Paulo advertiu severamente sobre a chegada de “lobos cruéis” (v. 29) e de homens que distorceriam a verdade para arrastar os discípulos para si (At 20.32). A Palavra de Deus, portanto, não era só o conteúdo do ensino, mas a própria fonte de poder, crescimento e segurança para os líderes e para toda a igreja. Era o alicerce sobre o qual eles deveriam manter-se firmes, cuidar do rebanho e resistir aos erros doutrinários após a partida do apóstolo.

 É a Palavra que edifica os cristãos, isto é, torna-os maduros (1 Co 3.9-15; Ef 4.12) e dá a eles herança entre todo o seu povo santo (Rm 8.17). Essa frase obscura, que talvez se baseie em Deuteronômio 33.3,4, parece referir-se à dádiva outorgada por Deus de uma participação nas bênçãos do seu Reino soberano que os ouvintes de Paulo desfrutarão juntamente com o povo de Deus na sua totalidade. É significante que essas bênçãos advém mediante a dedicação à Palavra: Paulo e Lucas nada sabem da ideia de líderes eclesiásticos que se colocam acima da Palavra a eles entregue (2 Tm 1.14); controlando-a, pelo contrário, ficam submissos a ela.

 Finalmente, Paulo os encomenda a Deus e à palavra da sua graça (veja a disc. sobre 13:43). O genitivo aqui é objetivo. Trata-se da "mensagem a respeito da graça". Esta mensagem pode edificar o crente, isto é, levar o crente à maturidade em Cristo (cp. 1 Coríntios 3:9-15; Efésios 4:12) e dar-lhe herança entre todos os que são santificados (cp. Romanos 8:17). É linguagem do Antigo Testamento, que fala da herança de Israel primeiramente na terra de Canaã, mas além dessa, herança do próprio Deus (cp., p.e., Salmo 16:5). Todavia, esses temas são caracteristicamente paulinos (quanto a "edificação", cp. Efésios 2:20s.; 4:12, 16, 29; quanto a "herança", cp. Efésios 1:14, 18; 5:5). Observe que os líderes, não menos do que o resto da congregação, estão sujeitos à autoridade da mensagem de Deus (as Escrituras).


2.    O exemplo de desprendimento e serviço cristão (Vv. 33-35)     -    O discurso aproxima-se do final e Paulo de novo coloca-se a si próprio perante os anciãos como exemplo, mediante sua conduta entre eles. Longe de exigir recompensa, o apóstolo jamais cobiçou prata, nem ouro, nem vestes (v. 33; cp. 1 Coríntios 9:15-18). Estas eram formas tradicionais de riqueza no mundo antigo, e símbolos de "status" (cp. 1 Macabeus 11:24; Tiago 5:2s.). Paulo havia sido totalmente desinteressado em seu ministério. Em vez de apoiar-se nos efésios quanto ao seu sustento, ele havia trabalhado a fim de garantir sua sobrevivência e a de seus companheiros. Estas mãos, disse ele, proveram o que me era necessário a mim, e aos que estão comigo (v. 34); podemos imaginar o apóstolo levantando as próprias mãos ao dizer isso (as palavras estão colocadas numa posição enfática no grego), numa demonstração de algo que os efésios sabiam muito bem. Dessas palavras inferimos que Paulo havia voltado a trabalhar em seu ofício com Áquila e Priscila (cp. 18:3; veja também Romanos 12:13; Efésios 4:28; Tito 3:14). Entretanto, embora não houvesse aceito remuneração da parte dos efésios, o apóstolo teria recebido ofertas ocasionais de outra igreja (cp. Filipenses 2:25; 4:16).

  Paulo nos ensina algumas lições importantes sobre o assunto em pauta. 

O líder é alguém que faz a obra não motivado pelo dinheiro (20.33). Paulo não foi a Efeso para cobiçar prata ou ouro das pessoas; foi para levar-lhes riquezas espirituais. O dinheiro jamais foi o vetor do ministério de Paulo. Ele diz que não cobiçou dinheiro nem vestes. Sua alegria no ministério não era receber benefícios da igreja, mas dar sua vida pela igreja. 

O líder é alguém que se dedica à obra mesmo quando lhe falta dinheiro (20.34). Paulo trabalhou com as próprias mãos para continuar no ministério. Ele não abandonou o ministério para trabalhar na fabricação de tendas e jamais se empolgou com esse ofício a ponto de diminuir seu entusiasmo com o ministério. Quando as igrejas pagavam o que lhe era devido, Paulo se concentrava integralmente no ministério, mas, se as igrejas sonegavam seu salário, ele continuava exercendo o ministério, ainda que precisasse trabalhar para isso.

O líder é alguém que entende que mais feliz é aquele que dá do que aquele que recebe dinheiro (20.35). Paulo cita uma expressão de Jesus: Mais bem-aventurado é dar do que receber. A visão do pastor não deve ser a de um egoísta e avarento. O pastor precisa ter coração generoso, mãos dadivosas e bolso aberto. Se o pastor não tiver o hábito de ajudar as pessoas, não ensinará seu rebanho a ser generoso. Se o pastor não for dizimista, seu povo será infiel. Se o pastor nunca der uma oferta, suas ovelhas não aprenderão a ofertar. O pastor é o exemplo do rebanho.


3.    Uma despedida marcada por amor, comunhão e lágrimas (Vv. 36-38)     -     Quando Paulo terminou, todos oraram juntos. A solenidade do momento ficou marcada pelo fato de todos se porem de joelhos (veja a disc. sobre 7:60 quanto à postura de joelhos, e sobre 9:11, sobre a oração). Após uma cena comovedora, descrita de modo que nos faz lembrar do Antigo Testamento (cp. Gênesis 33:4; 45:14; 46:29), durante a qual todos se despediram com muito afeto (observe o tempo imperfeito, "persistiam em beijar", v. 37), os efésios acompanharam Paulo e os demais ao navio (veja a disc. sobre 15:3). Estes versículos nos mostram "um quadro do inimitável comando que Lucas tinha do elemento emocional, com que nos revela o maravilhoso poder do apóstolo de atrair afeto e devoção pessoais" (A. J. Mattill, Perspectivas, p. 81).

Paulo passara três anos em Éfeso, tempo suficiente para for mar fortes elos de amizade. Agora, os irmãos demonstram a intensidade desse afeto nessa despedida. Destacamos alguns pontos importantes aqui. Nós somos seres afetivos (20.37). O amor precisa ser ver balizado e demonstrado. Nossas emoções precisam refletir nosso amor. Os presbíteros de Éfeso abraçaram e beijaram a Paulo numa praia, um lugar público. Eles não negaram, não camuflaram nem esconderam suas emoções. A mídia repleta de violência está minando as nossas emoções. Estamos ficando secos como um deserto. Não conseguimos mais chorar nem expressar nossas emoções.

 Uma senhora da igreja disse-me entre lágrimas após o culto: “Pastor, valorizo muito o seu abraço na porta da igreja, porque é o único que recebo durante a semana inteira”. Há momentos em que a maior necessidade de uma pessoa na igreja não é ouvir o coral, mas receber o abraço de um irmão. Nós precisamos demonstrar nosso afeto pelas pessoas que amamos (20.37). Muitos pastores não conseguem expressar seus sentimentos nem verbalizar seu amor pelas ovelhas. São como Davi, que só conseguiu expressar amor por seu filho Absalão no dia que ele morreu. Alguns pastores são como aqueles que só mandam flores para uma pessoa no seu funeral. Precisamos aprender a declarar o nosso amor pelos outros. Precisamos aprender a valorizar as pessoas enquanto elas estão conosco. Precisamos demonstrar nosso apreço enquanto elas podem ouvir nossa voz. Estava pregando num congresso de liderança e perguntei aos pastores qual tinha sido a última vez que eles haviam beijado seus presbíteros. Um pastor levantou a mão no fundo do auditório e disse: “Beijar eu não beijei nenhuma vez, mas vontade de morder eu já tive algumas vezes”.  Nós precisamos entender a força terapêutica da afetividade (20.36-38). O amor é o elo de perfeição que une as pessoas. 

