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| Pb. Junio - Congregação Boa Vista II |
TEXTO ÁUREO
"Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: Que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos". (1Jo 4.9)
VERDADE PRÁTICA
O envio do Filho revela o amor do Pai e a perfeita unidade da Trindade no plano da salvação, garantindo a redenção e a adoção dos crentes.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: João 3. 16, 17; 1João 4. 9, 10; Gálatas 4. 4-6
INTRODUÇÃO
0 envio do Filho pelo Pai representa o ponto culminante do plano eterno da redenção, elaborado na eternidade e revelado nas Escrituras como expressão máxima do amor de Deus e da unidade da Trindade. Este capítulo destaca que a salvação não é fruto de um evento circunstancial, mas resultado do desígnio soberano do Pai, da obediência sacrificial do Filho Unigênito de Deus e da aplicação eficaz do Espírito. Ao contemplarmos essa verdade, ratifica-se que o envio do Filho revela a suprema expressão do amor divino para com os pecadores mortos em delitos; a exatidão do cumprimento da encarnação do Filho na plenitude dos tempos; e a perfeita cooperação da Santíssima Trindade na história da salvação projetada de forma harmoniosa, desde antes da criação do mundo e de tudo que nele existe.
I. O ENVIO DO FILHO E O AMOR DO PAI
1. O amor incondicional do Pai - Existem alguns temas que eu particularmente tenho muito receio de falar, e esse é um deles, por um motivo bem simples, porque está escrito: Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também a seu irmão.(1 João 4:20-21)
A palavra de Deus nos pede muitas vezes coisas que são bastante complicadas para nossa natureza humana, por exemplo:
- - Se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros (1 João 4:11)
- - Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. (1 Coríntios 13:7)
Um Exemplo comum “eu amo essa roupa”, não existe problema nenhum em falar essa frase, porém se você amar seu marido ou sua esposa como você ama uma roupa, quando ele(a) estiver velho(a) ou rasgado(a), você vai descartá-lo(a) ou trocá-lo(a). Você conhece relacionamentos assim?
Essa dificuldade em entender esse amor especial, também está interligado com a dinâmica das palavras do nosso idioma, o português é um idioma rico, a diferença de um idioma rico para o pobre de forma simplificada, é a quantidade de palavras que existem para a mesma situação, um exemplo de idioma pobre é o hebraico (com todo o respeito) já reparou quantas variações existem do antigo testamento ? Isso só é possível porque o idioma tem poucas palavras para descrever uma situação ou sentimento.
Em Gálatas 4:4 diz “e vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu filho” existem várias cenários aqui que são importantes, um deles é o idioma grego que já havia se consolidado como o idioma universal da época, não sei se você sabe mas o novo testamento foi escrito todo em grego.
Por mais que o Português seja um idioma rico, no grego podemos entender melhor a definição do amor com o qual Deus nos ama, pois existem mais de uma palavra para descrever o amor, vamos nos ater somente a três delas.
A palavra Philos, significa amor fraternal, é o amor entre irmãos, é um sentimento de carinho muito forte, de dedicação, de interesse pela figura do outro. Que gera vínculos de amizade e companheirismo.
A palavra Eros, é o amor romântico, é aquele amor que busca o prazer, que quer se satisfazer, é de onde se deriva a palavra erótico.
Tanto Philos (amor fraternal) quanto eros (amor do prazer), brotam pelas virtudes da pessoa amada e necessitam ser correspondidos.
Por último temos a palavra Ágape, que é o amor incondicional e voluntário, que não discrimina, que não impõe nenhuma pré-condição. É um amor que independentemente se a outra pessoa fizer algo de bom ou ruim, poderá aumentar ou diminuir esse amor, pois aqui a fonte do amor, é o coração de quem ama, mesmo que muitas vezes ele não seja correspondido.
Esse é o amor pelo qual Deus nos ama. Um amor imutável e sacrificial. Quando olhamos para ele, não há desculpas, ele nos impulsiona a amar nossos semelhantes, porque nós também não somos merecedores desse amor.
Considerando todas as suas variações, seja como substantivo, adjetivo ou verbo, o termo ágape aparece mais de trezentas vezes no Novo Testamento.
