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sexta-feira, 19 de junho de 2026

LIÇÃO 13 - O LEGADO DE FÉ DE ABRAÃO, ISAQUE E JACÓ.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


               TEXTO ÁUREO

"Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde." (Hb 11.8)


            VERDADE PRÁTICA

Abraão, Isaque e Jacó deixaram um legado de fé em Deus para as futuras gerações.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Hebreus 11. 8-12, 17-21


                INTRODUÇÃO

Neste último capítulo, podemos ver quanto foi grande o legado de fé deixado pelos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó e por outros servos de Deus, para as gerações que os sucederam, inclusive para as atuais gerações. O texto bíblico que dá fundamento para este estudo encontra-se no Novo Testamento, na Epístola aos Hebreus, e começa ressaltando o exemplo de Abraão, que vivia com a sua família na cidade de Ur, na Caldeia, onde hoje se situa o Iraque, entre os rios Tigre  e Eufrates. 

O texto diz que “Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia” (Hb 11.8). Não é por acaso que o patriarca Abraão é chamado de “O Pai da Fé”. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Romanos, ensinando a justificação pela fé, qualificou o patriarca Abraão como “o pai de todos os que creem”:

E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé, quando estava na incircuncisão, para que fosse pai de todos os que creem (estando eles também na incircuncisão, a fim de que também a justiça lhes seja imputada), e fosse pai da circuncisão, daqueles que não somente são da circuncisão, mas que também andam nas pisadas daquela fé de Abraão, nosso pai, que tivera na incircuncisão. Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé. (Rm 4.11-13).

No mesmo capítulo, Paulo toma o exemplo de Abraão como um homem de Deus, modelo de um servo, cheio de fé. Isso porque, na sua vida, sempre demonstrou crer na palavra do Senhor incondicionalmente:

O qual, em esperança, creu contra a esperança que seria feito pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência. E não enfraqueceu na fé, nem atentou para o seu próprio corpo já amortecido (pois era já de quase cem anos), nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara. E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus; e estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer. (Rm 4.18-21).

O legado de fé deixado por Abraão não foi só para a sua descendência. Foi para Israel e para a Igreja de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. O capítulo 11 de Hebreus é considerado o texto dos “Heróis da Fé” e dedica espaço especial ao patriarca depois de destacar os exemplos de Abel, Enoque e Noé, que foram expoentes da fé, no relacionamento com Deus, bem como entre outros de igual valor espiritual, como foram Sara, a sua esposa, Isaque, José, Moisés, Raabe, Gideão, Sansão, Jefté, Davi e Samuel (Hb 11.4-40). O legado desses homens de Deus, entre os quais está Abraão, é inestimável:

[...] os quais, pela fé, venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fugida os exércitos dos estranhos. As mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos; uns foram torturados, não aceitan do o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos a fio de espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desampara dos, aflitos e maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados. (Hb 11.33-40).



                I.    O LEGADO DE ABRAÃO


1.    O alcance do legado de fé de Abraão    -    Gn 12.1-3 “Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.”

A chamada de Abrão (posteriormente chamado Abraão, 17.5), conforme a narrativa de Gênesis 12, dá início a um novo capítulo na revelação do AT sobre o propósito divino de redimir e salvar a raça humana. A intenção de DEUS era que houvesse um homem que o conhecesse e o servisse e guardasse os seus caminhos (ver 18.19). Dessa família surgiria uma nação escolhida, de pessoas que se separassem das práticas ímpias doutras nações, para fazerem a vontade de DEUS. Dessa nação viria JESUS CRISTO, o Salvador do mundo, o prometido descendente da mulher (ver 3.15; Gl 3.8,16,18).

 Vários princípios importantes podem ser deduzidos da chamada de Abraão. 

(1) A chamada de Abraão levou-o a separar-se da sua pátria, do seu povo e dos seus familiares (12.1), para tornar-se estrangeiro e peregrino na terra (Hb 11.13). Em Abraão, DEUS estava estabelecendo o princípio importante de que os seus deviam separar-se de tudo quanto possa impedir o propósito divino na vida deles.  (2) DEUS prometeu a Abraão uma terra, uma grande nação através dos seus descendentes e uma bênção que alcançaria todas as nações da terra (12.2,3). O NT ensina claramente que a última parte dessa promessa cumpre-se hoje na proclamação missionária do evangelho de CRISTO (At 3.25; Gl 3.8). (3) Além disso, a chamada de Abraão envolvia, não somente uma pátria terrestre, bem como uma celestial. Sua visão alcançava um lar definitivo não mais na terra, e sim no céu; uma cidade cujo artífice e construtor é o próprio DEUS. 

A partir de então, Abraão desejava e buscava uma pátria celestial onde habitaria eternamente com DEUS em justiça, alegria e paz (Hb 11.9,10,14;16; Ap 21.1-4; 22.1-5). Até então, ele seria estrangeiro e peregrino na terra (Hb 11.9,13). (4) A chamada de Abraão continha não somente promessas, como também compromissos. DEUS requeria de Abraão tanto a obediência quanto a dedicação pessoal a Ele como Senhor para que recebesse aquilo que lhe fora prometido. 

A obediência e a dedicação demandavam: 

(a) confiança na palavra de DEUS, mesmo quando o cumprimento das promessas parecia humanamente impossível (15.1-6; 18.10-14), (b) obediência à ordem de DEUS para deixar a sua terra (12.4; Hb 11.8), e (c) um esforço sincero para viver uma vida de retidão (17.1,2). (5) A promessa de DEUS a Abraão e a sua bênção sobre ele, estendem-se, não somente aos seus descendentes físicos (i.e., os judeus crentes), como também a todos aqueles que com fé genuína (12.3) aceitarem e seguirem a JESUS CRISTO, a verdadeira “posteridade” de Abraão (Gl 3.14,16). Todos os que são da fé como Abraão, são “filhos de Abraão” (Gl 3.7) e são abençoados juntamente com ele (Gl 3.9). Tornam-se posteridade de Abraão, herdeiros segundo a promessa (Gl 3.29), o que inclui o receber pela fé “a promessa do ESPÍRITO” em CRISTO JESUS (ver Gl 3.14). (6) Por Abraão possuir uma fé em DEUS, expressa pela obediência, dele se diz que é o principal exemplo da verdadeira fé salvífica (15.6; Rm 4.1-5,16-24; Gl 3.6-9; Hb 11.8-19; Tg 2.21-23; ver 15.6). Biblicamente, qualquer profissão de fé em JESUS CRISTO como Salvador que não requer obediência a Ele como Senhor não é a classe de fé que Abraão possuía e, portanto, não é a verdadeira fé salvífica (ver Jo 3.36).


2.    A fé incondicional de Abraão    -    "Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia" (Hb 11.8).

ORA, A FÉ É. O capítulo 11 demonstra a natureza do único tipo de fé aceita por DEUS e que triunfará na pior das situações. É uma fé que crê nas realidades espirituais (v. 1), que leva à justiça (v. 4), que busca a DEUS (v. 6), que crê na sua bondade (v. 6), que tem confiança na sua palavra (vv. 7,11), que obedece aos seus mandamentos (v. 8), que vive segundo as promessas de DEUS (vv. 13,29), que rejeita o espírito deste presente mundo mau (v. 13), que busca um lar celestial (vv. 14-16; cf. 13.13,14), que abençoa a geração seguinte (v. 21), que recusa os prazeres do pecado (v. 25), que suporta a perseguição (v. 27), que pratica poderosos atos de justiça (vv. 33-35), que sofre por amor a DEUS (vv. 25,35-38) e que não volta àquela pátria donde haviam saído, i.e., o mundo (vv. 14-16)

PELA FÉ ABRAÃO... OBEDECEU. A fé e a obediência são inseparáveis entre si, assim como também são inseparáveis a incredulidade e a desobediência (3.18,19; ver Jo 3.36).

PELA FÉ ABRAÃO... OBEDECEU. A fé e a obediência são inseparáveis entre si, assim como também são inseparáveis a incredulidade e a desobediência (3.18,19; ver Jo 3.36).

11.10 PORQUE ESPERAVA A CIDADE. Abraão sabia que a terra que lhe fora prometida, aqui no mundo, não era o fim da sua jornada. Pelo contrário, o fim era bem além, na cidade celestial, que DEUS preparara para seus servos fiéis. Abraão serve de exemplo a todo o povo de DEUS; devemos reconhecer que estamos apenas de passagem neste mundo, caminhando para nosso verdadeiro lar no céu. Não devemos pensar em segurança plena neste mundo, nem ficar fascinados por ele (vv. 14,16; 13.14). Devemos nos considerar estrangeiros e exilados na terra. Esta não é a nossa pátria, mas território estrangeiro; o fim da nossa peregrinação será uma pátria melhor (v.16), a "Jerusalém celestial" (12.22) e a "cidade permanente" (13.14).

