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domingo, 9 de agosto de 2026

LIÇÃO 07 - QUANDO O ESPÍRITO SOPRA EM ÉFESO.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                TEXTO ÁUREO

"Assim, a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia." (At 19.20)


                VERDADE PRÁTICA

Onde o Espírito Santo é derramado, a palavra é confirmada com poder, o pecado é confrontado, e vidas, famílias e cidades são transformadas.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 19. 1-12



                    INTRODUÇÃO


terceira viagem missionária do apóstolo Paulo marca o auge do seu ministério apostólico, representando um período de maturidade, profundidade e consolidação do seu ministério. Diferentemente das viagens anteriores, não se trata apenas de expansão geográfica. O foco agora não é apenas plantar igrejas, mas consolidar, ensinar e aprofundar a fé cristã, visando o fortalecimento doutrinário e espiritual das igrejas já estabelecidas. É nesse contexto que Paulo chega a Éfeso, uma das metrópoles mais importantes do mundo antigo e capital da província da Ásia Menor (parte da atual Turquia Ocidental). Nessa época, eram contados cerca de 600 mil habitantes. 

Éfeso era um grande centro comercial entre o oriente e o ocidente; era um centro de transporte marítimo e terrestre e uma das maiores cidades no litoral do mar Mediterâneo. Também era um grande centro religioso, marcado por idolatria e práticas ocultistas, conhecido, sobretudo, pelo templo de Ártemis (deusa grega do amor e da fertilidade) e considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo, tendo sido também um polo de mágicas e práticas ocultistas.

Foi nessa cidade que Paulo passou mais tempo do que em qualquer outro lugar e onde houve o maior avivamento de todos do Novo Testamento, não caracterizado apenas por sinais e maravilhas, mas por arrependimento genuíno, transformação de vidas e crescimento poderoso da Palavra de Deus (At 19.20). Esse texto ensina-nos que o verdadeiro avivamento não é apenas emocional ou momentâneo, mas começa com a doutrina correta, é confirmado pelo poder do Espírito Santo e produz impacto público e missionário. Avivamento esse, cuja profundidade teológica, manifestação espiritual e transformação social tornam-no um modelo para a igreja contemporânea.

                GEOGAFIA DE ÉFESO

 Parece que Paulo fez sua viagem para Éfeso por um caminho mais curto, embora menos freqüentado, pelo vale do Cayster (veja a disc. sobre 18:23). Pelo menos este parece ser o significado de estrada do
interior, "ou terras altas", visto que este caminho levava a uma topografia mais elevada em relação à estrada principal através de Colossos e Laodicéia. Agora ele estava na Ásia proconsular. Por volta do segundo século a.C. esta região estava sob o governo dos Selêucidas, mas pela Derrota destes, comandados pelo rei selêucida Antíoco III (190 a.C. em Magnésia) numa guerra com os romanos, grande parte da região passou para Eumenes II, de Pérgamo, aliado de Roma. Subsequentemente, pela morte do último rei de Pérgamo, Atalus III (133 a.C), como herança a região voltou aos romanos. A nova província assim adquirida chamou-se Ásia, visto que os Atalidas eram conhecidos dos romanos como os reis da Ásia. Essa província tomou Mísia (veja a disc. sobre 16:7s.); Lídia e Caria; as áreas costeiras de Eólia, lônia e Trôade, e muitas das ilhas do mar Egeu. A província cresceu em 116 a.C. mediante a adição da Frígia maior. Sua primeira capital havia sido Pérgamo, a antiga capital dos Atalidas, mas, pela época de Augusto, Éfeso havia assumido essa posição. 

A cidade dirigia e resolvia seus próprios assuntos através da assembléia de cidadãos (demos), e elegia seus magistrados. A paz trazida por Augusto ao mundo romano foi bem recebida pelos povos da Ásia, cuja própria história havia sido turbulenta. Desenvolveram um forte senso de lealdade ao imperador, expressa no estabelecimento do culto de "Roma e seu Imperador", em 29 a.C. O culto era ministrado a favor das cidades participantes (como a Liga da Ásia) por seus representantes, os asiarcas, nomeados anualmente para esse propósito.

Sendo membro da Liga da Ásia, Éfeso havia sido o centro desse culto desde o início; moedas e inscrições mostram como a cidade se orgulhava de ser neokoros, "Administradora do Templo", tanto do culto imperial como do de Ártemis, sua própria deusa padroeira. A maior parte das evidências neste sentido relaciona-se ao culto imperial, mas o título "guardadora do templo da grande deusa Diana" (v. 35) é atestado (embora depois do Novo Testamento), não havendo a menor dúvida de que Éfeso
era famosa pela adoração de sua deusa. Seu último templo — aquele que Paulo viu — foi considerado uma das maravilhas do mundo.


                    CURIOSIDADES DE ÉFESO

William Barclay elenca seis razões pelas quais Paulo se dedicou tanto tempo nessa grande metrópole:

1. Efeso era o grande centro comercial da Asia Menor. Os vales férteis cortados pelos rios eram os principais redutos do 7comércio. A cidade ficava na desembocadura do rio Cayster e a menos de 5 km do mar Egeu, para dentro do continente, por isso dominava o comércio da região. Éfeso era considerada a tesoureira e a feira das vaidades da Ásia Menor.

2. Éfeso era a sede dos tribunais. Werner de Boor diz que a grandeza e a importância de Éfeso motivaram os romanos a conceder a essa cidade certa autonomia política, com um senado próprio e uma assembleia do povo. Por isso, no caso do levante dos ourives, não intervém o procônsul romano, mas o chanceler da própria cidade. Em determinados momentos, o governador romano chegava à cidade para julgar os grandes casos penais. A cidade estava familiarizada com toda a ostentação do poder e da justiça de Roma.

3. Éfeso era a sede dos Jogos Panjônicos. Toda a região concorria a esses jogos. Os asiarcas sentiam-se honrados em organizar e promover essa modalidade esportiva. Ao visitar as ruínas de Éfeso em julho de 2011, vi as escavações arqueológicas que desenterraram a arena, no qual, estima-se, era possível acomodar 24 mil pessoas sentadas.

4. Éfeso era o lar dos delinquentes. O templo de Diana possuía o direito de asilo. Isto significava que, se algum delinquente alcançasse a área que rodeava o templo, estaria a salvo. Assim, a cidade se convertera no lar de assassinos, transgressores da lei e criminosos do mundo antigo.

5. Éfeso era o centro da superstição pagã. Os encantamentos e magias reunidos nas chamadas “Cartas de Éfeso” prometiam proteção nas viagens, filhos aos que não os tinham, êxito no amor e nos negócio. Pessoas de todas as partes do mundo se dirigiam a Éfeso para comprar esses pergaminhos mágicos, que eram usados como amuletos e talismãs.

6. Éfeso era o palco do grande templo de Diana. Um suntuoso templo de mármore branco, com colunas bordejadas de ouro, oito vezes maior do que o Parthenon. A maior glória de Éfeso era sediar o templo pagão mais famoso do mundo.


                I.    O ESPÍRITO SANTO SOBRE O MINISTÉRIO DE PAULO (AT 19. 1-10)


1.    A restauração da verdadeira doutrina   (Vv. 1-7)     -    19:lb-2 / Logo após sua chegada a Éfeso, ou assim parece, Paulo veio a encontrar-se com uns homens ("cerca de doze", v. 7), os quais Lucas teria considerado como cristãos em certo sentido, visto que ele os chama de discípulos (v. 1), dos quais se afirma que haviam crido (v. 2), mas só conheciam o "batismo de João" (v. 3). É muito significativo o critério de Paulo para discernir um cristão. Também é significativa a forma como O apóstolo formula sua pergunta.

Esses discípulos talvez estivessem na mesma situação de Apoio, tendo sido "instruídos no caminho do Senhor" até certo ponto (18:25), mas Ignoravam o que havia acontecido no Pentecoste cerca de vinte anos mais (e talvez ignorassem outras coisas). Esta sugestão apóia-se na Interpretação do v. 2. Eles responderam à pergunta de Paulo, dizendo: nem sequer ouvimos que haja Espírito Santo. Ora, é quase certo que tais homens fossem judeus, mas ainda que fossem gentios influenciados pelos ensinos de João Batista e de Jesus, deveriam pelo menos ter ouvido falar do Espírito. 

É melhor entender, então, a resposta deles como significando que não sabiam que o Espírito Santo havia sido concedido ( cp. João 7:39, onde se encontra a mesma expressão grega). Assim é que, independente do que mais soubessem a respeito de Jesus, não estavam conscientizados a respeito de um evento em particular que, mais do que qualquer outro, confirmava a realidade da chegada da era da salvação. Em suma, esses crentes não estavam mais adiantados essencialmente do que os discípulos de João Batista.

19:3-4 / Investigação um pouco mais profunda demonstrou que de fato o único batismo que conheciam era o de João. Paulo lhes explicou que aquele batismo havia sido apenas um rito preparatório mediante o qual as pessoas prometiam emendar suas vidas, arrepender-se, em antecipação do Messias prestes a chegar, em (lit. "dentro de") quem deveriam crer (veja a disc. sobre 10:43). Mas o Messias havia chegado, oferecendo perdão a quem mostrasse arrependimento, e bênçãos a quem tivesse fé. Sem dúvida Paulo lhes exibiu tudo isso com muitas provas das Escrituras, mas Lucas resumiu todo o ensino paulino nas duas palavras do final do v. 4. Tudo quanto João Batista e os profetas haviam contemplado no futuro se realizara em Jesus (veja também a disc. sobre 18:25).