Talvez você pode estar se perguntando como alguém tão perfeito como Deus, conseguiu nos amar, com um amor tão intenso e profundo como esse?
O amor Ágape é produzido por observar e contemplar a beleza da pessoa amada, então quando Deus olhou para a humanidade, ele já tinha conseguido ver beleza em nós. Pois o cordeiro foi morto desde a fundação do mundo (Apocalipse 13:8)
Quando Deus nos ver, Ele não está simplesmente nos vendo, Ele não está simplesmente nos admirando por nossa força ou por nossa beleza exterior. Quando Ele olha para nós, está procurando ver a beleza de Cristo em nós, ao ver o que eu e você poderíamos nos tornar em Cristo é que esse amor tão sublime se manifestou.
Você sabe o processo para estimar o valor de algo? Basicamente é que, através de um parâmetro você consegue calcular o valor total.
Exemplo: você já foi vender um carro e o vendedor perguntou qual era o ano de fabricação dele? E com base somente nisso ele falou o valor do carro? Muitas vezes o vendedor nem liga o carro, nem abre a tampa do motor, nem coloca num elevador para olhar a condição da suspensão.
De igual modo Deus amou o mundo considerando um único parâmetro, JESUS, por causa desse único parâmetro os defeitos da humanidade perdem a relevância. Uau! Glória a Deus para todo o sempre!
Não conseguiremos amar os nossos semelhantes, amigos ou inimigos, sem que primeiro consigamos contemplar e ver a beleza de Cristo neles, mesmo que seja com os olhos da fé.
Esse amor somente é iniciado por Deus, porque nossa carne, nossa natureza 'adâmica', jamais vai iniciar esse amor voluntariamente. Quando este amor for iniciado em sua vida, você vai conseguir cumprir o que está escrito em Filipenses 2:3 “considerem os outros superiores a si mesmos”
O Amor é a base, é a sustentação! É a coluna que vai fazer tudo permanecer estruturado, é o ingrediente que vai unir todas as coisas! É o vínculo da perfeição (Colossenses 3:14)
2. A iniciativa soberana de Deus - A doutrina da redenção não tem suas raízes no tempo, mas na eternidade. Antes da criação do mundo, antes mesmo da Queda, Deus, em sua soberania absoluta e em perfeita comunhão trinitária, decretou um plano redentor centrado em Cristo. A Escritura revela: “[...] nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” (Ef 1.4). Essa eleição graciosa evidencia que o envio do Filho não foi uma resposta emergencial ao peca do humano, mas parte de um desígnio eterno fundamentado no amor e na presciência de Deus Pai. Deus, como Ser infinito, perfeito e imutável, age de maneira prévia e deliberada. Sua decisão de enviar o Filho é um ato do seu eterno conselho, expressão da vontade divina estabelecida na comunhão trinitária. O apóstolo Pedro reforça que a obra de Cristo como Redentor não foi determinada por acontecimentos históricos, mas por um propósito eterno (1 Pe 1.19-20).
Como observa Grudem, “a redenção em Cristo é parte do plano eterno de Deus e revela a sua soberania absoluta e a sua graça imerecida”.2 Assim, em sua soberania e em seu imensurável amor, Deus tomou a iniciativa de enviar o Salvador, cumprindo seu eterno propósito de redenção (Ef 1.9). Essa iniciativa é a expressão suprema do amor divino. João escreve: “Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 4.10). Esse versículo declara que amor que motiva o envio do Filho é totalmente livre e incondicional (1 Jo 4.8). Tal amor encontra sua expressão histórica e redentora na encarnação e no sacrifício de Jesus Cristo. A palavra propiciação utilizada por João implica o desvio da ira justa de Deus por meio de um sacrifício substitutivo e perfeito.
Conforme destaca a Declaração de Fé, essa ação apazigua a ira divina e satisfaz a santidade e a justiça de Deus — resultando no perdão dos pecados. Cristo, sendo plenamente Deus e plenamente homem, é o único capaz de oferecer essa propiciação eficaz. Ele foi enviado não apenas como exemplo moral, mas como o Cordeiro de Deus Jo 1.29). A salvação não é fruto da iniciativa humana, mas da graça soberana de Deus: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8). Essa verdade deve produzir profunda adoração e confiança na fidelidade de Deus, que age por amor e segundo o beneplácito da sua vontade (Ef 1.5).