Js 24.2 Disse então Josué a todo o povo: Assim diz o Senhor DEUS de Israel: Além do Rio habitaram antigamente vossos Pais, Tera, Pai de Abraão e de Naor; e serviram a outros deuses. 3 Eu, porém, tomei a vosso Pai Abraão dalém do Rio, e o conduzi por toda a terra de Canaã; também multipliquei a sua descendência, e dei-lhe Isaque.

Abraão veio de um povo idólatra, mas ouviu a voz de DEUS e creu em DEUS e em suas promessas, sendo justificado por sua fé, assim como todo aquele que aceitar a JESUS CRISTO como Senhor e Salvador de sua vida, pela fé em seu sacrifício na cruz do calvário, levando sobre ELE nossos pecados.


3.    A resposta ao chamado de Deus    -   A promessa para Abrão    

A promessa de DEUS a Abraão, central na Bíblia (Gênesis 12, 15, 17), baseia-se em três pilares principais: uma numerosa descendência (nação grande), uma terra própria (Canaã) e a bênção divina que se estenderia a todas as famílias da terra, tornando Abraão pai de muitas nações e abençoando seus descendentes (em CRISTO)

Em Gálatas 3:16, Paulo explica que as promessas de DEUS foram feitas a Abraão e ao seu único descendente, que é CRISTO. Diferente da interpretação de muitos descendentes (plural), o texto aponta para CRISTO como o herdeiro singular da promessa. Isso confirma que a aliança de DEUS é centrada em JESUS, não pela lei, mas pela fé.. 


Pontos-Chave da Aliança:

·        Terra: DEUS prometeu a terra de Canaã para os descendentes de Abraão.

·        Descendência: Promessa de um filho (Isaque) e uma posteridade inumerável, como as estrelas do céu.

·        Bênção Universal: Abraão seria uma bênção, e através de sua linhagem todas as nações da terra seriam abençoadas, o que se estende ao Messias

·        Nome Grande: DEUS prometeu engrandecer o nome de Abraão.

·        Aliança e Sinais: A promessa incluiu a mudança de nome (de Abrão para Abraão) e a instituição da circuncisão como sinal físico da aliança entre DEUS e sua descendência.

·        Fidelidade: Abraão acreditou na promessa, mesmo na velhice, demonstrando fé e paciência. 

O cumprimento inicial deu-se com o nascimento de Isaque e a ocupação de Canaã, estendendo-se no contexto bíblico como uma aliança eterna. 

Gênesis 15:18-21 As reais fronteiras da terra prometida por DEUS a Israel.

¹⁸ Naquele mesmo dia fez o Senhor uma aliança com Abrão, dizendo: À tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates;

¹⁹ E o queneu, e o quenezeu, e o cadmoneu, ²⁰ E o heteu, e o perizeu, e os refains,

²¹ E o amorreu, e o cananeu, e o girgaseu, e o jebuseu. Gênesis 15:18-21

 As bênçãos de DEUS para Abrão   

DEUS prometeu a Abrão transformar sua descendência em uma grande nação, dar-lhe a terra de Canaã e adjacências, engrandecer seu nome e torná-lo uma bênção, abençoando todas as famílias da terra por meio dele (Gênesis 12:1-3). Essas bênçãos incluíam proteção divina e uma descendência numerosa, estendendo-se também à sua posteridade que é CRISTO (Gl 3.16). 


Principais Bênçãos e Promessas:


·        Terra Própria: A promessa de Canaã como herança para seus descendentes.

·        Grande Descendência: Promessa de um povo numeroso e uma "grande nação".

·        Nome Engrandecido: DEUS prometeu tornar o nome de Abrão famoso e honrado.

·        Bênção Universal: Abrão seria uma fonte de bênçãos para todas as famílias da terra.

·        Proteção Divina: "Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem".

·        Prosperidade e Proteção: DEUS garantiu riqueza e provisão em sua caminhada. 


Essas promessas, frequentemente chamadas de Aliança Abraâmica, estabeleceram o alicerce para a nação de Israel e, segundo a teologia bíblica, estendem-se espiritualmente a todos os que creem, tornando-os herdeiros dessas bênçãos. 



                II.     O LEGADO DE ISAQUE


1.    O  significado do nome     -    No tocante às circunstâncias de seu nascimento, lemos que várias pessoas se riram. Abraão riu-se quando lhe foi revelado que ele teria um filho na sua velhice (Gên. 17:17), o que também foi a reação de Sara, a mãe de Isaque (Gên. 18:12). E ainda outros sentiram vontade de rir, quando souberam do que estava sucedendo (Gên. 21:6). Sara foi repreendida por DEUS, por ter rido, o que foi interpretado como sinal de falta de fé no poder de DEUS. E, quando ela negou que se tinha rido, foi repreendida novamente. Mas Sara mentiu por motivo de temor. Seja como for, a promessa divina teve cumprimento. Mas, com base nessa circunstância de que várias pessoas se riram, o menino recebeu o nome de Isaque, «riso», no hebraico. O riso original fora divertido, e não zombeteiro, embora refletindo certa fraqueza de fé. Todavia, nesse riso também podemos perceber o júbilo diante do cumprimento das promessas de DEUS, que, finalmente, resultou na vinda do Messias a este mundo, através da linhagem de Isaque.


Lemos nos textos ugaríticos que o deus El costumava rir-se. Algo semelhante se acha no segundo salmo. Talvez Isaque fosse um nome comum, baseado na crença da existência de um deus risonho. Mas, no tocante ao Isaque da Bíblia, é quase certo de que seu nome lhe foi dado por causa dos vários incidentes de riso.

O anjo Jeová (ou Yavé) tinha dito a Abraão: "Certamente tornarei a ti por este tempo da vida, e eis que Sara tua mulher terá um filho." Chegou afinal o tempo de se cumprir esta promessa e de o feliz casal ver realizadas as suas mais queridas esperanças. O nome do menino era Isaque, "riso" ou "ele rirá", porque sua mãe tinha rido quando Jeová (ou Yavé) lho prometeu. Após o nascimento da criança, Sara disse: "DEUS preparou riso para mim; e todo aquele que o ouvir se rirá por minha causa." Isaque nasceu em Gerar, bastante longe da terra da promessa. Depois de uma grande decepção na vida destes dois servos de DEUS, ao terem cometido a falta de se concertarem para negar sua relação conjugal, Jeová (ou Yavé) visitou Sara, como tinha prometido, e o menino nasceu. 

Quantas vezes ficamos impacientes sobre alguma coisa que esperamos receber e, como estes, também pretendemos apressar a vinda do que esperamos! Para DEUS, nunca é tarde. "O Senhor visitou Sara, como tinha dito...". Ele promete, e não falta. Como diz o prolóquio popular: "Quando DEUS tarda, vem pelo caminho." Estava, pois, satisfeito o supremo desejo de Abraão e realizada sua esperança de ter um herdeiro. O nascimento do menino quando Abraão tinha cem anos de idade e sua mulher tinha passado a idade de ser mãe foi um verdadeiro milagre, como foi milagre tudo que DEUS fizera mediante a promessa a seu servo. As bênçãos da vida cristã são dádivas divinas e nem sequer podemos compreender como nosso Pai Celestial tem tornado possível esta herança chegar até nós.

Oito dias após o nascimento foi o menino circuncidado de acordo com o pacto feito entre Abraão e DEUS (capítulo 17:10). Este ato era o selo de união entre a família e DEUS. A guarda deste rito era necessária para a confirmação de que a promessa continuava de pé.


2.    Isaque, o herdeiro da benção e da comunhão com Deus     -     O CONCERTO DE DEUS COM ISAQUE. (1) DEUS procurou estabelecer o concerto abraâmico com cada geração seguinte, a partir de Isaque, filho de Abraão (17.21). Noutras palavras, não bastava que Isaque tivesse por pai a Abraão; ele, também, precisava aceitar pela fé as promessas de DEUS. Somente então é que DEUS diria: “Eu sou contigo, e abençoar-te-ei, e multiplicarei a tua semente” (26.24). (2) Durante os vinte primeiros anos do seu casamento, Isaque e Rebeca não tiveram filhos (25.20,26). Rebeca permaneceu estéril até que Isaque orou ao Senhor, pedindo que sua esposa concebesse (25.21). Esse fato demonstra que o cumprimento do concerto não se dá por meios naturais, mas somente pela ação graciosa de DEUS, em resposta à oração e busca da sua face (ver 25.21). (3) Isaque também tinha de ser obediente para continuar a receber as bênçãos do concerto. Quando uma fome assolou a terra de Canaã, por exemplo, DEUS proibiu Isaque de descer ao Egito, e o mandou ficar onde estava. Se obedecesse a DEUS, teria a promessa divina:


“...confirmarei o juramento que tenho jurado a Abraão, teu pai” (26.3; ver 26.5).