19:5-7 / Estes "discípulos" consideravam-se cristãos e no entanto ficaram sabendo que ainda não tinham uma compreensão completa da fé cristã. Talvez por essa razão impondo-lhes Paulo as mãos (v. 6), assegurou-lhes que agora passavam a estar na "linha sucessória apostólica". Também pode ser por essa razão que se lhes acrescentaram os sinais externos da presença do Espírito, pois passaram a falar em línguas, e profetizavam. Quanto a terem sido batizados "em nome do Senhor Jesus" (v. 5), veja a nota sobre 2:38 e a disc. sobre 8:16). O tempo do verbo na segunda metade do v. 6 (imperfeito) significa que eles "começaram a falar e a profetizar", ou que "ficaram falando e profetizando continuamente". Estes dois dons são discutidos em profundidade em 1 Coríntios 12 e 14. A forma indefinida usada por Lucas, eram ao todo uns doze homens (v. 7), faz que seja improvável a atribuição de algum significado a esse número.

O que é a verdadeira doutrina?
Doutrina verdadeira refere-se aos ensinamentos autênticos e corretos de uma fé ou sistema de crenças, que vêm de uma fonte divina (Deus). Fundamentados nas escrituras sagradas (como a Bíblia no cristianismo), resultam em mudanças positivas de atitudes e comportamentos, sendo o oposto de doutrinas falsas, que são enganosas, sem base bíblica e prejudiciais. A verdadeira doutrina guia-nos à conduta correta e à compreensão da vontade divina.
As características da verdadeira doutrina são: (1) origem divina; (2) fundamentada nas Escrituras; 
(3) transformadora; (4) sã e saudável; e (5) focada em Cristo.

2.     O ensino perseverante diante da resistência  (Vv. 8-9)     -    Ao chegar a Éfeso, Paulo segue o padrão missionário que já caracterizava o seu ministério: dirigir-se primeiramente à sinagoga. Esse comportamento não é meramente estratégico, mas profundamente teológico, pois reflete o princípio paulino de que o evangelho é “primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1.16). A sinagoga representava o espaço onde as Escrituras eram lidas, interpretadas e debatidas, tornando-se o ambiente ideal para a exposição cristológica do Antigo Testamento.

Lucas registra que Paulo estava ensinando na sinagoga judaica em Éfeso há cerca de três meses, “falou ousadamente”, “disputando e persuadindo” os judeus acerca do Reino de Deus (At 19.8). O verbo grego parresiazomai (ousadia) indica liberdade de expressão, coragem espiritual e convicção profunda. Paulo não se limita a proclamações superficiais; ele dialoga, argumenta e demonstra, à luz das Escrituras, que Jesus é o Messias prometido (At 17.2,3).

O seu ministério não era emocionalista. O seu método não é baseado em retórica vazia, mas bíblico e racional, apelando ao entendimento e ao coração. O seu ensino não era meramente expositivo, mas dialógico, argumentativo e apologético, conduzindo os seus ouvintes a uma compreensão mais profunda da revelação divina. O Reino de Deus, tema central da sua pregação, aponta para o governo soberano de Deus manifestado em Cristo, que cumpre e transcende as expectativas messiânicas do judaísmo. Esse dado ensina-nos que os grandes avivamentos da história bíblica não foram sustentados apenas por experiências sobrenaturais, mas por ensino contínuo, discipulado fiel e compromisso com as Escrituras (Cl 1.28; 2 Tm 2.2).

O ensino de Paulo na sinagoga tinha como eixo central o Reino de Deus, tema que conecta a expectativa messiânica judaica à revelação plena em Cristo. Ao anunciar o Reino, Paulo apresenta Jesus não apenas como Salvador, mas também como Senhor soberano, aquEle que cumpre a Lei e os Profetas (Mt 5.17; Lc 24.44).

O avanço da verdade, entretanto, gera resistência. Os judeus não responderam positivamente, como sempre acontecia quando Paulo falava nas sinagogas (At 19.9). O endurecimento aqui descrito não é intelectual apenas, mas espiritual (sklerynõ), indicando resistência consciente à ação de Deus. Tal rejeição revela que a exposição fiel da Palavra inevitavelmente produz dois efeitos: fé em uns e oposição em outros (2 Co 2.15,16). 

O termo “Caminho” é usado para designar os cristãos e a sua maneira de viver, incluindo a ideia das suas doutrinas, ainda que a ênfase do termo recaia sobre o estilo da vida deles. É empregado por seis vezes no livro de Atos. O próprio Senhor Jesus chamou a si mesmo de “o Caminho” (Jo 14.6).

Contudo, quando surge resistência, incredulidade e oposição, Paulo demonstra discernimento pastoral e maturidade espiritual. Ele não força permanência onde há dureza, mas muda a estratégia, não abandonando a missão, mas mudando o ambiente, separando os discípulos e dando continuidade ao ensino em outro contexto. Esse movimento não representa recuo, mas avanço estratégico. Evidencia que o avivamento não é impedido pela oposição, mas frequentemente redirecionado por ela, conforme a soberania divina (Is 55.11; At 13.46).

Em Corinto, quando Paulo foi perseguido, ele mudou-se da sinagoga para a casa particular de Tito Justo (At 18.7). Os judeus não responderam positivamente, como sempre acontecia quando Paulo falava nas sinagogas. Paulo afastou-se deles e separou os discípulos, instruindo-os diariamente na Escola de Tirano (v. 9).

 

3.    Formação sólida que transforma uma região inteira   (Vv. 9-10)     -    Em todas as ocasiões, Paulo deixou de falar aos judeus e concentrou-se nos gentios (At 13.44-47; 18.5,6). Parece que ele seguiu o mesmo padrão em Éfeso: tendo sofrido oposição pública na sinagoga judaica, Paulo começou a ensinar diariamente (kath’ hermeran) na Escola de Tirano (At 19.9), provavelmente um centro de ensino filosófico ou retórico, comum no mundo greco-romano. Paulo não apenas evangeliza, mas também discípula, forma líderes e prepara obreiros. Esse detalhe revela a extraordinária capacidade de o apóstolo contextualizar o evangelho sem comprometer a sua essência, indicando regularidade, disciplina e profundidade pedagógica. Paulo leva a mensagem do Reino para um espaço secular, demonstrando que o evangelho não está restrito a ambientes religiosos.

O avivamento em Éfeso não foi sustentado só por eventos sobrenaturais, mas também por formação contínua, ensino sistemático e discipulado intencional. Esse modelo ecoa o mandato apostólico de edificar a Igreja por meio do ensino da Palavra (Ef 4.11-13; Cl 1.28).

Tirano é mencionado apenas uma vez nas Escrituras, em conjunto com o ministério de Paulo. O seu nome é grego e significa “príncipe” ou “governante”, e alguns estudiosos acreditam que Tirano era um professor, filósofo ou retórico — um especialista em discurso persuasivo — que alugava o seu salão para filósofos e professores viajantes para a realização de conferências e outras reuniões.

Paulo passa a ensinar diariamente na escola de Tirano por cerca de dois anos. Em 1 Coríntios 16.8,9, o apóstolo Paulo chegou a afirmar que o motivo da sua permanência em Éfeso foi “porque uma porta grande e eficaz se me abriu”, referindo-se ao trabalho do Senhor naquela cidade. O resultado é extraordinário: esse ensino diário promove crescimento e estabilidade. A Palavra, firmemente ensinada, foi o alicerce para os milagres extraordinários que Deus realizou por meio das mãos de Paulo (At 19.10). Isso não significa que Paulo pregou pessoalmente a todos, mas que os seus discípulos, formados naquele ambiente de ensino, tornaram-se multiplicadores do evangelho. Aqui se evidencia um princípio missiológico fundamental: o ensino gera expansão.

A Escola de Tirano torna-se, portanto, um verdadeiro centro de treinamento missionário. Igrejas como Colossos, Laodiceia e Hierápolis provavelmente foram alcançadas nesse período (Cl 1.7; 4.12,13). O avivamento em Éfeso transcende o local e assume proporções regionais, confirmando que a Palavra de Deus, quando ensinada com fidelidade e perseverança, cresce, prevalece e frutifica abundantemente (Sl 1.1-3; 2 Tm 2.2). Avivamentos verdadeiros não sobrevivem sem ensino sistemático da Palavra (Cl

1.28).

Os dois ambientes, sinagoga e escola, revelam a amplitude do ministério do apóstolo Paulo. Na sinagoga, ele confronta a tradição religiosa com a revelação messiânica. Na escola, ele forma discípulos e envia missionários ao mundo. Ambos os contextos demonstram que o avivamento bíblico é sustentado pelo ensino fiel, produz discernimento diante da oposição, forma discípulos maduros e gera expansão missionária.

Dessa forma, o ensino de Paulo, tanto na sinagoga quanto na Escola de Tirano, revela um princípio fundamental para a compreensão do avivamento bíblico: não há avivamento duradouro sem ensino sólido da Palavra. O Espírito Santo age poderosamente, mas Ele faz isso em harmonia com a verdade revelada, produzindo transformação espiritual, maturidade cristã e expansão missionária. O avivamento em Éfeso, portanto, não é apenas um evento histórico, mas também um modelo permanente para a Igreja na sua missão no mundo. Além disso, esse episódio revela que o Espírito Santo atua tanto em ambientes religiosos quanto acadêmicos, confrontando cosmovisões, transformando mentes e estabelecendo o senhorio de Cristo sobre todas as áreas da vida (2 Co 10.4,5).