3. O envio do Filho e a Trindade - O envio do Filho pelo Pai constitui uma das mais sublimes manifestações da unidade entre as Pessoas da Trindade. A Escritura de clara: "Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” Jo 3.17). Esse envio não é um ato isolado; antes, enfatizamos, faz parte de um desígnio eterno em que o Pai toma a iniciativa, o Filho cumpre a missão redentora, e o Espírito Santo efetua a salvação no coração humano. João aprofunda essa verdade ao afirmar que “Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos” (1 Jo 4.9).
Aqui vemos que a Trindade está envolvida de forma cooperativa no ato redentor. Não se. trata de três deuses distintos com ações desconexas, mas de um único Deus em três Pessoas coeternas e consubstanciais, agindo com perfeita unidade de propósito. O Pai é o autor da salvação, o Filho é o agente redentor, e o Espírito é o aplicador dessa obra nos eleitos. Destaca-se que o envio do Filho não implica inferioridade de natureza ou essência. Ao contrário, conforme Jesus declara: “Eu e o Pai somos um” Jo 10.30). Isso significa que, embora haja distinção pessoal entre o Pai e o Filho, há plena unidade de essência na Divindade. Segundo Campos, “Não há diferença essencial alguma entre o Pai e o Filho”.4 Essa distinção é evidenciada no plano da redenção, em que o Pai envia, e o Filho é enviado, mas ambos compartilham da mesma vontade e glória eterna. Além disso, o Espírito Santo está plenamente ativo nesse plano trinitário.
Paulo ensina que o Pai nos elegeu e nos predestinou “para filhos de adoção por Jesus Cristo”, e essa salvação é confirmada pelo Espírito Santo (Ef 1.4-5). É o Espírito quem convence do pecado Jo 16.8), regenera o pecador (Tt 3.5), sela os redimidos (Ef 1.13) e os guia em santificação (2 Ts 2.13). Sua atuação é inseparável da obra do Filho, pois Ele foi enviado para testificar e glorificar a Cristo Jo 15.26; 16.14). Conforme a Teologia Sistemática Pentecostal, “cada uma das Pessoas da Trindade é autora do novo nascimento: o Pai Jo 1.13), o Filho (1 Jo 2.29) e o Espírito Santo Jo 3.5,6)”.5 Cada Pessoa divina age em perfeita unidade e com propósito comum: reconciliar o pecador com Deus e restaurá-lo à comunhão eterna com seu Criador. O envio do Filho é, portanto, a expressão máxima do amor triúno, que resplandece em toda a história da salvação (Ef 1.3-14).
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II. O FILHO E A PLENITUDE DOS TEMPOS
1. A preparação histórica e religiosa - Nesse aspecto, o Comentário Bíblico do Novo Testamento — Aplicação Pessoal enfatiza que “guiados por um Deus soberano, os eventos históricos trabalharam em harmonia em preparação para o momento pré-definido da chegada de Jesus à terra”.6 Assim, a cultura e a religião foram providencialmente coordenadas pelo Deus Triúno. O Império Romano, com suas estradas rápidas e seguras, facilitou a propagação do Evangelho. A língua grega, difundida pelo helenismo, permitiu uma comunicação clara da mensagem salvífica.
O grego koiné, com o qual o Novo Testamento foi escrito, era compreendido em todo o Império. O ambiente judaico da Palestina do primeiro século, embora espiritualmente deteriorado por práticas legalistas e por uma tradição farisaica excessivamente ritualista, ainda preservava um núcleo de esperança escatológica centrada na vinda do Messias prometido. Mesmo em meio à formalidade religiosa e à rigidez das interpretações da Torá, havia corações sinceros que aguardavam com expectativa o cumprimento das promessas messiânicas (Lc 2.25; 37-38).
Nesse processo cuidadosamente conduzido pela providência divina, destaca-se o princípio bíblico de que Deus é Senhor da história e soberanamente dirige os acontecimentos humanos (At 17.26). Conforme descreve Ferguson: “Deus tem um plano para a história do universo e, em sua execução, governa e controla todas as realidades criadas por ele. Sem violar a natureza das coisas e a livre ação humana”. Portanto, a preparação do ambiente para a encarnação de Cristo é uma clara demonstração do governo soberano de Deus sobre os movimentos da humanidade.