 E o cinturão que mantém unidas as demais peças da virtude cristã. Uma pessoa não permanece numa igreja onde ela não tem amigos. A comunhão e a evangelização são te mas profundamente conectados. Onde há união entre os irmãos, ali Deus ordena sua bênção e a vida para sempre (SI 133.1-3). Certa feita uma irmã da igreja me telefonou informando que pretendia transferir-se para uma igreja mais próxima de sua casa. Eu carinhosamente lhe disse: “O problema é que você é tão importante para a nossa igreja, que não podemos abrir mão de sua presença”. A mulher começou a chorar ao telefone e disse: “Pastor, na verdade eu não queria ir para outra igreja. Era isso o que eu precisava ouvir. Muito obrigada” e desligou o telefone. As pessoas são carentes afetivamente, e os pastores precisam compreender que o amor verbalizado e demonstrado tem um grande poder terapêutico.




Ajude esta obra...
Código do PIX
Banco Mercantil do Brasil
Pb. Junio | Prof° EBD - YouTube



AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.

Pr. Setorial – Pr. Saulo Marafon.

Pr. Local: Pr. Tony Wenzler

INSTAGRAN: @PBJUNIOOFICIAL

FACEBOOK: JOSÉ EGBERTO S. JUNIO

 CANAL YOUTUBE.:    https://www.youtube.com/@pb.junioprofebd7178       Toda semana tem um vídeo da Lição. Deixem seu Like.

 Siga-nos nas redes sociais... Tenha um bom estudo bíblico.

 ** Seja um Patrocinador desta obra: chave do        PIX 11980483304        

Chave do PIX
Banco Mercantil 





               





         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21

Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio A Igreja dos Gentios - Pr. Wagner Gaby - Editora CPAD

Comentário Exegético Vol. 2 Craig S. Keener - Editora CPAD

Estudo Livro de Atos - Myer Pearlman - Editora CPAD

atos.pdf

Novo Comentário Bíblico Contemporâneo




domingo, 9 de agosto de 2026

LIÇÃO 07 - QUANDO O ESPÍRITO SOPRA EM ÉFESO.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                TEXTO ÁUREO

"Assim, a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia." (At 19.20)


                VERDADE PRÁTICA

Onde o Espírito Santo é derramado, a palavra é confirmada com poder, o pecado é confrontado, e vidas, famílias e cidades são transformadas.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 19. 1-12



                    INTRODUÇÃO


terceira viagem missionária do apóstolo Paulo marca o auge do seu ministério apostólico, representando um período de maturidade, profundidade e consolidação do seu ministério. Diferentemente das viagens anteriores, não se trata apenas de expansão geográfica. O foco agora não é apenas plantar igrejas, mas consolidar, ensinar e aprofundar a fé cristã, visando o fortalecimento doutrinário e espiritual das igrejas já estabelecidas. É nesse contexto que Paulo chega a Éfeso, uma das metrópoles mais importantes do mundo antigo e capital da província da Ásia Menor (parte da atual Turquia Ocidental). Nessa época, eram contados cerca de 600 mil habitantes. 

Éfeso era um grande centro comercial entre o oriente e o ocidente; era um centro de transporte marítimo e terrestre e uma das maiores cidades no litoral do mar Mediterâneo. Também era um grande centro religioso, marcado por idolatria e práticas ocultistas, conhecido, sobretudo, pelo templo de Ártemis (deusa grega do amor e da fertilidade) e considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo, tendo sido também um polo de mágicas e práticas ocultistas.

Foi nessa cidade que Paulo passou mais tempo do que em qualquer outro lugar e onde houve o maior avivamento de todos do Novo Testamento, não caracterizado apenas por sinais e maravilhas, mas por arrependimento genuíno, transformação de vidas e crescimento poderoso da Palavra de Deus (At 19.20). Esse texto ensina-nos que o verdadeiro avivamento não é apenas emocional ou momentâneo, mas começa com a doutrina correta, é confirmado pelo poder do Espírito Santo e produz impacto público e missionário. Avivamento esse, cuja profundidade teológica, manifestação espiritual e transformação social tornam-no um modelo para a igreja contemporânea.

                GEOGAFIA DE ÉFESO

 Parece que Paulo fez sua viagem para Éfeso por um caminho mais curto, embora menos freqüentado, pelo vale do Cayster (veja a disc. sobre 18:23). Pelo menos este parece ser o significado de estrada do
interior, "ou terras altas", visto que este caminho levava a uma topografia mais elevada em relação à estrada principal através de Colossos e Laodicéia. Agora ele estava na Ásia proconsular. Por volta do segundo século a.C. esta região estava sob o governo dos Selêucidas, mas pela Derrota destes, comandados pelo rei selêucida Antíoco III (190 a.C. em Magnésia) numa guerra com os romanos, grande parte da região passou para Eumenes II, de Pérgamo, aliado de Roma. Subsequentemente, pela morte do último rei de Pérgamo, Atalus III (133 a.C), como herança a região voltou aos romanos. A nova província assim adquirida chamou-se Ásia, visto que os Atalidas eram conhecidos dos romanos como os reis da Ásia. Essa província tomou Mísia (veja a disc. sobre 16:7s.); Lídia e Caria; as áreas costeiras de Eólia, lônia e Trôade, e muitas das ilhas do mar Egeu. A província cresceu em 116 a.C. mediante a adição da Frígia maior. Sua primeira capital havia sido Pérgamo, a antiga capital dos Atalidas, mas, pela época de Augusto, Éfeso havia assumido essa posição. 

A cidade dirigia e resolvia seus próprios assuntos através da assembléia de cidadãos (demos), e elegia seus magistrados. A paz trazida por Augusto ao mundo romano foi bem recebida pelos povos da Ásia, cuja própria história havia sido turbulenta. Desenvolveram um forte senso de lealdade ao imperador, expressa no estabelecimento do culto de "Roma e seu Imperador", em 29 a.C. O culto era ministrado a favor das cidades participantes (como a Liga da Ásia) por seus representantes, os asiarcas, nomeados anualmente para esse propósito.

Sendo membro da Liga da Ásia, Éfeso havia sido o centro desse culto desde o início; moedas e inscrições mostram como a cidade se orgulhava de ser neokoros, "Administradora do Templo", tanto do culto imperial como do de Ártemis, sua própria deusa padroeira. A maior parte das evidências neste sentido relaciona-se ao culto imperial, mas o título "guardadora do templo da grande deusa Diana" (v. 35) é atestado (embora depois do Novo Testamento), não havendo a menor dúvida de que Éfeso
era famosa pela adoração de sua deusa. Seu último templo — aquele que Paulo viu — foi considerado uma das maravilhas do mundo.


                    CURIOSIDADES DE ÉFESO

William Barclay elenca seis razões pelas quais Paulo se dedicou tanto tempo nessa grande metrópole:

1. Efeso era o grande centro comercial da Asia Menor. Os vales férteis cortados pelos rios eram os principais redutos do 7comércio. A cidade ficava na desembocadura do rio Cayster e a menos de 5 km do mar Egeu, para dentro do continente, por isso dominava o comércio da região. Éfeso era considerada a tesoureira e a feira das vaidades da Ásia Menor.

2. Éfeso era a sede dos tribunais. Werner de Boor diz que a grandeza e a importância de Éfeso motivaram os romanos a conceder a essa cidade certa autonomia política, com um senado próprio e uma assembleia do povo. Por isso, no caso do levante dos ourives, não intervém o procônsul romano, mas o chanceler da própria cidade. Em determinados momentos, o governador romano chegava à cidade para julgar os grandes casos penais. A cidade estava familiarizada com toda a ostentação do poder e da justiça de Roma.

3. Éfeso era a sede dos Jogos Panjônicos. Toda a região concorria a esses jogos. Os asiarcas sentiam-se honrados em organizar e promover essa modalidade esportiva. Ao visitar as ruínas de Éfeso em julho de 2011, vi as escavações arqueológicas que desenterraram a arena, no qual, estima-se, era possível acomodar 24 mil pessoas sentadas.

4. Éfeso era o lar dos delinquentes. O templo de Diana possuía o direito de asilo. Isto significava que, se algum delinquente alcançasse a área que rodeava o templo, estaria a salvo. Assim, a cidade se convertera no lar de assassinos, transgressores da lei e criminosos do mundo antigo.

5. Éfeso era o centro da superstição pagã. Os encantamentos e magias reunidos nas chamadas “Cartas de Éfeso” prometiam proteção nas viagens, filhos aos que não os tinham, êxito no amor e nos negócio. Pessoas de todas as partes do mundo se dirigiam a Éfeso para comprar esses pergaminhos mágicos, que eram usados como amuletos e talismãs.