Isaque foi o único dos três grandes patriarcas hebreus que nasceu na Terra Prometida e nunca a abandonou. Acima dos outros dois, ele ancorava a história de Israel àquela região. Esse relato também nos mostra como a linhagem prometida passava por Jacó, ao passo que Esaú deu origem aos idumeus. DEUS tem os seus escolhidos. Essa é uma das ilustrações mais claras da Bíblia — usada por Paulo — para mostrar o fato. «E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de DEUS. quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já lhe fora dito a ela (Rebeca): O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei a Jacó, porém, me aborreci de Esaú» (Rom. 9:11-13).

O relacionamento de Isaque com DEUS caracterizava-se pela passividade, pela confiança instintiva, pela submissão e pela devoção (Gên. 22:7, 25:21). Jacó referiu-se a DEUS como «o Temor de Isaque» (Gên. 31:42,53), o que demonstra a completa devoção de Isaque ao Senhor. No Talmude e no judaísmo posterior, Isaque simbolizava a submissão do povo de Israel à inescrutável vontade de DEUS. Isso, naturalmente, estava vinculado à história de como Isaque submeteu-se a ser sacrificado a DEUS, sem queixas e questionamentos.


3.    Isaque e o perigo de uma fé que confia na direção de Deus     -   O caráter é a vida de uma pessoa demonstrada interirormente para DEUS e exteriorrmente para as pessoas, podendo diferir nas duas apresentações.

O homem pode ter um relacionamento com DEUS bem diferente do que tem com os homens.

A bênção divina é passada de pai para filho. Isaque era homem de oração, de milagres (desde sua concepção até nas colheitas e água nos poços), era homem de altares (Ação de graças, louvor e adoração).

Para que de Abraão nascesse JESUS era preciso continuar a Aliança entre DEUS e Abraão, agora, via seus descendentes. Quando DEUS chamou Abrão tinha em vista JESUS, o salvador de todos,, tanto judeus como gentios.

“Ora, as promessas foram feitas a Abraão e a seu descendente. Não diz: ‘E a descendentes’, como no caso de muitos, mas como no caso de um só: ‘E a teu descendente’, que é Cristo.” Gálatas 3.16.

Isaque demonstrou ter a mesma fé de seu pai nas promessas de DEUS e isso O agradou. Assim, a aliança teve continuidade.

As Notáveis Características de Isaque

O relacionamento de Isaque com DEUS caracterizava-se pela passividade, pela confiança instintiva, pela submissão e pela devoção (Gên. 22:7, 25:21). Jacó referiu-se a DEUS como «o Temor de Isaque» (Gên. 31:42,53), o que demonstra a completa devoção de Isaque ao Senhor. No Talmude e no judaísmo posterior, Isaque simbolizava a submissão do povo de Israel à inexcrutável vontade de DEUS. Isso, naturalmente, estava vinculado à história de como Isaque submeteu-se a ser sacrificado a DEUS, sem queixas e questionamentos.

«A vida de Isaque, julgada segundo normas mundanas, pode parecer inativa, ignóbil e infrutífera; mas os anos de vida imaculada, de oração, de atos graciosos, de ações de graças diárias, em meio a atividades tipicamente pastorais, não devem ser julgados por esse prisma, embora não nos pareçam espetaculares. O caráter de Isaque talvez não tenha exercido nenhuma influência dominante sobre a sua geração e sobre as gerações subseqüentes, mas foi suficientemente assinalada e coerente para conquistar o respeito e a inveja da parte de seus contemporâneos. Seus pósteros sempre lhe deram uma honra idêntica à que dão a Abraão e a Jacó. Esse nome chegou mesmo a ser usado como parte de uma fórmula empregada pelos mágicos egípcios dos tempos de Orígenes [Contra Celso 1:22), empregada como eficaz para amarrar demônios que quisessem conjurar» (Smith, Dicionário Bíblico).

26.17, 18 A região do Gerar era um lugar desolado à beira do deserto. A água era tão valiosa como o ouro. Se alguém cavava um poço, era como se estivesse empossando-se da terra. Alguns poços tinham fechaduras para evitar que os ladrões roubassem a água. Tampar o poço de alguém era lhe declarar a guerra; era um dos delitos mais graves na região. Isaque tinha todo o direito de declarar a guerra quando os filisteus arruinaram seus poços. Mesmo assim, decidiu não brigar. Ao final, ganhou o respeito dos filisteus por sua paciência e seus esforços de paz.

26.17-22 Em três ocasiões Isaque e seus homens cavaram novos poços. Quando surgiram as primeiras duas disputas, Isaque se mudou. Finalmente houve suficiente território para todos. Em vez de começar um grande conflito, Isaque optou pela paz. Estaria você disposto a renunciar a um posto importante ou a uma pertença valiosa para manter a paz? Peça a DEUS sabedoria para saber quando deve retirar-se e quando deve levantar-se e brigar.



                    III.     O LEGADO DE JACÓ


1.    Homens com virtudes e erros     -   Isaque tinha seu caráter moldado pelo pai. O pai foi a Gerar e depois ao Egito (Gerar era caminho para se chegar ao Egito, chamava caminho dos filisteus). Isaque saiu de Berseba com destino ao Egito. DEUS o impediu. Ele fica onde seu pai também havia ficado quando voltou do Egito. Isaque, com o caráter influenciado pelo pai, repete a mentira do pai e passa pelas mesmas situações. 

Isaque mentiu - problema de caráter por ter aprendido com seu pai. O caráter é desenvolvido desde o nascimento, depende muito do meio em que se vive, das pessoas e suas ações e comportamento à volta dessa pessoa, principalmente da família.

A comunhão e a intimidade com DEUS certamente mudará o caráter de um homem. O problema que geralmente acontece, na esfera humana, é que a intimidade com DEUS trás guerra com os homens. João Batista perdeu a cabeça. JESUS foi perseguido o tempo todo e acabou sendo crucificado pelos invejosos. Paulo foi perseguido, apedrejado, preso e executado.


2.    O arrependimento muda destinos    -    Antes do seu encontro com Deus. Até o encontro com Deus em Betel, ele era apenas um “homem natural”, ou carnal (1Co 2.14). Naquela fase de sua vida, podemos ver alguns aspectos negativos de seu caráter.


a) Oportunista e egoísta. Quando seu irmão chegou com fome e lhe pediu para comer do seu guisado, ele poderia ter-lhe oferecido de sua comida, compartilhando sua refeição. Mas, numa prova de oportunismo e ambição, disse logo: “Vende-me hoje a tua primogenitura” (Gn 25.31).

b) Interesseiro e calculista. Jacó era frio, calculista e de temperamento fleumático. Além de propor a troca da primogenitura ao irmão, exigiu que Esaú fizesse um juramento que lhe garantisse que a troca seria respeitada por toda a vida: “Então, disse Jacó: Jura-me hoje. E jurou-lhe e vendeu a sua primogenitura a Jacó” (Gn 25.33; Hb 12.16). Ele só esquecia uma coisa. O que ele estava plantando em sua juventude haveria de colher mais tarde (Gl 6.7). Em proporção muito maior.

c) Mentiroso e enganador. Com seu caráter fraco e leniente, concordou com a sua mãe em enganar o velho pai. Ao chegar à presença de Isaque, mentiu três vezes. Este perguntou: “Quem és tu, meu filho?”. Ele disse que era Esaú (Gn 27.19). A primeira mentira. Indagado porque chegara tão rápido com a caça, mentiu a segunda vez, dizendo: “Porque o Senhor, teu Deus, a mandou ao meu encontro” (Gn 27.20). Ao abraçar Jacó, Isaque repetiu que era Esaú — “Eu sou” (Gn 27.24). Mentiu pela terceira vez.

Depois do seu encontro com Deus. Observe a transformação no caráter de Jacó:

a) Um caráter agradecido. Jacó passou a ver as coisas numa perspectiva espiritual de um novo relacionamento com Deus, e lhe fez um voto, dizendo que se Deus não lhe deixasse faltar nada, levantaria um altar e daria o dízimo “de tudo” (Gn 28.20-22). Neste fato, vemos que Jacó tinha consciência do valor do dízimo, como expressão sincera de gratidão a Deus, a exemplo do que fizera seu avô, Abraão, perante Melquisedeque (Gn 14.18-20). Ele não prometeu dar o dízimo do que lhe sobrasse (da “renda líquida”), mas “de tudo” como seu avô fizera (Hb 7.2).

b) Um caráter esforçado e sofredor. Ao chegar à casa de Labão, seu tio, revelou-se um homem trabalhador. Ali, começou a colher o que semeara em engano e mentira. Na “lua de mel”, foi enganado pelo sogro. Em lugar de casar com Raquel, teve de casar com Leia. Só depois, casou com sua amada, e para tanto, trabalhou “outros sete anos” (Gn 29.21-30). Não foi apenas esse o preço que Jacó teve que pagar por sua vida de enganos e mentiras. Labão mudou o seu salário dez vezes, durante vinte anos (Gn 31.7). O que o homem semeia, isso é o que colhe (Gl 6.7).

c) Um homem na direção de Deus. Depois de ser enganado pelo sogro, Jacó reuniu sua família e fugiu de Harã. Mas não o fez apenas por medo do sogro. Sua saída de Harã foi por direção de Deus (Gn 31.3,13). Desse modo, Jacó empreendeu a fuga com a família, e logo foi perseguido pelo sogro. Este não pôde lhe fazer mal, porque Deus entrou em ação e lhe determinou que não falasse com Jacó “nem bem nem mal” (Gn 31.24).