2. O Filho nascido sob a Lei - A encarnação do Verbo é fundamental para a redenção. Paulo afirma que o Filho de Deus é “nascido de mulher, nascido sob a lei” (G1 4.4b). A frase “nascido de mulher” destaca a plena humanidade de Cristo (Hb 2.14). O mistério da encarnação é revelado no cumprimento profético: “eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14; Mt 1.23). A Escritura diz que Ele “aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Fp 2.7). Ao nascer “sob a lei”, Jesus sujeitou-se voluntariamente ao regime legal do Antigo Testamento (Mt 5.17).
Cristo viveu em perfeita obediência, sem jamais transgredir qualquer mandamento: “o qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” (1 Pe 2.22). Essa vida sem pecado qualifica Jesus para ser o Cordeiro perfeito: “santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus” (FIb 7.26). Sua obediência ativa e passiva é essencial para a expiação dos pecadores. Dessa forma, reitera-se que Cristo não se fez homem apenas em aparência, mas tornou-se verdadeiramente humano.
Essa realidade aponta para a plena identificação de Cristo com a condição humana, sem, contudo, participar da natureza pecaminosa (Hb 4.15). O propósito final visava à redenção dos pecadores. Ele assumiu a carne humana não apenas para se solidarizar com os homens, mas para ser o substituto perfeito em lugar dos pecadores (Rm 5.18-19). A redenção exigia um Mediador que fosse plenamente Deus e plenamente homem (1 Tm 2.5-6; Hb 2.17). Como homem, Ele submeteu-se às ordenanças da Antiga Aliança. Cumpriu todos os preceitos legais que os homens jamais conseguiram obedecer (Mt 5.17).
3. A adoção de filhos - O que significa a doutrina da adoção, e onde seu ensino é mais proeminente na Bíblia?
Ela significa que o Deus vivo e verdadeiro, o Criador dos céus e da terra, fez dos crentes, pela graça, membros de sua família, concedendo a eles, todos os direitos e responsabilidades que acompanham essa posição. Paulo ensina sobre isto em muitos lugares, mas especialmente em Romanos 8.14-17,23,29 e Gálatas 3.25―4.7. Concordo com John Murray e Sinclair Ferguson que João também ensina sobre o assunto em João 1.12 e 1João 3.1.
As pessoas da Trindade desempenham papéis diferentes na doutrina da adoção?
Sim, de fato. O Pai é o amor divino que nos predestinou para a adoção e enviou a seu Filho para nos resgatar (1Jo 3.1; Ef 1.5; Gl 4.4). O Filho de Deus é nosso redentor, que nos amou e nos resgatou da ameaça de punição feita pela lei, tornando-se maldição por nós (Gl 4.5; 3.13). “O Espírito de seu Filho” (Gl 4.6), “o espírito de adoção” (Rm 8.15), permitiu-nos clamar por nossa salvação a Deus, como Pai (Rm 8.15), e assegura-nos em nosso íntimo que somos filhos de Deus (Rm 8.16).
A Trindade nos ama profundamente, e planejou nossa adoção, realizou a obra de redenção necessária para nos adotar e aplicou a nós a adoção, como filhos de Deus. Esse é um aspecto importante do trabalho de redenção do Deus trino, e deve ocupar um lugar maior em nosso culto, quer público, quer familiar, quer a sós.
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III. A TRINDADE NO PLANO DA SALVAÇÃO
1. A vontade do Pai realizada pelo Filho - A obra redentora de Cristo insere-se de forma harmoniosa no plano eterno da Trindade. Reiteramos que a salvação da humanidade não foi uma reação tardia à Queda, mas o desdobramento de um propósito eterno elaborado antes da fundação do mundo (Ef 1.4). Por conseguinte, a missão de Jesus é, antes de tudo, a execução da vontade eterna do Pai. Ele mesmo declara: “Porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6.38). Cristo revela que sua missão transcende qualquer interesse próprio. A vontade soberana do Pai é executada perfeitamente pelo Filho: “o Pai não me tem deixado só, porque eu faço sempre o que lhe agra da” Jo 8.29).