6. Éfeso era o palco do grande templo de Diana. Um suntuoso templo de mármore branco, com colunas bordejadas de ouro, oito vezes maior do que o Parthenon. A maior glória de Éfeso era sediar o templo pagão mais famoso do mundo.


                I.    O ESPÍRITO SANTO SOBRE O MINISTÉRIO DE PAULO (AT 19. 1-10)


1.    A restauração da verdadeira doutrina   (Vv. 1-7)     -    19:lb-2 / Logo após sua chegada a Éfeso, ou assim parece, Paulo veio a encontrar-se com uns homens ("cerca de doze", v. 7), os quais Lucas teria considerado como cristãos em certo sentido, visto que ele os chama de discípulos (v. 1), dos quais se afirma que haviam crido (v. 2), mas só conheciam o "batismo de João" (v. 3). É muito significativo o critério de Paulo para discernir um cristão. Também é significativa a forma como O apóstolo formula sua pergunta.

Esses discípulos talvez estivessem na mesma situação de Apoio, tendo sido "instruídos no caminho do Senhor" até certo ponto (18:25), mas Ignoravam o que havia acontecido no Pentecoste cerca de vinte anos mais (e talvez ignorassem outras coisas). Esta sugestão apóia-se na Interpretação do v. 2. Eles responderam à pergunta de Paulo, dizendo: nem sequer ouvimos que haja Espírito Santo. Ora, é quase certo que tais homens fossem judeus, mas ainda que fossem gentios influenciados pelos ensinos de João Batista e de Jesus, deveriam pelo menos ter ouvido falar do Espírito. 

É melhor entender, então, a resposta deles como significando que não sabiam que o Espírito Santo havia sido concedido ( cp. João 7:39, onde se encontra a mesma expressão grega). Assim é que, independente do que mais soubessem a respeito de Jesus, não estavam conscientizados a respeito de um evento em particular que, mais do que qualquer outro, confirmava a realidade da chegada da era da salvação. Em suma, esses crentes não estavam mais adiantados essencialmente do que os discípulos de João Batista.

19:3-4 / Investigação um pouco mais profunda demonstrou que de fato o único batismo que conheciam era o de João. Paulo lhes explicou que aquele batismo havia sido apenas um rito preparatório mediante o qual as pessoas prometiam emendar suas vidas, arrepender-se, em antecipação do Messias prestes a chegar, em (lit. "dentro de") quem deveriam crer (veja a disc. sobre 10:43). Mas o Messias havia chegado, oferecendo perdão a quem mostrasse arrependimento, e bênçãos a quem tivesse fé. Sem dúvida Paulo lhes exibiu tudo isso com muitas provas das Escrituras, mas Lucas resumiu todo o ensino paulino nas duas palavras do final do v. 4. Tudo quanto João Batista e os profetas haviam contemplado no futuro se realizara em Jesus (veja também a disc. sobre 18:25).

19:5-7 / Estes "discípulos" consideravam-se cristãos e no entanto ficaram sabendo que ainda não tinham uma compreensão completa da fé cristã. Talvez por essa razão impondo-lhes Paulo as mãos (v. 6), assegurou-lhes que agora passavam a estar na "linha sucessória apostólica". Também pode ser por essa razão que se lhes acrescentaram os sinais externos da presença do Espírito, pois passaram a falar em línguas, e profetizavam. Quanto a terem sido batizados "em nome do Senhor Jesus" (v. 5), veja a nota sobre 2:38 e a disc. sobre 8:16). O tempo do verbo na segunda metade do v. 6 (imperfeito) significa que eles "começaram a falar e a profetizar", ou que "ficaram falando e profetizando continuamente". Estes dois dons são discutidos em profundidade em 1 Coríntios 12 e 14. A forma indefinida usada por Lucas, eram ao todo uns doze homens (v. 7), faz que seja improvável a atribuição de algum significado a esse número.

O que é a verdadeira doutrina?
Doutrina verdadeira refere-se aos ensinamentos autênticos e corretos de uma fé ou sistema de crenças, que vêm de uma fonte divina (Deus). Fundamentados nas escrituras sagradas (como a Bíblia no cristianismo), resultam em mudanças positivas de atitudes e comportamentos, sendo o oposto de doutrinas falsas, que são enganosas, sem base bíblica e prejudiciais. A verdadeira doutrina guia-nos à conduta correta e à compreensão da vontade divina.
As características da verdadeira doutrina são: (1) origem divina; (2) fundamentada nas Escrituras; 
(3) transformadora; (4) sã e saudável; e (5) focada em Cristo.

2.     O ensino perseverante diante da resistência  (Vv. 8-9)     -    Ao chegar a Éfeso, Paulo segue o padrão missionário que já caracterizava o seu ministério: dirigir-se primeiramente à sinagoga. Esse comportamento não é meramente estratégico, mas profundamente teológico, pois reflete o princípio paulino de que o evangelho é “primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1.16). A sinagoga representava o espaço onde as Escrituras eram lidas, interpretadas e debatidas, tornando-se o ambiente ideal para a exposição cristológica do Antigo Testamento.

Lucas registra que Paulo estava ensinando na sinagoga judaica em Éfeso há cerca de três meses, “falou ousadamente”, “disputando e persuadindo” os judeus acerca do Reino de Deus (At 19.8). O verbo grego parresiazomai (ousadia) indica liberdade de expressão, coragem espiritual e convicção profunda. Paulo não se limita a proclamações superficiais; ele dialoga, argumenta e demonstra, à luz das Escrituras, que Jesus é o Messias prometido (At 17.2,3).

O seu ministério não era emocionalista. O seu método não é baseado em retórica vazia, mas bíblico e racional, apelando ao entendimento e ao coração. O seu ensino não era meramente expositivo, mas dialógico, argumentativo e apologético, conduzindo os seus ouvintes a uma compreensão mais profunda da revelação divina. O Reino de Deus, tema central da sua pregação, aponta para o governo soberano de Deus manifestado em Cristo, que cumpre e transcende as expectativas messiânicas do judaísmo. Esse dado ensina-nos que os grandes avivamentos da história bíblica não foram sustentados apenas por experiências sobrenaturais, mas por ensino contínuo, discipulado fiel e compromisso com as Escrituras (Cl 1.28; 2 Tm 2.2).

O ensino de Paulo na sinagoga tinha como eixo central o Reino de Deus, tema que conecta a expectativa messiânica judaica à revelação plena em Cristo. Ao anunciar o Reino, Paulo apresenta Jesus não apenas como Salvador, mas também como Senhor soberano, aquEle que cumpre a Lei e os Profetas (Mt 5.17; Lc 24.44).

O avanço da verdade, entretanto, gera resistência. Os judeus não responderam positivamente, como sempre acontecia quando Paulo falava nas sinagogas (At 19.9). O endurecimento aqui descrito não é intelectual apenas, mas espiritual (sklerynõ), indicando resistência consciente à ação de Deus. Tal rejeição revela que a exposição fiel da Palavra inevitavelmente produz dois efeitos: fé em uns e oposição em outros (2 Co 2.15,16). 

O termo “Caminho” é usado para designar os cristãos e a sua maneira de viver, incluindo a ideia das suas doutrinas, ainda que a ênfase do termo recaia sobre o estilo da vida deles. É empregado por seis vezes no livro de Atos. O próprio Senhor Jesus chamou a si mesmo de “o Caminho” (Jo 14.6).

Contudo, quando surge resistência, incredulidade e oposição, Paulo demonstra discernimento pastoral e maturidade espiritual. Ele não força permanência onde há dureza, mas muda a estratégia, não abandonando a missão, mas mudando o ambiente, separando os discípulos e dando continuidade ao ensino em outro contexto. Esse movimento não representa recuo, mas avanço estratégico. Evidencia que o avivamento não é impedido pela oposição, mas frequentemente redirecionado por ela, conforme a soberania divina (Is 55.11; At 13.46).

Em Corinto, quando Paulo foi perseguido, ele mudou-se da sinagoga para a casa particular de Tito Justo (At 18.7). Os judeus não responderam positivamente, como sempre acontecia quando Paulo falava nas sinagogas. Paulo afastou-se deles e separou os discípulos, instruindo-os diariamente na Escola de Tirano (v. 9).