3.    A bênção ofuscando a tragédia    -     Esaú e Jacó: a falta de honestidade

Jacó recebeu a bênção de Isaque, mas não se mostrou digno dela. Sim, é verdade que naquele contexto, dentro da linhagem da aliança, a bênção de Isaque era também a bênção do Senhor, e homem algum é merecedor da bênção divina por seus próprios méritos. Mas esperasse que aquele que recebe a bênção do Senhor, viva em conformidade com ela. Na vida de Jacó, essa ainda era uma realidade muito distante.

Quando Rebeca propôs o seu plano astuto a Jacó, ele não se recusou participar dele. Na verdade, ele não se mostrou preocupado em saber se aquele plano era certo, mas se mostrou preocupado em saber se o plano daria certo. Ele não sentiu medo por ser desonesto com seu pai, mas por ser descoberto e castigado por ele.

Quando esteve diante de Isaque para ser abençoado, Jacó mostrou que seu caráter estava muito distante da vontade de Deus. Ele mentiu impiedosamente enquanto desonrava o seu pai. Inclusive, ele chegou a envolver o próprio Deus em suas mentiras. Quando Isaque desconfiou da rapidez com que ele encontrou a suposta caça usada no guisado, Jacó afirmou que Deus tinha feito com que ele tivesse encontrado aquela caça rapidamente. Ele foi capaz de usar o nome de Deus para esconder o seu pecado.

O nome Jacó pode significar “esteja no calcanhar”, e de forma positiva pode transmitir o sentido de “seja Deus a sua retaguarda”. Mas esse mesmo nome também pode ser entendido de forma negativa e assumir um sentido hostil, indicando uma pessoa que persegue e suplanta outra pessoa. Foi nesse último sentido que Esaú interpretou o nome Jacó como um nome apropriado para um enganador (Gênesis 27:36).

Mas as atitudes de Jacó não passariam despercebidas. Aquele que usou de artimanhas e enganação dentro da casa de seu pai, amargaria a experiência de ser duramente enganado na casa de seu sogro, até que Deus moldasse o seu caráter.


Esaú e Jacó: a falta de zelo pelas coisas de Deus

Se no episódio em que Isaque abençoou Jacó na Bíblia Jacó foi cruel e desonesto, Esaú também foi fraco e profano. Na verdade, antes mesmo de perder a bênção, Esaú se mostrou ser alguém que não tinha o menor zelo com as coisas de Deus.


Além de se casar com mulheres hititas desrespeitando o propósito de não trazer mistura para dentro da família da aliança, a Bíblia diz que num certo dia, Esaú aceitou negociar o seu direito de primogênito por um prato de ensopado (Gênesis 25:29-34). Naquela época o filho primogênito herdava a liderança civil e religiosa da casa, e era o principal herdeiro da herança da família. Mas na família de Abraão isso era especialmente importante, pois a bênção do Senhor era a parte fundamental da herança daquela família.

Então ao não valorizar o seu direito de primogênito, Esaú basicamente também não valorizou a promessa de Deus. Inclusive, nesse episódio o texto bíblico não termina dizendo que Jacó enganou a seu irmão Esaú, mas termina dizendo que Esaú desprezou o seu direito de primogenitura (Gênesis 25:34).

Portanto, quando Esaú deixou de receber a bênção da aliança através de Isaque, na verdade ele já tinha se revelado uma pessoa incrédula que não possuía qualquer consideração para com as promessas do Senhor. A prova disso é que ele enxergou o erro de seu irmão e o odiou por isso, mas jamais reconheceu o próprio erro para que pudesse se arrepender verdadeiramente.

O falso arrependimento demonstrado por Esaú não passou de remorso. Ele não lamentou pela forma ímpia como tratou a aliança de Deus, mas lamentou por ter perdido os benefícios dessa aliança. Por tudo isso o escritor de Hebreus identifica Esaú como um homem profano (Hebreus 12:16,17). A verdade é que Esaú queria a bênção de Deus, mas não queria ser o tipo de homem que Deus poderia abençoar (Wiersbe W., 1989).


Isaque abençoa Jacó: o propósito de Deus foi cumprido

Mas a boa notícia é que apesar de toda essa sequência de erros, o propósito de Deus não foi frustrado. O texto bíblico em que Isaque abençoa Jacó é uma evidência clara de que Deus cumpre o seu propósito soberano apesar das falhas e fraquezas humanas. Muitas vezes Deus torna o mal em bem para que o seu conselho prevaleça.

Isaque, Rebeca, Jacó e Esaú, todos erraram e agiram de forma reprovável. Mas foi através de Isaque, um herói da fé a quem faltou visão espiritual no final de sua vida; foi através de Rebeca, uma mulher que falhou em edificar a própria casa; e foi através de Jacó, um homem a quem faltou honestidade, que Deus estabeleceu uma nação, também imperfeita, mas que por meio dela Aquele que é absolutamente perfeito veio ao mundo. Em Jesus Cristo, o grande descendente de Abraão da linhagem de Isaque e Jacó, se cumprem plenamente as promessas da aliança.




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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21

Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio Homens dos quais o Mundo não era digno - Pr. Elinaldo Renovado - Editora CPAD

Genesis - Série Cultura Bíblica - Derek Kidner

ABRAÃO - ÊXITOS E FRACASSOS DO AMIGO DE DEUS

4º Trimestre De 2002 – Comentários: Pr.  Elienai Cabral

(Consultoria Doutrinária e Teológica: Pr. Antônio Gilberto)

https://ebdnatv.blogspot.com/search?q=o+legado+de+abra%C3%A3o

 (Smith, Dicionário Bíblico).

. Comentários da Bíblia Diário Vivir (ESP)

https://ebdnatv.blogspot.com/search?q=as+ora%C3%A7%C3%B5es+de+isaque

Esaú e Jacó: Isaque Abençoa Jacó no Lugar de Esaú


sexta-feira, 12 de junho de 2026

LIÇÃO 12 - A RECONCILIAÇÃO DE JACÓ COM ESAÚ.

 

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II



                    TEXTO ÁUREO

"Então, Esaú correu-lhe ao encontro e abraçou-o; e lançou-se sobre o seu pescoço e beijou-o; e choraram." (Gn 33.4)


                 VERDADE PRÁTICA

Em Deus, sempre há possibilidade de perdão e reconciliação.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gênesis 33. 1-10


                INTRODUÇÃO


Jacó e Esaú eram irmãos gêmeos. Com o passar dos anos, tiveram diferenças tais que se fizeram desafetos entre si a ponto de Esaú ameaçar o irmão de morte, o que causou grande preocupação aos seus pais. Como vimos, os seus pais aconselharam-no a buscar refúgio na casa do seu tio, Labão, em Padã-Arã, situada a quase mil quilômetros de Berseba, na terra de Canaã. Foi uma longa jornada a pé carregando os seus pertences pessoais. Ele saiu com a bênção do seu pai e, no caminho, teve um encontro com Deus, quando teve um sonho-revelação, e recebeu a bênção de Deus, que lhe prometeu as bênçãos dadas a Abraão e a Isaque e que nunca o desampararia (Gn 28.1-30). 

Ele foi provado diversas vezes em Harã. Teve que trabalhar quatorze anos por Raquel, a quem realmente amava, e por Leia, com quem teve de casar-se contra a sua vontade (Gn 29.21-31). Trabalhou com o tio-sogro durante vinte anos e sofreu mudança no seu salário dez vezes (Gn 31.7). Colheu o que plantou e em proporção muito maior. Isso porque, em qualquer plantação, a colheita sempre é maior que a semeadura. Mas Deus interveio e propiciou um pacto entre Labão e Jacó, havendo reconciliação entre ambos (Gn 31.43-55), e ordenou que Jacó voltasse à sua terra. Na viagem de retorno a Canaã, ocorreu o encontro de Jacó com o seu irmão, Esaú, que foi ao seu encontro com uma não pequena multidão. Com receio de possível ato de vingança por parte do irmão, Jacó enviou a ele um presente de alto valor, como vimos no capítulo anterior. 