                II.    O DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO SANTO E O IMPACTO DO EVANGELHO NA CIDADE ( AT 19. 11-20)


1.    Manifestações extraordinárias do poder do Espírito (Vv. 11-12)     -      Lucas nos fala pouco a respeito dos anos de Paulo em Éfeso, mas esse pouco revela-nos que tremendo impacto o apóstolo exerceu sobre a cidade; ao mesmo tempo Lucas nos mostra com acuidade a atmosfera religiosa e moral da cidade. "Em Éfeso", escreve Rackham, "a cultura e a filosofia helenística haviam feito uma união desastrosa com a superstição oriental" (p. 339). O resultado foi uma cidade preocupada com a magia.

Paulo deve ter deplorado a superstição do povo, mas foi o interesse efésio pela magia que propiciou a entrada do evangelho. Como em outras cidades, a pregação de Paulo se fez acompanhar "pelo poder dos sinais e prodígios, no poder do Espírito Santo" (Romanos 15:19; cp. Atos 13:11; 14:3, 10; 16:18; 2 Coríntios 12:12; Hebreus 2:4); a diferença poderia ter sido que em Éfeso a freqüência dos milagres teria sido inusitada (observe a expressão, fez milagres extraordinários). Teriam sido "extraordinários" no caráter (v. 11). Era Deus, logicamente, quem os executava; Paulo era apenas seu agente (lit., "pelas mãos de Paulo", v. 11; veja a nota sobre 5:12). 

Entretanto, o povo comum não estava preocupado com tais sutilezas teológicas. Para o cidadão comum era Paulo quem operava tais milagres, pelo que o apóstolo tornou-se o centro de interesse público. Tomaram-lhe as roupas de trabalho — aventais, macacões, lenços — da oficina, na esperança de que por meio dessas peças de vestuário poderiam curar seus enfermos. Seria fácil pôr de lado essa prática do povo, como se meramente refletisse a perspectiva supersticiosa efésia, e explicar as curas do v. 12 como sendo devidas a outro meio mais apropriado (não mencionado no texto) de as pessoas serem alcançadas pela graça de Deus. 

Contudo, para interpretarmos com justiça o texto de Lucas, a implicação é que foi pelo contato com as roupas que as enfermidades os deixavam e os espíritos malignos saíam (v. 12). Lucas afirma que os milagres eram extraordinários. Bem pode ter acontecido que Deus atendeu às necessidades das pessoas no nível de entendimento delas. Os efésios davam grande im￾portância a amuletos e encantamentos (veja os vv. 18s.), e agora, exatamente por esses meios, recebiam a lição de que no Deus de Paulo havia um poder maior, muito maior do que qualquer outro que conhecessem. Esse fato em si mesmo não era suficiente. Mas constituía o primeiro passo na direção de "crer sem ver" (João 20:29; veja a disc. sobre 5:15s.). Nenhuma sugestão se faz sobre Paulo ter encorajado ou aprovado o que os efésios estavam fazendo.


2.   Confronto espiritual e ruptura com o ocultismo (Vv. 13-19)    -     Onde Deus levanta uma igreja, Satanás ergue uma sinagoga. Onde Deus instrumentaliza obreiros fiéis, Satanás apresenta seus falsos obreiros. Onde Deus realiza verdadeiros milagres, Satanás tenta simular com seus ardis. 
Os sete filhos de Ceva tentaram fazer o mesmo que Deus estava fazendo pelas mãos de Paulo e se deram mal, pois se aventuraram a libertar um homem endemoninhado em nome do Jesus que Paulo pregava. O espírito maligno falou por boca do homem possesso: Conheço Jesus e sei quem ...é Paulo; mas vós, quem sois? (19.15). O homem possesso saltou sobre eles furiosamente, deixando-os feridos e nus. 
Howard Marshall diz que a lição desta narrativa mostra o resultado de lançar mão indevidamente do nome de Jesus. Os apóstolos curavam pessoas no nome de Jesus não para praticarem magia, mas para demonstrarem a autoridade de Jesus. O termo nome significa a pessoa, as palavras e as obras de Jesus, então qualquer um que o utilize identifica- -se com Jesus e se torna um verdadeiro representante dele. 
Portanto, os descrentes não podem jamais usar o poder do nome de Jesus.
De acordo com John Stott, é certo que há poder — poder para salvar e curar — no nome de Jesus, como Lucas faz questão de ilustrar (3.6,16; 4.10-12). Mas a sua eficácia não é mecânica, nem pode ser empregada levianamente.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

LIÇÃO 06 - A SUFICIÊNCIA DA GRAÇA NA CIDADE DE CORINTO.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 



                TEXTO ÁUREO

"Porque eu sou contigo, e ninguém lancará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade." (At 18.10)


                VERDADE PRÁTICA

A graça de Deus é suficiente para sustentar o crente em meio ás adversidades.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 18. 1-11


                INTRODUÇÃO


A fundação da Igreja em Corinto, registrada em Atos 18, é um capítulo marcante na história do cristianismo primitivo, especialmente por evidenciar duas realidades fundamentais da missão cristã: a suficiência da graça de Deus em meio às adversidades e a importância de contextualizar a mensagem do evangelho sem comprometer a sua essência.

Enfrentando oposição e desafios numa cidade moralmente decadente e religiosamente pluralista, encontrou no poder e na graça divina a força necessária para perseverar, ao mesmo tempo que soube adaptar a sua abordagem para alcançar um público altamente diversificado. A graça não escolhe ambientes tranquilos; ela manifesta-se nos piores cenários. Como o Senhor disse a Paulo mais tarde: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12.9).

 Howard Marshall observa que Corinto e Efeso foram as duas cidades mais importantes que Paulo visitou no decurso da sua obra missionária. Corinto era um grande centro comercial, um mercado de fama mundial, que controlava o comércio em todas as direções, não apenas de norte a sul por terra, mas também de leste a oeste por mar. Essa grande metrópole tinha dois portos. Era uma cidade de navegadores e mercadores. Suas feiras estavam repletas de produtos estrangeiros. Por sua vez, Efeso, também famosa pelo comércio, era conhecida como o mercado da Ásia. Além disso, era um dos maiores centros religiosos da época, pois o templo de Diana, uma das sete maravilhas do mundo antigo, atraía turistas e religiosos de toda a parte. Essas duas cidades eram absolutamente estratégicas, e Paulo tinha os olhos bem abertos para perceber isso.



                I.     PAULO CHEGA A CORINTO (AT 18. 1-6)


1.    Corinto riqueza material e miséria espiritual    -     A cidade era o centro político da Grécia, que, nessa época, superou Atenas em importância política e comercial. Corinto era capital famosa pela sua opulência, porém cheia de sensualidade e devassidão, sendo o maior centro de imoralidade de todo o Império Romano (1 Co 6.9-11) por abrigar templos dedicados a várias divindades (At 18.4), como Afrodite, a deusa do amor, cujo culto envolvia práticas sexuais. Estrabão, historiador, geógrafo e filósofo grego, revela que havia em Corinto cerca de mil prostitutas religiosas dedicadas a esse culto.

Corinto era uma metrópole cosmopolita (1 Co 1.2), isto é, uma grande cidade que se destaca pela diversidade cultural e pela presença de pessoas de diferentes nacionalidades e origens, comercialmente estratégica e espiritualmente caótica, com uma ambiência hostil à mensagem de santidade (2 Co 12.21). Mesmo assim, Deus escolheu esse lugar para plantar uma igreja forte (At 18.8), mas era ali que Ele tinha “muito povo”. Entretanto, Deus opera nos ambientes mais difíceis, e a sua graça é suficiente (2 Co 12.9). A graça não escolhe ambientes tranquilos; ela manifesta-se nos piores cenários. Nesse ambiente desafiador, Paulo chegou com temor e tremor, carregando não apenas o peso físico de perseguições anteriores, mas também a preocupação pastoral por todas as igrejas.

Em 1 Coríntios 2.1-5 na Nova Almeida Atualizada, Paulo explica que, ao pregar aos coríntios, não usou “sublimidade de palavras ou de sabedoria”, mas decidiu focar em “Jesus Cristo e este crucificado”, apresentando-se com “fraqueza, temor e grande tremor”, e não com linguagem persuasiva humana, mas com demonstração do Espírito e poder para que a fé deles dependesse do poder de Deus, e não da sabedoria humana.

            GEOGRAFIA DE CORINTO

Embora Corinto tivesse prosperado séculos antes, em 146 a.C. a cidade foi completamente demolida pelos romanos como punição por sua resistência à ocupação romana. Em 44 a.C., Corinto foi reconstruída por ordem de Júlio César, que estabeleceu um grande número de colonos italianos ali. Graças a sua grande atividade comercial, a cidade logo atraiu milhares de habitantes cuja principal ocupação era o comércio. Em 27 a.C., César Augusto criou a província senatorial de Acaia, e Corinto passou a ser sua capital. Corinto não era apenas a capital da província da Acaia, mas também um grande centro urbano, com uma população estimada em duzentos mil habitantes.

 Ficava bem próxima de Atenas, a grande capital da Grécia e capital intelectual do mundo. Corinto era banhada por dois mares, o Egeu e o Jónico. Cerca de 3 km ao norte de Corinto, ficava o porto de Léquio, que recebia navios da Itália, da Espanha e do norte da África. O porto de Cencreia, localizado 11 km a leste de Corinto, possibilitava o tráfego marítimo nos dois sentidos para o Egito, Fenícia e Ásia Menor. A cidade de Corinto recebia gente nova todos os dias e dela saía gente diariamente. Pessoas oriundas do mundo inteiro fervilhavam pelas ruas e praças. Corinto ficava no corredor do mundo. Era uma cidade cosmopolita, pois o mundo inteiro estava dentro dela.