 

3.    Formação sólida que transforma uma região inteira   (Vv. 9-10)     -    Em todas as ocasiões, Paulo deixou de falar aos judeus e concentrou-se nos gentios (At 13.44-47; 18.5,6). Parece que ele seguiu o mesmo padrão em Éfeso: tendo sofrido oposição pública na sinagoga judaica, Paulo começou a ensinar diariamente (kath’ hermeran) na Escola de Tirano (At 19.9), provavelmente um centro de ensino filosófico ou retórico, comum no mundo greco-romano. Paulo não apenas evangeliza, mas também discípula, forma líderes e prepara obreiros. Esse detalhe revela a extraordinária capacidade de o apóstolo contextualizar o evangelho sem comprometer a sua essência, indicando regularidade, disciplina e profundidade pedagógica. Paulo leva a mensagem do Reino para um espaço secular, demonstrando que o evangelho não está restrito a ambientes religiosos.

O avivamento em Éfeso não foi sustentado só por eventos sobrenaturais, mas também por formação contínua, ensino sistemático e discipulado intencional. Esse modelo ecoa o mandato apostólico de edificar a Igreja por meio do ensino da Palavra (Ef 4.11-13; Cl 1.28).

Tirano é mencionado apenas uma vez nas Escrituras, em conjunto com o ministério de Paulo. O seu nome é grego e significa “príncipe” ou “governante”, e alguns estudiosos acreditam que Tirano era um professor, filósofo ou retórico — um especialista em discurso persuasivo — que alugava o seu salão para filósofos e professores viajantes para a realização de conferências e outras reuniões.

Paulo passa a ensinar diariamente na escola de Tirano por cerca de dois anos. Em 1 Coríntios 16.8,9, o apóstolo Paulo chegou a afirmar que o motivo da sua permanência em Éfeso foi “porque uma porta grande e eficaz se me abriu”, referindo-se ao trabalho do Senhor naquela cidade. O resultado é extraordinário: esse ensino diário promove crescimento e estabilidade. A Palavra, firmemente ensinada, foi o alicerce para os milagres extraordinários que Deus realizou por meio das mãos de Paulo (At 19.10). Isso não significa que Paulo pregou pessoalmente a todos, mas que os seus discípulos, formados naquele ambiente de ensino, tornaram-se multiplicadores do evangelho. Aqui se evidencia um princípio missiológico fundamental: o ensino gera expansão.

A Escola de Tirano torna-se, portanto, um verdadeiro centro de treinamento missionário. Igrejas como Colossos, Laodiceia e Hierápolis provavelmente foram alcançadas nesse período (Cl 1.7; 4.12,13). O avivamento em Éfeso transcende o local e assume proporções regionais, confirmando que a Palavra de Deus, quando ensinada com fidelidade e perseverança, cresce, prevalece e frutifica abundantemente (Sl 1.1-3; 2 Tm 2.2). Avivamentos verdadeiros não sobrevivem sem ensino sistemático da Palavra (Cl

1.28).

Os dois ambientes, sinagoga e escola, revelam a amplitude do ministério do apóstolo Paulo. Na sinagoga, ele confronta a tradição religiosa com a revelação messiânica. Na escola, ele forma discípulos e envia missionários ao mundo. Ambos os contextos demonstram que o avivamento bíblico é sustentado pelo ensino fiel, produz discernimento diante da oposição, forma discípulos maduros e gera expansão missionária.

Dessa forma, o ensino de Paulo, tanto na sinagoga quanto na Escola de Tirano, revela um princípio fundamental para a compreensão do avivamento bíblico: não há avivamento duradouro sem ensino sólido da Palavra. O Espírito Santo age poderosamente, mas Ele faz isso em harmonia com a verdade revelada, produzindo transformação espiritual, maturidade cristã e expansão missionária. O avivamento em Éfeso, portanto, não é apenas um evento histórico, mas também um modelo permanente para a Igreja na sua missão no mundo. Além disso, esse episódio revela que o Espírito Santo atua tanto em ambientes religiosos quanto acadêmicos, confrontando cosmovisões, transformando mentes e estabelecendo o senhorio de Cristo sobre todas as áreas da vida (2 Co 10.4,5).



                II.    O DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO SANTO E O IMPACTO DO EVANGELHO NA CIDADE ( AT 19. 11-20)


1.    Manifestações extraordinárias do poder do Espírito (Vv. 11-12)     -      Lucas nos fala pouco a respeito dos anos de Paulo em Éfeso, mas esse pouco revela-nos que tremendo impacto o apóstolo exerceu sobre a cidade; ao mesmo tempo Lucas nos mostra com acuidade a atmosfera religiosa e moral da cidade. "Em Éfeso", escreve Rackham, "a cultura e a filosofia helenística haviam feito uma união desastrosa com a superstição oriental" (p. 339). O resultado foi uma cidade preocupada com a magia.

Paulo deve ter deplorado a superstição do povo, mas foi o interesse efésio pela magia que propiciou a entrada do evangelho. Como em outras cidades, a pregação de Paulo se fez acompanhar "pelo poder dos sinais e prodígios, no poder do Espírito Santo" (Romanos 15:19; cp. Atos 13:11; 14:3, 10; 16:18; 2 Coríntios 12:12; Hebreus 2:4); a diferença poderia ter sido que em Éfeso a freqüência dos milagres teria sido inusitada (observe a expressão, fez milagres extraordinários). Teriam sido "extraordinários" no caráter (v. 11). Era Deus, logicamente, quem os executava; Paulo era apenas seu agente (lit., "pelas mãos de Paulo", v. 11; veja a nota sobre 5:12). 

Entretanto, o povo comum não estava preocupado com tais sutilezas teológicas. Para o cidadão comum era Paulo quem operava tais milagres, pelo que o apóstolo tornou-se o centro de interesse público. Tomaram-lhe as roupas de trabalho — aventais, macacões, lenços — da oficina, na esperança de que por meio dessas peças de vestuário poderiam curar seus enfermos. Seria fácil pôr de lado essa prática do povo, como se meramente refletisse a perspectiva supersticiosa efésia, e explicar as curas do v. 12 como sendo devidas a outro meio mais apropriado (não mencionado no texto) de as pessoas serem alcançadas pela graça de Deus. 

Contudo, para interpretarmos com justiça o texto de Lucas, a implicação é que foi pelo contato com as roupas que as enfermidades os deixavam e os espíritos malignos saíam (v. 12). Lucas afirma que os milagres eram extraordinários. Bem pode ter acontecido que Deus atendeu às necessidades das pessoas no nível de entendimento delas. Os efésios davam grande im￾portância a amuletos e encantamentos (veja os vv. 18s.), e agora, exatamente por esses meios, recebiam a lição de que no Deus de Paulo havia um poder maior, muito maior do que qualquer outro que conhecessem. Esse fato em si mesmo não era suficiente. Mas constituía o primeiro passo na direção de "crer sem ver" (João 20:29; veja a disc. sobre 5:15s.). Nenhuma sugestão se faz sobre Paulo ter encorajado ou aprovado o que os efésios estavam fazendo.


2.   Confronto espiritual e ruptura com o ocultismo (Vv. 13-19)    -     Onde Deus levanta uma igreja, Satanás ergue uma sinagoga. Onde Deus instrumentaliza obreiros fiéis, Satanás apresenta seus falsos obreiros. Onde Deus realiza verdadeiros milagres, Satanás tenta simular com seus ardis. 
Os sete filhos de Ceva tentaram fazer o mesmo que Deus estava fazendo pelas mãos de Paulo e se deram mal, pois se aventuraram a libertar um homem endemoninhado em nome do Jesus que Paulo pregava. O espírito maligno falou por boca do homem possesso: Conheço Jesus e sei quem ...é Paulo; mas vós, quem sois? (19.15). O homem possesso saltou sobre eles furiosamente, deixando-os feridos e nus. 
Howard Marshall diz que a lição desta narrativa mostra o resultado de lançar mão indevidamente do nome de Jesus. Os apóstolos curavam pessoas no nome de Jesus não para praticarem magia, mas para demonstrarem a autoridade de Jesus. O termo nome significa a pessoa, as palavras e as obras de Jesus, então qualquer um que o utilize identifica- -se com Jesus e se torna um verdadeiro representante dele. 
Portanto, os descrentes não podem jamais usar o poder do nome de Jesus.
De acordo com John Stott, é certo que há poder — poder para salvar e curar — no nome de Jesus, como Lucas faz questão de ilustrar (3.6,16; 4.10-12). Mas a sua eficácia não é mecânica, nem pode ser empregada levianamente.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

LIÇÃO 06 - A SUFICIÊNCIA DA GRAÇA NA CIDADE DE CORINTO.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 



                TEXTO ÁUREO

"Porque eu sou contigo, e ninguém lancará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade." (At 18.10)


                VERDADE PRÁTICA

A graça de Deus é suficiente para sustentar o crente em meio ás adversidades.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 18. 1-11


                INTRODUÇÃO


A fundação da Igreja em Corinto, registrada em Atos 18, é um capítulo marcante na história do cristianismo primitivo, especialmente por evidenciar duas realidades fundamentais da missão cristã: a suficiência da graça de Deus em meio às adversidades e a importância de contextualizar a mensagem do evangelho sem comprometer a sua essência.