Pela bondade de Deus, o encontro entre eles foi muito além do que Jacó esperava. Com o coração temeroso, Jacó tomou providências para proteger as suas esposas, os seus filhos e as suas servas. Surpreendentemente, em lugar de vingança, Esaú foi ao encontro de Jacó, abraçou-o e beijou-o, havendo o inesperado encontro fraternal entre os dois irmãos, que, pela graça de Deus, tomaram atitudes de valor elevadíssimo em termos de relacionamento humano e também de natureza espiritual. A Bíblia registrou aquele episódio dramático e emocionante para que ficasse como exemplo a ser seguido por todos os que tiverem divergências e motivos de aborrecimentos presentes ou passados.



                I.    IRMÃOS EM CONFLITO


1.    Jacó    -    Jacó é retratado como um homem astuto e calculista, que buscou a bênção da primogenitura e a bênção paterna por meios enganosos (Gênesis 25:29-34; 27:1-29). Sua natureza "suplantadora" (significado de seu nome) o levou a agir de forma que gerou profunda inimizade com seu irmão. Teologicamente, Jacó representa a humanidade que, em sua própria força e engano, tenta alcançar as promessas divinas, muitas vezes falhando em confiar na soberania de DEUS.

A história de Jacó nos lembra que as bênçãos de DEUS não dependem de nossa astúcia ou manipulação, mas de Sua graça e soberania. Devemos buscar a DEUS com integridade, confiando que Ele cumprirá Suas promessas em Seu tempo e maneira. Evitar o engano e a manipulação nas relações é fundamental para a paz e a comunhão.


2.    Esaú    -   Esaú, por outro lado, é descrito como um homem impulsivo e focado nos prazeres imediatos. Ele desprezou sua primogenitura, vendendo-a por um prato de lentilhas (Gênesis 25:29-34), e casou-se com mulheres cananeias, desagradando seus pais (Gênesis 26:34-35). Sua raiva e desejo de vingança contra Jacó (Gênesis 27:41) revelam a profundidade de sua mágoa e a falta de perdão. Teologicamente, Esaú ilustra a negligência das coisas espirituais em favor das satisfações carnais e temporais, e as consequências da amargura e da falta de perdão.

A atitude de Esaú serve como um alerta para não desprezarmos as bênçãos espirituais e eternas em troca de gratificações momentâneas. A amargura e o desejo de vingança podem destruir relacionamentos e impedir a paz interior. A importância de perdoar e buscar a reconciliação é enfatizada.


3.    Raquel    -   Embora Raquel não seja diretamente parte do conflito inicial entre os irmãos, sua presença na vida de Jacó é significativa. Jacó trabalhou 14 anos por ela (Gênesis 29:18-30), e ela se tornou sua esposa amada. Sua esterilidade inicial e a rivalidade com Lia (Gênesis 30:1) adicionaram complexidade à família de Jacó. Teologicamente, Raquel representa a busca humana por amor e satisfação, e as dificuldades e provações que podem surgir mesmo em relacionamentos abençoados por DEUS.

A história de Raquel nos lembra que, mesmo em meio a bênçãos e promessas, a vida é marcada por desafios e imperfeições humanas. A paciência, a fé e a confiança em DEUS são essenciais para lidar com as adversidades e as complexidades dos relacionamentos familiares.



                    II.    O ENCONTRO ENTRE JACÓ E ESAÚ


1.   Deus entra em ação    -    Antes do encontro, Jacó tem um encontro com DEUS em Peniel, onde luta com um anjo e recebe um novo nome, Israel (Gênesis 32:22-32). Este evento marca uma transformação profunda em Jacó, que passa de um suplantador para alguém que luta com DEUS e prevalece. A intervenção divina prepara o coração de Jacó para a reconciliação e, de forma soberana, também amolece o coração de Esaú, que vem ao encontro de Jacó com 400 homens, mas com uma atitude de perdão.

O encontro em Peniel é um lembrete poderoso de que a verdadeira transformação e a capacidade de enfrentar desafios (como a reconciliação) vêm de um encontro genuíno com DEUS. É Ele quem prepara os corações e abre caminhos para a paz, mesmo em situações aparentemente irreconciliáveis. Devemos buscar a DEUS em oração e dependência antes de confrontar situações difíceis.


2.    Esaú abraça e beija Jacó   -    Contrariando as expectativas de Jacó, que temia a vingança de Esaú, o encontro é marcado por um abraço e beijos emocionados (Gênesis 33:4). Esaú corre ao encontro de Jacó, abraça-o, lança-se ao seu pescoço e o beija, e ambos choram. Este gesto de amor e perdão é um testemunho da graça de DEUS e da capacidade humana de superar mágoas profundas.

Este momento é um exemplo vívido do poder do perdão e da reconciliação. Ele nos ensina que o amor pode superar anos de ressentimento e que a iniciativa de perdoar, mesmo quando se foi o ofendido, pode trazer cura e restauração. É um convite a praticar o perdão e a buscar a reconciliação ativamente em nossos próprios relacionamentos.


3.    O perdão verdadeiro    -     O perdão demonstrado por Esaú é genuíno e completo. Ele não apenas perdoa Jacó, mas também recusa os presentes que Jacó lhe oferece, dizendo que já tem o suficiente (Gênesis 33:9). A atitude de Esaú reflete um coração liberto da amargura e do desejo de retribuição. O perdão verdadeiro não busca compensação, mas a restauração do relacionamento.

O perdão verdadeiro, como o de Esaú, é um ato de libertação para quem perdoa e para quem é perdoado. Ele restaura a dignidade, promove a cura e permite que ambos sigam em frente. Na perspectiva cristã, o perdão é um reflexo do perdão de DEUS por nós em CRISTO, e somos chamados a perdoar uns aos outros como CRISTO nos perdoou (Efésios 4:32).


Em primeiro lugar, houve humilhação da parte de Jacó, o ofensor, que se arrependeu profundamente do seu triste ato perante o seu pai, por conselho errado da sua mãe, que o induziu a apossar-se com engano da bênção do irmão. 

Em segundo lugar, Esaú foi sensível ao toque de Deus para perdoar o seu irmão. 

Em terceiro lugar, Esaú não apenas pensou, como também tomou a atitude humilde de perdoar o seu irmão, e fez isso da forma mais concreta possível: “Então, Esaú correu-lhe ao encontro e abraçou-o; e lançou-se sobre o seu pescoço e beijou-o; e choraram” (Gn 33.4). Podemos dizer que o Adversário, que quis até a morte de Jacó, foi envergonhado, mas o nome do Deus de Abraão foi glorificado. É interessante notar nesse belíssimo exemplo de amor e de reconciliação que nenhum dos irmãos falou nada um para o outro. 

Jacó não usou palavras para pedir perdão, mas foi até o seu irmão e inclinou-se sete vezes! Esaú, por sua vez, não relembrou nenhuma falta do irmão, mas correu ao encontro de Jacó, abraçou-o, lançando-se sobre o seu pescoço, beijou-o, e ambos choraram. Como seria valioso se, hoje, quando irmãos estão com mágoa um do outro, seguissem esse tão nobre exemplo: o ofendido fosse ao encontro do ofensor, e ambos se abraçassem e beijassem-se. 

Certamente, muitas reconciliações seriam bem mais interessantes. 

Jesus ensinou: Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão. Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que, pela boca de duas ou três testemunhas, toda palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano. (Mt 18.15-17)



                III.    A FAMÍLIA DE JACÓ SEGUE SEU CAMINHO


1.   Os irmãos se separam     -     Após o encontro e a reconciliação, Jacó e Esaú seguem caminhos separados (Gênesis 33:16-17). Esaú retorna para Seir, e Jacó continua sua jornada para Sucote e depois para Siquém. A separação não indica uma nova discórdia, mas o reconhecimento de que cada um tinha seu próprio caminho e destino, e que a reconciliação não necessariamente significa uma convivência constante, mas a restauração da paz e do respeito mútuo.

A reconciliação nem sempre implica em uma retomada completa da antiga proximidade ou em uma convivência diária. Às vezes, a cura de um relacionamento permite que as partes sigam seus próprios caminhos em paz, mantendo o respeito e o amor. É importante entender que o perdão abre portas para a paz, mesmo que as circunstâncias da vida exijam distanciamento físico.


2.    Jacó não retorna para a casa de seu pai   -     Jacó, após o encontro com Esaú, não retorna imediatamente para a casa de seu pai Isaque em Hebrom. Ele se estabelece em Sucote e depois em Siquém (Gênesis 33:17-18). Esta decisão pode indicar um desejo de estabelecer sua própria família e legado, ou talvez uma prudência em não reabrir feridas antigas. Teologicamente, isso mostra a progressão da jornada de fé de Jacó, onde ele continua a construir sua vida sob a direção de DEUS, mesmo após a resolução de um grande conflito.