            MORALIDADE E ESPIRITUALIDADE

 A razão moral. Embora Corinto fosse uma cidade extremamente intelectual, era também moralmente depravada. Corinto tinha recebido a alcunha de cidade mais depravada de seu tempo. Se tirarmos hoje uma radiografia da nossa sociedade, poderemos dizer: Que sociedade corrompida! Que sociedade poluída, maculada pela sensualidade, pela pornografia, pela imoralidade sexual! Mas a nova moralidade que testemunhamos hoje nada mais é do que a velha moralidade travestida com roupagem talvez um pouquinho diferente. A degradação moral de Corinto pode ser identificada pelas seguintes razões:

1. A prostituição. Em Corinto a religião se confundia com a prática sexual. Afrodite, considerada a deusa do amor, era adorada e tinha o seu templo-sede na Acrópole, a parte mais alta da cidade. Alguns estudiosos afirmam que aproximadamente dez mil mulheres trabalhavam nesse templo de Afrodite como prostitutas cultuais. No topo da mais alta montanha de Corinto, as sacerdotisas adoravam aquela divindade paga através da prostituição. Não bastasse isso, essas prostitutas cultuais desciam durante a noite para a cidade e se entregavam aos muitos marinheiros e turistas que ali aportavam. De fato, o ambiente era profundamente marcado pela prostituição e pela impureza sexual.

2. O homossexualismo. Em Corinto ficavam os principais monumentos a Apoio, deus grego que representava a beleza do corpo masculino. A adoração a Apoio induzia a juventude, não apenas coríntia, mas a juventude grega em geral, a se entregar ao homossexualismo. Talvez Corinto fosse o centro homossexual do mundo na época. Se você quer ter uma vaga ideia do que isso significava, lembre-se de como Paulo descreveu com cores vivas esse assunto em sua carta aos Romanos (Rm 1.24-28). E provável que o apóstolo tenha escrito sua carta aos Romanos em Corinto. Podemos imaginar, então, Paulo escrevendo sobre o homossexualismo após abrir a janela da sua casa e olhar para Corinto. Era uma cidade de práticas homossexuais despudoradas. Muitos membros da igreja de Corinto tinham vivido na prática do homossexualismo antes de se converterem (lC o 6.9). Essa era a situação dessa grande cidade.

A razão espiritual. Corinto tinha muitos deuses e muitos ídolos. Até hoje, quando se visita a cidade, é possível visualizar enorme gama de estátuas e monumentos dedicados aos deuses. Por isso, Paulo entende que aquela cidade precisava do Deus verdadeiro. A mente estratégica de Paulo encontra em Corinto uma sinagoga, uma ponte para o evangelho. A partir dessa ponte, Paulo leva o evangelho a toda a cidade. Examinemos agora alguns pontos de Atos 18.1-28 que nos chamam a atenção.


2.     Temor humano e dependência da graça     -    Ao chegar a Corinto, após sofrer rejeições noutras cidades como Filipos, Tessalônica e Atenas, Paulo estava emocionalmente abatido e fisicamente cansado. Ele provavelmente estava deprimido, com medo, sentindo solidão e fraqueza, temendo que ali em Corinto o seu trabalho fosse interrompido por judeus opositores (como em Tessalônica e Bereia) ou pela mundanidade altamente carregada ao seu redor. Apesar do seu zelo, Paulo sentiu-se vulnerável. Mais tarde, ele escreveria sobre isso (1 Co 2.3). Isso mostra que Paulo também era humano, sujeito a pressões e inseguranças, especialmente diante da dureza espiritual de Corinto.

Apesar da presença de amigos na cidade, a permanência em Corinto seria um período de provações para Paulo, e o Senhor falou-lhe numa visão com palavras de encorajamento (At 18.9,10). A afirmação divina era apoiada por uma promessa tríplice: o Senhor estaria sempre com ele (Mt 28.19); nada lhe faria mal (não que nenhuma tentativa seria desferida, mas que ele sobreviveria (vv. 12-17; cf. Sl 23.4; Is 41.10); Deus tinha muito povo naquela cidade (vv. 10; cf. 1 Rs 19.18; Os 2.23). Essa promessa não apenas encorajou Paulo, como também revelou o quanto a graça divina é suficiente para sustentar o obreiro mesmo nos contextos mais hostis. Depois desse encorajamento, Paulo ficou ali um ano e seis meses ensinando entre eles a palavra de Deus, tempo incomum para alguém tão perseguido (At 18.11).

É natural o ser humano sentir medo, mas o Altíssimo socorre os seus, e não os deixa desamparados. Quando o servo crê nessa promessa, o medo, a insegurança, as dúvidas e as fraquezas são neutralizadas pela fé que ele possui. Ninguém pode silenciar a voz de quem é cheio do Espírito Santo. Isso prova que, quando Deus abre uma porta, ninguém fecha (Ap 3.7,8). E, quando Ele diz “não temas”, nossa fraqueza encontra abrigo na suficiência da sua graça. Pela leitura sequencial do livro de Atos, percebe-se que outro líder da sinagoga em Corinto chamado Sóstenes deve ter assumido o lugar de Crispo na sinagoga durante algum tempo, tendo depois também se convertido ao cristianismo. Paulo enfrentou forte oposição e ódio contra ele e contra o evangelho; por isso, passou a recear a sua permanência naquela cidade (1 Co 2.3). O apóstolo, contudo, recebeu do Senhor uma direção clara para permanecer firme. Essa firmeza não se apoiava em estratégias humanas, mas, sim, no reconhecimento de que a sua força vinha do Senhor. Em outro momento de fraqueza, o próprio Paulo ouviu isso de Deus (2 Co 12.9). Corinto foi, portanto, um laboratório da graça divina, onde a força de Paulo não estava na sua retórica, mas na dependência do Espírito Santo!


3.    O início do ministério e a oposição na sinagoga    -    Como já citado, no ano 49 d.C., um ano antes de Paulo chegar a Corinto, o imperador Cláudio havia expulsado de Roma todos os judeus. Por essa causa, Priscila e Aquila deixaram a Itália e foram morar em Corinto. Esse casal era colaborador do ministério de Paulo e exercia o mesmo ofício do apóstolo, a fabricação de tendas. Em Corinto, Paulo foi morar com eles, trabalhando com as mãos para seu sustento (2Co 11.7-9). Paulo jamais deixou de pregar o evangelho por falta de sustento das igrejas. Nessas circunstâncias trabalhava para sua própria sobrevivência. 

Esse não era o ideal de Deus, pois o princípio divino é: 

...Aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho (ICo 9.14). Porém, para evitar qualquer obstáculo à pregação do evangelho, Paulo se abstinha de receber o sustento material (ICo 9.12b). 

Aos sábados, Paulo ia à sinagoga persuadir tanto os judeus como os gregos prosélitos acerca da fé em Cristo. Priscila e Aquila formavam um casal dedicado, que servia fielmente a Deus e arriscou a própria vida por Paulo (Rm 16.3,4). Ajudaram-no em Corinto (18.2,3) e em Efeso (18.18-28), onde a igreja se reunia em sua casa (ICo 16.19). O versículo 2 é o único trecho em todo o Novo Testamento em que Aquila é mencionado antes de Priscila (18.18,26; Rm 16.3; 2Tm 4.19). Justo González acredita que o fato de Priscila aparecer primeiro parece indicar que ela era mais importante na vida da igreja do que seu marido. 

Tanto em Corinto como em Efeso, as maiores cidades da Acaia e Ásia Menor respectivamente, Paulo adotou praticamente a mesma metodologia: a) começou a falar na sinagoga na tentativa de “persuadir” os ouvintes judeus de que Jesus era o Cristo (18.4,5; 19.8); b) à rejeição dos judeus, deixando a sinagoga e passando a evangelizar os gentios (18.6,7; 19.9); c) a ousadia de Paulo foi recompensada por muitas pessoas que ouviram o evangelho e creram (18.8; 19.10); d) Jesus confirmou a sua palavra e encorajou o seu apóstolo - em Corinto através de uma visão e em Efeso através de milagres extraordinários (18.9,10; 19-11,12); e e) as autoridades romanas rejeitaram a oposição e declararam a legitimidade do evangelho — em Corinto através do procônsul Gálio, e em Efeso através do escrivão da cidade (18.12-17; 19.35-40).

Paulo precisou exercer o ministério de tempo parcial até a chegada de Silas e Timóteo em Corinto (17.14,15; 18.5).  Esses obreiros trouxeram ofertas das igrejas macedônias a Paulo (2Co 11.8,9; Fp 4.15) e, com isso, o apóstolo deixou seu trabalho secular e dedicou-se exclusivamente à pregação do evangelho. O cerne de sua mensagem consistia em provar que o Jesus histórico era o Messias esperado pelos judeus. Na cidade de tantas ideias e tantas filosofias, Paulo pregou Cristo e este crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios; para os salvos, porém, sabedoria de Deus (lC o 1.23-25).


                  II.     A CONTINUIDADE DA MISSÃO E O ENCORAJAMENTO DIVINO ( AT 18. 7-11)

 

1.    A casa de Justo e o avanço do evangelho    -    A decisão de voltar-se para os gentios rendeu frutos imediatos. Tício Justo, homem temente a Deus que morava ao lado da sinagoga, acolheu Paulo, ao passo que Crispo, líder da sinagoga, converteu-se com toda a sua família. A partir daí muitos coríntios converteram-se ao Senhor e foram batizados. A mudança para a propriedade vizinha à sinagoga foi altamente bem-sucedida, pois muitos coríntios agora ouviam a mensagem, criam e eram batizados.