Enfrentando oposição e desafios numa cidade moralmente decadente e religiosamente pluralista, encontrou no poder e na graça divina a força necessária para perseverar, ao mesmo tempo que soube adaptar a sua abordagem para alcançar um público altamente diversificado. A graça não escolhe ambientes tranquilos; ela manifesta-se nos piores cenários. Como o Senhor disse a Paulo mais tarde: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12.9).

 Howard Marshall observa que Corinto e Efeso foram as duas cidades mais importantes que Paulo visitou no decurso da sua obra missionária. Corinto era um grande centro comercial, um mercado de fama mundial, que controlava o comércio em todas as direções, não apenas de norte a sul por terra, mas também de leste a oeste por mar. Essa grande metrópole tinha dois portos. Era uma cidade de navegadores e mercadores. Suas feiras estavam repletas de produtos estrangeiros. Por sua vez, Efeso, também famosa pelo comércio, era conhecida como o mercado da Ásia. Além disso, era um dos maiores centros religiosos da época, pois o templo de Diana, uma das sete maravilhas do mundo antigo, atraía turistas e religiosos de toda a parte. Essas duas cidades eram absolutamente estratégicas, e Paulo tinha os olhos bem abertos para perceber isso.



                I.     PAULO CHEGA A CORINTO (AT 18. 1-6)


1.    Corinto riqueza material e miséria espiritual    -     A cidade era o centro político da Grécia, que, nessa época, superou Atenas em importância política e comercial. Corinto era capital famosa pela sua opulência, porém cheia de sensualidade e devassidão, sendo o maior centro de imoralidade de todo o Império Romano (1 Co 6.9-11) por abrigar templos dedicados a várias divindades (At 18.4), como Afrodite, a deusa do amor, cujo culto envolvia práticas sexuais. Estrabão, historiador, geógrafo e filósofo grego, revela que havia em Corinto cerca de mil prostitutas religiosas dedicadas a esse culto.

Corinto era uma metrópole cosmopolita (1 Co 1.2), isto é, uma grande cidade que se destaca pela diversidade cultural e pela presença de pessoas de diferentes nacionalidades e origens, comercialmente estratégica e espiritualmente caótica, com uma ambiência hostil à mensagem de santidade (2 Co 12.21). Mesmo assim, Deus escolheu esse lugar para plantar uma igreja forte (At 18.8), mas era ali que Ele tinha “muito povo”. Entretanto, Deus opera nos ambientes mais difíceis, e a sua graça é suficiente (2 Co 12.9). A graça não escolhe ambientes tranquilos; ela manifesta-se nos piores cenários. Nesse ambiente desafiador, Paulo chegou com temor e tremor, carregando não apenas o peso físico de perseguições anteriores, mas também a preocupação pastoral por todas as igrejas.

Em 1 Coríntios 2.1-5 na Nova Almeida Atualizada, Paulo explica que, ao pregar aos coríntios, não usou “sublimidade de palavras ou de sabedoria”, mas decidiu focar em “Jesus Cristo e este crucificado”, apresentando-se com “fraqueza, temor e grande tremor”, e não com linguagem persuasiva humana, mas com demonstração do Espírito e poder para que a fé deles dependesse do poder de Deus, e não da sabedoria humana.

            GEOGRAFIA DE CORINTO

Embora Corinto tivesse prosperado séculos antes, em 146 a.C. a cidade foi completamente demolida pelos romanos como punição por sua resistência à ocupação romana. Em 44 a.C., Corinto foi reconstruída por ordem de Júlio César, que estabeleceu um grande número de colonos italianos ali. Graças a sua grande atividade comercial, a cidade logo atraiu milhares de habitantes cuja principal ocupação era o comércio. Em 27 a.C., César Augusto criou a província senatorial de Acaia, e Corinto passou a ser sua capital. Corinto não era apenas a capital da província da Acaia, mas também um grande centro urbano, com uma população estimada em duzentos mil habitantes.

 Ficava bem próxima de Atenas, a grande capital da Grécia e capital intelectual do mundo. Corinto era banhada por dois mares, o Egeu e o Jónico. Cerca de 3 km ao norte de Corinto, ficava o porto de Léquio, que recebia navios da Itália, da Espanha e do norte da África. O porto de Cencreia, localizado 11 km a leste de Corinto, possibilitava o tráfego marítimo nos dois sentidos para o Egito, Fenícia e Ásia Menor. A cidade de Corinto recebia gente nova todos os dias e dela saía gente diariamente. Pessoas oriundas do mundo inteiro fervilhavam pelas ruas e praças. Corinto ficava no corredor do mundo. Era uma cidade cosmopolita, pois o mundo inteiro estava dentro dela.

            MORALIDADE E ESPIRITUALIDADE

 A razão moral. Embora Corinto fosse uma cidade extremamente intelectual, era também moralmente depravada. Corinto tinha recebido a alcunha de cidade mais depravada de seu tempo. Se tirarmos hoje uma radiografia da nossa sociedade, poderemos dizer: Que sociedade corrompida! Que sociedade poluída, maculada pela sensualidade, pela pornografia, pela imoralidade sexual! Mas a nova moralidade que testemunhamos hoje nada mais é do que a velha moralidade travestida com roupagem talvez um pouquinho diferente. A degradação moral de Corinto pode ser identificada pelas seguintes razões:

1. A prostituição. Em Corinto a religião se confundia com a prática sexual. Afrodite, considerada a deusa do amor, era adorada e tinha o seu templo-sede na Acrópole, a parte mais alta da cidade. Alguns estudiosos afirmam que aproximadamente dez mil mulheres trabalhavam nesse templo de Afrodite como prostitutas cultuais. No topo da mais alta montanha de Corinto, as sacerdotisas adoravam aquela divindade paga através da prostituição. Não bastasse isso, essas prostitutas cultuais desciam durante a noite para a cidade e se entregavam aos muitos marinheiros e turistas que ali aportavam. De fato, o ambiente era profundamente marcado pela prostituição e pela impureza sexual.

2. O homossexualismo. Em Corinto ficavam os principais monumentos a Apoio, deus grego que representava a beleza do corpo masculino. A adoração a Apoio induzia a juventude, não apenas coríntia, mas a juventude grega em geral, a se entregar ao homossexualismo. Talvez Corinto fosse o centro homossexual do mundo na época. Se você quer ter uma vaga ideia do que isso significava, lembre-se de como Paulo descreveu com cores vivas esse assunto em sua carta aos Romanos (Rm 1.24-28). E provável que o apóstolo tenha escrito sua carta aos Romanos em Corinto. Podemos imaginar, então, Paulo escrevendo sobre o homossexualismo após abrir a janela da sua casa e olhar para Corinto. Era uma cidade de práticas homossexuais despudoradas. Muitos membros da igreja de Corinto tinham vivido na prática do homossexualismo antes de se converterem (lC o 6.9). Essa era a situação dessa grande cidade.

A razão espiritual. Corinto tinha muitos deuses e muitos ídolos. Até hoje, quando se visita a cidade, é possível visualizar enorme gama de estátuas e monumentos dedicados aos deuses. Por isso, Paulo entende que aquela cidade precisava do Deus verdadeiro. A mente estratégica de Paulo encontra em Corinto uma sinagoga, uma ponte para o evangelho. A partir dessa ponte, Paulo leva o evangelho a toda a cidade. Examinemos agora alguns pontos de Atos 18.1-28 que nos chamam a atenção.