A jornada de fé é contínua. Mesmo após grandes vitórias e reconciliações, somos chamados a prosseguir, a estabelecer raízes e a construir nossa vida de acordo com a vontade de DEUS. A prudência e a sabedoria são importantes ao tomar decisões sobre onde e como nos estabelecemos, sempre buscando a direção divina.


3.     Jacó levanta um altar ao Senhor     -       Em Siquém, Jacó compra um pedaço de terra e levanta um altar, chamando-o de El-Elohe-Israel, que significa "DEUS, o DEUS de Israel" (Gênesis 33:19-20). Este ato é um testemunho público de sua fé e gratidão a DEUS por Sua proteção, provisão e pela reconciliação com Esaú. É um reconhecimento da soberania de DEUS em sua vida e um compromisso de adoração.

Levantar um altar ao Senhor simboliza a prioridade de DEUS em nossa vida. Após superarmos desafios e experimentarmos a graça divina, é fundamental expressar nossa gratidão e reafirmar nosso compromisso de adoração. Este ato nos lembra da importância de ter um lugar de culto e de testemunhar publicamente nossa fé, reconhecendo que todas as bênçãos vêm do Senhor.




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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

Endereço da igreja Rua Formosa, 534 – Boa Vista - Suzano SP.

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21

Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio Homens dos quais o Mundo não era digno - Pr. Elinaldo Renovado - Editora CPAD

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sexta-feira, 5 de junho de 2026

LIÇÃO 11 - JACÓ: DE ENGANADOR A HOMEM DE HONRA.

Pb. Junio - Congregação Boa Vista II

 


                    TEXTO ÁUREO

"Então, disse: Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel, pois, como príncipe, lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste." (Gn 32. 28)


                    VERDADE PRÁTICA

Somente Deus pode transformar o caráter e a vida do ser humano.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Gênesis 32. 22-31


                    INTRODUÇÃO


A vida de Jacó foi marcada por mudanças das mais diversas. Umas, muito positivas, e outras, bem negativas. o nascer, gêmeo, ao lado do seu irmão, ele chamou a atenção. Sendo o segundo a sair do ventre da mãe, segurou o calcanhar de Esaú e foi considerado um “suplantador”. Na infância e depois como jovem, mostrou que era diferente do seu irmão. Gostava mais de passar o dia na tenda, em companhia da sua mãe, enquanto o seu irmão preferia estar fora de casa, e inclinou-se para a vida no campo e tornou-se caçador. Como já foi visto, Isaque tinha uma predileção por Esaú, enquanto Rebeca amava mais a Jacó. 

Na juventude, os conflitos manifestaram-se e chegaram ao cume quando o seu pai, pressentindo a chegada da morte, resolveu dar a bênção a um dos filhos e pediu a Esaú para ir à caça, apanhar um animal e preparar-lhe um saboroso guisado antes de abençoá-lo. Rebeca preferia que a última bênção de Isaque fosse dada a Jacó, a quem ela mais amava, e preparou uma artimanha enganosa, pela qual fez Jacó passar-se por Esaú aproveitando-se da pouca visão do pai. Vimos que tal arranjo foi muito prejudicial para os dois irmãos e para a família. Jacó foi beneficiado e tomou a bênção que deveria ser do seu irmão com engano e mentira. Por isso, foi chamado de “enganador”. As consequências foram tão sérias que Esaú, ao constatar que Jacó usurpara a sua bênção, prometeu matar o seu irmão assim que o seu pai morresse. Isaque e Rebeca, temendo a tragédia, mandaram que Jacó fosse para a casa do seu tio Labão passar certo tempo até que a ira do seu irmão aplacasse.


                I.    A FAMÍLIA DE JACÓ


1.    Um encontro especial    -    No meio da caminhada, sozinho, ele dormiu ao relento, tendo uma pedra por travesseiro, e teve um sonho que mudou a sua história. Deus revelou-se a ele naquele sonho e fez-lhe promessas semelhantes às que fizera a Abraão, e a Isaque, e à sua descendência. Ao chegar próximo à cidade, viu um poço, diante do qual as pessoas tiravam água, mas havia um protocolo: só tiravam a pedra que fechava o poço quando todos os rebanhos estivessem se juntado. Ao perguntar se eles conheciam Labão, disseram que sim (Gn 29.1-5). 

Naquele ínterim, Raquel, a sua prima, aproximava-se do poço e iria esperar que tirassem a pedra. Sabedor de que ela era a sua parenta, tomou a iniciativa de revolver a pedra do poço e deu de beber ao rebanho de Labão e a todos os que ali se encontravam. Naturalmente, todos os pastores de ovelha ficaram impressionados, pois Jacó quebrara toda a tradição para tirar água do poço. Além disso, ele próprio apresentou-se a Raquel e beijou-a emocionado a ponto de derramar lágrimas diante dela e dos circunstantes (Gn 29.6-11). 

Sob efeito daquela emoção, Raquel pegou o seu cântaro e foi para casa, onde, visivelmente abalada, contou a seus pais o que ocorrera. Labão foi ao encontro de Jacó, reconheceu que ele era o seu parente próximo e levou-o para a sua casa, onde trabalhou com afinco. Com o passar dos dias, Labão quis retribuir a Jacó pelo seu trabalho; mas ele disse que preferia ter Raquel como a sua noiva, por quem trabalharia sete anos seguidos. Labão concordou. Porém, após os sete anos, Jacó começou a colher o que plantou (Gn 29.12-20).


2.    O enganador é enganado    -    Decorridos sete anos de trabalho, Jacó pediu ao sogro para levar a sua esposa, Raquel, para ter a sua própria casa. Labão fez um banquete para o casamento e convidou os moradores do lugar para aquela festa. Após as núpcias, Labão enganou a Jacó; em lugar de entregar Raquel para passar a lua de mel, chamou a filha mais velha, Leia, e entregou-a a Jacó. No dia seguinte, quando percebeu o que havia acontecido, Jacó protestou, mas Labão disse que não poderia dar a filha mais nova antes da mais velha. Propôs, então, que ele trabalhasse mais sete anos por Raquel. Como Jacó a amava, submeteu-se àquela proposta absurda. Para ele, o tempo passou rápido e ficou es poso de Raquel, a quem amava, de fato, e de Leia, com quem se casou obrigado e enganado.


3.    Muitos filhos     -     Jacó teve doze filhos com Raquel, Leia e suas respectivas servas, que eram esposas secundárias. Esses filhos foram líderes das doze tribos de Israel. Leia era a filha mais velha de Labão. Com ela, Jacó foi en ganado pelo seu sogro. Ele desejava casar-se com Raquel, a quem amava, mas Labão usou um artificio enganador e, depois de dar um banquete pelo suposto casamento com Raquel, na noite de núpcias, em lugar de entregar Raquel ao genro, pôs Leia ao lado dele.

 Imaginando estar com a sua amada no seu seio, teve relações com ela, totalmente enganado. Com ela, Jacó teve Rúben, Simeão, Levi e Judá (Gn 29.32-35) e depois Issacar e Zebulom (Gn 30.17-20), totalizando seis filhos, e mais uma filha, a quem deram o nome de Diná (Gn 30.21). Com Zilpa, serva de Leia, Jacó teve mais dois filhos: Gade e Aser (Gn 30.9-13). Com Bila, serva de Raquel, Jacó também teve dois filhos: Dã e Naftali (Gn 30.3-8).

 Com Raquel, a sua esposa amada, Jacó teve mais dois filhos: José (Gn 30.22-24) e depois Benjamim (Gn 35.16-19). Porém, Raquel teve problemas no parto e faleceu. Assim, Jacó teve 13 filhos, sendo 12 homens e uma filha, dos quais oito ele os teve com suas duas esposas e quatro com as duas servas das esposas. Isso prova que Deus não é elitista; a maior parte dos filhos que Jacó teve foi com Leia, a esposa indesejada, e com as servas; os quais formaram a liderança das doze tribos de Israel. Apenas duas tribos tiveram seus líderes 126 JACÓ: DE ENGANADOR A HOMEM DE HONRA nascidos de Raquel, a sua esposa a quem tanto amava, que faleceu no parto do segundo filho.



                II.    JACÓ DESEJA RETORNAR A SUA TERRA


1.    Jacó almeja retornar para sua casa     -     O rosto de Labão não lhe era favorável, como anteriormente. Finalmente, o relacionamento entre o tio e sobrinho chegou ao fim. Jacó percebeu que Labão e seus filhos eram-lhe hostis por causa do seu sucesso. Além disso, já possuía riqueza e propriedades suficientes para satisfazê-lo. Assim, quando recebeu ordem do Deus de Betel para se por a caminho, sabia que já era hora de voltar para casa. Vinte anos tinham se passado, durante os quais sua mãe já morrera. Talvez Labão ficasse ainda mais desagradável. Era hora de partir.