Esse versículo confirma que a obediência é plena e amo rosa, expressando unidade entre Pai e Filho. No entanto, a obediência de Cristo não significa inferioridade. Essa submissão não diminui sua eternidade ou divindade, mas revela um relacionamento funcional dentro da Trindade. Outrossim, a vontade soberana do Pai, executada pelo Filho, é preservar os que lhe foram entregues e garantir sua ressurreição final, para “que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia” Jo 6.39). Essa declaração reforça o caráter intencional da obra salvífica, mostrando que Deus elegeu a Igreja desde a eternidade, segundo a sua presciência, e o Filho veio para garantir a consumação desse plano (Ef 1.4; 2 Ts 2.13; 1 Pe 1.2).
A submissão de Cristo culmina no Calvário: “sendo obediente até à morte, e morte de cruz” (Fp 2.8). Por meio dessa obediência, a justiça de Deus é plenamente satisfeita (Rm 3.24-25). Assim, a humilhação de Cristo se dá em três níveis: encarnação — o Verbo eterno assumindo forma humana Jo 1.14); obediência extrema — cumprindo a vontade do Pai durante todo o ministério terreno (Mt 26.39); e morte vicária — mor rendo em lugar dos pecadores (Is 53.5).
2. A mediação exclusiva do Filho - Jesus Cristo é a segunda Pessoa da Trindade, o Eterno que entrou no tempo, o Infinito e Imenso que se esvaziou, o Deus que se fez homem, o Senhor do universo que se fez servo. Sendo bendito fez-se maldição, para que nós, filhos da ira, fôssemos abençoados com toda sorte de bênção. Sendo santo fez-se pecado para que fôssemos resgatados da condenação, do poder e da presença do pecado. Jesus é o Verbo que se fez carne e vestiu pele humana para revelar-nos a graça e a glória do Pai. Jesus é o Caminho que nos conduz a Deus. É a porta de entrada do céu. É o Mediador que nos reconcilia com o Pai. Jesus é singular tanto pela natureza de sua Pessoa como pela exclusividade da sua obra.
No mundo inteiro e em todos os tempos, as religiões engendradas pelo homem, se esforçam para abrir caminhos para Deus. Buscam agradar a divindade por meio de obras, rituais e sacrifícios. É uma tentativa desesperada e inócua de abrir caminhos da terra para o céu. Nomeiam uma infinidade de mediadores entre Deus e os homens, no propósito fracassado de conseguir o favor divino. As Escrituras, porém, são categóricas em nos dizer que há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo Homem. Só há um caminho que leva o homem a Deus e esse Caminho é Jesus. Só há uma porta de acesso ao céu e essa Porta é Jesus. Há outros caminhos que parecem ser caminhos de vida, mas no final são caminhos de morte.
Jesus Cristo é o nosso único e suficiente Mediador, e isso por algumas razões:
1. Jesus é o único Mediador entre Deus e os homens porque Ele é Deus Homem. Jesus é Deus e Homem ao mesmo tempo. Ele é perfeitamente Deus e perfeitamente Homem. É uma só Pessoa, mas com duas naturezas distintas. Jesus não deixou de ser Deus ao tornar-se Homem. Aquele que nem o céu dos céus pode contê-lo, desceu da glória, esvaziou-se e fez-se carne. Vestiu a nossa pele, nasceu numa manjedoura, cresceu numa carpintaria e morreu numa cruz. Ele é a ponte que nos liga a Deus, o caminho que nos dá acesso ao Pai e a porta de entrada da bem-aventurança eterna.
2. Jesus é o único Mediador entre Deus e os homens porque é o nosso representante e fiador. Jesus veio ao mundo para ser nosso representante e fiador. Não veio apenas para estar ao nosso lado, mas em nosso lugar. Não veio apenas para falar por nós, mas para morrer por nós. Não veio apenas para nos defender, mas para nos substituir. Sua morte na cruz foi um sacrifício, um sacrifício substitutivo. Ele morreu a nossa morte. Ele pagou a nossa dívida. Ele sofreu o duro golpe da lei que deveríamos sofrer. Ele sorveu sozinho o cálice amargo da ira de Deus que nós deveríamos beber. Ele recebeu em si mesmo a merecida punição do nosso pecado. Ele cumpriu com todas as demandas da justiça divina ao morrer em nosso lugar, em nosso favor, para nos oferecer perdão e vida eterna.