Saindo da sinagoga, certo homem gentio chamado Tito Justo, temente a Deus e frequentador da sinagoga, que deve ter-se convertido sob o ministério de Paulo, ofereceu um espaço na própria residência para o trabalho do apóstolo. A sua casa ficava ao lado da sinagoga (v. 7), o que colaborou com a missão de Paulo, dado a ele e à nova congregação  um bom conceito na cidade, o que era muito importante. Houve uma grande repercussão entre os coríntios quando souberam que ele pregava na casa de um cidadão romano, e assim muitos se converteram. Como resultado do trabalho de Paulo, muitos habitantes de Corinto abraçaram o cristianismo, inclusive Crispo, principal da sinagoga (v. 8). Crispo de Calcedônia é um dos primeiros seguidores de Jesus no Novo Testamento. Ele é mencionado em 1 Coríntios 1.14 como um dos líderes da sinagoga de Corinto. Ele e a sua família foram convertidos ao cristianismo por Paulo de Tarso (At 18.8) e batizado pelo apóstolo em Corinto, na Grécia (ver 1 Co 1.14).


2.    O medo do apóstolo e a palavra que fortalece    -   Diante da ferrenha oposição em Tessalônica e Bereia, cidades da Macedônia, Paulo partiu e foi pregar em outras localidades. Em Corinto, porém, aconteceu o contrário. A oposição dos judeus só aumentou sua determinação de permanecer na cidade e continuar seu trabalho. O próprio Deus apareceu a Paulo numa visão e lhe disse: ...Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade (18.9,10). Jesus já havia aparecido a Paulo na estrada para Damasco (9.1-6; 26.12-18) e lhe apareceria no templo (22.17,18). Paulo seria encorajado novamente pelo Senhor quando preso em Jerusalém (23.11) e, posteriormente, em Roma (2Tm 4.16,17). O anjo do Senhor também apareceria a Paulo, em meio à tempestade, para garantir a segurança dos passageiros e da tripulação (27.23-25). Um dos nomes de Jesus é Emanuel — Deus conosco (Mt 1.23), título ao qual ele faz jus.

Howard Marshall diz que a declaração indica a presci­ência divina do sucesso do evangelho em Corinto. Fortalecido por esta mensagem, Paulo podia aguardar o duplo cumprimento: a sua própria proteção contra a perseguição e a evangelização bem-sucedida. Alguns fatos acerca dessa visão merecem destaque.

Em primeiro lugar, uma ordem expressa de Deus. O Senhor é categórico e enfático ao apóstolo, diante das nuvens escuras da perseguição: Não temas; pelo contrário fala e não te cales (18.9). A perseguição produz medo. Após ser apedrejado em Listra e açoitado em Filipos, Paulo podia ser tentado a recuar diante de novos embates. Em vez de temer diante da oposição, Paulo recebe ordens para falar e não se calar. A pregação deve prosseguir mesmo diante da oposi­ção mais implacável.

Em segundo lugar, uma promessa consoladora de Deus. O Senhor conforta o coração do apóstolo dizendo-lhe: ...Eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal... (18.10). A presença de Deus é o nosso escudo protetor. Quando estamos sob as asas do Onipotente, não precisamos temer. Quando estamos escondidos com Cristo, em Deus, nas regiões celestiais, não precisamos temer o ataque do inimigo. O cumprimento da profecia celestial ocorreu quando Gálio se tornou procônsul da província romana da Acaia. A narrativa de Lucas sugere que os judeus lançaram mão da oportunidade oferecida pela chegada de um novo governador para atacar Paulo. O ataque, porém, não prosperou diante do procônsul, e o evangelho recebeu legitimidade por parte da autoridade romana.


3.   Graça suficiente, perseverança e transição    -    O Senhor revela que havia muitos eleitos naquela cidade e cabia a Paulo chamá-los por meio do evangelho: ... pois eu tenho muito povo nesta cidade (18.10b). A doutrina da eleição, longe de anular o ímpeto evangelístico da igreja, deve ser seu maior incentivo. O mesmo Deus que elege os fins, a salvação dos eleitos, também elege os meios, a pregação do evangelho, para chamá-los à salvação. O povo que Deus havia escolhido na cidade de Corinto desde toda a eternidade deveria ser chamado à salvação por intermédio do ministério de Paulo. O próprio Jesus garante que a obra de Paulo em Corinto dará frutos. O próprio Deus destina seu povo para a vida eterna (13.48), abre o coração das pessoas para a mensagem do evangelho (16.14) e as conduz à salvação. Leon Morris observa: “Elas ainda não tinham feito nada para serem salvas; muitas nem sequer haviam escutado o evangelho. Mas elas pertenciam a Deus. Claramente é ele quem as conduziria à salvação na hora certa.

A Bíblia diz que Deus conhece os que lhe pertencem (2Tm 2.19). Jesus conhece suas ovelhas. Ele as chama pelo nome, e elas o seguem. Aqueles que são destinados para a salvação creem (13.48). Nosso papel não é especular sobre a soberania divina na salvação, mas proclamar o evangelho a toda criatura. Nosso trabalho não é especular sobre a eleição dos outros, mas procurar com diligência cada vez maior confirmar nossa própria vocação e eleição (2Pe 1.10). Em vez de teorizar sobre o número dos eleitos, devemos esforçar-nos para entrar pela porta estreita (Lc 13.23,24).Encorajado pela visão, Paulo  permaneceu um ano e meio em Corinto, ensinando a palavra de Deus. Sabemos que Deus abençoou o ministério de Paulo ali, porque havia crentes em toda a província da Acaia (2Co 1.1). No porto da cidade de Cencreia, alguns crentes fundaram uma igreja na qual Febe servia ao Senhor.



                    III.     PAULO DIANTE DE GÁLIO: A GRAÇA QUE SUSTENTA EMMEIO À OPOSIÇÃO (AT 18. 12-17)


1.    A acusação dos judeus e a proteção divina     -     A perseguição não cessou completamente, pois os judeus locais continuaram a opor-se à pregação do evangelho. Dessa forma, eles tentam condenar Paulo, levando-o perante as autoridades civis (vv. 12-17). Como predito na visão, Paulo tem sucesso na evangelização, mas também a mão do Senhor protege-o quando os judeus tentam suprimir a pregação do evangelho. Quando Gálio torna-se procônsul da província romana da Acaia, os judeus de Corinto, oponentes de Paulo, tiram vantagem da chegada de um novo governador atacando o apóstolo. 

Gálio era irmão mais velho de Sêneca, o filósofo estoico que foi tutor de Nero durante um tempo. Uma inscrição encontrada em Delfos menciona Gálio como irmão de Sêneca, a qual nos possibilita datar a chegada de Gálio em Corinto mais ou menos no verão de 51 d.C. Delfos era a sede do santuário de Apolo, que estava situado defronte de Corinto, do outro lado do golfo de Corinto. Paulo aparentemente esteve na cidade em torno de um ano e seis meses (ver At 18.11). Isso quer dizer que Paulo deve ter chegado a Corinto no ano de 50 d.C. Essa é a única data que podemos precisar com exatidão no tocante a todas as viagens do apóstolo dos gentios.

No começo do governo de Gálio (ao redor de julho de 51 d.C.), os judeus em Corinto tentam arregimentar os poderes de Roma ao seu lado contra o movimento cristão. Juntos, os oponentes de Paulo arrastam-no perante o tribunal de Gálio. O tribunal (bema) era uma plataforma elevada na porta da cidade, da qual Gálio presidia e julgava (vv. 16,17). Os judeus tentaram impedir a obra de pregação de Paulo em toda a província (v. 13). Não está claro no versículo 13 se Paulo está sendo acusado de quebrar a lei romana ou a lei judaica, mas essa acusação tem a ver com a lei dos judeus. Se as leis romanas tivessem em questão, era esperado ouvi-los e sentenciá-los. O governador vê as acusações contra o apóstolo como brigas sobre a religião judaica (vv. 14,15). Antes que Paulo pudesse defender-se, Gálio o fez. Gálio mostra a sua impaciência para com os judeus, lembrando-os que Paulo não cometeu crime contra a lei romana.


2.    O espancamento de Sóstenes e o alcance da graça    -    O que aconteceu a seguir não está claro, exceto que então todos agarraram a Sóstenes, chefe da sinagoga, e o espancaram diante do tribunal (cp. v. 8). Alguns manuscritos dão uma explicação sobre quem eram esses todos, mas a melhor versão (adotada por NIV e ECA) deixa o sujeito da ação oculto. Uma sugestão é que, a despeito de Lucas esquecer-se de indicar a mudança de assunto, foi a multidão que se lançou contra Sóstenes. Encorajados pela atitude de Gálio, os gentios demonstraram imediatamente seu desprezo pelos judeus. Outra interpretação seria que os próprios judeus é que bateram nele, como o contexto sugere. Segundo este entendimento do caso, tendo os judeus falhado tão ignominiosamente em conseguir a atenção da autoridade para suas acusações, desabafaram seu ódio em cima de seu próprio líder que apresentara o caso no tribunal. Outra alternativa seria que esse Sóstenes seja o mesmo de 1 Coríntios 1:1 (a coincidência na verdade é notável); embora ainda fosse o líder da sinagoga, teria demonstrado certa inclinação para o lado dos cristãos, à semelhança de seu predecessor Crispo, em razão do que sofreu a ira dos judeus.