4-13. Jacó explicou sua decisão às suas esposas, dizendo-lhes como o Anjo de Deus lhe falara em sonho e o encorajara em seu propósito. O "anjo" se identificou com Aquele que apareceu a Jacó em Betel. Era realmente o próprio Jeová.

14-16. Lia e Raquel apoiaram fortemente a decisão de Jacó. Elas conheciam seu pai e tinham perdido o amor e o respeito por ele. Lembraram-se que recebera quatorze anos de trabalho de Jacó sem lhes dar a parte que uma noiva tinha direito de receber. Não nos considera ele como estrangeiras? disseram. Pois nos vendeu, e consumiu tudo o que nos era devido (v. 15 ).

 Jacó Parte de Harã. As relações entre Jacó e Labão não demoraram nada a azedar. Jacó sofreu às mãos de seu tio, Labão, o mesmo tratamento que Jacó havia conferido a Esaú, o que mostra que a lei da colheita segundo a semeadura estava operando. Todavia, Labão prosperava, porquanto Jacó era fiel e operoso, e Labão nunca teria abandonado a situação se o próprio Jacó não tivesse desistido. Reunindo sua família e suas propriedades, Jacó partiu de Padã-Harã a fim de retornar à sua terra de Canaã, o que ocorreu em cerca de 1960

A.C. Labão só descobriu a fuga de Jacó ao terceiro dia; mas, quando a percebeu, saiu ao encalço do sobrinho e genro com um grupo armado. Todavia, Deus fez intervenção e advertiu Labão a que não tentasse fazer qualquer mal a Jacó. Assim, não sendo capaz de fazer qualquer coisa de radical, ao alcançar Jacó, limitou-se a repreendê-lo severamente. Por que Jacó partira secretamente? Por que havia enganado seu tio? Por que havia levado suas filhas e netos, sem dar-lhe uma oportunidade de despedir-se? E, acima de tudo, por que Jacó cometera o ultraje de furtar seus deuses domésticos (seus santos protetores)?

Dessa vez, pelo menos Jacó disse a verdade. Ele temia o que Labão poderia querer fazer contra ele. E calculou que, no mínimo, mandá-lo-ia vazio, e que os seus familiares e os seus bens seriam forçados a ficar em Padã-Harã. No tocante aos terafins ou deuses domésticos, Jacó afirmou que não os havia tirado, e que qualquer um que o tivesse feito poderia ser executado. (Raquel não contara a Jacó que ela é quem furtara os tais deuses). Labão procurou e apalpou por toda a parte e nada achou. Raquel estava assentada sobre a sela de seu camelo, e os deuses estavam ocultos debaixo da sela. Ela estava serenamente sentada, com um ar de inocência. E disse a Labão que ele teria de desculpa-la, pois não podia levantar-se, visto que estava menstruada. Os ídolos permaneceram seguramente ocultos debaixo da sela, porquanto uma mulher, e tudo quanto ela tocasse, era considerado imundo, estando ela nesse período. Pelo menos assim se dava na lei mosaica posterior, e podemos supor que a crença era anterior a essa data.


2.    O acordo entre Labão e Jacó     -    Ofereceu a Jacó que estipulasse seu salário. Imagine a sua surpresa quando o seu sobrinho lhe fez uma contra-oferta que lhe pareceu esmagadoramente a seu favor. Na Síria as ovelhas são brancas e as cabras são negras, com muito poucas exceções. Jacó ofereceu-lhe para começar o seu acordo imediatamente, aceitando como suas as ovelhas que não fossem brancas e as cabras que não fossem negras, deixando o restante para Labão. Assim, ambos os patrimônios poderiam prosperar. Labão aceitou a oferta imediatamente. Naquele mesmo dia levou para uma distância segura todas as ovelhas e cabras "fora de série" para que Jacó não tivesse com o que começar. Os animais que ele separou entregou a seus filhos. Foi um ardil baixo e covarde Labão acreditava que tornara impossível a vitória de Jacó, porque removera todo o capital de Jacó antes de começar a competição.

37-42. Mas Jacó não se entregava tão facilmente assim. Ele usou de três expedientes para derrotar seu tio. Colocou varas listadas diante das ovelhas nos locais onde bebiam água, para que o colorido das crias ficasse sujeito à influência pré-natal. É fato estabelecido, declara Delitzsch, que se pode garantir crias brancas nas ovelhas colocando muitos objetos brancos junto dos bebedouros (New Commentary on Genesis, in loco). Jacó também separou do rebanho os cordeiros e cabritos listados e salpicados. mas os manteve à vista das ovelhas, para que estas fossem influenciadas. Seu terceiro expediente foi deixar que essas influências predeterminantes agissem sobre as ovelhas mais fortes, para que os seus cordeiros e cabritos fossem mais fortes e mais viris que os outros. Jacó foi bastante astuto para recorrer à influência pré-natal e reprodução seletiva.

43. Como resultado desse esquema, dentro de poucos anos Jacó ficou imensamente rico em ovelhas e cabras. Embora tivesse usado a sua cabeça, ele foi o primeiro a declarar que o Senhor interveio na sua vitória. Jeová tornava possível que o patriarca retornasse a terra prometida com recursos, vindo a ser o príncipe de Deus, que executara à vontade divina.

Jacó Retorna a Canaã. 31:1-55.


3.    Deus manda Jacó retornar à casa de seus pais    -    Mas, agora, o Senhor havia instruído Jacó para que voltasse para casa (Gn 31.3,11-13). Jacó falou com suas esposas e as lembrou de que seu pai Labão havia mudado seus ganhos “dez vezes” (Gn 31.4-7). Elas lhe asseguraram a aceitação de seus planos (vv. 14-16).

Enquanto Labão estava pastoreando o seu rebanho, Jacó com suas esposas, filhos, servos e rebanhos partiram rumo à terra de seu rebanho, Jacó com suas esposas, filhos, servos e rebanhos partiram rumo à terra de seu pai (Gn 31.17-20). Eles cruzaram o rio Eufrates e seguiram em direção a Gileade. Depois de três dias, Labão, ouvindo sobre a fuga, os perseguiu durante sete dias, encontrando-os na montanha de Gileade a, aproximadamente, 650 quilômetros de Harã (vv. 21-25). Irado, Labão levantou três acusações contra Jacó (vv. 26-30): (1) que ele fugiu em segredo; (2) que sequestrou suas filhas; (3) e, que roubara seus ídolos do lar (terafim; cf. G. E. Wright, Biblical Archaeology, p· 44). Jacó contava com vinte anos de servjço árduo e sofria a constante tentativa de Labão de defraudá-lo em seus ganhos. Depois de muitos discursos bombásticos, nos quais cada um tentava sobrepujar o outro exagerando nos erros cometidos pela outra parte, Labão sugeriu uma trégua, que foi marcada pelo estabelecimento de uma coluna e um monte de pedras, e que culminou em um banquete de aliança que durou a noite toda (vv. 3154־). Na manhã seguinte, Labão retomou a Harã e Jacó viajou em direção ao sul. 

Sem dúvida Jacó sentiu grande alívio em poder replicar a Labão. A atmosfera clareou-se e Labão abandonou a sua mordacidade. Os dois homens fizeram um acordo, ratificando-o e comemorando o acontecimento com o levantamento de uma coluna de pedras no alto da colina. A coluna constituiu o que foi chamado de Mispa ou "posto de observação", de onde um observador podia ver toda a terra em ambas as direções. Indicava suspeitas e falta de confiança. Ao levantar essa coluna os homens queriam dizer que estavam convidando Jeová para se assentar ali e observar as duas pessoas nas quais não se podia confiar. Deus tinha de ser uma sentinela para vigiar Labão e Jacó, na esperança de que a luta fosse evitada. Jacó foi obrigado a prometer que trataria as filhas de Labão com bondade e consideração. Nenhuma das duas partes deveria atravessar a fronteira estabelecida para praticar violência contra a outra. Jamais uma deveria prejudicar a outra.



                III.     JACÓ NO VAU DE JABOQUE


1.    A  angústia e o medo de Jacó    -   Esaú vinha de Edom, os mensageiros de Jacó o informaram, para se encontrar com o grande grupo de viajantes que vinha de Padã-Arã. Edom era a terra que ficava ao sul do Mar Morto, que geralmente é chamada de Seir, no Monte Seir (v. 3) na Bíblia. No Novo Testamento o povo de Edom é chamado de os idumeus. Jacó estava com o coração cheio de medo, lembrando-se das ameaças de Esaú anos antes e imaginando que o seu irmão estivesse fazendo planos para se vingar dele. Quatrocentos homens sob o comando do selvagem homem de Edom poderiam ser perigosos. Jacó adotou três medidas definidas para garantir a segurança. Primeiro, orou ao Senhor humildemente. Segundo, enviou pródigos presentes a Esaú para despertar sua boa vontade. Terceiro, arrumou sua família, suas propriedades e seus guerreiros da maneira mais vantajosa e preparou-se para lutar caso fosse necessário.