2.     Temor humano e dependência da graça     -    Ao chegar a Corinto, após sofrer rejeições noutras cidades como Filipos, Tessalônica e Atenas, Paulo estava emocionalmente abatido e fisicamente cansado. Ele provavelmente estava deprimido, com medo, sentindo solidão e fraqueza, temendo que ali em Corinto o seu trabalho fosse interrompido por judeus opositores (como em Tessalônica e Bereia) ou pela mundanidade altamente carregada ao seu redor. Apesar do seu zelo, Paulo sentiu-se vulnerável. Mais tarde, ele escreveria sobre isso (1 Co 2.3). Isso mostra que Paulo também era humano, sujeito a pressões e inseguranças, especialmente diante da dureza espiritual de Corinto.

Apesar da presença de amigos na cidade, a permanência em Corinto seria um período de provações para Paulo, e o Senhor falou-lhe numa visão com palavras de encorajamento (At 18.9,10). A afirmação divina era apoiada por uma promessa tríplice: o Senhor estaria sempre com ele (Mt 28.19); nada lhe faria mal (não que nenhuma tentativa seria desferida, mas que ele sobreviveria (vv. 12-17; cf. Sl 23.4; Is 41.10); Deus tinha muito povo naquela cidade (vv. 10; cf. 1 Rs 19.18; Os 2.23). Essa promessa não apenas encorajou Paulo, como também revelou o quanto a graça divina é suficiente para sustentar o obreiro mesmo nos contextos mais hostis. Depois desse encorajamento, Paulo ficou ali um ano e seis meses ensinando entre eles a palavra de Deus, tempo incomum para alguém tão perseguido (At 18.11).

É natural o ser humano sentir medo, mas o Altíssimo socorre os seus, e não os deixa desamparados. Quando o servo crê nessa promessa, o medo, a insegurança, as dúvidas e as fraquezas são neutralizadas pela fé que ele possui. Ninguém pode silenciar a voz de quem é cheio do Espírito Santo. Isso prova que, quando Deus abre uma porta, ninguém fecha (Ap 3.7,8). E, quando Ele diz “não temas”, nossa fraqueza encontra abrigo na suficiência da sua graça. Pela leitura sequencial do livro de Atos, percebe-se que outro líder da sinagoga em Corinto chamado Sóstenes deve ter assumido o lugar de Crispo na sinagoga durante algum tempo, tendo depois também se convertido ao cristianismo. Paulo enfrentou forte oposição e ódio contra ele e contra o evangelho; por isso, passou a recear a sua permanência naquela cidade (1 Co 2.3). O apóstolo, contudo, recebeu do Senhor uma direção clara para permanecer firme. Essa firmeza não se apoiava em estratégias humanas, mas, sim, no reconhecimento de que a sua força vinha do Senhor. Em outro momento de fraqueza, o próprio Paulo ouviu isso de Deus (2 Co 12.9). Corinto foi, portanto, um laboratório da graça divina, onde a força de Paulo não estava na sua retórica, mas na dependência do Espírito Santo!


3.    O início do ministério e a oposição na sinagoga    -    Como já citado, no ano 49 d.C., um ano antes de Paulo chegar a Corinto, o imperador Cláudio havia expulsado de Roma todos os judeus. Por essa causa, Priscila e Aquila deixaram a Itália e foram morar em Corinto. Esse casal era colaborador do ministério de Paulo e exercia o mesmo ofício do apóstolo, a fabricação de tendas. Em Corinto, Paulo foi morar com eles, trabalhando com as mãos para seu sustento (2Co 11.7-9). Paulo jamais deixou de pregar o evangelho por falta de sustento das igrejas. Nessas circunstâncias trabalhava para sua própria sobrevivência. 

Esse não era o ideal de Deus, pois o princípio divino é: 

...Aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho (ICo 9.14). Porém, para evitar qualquer obstáculo à pregação do evangelho, Paulo se abstinha de receber o sustento material (ICo 9.12b). 

Aos sábados, Paulo ia à sinagoga persuadir tanto os judeus como os gregos prosélitos acerca da fé em Cristo. Priscila e Aquila formavam um casal dedicado, que servia fielmente a Deus e arriscou a própria vida por Paulo (Rm 16.3,4). Ajudaram-no em Corinto (18.2,3) e em Efeso (18.18-28), onde a igreja se reunia em sua casa (ICo 16.19). O versículo 2 é o único trecho em todo o Novo Testamento em que Aquila é mencionado antes de Priscila (18.18,26; Rm 16.3; 2Tm 4.19). Justo González acredita que o fato de Priscila aparecer primeiro parece indicar que ela era mais importante na vida da igreja do que seu marido. 

Tanto em Corinto como em Efeso, as maiores cidades da Acaia e Ásia Menor respectivamente, Paulo adotou praticamente a mesma metodologia: a) começou a falar na sinagoga na tentativa de “persuadir” os ouvintes judeus de que Jesus era o Cristo (18.4,5; 19.8); b) à rejeição dos judeus, deixando a sinagoga e passando a evangelizar os gentios (18.6,7; 19.9); c) a ousadia de Paulo foi recompensada por muitas pessoas que ouviram o evangelho e creram (18.8; 19.10); d) Jesus confirmou a sua palavra e encorajou o seu apóstolo - em Corinto através de uma visão e em Efeso através de milagres extraordinários (18.9,10; 19-11,12); e e) as autoridades romanas rejeitaram a oposição e declararam a legitimidade do evangelho — em Corinto através do procônsul Gálio, e em Efeso através do escrivão da cidade (18.12-17; 19.35-40).

Paulo precisou exercer o ministério de tempo parcial até a chegada de Silas e Timóteo em Corinto (17.14,15; 18.5).  Esses obreiros trouxeram ofertas das igrejas macedônias a Paulo (2Co 11.8,9; Fp 4.15) e, com isso, o apóstolo deixou seu trabalho secular e dedicou-se exclusivamente à pregação do evangelho. O cerne de sua mensagem consistia em provar que o Jesus histórico era o Messias esperado pelos judeus. Na cidade de tantas ideias e tantas filosofias, Paulo pregou Cristo e este crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios; para os salvos, porém, sabedoria de Deus (lC o 1.23-25).


                  II.     A CONTINUIDADE DA MISSÃO E O ENCORAJAMENTO DIVINO ( AT 18. 7-11)

 

1.    A casa de Justo e o avanço do evangelho    -    A decisão de voltar-se para os gentios rendeu frutos imediatos. Tício Justo, homem temente a Deus que morava ao lado da sinagoga, acolheu Paulo, ao passo que Crispo, líder da sinagoga, converteu-se com toda a sua família. A partir daí muitos coríntios converteram-se ao Senhor e foram batizados. A mudança para a propriedade vizinha à sinagoga foi altamente bem-sucedida, pois muitos coríntios agora ouviam a mensagem, criam e eram batizados.

Saindo da sinagoga, certo homem gentio chamado Tito Justo, temente a Deus e frequentador da sinagoga, que deve ter-se convertido sob o ministério de Paulo, ofereceu um espaço na própria residência para o trabalho do apóstolo. A sua casa ficava ao lado da sinagoga (v. 7), o que colaborou com a missão de Paulo, dado a ele e à nova congregação  um bom conceito na cidade, o que era muito importante. Houve uma grande repercussão entre os coríntios quando souberam que ele pregava na casa de um cidadão romano, e assim muitos se converteram. Como resultado do trabalho de Paulo, muitos habitantes de Corinto abraçaram o cristianismo, inclusive Crispo, principal da sinagoga (v. 8). Crispo de Calcedônia é um dos primeiros seguidores de Jesus no Novo Testamento. Ele é mencionado em 1 Coríntios 1.14 como um dos líderes da sinagoga de Corinto. Ele e a sua família foram convertidos ao cristianismo por Paulo de Tarso (At 18.8) e batizado pelo apóstolo em Corinto, na Grécia (ver 1 Co 1.14).


2.    O medo do apóstolo e a palavra que fortalece    -   Diante da ferrenha oposição em Tessalônica e Bereia, cidades da Macedônia, Paulo partiu e foi pregar em outras localidades. Em Corinto, porém, aconteceu o contrário. A oposição dos judeus só aumentou sua determinação de permanecer na cidade e continuar seu trabalho. O próprio Deus apareceu a Paulo numa visão e lhe disse: ...Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade (18.9,10). Jesus já havia aparecido a Paulo na estrada para Damasco (9.1-6; 26.12-18) e lhe apareceria no templo (22.17,18). Paulo seria encorajado novamente pelo Senhor quando preso em Jerusalém (23.11) e, posteriormente, em Roma (2Tm 4.16,17). O anjo do Senhor também apareceria a Paulo, em meio à tempestade, para garantir a segurança dos passageiros e da tripulação (27.23-25). Um dos nomes de Jesus é Emanuel — Deus conosco (Mt 1.23), título ao qual ele faz jus.