 O caso é que Gálio recusou-se a intervir, permitindo que se cometesse uma injustiça contra os judeus, ou destes contra um judeu em particular (como ele próprio teria visto o caso, se Sóstenes agora fosse um cristão). Vê-se pela literatura romana quanto os romanos desprezavam a vida e as questões judaicas (p.e., Cícero, Pro Flacco 28; De Provinciis Consularibus 5; Horácio, Sátiras 4.143; 5.100; 9:69; Tácito, 2.85). De tudo isso, algo positivo talvez tenha sobrevindo a Paulo. Ele deve ter percebido pela primeira vez o potencial total da proteção oferecida pelo estado romano. Se essa proteção era oferecida aqui, como seria na própria Roma? Assim foi que o Espírito teria semeado a semente de uma idéia que gradualmente se tornou o grande objetivo de Paulo (veja a disc. sobre 19:21).


3.    A suficiência da graça na experiência de Paulo    -    A palavra “graça” ocupa lugar central na teologia bíblica. Ela não é apenas o meio pelo qual somos salvos, mas também a base sobre a qual vivemos e servimos a Deus. A experiência do apóstolo Paulo mostra que a graça não elimina dificuldades, mas torna o crente capaz de permanecer firme nelas. A doutrina da graça ocupa posição central na fé cristã. Não se trata apenas de um conceito teológico, mas também de uma experiência contínua na vida cristã. Desde a conversão até a glorificação, tudo é sustentado pela graça. O testemunho do apóstolo

Paulo revela que a graça de Deus não apenas salva, mas também sustenta, capacita e preserva os que foram alcançados por ela. Graça é o favor imerecido de Deus ao dar-nos o seu filho, que oferece a salvação a todos, e dá aos que o recebem como Salvador pessoal uma graça acrescentada para esta vida e uma esperança para o futuro (Rm 11.6; Ef 2.8,9). Graça, portanto, não é recompensa por mérito, mas iniciativa soberana de Deus. Em Cristo, a graça tornou-se visível, acessível e eficaz. A salvação é exclusivamente pela graça (At 15.11; Rm 3.24; Tt 3.5), e nenhuma obra humana pode acrescentar algo à obra de Cristo. A graça produz reconciliação com Deus (Rm 5.1,2; Cl 1.20).

A suficiência da graça para a vida cristã é manifesta da seguinte maneira: a graça sustenta na fraqueza (2 Co 12.7-10); a graça capacita para o serviço (1 Co 15.10; 2 Co 3.5; Hb 12.28); a graça consola em meio às aflições (Is 41.10; At 18.9,10; 2 Co 1.3,4); a graça garante perseverança (2 Co 4.7-9; 2 Tm 4.17,18); a graça ensina-nos a viver em santidade (Rm 6.14; Tt 2.11,12), gerando esperança (Rm 8.18; 1 Pe 5.10). A suficiência da graça é a certeza de que Deus é plenamente capaz de sustentar os seus filhos em todas as circunstâncias. Onde cessam os recursos humanos, a graça começa a agir. Onde a força humana falha, o poder de Deus aperfeiçoa-se. Que essa verdade conduza a Igreja a viver não na autossuficiência, mas na total dependência da graça que basta!

O apóstolo Paulo experimentou em Corinto a suficiência da graça de Deus mesmo diante de intensa oposição, perseguição, fragilidades pessoais e desafios espirituais (At 18.1-11; 1 Co 2.3-5). A cidade de Corinto, marcada pela idolatria e decadência moral, tornou-se palco de uma profunda experiência com o Deus que fortalece os fracos e sustenta os fiéis com a sua graça poderosa. Corinto foi, portanto, um laboratório da graça divina, onde a força de Paulo não estava na sua retórica, mas, sim, na dependência do Espírito Santo!

A graça de Deus gera coragem para continuar mesmo quando o coração está aflito. Paulo foi chamado a continuar pregando. A graça não apenas consola, mas também impulsiona. Não é a ausência de problemas que revela a suficiência da graça, mas a presença do Senhor em meio aos problemas.

Na sua Segunda Carta aos Coríntios, Paulo revela que orou três vezes para que Deus livrasse-o de um “espinho na carne”. A resposta divina foi marcante: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12.9). Essa graça experimentada em Corinto, surgida num contexto de sofrimento e limitação, certamente se tornaria uma marca do seu ministério. Paulo, um homem usado poderosamente por Deus, suplica pela remoção de um espinho na carne. Deus, no entanto, não remove a dor; Ele concede algo maior: a graça suficiente. Isso nos ensina que a graça não é ausência de luta, mas presença de Deus no meio dela. Além disso, a graça capacita o crente para o serviço. Paulo reconhece que tudo o que realizou foi resultado da graça de Deus operando nele (1 Co 15.10). Não é a habilidade humana que sustenta o ministério, mas a graça divina. É ela que transforma servos frágeis em instrumentos eficazes.

Por fim, a graça também educa e transforma o caráter do crente. Conforme Tito 2.11,12, a graça que salva é a mesma que ensina a viver em santidade. Assim, a suficiência da graça não gera acomodação, mas compromisso; não produz negligência espiritual, mas obediência amorosa. A graça que sustentou Paulo foi a mesma que chamou e santificou aqueles irmãos (1 Co 1.2). Apesar de todos os obstáculos, Paulo permaneceu dezoito meses em Corinto e ali estabeleceu uma igreja. Como Paulo, precisamos reconhecer que é em nossa fraqueza que se aperfeiçoa o poder de Deus.

A dependência da graça de Deus é uma das verdades mais profundas e, ao mesmo tempo, mais negligenciadas da vida cristã. Muitos compreendem que a salvação é pela graça, mas passam a viver como se o crescimento espiritual e a perseverança dependessem exclusivamente do esforço humano. A Escritura, contudo, ensina que toda a jornada cristã é sustentada pela graça do início ao fim.

O apóstolo Paulo declara com clareza: “[...] pela graça sois salvos” (Ef 2.8). Entretanto, o mesmo apóstolo também afirma: “Pela graça de Deus, sou o que sou” (1 Co 15.10). Essa confissão revela que a graça não apenas nos alcança no momento da conversão, como também nos acompanha diariamente. Viver na dependência da graça é reconhecer que nada podemos realizar sem a ação contínua de Deus em nós. O próprio Jesus ensinou essa verdade (Jo 15.5). Essa declaração elimina qualquer ilusão de autossuficiência espiritual. O ramo não produz fruto por si mesmo; ele depende da videira. Da mesma forma, o cristão só pode viver de maneira frutífera quando permanece ligado a Cristo, confiando na sua graça. A experiência de Paulo ilustra claramente essa dependência. Ao enfrentar fraquezas, limitações e sofrimentos, ele ouviu do Senhor que a graça dEle bastava (2 Co 12.9). 

Deus não removeu o espinho, mas concedeu graça suficiente. Isso nos ensina que a graça não é ausência de dificuldades, mas presença divina que sustenta em meio a elas. O episódio de Corinto reforça essa verdade. Em meio ao medo e à perseguição, Deus disse a Paulo: “Não temas […] porque eu sou contigo” (At 18.9,10). A presença de Deus foi a fonte da sua coragem e perseverança. Paulo permaneceu ali por longo tempo, não por causa da sua força, mas porque estava sustentado pela graça. Além disso, a graça também educa o crente. De acordo com Tito 2.11,12, a graça ensina-nos a negar a impiedade e a viver de modo santo. Depender da graça não é, portanto, viver de forma negligente, mas submissa; não é passividade, mas confiança ativa em Deus.

Concluímos que viver na dependência da graça é o chamado diário do cristão; é reconhecer nossa fragilidade, confiar plenamente no Senhor e caminhar sustentados pela sua misericórdia. Quando aprendemos a depender da graça, experimentamos a verdadeira liberdade espiritual e a plenitude da vida em Cristo





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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21

Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio A Igreja dos Gentios - Pr. Wagner Gaby - Editora CPAD

Comentário Exegético Vol. 2 Craig S. Keener - Editora CPAD

Estudo Livro de Atos - Myer Pearlman - Editora CPAD

atos.pdf

Novo Comentário Bíblico Contemporâneo




segunda-feira, 27 de julho de 2026

LIÇÃO 05 - CRISTO ENTRE OS FILÓSOFOS: O DEUS DESCONHECIDO SE REVELA.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 



                    TEXTO ÁUREO

"Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam." (At 17.30)


                VERDADE PRÁTICA

A obra evangelística floresce quando o coração, sensível ao Espírito, discerne os tempos e proclama com ousadia a graça salvadora de Cristo.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 17. 15-20, 30-32



                        INTRODUÇÃO

 

Na época da chegada de Paulo a Atenas (meados do século I d.C.), a cidade já havia perdido a sua glória política e militar de outrora, mas continuava a ser um centro cultural e intelectual importante. Famosa pelos seus filósofos Sócrates, Platão e Aristóteles, dava tanta ênfase às artes, à poesia e à filosofia como nenhuma outra cidade. Atenas tinha cerca de cinco mil cidadãos. A Grécia não era uma superpotência militar, e Atenas era politicamente insignificante. Apesar disso, a cidade ainda servia de grandíssimo interesse cultural, sendo conhecida como a capital da sabedoria grega e berço da democracia. A cidade era um destino de passagem obrigatória para estudantes e filósofos, que buscavam as suas academias e escolas para estudar filosofia, retórica e outras artes liberais.