9-12. Na sua oração Jacó fez o Senhor se lembrar de que Ele o convocara a fazer esta viagem para Canaã e lhe prometera proteção e vitória. A oração foi sincera e humilde. uma sincera súplica pedindo segurança, livramento e proteção na emergência que se lhe defrontava. Embora nenhuma palavra de confissão saísse dos lábios do suplicante com referência as injustiças que cometera a Esaú e Isaque, Jacó admitiu humildemente que era completamente indigno do favor de Deus literalmente, sou indigno (v.10). Demonstrou o seu temor de Deus e a sua fé nEle. Estava literalmente lançando-se nos braços do Senhor para obter a vitória e o livramento.

13-21a. O presente, ou minha foi algo muito bem escolhido, consistindo de cerca de 580 animais dentre os seus melhores rebanhos. O minha era um presente que geralmente se oferecia a um superior com a intenção de se obter um favor ou para despertar sua boa vontade. Jacó disse: Eu o aplacarei (v. 20). A palavra é muito significativa no que se refere à expiação. Seu sentido literal é, eu cobrirei. Por meio do presente, Jacó esperava "cobrir" o rosto de Esaú, de modo que ele fizesse vista grossa para a injúria, abandonando sua ira. Suas próximas palavras – porventura me aceitará – são, literalmente, para que ele levante o meu rosto. É uma linguagem simbólica, indicando plena aceitação depois do perdão. Jacó foi excepcionalmente humilde, cortês e conciliatório em suas mensagens para Esaú. Ele chamou Esaú de "meu Senhor" e intitulou-se "seu servo". Ele não deixaria nenhuma pedra que não fosse revolvida em busca da reconciliação.

21b-23. Na noite antes da chegada de Esaú, Jacó enfrentou o teste decisivo de toda a sua vida. Depois de fazer suas esposas e filhos atravessassem o Jaboque em segurança, ele voltou para a margem setentrional do rio para ficar sozinho na escuridão. O Jaboque era um tributário do Jordão, ao qual se juntava a cerca de meio caminho do Mar da Galiléia e Mar Morto. Hoje se conhece o Jaboque pelo nome de Zerka.


2.    Jacó ficou só e lutou com o anjo    -     Lutava com ele um homem, ate ao romper do dia. Na solidão da escura noite. Jacó encontrou-se com um homem que lutou com ele. O hebraico 'abaq, "dar voltas" ou "lutar", tem alguma ligação com a palavra Jaboque. Depois de uma longa luta, o visitante desconhecido exigiu que Jacó o soltasse. Jacó recusou-se a fazê-lo até que o estranho o abençoasse. O "homem" pediu a Jacó que declarasse o seu nome, o qual significa suplantador. Então o estranho disse que daquele momento em diante ele teria um novo nome com um novo significado.

A palavra Israel pode ser traduzida para aquele que luta com Deus, ou Deus luta, ou aquele que persevera, ou, pode ser associado com a palavra 'sar, "príncipe". O "homem" declarou: Lutaste com Deus .. . e prevaleceste. Era uma certeza da vitória no seu relacionamento com Esaú, como também certeza de triunfo ao longo do caminho. Na titânica luta, Jacó percebeu a sua própria fraqueza e a superioridade dAquele que o tocou. No momento em que se submeteu, tornou-se um novo homem, que pôde receber as bênçãos divinas e tomar o seu lugar no plano divino. O novo nome, Israel, dá idéia de realeza, poder e soberania entre os homens. Estava destinado a ser um homem governado por Deus, em vez de um suplantador inescrupuloso. Por meio da derrota alcançara o poder. Todo o resto de sua vida ficaria aleijado; mas sua manqueira seria um lembrete de sua nova realeza.

Peniel (ou Penuel) significa face de Deus. O i e o u são simplesmente vogais de ligação entre os substantivos pen e el. É provável que se localize a cerca de 11,2 ou 12,8 kms do Jordão no Vale de Jaboque. Jacó vira a lace de Deus e continuara vivo. Jamais esqueceria essa incrível experiência.


3.    Jacó é transformado     -       Nesta luta, Jacó ganhou uma medalha, que não mais perdeu. Vendo o Anjo que não prevalecia, adaptando a linguagem às inteligências humanas, tocou-lhe a coxa e marcou-o para toda a vida. Quando passou o ribeiro, manquejava. Por isto os filhos de Israel não comem esta parte dos animais.

Qual seria o efeito sobre Esaú, ao ver este homem coxeando? Sem pau na mão, sem capacidade física para uma luta corporal, com um coração penitente, revelado no grande presente feito, não teria isto influído poderosamente em Esaú, caso quisesse vingar-se? Este Jacó não é mais o Jacó que roubou a bênção auxiliado por sua mãe. O tempo, as circunstâncias, as experiências e sobretudo Deus mudaram este homem. O Dr. Carroll aconselhava seus discípulos a comprar todos os comentários e livros sobre esta luta de Jacó com o Anjo, e dizia que neste incidente está o segredo de poder de Jacó. É certo isto. Vale a pena os pregadores lerem e relerem esta história. Ela é sempre nova. Depois de um contacto destes com Deus, Abraão, Paulo e muitos outros foram mudados para toda a vida.

(O riacho de Jaboque está seco seis meses do ano, e mesmo quando cheio tem pouca água. O autor passou a seco este rio há tempos atrás. Nem sinal de água. Em certo ponto os árabes Indicam o lugar da luta entre o Anjo e Jacó. É um lugar deserto atualmente; a não ser uma birosca, nada mais se vê no local.)


 Ele ficou coxo O anjo “tocou a juntura de sua coxa; e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, lutando com ele” (Gn 32.25). Foi uma mudança visível no seu corpo. Quando alguém tem um encontro verdadeiro com Deus, todo o seu ser experimenta mudanças indeléveis, não só no ser interior, na alma e no espírito, mas também no seu aspecto físico. A Bíblia diz que “a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas” (Hb 4.12). No encontro de Jacó com o anjo, não foi só a palavra que o alcançou, mas o ser celestial tocou diretamente no seu corpo e deslocou a sua coxa. Uma lição espiritual pode ser tirada desse fato. Quando alguém tem um encontro com Deus, não anda mais como antes, com suas próprias forças, mas como disse o salmista: “Sairei na força do S e n h o r Deus; farei menção da tua justiça, e só dela” (SI 71.16). 3.2. Jacó luta pela bênção de Deus O anjo fez ver a Jacó que precisava retornar ao céu, pois a alva já havia subido. “Porém ele disse: Não te deixarei ir, se me não abençoares” (Gn 32.26). Quando uma pessoa tem um encontro com Deus, deseja e busca intensamente as suas bênçãos. 

Diz o apóstolo Paulo: “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra” (Cl 3.1,2). 3.3. Jacó tem seu nome mudado Seu nome de nascimento era Jacó (Ta 'aqov, no hebraico), que significa “aquele que segura pelo calcanhar” ou “suplantador”; também tem o significado de “enganador”, pelo fato de ter enganado o seu pai para usurpar a bênção que seria de Esaú. O anjo, porém, perguntou a ele: “Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó. Então, disse: Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel, pois, como príncipe, lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste” (Gn 32.27,28).

 Esse fato indica que o anjo que falou com Jacó seria o próprio Deus, pois ele diz que Jacó lutou com Deus e com os homens e prevaleceu. A mudança de nome também indica mudança de caráter, de atitudes e de comportamento. Depois do encontro com Deus, Jacó não mais seria conhecido como “enganador” ou “suplantador”; a partir daquele momento em que foi tocado pelo anjo, o seu nome seria Israel, um homem de fé, um homem fiel, um homem de honra. O impacto na mente de Jacó foi tão grande que ele quis saber o nome do anjo: “E Jacó lhe perguntou e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali” (Gn 32.29).



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AUTOR: PB. José Egberto S. Junio, formato em teologia pelo IBAD, Profº da EBD. Casado com a Mª Lauriane, onde temos um casal de filhos (Wesley e Rafaella). Membro da igreja Ass. De Deus, Min. Belém setor 13, congregação do Boa Vista 2. 

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         BIBLIOGRAFIA


Bíblia Almeida Século 21
Bíblia de estudo das Profecias

Livro de apoio Homens dos quais o Mundo não era digno - Pr. Elinaldo Renovado - Editora CPAD

Genesis - Série Cultura Bíblica - Derek Kidner

JACÓ - Enciclopédia Ilumina

JACÓ - Comentário Bíblico Wesleyana

JACÓ - Dicionario Champlin

Jacó - Dicionário Wycliffe