Howard Marshall diz que a declaração indica a presci­ência divina do sucesso do evangelho em Corinto. Fortalecido por esta mensagem, Paulo podia aguardar o duplo cumprimento: a sua própria proteção contra a perseguição e a evangelização bem-sucedida. Alguns fatos acerca dessa visão merecem destaque.

Em primeiro lugar, uma ordem expressa de Deus. O Senhor é categórico e enfático ao apóstolo, diante das nuvens escuras da perseguição: Não temas; pelo contrário fala e não te cales (18.9). A perseguição produz medo. Após ser apedrejado em Listra e açoitado em Filipos, Paulo podia ser tentado a recuar diante de novos embates. Em vez de temer diante da oposição, Paulo recebe ordens para falar e não se calar. A pregação deve prosseguir mesmo diante da oposi­ção mais implacável.

Em segundo lugar, uma promessa consoladora de Deus. O Senhor conforta o coração do apóstolo dizendo-lhe: ...Eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal... (18.10). A presença de Deus é o nosso escudo protetor. Quando estamos sob as asas do Onipotente, não precisamos temer. Quando estamos escondidos com Cristo, em Deus, nas regiões celestiais, não precisamos temer o ataque do inimigo. O cumprimento da profecia celestial ocorreu quando Gálio se tornou procônsul da província romana da Acaia. A narrativa de Lucas sugere que os judeus lançaram mão da oportunidade oferecida pela chegada de um novo governador para atacar Paulo. O ataque, porém, não prosperou diante do procônsul, e o evangelho recebeu legitimidade por parte da autoridade romana.


3.   Graça suficiente, perseverança e transição    -    O Senhor revela que havia muitos eleitos naquela cidade e cabia a Paulo chamá-los por meio do evangelho: ... pois eu tenho muito povo nesta cidade (18.10b). A doutrina da eleição, longe de anular o ímpeto evangelístico da igreja, deve ser seu maior incentivo. O mesmo Deus que elege os fins, a salvação dos eleitos, também elege os meios, a pregação do evangelho, para chamá-los à salvação. O povo que Deus havia escolhido na cidade de Corinto desde toda a eternidade deveria ser chamado à salvação por intermédio do ministério de Paulo. O próprio Jesus garante que a obra de Paulo em Corinto dará frutos. O próprio Deus destina seu povo para a vida eterna (13.48), abre o coração das pessoas para a mensagem do evangelho (16.14) e as conduz à salvação. Leon Morris observa: “Elas ainda não tinham feito nada para serem salvas; muitas nem sequer haviam escutado o evangelho. Mas elas pertenciam a Deus. Claramente é ele quem as conduziria à salvação na hora certa.

A Bíblia diz que Deus conhece os que lhe pertencem (2Tm 2.19). Jesus conhece suas ovelhas. Ele as chama pelo nome, e elas o seguem. Aqueles que são destinados para a salvação creem (13.48). Nosso papel não é especular sobre a soberania divina na salvação, mas proclamar o evangelho a toda criatura. Nosso trabalho não é especular sobre a eleição dos outros, mas procurar com diligência cada vez maior confirmar nossa própria vocação e eleição (2Pe 1.10). Em vez de teorizar sobre o número dos eleitos, devemos esforçar-nos para entrar pela porta estreita (Lc 13.23,24).Encorajado pela visão, Paulo  permaneceu um ano e meio em Corinto, ensinando a palavra de Deus. Sabemos que Deus abençoou o ministério de Paulo ali, porque havia crentes em toda a província da Acaia (2Co 1.1). No porto da cidade de Cencreia, alguns crentes fundaram uma igreja na qual Febe servia ao Senhor.



                    III.     PAULO DIANTE DE GÁLIO: A GRAÇA QUE SUSTENTA EMMEIO À OPOSIÇÃO (AT 18. 12-17)


1.    A acusação dos judeus e a proteção divina     -     A perseguição não cessou completamente, pois os judeus locais continuaram a opor-se à pregação do evangelho. Dessa forma, eles tentam condenar Paulo, levando-o perante as autoridades civis (vv. 12-17). Como predito na visão, Paulo tem sucesso na evangelização, mas também a mão do Senhor protege-o quando os judeus tentam suprimir a pregação do evangelho. Quando Gálio torna-se procônsul da província romana da Acaia, os judeus de Corinto, oponentes de Paulo, tiram vantagem da chegada de um novo governador atacando o apóstolo. 

Gálio era irmão mais velho de Sêneca, o filósofo estoico que foi tutor de Nero durante um tempo. Uma inscrição encontrada em Delfos menciona Gálio como irmão de Sêneca, a qual nos possibilita datar a chegada de Gálio em Corinto mais ou menos no verão de 51 d.C. Delfos era a sede do santuário de Apolo, que estava situado defronte de Corinto, do outro lado do golfo de Corinto. Paulo aparentemente esteve na cidade em torno de um ano e seis meses (ver At 18.11). Isso quer dizer que Paulo deve ter chegado a Corinto no ano de 50 d.C. Essa é a única data que podemos precisar com exatidão no tocante a todas as viagens do apóstolo dos gentios.

No começo do governo de Gálio (ao redor de julho de 51 d.C.), os judeus em Corinto tentam arregimentar os poderes de Roma ao seu lado contra o movimento cristão. Juntos, os oponentes de Paulo arrastam-no perante o tribunal de Gálio. O tribunal (bema) era uma plataforma elevada na porta da cidade, da qual Gálio presidia e julgava (vv. 16,17). Os judeus tentaram impedir a obra de pregação de Paulo em toda a província (v. 13). Não está claro no versículo 13 se Paulo está sendo acusado de quebrar a lei romana ou a lei judaica, mas essa acusação tem a ver com a lei dos judeus. Se as leis romanas tivessem em questão, era esperado ouvi-los e sentenciá-los. O governador vê as acusações contra o apóstolo como brigas sobre a religião judaica (vv. 14,15). Antes que Paulo pudesse defender-se, Gálio o fez. Gálio mostra a sua impaciência para com os judeus, lembrando-os que Paulo não cometeu crime contra a lei romana.


2.    O espancamento de Sóstenes e o alcance da graça    -    O que aconteceu a seguir não está claro, exceto que então todos agarraram a Sóstenes, chefe da sinagoga, e o espancaram diante do tribunal (cp. v. 8). Alguns manuscritos dão uma explicação sobre quem eram esses todos, mas a melhor versão (adotada por NIV e ECA) deixa o sujeito da ação oculto. Uma sugestão é que, a despeito de Lucas esquecer-se de indicar a mudança de assunto, foi a multidão que se lançou contra Sóstenes. Encorajados pela atitude de Gálio, os gentios demonstraram imediatamente seu desprezo pelos judeus. Outra interpretação seria que os próprios judeus é que bateram nele, como o contexto sugere. Segundo este entendimento do caso, tendo os judeus falhado tão ignominiosamente em conseguir a atenção da autoridade para suas acusações, desabafaram seu ódio em cima de seu próprio líder que apresentara o caso no tribunal. Outra alternativa seria que esse Sóstenes seja o mesmo de 1 Coríntios 1:1 (a coincidência na verdade é notável); embora ainda fosse o líder da sinagoga, teria demonstrado certa inclinação para o lado dos cristãos, à semelhança de seu predecessor Crispo, em razão do que sofreu a ira dos judeus.

 O caso é que Gálio recusou-se a intervir, permitindo que se cometesse uma injustiça contra os judeus, ou destes contra um judeu em particular (como ele próprio teria visto o caso, se Sóstenes agora fosse um cristão). Vê-se pela literatura romana quanto os romanos desprezavam a vida e as questões judaicas (p.e., Cícero, Pro Flacco 28; De Provinciis Consularibus 5; Horácio, Sátiras 4.143; 5.100; 9:69; Tácito, 2.85). De tudo isso, algo positivo talvez tenha sobrevindo a Paulo. Ele deve ter percebido pela primeira vez o potencial total da proteção oferecida pelo estado romano. Se essa proteção era oferecida aqui, como seria na própria Roma? Assim foi que o Espírito teria semeado a semente de uma idéia que gradualmente se tornou o grande objetivo de Paulo (veja a disc. sobre 19:21).