 A sua importância era cultural, e não política. Embora os romanos admirassem e absorvessem a cultura grega, o poder político e a administração do vasto império estavam concentrados em Roma. Portanto, enquanto Atenas era um venerável e ativo centro de erudição e filosofia, a sede do império e o coração da vida política e social era Roma. Contudo, por trás da sua sofisticação, havia uma religiosidade profundamente idólatra e politeísta. Lucas registra a reação de Paulo, que se comoveu ao ver a cidade “entregue à idolatria” (At 17.16). Os debates filosóficos continuavam a ser uma característica proeminente da cidade, como evidenciado pelo relato bíblico da visita de Paulo ao Areópago, onde o apóstolo dialogou com filósofos epicureus e estóicos (At 17.16-34).


                I.     CONTEXTO HISTÓRICO, CULTURAL E RELIGIOSO DE ATENAS


1.    Atenas o centro intelectual marcado pela idolatria (At 17.16)    -     O que Paulo primeiro viu em Atenas não foi sua beleza, nem o brilhantismo da cidade, mas sua idolatria. Howard Marshall diz que é nesta cidade aspergida e bafejada pela mais refinada intelectualidade, adornada pelos mais ilustres pensadores do mundo, que Paulo encontra a mais aguda crônica de ignorância espiritual. E aqui, na terra dos corifeus da filosofia, que Paulo se defronta com a mais tosca e repugnante idolatria. A palavra kateidolos só aparece aqui em todo o Novo Testamento. A tradução indica não apenas que a cidade estava cheia de ídolos, mas sob os ídolos. A cidade estava sufocada pelos ídolos. O que Paulo viu foi uma verdadeira floresta de imagens. Na teologia paulina, os ídolos nada são, mas por trás deles estão os demônios. A idolatria produz cegueira espiritual e desordem moral. Plínio afirmou que, ao tempo de Nero, Atenas estava ornamentada por mais de trinta mil estátuas públicas. Petrônio disse que era mais fácil encontrar um deus em Atenas do que um homem. 

Xenofonte, citado por Champlin, assim descreveu a cidade: “O lugar inteiro é um altar, e a cidade inteira é um sacrifício e uma oferta aos deuses”. Russell Champlin também diz que certa feita, Diógenes saiu às ruas de Atenas em pleno meio-dia, sol a pino, de lanternas acesas nas mãos, procurando atentamente alguma coisa. Alguém, surpreso, interpelou-o: “Diógenes, o que procuras?”. Ele respondeu: “Eu procuro um homem”. Havia mais deuses em Atenas do que em todo o resto do país. Eram inúmeros templos, santuários, estátuas e altares. No Parthenon encontrava-se uma imensa estátua de Atena feita de ouro e mármore. Em toda parte se viam imagens de Apoio, o padroeiro da cidade, de Júpiter, Vênus, Mercúrio, Baco, Netuno, Diana e Esculápio. Todo o panteão grego estava ali, todos os deuses do Olimpo. E as imagens eram lindas, feitas de ouro, prata, marfim e mármore, construídas pelos melhores escultores gregos.

Não apenas os olhos de Paulo estavam abertos, mas também o seu coração estava disposto a auscultar a mais intelectual cidade do Império. Lucas registra: O seu espírito se revoltava (17.16). O verbo grego paroxyno, de onde vem a palavra “paroxismo”, tinha conotações médicas e se referia a um ataque epilético. Também significava “irritar, provocar, causar ira”. Essa palavra só ocorre novamente em lCoríntios 13.5: O amor não se exaspera. O sentido aqui não é falta de controle, mas de reação progressiva e ponderada contra aquilo que Paulo viu. O verbo paroxyno é regularmente empregado na LXX em relação à ira de Deus contra a idolatria do povo de Israel (Dt 9.7,18,22; SI 106.28,29; Os 8.5). Assim, Paulo foi provocado à ira pela mesma razão que provocou a ira de Deus, ou seja, a idolatria.534 A idolatria é um pecado gravíssimo porque rouba a honra e a glória do nome de Deus. E dar a outro ser a honra e a glória que só Deus merece. 


2.    O início da evangelização na sinagoga (At 17. 17a)     -     O método paulino de apresentar o evangelho é o mesmo empregado em Tessalônica (At 17.2). O evangelho que Paulo pregava tinha como foco inicial os judeus e, posteriormente, os gentios (Rm 1.16). O método de Paulo na sinagoga era de argumentação e persuasão, dialogando com judeus e gentios tementes a Deus com base nas Escrituras judaicas, buscando convencê-los a respeito do Reino de Deus. Esse método diferia da sua abordagem posterior no Areópago, que se adaptou à cultura e filosofia gregas. Atos 17 relata que, na sinagoga de Atenas, Paulo argumentou com os judeus e os gentios tementes a Deus, mas não há menção de uma aceitação em massa ou de uma rejeição violenta por parte dos judeus daquela cidade, como ocorreu em outras localidades. Paulo “disputava na sinagoga entre os judeus e os gentios piedosos” diariamente. Isso indica um debate ou discussão das Escrituras, o que era um procedimento comum para ele. Diferentemente de cidades como Tessalônica ou Bereia, onde a pregação de Paulo gerou aceitação por parte de alguns, mas também perseguição intensa por parte de outros judeus, o relato em Atenas não descreve a formação de um grupo de crentes judeus nem a oposição organizada deles.


3.    A proclamação do Evangelho na ágora ( At 17. 17b)     -     A Ágora, ou praça, era o centro dos negócios e das atividades cívicas, como também da propaganda e da troca informal de ideias e novidades. Servia ainda de mercado e centro da vida social, local de reunião onde se congregava o povo para ouvir os oradores. Paulo falava nessa praça não apenas no sábado, mas todos os dias. Em outras palavras, Paulo não limitou seu ensino aos judeus e tementes a Deus aos sábados na sinagoga local. Durante o restante da semana, ensinava na praça do mercado, onde as pessoas iam comprar alimentos e outras mercadorias. O equivalente à Agora pode ser um parque, uma praça, um shopping, uma feira, uma sala de aula, uma cantina de escola. Há grande necessidade de evangelistas talentosos, capazes de fazer amigos e conversar sobre o evangelho em locais informais desse tipo. Paulo se misturava com o povo na praça. Não fugia das pessoas. Paulo não se encastelava numa torre de marfim. Não se empoleirava numa cátedra proclamando formulações teológicas na terra dos corifeus da filosofia. Paulo não era um teólogo de gabinete. Nivelava-se com o povo e descia até onde o povo estava. Mas também conversava com os intelectuais.


                    II.    OS FILÓSOFOS EPICUREUS E OS ESTOICOS (AT 17. 18-21)


1.    Os epicureus: o prazer como finalidade da vida (At 17.18)     -     Os epicureus ensinavam que o bem supremo é o prazer ou a felicidade (gr. hefone); mas é o prazer da mente e da vida inteira, e não o deleite dos caprichos e instintos momentâneos. Por “prazer”, Epicuro não se referia aos desejos sensuais (“como alguns, por ignorância, preconceito ou interpretação deliberadamente equivocada, entendeu que “somos”, mas “a ausência de sofrimento no corpo e de inquietação na alma”. Ele não defendia festas com bebida, sexo e alimento, mas o raciocínio sóbrio. Na realidade, Epicuro via o sexo como potencialmente prejudicial e, em geral, desencorajava o casamento. As consequências de todas as ações devem ser consideradas antes de deleitar-se em uma atividade ou mesmo aprová-la.

Os filósofos epicureus buscavam o prazer moderado e a ausência de sofrimento como bem supremo. Eram materialistas e negavam a providência divina, os milagres, a profecia e a imortalidade. Não acreditavam em nenhum deus, exceto de nome. Eles negavam que os deuses exercessem qualquer governo sobre o mundo ou os seus habitantes. Para os epicureus, a divindade, por sua natureza, era transcendente e indiferente ao sofrimento humano. Para os Epicureus, mente e alma consistiam de partículas minúsculas de algo como ar, dispersas pelo corpo e afetando-o. Portanto, a alma, o ser material, pereceu na morte; nem bem-aventurança, nem aflição aguardam os seres humanos após a morte.

 No fim do século I, Josefo declarou que as predições de Deus a Daniel refutavam as declarações epicureias que “exclui a Providência da vida humana e recusa-se a acreditar que Deus governa os assuntos da vida humana”. Epicuro repudiava a astrologia e ensinava que a religião era uma superstição; dizia que, para ser feliz, era necessário ser liberto do medo dos deuses. Também ensinava que “o prazer é o companheiro inseparável da virtude”. Os seus seguidores, porém, mudaram essa doutrina, chegando, por fim, a ensinar que o prazer é o fim principal da vida. Sustentavam que o mais importante consistia em satisfazer os apetites e que o prazer era a única finalidade da vida. Em última análise, o ensino deles era: “Comamos e bebamos que amanhã morreremos”. Se a morte fosse o fim de tudo, então apreciar cada momento seria o mais importante. Os cristãos, porém, sabem que existe vida além-túmulo e que nossa vida na terra é só uma preparação para a vida eterna. O que você faz hoje é importante para a eternidade. Levando-se em conta a eternidade, pecar é uma atitude tola.