3. Jesus é o único Mediador entre Deus e os homens porque ressuscitou, venceu a morte, triunfou sobre os principados e potestades e nos fez assentar com ele nas regiões celestes. A morte de Cristo na cruz não foi um sinal de fraqueza e derrota, mas de retumbante vitória. Ele matou a morte e arrancou seu aguilhão, quando ressuscitou dentre os mortos. A vitória de Cristo é a nossa vitória. Morremos com ele e com ele ressuscitamos. Estamos escondidos com Cristo em Deus. Estamos assentados com ele nas regiões celestes, acima de todo principado e potestade. Nele somos mais do que vencedores. Por meio dele temos livre acesso ao trono da graça e chegaremos ao Céu, ao Paraíso, ao Seio de Abraão, à Casa do Pai, à Cidade Santa, à Nova Jerusalém. Ele é nosso irmão mais velho e seguindo suas pegadas, entraremos pelos portais da glória trajando vestes alvas e com palmas em nossas mãos. Com ele, assentar-nos-emos em tronos e, com ele, reinaremos em seu reino de glória, para todo o sempre. Porque Cristo foi tudo para nós na terra, no tempo, na vida e na morte, ele será tudo para nós no céu, na glória e isso, por toda a eternidade. ( AUTOR: Rev. Hernandes Dias Lopes)
3. A aplicação da salvação pelo Espírito - A obra redentora de Cristo é uma realidade presente e continua, aplicada eficazmente pelo Espírito Santo, enviado pelo Pai e pelo Filho (Jo 14.26). O Espírito atua de maneira ativa na regeneração, santificação e preservação dos crentes (Jo 14.16-17; Tt 3.5). Reiteramos que o Espírito Santo convence o mundo “do pecado, e da justiça, e do juízo (Jo 16.8). O Espírito ilumina o entendimento para crer na verdade (Jo 14.26; 2 Co 4.6). O Espírito age em cooperação plena com o Pai e o Filho (Jo 16.13-14).
Assim sendo, o Espírito Santo atua como o agente divino desde a experiência pessoal da conversão até a glorificação final do crente. Dentre as dimensões mais consoladoras da obra do Espírito Santo está a perseverança dos santos. Paulo escreve: Tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de Jesus Cristo” (Fp 1.6). Revela a ação contínua do Espírito Santo na vida do crente, garantindo que a salvação iniciada seja levada a bom termo. O Espírito não apenas inicia a regeneração, mas também sustenta e fortalece o crente na jornada espiritual.
Horton leciona que a perseverança não é fruto da força humana, mas resultado da obra constante do Espírito: “o Espírito Santo é o penhor que garante nossa futura herança em Cristo , fortalecendo o crente para resistir à tentação do pecado e perseverar na fé. O após tolo Paulo, esclarece que a garantia da salvação não é apenas uma pro messa futura, mas uma experiência presente, sustentada pela presença interior do Espírito (Ef 1.13-14). Outro aspecto fundamental na aplicação da salvação é o papel do Espírito Santo em testificar e glorificar o Filho (Jo 15.26; 16.13-14).
A missão do Espírito, portanto, é a de revelar Cristo ao coração humano, conduzindo os pecadores ao arrependimento e os crentes ao crescimento espiritual. O Espírito atua como o principal intérprete da revelação cristológica. Assim, toda verdadeira obra do Espírito resultará em exaltação de Cristo. Dessa forma, a missão do Espírito é intrinsecamente trinitária, refletindo a perfeita harmonia entre as três Pessoas divinas. Essa unidade significa que o crente deve viver em constante de pendência do Espírito, reconhecendo que a salvação é uma experiência contínua, operada com poder pelo Espírito (Rm 8.14).
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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2.
Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.
Pr. Setorial – Pr. Saulo Marafon.
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BIBLIOGRAFIA
Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias
DEUS – O PAI - Dicionário Bíblico Wycliffe - CPAD
https://coalizaopeloevangelho.org/article/adotado-pelo-deus-vivo/
https://ipbvit.org.br/2011/10/24/jesus-cristo-nosso-unico-mediador/
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