3.    A suficiência da graça na experiência de Paulo    -    A palavra “graça” ocupa lugar central na teologia bíblica. Ela não é apenas o meio pelo qual somos salvos, mas também a base sobre a qual vivemos e servimos a Deus. A experiência do apóstolo Paulo mostra que a graça não elimina dificuldades, mas torna o crente capaz de permanecer firme nelas. A doutrina da graça ocupa posição central na fé cristã. Não se trata apenas de um conceito teológico, mas também de uma experiência contínua na vida cristã. Desde a conversão até a glorificação, tudo é sustentado pela graça. O testemunho do apóstolo

Paulo revela que a graça de Deus não apenas salva, mas também sustenta, capacita e preserva os que foram alcançados por ela. Graça é o favor imerecido de Deus ao dar-nos o seu filho, que oferece a salvação a todos, e dá aos que o recebem como Salvador pessoal uma graça acrescentada para esta vida e uma esperança para o futuro (Rm 11.6; Ef 2.8,9). Graça, portanto, não é recompensa por mérito, mas iniciativa soberana de Deus. Em Cristo, a graça tornou-se visível, acessível e eficaz. A salvação é exclusivamente pela graça (At 15.11; Rm 3.24; Tt 3.5), e nenhuma obra humana pode acrescentar algo à obra de Cristo. A graça produz reconciliação com Deus (Rm 5.1,2; Cl 1.20).

A suficiência da graça para a vida cristã é manifesta da seguinte maneira: a graça sustenta na fraqueza (2 Co 12.7-10); a graça capacita para o serviço (1 Co 15.10; 2 Co 3.5; Hb 12.28); a graça consola em meio às aflições (Is 41.10; At 18.9,10; 2 Co 1.3,4); a graça garante perseverança (2 Co 4.7-9; 2 Tm 4.17,18); a graça ensina-nos a viver em santidade (Rm 6.14; Tt 2.11,12), gerando esperança (Rm 8.18; 1 Pe 5.10). A suficiência da graça é a certeza de que Deus é plenamente capaz de sustentar os seus filhos em todas as circunstâncias. Onde cessam os recursos humanos, a graça começa a agir. Onde a força humana falha, o poder de Deus aperfeiçoa-se. Que essa verdade conduza a Igreja a viver não na autossuficiência, mas na total dependência da graça que basta!

O apóstolo Paulo experimentou em Corinto a suficiência da graça de Deus mesmo diante de intensa oposição, perseguição, fragilidades pessoais e desafios espirituais (At 18.1-11; 1 Co 2.3-5). A cidade de Corinto, marcada pela idolatria e decadência moral, tornou-se palco de uma profunda experiência com o Deus que fortalece os fracos e sustenta os fiéis com a sua graça poderosa. Corinto foi, portanto, um laboratório da graça divina, onde a força de Paulo não estava na sua retórica, mas, sim, na dependência do Espírito Santo!

A graça de Deus gera coragem para continuar mesmo quando o coração está aflito. Paulo foi chamado a continuar pregando. A graça não apenas consola, mas também impulsiona. Não é a ausência de problemas que revela a suficiência da graça, mas a presença do Senhor em meio aos problemas.

Na sua Segunda Carta aos Coríntios, Paulo revela que orou três vezes para que Deus livrasse-o de um “espinho na carne”. A resposta divina foi marcante: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12.9). Essa graça experimentada em Corinto, surgida num contexto de sofrimento e limitação, certamente se tornaria uma marca do seu ministério. Paulo, um homem usado poderosamente por Deus, suplica pela remoção de um espinho na carne. Deus, no entanto, não remove a dor; Ele concede algo maior: a graça suficiente. Isso nos ensina que a graça não é ausência de luta, mas presença de Deus no meio dela. Além disso, a graça capacita o crente para o serviço. Paulo reconhece que tudo o que realizou foi resultado da graça de Deus operando nele (1 Co 15.10). Não é a habilidade humana que sustenta o ministério, mas a graça divina. É ela que transforma servos frágeis em instrumentos eficazes.

Por fim, a graça também educa e transforma o caráter do crente. Conforme Tito 2.11,12, a graça que salva é a mesma que ensina a viver em santidade. Assim, a suficiência da graça não gera acomodação, mas compromisso; não produz negligência espiritual, mas obediência amorosa. A graça que sustentou Paulo foi a mesma que chamou e santificou aqueles irmãos (1 Co 1.2). Apesar de todos os obstáculos, Paulo permaneceu dezoito meses em Corinto e ali estabeleceu uma igreja. Como Paulo, precisamos reconhecer que é em nossa fraqueza que se aperfeiçoa o poder de Deus.

A dependência da graça de Deus é uma das verdades mais profundas e, ao mesmo tempo, mais negligenciadas da vida cristã. Muitos compreendem que a salvação é pela graça, mas passam a viver como se o crescimento espiritual e a perseverança dependessem exclusivamente do esforço humano. A Escritura, contudo, ensina que toda a jornada cristã é sustentada pela graça do início ao fim.

O apóstolo Paulo declara com clareza: “[...] pela graça sois salvos” (Ef 2.8). Entretanto, o mesmo apóstolo também afirma: “Pela graça de Deus, sou o que sou” (1 Co 15.10). Essa confissão revela que a graça não apenas nos alcança no momento da conversão, como também nos acompanha diariamente. Viver na dependência da graça é reconhecer que nada podemos realizar sem a ação contínua de Deus em nós. O próprio Jesus ensinou essa verdade (Jo 15.5). Essa declaração elimina qualquer ilusão de autossuficiência espiritual. O ramo não produz fruto por si mesmo; ele depende da videira. Da mesma forma, o cristão só pode viver de maneira frutífera quando permanece ligado a Cristo, confiando na sua graça. A experiência de Paulo ilustra claramente essa dependência. Ao enfrentar fraquezas, limitações e sofrimentos, ele ouviu do Senhor que a graça dEle bastava (2 Co 12.9). 

Deus não removeu o espinho, mas concedeu graça suficiente. Isso nos ensina que a graça não é ausência de dificuldades, mas presença divina que sustenta em meio a elas. O episódio de Corinto reforça essa verdade. Em meio ao medo e à perseguição, Deus disse a Paulo: “Não temas […] porque eu sou contigo” (At 18.9,10). A presença de Deus foi a fonte da sua coragem e perseverança. Paulo permaneceu ali por longo tempo, não por causa da sua força, mas porque estava sustentado pela graça. Além disso, a graça também educa o crente. De acordo com Tito 2.11,12, a graça ensina-nos a negar a impiedade e a viver de modo santo. Depender da graça não é, portanto, viver de forma negligente, mas submissa; não é passividade, mas confiança ativa em Deus.

Concluímos que viver na dependência da graça é o chamado diário do cristão; é reconhecer nossa fragilidade, confiar plenamente no Senhor e caminhar sustentados pela sua misericórdia. Quando aprendemos a depender da graça, experimentamos a verdadeira liberdade espiritual e a plenitude da vida em Cristo





Ajude esta obra...
Código do PIX
Banco Mercantil do Brasil
Pb. Junio | Prof° EBD - YouTube



AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.

Pr. Setorial – Pr. Saulo Marafon.

Pr. Local: Pr. Selmo Pedro.

INSTAGRAN: @PBJUNIOOFICIAL

FACEBOOK: JOSÉ EGBERTO S. JUNIO

 CANAL YOUTUBE.:    https://www.youtube.com/@pb.junioprofebd7178       Toda semana tem um vídeo da Lição. Deixem seu Like.

 Siga-nos nas redes sociais... Tenha um bom estudo bíblico.

 ** Seja um Patrocinador desta obra: chave do        PIX 11980483304        

Chave do PIX
Banco Mercantil 





               





         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21

Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio A Igreja dos Gentios - Pr. Wagner Gaby - Editora CPAD

Comentário Exegético Vol. 2 Craig S. Keener - Editora CPAD

Estudo Livro de Atos - Myer Pearlman - Editora CPAD

atos.pdf

Novo Comentário Bíblico Contemporâneo