2.    Os estoicos: razão, destino e impessoalidade divina (At 17.18)     -    Deus não era um ser pessoal no estoicismo, mas uma força espiritual ou energia mental imanente aos homens e às coisas. Ele recebeu muitos nomes, como: Logos ou Razão, Natureza, Providência, Espírito divino e outros. A sua substância era o mundo todo e também o Céu. O bem supremo era obedecer à razão ou à virtude, suprimir as emoções e conduzir-se conforme o que a natureza ordenasse. No fim, haveria uma reabsorção no mundo da alma, mas nenhuma imortalidade individual.

Ambas as escolas negavam a ressurreição do corpo; a primeira negava a imortalidade da alma (v. 18). Os poetas citados por Paulo (At 17.18ss), eram os estóicos Aratus (Phaenomena) e Cleanthes (Hino a Zeus). A filosofia estóica foi adotada por muitos romanos como Sêneca, tutor de Nero, e o imperador Marco Aurélio. O pensamento estoico foi propagado e afetou a cultura popular no século I. O imperador Cláudio empregou o filósofo estóico Sêneca para educar membros da família.

No fim do século I, os líderes de Roma também viam favoravelmente o estoico Musônio Rufo. O estoicismo era a seita mais popular no período, em especial entre os envolvidos nos assuntos públicos. Outros grandes estoicos foram Crisipo de Solos, Epiteto, Lúcio Aneu Cornuto e Caio Musônio Rufo. Essa filosofia, muito influente no período helenista, foi admitida por Sócrates, Aristóteles e pelas escolas cínicas. Os estóicos, em contraste com os epicureus, associavam o prazer ao vício, embora a alegria de espírito fosse boa.

Das principais escolas filosóficas gregas, apenas o estoicismo preocupava-se com ajustar os deuses ao seu esquema; embora a sua percepção dos deuses não fosse convencional, a piedade popular iria considerá-la muito mais aceitável do que os seus competidores. Eles falavam do Logos que designava e governava o cosmos (ver At 17.26). Eles também enfatizavam o destino. Os estoicos, apesar de serem originalmente monistas e, por isso, panteístas (ver At 17.28), no início do império falavam de “Deus” de um modo mais pessoal, usando também durante muito tempo a linguagem de amizade com Deus. 

O elemento panteísta, no entanto, nunca esteve completamente ausente; por isso, o verdadeiro Júpiter não só era o guardião do Universo, como também a alma e espírito do mundo.

A apologética estoica para a existência e a natureza da divindade lembra o argumento de Paulo em Atos 17. Os estoicos podiam argumentar que os deuses existem e, a seguir, definir o caráter deles e, depois, as necessidades da humanidade. Esse esboço básico do argumento era bastante conhecido para servir como um modelo para o esboço do discurso de Paulo no Areópago, naturalmente recomendando mais uma vez o discurso mais para os estoicos do que para os epicureus. Paulo, distante de pregar deuses estranhos (At 17.18), chama os seus ouvintes a abandonar os falsos deuses, voltando-se para o único Deus verdadeiro, que não está longe de cada um deles (At 17.27). Eles levaram Paulo a um tipo de audiência oficial; ele adverte-os do julgamento iminente contra a idolatria (At 17.30,31). Essa coragem dificilmente seria característica do estrangeiro normal em busca de hospitalidade nem de alguém sendo avaliado numa audiência (At 7.51-53), mas era uma forma retórica boa em alguns cenários (ver At 4.13).


3.     Paulo levado ao areópago: o Evangelho diante da cultura (At 17. 19-21)     -    O areópago era a instituição mais venerável de Atenas; sua história perde-se em tempos legendários. A despeito de grande parte de seu poder ter sido podado, o areópago continuou a gozar de imenso prestígio.

Suas funções tinham variado, de tempos em tempos. Em certos períodos, sua jurisdição ficara limitada a casos de crimes de pena capital. Noutras épocas, o areópago esteve relacionado a vasta gama de pendências religiosas, educacionais, políticas e legais, como nessa época em foco (segundo nos parece), visto que o demos estava praticamente extinto. (Atenas era uma cidade livre, com direito de dirigir seus próprios empreendimentos.) O areópago tomou seu nome de uma pequena colina postada bem à frente da Agora (praça) — a colina de Ares — em que se esculpira um lance de degraus, no lado sudeste; fragmentos remanescentes de bancos esculpidos na rocha podem mostrar onde os conselheiros costumavam reunir-se. Todavia, com o passar do tempo, tornou-se costumeiro que o conselho se reunisse noutros lugares, talvez numa área demarcada com cordas, na Stoa Basileios, no canto noroeste da Agora (veja J. Finegan, "Areópago", IDB, vol. 1, p. 217).

A primeira pergunta foi, literalmente: "Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de que falas? " (v. 19), mas sem ouvirmos o tom de voz, torna-se impossível saber se a pergunta foi formulada com cortesia ou com sarcasmo; todavia, visto que o texto grego recebe alguma ênfase na frase nova doutrina, talvez a pergunta seja mesmo sarcástica. Devido, quem sabe, a essa atitude e à reação imprópria desses homens diante de um assunto que Lucas julgava ser da maior importância, o autor ficou mal impressionado com os atenienses. Num aparte ele comenta que os atenienses tinham mentalidade rasa, pois de nenhuma outra coisa se ocupavam (o imperfeito indica que esses eram os hábitos deles), senão dizer e ouvir a última novidade (v. 21), e nunca (por implicação) levar a sério o que ouvem. Tampouco Lucas emitiu opinião própria, isto é, dele mesmo. Era opinião compartilhada por alguns de seus próprios patrícios (Tucídides, História da Guerra do Peloponeso 3.38; Demóstenes, Primeira Filípica 43; Carta de Filipe 156s.)



                III.     O DISCURSO DE PAULO NO AREÓPAGO


1.    Observação cultural como ponto de contato com o Evangelho (At 17. 22-23)     -     Fosse qual fosse o espírito com que a pergunta tivesse sido feita, Paulo a tomou com seriedade e assim se pôs a responder a ela. Levantou-se e dirigiu-se aos homens no mesmo estilo de oratória deles ("homens atenienses"; mas veja a nota sobre 1:16), e faz uma observação: em tudo vejo que sois muito religiosos (v. 22). A palavra traduzida por "religiosos" (deisidaimonesterous) pode ter um sentido mau, ou bom (o substantivo correspondente parece que foi usado de modo pejorativo em 25:19). O adjetivo aqui está no grau comparativo, e tanto pode significar que eram mais devotos que a maioria na prática de sua religião, como que eram mais supersticiosos. É provável que Paulo tenha escolhido deliberadamente essa palavra, com gentil ambigüidade, a fim de não ofender seus ouvintes, almejando ao mesmo tempo satisfazer-se, ao expressar o que pensava deles.

Logo esses homens ficariam sabendo qual era a opinião de Paulo a respeito deles. Por ora, abundavam as evidências, por todos os lados, de que eram de fato "muito religiosos". Uma das inscrições em particular havia atraído a atenção de Paulo. O apóstolo havia observado um altar com esta dedicatória: AO DEUS DESCONHECIDO (v. 23). Paulo tomou essas palavras como se fora "seu texto". É claro que não havia nenhuma ligação entre esse deus e o Deus que ele proclamava. O apóstolo não sugeriu em momento algum que eram adoradores inconscientes do verdadeiro Deus, mas procurou apenas um meio de levantar perante eles a questão básica da teologia: Quem é Deus? 


2.    O Deus Criador, Sustentador e Senhor da História (At 17. 24-29)     -      Os epicureus, que também eram ateus, afirmavam que tudo era matéria e que a matéria sempre existiu. Os estoicos, que eram panteístas, diziam que tudo era Deus, o “Espírito do Universo”. Os epicureus alegavam que Deus não existia, e os estoicos defendiam que tudo era Deus. Paulo, porém, pregou em Atenas tanto a transcendência como a imanência de Deus. Deus não está distante nem separado da criação; não está cativo nem preso a ela. Deus é grande demais para ser contido em templos feitos por mãos humanas (lR s 8.27; Is 66.1,2; At 7.48-50), e ao mesmo tempo solidário o suficiente para cuidar das necessidades humanas (17.25).545 Paulo coloca a revelação no lugar da filosofia e contrasta o monoteísmo com o panteísmo estoico.

A matéria não é eterna como pensavam os gregos. O mundo não resulta de uma explosão cósmica, nem é fruto de milhões e milhões de anos de evolução. Paulo declara em Atenas, a capital intelectual do mundo, que Deus fez o mundo e tudo o que nele existe (17.24). O livro A origem das espécies, de Charles Darwin, publicado em 1859 em Londres, contém nada menos do que oitocentos verbos no futuro do subjuntivo: “suponhamos”. A evolução é uma suposição improvável, uma teoria falaz. Tanto o macrocosmo quanto o microcosmo denunciam as incongruências da teoria da evolução.

Hoje sabemos que todo ser vivo é programado e automatizado em fitas DNA. O código da vida existe porque Deus o elaborou e o escreveu nas moléculas de DNA que controlam todas as formas de vida. Dominico Rivaldo diz que segundo o dr. Marshall W. Nirenberg, prêmio Nobel de Biologia, em cada corpo humano adulto há 60 trilhões de células vivas. Em cada célula há 1,70 metro de fita DNA, contendo a programação genética de todo nosso ser, como cor do cabelo, cor dos olhos, da cútis, tamanho, temperamento e outras características. De quem derivou este fantástico projeto? Quem é o autor dessa programação e gravação biogenética? Certamente só pode ser alguém que está acima da matéria e da energia. A ciência prova que o universo foi feito de matéria e energia. Prova também que o universo é governado por leis. De igual forma, atesta que matéria e energia não criam leis. Logo, alguém acima, fora e distinto do universo as criou.